Blogs e Colunistas

Arquivo de outubro de 2009

18/10/2009

às 10:34 \ Brasil-França

Nepotismo nos cargos públicos. França igual ao Brasil? É ruim, hein?

nepostismos

É batata. Olhem no retrovisor da história. Lá no meio do segundo mandato, as fissuras do quadro começam a ficar mais evidentes. O hábito do mando contribui para diminuir o contato entre os governantes e os limites da democracia. Pela natureza apressada, o fenômeno aconteceu antes com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Faltando ainda dois anos para completar seu primeiro mandato, ficou evidente a tentativa de garantir o pé de meia do seu filho Jean Sarkozy instalando-o em um posto no qual carece de qualificação e de experiência. Neste aspecto, onde se perde a mão e senso do bem público, Sarkozy e Lula tem agora mais em comum. No entanto, a semelhança entre Brasil e França termina aí. A reação da população ao nepotismo nos cargos públicos lembra a linha reta de 9.000 quilômetros que mede a distância entre os dois países.

Quando tanto se vê, torna difícil perceber. Ou melhor, tem se a falsa impressão que o quisto instalado por longo processo usucapião já faz parte do corpo. Pior: nada merece ser feito para desalojá-lo. É o caso da leniência popular com os despautérios dos políticos brasileiros. Assim notou-se no caso do mensalão, do Lulinha com a Telemar, e mais recentemente, o de José Sarney, no Senado. Isto só para citar três de uma formidável coleção de episódios com vocação para entrar no esquecimento. Pondera-se que a premissa do “sempre foi assim e como tal vai continuar” fundamenta-se na prática da impunidade recorrente de instâncias criadas para justamente fazer o contrário. Os franceses perderam o direito de sediar os próximos Jogos Olímpicos em 2012 que irão acontecer em Londres, mas ainda guardam a crença em suas instituições democráticas e a esperança que, cedo ou tarde, a ficha dos políticos caia. Até porque se não cair, quem vai ao chão, na eleição seguinte, são os desprovidos de simancol.

Segundo uma pesquisa do Instituto CSA para o jornal Le Parisien, dois terços dos franceses são hostis à nomeação de Jean Sarkozy, de 23 anos e aluno do segundo ano de Direito, ao comando do EPAD, o organismo estatal com orçamento de 1,5 billhão de euros, responsável pelo urbanismo do La Defense, o distrito mais rico da França e mais próspero da Europa – mais de 3.000 empresas francesas e multinacionais que empregam 15.000 pessoas. Metade do eleitorado de Sarkozy considera que o presidente fez escolha errada. Contrário a Lula que se considera larger-than-life confortado pela popularidade, Sarkozy correu para se justificar em entrevista ao jornal Le Figaro cujo leitor típico integra a parte mais sólida da sua base eleitoral. Foi vã tentativa.

Um abaixo assinado na internet já reúne mais de 87.100 habitantes do La Defense, onde vivem 200.000 pessoas, contrários à nomeação do “Príncipe Jean” para a autarquia controlada pelo governo do pai. A maioria dos eleitos da região, entre os quais também os membros do partido de Sarkozy, são desfavoráveis. Não se trata resistência contra jovens no poder como se a capacidade dependesse exclusivamente da experiência. Alexandre, o Grande, ascendeu ao trono da Macedônia com 19 anos, aos 20 já tinha criado um império. Ao chegar a maioridade, Cleópatra já era faraó. Nem pensa-se que a juventude está dissociada do talento. Wolfgang Amadeus Mozart compôs Andante em C Maior com apenas 5 anos de idade. Orson Welles dirigiu Cidadão Kane, considerado a obra-prima maior do cinema, com 26 anos. A questão é de outra ordem. Nas democracias, os cargos públicos devem ser preenchidos de acordo com o mérito de quem os postula. Na França, além do princípio constar na Carta fundadora da República, os Direitos do Homem de 1789, o país tem uma escola especial, de rigoroso acesso, para preparar os funcionários públicos.

Mas a pergunta que se coloca é se o descontentamento popular francês tem conseqüência efetiva? Uma vez mais, olhem no retrovisor da história. A resposta é sim. No caso de Jean Sarkozy, o governo já começa procurar uma saída honrosa. O cargo de presidente do EPAD resulta da indicação de 18 membros do conselho de administração. Quatro eleitos do governo, quatro da oposição, um representante da Câmara de Comércio e nove funcionários indicados por quatro ministérios (Economia, Interior, Infra-estrutura e Cultura). Ou seja, 14 deles estão na mão do presidente Sarkozy. “Até uma cabra poderia ser eleita com este apoio” ironizou o parlamentar socialista Arnaud Montebourg. Ganha terreno a proposta do deputado socialista Gaëtan Gorce endossada por  Luc Chatel, porta-voz do governo. Ele sugere que apenas os eleitos e representante da Câmara de Cormércio participem da indicação no dia 4 de dezembro. Em todo caso, seja lá qual for o desfecho do caso, ele terá consequência nas próximas eleições. Que peso terá nas próximas eleições presidências no Brasil, a  atitude de Lula nos casos do mensalão, Lulina na Telemar e a permanência de Sarney na presidência do Senado?

Por Antonio Ribeiro

13/10/2009

às 11:46 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

A “caixa-preta do BEA” pendura as chuteiras

Sombras e... água fresca

Sombras e... água fresca

Paul-Louis Arslanian diretor do Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, onde morreram 288 peessoas, foi discretamente aposentado.

A versão oficial quer fazer crer que o diretor de 65 anos chegou à idade da aposentaria. Conversa fiada. Arslanian foi afastado por Dominique Bussereau, secretário de Estado dos Transportes da França, seguido a investigação paralela de dois pilotos sobre o acidente. Eles demonstraram claramente que era incorreta a tese do BEA de que o congelamento dos Tubos Pitot foi apenas um entre os vários fatores que causaram a tragédia.

Caberá agora ao engenheiro Jean-Paul Troadec, de 60 anos, que assume o BEA, fornecer a versão oficial das causas do acidente. Ninguém, na imprensa brasileira, evidenciou tanto e de forma tão explicita os despautérios de Arslanian, do que o Blog de Paris. Os leitores e imprensa francesa notaram. Vamos em frente.

Por Antonio Ribeiro

13/10/2009

às 7:13 \ França

Oui, a França tem Lulinha

sarkozyfilho

Entrevistado pelo programa matinal da emissora de radio francesa Europe 1, o ouvinte parisiense vocifera: “Non, non… et non! A França não é uma República bananeira nem é a terra de Omar Bongo!” Bem, está longe, mas tem seu Lulinha. Ou uma versão embalada em ternos conspicuamente bem cortados, capaz de produzir argumentos articulados e desafiadores. Vereador por Neuilly-sur-Seine, suburbio chique de Paris, ele tem 23 anos e cursa o segundo ano de Direito. Seu maior atributo político, no entanto, figura na Certidão de Nascimento. Trata-se de Jean Sarkozy, o filho do presidente da França. Acusado de beneficiar-se de nepotismo, o jovem ganhou o apelido de “Príncipe Jean” no país cujo Antigo Regime monárquico terminou com o rei guilhotinado sob júbilo popular em praça pública.

Desta vez, qual é o contexto em que faz os franceses lembrarem do direito divino? Jean Sarkozy está prestes a assumir a presidência do EPAD, a estatal responsável pela política urbanista do La Defense, distrito financeiro nos arredores de Paris. O espaço de 1,5 quilômetro quadrado que mais cresce na Europa e tem um projeto de renovação orçado em 1,5 bilhão euros  de investimentos públicos, abriga mais de 1.500 empresas  — 14 entre as 20 mais lucrativas da França — e que empregam 150.000 funcionários.

A medida do mérito dispensa o número de anos e não se pode criticar alguém em função da sua paternidade. O caso de Jean chama atenção pelo ineditismo. Jamais na história da V República francesa um jovem universitário e inexperiente foi dar expediente em posto tão elevado de organismo estatal. Este tipo de cargo, na grande maioria das vezes, é disputado palmo a palmo entre experientes ex-alunos da Escola de Administração Pública francesa.

A questão é sensível na França. Não há ponto no planeta onde as reações são tão virulentas quando há suspeita de que o mérito passa pela consanguinidade dinástica .”Na Declaração dos Direitos do Homem de 1789, está escrito que os cargos são atribuídos segundo a capacidade e o mérito”, lembra o parlamentar de oposição ao governo Sarkozy, Arnaud Montebourg. “Qual é o mérito de Jean Sarkozy além de ser filho de papai?”, pergunta. Jean responde: “O que quer eu faça ou diga, sou criticado.”

Em tempo: Nicolas Sarkozy lançou hoje sua reforma para os liceus franceses. A principal  medida sustenta a igualdade de chances, parte do programa do candidato à presidencia que prometeu aos eleitores uma “República irreprensível”.

Por Antonio Ribeiro

12/10/2009

às 9:10 \ França

Circulando, circulando, circulando

Frédéric Mitterrand no Palácio do Elisée

Frédéric Mitterrand no Palácio do Elisée

“Circulez, circulez, circulez“, dizem os policiais franceses. A ordem,  intercalada por gestos e sopros no apíto, busca dar fluência ao tráfego quando motoristas curiosos diminuem a velocidade para ver o resultado de um acidente no trânsito. O governo de Nicolas Sarkozy tenta algo semelhante depois que a parlamentar européia Marine Le Pen, vice-presidente da Frente Nacional, a extrema direita francesa, evidenciou o passado pedófilo do ministro da Cultura, Frédéric Mitterrand. “O caso está encerrado”, resume a posição do governo, Xavier Bertrand, aliado do presidente da República, em entrevista ao jornal Le Parisien.

A julgar por pesquisa do Instituto BVA, revelada hoje, a manobra do governo é desnecessária. Dois em cada três franceses acham que o ministro não deve pedir demissão. Mas a biografia de Mitterrand, a cada descoberta, fica manchada como pele de leopardo. O Quotidien de La Réunion, o principal jornal na Ilha da Reunião, departamento francês no Oceano Índico, revelou que o ministro testemunhou em favor de dois jovens condenados por estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos, em Saint-Denis, a capital insular. Mitterrand é padrinho de um deles, o filho da maquiadora do seu antigo programa na TV estatal France 2.

Em 2006, Mitterrand enviou carta ao tribunal da Reunião com papel timbrado da Academia da França em Roma, a Villa Médicis, da qual era diretor na época. O ministro lembrou a consciência dos jovens pela gravidade do crime confesso e enfatizou a capacidade de recuperação. “Eu me responsabilizo pessoalmente à facilitar toda medida de reintegração na sociedade”, escreveu o ministro. E foi mais longe: “Diretor da Villa Médicis, disponho de um certo número de contratos que poderão beneficiá-los.”

Perguntado sobre a carta, Mitterrand foi bem menos emotivo do que quando apareceu na TV para justificar seu turismo sexual com menores na Tailândia, durante os anos 70. Reagiu irado com indignação: “É imundo, repito, é nojento.” O ministro vê  — só ele —  uma campanha orquestrada desde que defendeu a lei Hodapi que protege obras com direitos autorais na internet. O caso Mitterrand veio à tona quando o ministro manifestou-se contrário a detenção e extradição do diretor de cinema Romain Polanski, condenado à revelia nos Estados Unidos por ter relação sexual com uma adolescente de 13 anos.

Sem dizer contra quem exatamente, Mitterrand ameaçou entrar na Justiça por difamação. “Eu não sou paranóico, mas se meu sobrenome fosse Tartampion (João Ninguém), não sofreria estas indignidades.”, disse o sobrinho do falecido presidente da França, François Mitterrand. “A política é um universo que conhecemos bem, mas quando nos chamamos Mitterrand não há surpresas.” O afilhado do ministro da Cultura, condenado a 15 anos de prisão, tem o mesmo nome do padrinho Frédéric. “Circulez, circulez, circulez.”

Por Antonio Ribeiro

09/10/2009

às 16:09 \ Do leitor

Pitot: TAM responde ao leitor Adalberto Queiroz

Queiroz e o Airbus A300-200 da TAM

Queiroz e o Airbus A330 da TAM: trocas de e-mails e dos Tubos Pitot

Meu caro Monsieur Ribeiro.

Para seu conhecimento e de seus leitores, anexo a correspondência da TAM Fale com o Presidente, número 20788894.

São Paulo, outubro de 2009.

Prezado Sr. Adalberto,

Tomamos conhecimento de seu e-mail enviado ao serviço Fale com o Presidente e agradecemos sua atenção em entrar em contato conosco.

Com relação ao seu questionamento, informamos que a TAM já efetuou a substituição do sensor do tubo de Pitot em toda a sua frota Airbus em operação, o que foi finalizado em 01/09/2009 seguindo a recomendação feita pela EASA (European Aviation Safety Agency) e a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).

Esperamos ter esclarecido as suas dúvidas, mas saiba que estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se sejam necessários.

Atenciosamente,

Equipe Fale com o Presidente
TAM Linhas Aéreas

Por Antonio Ribeiro

09/10/2009

às 12:21 \ França

Ministro marginal

fredericmitterrand

Tudo ia muito bem. Em 2005, o atual ministro da Cultura francesa, Frédéric Mitterrand, de 62 anos,  publicou uma autobiografia corajosa e entristecida (200.000 exemplares esgotados) La Mauvaise Vie – a tradução próxima em português é A Vida Marginal. O autor, homossexual assumido e sobrinho do ex-presidente socialista François Mitterrand, relata relações sexuais pagas com adolescentes tailandeses de vida modesta a quem chama de “garçons”.

Tudo mudou. No dia 26 de setembro,  políciais suíços detiveram, no aeroporto de Zurique, o cineasta de origem polonesa e ganhador do Oscar, Romain Polanski, de 76 anos. A prisão seguiu mandado dos procuradores de Los Angeles e Washington, baseado na condenação do cineasta pela Justiça americana em 1978 por ter mantido relações sexuais ilegais com uma adolescente de 13 anos. Cidadão francês, Polanski vivia foragido dos Estados Unidos há 32 anos e evitava visitar países com quais os americanos tinham acordo de extradição.

Mitterrand se apressou a mobilizar o meio artístico francês, onde transita com desenvoltura, e declarar que a detenção era ultrajante. Nesta altura a direção da Frente Nacional (FN), partido da extrema direita francesa, resolveu desenterrar o capítulo sórdido de La Mauvaise Vie na Tailândia, onde a prostituição juvenil galopa. Foi associado o passado do ministro, os anos 1970, com sua a sua defesa ao cineasta. A partir daí, o que parecia uma questão legal e moral, ganhou contornos políticos,  atalho para encetar uma dessas polêmicas calorosas que embala a sociedade francesa moderna. “Como um pedófilo pode ser ministro da Cultura?” lançou a deputada européia e vice-presidente do FN, Mariane Le Pen, filha do líder xenófobo Jean-Marie.

O ministro foi a TV tentar se explicar. “Foi um erro, certamente; um crime, não; porque todas as vezes estive com pessoas da minha idade e tudo foi consentido”, contradisse o que escreveu. Mitterrand recorreu a ambiguidade do rico idioma de Molière para formular  defesa. “Garçon” quer dizer “menino”, mas também “moços.” Condenou com veemência o turismo sexual. “Uma desgraça”. Platitude. Que ministro na França ou alhures diria ser favorável? O atrativo do turismo sexual, embora descrito no livro como “mercado de escravos” , “excitava enormemente” o autor. Mitterrand não convenceu nem mesmo alguns de seus colegas ministros do governo Sarkozy que aliás, dizem os porta-vozes, teria lido o livro antes de nomear recentemente o ministro.

Por Antonio Ribeiro

05/10/2009

às 19:04 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

“Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido”

Tubo Pitot

Tubo Pitot

Celebra-se este mês o nascimento do Concorde. O único avião de passageiros ao lado da sua cópia soviética, o Tupolev Tu-144 ou “Concordski”, capaz de romper a velocidade do som. No entanto, esta semana a lembrança é sombria. Tem início o julgamento penal dos acusados pela tragédia que matou todos os 100 ocupantes do supersônico franco-britânico e contribuiu para aposentar as 20 aeronaves do tipo.

A glória custosa de 920.000 horas de voo do Concorde – o “pássaro branco” fazia o trajeto Paris-Rio em apenas 5h45, mas consumia 22 toneladas de querosene por hora – terminou semeando destroços em um campo de trigo, no subúrbio de Paris, dia 25 de julho de 2001. Foi o único acidente da sua história. O destino determinou que o avião encerrasse sua carreira com as cores da Air France estampadas na elegante fuselagem.

Dois pilotos experientes e consultores em uma dezena de acidentes de avião não acreditam que as tragédias aéreas acontecem por obra do acaso como, muitas vezes, tenta fazer crer o Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA. Mais do que isso. Eles acham que nem sempre as versões do BEA correspondem a realidade. Em muitos casos, não é necessário encontrar as caixas-pretas para se chegar a origem da catástrofe como sustenta o BEA. O maior acidente da história da Air France, o voo AF 447 (Rio-Paris), no qual morreram 228 pessoas, encaixa-se como uma luva nas três categorias, segundo a dupla pilotos. Eles oferecem a prova.

Gérard Arnoux, comandante de bordo de Airbus 320 e presidente do Sindicato de Pilotos da Air France (Spaf), de 58 anos e Henri Marnet-Cornus, ex-piloto de caça e de aviões de passageiros, de 60 anos, apoiaram-se em 47 documentos oficiais para escrever um relatório sobre as causas do acidente com o vôo AF 447. A análise joga por terra a tese do BEA de que os Tubos Pitot AA, não estão na origem do acidente. Os Pitot, fabricados pela francesa Thales, são sensores externos que enviam informações sobre as pressões para o sofisticadíssimo e quase autônomo sistema de bordo do A330 calcular a velocidade da aeronave.

Para o BEA, as leituras “incoerentes” dos sensores não foram determinantes, mas apenas um fator entre vários outros. Na análise dos pilotos fica claro que o defeito desencadeou uma sequência de panes que levou o avião à uma situação em que  a tripulação não estava devidamente treinada para enfrentar. Arnoux  martela: “Sem o defeito nas sondas, o acidente não teria acontecido.”

Os pilotos acusam a Air France e Airbus de “negligências” graves. Os problemas com as sondas foram diagnosticados em 2002.  Desde então, foram registrados vários incidentes nos quais os sensores deram o pontapé inicial sem que o fabricante e a companhia aérea tomassem as devidas providências. A Air France forneceu aos pilotos do vôo AF 447 uma previsão meteorológica produzida 24 horas antes do acidente. Na madrugada dia 1 de junho,  quando ocorreu a tragédia, havia uma rota mais segura que a  que foi feita pelo A330. Na carta meteorológica de horas antes da decolagem, podia se ver bem a  melhor opção. Os pilotos não sabiam. Embarcaram com informação desatualizada.

Os pilotos realçam também a parte de responsabilidade na tragédia das autoridades tutelares da aviação – o BEA, Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) e Agência Européia de Segurança Aérea (AESA). Sabia-se, por exemplo, que a certificação das sondas datavam dos tempos em que os aviões não voavam a altitudes tão altas, portanto os exames não levavam em conta o efeito dos cristais de gelo nas sondas.

Por Antonio Ribeiro

05/10/2009

às 14:59 \ França

O McDonald’s entra no… Louvre

macnolouvre

É a pá de cal ou o renascimento? Talvez ambos.

O McDonald’s não poderia comemorar melhor  seus 30 anos de chegada à França. No mês que vem a rede de lanchonetes vai entrar no… Louvre. O templo do fast-food americano venderá o famoso Big Mac ao lado dos fossos medievais da fortaleza de Filipe Augusto (1165-1223), na galeria de lojas sofisticadas com acesso direto ao maior museu do mundo, o Carrossel du Louvre.

A França tem dois grandes símbolos culturais em que se apóia para, altiva e orgulhosa, mostrar sua diferença com outros paises: a alta cozinha e as belas artes. Para os nativos mais aguerridos, o McDonald’s só atentava contra o primeiro. “Agora, o grande atrativo do Louvre não será mais a Mona Lisa, mas os grandes arcos dourados”, ironiza um deles, referindo-se a letra M do logotipo da rede.

Quem vê de fora vândalos franceses – eles se proclamam turma da anti-globalização -  quebrando lanchonetes da rede, acha que existe uma guerra entre o McDonald’s e a aldeia do Asterix. Tão falso como o mito da resistência francesa contra o invasor nazista. Na verdade trata-se de caso de amor. A França tornou-se o maior mercado da rede McDonald’s fora dos Estados Unidos. Só o ano passado, as lanchonetes dos “arcos dourados” na França receberam 450 milhões de consumidores, 11% a mais do que o ano anterior e inauguraram 30 novos pontos.

Detalhe edificante: não tem MacDonald’s no Museu Metropolitano de Arte, de Nova York. Em frente ao Met há um vendedor ambulante de delicioso hot dog, quase tão bom como o cachorro-quente do Geneal, na Cidade Maravilhosa e olímpica.

Por Antonio Ribeiro

04/10/2009

às 9:06 \ Voo AF447 (Rio-Paris)

A tragédia poderia ter sido evitada

relelacoesaf447

Em um relatório com 47 documentos que será entregue esta semana à Justiça francesa, dois veteranos pilotos de linha evidenciam falhas do Airbus 330 e as “negligências” da Air France que causaram a morte de 228 pessoas no acidente do vôo AF447 durante o trajeto Rio-Paris. O congelamento dos tubos Pitot AA, fabricados pela companhia francesa Thales — eles medem a velocidade do avião — é a principal causa do acidente, segundo o relatório, “Vamos torcer o pescoço da tese oficial formulada pelo Escritório de Investigações e Análises  francês que sustenta não poder encontrar as causas do acidente sem as caixas-pretas.” diz Gérard Arnoux, presidente do Sindicato dos Pilotos da Air France  (Spaf) e  um dos autores do relatório. “Os mortos não podem ficar esquecidos no fundo do mar.”

Por Antonio Ribeiro

04/10/2009

às 6:23 \ Rio 2016

Régua

regua

Criticar o Lula por converter em capital político a escolha do Rio como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016 é perfeitamente compreensível. Faz parte do arsenal do presidente chamar para si todo tipo de conquista — a da Lua ainda não, mas pelo ritmo desavergonhado, não demora. Em contrapardida, condenar a escolha olímpica da cidade carioca porque ela aconteceu durante o governo atual, é geléia geral. O Brasil é bem maior do que a miudeza.

A percepção de que o Rio não deve sediar os Jogos porque haverá roubalheira, denota falta de bom senso. Uma leitora do blog se espantou: “Por esta lógica o Brasil não pode sediar nem briga de galo.” A escolha do Rio 2016 tem uma dimensão e uma oportunidade que nem todos captaram. As contas e obras para colocar a cidade em conformidade com as exigencias do Comitê Olimpico Internacional devem ser vigiadas. Aliás, como qualquer outra, financiada por dinheiro público ou privado.

Por Antonio Ribeiro

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados