02/05/2013
às 9:10 \ FutebolSe é Bayern é bom, mas não deslumbra
Lionel Messi, o melhor boleiro do planeta, sob risco de romper o músculo quadríceps femural direito, caso pisasse no gramado do lendário Camp Nou, assistiu sentado no banco de reservas a confirmação de uma espécie de Queda de Constantinopla, um divisor de águas, no mundo da bola.
O time do El Pulga, o Barcelona – dominou o futebol mundial nos últimos quatro anos vencendo quatorze campeonatos dos dezenove disputados – tomou três gols do Bayern de Munique e não fez nenhum. Isso depois de já ter levado quatro e tampouco ter conseguido balançar as redes do adversário, no primeiro jogo da semifinal da Liga dos Campeões da UEFA, cujo nível de futebol e organização rivaliza com a Copa do Mundo.
As duas vitórias do Bayern agregadas à vantagem do rival Borussia Dortmund sobre o Real Madrid criou fato inédito. Pela primeira vez, haverá uma final 100% alemã na Champions, prevista para 25 de maio em Wembley, na Inglaterra. O jogo está sendo considerado como símbolo da eventual transferência geográfica do melhor futebol europeu. Ou seja, da Espanha, vencedora da mais recente Copa do Mundo seguido do triunfo na Eurocopa, para a Alemanha.
Em todo caso, ficou patente que o Barça não é mais o melhor time do mundo, como constatou o zagueiro Gerard Piqué i Bernabeu. No entanto, os humilhantes sete gols acumulados do Bayern não foram suficientes para apagar o legado do Barcelona e muito menos para chamar para si deslumbre equivalente ao do time catalão nos últimos anos.
A admiração pelo Bacelona emergiu em um tempo no qual a maioria dos times priorizavam o sistema defensivo. Não perder parecia ser mais importante que ganhar. A equipe catalã passou a buscar o gol de forma frequente mesmo quando vencia por folgada diferença. A filosofia de adaptar um modo antigo de jogar com os imperativos da modernidade veio da cachola do ex-técnico do Barça, influenciado pelo holandês Joham Cruyff, o genial Pep Guardiola. Ele sustentava uma singeleza lógica. Enquanto se tem a posse de bola, o adversário não faz gols e, simultaneamente, tem maiores chances, neste espaço de tempo, de chegar à meta do inimigo.
A concepção do Pep Team é bonita e astuta, mas não é fácil de executar. Ela exige além de talentosos jogadores, um entrosamento quase perfeito para troca de passes. Isso foi possível no Barcelona porque fora alguns reforços posteriores, a maioria dos boleiros jogam juntos desde a escolinha do time calão, La Masia. Ela incorpora também uma noção nova de que o futebol moderno não depende só de dons natural, mas de um longo aprendizado.
Porém, parafraseando o sábio, o futebol é uma caixinha de surpresas. No primeiro jogo, no Allianz Arena de Munique, o Barcelona teve 71% da posse de bola e, no tempo restante, o Bayern enfiou quatro. O time de Jupp Heynckes mostrou que não basta apenas ter a posse de bola, é preciso saber o que fazer com ela. Em Camp Nou, o templo culé, bastaram cinco alemães em permanente marcação entre a linha divisória do campo e a intermédiária inimiga e tudo aquilo que Guardiola lapidou com esmero caiu por terra.
Isso nos remete à seguinte questão, por que o time alemão não será louvado quanto o Barcelona de Guardiola? Ou o Ajax de Cruyff, Santos de Pelé ou Botafogo de Garrincha? Resposta: Porque não há nada de novo nos gramados a nordeste do Rio Reno. A eficácia e pragmatismo são traços de identidade do futebol alemão nos seus melhores momentos. Não faz muito tempo se dizia na Europa que o futebol era um esporte que 22 disputavam a bola e no final, os alemães ganhavam. Por este Oscar eles já foram aplaudidos seguidas vezes ainda que sem se levantar da poltrona.
Tags: Alemanha, Allianz Arena, Bayern Munique, Borussia Dortmund, Camp Nou, Espanha, FC Barcelona, Gerard Piqué, Liga dos Campeões, Lionel Messi, Pep Guardiola, Real Madrid, Wembley















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