
Imagine o leitor se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro sueco: “Mr. Hansson, foi mão”. A frase entraria para história. Seria repetida quando a honestidade fosse tema no esporte e fora dele. O pai diria ao filho, o professor diria ao aluno: “Mr. Hansson, foi mão.” Talvez os torcedores franceses ficassem surpresos em um primeiro instante, mas é bem provável que quando a ficha caísse, o Stade de France aplaudiria. Se Thierry Henry tivesse dito, “Mr. Hansson, foi mão”, ele seria reverenciado para sempre como ícone do fair-play. Ninguém deixaria Henry pagar, durante sua existência, sequer um cafezinho em bistrô que entrasse. A França teria um novo héroi. Agora, estão aí as gerações mais velhas, como aconteceu com a cabeçada de Zinedine Zidane no torax do zagueiro Marco Materazzi, dizendo aos mais jovens que os ídolos são humanos, que aquilo não foi direito. A França está envergonhada e a carreira de um grande atacante com uma baita mancha indelével.
Aqui, as vezes, se esceve sobre esporte, mas notem, não bem sobre esporte, na acepção literal do substantivo, que se escreve aqui. É sobre algo que transcende.




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