15/03/2010
às 10:42 \ FrançaO eleitor escolheu. Ficar em casa ganhou.

Jamais uma eleição na França causou tanta indiferença. Um em cada dois eleitores franceses não foi votar no primeiro turno da eleições regionais. A oposição saiu à frente do partido de Nicolas Sarkozy. O Partido Socialista (PS) recolheu 30% dos votos. A União por um Movimento Popular (UMP), o partido do presidente, chegou em segundo lugar com 26,7% dos votos, à frente da Europa Ecologia (EE), doravante a terceira força política do país com 13,3%. A Frente Nacional (FN) teve inesperado bom resultado com 12% dos votos – trata-se da última disputa eleitoral do velho líder xenófobo Jean-Marie Le Pen, candidato na região Provence-Alpes-Côte d’Azur.
Há quem veja nos resultados alerta ao desempenho econômico do governo de Sarkozy. O porta-voz Frank Louvier, minimiza o efeito: “Eleições regionais, consequências regionais.” Nos Estados Unidos, a ministra da Economia, não mostrou sinal de mudança. “Eu vou continuar minha política fundada nos três R: relançar, reformar e retificar.” A fotografia da eleição não revela uma esquerda triunfante e um governo de joelhos, ela mostra com nitidez a desconfiança e descrédito profundo no poder político através da principal escolha de mais de 20 milhões de eleitores: ficar em casa no lugar de ir depositar o voto na urna.
Contudo, o presidente Nicolas Sarkozy sai perdedor no meio caminho do término do seu mandato e de incontido desejo de ir disputar um segundo em 2012. Boa parte do eleitorado que ele subtraiu da extrema-direita nas presidenciais, voltou ao velho ninho. Há uma parcela flutuante no voto tradicional do FN que mais por protesto e rejeição do que propriamente por convicção. Sem este eleitorado Sarkozy não vence a esquerda na França. Ele tentou seduzi-los desta vez encetando o debate estéril sobre a identidade nacional. Em uma eleição regional, os raros eleitores que foram votar mostraram-se menos preocupados com quem usa burka e bem mais com a administração pública local.
Tags: Jean-Marie Le Pen, Nicolas Sarkozy



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