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Arquivo de 19 de novembro de 2009

“Mr. Hansson, foi mão”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 19:56

foi-mao21

Imagine o leitor se Thierry Henry tivesse dito ao arbitro sueco: “Mr. Hansson, foi mão”.  A frase entraria para história. Seria repetida quando a honestidade fosse tema no esporte e fora dele. O pai diria ao filho, o professor diria ao aluno: “Mr. Hansson, foi mão.” Talvez os torcedores franceses ficassem surpresos em um primeiro instante, mas é bem provável que quando a ficha caísse, o Stade de France aplaudiria. Se Thierry Henry tivesse dito, “Mr. Hansson, foi mão”, ele seria reverenciado para sempre como ícone do fair-play. Ninguém deixaria Henry pagar, durante sua existência, sequer um cafezinho em bistrô que entrasse. A França teria um novo héroi. Agora, estão aí as gerações mais velhas, como aconteceu com a cabeçada de Zinedine Zidane no torax do zagueiro Marco Materazzi, dizendo aos mais jovens que os ídolos são humanos, que aquilo não foi direito. A França está envergonhada e a carreira de um grande atacante com uma baita mancha indelével.

Aqui, as vezes, se esceve sobre esporte, mas notem, não bem sobre esporte, na acepção  literal do substantivo, que se escreve aqui. É sobre algo que transcende.

Por Antonio Ribeiro

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“O futebol parou no tempo”

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 14:32

lancecesar

Antonio,

Amo futebol. Aprendi com o Velho Augustão, meu pai.

Aprendi a ser Botafogo nos anos 60, quando o alvinegro carioca era o melhor time do Brasil.

Nos gramados, sempre fui um jogador que beirava o patético. Mas era metido a líder, a zagueiro clássico.

E sou fã de Pelé, Jairzinho, Paulo César, Franz Beckenbauer, Carlos Alberto, Cruyff, Diego Maradona, Michel Platini, Zinedine Zidane, Zico, Roberto Rivelino, Romário, Ronaldo, Cristiano Ronaldo, Paulo Roberto Falcão, Baresi, Messi, Marco van Basten.

Mas confesso: está cada vez mais chato ver futebol.

Principalmente devido aos erros estúpidos de arbitragem.

Como me irrita ver um time perder um jogo ou um campeonato - seja ou não o Botafogo - por causa de erro de arbitragem.

Ontem foi a vez dos irlandeses. O sonho de ir à África do Sul acabou graças a mão de Henry. Em casa, com a patroa ao lado, gritei: “Caramba, isso é roubo”.

Não posso pensar em outra coisa. É má-fé, roubaram os irlandeses, para que a França não ficasse fora da Copa.

Sou árduo defensor do uso da tecnologia no futebol.

Tem dúvida, para o jogo. O quarto árbitro, com a ajuda da TV, chama o árbitro principal e juntos tomam a decisão.

Gol de mão? Anula. Gol na banheira? Anula. Falta violenta? Expulsa.

Ah, os puristas vão dizer que isso tiraria a dinâmica do jogo.

Ora bolas, o basquete é o jogo mais veloz do mundo. Tem a tecnologia como aliada. E nunca perdeu dinamismo - mesmo com o excessivo rigor na marcação das faltas.

Tênis tem tecnologia. Vôlei também. Até peteca tem.

Mas o futebol parou no tempo. Errar absurdamente ou roubar faz parte do evento. Fica divertido, faz parte do folclore, aumenta a polêmica.

Embora Nelson Rodrigues afirmasse que o videoteipe é burro, não há mais como abrir mão da tecnologia no futebol.

Do Rio, um abraço alvinegro

César Seabra

OBS - Jornalista brilhante, César Seabra é diretor da GloboNews.

Por Antonio Ribeiro

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Mãos ao alto!

quinta-feira, 19 de novembro de 2009 | 8:35

jornaihenry

Os dois lendários e mais respeitados jornais de esporte da Europa publicaram nas suas primeiras páginas a história do lance vergonhoso — impedimento e toque duplo de mão do atacante e capitão do time, Thierry Henry — que classificou a França para Copa do Mundo da África do Sul. O francês L’Equipe titula: “Mão de Deus”. E faz um comedido editorial — Perfil baixo”— em cima da foto da ação. “Não há comemoração, mas alívio,” escrevem sobre o sentimento hoje entre os torcedores franceses. O italiano La Gazzeta dello Sport, é mais específico. Publica frase do treinador da Irlanda, Giovanni Trapattoni: “Che furto!” Quer dizer: “Que furto!”

Em Paris, os imigrantes e franceses de origem magrebina comemoraram a classificação da Argélia para Copa depois da vitória sobre o Egito. A maioria dos torcedores dos Bleus manifestaram desconforto e diferentes níveis de vergonha após a classificação da França. Em Zurique um porta-voz da FIFA descartou a possiblidade agurmentando que segundo as regras do futebol o arbitro do jogo tem a palavra final. Bem, segundo as regras do fubebol… toque de mão só vale para os goleiros.

Por Antonio Ribeiro

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