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Arquivo de 30 de outubro de 2009

30/10/2009

às 7:30 \ França

Justiça francesa indicia Chirac

Chirac, fim da imunidade abre caminho para os processos

Chirac, fim da imunidade abre caminho para os processos

O Tribunal Correcional de Paris abriu processo contra o ex-presidente da França, Jacques Chirac. Ele é acusado de desvio de fundos públicos e criação de 21 empregos fantasmas para membros de seu partido quando era prefeito de Paris. O Ministério Público investigou 481 casos durante mais de uma década. Se condenado, Chirac arrisca uma pena de até 10 anos de prisão e 210.000 euros de multa, uma humilhação no final da carreira política de mais de 30 anos.

O Procurador da Repúlica, indicado pelo ex-presidente, tinha pedido arquivamento do caso, mas a juiza Xavière Simeoni estimou que as provas eram suficientes para abertura de um processo, o primeiro contra um chefe de estado na França, durante a V República. Em 1945, o Marechal Henri Phillipe Pétain, chefe do governo de Vichy, foi condenado à morte por colaborar com o ocupante nazista — De Gaulle converteu a sentença em prisão perpétua.  Chirac  já tinha sido indiciado em novembro de 2007, mas na época beneficiou-se de imunidade. Durante 12 anos ela garantiu a passagem de Chirac entre as gotas da chuva sem se molhar. Ou seja, escapar de recorrentes acusações na Justiça.

O tribunal iniciou ação legal, também no mesmo caso, contra o todo-poderoso ex-secretário geral do sindicato Força Operária, Marc Blondel. O sindicalista a quem durante a década de 90 era atribuído o poder de “paralisar a França” com greves nos setores básicos, é acusado de receber pagamentos indevidos da Prefeitura de Paris.

Jacques Chirac, de 76 anos, foi prefeito de Paris durante 18 anos, entre 1977 e 1995. Depois  foi eleito Presidente da República. Governou a França de 1995 à 2007.  Ele preside atualmente a Fundação Chirac com objetivo declarado de favorecer a paz. No dia 6 de novembro, Chirac deverá lançar livro com suas memórias. Um comunicado do ex-presidente da França que passa férias no Marrocos, afirma que ele tomou conhecimento da decisão e, como manda a tradição dos políticos franceses para manter a pose, está sereno para provar sua inocência.

Por Antonio Ribeiro

30/10/2009

às 6:47 \ França

Como as vendas de armas são regulamentadas na França?

Linha de produção do Rafale

Linha de produção do Rafale

As exportações de armamentos são regidas por um decreto de 1939. Salvo em casos muito específicos, ele não é aplicado.

Antes sondar um mercado, o vendedor deve passar pelo crivo da Comissão Interministerial de Estudos das Exportações de Material Bélico, CIEEMG na sigla em francês. A Comissão, sob autoridade do primeiro-ministro, reúne representantes de diferentes ministérios, Relações Exteriores, Defesa, Finanças e a Alfândega. O exportador deve obter uma derrogação. O negociante não pode de modo algum comercializar com países sob embargo ou em guerra. A Comissão autoriza ou não a venda das armas.

Cada ministério examina os aspectos do contrato. A Delegação Geral do Armamento (DGA), agência do Ministério da Defesa (DGA), analisa o tipo de material; o Ministério das Relações Exteriores, as conveniências diplomáticas;  o Ministério da Economia e Finanças, as comissões e as informações dos intermediários. O procedimento administrativo funciona em 90% dos casos.

Vendas consideradas sensíveis são tratadas por uma CIEEMG de alto nível que reúne desta vez, também os ministros. Vencida a primeira etapa, a Alfândega deve fornecer autorização de exportação do material de guerra. Ela verifica, sobretudo, se o cliente comprometeu-se não reexportar as armas para um terceiro país.

A Comissão Interministerial existe para dar a derrogação. Ela não tem vocação para julgar a ética do negócio. As comissões financeiras estão sujeitas às regras dos países onde se situa a sede social da empresa fornecedora das armas e não do cliente. Na França, as Comissões são regulamentadas segundo a Convenção Anticorrupção da OCDE. Somente as despesas comerciais, precedentes à assinatura de contrato são autorizadas.

Por Antonio Ribeiro


 

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