Blogs e Colunistas

Arquivo de março de 2010

31/03/2010

às 14:27 \ Europa

Narguilê, a rival inglesa da Torre Eiffel

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O prefeito de Londres, Boris Johnson, revelou hoje a maior atração arquitetônica dos Jogos Olímpicos de 2012. Trata-se da maior obra de arte da Grã Bretanha, mais alta que o Big Ben. A estrutura metálica retorcida de cor vermelha e com 1.400 toneladas de aço ambiciona rivalizar em grandeza com a Torre Eiffel, na capital francesa, do outro lado do Canal da Mancha.

A torre de 115 metros de altura foi desenhada pelo premiado artista Anish Kapoor. Seu custo está estimado em 20 milhões de libras esterlinas (65,5 milhões de reais). A obra será financiada pelo bilionário indiano Lakshmi Mittal, mega empresário do setor siderúrgico, dono do grupo ArcelorMittal.

Um ponto de observação no alto será capaz de receber 700 visitantes por hora. A torre já ganhou o apelido de “Hubble Bubble” pela sua semelhança com a forma de um narguilê, o cachimbo de água árabe utilizado para fumar. A construção começa semana que vem no Parque Olímpico, ao lado do estádio, em Stratford. A torre  permanecerá depois dos JO de Londres com nome oficial  de ArcelorMittal Orbit.

Por Antonio Ribeiro

31/03/2010

às 8:39 \ Américas

O zelo com as palavras

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Para quem acha que Barack Obama é uma espécie de encarnação norte-americana de Luiz Inácio Lula da Silva, vale a pena dar uma olhada na fotografia que ilustra o post. Ela mostra o cuidado de Obama com as palavras de seu discurso. Revela que ele e Lula, ao menos neste particular, não são de mesma classe. No duplo sentido do termo, diga-se de passagem.

A parte a habitual oba-obamania, a pasmaceira do culto à sua personalidade que acontece independente da sua vontade, Obama vem recebendo um dilúvio de elogios desde que conseguiu aprovar o novo sistema de saúde nos Estados Unidos. O mais recente veio de Nicolas Sarkozy, em visita a Washington: “Presidente Obama quando promete algo, ele cumpre.” É algo que o presidente da França não pode dizer de si mesmo nem do amigo Lula, ainda que a compra dos caças Rafale seja a exceção que confirma a regra.

Por Antonio Ribeiro

29/03/2010

às 10:01 \ Arte

1.5 Crime e castigo: A morte no museu

guilhotinaA Justiça brasileira acaba de estabelecer um marco com o julgamento dos assassinos da menina Isabella Nardoni, de 5 anos. Ele é histórico pela punição exemplar do crime hediondo em um país habituado à impunidade. Mas também pela impecável lisura do processo. Assim como a excelência no fabrico das provas, onde polícia e perícia serviram-se desde a lógica até avançados recursos ao alcance da criminologia. Contudo, o registro visual do momento passará à posteridade por traços que lembram histórias em quadrinhos. Os desenhos dos infografistas admitidos nas sala de audiência.

Este tipo de material serve, sobretudo, para ilustrar relatos que dão conta do ocorrido longe da imensa maioria do público que acompanhou o caso com não menor interesse. Mas eles um dia poderão adentrar a porta de um museu. É o que está acontecendo agora em Paris. A partir de uma idéia do jurista Robert Badinter, o homem que aboliu a pena de morte no país da guilhotina, o Museu d’Orsay montou exposição com 475 obras de indivíduos que elegeram o crime e o castigo como tema de seus talentos. A mostra fica aberta à visitação até o dia 27 de junho. Ela explora os dois séculos posteriores à Revolução Francesa.

Os organizadores da exposição Crime et châtiment, título homônimo do clássico de Fiódor Dostoievski, avisam: “Atenção, o conteúdo pode chocar sensibilidades.” A exposição é proibida para crianças. Nenhum exagero. Logo na entrada, o visitante dá de cara, ainda que parcialmente coberto por véu transparente negro, com mais recente exemplar do Dr. Joseph-Ignace Guillotin que fez rolar a cabeça de Hamida Djandoubi para interior de um cesto, o último condenado à morte na França, em 1977. “A Viúva”, apelido da guilhotina, não é exibida em público há 25 anos.

Mais à frente, há telas de Francisco Goya, Edgar Degas, Pablo Picasso, René Magritte e Andy Warhol, onde se vê crucificação, canibalismo, tortura, linchamento, apedrejamentos, estupros. Nestes casos, a circunstância atenuante dos cenários é só a genialidade dos artistas. Há também fotografias e páginas de jornais com notícias de crimes bárbaros. Um deles, é a capa do Le Petit Journal, um diário que chegou a circular um milhão de cópias entre 1863 à 1944. Ela mostra Jeanne Weber, “a ogra”, esganando uma criança.

Ao lado do rato, o homem é único animal capaz de abreviar a vida de um igual, movido apenas pela vontade de matar. O bíblico Caím, primogênito de Adão e Eva, primeiro homem nascido na Terra, é um assassino. A característica sempre fascinou o mundo das artes. “Mas o horror absoluto, no seu estado puro, não é completamente representável, certos sofrimentos são indizíveis”, diz o curador da exposição Jean Caire à VEJA.com. Um dos aspectos interessantes da exposição Crime et châtiment é notar a superioridade das imagens em relação à escritura e ao relato oral no que diz respeito à descrição da violência e da crueldade. Em sua nitidez, há pouco espaço para imaginação. Você vê o que vê. Se reflexão vier, ela acontece em um segundo momento.

bailarina1Quem não tiver oportunidade de ir à exposição do Museu d’Orsay, pode visitar o Museu de Arte Moderna de São Paulo para ver um detalhe curioso. O rosto de uma estatueta em forma de bailarina, esculpida por Degas. Ela tem traços de bandida. Ou melhor, assim sustentava tese da antropologia criminal no século XIX. O psiquiatra italiano César Lombroso, autor de O Homem Criminoso, pesquisou a morfologia de 5.000 delinquentes nas prisões para em seguida, concluir que eles tinham características físicas semelhantes – em sua maioria elas assemelhavam com os de animais primitivos. “Olha aqui com o que se parece o nariz de um bandido atávico”, dizia ele. O que era uma tentativa para estabelecer um método formal de identificação criminal, hoje serve mais como inspiração para ilustrações de literatura fantástica.

Veja obras da exposição nos posts abaixo.

Por Antonio Ribeiro

29/03/2010

às 9:56 \ Arte

2.5 Crime e castigo: Assassinato do herói popular

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Marat Assassinado! 13 de Julho 1793, 8 horas da manhã

Jean-Joseph Weerts (1847-1927)

1880 – Óleo sobre tela (268 cm x 360 cm)

Por Antonio Ribeiro

29/03/2010

às 9:53 \ Arte

3.5 Crime e castigo: Os canibais de Goya

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Canibais preparando sua vítima

Francisco Goya (1746-1828)

Entre 1800 e1808 – Óleo sobre madeira (32,7 cm x 47 cm)

Por Antonio Ribeiro

29/03/2010

às 9:48 \ Arte

4.5 Crime e castigo: O fascínio surreal pelo crime

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O Assassino Ameaçado

René Magritte (1898-1967)

1927 – Óleo sobre tela (150,4 cm x 195,2 cm)

Por Antonio Ribeiro

29/03/2010

às 9:44 \ Arte

5.5 Crime e castigo: Ogra na capa do Le Petit Journal

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O último crime da ogra

Le Petit Journal (1863-1944)

1908 — Gravura sob papel (43 cm x 30 cm)

Por Antonio Ribeiro

25/03/2010

às 13:29 \ Aviso aos navegantes

A partir do 1/Abril/2010. Não é mentira. É o futuro.

Veja como você poderá ler revistas:

Por Antonio Ribeiro

25/03/2010

às 6:00 \ Gente

Carla Bruni, redatora-chefe do Madame Figaro

carlaredatoraCalma lá. Sem susto. A França ainda não abraçou a sandice do controle da imprensa – hábito dos regimes totalitários que  o PT adora e  que governo Lula namora desde o início sem a anuência dos brasileiros.

A primeira-dama da França, Carla Bruni-Sarkozy, de 42 anos, comandou durante 3 semanas edição especial da revista Madame Figaro, o tradicional suplemento de fim de semana do jornal Le Figaro, publicação em rotogravura, repleta de anúncios de luxo separando as informações de interesse  feminino. A edição vai às bancas e aos assinantes dia 27 de março.

São destaques das 90 páginas editadas pela inusitada redatora-chefe: a entrevista com o cantor Bono, da banda U2, ” e uma reportagem sobre a Fundação Carla Bruni-Sarkozy que, segundo seus organizadores, tem por vocação “facilitar o acesso à cultura, à educação e ao saber afim de lutar conta as desigualdades sociais.” Há também receitas culinárias do cozinheiro do Palácio do Elisée e dicas para manter a forma e beleza,

Diariamente, Carla Bruni tem respondido questões dos leitores que vão ao ar em forma de vídeos no site do jornal. O leitor Olivier, por exemplo, quis saber como Carla conseguia conciliar tantas funções distintas dentro do seu cotidiano. Quer dizer, primeira-dama, compositora intéprete, presidente de fundação e ainda, esposa e mãe. Carla conta que tira de letra, salvo as dificuldades inerentes à vida simultânea de artista e de mãe.

As outras questões são sobre suas preferências musicais, sobre ecologia… uma candura só, de lado a lado. Carla diz que não gostaria que o marido fosse candidato nas eleições presidenciais de 2012. “Mas eu me adaptarei a qualquer decisão que ele tomar”, vai logo deixando claro.

A primeira-dama aproveitou para comentar os boatos sobre supostos casos extra-conjugais dela e de Nicolas Sarkozy: “Reproduzir rumores sem fundamento de fonte anônima, me parece uma deriva em uma democracia e risco para a credibilidade e nobreza de um ofício cujo sentido, baseia-se na integridade da informação.”

Não tem jeito, ela leva jeito.

Por Antonio Ribeiro

22/03/2010

às 7:12 \ França

O que a derrota de Sarkozy significa?

derrotanasregionais

O partido do presidente da França Nicolas Sarkozy foi amplamente derrotado no segundo turno das eleições regionais. A Union la de Gauche, coalizão de oposição (Partido Socialista e Europe Ecologie) obteve 47,71% dos votos. A União por um Movimento Popular (UMP), partido de sustentação do governo, doravante só comanda uma região na França metropolitana, a Alsácia. O Font Nacional (FN) cresceu nas 8 regiões onde conseguiu manter candidatos para a disputa da fase final, embora não vá governar nenhuma.

O que isso significa? Sarkozy convocou o primeiro-ministro François Fillon para estudarem  uma mexida ministerial – os ministros que disputaram e perderam a eleição devem ser substituídos. Se quiser ter alguma chance de sair vitorioso nas eleições presidenciais em 2012, o presidente deverá retomar com bem mais empenho as reformas prometidas quando foi eleito. Não é a esquerda unida que representa perigo à Sarkozy, mas o descrédito que as ações de seu governo semearam entre o eleitorado fiel.  Estima-se que 11,5  milhões de eleitores que ajudaram sua eleição, não votaram na UMP, desta vez. Sarkozy prometeu reduzir o desemprego, impostos, gastos do estado, reformar a Previdência, aumentar a segurança, melhorar a educação, controlar a imigração. Vasto programa? Sem dúvida, mas é isso que seus eleitores ainda querem. E não é parto indolor.

Atualização: O jornal francês Le Figaro perguntou no seu site na internet: “Você acha que deveria haver uma pausa nas reformas?” Em cada 10 internautas, 7 responderam: “Não”.

Por Antonio Ribeiro

 

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