Blogs e Colunistas

Arquivo de 18 de outubro de 2009

18/10/2009

às 17:47 \ Rio 2016

Qual cidade foi escolhida pelo COI para sediar os JO de 2016?

rioviolenciajo1

O Rio tal como ele é hoje, cenário das fotografias que ilustram este post? Não e nunca foi assim. Elegeu-se uma cidade com inegável potencial para sediar as olimpíadas daqui a 7 anos. Se o crime organizado fosse considerado fatalidade incontrolável, a África do Sul jamais acolheria a Copa do Mundo — não é argumento que se descarte com  um simples golpe de mão. Pelo que se assiste e já se sabia, o Rio está longe da meta. Isso não é razão para condenar a escolha do Comitê Olímpico Internacional, oportunidade de primeira linha. Mais uma triste onda de violência deveria ser motivação suplementar para o poder público com apoio dos cidadãos, cariocas e brasileiros, apressar para transformar o Rio no que a capital merece ser. Não em razão dos JO, mas porque os cariocas tem direito de viver com segurança.

Por Antonio Ribeiro

18/10/2009

às 10:34 \ Brasil-França

Nepotismo nos cargos públicos. França igual ao Brasil? É ruim, hein?

nepostismos

É batata. Olhem no retrovisor da história. Lá no meio do segundo mandato, as fissuras do quadro começam a ficar mais evidentes. O hábito do mando contribui para diminuir o contato entre os governantes e os limites da democracia. Pela natureza apressada, o fenômeno aconteceu antes com o presidente da França, Nicolas Sarkozy. Faltando ainda dois anos para completar seu primeiro mandato, ficou evidente a tentativa de garantir o pé de meia do seu filho Jean Sarkozy instalando-o em um posto no qual carece de qualificação e de experiência. Neste aspecto, onde se perde a mão e senso do bem público, Sarkozy e Lula tem agora mais em comum. No entanto, a semelhança entre Brasil e França termina aí. A reação da população ao nepotismo nos cargos públicos lembra a linha reta de 9.000 quilômetros que mede a distância entre os dois países.

Quando tanto se vê, torna difícil perceber. Ou melhor, tem se a falsa impressão que o quisto instalado por longo processo usucapião já faz parte do corpo. Pior: nada merece ser feito para desalojá-lo. É o caso da leniência popular com os despautérios dos políticos brasileiros. Assim notou-se no caso do mensalão, do Lulinha com a Telemar, e mais recentemente, o de José Sarney, no Senado. Isto só para citar três de uma formidável coleção de episódios com vocação para entrar no esquecimento. Pondera-se que a premissa do “sempre foi assim e como tal vai continuar” fundamenta-se na prática da impunidade recorrente de instâncias criadas para justamente fazer o contrário. Os franceses perderam o direito de sediar os próximos Jogos Olímpicos em 2012 que irão acontecer em Londres, mas ainda guardam a crença em suas instituições democráticas e a esperança que, cedo ou tarde, a ficha dos políticos caia. Até porque se não cair, quem vai ao chão, na eleição seguinte, são os desprovidos de simancol.

Segundo uma pesquisa do Instituto CSA para o jornal Le Parisien, dois terços dos franceses são hostis à nomeação de Jean Sarkozy, de 23 anos e aluno do segundo ano de Direito, ao comando do EPAD, o organismo estatal com orçamento de 1,5 billhão de euros, responsável pelo urbanismo do La Defense, o distrito mais rico da França e mais próspero da Europa – mais de 3.000 empresas francesas e multinacionais que empregam 15.000 pessoas. Metade do eleitorado de Sarkozy considera que o presidente fez escolha errada. Contrário a Lula que se considera larger-than-life confortado pela popularidade, Sarkozy correu para se justificar em entrevista ao jornal Le Figaro cujo leitor típico integra a parte mais sólida da sua base eleitoral. Foi vã tentativa.

Um abaixo assinado na internet já reúne mais de 87.100 habitantes do La Defense, onde vivem 200.000 pessoas, contrários à nomeação do “Príncipe Jean” para a autarquia controlada pelo governo do pai. A maioria dos eleitos da região, entre os quais também os membros do partido de Sarkozy, são desfavoráveis. Não se trata resistência contra jovens no poder como se a capacidade dependesse exclusivamente da experiência. Alexandre, o Grande, ascendeu ao trono da Macedônia com 19 anos, aos 20 já tinha criado um império. Ao chegar a maioridade, Cleópatra já era faraó. Nem pensa-se que a juventude está dissociada do talento. Wolfgang Amadeus Mozart compôs Andante em C Maior com apenas 5 anos de idade. Orson Welles dirigiu Cidadão Kane, considerado a obra-prima maior do cinema, com 26 anos. A questão é de outra ordem. Nas democracias, os cargos públicos devem ser preenchidos de acordo com o mérito de quem os postula. Na França, além do princípio constar na Carta fundadora da República, os Direitos do Homem de 1789, o país tem uma escola especial, de rigoroso acesso, para preparar os funcionários públicos.

Mas a pergunta que se coloca é se o descontentamento popular francês tem conseqüência efetiva? Uma vez mais, olhem no retrovisor da história. A resposta é sim. No caso de Jean Sarkozy, o governo já começa procurar uma saída honrosa. O cargo de presidente do EPAD resulta da indicação de 18 membros do conselho de administração. Quatro eleitos do governo, quatro da oposição, um representante da Câmara de Comércio e nove funcionários indicados por quatro ministérios (Economia, Interior, Infra-estrutura e Cultura). Ou seja, 14 deles estão na mão do presidente Sarkozy. “Até uma cabra poderia ser eleita com este apoio” ironizou o parlamentar socialista Arnaud Montebourg. Ganha terreno a proposta do deputado socialista Gaëtan Gorce endossada por  Luc Chatel, porta-voz do governo. Ele sugere que apenas os eleitos e representante da Câmara de Cormércio participem da indicação no dia 4 de dezembro. Em todo caso, seja lá qual for o desfecho do caso, ele terá consequência nas próximas eleições. Que peso terá nas próximas eleições presidências no Brasil, a  atitude de Lula nos casos do mensalão, Lulina na Telemar e a permanência de Sarney na presidência do Senado?

Por Antonio Ribeiro


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados