Blogs e Colunistas

Arquivo de novembro de 2009

19/11/2009

às 8:35 \ Futebol

Mãos ao alto!

jornaihenry

Os dois lendários e mais respeitados jornais de esporte da Europa publicaram nas suas primeiras páginas a história do lance vergonhoso — impedimento e toque duplo de mão do atacante e capitão do time, Thierry Henry — que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul. O francês L’Equipe titula: “Mão de Deus”. E faz um comedido editorial — Perfil baixo”— em cima da foto da ação. “Não há comemoração, mas alívio,” escrevem sobre o sentimento hoje entre os torcedores franceses. O italiano La Gazzeta dello Sport, é mais específico. Publica frase do treinador da Irlanda, Giovanni Trapattoni: “Che furto!” Quer dizer: “Que furto!”

Em Paris, os imigrantes e franceses de origem magrebina comemoraram a classificação da Argélia para Copa depois da vitória sobre o Egito. A maioria dos torcedores dos Bleus manifestaram desconforto e diferentes níveis de vergonha após a classificação da França. Em Zurique um porta-voz da FIFA descartou a possiblidade agurmentando que segundo as regras do futebol o arbitro do jogo tem a palavra final. Bem, segundo as regras do fubebol… toque de mão só vale para os goleiros.

Por Antonio Ribeiro

18/11/2009

às 21:41 \ Futebol

Mão de Henry classifica a França para Copa

Thierry Henry: "Foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo"

Thierry Henry: "Sim foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo"

A ação irregular do atacante francês que ajudou o passe para o defensor Gallas marcar o gol que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul foi ainda mais clara que a famosa “Mão de Deus” de Maradona contra a Inglaterra nas quartas-de-final da Copa do México, em 1986. Milhões de telespectatadores viram ao vivo. E reviram várias vezes nos videotapes. Só o juiz sueco Martin Hansson – e seus três colegas de arbitragem – não viu ou fingiu não ter visto.

Depois da partida, Thierry Henry admitiu ter controlado a bola com a mão. “Sim, foi mão, mas eu não sou o juiz do jogo,” disse o número 12 da França.  O italiano Giovanni Trapattoni, treinador da Irlanda, declarou: “Nós vimos o arbitro hesitar, olhar para o Henry, ele deveria ter lhe perguntado. Se o juiz tivesse colocado a questão ao Henry, o atacante teria dito.”

Veja o lance pelo vídeo da TV francesa TF1 onde Henry, em impedimento, toca duas vezes com a mão na bola:

Internautas organizaram um abaixo assinado pedindo a Joseph Sepp Blatter, presidente da FIFA, o uso de vídeos nas partidas de futebol para ajudar o árbitro decidir lances duvidosos. Ela está aqui. Dermot Ahern, ministro da Justiça da Irlanda e apaixonado por futebol, pediu a FIFA que organize um novo jogo. “É o mínimo que devemos para milhões de torcedores jovens ou ficará a impressão de que se você trapacear, você ganha.” Alguns torcedores iniciaram a campanha  na internet para boicotar produtos que Thierry Henry anuncia. A Gillette, fabricante de lâminas para barbear, escolheu o atacante francês, o tenista Roger Federer e o golfista Tiger Woods, porque segundo a companhia, eles representam os “verdadeiros valores do esporte”.

Por Antonio Ribeiro

17/11/2009

às 17:30 \ Veja

“Obrigação de saber”

obrigacaodesaber2Dias depois do presidente Lula da Silva contar para um amigo confidente na RedeTV! que o mensalão — o maior show de corrupção da história do Brasil onde a estrela do PT brilhou como nunca — não passou de golpe da oposição, a organização Transparência Internacional (TI) divulgou sua famosa lista anual. O Brasil continua lá, quase na zona do rebaixamento, entre os países corruptos. O país recebeu 3,7 pontos, em uma escala da prática  da propina de 0 a 10. É uma nota vergonhosa para uma das maiores economias do mundo. Aliás, é uma nota vergonhosa para qualquer um. Embora tenha galgado 5 posições na percepção da TI, o país ainda navega em baixíssimo nível de honestidade. Se o Brasil fosse uma concessonária de carros usados, ele seria a 75º opção confiável para um consumidor comprar o seu veículo. No auge do mensalão, entrevistamos Peter Einger, criador da Transparência Internacional, para VEJA. A entrevista foi publicada na edição 1927, de 19 de outubro de 2005, reproduzimos abaixo para refrescar a mémoria.

Entrevista: Peter Eigen

“Obrigação de saber”

O criador da principal ONG de combate à corrupção diz que Lula o desapontou no campo da ética e que os brasileiros não  devem cair na tese de que ele nada sabia

Antonio Ribeiro, de Paris

O advogado alemão Peter Eigen, ex-diretor do Banco Mundial, fundou e preside há doze anos a Transparência Internacional, a principal organização não-governamental de combate à corrupção no mundo. Nesse período conseguiu o feito de incentivar a adoção de regras éticas mais estritas tanto de empresas quanto de governos. Em parte influenciada pela cruzada de Eigen, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que congrega as trinta maiores economias do mundo, tratou de criar uma convenção para tentar evitar o pagamento de propinas. Em dezembro próximo, será a vez da ONU de propor um suporte legal para indiciar suspeitos de corrupção em qualquer parte do mundo e recuperar fundos de origem ilícita depositados em contas secretas de paraísos fiscais. Nesta semana, a Transparência Internacional publica o seu já esperado índice anual de Percepção da Corrupção, com 159 países. O Brasil vem ocupando uma posição intermediária no ranking, atrás de cerca de cinqüenta países onde a corrupção é menos insidiosa.

Veja - O senhor rastreia a corrupção de governos pelo mundo há muitos anos. Já deparou antes com um caso como o brasileiro, em que um presidente é cercado de corruptos no partido, no alto escalão do governo e até na família, mas ele não sabe de nada?

Eigen - Muitas vezes os dirigentes não querem tomar conhecimento das sujeiras a seu redor. Assim imaginam escapar da culpa. O abuso desse escudo da impunidade levou o sistema judicial americano a evoluir para a noção da “obrigação de saber”. O chefe é responsável pela ação dos seus subordinados. Ponto.

Veja - O presidente Lula subscreveu um programa contra a corrupção elaborado pela Transparência Brasil e no governo ele e seu partido fizeram tudo ao contrário…

Eigen - Quando o presidente Lula foi eleito fiquei muito otimista. Os escândalos, no entanto, me deixaram muito desapontado. Como se diz, o poder corrompe, mas é preciso que se tenha em mente que nem todos se deixam corromper. Os brasileiros devem estar sempre céticos em relação às desculpas dadas pelos governos.

Veja – Nos últimos meses, jornalistas de VEJA trouxeram à luz diversos focos de corrupção oficial e, mais recentemente, revelaram a existência de uma máfia que fraudava jogos de futebol. O que se viu foi que no campo esportivo a denúncia surtiu efeitos depurativos imediatos, enquanto na política pouco ou nada aconteceu. Como o senhor explica isso?

Eigen - Os brasileiros estão habituados com o melhor futebol do mundo. Ele é razão de orgulho nacional. É perfeitamente natural querer preservá-lo. Em contrapartida, a expectativa a respeito da conduta dos políticos é muito baixa e não haveria nada a preservar. Seria prudente não se iludir, porém. Cada político corrupto equivale a um gol contra, uma vaga na escola pública que se sonega a uma criança, um tratamento de saúde a que um idoso doente não terá acesso. Se os políticos brasileiros contribuírem para resolver a atual crise de corrupção de forma digna, vão inscrever seus nomes na história. Os efeitos disso serão muito mais benéficos obviamente do que a conquista de uma Copa do Mundo.

Veja - Como o senhor define a corrupção?

Eigen - A corrupção é o uso indevido de um poder qualquer para obter ganhos em benefício próprio.

Veja – Os regimes democráticos são mais ou menos suscetíveis de sofrer com a corrupção?

Eigen – A corrupção é o maior obstáculo atual ao funcionamento das democracias. Ela provoca a desconfiança dos cidadãos no processo político. Se as pessoas descobrem que seus representantes submetem suas decisões a propinas ou favores, elas perdem convicção e interesse no jogo político. Democracia sem participação deixa de ter sentido como tal e os líderes perdem a legitimidade. Um ambiente corrupto exime as lideranças de prestar conta de seus atos, torna difícil para a polícia e a imprensa a investigação dos fatos, enquanto o sistema judicial favorece a impunidade. Tudo isso em óbvio prejuízo para o cidadão comum.

Veja - Onde há maior incidência de corrupção política?

Eigen - O fenômeno é global, mas nos países emergentes seus efeitos são ainda mais danosos. Uma pesquisa recente da Transparência Internacional revelou uma realidade terrível. Os políticos de 65 países, comparados com todas as outras profissões, são considerados as pessoas menos confiáveis na sociedade. Na Alemanha, o ex-chanceler Helmut Kohl se recusa a revelar a fonte de uma gigantesca contribuição financeira ao seu partido, o que constitui uma violação clara da lei de financiamento dos partidos políticos. O mau exemplo dos dirigentes age como um catalisador sobre as pessoas chancelando os atos ilícitos no dia-a-dia. Um cotidiano corrupto, por sua vez, impulsiona a corrupção oficial, dando continuidade ao ciclo. Em muitos lugares, as pesquisas mostram que os jovens estão se sentindo impotentes quando percebem que seus votos não têm força para mudar o rumo do seu país. Boa parte da violência aparece como resultado dessa situação. Nos países emergentes que até poucos anos atrás eram governados por ditaduras, os efeitos da corrupção são mais preocupantes.

Veja – Alguns economistas acham a corrupção inelutável e até admitem a existência dela de modo que a economia possa crescer. Isso tem fundamento?

Eigen - Essa é uma concepção equivocada. Durante 25 anos me debati no Banco Mundial para a corrupção ser considerada uma questão de primeira grandeza. Não consegui. Meus colegas achavam sua ocorrência normal como a alternância das estações climáticas. Por isso saí e fundei a Transparência Internacional. Hoje, o Banco Mundial reviu suas concepções e passou a encarar a corrupção como um desastre social e econômico. A corrupção desequilibra de forma perversa as concorrências econômicas saudáveis. Qualidade, baixo custo e bons serviços deixam de ser vitais quando um negócio pode ser decidido pelo valor das propinas. Isso é um forte inibidor da produtividade. Obviamente muitas empresas imaginam que, se não corromperem, vão ficar fora do jogo econômico. Mas essa visão é ruinosa. A corrupção destrói a riqueza e todos perdem. O capital obtido pela exploração dos recursos naturais dos países, um patrimônio de todos, é drenado para o bolso de alguns poucos. A Nigéria, o 12º maior produtor de petróleo, poderia ser um dos países mais ricos do mundo. Não é. O que se tem é um país em que 130 milhões de nigerianos vivem na miséria, enquanto o regime do ditador Sani Abacha foi acusado de ter estocado 4 bilhões de dólares em contas na Suíça. Na Indonésia, a família Suharto fez coisa parecida a ponto de os indonésios considerarem a descoberta de petróleo um castigo, e não um caminho para a prosperidade. Salvo a Noruega, todos os países produtores de gás natural e de petróleo têm alto grau de corrupção.

Veja - Que benefícios aparecem mais rapidamente quando um país consegue controlar a corrupção?

Eigen - Um exemplo é a Itália. Lá a normalização ética derrubou dramaticamente os preços das obras públicas, facilitando a modernização do país. O mesmo efeito pode ser esperado nos países em desenvolvimento. Quantos hospitais mais poderiam ser construídos com o mesmo dinheiro se a roubalheira fosse interrompida? Quantas vidas poderiam ser salvas? Não hesito em dizer que a corrupção é o principal motivo da miséria na América Latina, na Ásia e na África. Não faltam recursos para erradicar a miséria nessas regiões. Falta evitar que eles sejam desviados.

Veja – Está ficando mais fácil detectar e conter a corrupção?

Eigen - Até bem pouco tempo atrás, empresas européias podiam deduzir do imposto o suborno feito em países para onde exportavam. Criticamos duramente essa prática. Ela foi proibida em maio de 1999. Se um alemão for pego subornando alguém em Brasília, ele será punido pelas leis alemãs como se tivesse cometido o crime em Berlim ou Hamburgo. Na era digital e da cooperação judicial multilateral, esconder corrupção equivale a colocar gato debaixo do tapete. Cedo ou tarde, o bicho derruba o dono.

Veja - Determinadas culturas e povos são mais lenientes com a corrupção do que outros?

Eigen – Em algumas culturas as cortesias e a troca de presentes fazem parte do cotidiano. Mas corrupção não é isso. Nenhuma cultura aceita que apenas alguns poucos enriqueçam desonestamente. Não há relativismo para o roubo. Ele é condenado em qualquer cultura, religião ou código.

Veja - O exame de edições sucessivas do Índice de Percepções de Corrupção mostra um padrão. Os países escandinavos são vistos como ilhas de integridade, enquanto a corrupção é mais fortemente percebida no Hemisfério Sul. Qual é a explicação?

Eigen - A questão não é geográfica. Os países escandinavos são vistos como sendo mais honestos se comparados com Rússia, Canadá e França, países do norte. Hong Kong tem muito melhor desempenho que a China e Taiwan, e todos têm o mesmo povo, religião e cultura. Cingapura é um país do sul muito bem posicionado, embora no Índice de Pagamento de Propinas, outra pesquisa nossa, vá muito mal. Se eu tivesse de investir em um projeto escolheria Botsuana e não colocaria um tostão no Zimbábue. Apesar de ocuparem posições muito distantes no índice, ambos estão localizados na África Subsaariana, são países vizinhos com população, superfície e clima semelhantes.

Veja - Muitas vezes, em países em que as pessoas têm uma férrea ética pessoal, prosperam máfias empresariais, casos do Japão e da Coréia do Sul. Como explicar essa situação?

Eigen - Persuadir empresas e seus acionistas de que a extorsão trará má reputação e, a termo, inevitáveis prejuízos não é uma tarefa fácil. Leva-se anos, às vezes décadas, de conscientização até que mudanças substanciais possam ser detectadas. Na Coréia do Sul, o governo criou leis rigorosas anticorrupção e tem tido bom desempenho no seu cumprimento. A Justiça é implacável com todos. Um presidente e um primeiro-ministro, acusados de corrupção, foram presos. Não foi por acaso que o diretor da Transparência na Coréia do Sul foi alçado ao cargo de primeiro-ministro do país. Quando ele era prefeito de Seul, introduziu um sistema anticorrupção, apoiando-se numa base de dados informatizada. A experiência tornou-se modelo no mundo. Ainda não conseguimos esse mesmo grau de eficiência no Japão.

Veja – O que efetivamente inibe a corrupção?

Eigen – Uma estrutura que chamo de Sistema de Integridade. Sua forma é semelhante à de um templo grego, em que uma cobertura é escorada por pilares. Se um ruir, os outros permanecerão firmes até a reparação daquele que falhou. Esses pilares são um Poder Executivo a salvo de interesses menores, um Parlamento representativo e um Judiciário independente. Os outros sustentáculos são uma imprensa livre e com acesso à informação e o exercício da liberdade de expressão. Deve existir também uma auditoria pública transparente, e as CPIs precisam ter poderes para questionar altos dirigentes do setor público e privado. Se você somar a esse cenário um serviço público ético e empresas privadas competitivas, terá um país com enorme chance de vencer a corrupção. Um Sistema de Integridade como o descrito acima promove o desenvolvimento sustentado, o estado de direito e aumenta a qualidade de vida das pessoas.

Veja – Uma dose de vergonha ajuda?

Eigen – Certamente não atrapalha. Eu sou pessoalmente motivado por valores morais. Já a Transparência atua numa diversidade mundial. Por uma questão estratégica, ela deve se basear em argumentos técnicos. Estamos presentes em noventa países, e, se algum dos nossos associados achar ser eficaz evocar valores éticos locais para combater a corrupção, apoiaremos sem restrição.

Veja – Além de ser uma virtude, qual é a vantagem intrínseca de ser honesto?

Eigen - Para o indivíduo é isso mesmo, uma virtude. Para um país, contar com homens públicos honestos é uma garantia de que o interesse nacional estará mais próximo de ser atendido. As decisões de um ministro da Economia íntegro não servem aos interesses de quem suborna e, assim, o ministro pode focar toda a sua energia no desempenho da economia. Os resultados positivos vão se refletir no crescimento do país e no aumento do bem-estar dos cidadãos. Esconder coisa malfeita dá muito trabalho. A suspeita produz obstáculos ao desempenho de uma pessoa qualquer, de um empresário, profissional ou de um homem público. A corrupção é contraproducente para todos, pois transforma as relações pessoais e profissionais em desastres.

Por Antonio Ribeiro

17/11/2009

às 11:32 \ Gente

Yael, brilho em Paris, Nova York e agora, São Paulo

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O tempo faz o carvão virar diamante e as jóias de Yael Sonia, mais parecidas com os novos tempos. O estilo elegante da designer – alquimia cultural entre Brasil, França e Estados Unidos – seduz novamente. Depois do sucesso novaiorquino  em setembro e em Paris, no mês passado, é a vez de São Paulo descobrir a nova coleção Stack-a-Disc, de Yael Sonia –  dias 17 e 18 de novembro, rua Haddock Lobo, 1327, Conjunto 06, Cerqueira César.

A premiadíssima linha Perpetual Motion, arco-íris de pedras mineiras em peças inspiradas de brinquedos infantis, evoluiu. Agora, ela é interativa. Mil e uma opções para criar a unidade de harmonia perfeita com o corpo e a personalidade individual. Referência mundial do bom gosto contemporâneo, a revista americana Vanity Fair elegeu a joalheria Yael Sonia, sucesso há mais de dois anos em Manhattan, lugar da moda na badalada e chique avenida Madison.  Outro veículo de alto calibre da moda internacional, a   francesa Vogue, deu destaque na sua edição de setembro para os Rock Rings, de Yael.

A nova coleção Stack-a-Disc tem característica genuína da sua linhagem, a pureza das formas. Ela atrai, em um primeiro instante, porque Yael deu sequência à revolução que a projetou na vanguarda da sua arte sem abrir mão da beleza clássica. O movimento cinético das pedras e metais finos em estruturas de equilíbrio engenhoso. Mas é a possibilidade de combinar dois tipos de brincos e três pingentes – feitos de ouro branco, amarelo ou com incrustações de diamantes – com doze stacks (discos) diferentes que transcende conceitos tradicionais. Raridade no universo joalheiro, a designer convida a criar com ela. Ou seja, brincar com nove pedras brasileiras e metais nobres em forma de discos até que o objeto final seja sentido como parte natural de cada um.

Yael persegue a harmonia entre as diferenças – e realça as virtudes – desde a adolescência quando desenhou sua primeira jóia. Mas não só. Vale lembrar, a título de exemplo, a introdução do filme Bonequinha de Luxo. Manhãzinha na deserta Quinta Avenida, Audrey Hepburn, manequim de um esguio vestido preto Givenchy, tira o brioche do embrulho para viagem e toma seu café em copinho de papel enquanto namora as jóias da vitrine. Entre a personagem moderna, fiel criação de Truman Capote, e seu objeto de desejo há diferenças de tempo e conceitos. A nova coleção Stack-a-Disck, concebida no atelier paulista de Yael Sonia, elimina esta distância.

Quem visita o show-room de Yael na rua Haddock Lobo, em São Paulo, e a loja na avenida Madison corre o risco de experimentar surpresas. “Eu coloco minhas peças nas mãos das crianças para elas brincarem”, conta Yael a Veja.com em um momento no qual sua timidez dá lugar a um delicioso sorriso. Isso quando um bebê não toma a iniciativa própria de buscar com o dedinho o brinco ou o colar da mãe. Estes momentos de ternura para a designer cujos anéis de noivado, o tamanho e a preciosidade das pedras deixaram de ter relação com a densidade do sentimento de quem oferece, significam o seu maior reconhecimento.

Por Antonio Ribeiro

15/11/2009

às 14:06 \ Gente

A tiracolo

dilmaparis2A ministra Dilma Rouseff pode incluir duas novidades na sua ficha corrida de autenticidade comprovada. Ela foi o primeiro ministro brasileiro a tomar boa parte em uma entrevista a imprensa, reservada aos presidentes no Palácio do Eliseu, em Paris, ainda que sua fala tenha sido de um tédio incomum entre os melhores soníferos das farmácias francesas. Lembrou a aluna recitando o decoreba. Outra, não há registro de visitante a sede do governo francês que tenha trajado algo tão semelhante a um agasalho esportivo e uma peruca tão próxima a um capacete. Noves fora o ineditismo de Dilma, chamou a atenção a intolerância da ministra com as perguntas da imprensa francesa desavisada que madame está em campanha. Apiedo dos meus colegas jornalistas brasileiros que aguentam a conversa fiada diariamente. Brava gente, meus respeitos. Mon Dieu, não há um raciocínio concatenado. Perto de Dilma Rouseff,  a candidata  socialista derrotada nas presidenciais francesas, Ségolène Royal, parece uma assumidade. Que nível!

Por Antonio Ribeiro

15/11/2009

às 10:16 \ Diplomacia

Clima: Lula e Sarkozy falam grosso em Paris, mas sem a China não tem papo firme em Copenhague.

locomotiva2

Muito já se falou e nas próximas três semanas falara-se-á ainda mais sobre a reunião da ONU em Copenhague – 192 países - que tratará das eventuais medidas para mudança climática no planeta. Conselho de amigo se você se interessa pelo assunto, acompanhe, leia, enfronhe-se nas questões que são importantes. Mas não perca de vista o seguinte: se a China, o maior poluidor do planeta, responsável em 75%  no aumento das emissões de CO2 em 2008, não mover-se da sua posição, não haverá avanço de sequer de uma polegada. A conferência  de Copenhague será um fracasso. Detalhe edificante: a China vai para Dinamarca de um jeito e de lá, tem o maior interesse de sair como entrou.

O gigante asiático passou décadas no marasmo econômico comunista. Nos últimos 20 anos o país cresce de maneira espantosa em ritmo alucinante – mais de 9% do Produto Interno Bruto por ano. Corre atrás do atraso e como qual uma locomotiva enfezada, puxa a economia mundial. Vá convencer os chineses de diminuir a fumaça. Ainda mais sabendo-se que a proposta vem de países industrializados que tanto poluíram sem entraves.

Note-se que apesar da economia da China ser a segunda do mundo e em breve será a primeira, passando os Estados Unidos, o país não quer trocar a condição formal de emergente nos foros internacionais. Assim, a China não sente-se obrigada às exigências impostas aos países ricos e simultaneamente, continua beneficiando-se das circunstancias atenuantes das economias em desenvolvimento. Ou seja, as metas de redução no aquecimento global devem levar em conta o desenvolvimento social, econômico e a erradicação da pobreza.  No aspecto diplomático, os chineses vem fazendo o que bem entendem e é um dos países que mais investem nas economias pobres.

Em recente reunião com a presença de Barack Obama e Lars Lokke Rasmussen, o primeiro-ministro da Dinamarca, organizador da Conferência de Copenhague, 19 chefes de estado asiáticos em Singapura esquivaram de abordar as questões climáticas. Michael Froman,  conselheiro especial de Obama para assuntos internacionais, afirmou ser “irrealista” um acordo daqui a 22 dias que obriga os paises a reduzir em 50% as emissões de CO2 até 2050.

Isto posto, vamos as miudezas:

Lula, com Dilma Rousseff a tiracolo, entreteve-se com Nicolas Sarkozy em Paris. Falaram grosso em uma entrevista coletiva à imprensa no Palácio do Elysée. “Não estamos brincando” disseram eles. Lula de forma literal,  a seu gosto. Sarkozy com a dissimulação exigida pelo seu público interno ou cairia no ridículo onde o ridículo parece ainda merecer o esforço de ser evitado. Eles se referiam ao entendimento entre China e EUA sobre o nível  de emissão de gazes que provocam o efeito estufa. Obama, em visita à Pequim até quarta-feira, está enviando proposta de reduções nas emissões de CO2 ao Congresso americano. Comparado às intenções do Brasil, redução entre 36% e 39%  até 2020, a medida equivaleria ao resultado da diminuição de 80% do desmatamento na Amazônia.

Brasil e França doravante fazem frente comum através de um documento com princípios vagos. A “Bíblia climática” – 3 folhas A4 – segundo Lula da Silva. Os presidentes prometeram abarcar metade do mundo para seu campo. “Eu vou telefonar para o Obama segunda-feira” disse Lula completando: “Não podemos permitir que Obama e Hu Jintao  fechem um acordo tomando como base apenas a realidade econômica de seus países, sem levar em conta suas responsabilidades. O mundo é multipolar.”

O Brasil fará uma reunião em Manaus no fim de novembro para tentar persuadir os países amazônicos da proposta franco-brasileira – ela vem sendo costurada entre o negociador Luis Alberto Figueiredo Machado e o ex-ministro francês do Meio Ambiente, Brice Lalonde desde setembro. Sarkozy diz que irá a Manaus, atendera também o convite de Gordon Brown para participar da reunião em Trinidad Tobago com os países da Commonwealth que reúne as antigas colônias do Império Britânico. O presidente francês que encontrar semana que vem com a chanceler alemã Angela Merkel para tratar do assunto prometeu fazer um giro pela África para encontrar aliados a proposta de que a temperatura média global não deve ultrapassar 2 graus centígrados acima dos níveis pré-industrial como consta no documento assinado com o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

14/11/2009

às 10:22 \ Brasil-França

Amigos de infância

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Lula e Sarkozy, já foi escrito aqui, tornaram-se amigos de infância. A França que não se dá tão bem como gostaria com nenhum país emergente, encontrou o Brasil dando sopa. O Brasil, cuja diplomacia de Celso Amorim crê precisar de um apoio moral nas questões discutidas nos foros internacionais, descobriu a França pronta para negociar sua caução.

A relação de interesses entre os dois governos lembra certas irresistíveis paixões proibidas. É tão atrativa que não anda respeitando nem calendário de licitações públicas. O caso da compra dos Rafale, a preferência de Lula, três vezes publicamente declarada. Ou alguém ainda acredita nos entediosos relatos de que a FAB terá 36 aviões que não sejam aqueles fabricados pela francesa Dassault? (Jornalismo não é previsão do futuro, mas tampouco  é mostrar-se cego às evidências. Quem vem dizendo que a escolha esta feita desde julho? O blog De Paris e ninguém mais.)

Não surpreende a escala hoje de Lula em Paris a caminho de Roma, onde acontece reunião da FAO sobre segurança alimentar – é questão a redução dos subsídios agrícolas, domínio que a França é campeã. Os presidentes querem fechar posição comum, como tem acontecido nas vésperas das reuniões de cúpula, para a Conferência do Clima em Copenhague, daqui a três semanas.

É uma coreografia complexa desta vez. O Brasil, o quarto maior emissor de gazes responsáveis pelo efeito estufa e que acaba de propor uma redução voluntária de até 38,9%  no  horizonte do ano 2020, o que significa de 975 milhões a 1,05 bilhão de CO2 na atmosfera, quer que os países industrializados ajudem os emergentes a financiar o esforço. A União Européia fixou uma ajuda anual de 100 milhões de euros aos países pobres entre 2013 e 2020, mas até agora ninguém colocou dinheiro à mesa ou a mão no bolso.

Por Antonio Ribeiro

14/11/2009

às 8:34 \ França

Air Sarko One

airsarkoOs parlamentares franceses aprovaram a compra – 185 milhões de euros  – de um Airbus A330, o mesmo do acidente com do voo AF 447, para servir, a partir do fim de 2010, como avião do presidente da França. O “Aerolula” francês já ganhou o apelido de “Air Sarko One”, em referência ao Air Force One, o Boeing 747-200B do presidente dos EUA. Estima-se em 20.000 euros a hora de voo do novo avião. Ele será equipado de sofisticadíssimo sistema de comunicações, instalações médicas, sala de reuniões, escritório, quarto com banheiro e defesa anti-missil. Está sendo examinado também um pedido de verbas para a compra de um jatinho Falcon 7x, da francesa Dassault Aviation, fabricante dos Rafale. Ele  servirá para os deslocamentos curtos de Nicolas Sarkozy. Ninguém pode dizer que faltou a preferência pela identidade nacional na escolha dos aparelhos.

Por Antonio Ribeiro

13/11/2009

às 15:45 \ Aviso aos navegantes

Proteja seus dados no Facebook

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Caríssimos,

Atenção. A partir desta sexta-feira, 13 de novembro de 2009, o Facebook vai começar a utilizar informações, fotos, vídeos de seus usuários nas publicidades do site.

Se você quiser evitar que isso aconteça com seus dados, entre na sua conta no Facebook e siga a sequência:

1. Configurações

2. Privacidade

3. Feed de notícias e mural

4. Anúncios do Facebook

5. Nas duas opções, (Permitir que anúncios… e Mostrar minhas ações…), escolha a opção: Ninguém

6. Salvar alterações

Por Antonio Ribeiro

13/11/2009

às 8:11 \ Américas

Identidade nacional II

sarneyO presidente do Senado, José Saney, escreve hoje no jornal a Folha de São Paulo:

“Paro numa matéria que tem o instigante título “Ser francês é…”. É debate que está despertando grande rebuliço, comandado pelo ministro da Imigração, um discutido ex-socialista, Eric Besson, sobre a identidade de ser francês.

O debate prossegue, mas milhares de cidadãos nele já tomaram parte. Uns, de gozação, dizem que ser francês é cantar a Marselhesa; outro, que é “ser um cidadão livre e jamais cantar as estrofes infames e guerreiras da Marselhesa”. Mas, em grande parte, uma coisa perpassa em todos: o orgulho de uma França que tem a cultura como sua primeira preocupação.

E me deu a vontade de pensar numa enquete dessas no Brasil. Qual a identidade de ser brasileiro num mundo invadido pela globalização, em que a cultura erudita é importada em enlatados?”

(…)

Mas fico com receio de que, se alguém perguntar a um neto qual a identidade de ser brasileiro, ele responda: “É cantar o hino do Flamengo”.

Melhor enquete seria da polícia no Senado, invadido pelo nepotismo e corrupção, cujo  hino pode ser apreciado aqui.

Por Antonio Ribeiro

 

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