PUBLICIDADE

Arquivo de 13 de outubro de 2009

A “caixa-preta do BEA” pendura as chuteiras

terça-feira, 13 de outubro de 2009 | 11:46
Sombras e... água fresca

Sombras e... água fresca

Paul-Louis Arslanian diretor do Escritório de Investigações e Análises da aviação civil francesa, o BEA, responsável pela busca das causas da tragédia do voo AF 447, onde morreram 288 peessoas, foi discretamente aposentado.

A versão oficial quer fazer crer que o diretor de 65 anos chegou à idade da aposentaria. Conversa fiada. Arslanian foi afastado por Dominique Bussereau, secretário de Estado dos Transportes da França, seguido a investigação paralela de dois pilotos sobre o acidente. Eles demonstraram claramente que era incorreta a tese do BEA de que o congelamento dos Tubos Pitot foi apenas um entre os vários fatores que causaram a tragédia.

Caberá agora ao engenheiro Jean-Paul Troadec, de 60 anos, que assume o BEA, fornecer a versão oficial das causas do acidente. Ninguém, na imprensa brasileira, evidenciou tanto e de forma tão explicita os despautérios de Arslanian, a « caixa-preta » do BEA, do que o blog De Paris. Os leitores e imprensa francesa notaram. Vamos em frente.

Por Antonio Ribeiro

Oui, a França tem Lulinha

terça-feira, 13 de outubro de 2009 | 7:13

sarkozyfilho

Entrevistado pelo programa matinal da emissora de radio francesa Europe 1, o ouvinte parisiense vocifera: “Non, non… et non! A França não é uma República bananeira nem é a terra de Omar Bongo!” Bem, está longe, mas tem seu Lulinha. Ou uma versão embalada em ternos conspicuamente bem cortados, capaz de produzir argumentos articulados e desafiadores. Vereador por Neuilly-sur-Seine, suburbio chique de Paris, ele tem 23 anos e cursa o segundo ano de Direito. Seu maior atributo político, no entanto, figura na Certidão de Nascimento. Trata-se de Jean Sarkozy, o filho do presidente da França. Acusado de beneficiar-se de nepotismo, o jovem ganhou o apelido de “Príncipe Jean” no país cujo Antigo Regime monárquico terminou com o rei guilhotinado sob júbilo popular em praça pública.

Desta vez, qual é o contexto em que faz os franceses lembrarem do direito divino? Jean Sarkozy está prestes a assumir a presidência do EPAD, a estatal responsável pela política urbanista do La Defense, distrito financeiro nos arredores de Paris. O espaço de 1,5 quilômetro quadrado que mais cresce na Europa e tem um projeto de renovação orçado em 1,5 bilhão euros  de investimentos públicos, abriga mais de 1.500 empresas  — 14 entre as 20 mais lucrativas da França — e que empregam 150.000 funcionários.

A medida do mérito dispensa o número de anos e não se pode criticar alguém em função da sua paternidade. O caso de Jean chama atenção pelo ineditismo. Jamais na história da V República francesa um jovem universitário e inexperiente foi dar expediente em posto tão elevado de organismo estatal. Este tipo de cargo, na grande maioria das vezes, é disputado palmo a palmo entre experientes ex-alunos da Escola de Administração Pública francesa.

A questão é sensível na França. Não há ponto no planeta onde as reações são tão virulentas quando há suspeita de que o mérito passa pela consanguinidade dinástica .”Na Declaração dos Direitos do Homem de 1789, está escrito que os cargos são atribuídos segundo a capacidade e o mérito”, lembra o parlamentar de oposição ao governo Sarkozy, Arnaud Montebourg. “Qual é o mérito de Jean Sarkozy além de ser filho de papai?”, pergunta. Jean responde: “O que quer eu faça ou diga, sou criticado.”

Em tempo: Nicolas Sarkozy lançou hoje sua reforma para os liceus franceses. A principal  medida sustenta a igualdade de chances, parte do programa do candidato à presidencia que prometeu aos eleitores uma “República irreprensível”.

Por Antonio Ribeiro