Blogs e Colunistas

Arquivo de fevereiro de 2010

14/02/2010

às 8:06 \ Aviso aos navegantes

Até bem breve

feriasb2010

Caríssimo leitor,

Chegou a hora das férias anuais do blog De Paris. Estaremos de volta no dia 10 de março. Durante o período, a mediação dos comentários continua. Não está descartada a hipótese de eventuais incursões… já sinto saudades do nosso convívio.

De Paris, um abraço

Por Antonio Ribeiro

11/02/2010

às 13:55 \ Paris

Bar café: o declínio de uma instituição

barcafe

Ainda está para nascer melhor cronista dos modos e costumes parisienses do que o autor de A Comédia Humana, o escritor francês Honoré de Balzac (1799 -1850). É de sua autoria o mais fundo conceito do bar café, considerado instituição no seu país. “O café da esquina é o parlamento do cidadão comum.” Le bistrot du coin ao lado da Torre Eiffel, do vinho e do queijo, da moda e dos museus, e tantos outros estereótipos que desenham no imaginário, a cédula de identidade da França, não é só lugar de consumo. Ali junto ao balcão de zinco, entre cadeiras raquíticas e sobre as mesas de madeira esculpida pela frequência, pode-se aferir em ritmo cotidiano, a disposição do espírito nacional. Incontornável ponto de visita de quem apropria-se dos hábitos locais mesmo que por breve momento, como fazem os turistas.

Contudo, o tecido formado pelos tradicionais bares cafés  se rarefaz desde a década de 60. Eram 200.000 à época enquanto hoje, sobraram apenas 30.000. A maioria dos 64 milhões de franceses observavam o fenômeno como sucedâneo natural dos tempos e com certo descaso, semelhante  ao desaparecimento das lendárias concierges, as zeladoras dos prédios. Só no ano passado, 2.000 pequenos cafés e bistrôs de bairro fecharam para sempre, uma média de 6 por dia. A rapidez da extinção tocou o sinal de alarme, rompeu os portões do Senado para se instalar no plenário como pauta de debate. A questão é premente se considerada a perda de 12% no faturamento dos proprietários de cafés em 2009.

Várias pistas explicam o declínio dos cafés, também conhecido como a “sala de estar dos pobres”. Os proprietários reclamam dos impostos pesados, dos encargos sociais que se adicionam aos salários dos empregados, das campanhas governamentais contra o consumo de bebidas alcoólicas e da lei anti-tabagista cujo efeito, foi o desaparecimento da nuvem de nicotina e 6% da clientela. Na lista de queixas figura também a perda de poder aquisitivo dos franceses. No lugar de pedirem a tradicional entrada de ovos com maionese seguida de filé com fritas regado com vinho e arrematar com um crème brûlée, os clientes preferem aplacar a fome com refeições mais rápidas e baratas. O sanduíche de baguete com presunto acompanhado de Coca Light, por exemplo.

Pagar mais de 1,50 euro por uma xícara de café expresso tornou-se proibitivo em tempos de crise. A máquina de expresso caseiro, tipo Nespresso, o da publicidade do ator americano George Clooney, quebrou o monopólio do tradicional café preparado com famosas máquinas italianas nos bares parisienses. Os cafés de esquina passaram a sofrer concorrência direta de redes com ambientes espaçosos, confortáveis e com conexão gratuita e sem fio à internet como Starbucks, onde há vários tipos de café. Se antes era pitoresco, turistas toleram bem menos o mau humor dos garçons, as idiossincrasias dos donos cujo senso comercial de antanho, a lei da oferta e procura, deu lugar ao decreto do “entre, consuma o máximo, pague e vá embora.”  O cliente que faz um pedido fora do cardápio ou prefere outra mesa difenrente da indicada, parece ofender o estabelecimento comercial.

O governo preconiza medida geriátrica para salvar os cafés que restaram. “O bar café deve oferecer múltiplos serviços”, diz o ministro das Cidades e Espaço Rural, Michel Mercier. Leia-se, transformar-se em uma espécie de entreposto do estado. Ou seja, além de propor comes e bebes, deve vender bilhetes do metrô, selos postais, loteria. Já é o caso de muitos, sem conseguir inverter a curva. Na verdade, os pequenos bares cafés são vítimas mais frágeis daquilo que o governo francês faz de modo exemplar. Quando uma empresa vai bem, impõe taxas. Se continua sobrevivendo, criam regulamentações. Quando começam a dar prejuízo, subsidiam.

Já nos anos 80 alguns anteviram a crise criando o que pode ser considerado como a nova geração dos cafés parisienses, a chamada revolução Costes-Stark – junção dos nomes dos proprietários do Café Costes e do designer Philippe Stark, que decorou o interior. Os bares café foram recriados com ambientes mais luxuosos, atmosfera temática – poéticos, musicais, étnicos, artísticos, literários, esportivos – serviço atencioso, quase sempre de jovens que reconhecem o cliente na segunda visita.

Por Antonio Ribeiro

09/02/2010

às 8:34 \ França

Viva o contribuinte brasileiro!

Evolução da exportações de armas francesas

Exportações de armas francesas

As olimpíadas Rio 2016 nem começaram, mas a França quebrou um recorde. A razão não é o bom desempenho dos seus atletas, mas sobretudo a formidável generosidade dos contribuintes brasileiros que pagam impostos ao governo Lula – a despeito deles, diga-se  en passant. Devido às encomendas militares nacionais – 4 submarinos e 50 helicópteros – a França chegou à marca histórica de 8 bilhões de euros em vendas de armamentos no ano passado — um aumento de  21% em relação a 2008. O país deverá subir ao pódio em este ano quando concluir a venda dos 36 aviões de combate Rafale ao Brasil, tornando-se o terceiro maior exportador de armas do mundo. O Ministério da Defesa francês estima que irá vender entre 10 e 12 bilhões de euros em armas  em 2010 (veja o gráfico), mais da metade só para o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

08/02/2010

às 15:14 \ Arte

… de ser breve.

Entre as melhores publicidades na TV durante a final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, Google conta um romance parisiense em 52 segundos. Simplicidade e elegância. Foi a primeira vez que  a empresa, responsável por 66% das buscas na internet e a página mais visitada da rede, anunciou na TV. Estima-se que a publicidade tenha custado 5 milhões de dólares.

Por Antonio Ribeiro

07/02/2010

às 10:24 \ Paris

A fila do Bazin vista por uma leitora

bazinUma leitora do blog De Paris, depois de ler o post sobre a baguette do Bazin, decidiu conferir a dica.

Ela foi hoje de manhã, domingo friozinho em Paris, à padaria da rua Charenton. Chegando lá, encontrou fila na porta. Sacou seu iPhone do casaco, fotografou e nos enviou a imagem.

Cada dia que passa, aumenta o orgulho do autor deste blog pelos seus leitores. Escrever para vocês é um prazer!

Por Antonio Ribeiro

05/02/2010

às 18:24 \ O Melhor de Paris

A baguete do Bazin

baguete

Era uma vez o tempo em que os parisienses reconheciam de cara o estrangeiro, olhando para os seus pés. Havia grande chance de quem andava de tênis pelas ruas de Paris ter passaporte americano. O pessoal do leste europeu transitava em sapatos de couro ruim. Se os calçados fossem de cor cinza, era batata: o sujeito vinha de lá onde supunha sua origem. Os italianos pertenciam à categoria que atiçava a abordagem para saber onde se comprou aquela maravilha que ornava e protegia os seus membros inferiores. Hoje virou geléia. Ou melhor, confiture générale. Há russos desfilando pelos bulevares com vistosos mocassins italianos. Americanos que calçam Made in China e até os franceses mais elegantes adotaram, sem culpa, o andar confortável em cima do par de tênis.

Sobrou algum símbolo próprio dos turistas no destino de 75 milhões de indivíduos por ano, o ponto mais visitado do mundo? Sim vários. Há matéria-prima para o fabrico de um tratado. Nem tanto porque os viajantes fazem parte de classe genérica, mas porque os parisienses são um tipo muito peculiar. Um exemplo clássico é a maneira com que eles carregam a baguete, produto gálico por excelência, tradição e com um código de uso que lembra a especificidade da canga, usada pelas cariocas para ir a praia. (E vá explicar para uma francesa que a canga deve sair como chegou, sem um grãozinho de areia!)

O diretor e ator novaiorquino Woody Allen, por exemplo, para se dar um ar local no seu filme musical Todos Dizem Eu Te Amo - boa parte foi rodado em Paris - protagonizou cena onde sua personagem atravessa a Ponte au Change sobre o rio Sena com uma baguete debaixo do suvaco direito. Nada menos parisiense. O nativo de cá leva o pão de cada dia com cautela e delicadeza, Tal qual, digamos, um coroinha que conduz a vela ao altar. Detalhe, na saída da padaria, depois de comprar a baguete, o ritual fica completo se você arrancar um naco da extremidade. E ir comendo até atenuar a tentação provocada pelo aspecto, o aroma, a textura crocante, o sabor impar. O efeito é maior se o exemplar vier de fornada recente.

Onde se faz a melhor baguete de Paris? Refiro-me a comum, de todos os dias. Aquela que os parisienses chamam de ordinaire cujo preço oscila entre 90 centavos e 1 euro. Embora os candidatos não variem muito — são 1.260 padarias em Paris — a eleição obedece alternância frequente. O blog De Paris aposta todas as fichas na ciência do padeiro Jacques, proprietário da Boulangerie Bazin, situada no décimo distrito da capital, não muito longe da praça da Bastilha. O produto do Monsieur Jacques tem forma regular. Nota-se na superfície dourada, como a assinatura do artesão, 8 cortes de igual tamanho e profundidade. Na parte inferior não há traços negros de queimado. O tostado é uniforme. O aroma do trigo predomina sobre o da fermentação do qual não se exala  acidez exagerada. Há um leve odor de manteiga. O interior da baguete não é de massa compacta, tem áreas de ventilação, como o queijo Emmental, o popular “suíço”, segundo dizem em Pindorama.

A baguete francesa é regulamentada por um decreto de setembro de 1993. Ele determina o método de fabricação com farinha pura sem aditivos; petrificação mínima e fermentação longa. O resultado deve estar próximo à baguete dos anos 30, antes da Segunda Guerra Mundial. A iguaria deve ter entre 5 e 6 centímetros de diâmetro, 60 centímetros de comprimento e pesar em torno de 250 gramas. Os franceses comem, em média, 180 gramas de pão por dia, mais do que nos anos 1970 quando consumiam 150 gramas diárias. A baguete existe desde 1793, pouco depois da Revolução Francesa, quando a legislação obrigou os padeiros fabricarem um pão barato e igual para todos. Naquela época os padeiros trabalham à noite enquanto a população dormia. O ambiente era frio, úmido onde se respirava ar rico em farinha de trigo. O cronista Louis-Sébastien Mercier dá conta que os padeiros eram franzinos e pálido e seus colegas açougueiros, parrudos e corados. A palavra baguette em francês vem do italiano bachetta, pequeno bastão.

Para quem quiser se aprofundar mais no assunto, sugiro leitura da obra do historiador Steven Kaplan, Good Bread Is Back: A Contemporary History of French Bread, the Way It Is Made, and the People Who Make It

Boulangerie Bazin

85 bis rue Charenton

75012 Paris

Telefone: +33 1 43 07 75 21

Fechado quarta e quinta-feira

Por Antonio Ribeiro

04/02/2010

às 10:45 \ Brasil-França

Ações da Dassault dão salto olímpico

acoesdassault2A francesa Dassault Aviation, fabricante do Rafale, como de costume, não quer comentar a informação que Lula oficializou a compra de 36 aviões de combate para substituir caças da Força Aérea Brasileira no projeto FX-2. O Palácio do Elyseé também preferiu ficar em silêncio. No mundo real, as ações da empresa deram um salto  como já não acontecia em anos, elas subiram 5,3% na Bolsa de Paris, depois da notícia. A compra dos caças é questão capital para Dassault, desde a série de anulações de pedidos, devido a crise econômica, do seu produto principal, o jato executivo Falcon.

Se no lado francês adotou-se o mutismo,  o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o preço do Rafale, o mais caro entre os 3 caças concorrentes, é apenas um elemento “componente”. Quanto ao relatório da FAB, elaborado pelo Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate), que apontou o sueco Gripen NG como a melhor opção, Jobim disse foram usados “parâmetros que não coadunam com a Estratégia Nacional de Defesa.”

Por Antonio Ribeiro


 

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