
Lula e Sarkozy, já foi escrito aqui, tornaram-se amigos de infância. A França que não se dá tão bem como gostaria com nenhum país emergente, encontrou o Brasil dando sopa. O Brasil, cuja diplomacia de Celso Amorim crê precisar de um apoio moral nas questões discutidas nos foros internacionais, descobriu a França pronta para negociar sua caução.
A relação de interesses entre os dois governos lembra certas irresistíveis paixões proibidas. É tão atrativa que não anda respeitando nem calendário de licitações públicas. O caso da compra dos Rafale, a preferência de Lula, três vezes publicamente declarada. Ou alguém ainda acredita nos entediosos relatos de que a FAB terá 36 aviões que não sejam aqueles fabricados pela francesa Dassault? (Jornalismo não é previsão do futuro, mas tampouco é mostrar-se cego às evidências. Quem vem dizendo que a escolha esta feita desde julho? O blog De Paris e ninguém mais.)
Não surpreende a escala hoje de Lula em Paris a caminho de Roma, onde acontece reunião da FAO sobre segurança alimentar - é questão a redução dos subsídios agrícolas, domínio que a França é campeã. Os presidentes querem fechar posição comum, como tem acontecido nas vésperas das reuniões de cúpula, para a Conferência do Clima em Copenhague, daqui a três semanas.
É uma coreografia complexa desta vez. O Brasil, o quarto maior emissor de gazes responsáveis pelo efeito estufa e que acaba de propor uma redução voluntária de até 38,9% no horizonte do ano 2020, o que significa de 975 milhões a 1,05 bilhão de CO2 na atmosfera, quer que os países industrializados ajudem os emergentes a financiar o esforço. A União Européia fixou uma ajuda anual de 100 milhões de euros aos países pobres entre 2013 e 2020, mas até agora ninguém colocou dinheiro à mesa ou a mão no bolso.




Alemanha
Espanha
França
Grã-Bretanha
Itália
Portugal
Rússia





Os parlamentares franceses aprovaram a compra - 185 milhões de euros - de um Airbus A330, o mesmo do acidente com do voo AF 447, para servir, a partir do fim de 2010, como avião do presidente da França. O “Aerolula” francês já ganhou o apelido de “Air Sarko One”, em referência ao Air Force One, o Boeing 747-200B do presidente dos EUA. Estima-se em 20.000 euros a hora de voo do novo avião. Ele será equipado de sofisticadíssimo sistema de comunicações, instalações médicas, sala de reuniões, escritório, quarto com banheiro e defesa anti-missil. Está sendo examinado também um pedido de verbas para a compra de um jatinho Falcon 7x, da francesa Dassault Aviation, fabricante dos Rafale. Ele servirá para os deslocamentos curtos de Nicolas Sarkozy. Ninguém pode dizer que faltou a preferência pela identidade nacional na escolha dos aparelhos.