Blogs e Colunistas

17/12/2014

às 18:55 \ Sem Categoria

Fim do bloqueio. Qual bloqueio? Trafalgar?

A Batalha de Trafalgar, por William Turner

A Batalha de Trafalgar, por William Turner

Seria bloqueio se durante mais de meio século, a fazendinha insular dos irmãos Castro estivesse cercada de navios inimigos, o espaço aéreo interditado por caças da USAF, a maior e mais poderosa força em atividade na aboboda celeste. Tipo, nada entraria na ilhota e daquela beleza, nada sairia. O país estaria impedido de comercializar seja com o Canadá, México, União Europeia e demais. Injeção bolivariana nem pensar. Não haveria nem o Mais Médicos, da Dilma. Os doutores, maletas na mão, ficariam retidos no porto de Mariel ainda que o contribuinte brasileiro tenha financiado a obra, assistindo a coreografia dos vasos de guerra ianques fechando o acesso da baia ao Estreito da Flórida.

O restabelecimento de relações diplomáticas entre os Estados Unidos da América e Cuba, depois de ratificado pelo Congresso, colocara fim sim, ao embargo econômico americano. Aliás, o embargo estava, sem trocadilho, caindo de maduro desde primeiro mandato do governo Bill Clinton. Só não se efetivou antes porque não interessava ao Coma Andante Fidel. Sempre que houve possibilidade real do fim do embargo americano, Fidel arrumou desculpa esfarrapada para boicotar os avanços diplomáticos. O caso das avionetas dos Hermanos al Rescate em 1996 foi emblemático.

Fim de bloqueio — e foi só o início — aconteceu de fato no cabo de Trafalgar, costa da Espanha, quando os 27 navios da armada real inglesa sob comando de um lorde, o almirante Nelson, romperam o cerco naval do autocoroado imperador Napoleão Bonaparte. Nelson diferentemente de alinhar suas naus em paralelo com as do inimigo e assim trocar fogo, atravessou a linha adversária e atirou na proa e popa dos navios onde não havia canhões para responder ao ataque. Isso sim, foi revolucionário, arriscado e, não menos, brilhante para o inicio do século XVIII. A versão cubana não conseguiu até hoje o mais básico, abastecer sua população de comida.

Só a chegada da democracia e capitalismo poderá reverter o quadro de um pais cujo Produto Interno Bruto é inferior ao de Santa Catarina. A decisão do presidente americano Barak Obama de normalizar as relações que o inscreverá na história, não é o fim da ditadura dos irmãos Castro. Não é nem o começo da democracia. Talvez seja o fim do começo. Um processo longo contra o que parece não ter fim embora tenha sido ruim desde o início.

Por Antonio Ribeiro

15/12/2014

às 14:57 \ Brasil

O prejuízo não contabilizado do petrorroubo

passaporteCertos governos, como é o caso do que tem Dilma Rousseff como chefe do Executivo,  transferem aos cidadãos uma carga suplementar sem que ela tenha sido solicitada. Um presente grego em época natalícia fora das funções constitucionais pelas quais a presidente foi eleita e que vai bem além do volume habitual dos pesados impostos federais cuja contrapartida consequente inexiste em Pindorama.

Houve tempo em que a percepção internacional pespegava nos colombianos a imagem de traficantes de droga e nos iranianos, a de terroristas natos. Durante muitos anos, alemão e nazista eram quase sinônimos. Há outros exemplos. Atualmente, a voga por conta do petrorroubo, amplamente divulgado na imprensa mundial — só menos a que a derrota de 7 contra a Alemanha —, é a que os brasileiros são larápios.

Por certo, nem todos os donos de passaporte equivalente ao que ilustra este post são ladrões. Aliás, a maioria não é, mas o governo Dilma, e aqui está o cerne da questão, faz nada para contrapor a ideia. As ações do governo, pelo contrário, escondendo o gato debaixo do tapete, corroboram para manter a imagem  na crista da onda.

Antigamente, por exemplo, se era abordado na Quinta Avenida e nos táxis do aeroporto JFK à ilha de Manhattan com a pergunta: “Porque vocês queimam as florestas e matam os índios?” Mudou. Agora é o seguinte: “Por que roubam tanto no Brasil?” Ou pior ainda: “Por que elegem tantos ladrões reincidentes?”

Naturalmente, o imaginário coletivo é quase sempre impreciso, mas não impede de influenciar até na hora de mostrar o passaporte para o agente da imigração que, do nada, passa a desconfiar do cidadão comum. Não será surpresa se algum turista brasileiro que viajar ao exterior neste fim de ano degustar, além da tradicional imagem de simpatia  que o brasileiro tem pelos seus traços cordiais, o dissabor com gosto de fel, os efeitos da desonestidade do governo nacional. Este tipo de dano é real embora nunca contabilizado.

Por Antonio Ribeiro

26/11/2014

às 11:37 \ Aviso aos navegantes

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Por Antonio Ribeiro

17/11/2014

às 17:52 \ História

Chapéu mais caro do mundo encontra cabeça disposta comprá-lo por 1,9 milhão de euros para não ser usado

napohat

Qual a principal utilidade do chapéu desde os primórdios? Resposta: proteger a cabeça contra as intempéries climáticas. Mas há quem use a cobertura como adereço. Ou seja, serventia prática nenhuma. Uma variante comum: o porte do ornato como símbolo de poder. Doravante, há caso ímpar. O de quem paga 1,9 milhão de euros (mais de 6 milhões de reais) por exemplar. Mais raro ainda: a compra não tem o uso pessoal como objetivo.

Aconteceu em Fontainebleau, subúrbio de elevado preço do metro quadrado à 55 quilômetros sudeste de Paris e vizinha de magnífico parque florestal. Durante leilão organizado pela Maison Osenat, Karim Hong Kuk, presidente do grupo de produção alimentar sul coreano Harim, arrematou chapéu bicórnio (duas pontas) de Napoleão Bonaparte por soma jamais desembolsada na aquisição de peça moldada em feltro de castor.

Trata-se de um dos 19 exemplares identificados e autenticados que pertenceram ao imperador francês nascido na Córsega. Estima-se que durante os 15 anos em que governou a França, Bonaparte tenha usado cerca de 120 chapéus. Metade deles foram encomendados a chapelaria parisiense Poupard et Delaunay que fabricava um para o imperador afrontar cada estação do ano.

O desenho do bicórnio de Napoleão tem quase tanta fama quanto a forma elegante da Torre Eiffel. Na verdade, os contornos do chapéu são mais conhecidos na cultura popular do que os traços físicos do imperador que deixou a França com menor área desde que colocou a coroa na própria cachola. Porém, mais gloriosa. Isso tanto pelas batalhas vitoriosas e sobremaneira no campo penal, devido a introdução do código napoleônio, referência maior pelos seus derivados no universo jurídico.

De fato, o hábito não faz o monge. No mais das vezes, ocorre o contrário. Um duque inglês esqueceu de abotoar a parte inferior do seu paletó e pronto, virou moda. Napoleão conferiu fama ao chapéu de dois bicos, uma variação do tricórnio usado no período colonial americano, colocando as extremidades não em paralelo ao nariz e a nuca (“en colonne”), mas com a linha que vai de um ombro a outro (“en bataille”).

Conta a lenda que a escolha teve caráter estratégico. Dito de outro modo: para dar melhor visibilidade e identificar o imperador na confusão dos campos de batalha e entre as plumagens dos seus generais. Em ocasiões engaladas, os carabinieri, policiais italianos, ainda usam o bicorne assim, a maneira de Bonaparte. Desta vez, por exibicionismo ou por alguma outra razão não declarada.

O chapéu lendário pertencia a coleção da Casa Grimaldi, os soberanos de Mônaco. O príncipe Albert II justificou a venda de parte da herança do bisavô Louis II para pagar reformas do palácio — lembra mais uma fortaleza no topo de um rochedo à beira do Mar Mediterrâneo, em Monte Carlo. O bicórnio de Bonaparte teria sido recuperado originalmente em junho de 1800, durante a famosa Batalha de Marengo contra a monaquia austríaca dos Habsburgos, no Piemonte, noroeste da Itália. Joseph Giraud, veterinário nas cavalariças do imperador, recolheu o chapéu e o levou para casa como troféu de guerra.

O colecionador Karim, admirador de Bonaparte desde a adolescência nos bancos do colégio, achou o preço pago pelo chapéu insignificante. De fato, mais dificil foi usá-lo de tal forma que hoje, o adorno pode se exibir em uma redoma de vidro na Ásia, continente em que o imperador francês, um tenente desconhecido até dominar a Europa com pouco mais de trinta anos de idade, nunca colocou as botas. Conquistou, no máximo, admiração sem preço. Embora o Lula tenha declarado certa altura, como os que afirmavam altivos que a Terra era plana: “Quando Napoleão esteve na China…”

Kim e Jean-Louis David: bons tratos ao chapéu do admirador

Kim Hong Kuk e o quadro de Jean-Louis David: bons tratos ao chapéu do imperador

Por Antonio Ribeiro

12/11/2014

às 16:41 \ Brasil

A castástrofe permanente

tiro

 

Em um país no qual são assassinados, em média, um indivíduo a cada 10 minutos como informa o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014, só há algo mais relevante, a inépcia para reverter rapidamente a curva. Enquanto não acontece, o cidadão corre risco permanente de nos 10 minutos seguintes ir para o cemitério e, simultaneamente, virar número na estatística tenebrosa.

A premissa acima só tem algum significado no conjunto de ideias e princípios que forjaram as democracias modernas. O cidadão, por exemplo, é bem mais que o bobo a ser enganado em período eleitoral ou genero especial de vaca leiteira, o Bos taurus que só tem existência considerável quando paga os impostos. No resto do tempo, não é estatística, mas gente cuja vida tem valor tanto para família e amigos como para o governo da hora.

Em um país que tem, em média, 6 homicídios por hora, 53 mil no total, o que é a ameaça do ebola que fez 5 mil mortes no Oeste da África? A seca, a ansiedade da prova do Enem, a investigação do petrolão? Qual a importância do nome do próximo ministro da Economia? O que são os desagrados do cotidiano perto de uma situação mais grave que as calamidades públicas renitentes?

Trata- se de uma “catástrofe natural” que aumenta o seu efeito nefasto todo ano. No entanto, não provoca as reações de governantes que mobilizam fundos e braços quando a natureza manifesta a sua fúria. Está ai, um estado de sítio informal de uma população inteira. Merecia ser tratado como a primeira prioridade, na primeira hora seguinte a sua constatação.

Por Antonio Ribeiro

28/10/2014

às 15:30 \ Brasil

Debate na tv francesa sobre reeleição de Dilma por margem curta. O novo cenário: país dividido e oposição real. E o velho: economia frágil e corrupção renitente

Convidado por Michel Field, apresentador do programa Le 5 à 7, da LCI, a TV francesa de notícias 24 horas por dia, participei junto com Stéphane Monclaire, professor de ciências políticas na Sorbonne e especialista em assuntos brasileiros, de debate sobre a reeleição de Dilma Rousseff por margem reduzida de votos. O novo cenário: país dividido e oposição real. E o velho: economia frágil e corrupção renitente.

O vídeo do debate (em francês):

Por Antonio Ribeiro

27/10/2014

às 17:37 \ Brasil

De Dilma, os europeus querem saber mais sobre o futuro

Dilma

A imprensa européia tratou a reeleição de Dilma Rousseff quase como um rito democrático protocolar. Mesmo a revista britânica The Economis que na semana anterior tinha aconselhado o voto em Aécio Neves lembrou que nas últimas três décadas, apenas três presidentes na América Latina não conseguiram se reeleger.

A percepção pode causar espanto em quem acompanhou de perto a eleição mais acirrada da história republicana. A vitória de Dilma teve uma margem de apenas de 3% dos votos. Ela tampouco reflete a violência do debate no qual foi usada uma das armas mais pesadas do arsenal da infâmia. Lula, principal porta-voz do PT, para desqualificar o adversário que acabou colhendo mais de 51 milhões de votos, o acusou de pertencer a partido semelhante aos “nazistas”.

Tampouco levou-se muito em conta que a mentira encontrou condições climáticas e campo fértil para brotar viçosa e conquistar corações e mentes, sobretudo, dos mais inocentes. Os europeus conhecem de cor o discurso do medo e, por mais das vezes, dedicam solene indiferença. O estadista prussiano Otto von Bismarck sustentava no século XIX que as guerras, as eleições e as caçadas eram momentos propícios para as lorotas deslavadas.

Os europeus de um modo geral estavam mais interessados nas eleições na Ucrânia para saber se os eleitores do leste iriam escolher deputados mais favoráveis à União Européia ou à Rússia de Putin. No domingo, enquanto o Brasil fervia, as emissoras de radio e TV na França levavam ao ar mais boletins sobre as legislativas na Tunísia onde os islamistas perderam a eleição.

No Velho Continente, a curiosidade maior não é bem como Dilma manteve o poder, mas de que maneira irá governar com situação até então inédita. Ou seja, o país nitidamente divido em dois. Se adicionados os 32,3 milhões de eleitores que não quiseram votar em Dilma ou Aécio, é praticamente impossível se ter algum sucesso fazendo de conta que se obteve unanimidade na preferência nacional.

O vespertino francês Le Monde pergunta quem será o ministro da economia capaz de tirar o país da estagnação cuja previsão de crescimento para 2014 é perto de zero e a inflação acumulada em 12 meses, bate em 6,75%? O principal diário da Alemanha, o Allgemeine Zeitung, afirma que a reeleição de Dilma não põe fim nas investigações de corrupção na Petrobrás e que, finalmente, depois de 12 anos, a oposição parece ter acordado além de ter doravante um cacife de votos formidável.

Por Antonio Ribeiro

08/10/2014

às 18:31 \ Brasil-França

Monsieur Neves surpreende como intruso no cenário idílico

LCIRibeiro

Boa parte da imprensa francesa esperava um cenário idílico nos trópicos. A disputa de duas mulheres no segundo turno da eleição presidencial no Brasil. De um lado, teria-se a primeira presidente-mulher e do outro, uma espécie de “Lula de saias”, personagem “pétillante”, como  dizem os nativos aqui. Tão adstringente e crepidante quanto o efeito das bolhas de champanhe nas papilas gustativas.

A chegada do senateur Neves, desconhecido como o soldado enterrado no Arco do Triúnfo e cujo nome Aécio, os franceses — e não só eles — têm uma certa dificuldade em pronunciar, colocou água no chope da expectativa. Foram pegos de surpresa

Convidado por Michel Field, apresentador do progama Le 5 à 7, da LCI, a TV de notícias 24 horas por dia, participei com muita honra junto  com o amigo Andrei Netto, correspondente de O Estado de São Paulo e Jean-Jacques Kourliandsky, especialista em América Latina do instituto IRIS, de debate sobre os resultados do primeiro turno e as perspectivas da reta final.

Confira o papo no vídeo abaixo.

Por Antonio Ribeiro

25/09/2014

às 5:42 \ Diplomacia

Pois bem, então qual seria o argumento de Dilma Rousseff para dissuadir os terroristas da sanha de matar inocentes?

ISIS

Quase que no mesmo instante em que a presidente do Brasil Dilma Rousseff subiu na tribuna da Assembléia Geral das Nações Unidas e diante de representantes de 120 países sustentou o diálogo para resolver todo tipo de conflito internacional, os terroristas do Estado Islâmico cortaram a garganta de mais um cidadão pacífico, o guia de montanhismo Hervé Gourdel, de 55 anos de idade. Desta vez, simplesmente, porque ele era francês. As três vitimas anteriores, dois americanos e um britânico, foram decapitadas por razão semelhante: a nacionalidade.

No dia anterior, ao desembarcar em Nova York, Dilma disse a jornalistas que “lamentava enormemente” os ataques aéreos dos americanos, franceses e aliados árabes às bases dos terroristas na Síria. Segundo a presidente, “o uso da força é incapaz de eliminar as profundas causas dos conflitos internacionais.” A noção da petista foi prontamente rebatida por Barack Obama cujo temperamento não tem os traços comuns aos belicosos de primeira grandeza e o perfil não lembra a figura do falcão: “Não pode haver negociação, a única linguagem que assassinos deste tipo entendem é a da força.”

Convite ao diálogo

Convite ao diálogo

As perguntas que emergem como lavas de vulcão é que tipo de diálogo a presidente do Brasil imagina possível com os sanguinários “Soldados do Califato”? Uma parte entra com o pescoço e os terroristas com o punhal afiado? Qual seria o argumento de Dilma para dissuadir os assassinos da sanha de matar inocentes? “Olha, meus queridos, não façam isso porque é feio”?

Dilma também explicou a seu modo inconfundível a contrariedade com os bombardeios: “Sabe quando você destampa a caixa e saem todos os demônios?” Talvez ela tenha pensado na Caixa de Pandora, mas a premissa partiu torta. O que se sabe é o seguinte: demônios não respeitam limites nem de caixas bem embrulhadas e muito menos, esperam que elas sejam abertas para agir tal qual o gênio da lâmpada. A existência dos demônios bastam para configurar ameaças, letais em última instância.

É espantoso que numa espécie de Terra do Nunca, por estar em clima de período eleitoral, se deu mais atenção ao fato de Dilma usar a oportunidade reservada ao Presidente da República para fazer discurso com fins eleitoreiros. Por certo a bajulação ao seu próprio governo foi inadequada, mas não seria muito diferente se fosse o caso de outro presidente de qualquer democracia brigando pela reeleição. Ademais, extraiu-se como relevante no discurso da presidente as suas diferenças com a candidata Marina Silva na questão das mudanças climáticas como se fosse grande novidade ou descoberta. Impressionante.

Enquanto isso, a jugular de Gourdel gotejava sangue na areia.

Alguns podem atribuir tamanha insensibilidade e indiferença com a barbárie a um país anestesiado por mais de 56 mil homicídios por ano. Mas no particular, seria um insulto grotesco a milhões de brasileiros que apesar de assistirem em seu cotidiano a disseminação do crime e sua impunidade ainda guardam o sentido da decência e humanidade. Entre estes brasileiros há um contingente de eleitores que irá votar em breve. Por menor que seja a quantidade de votos contra a leniência e desfaçatez que os governantes petistas têm em relação ao crime, haverá esperança de que a prática da barbárie não é aceita de forma tão natural como o mineral.

Por Antonio Ribeiro

21/09/2014

às 7:00 \ Europa

A próxima parada do separatismo europeu: Catalunha

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No Velho Continente há 37 movimentos separatistas e regionalistas com, no mínimo três representantes no Parlamento Europeu. Juntos, eles formam a Aliança Livre Européia. O referendo na Escócia representava acalento para o independentismo se alastrar como possibilidade de desmembrar uma região de país da União Européia (UE) e, em consequência, os seus líderes serem obrigados a se virar para acomodar a mudança.

O voto escocês, resultado de um processo democrático — e debates serenos mesmo sob o efeito etílico do uísque puro malte — tira ímpeto da onda para redesenhar o mapa da UE, mas não marca o seu fim. Se depender do presidente da região espanhola da Catalunha, Artur Mas e de seus aliados da Esquerda Republicana a próxima etapa será dia 9 de novembro.

A liderança separatista catalã vai propor aos seus conterrâneos duas questões: “Quer que a Catalunha seja um Estado? Quer que seja um Estado independente?” Isso acontece em uma região de 7,2 milhões de habitantes distribuídos em 32 quilômetros quadrados onde o nível de autodeterminação do governo local e autonomia orçamentária (29,3 bilhões de euros) são mais elevados que as dezoito torres do Templo Expiatório da Sagrada Família, a obra inacabada do arquiteto Antoni Gaudí, na capital Barcelona. No terço mais ao norte do Reino Unido, elas são apenas reivindicações.

Na Escócia, o plebiscito não foi convocado de forma unilateral ou licenciosa. O primeiro-ministro britânico David Cameron e o nacionalista Alex Salmond, então primeiro-ministro escocês, assinaram um tratado. Na Espanha, uma das nações mais descentralizadas do planeta, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, do Partido Popular, empenha-se para bloquear o referendo catalão (orçado em  mais de 10 milhões de euros), pelo menos por enquanto. Ele enviará a questão para o Tribunal Constitucional (TC) formular um parecer.

A análise pode durar meses. Bem provável que, ao final, a maioria dos 12 magistrados do TC seja contraria à manobra de secessão. No entanto, Mas poderá promover o referendo antes da decisão da mais alta corte espanhola. Outra alternativa seria convocar eleições regionais antecipadas associadas à consulta de separação.

Note-se aí, o desejo é de independência, mas nem tanta. Dito de outro modo: Catalunha emancipada, mas sem perder o sustento provido pelo dinheiro espanhol, uma espécie de divórcio com pensão alimentícia. Em ambos os casos, o referendo será considerado ilícito e, em efeito, a encrenca estará armada. Do ponto de vista dos separatistas, a desobediência civil configura passo almejado e, por certo, não uma transgressão institucional.

O separatismo europeu vai fundamentalmente na contra-mão da história. No século XX, em um continente pequeno, países aliados e ex-inimigos em disputas, rixas, rancores e guerras sanguinárias se reuniram na formação da União Européia. Isso para ter mais força, influência e aplainar diferenças. O manejo força admiração mundial. No século XXI, em países ainda menores e com populações reduzidas, as lideranças locais, como os antigos senhores feudais, os duques e príncipes, carburam as particularidades para fragmentar tendo com objetivo último, assumir o governo.

Colaboração do leitor Maurício Martinez: Catalunha e País Basco no mapa da Espanha

Colaboração do leitor Maurício Martinez: Catalunha e País Basco no mapa da Espanha

LEIA NO BLOG DE PARIS O POST: “No lugar da independência, a divisão

Por Antonio Ribeiro
 

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