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Viva o contribuinte brasileiro!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010 | 8:34

Evolução da exportações de armas francesas

Exportações de armas francesas

As olimpíadas Rio 2016 nem começaram, mas a França quebrou um recorde. A razão não é o bom desempenho dos seus atletas, mas sobretudo a formidável generosidade dos contribuintes brasileiros que pagam impostos ao governo Lula - a despeito deles, diga-se  en passant. Devido as encomendas militares nacionais - 4 submarinos e 50 helicópteros - a França chegou a marca histórica de 8 bilhões de euros em vendas de armamentos no ano passado — um aumento de  21% em relação a 2008. O país deverá subir ao pódio em 2010 ano quando concluir a venda dos 36 aviões de combate Rafale ao Brasil, tornando-se o terceiro maior exportador de armas do mundo. O Ministério da Defesa francês estima que irá vender entre 10 e 12 bilhões de euros em armas  este ano, mais da metade só para o Brasil.

Por Antonio Ribeiro

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… de ser breve.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 15:14

Entre as melhores publicidades na TV durante a final do campeonato de futebol americano, o Super Bowl, Google conta um romance parisiense em 52 segundos. Simplicidade e elegância. Foi a primeira vez que  a empresa, responsável por 66% das buscas na internet e a página mais visitada da rede, anunciou na TV. Estima-se que a publicidade tenha custado 5 milhões de dólares.

Por Antonio Ribeiro

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A fila do Bazin vista por uma leitora

domingo, 7 de fevereiro de 2010 | 10:24

bazinUma leitora do blog De Paris, depois de ler o post sobre a baguette do Bazin, decidiu conferir a dica.

Ela foi hoje de manhã, domingo friozinho em Paris, à padaria da rua Charenton. Chegando lá, encontrou fila na porta. Sacou seu iPhone do casaco, fotografou e nos enviou a imagem.

Cada dia que passa, aumenta o orgulho do autor deste blog pelos seus leitores. Escrever para vocês é um prazer!

Por Antonio Ribeiro

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A baguete do Bazin

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 18:24

baguete

Era uma vez o tempo em que os parisienses reconheciam de cara o estrangeiro, olhando para os seus pés. Havia grande chance de quem andava de tênis pelas ruas de Paris ter passaporte americano. O pessoal do leste europeu transitava em sapatos de couro ruim. Se os calçados fossem de cor cinza, era batata: o sujeito vinha de lá onde supunha sua origem. Os italianos pertenciam à categoria que atiçava a abordagem para saber onde se comprou aquela maravilha que ornava e protegia os seus membros inferiores. Hoje virou geléia. Ou melhor, confiture générale. Há russos desfilando pelos bulevares com vistosos mocassins italianos. Americanos que calçam Made in China e até os franceses mais elegantes adotaram, sem culpa, o andar confortável em cima do par de tênis.

Sobrou algum símbolo próprio dos turistas no destino de 75 milhões de indivíduos por ano, o ponto mais visitado do mundo? Sim vários. Há matéria-prima para o fabrico de um tratado. Nem tanto porque os viajantes fazem parte de classe genérica, mas porque os parisienses são um tipo muito peculiar. Um exemplo clássico é a maneira com que eles carregam a baguete, produto gálico por excelência, tradição e com um código de uso que lembra a especificidade da canga, usada pelas cariocas para ir a praia. (E vá explicar para uma francesa que a canga deve sair como chegou, sem um grãozinho de areia!)

O diretor e ator novaiorquino Woody Allen, por exemplo, para se dar um ar local no seu filme musical Todos Dizem Eu Te Amo - boa parte foi rodado em Paris - protagonizou cena onde sua personagem atravessa a Ponte au Change sobre o rio Sena com uma baguete debaixo do suvaco direito. Nada menos parisiense. O nativo de cá leva o pão de cada dia com cautela e delicadeza, Tal qual, digamos, um coroinha que conduz a vela ao altar. Detalhe, na saída da padaria, depois de comprar a baguete, o ritual fica completo se você arrancar um naco da extremidade. E ir comendo até atenuar a tentação provocada pelo aspecto, o aroma, a textura crocante, o sabor impar. O efeito é maior se o exemplar vier de fornada recente.

Onde se faz a melhor baguete de Paris? Refiro-me a comum, de todos os dias. Aquela que os parisienses chamam de ordinaire cujo preço oscila entre 90 centavos e 1 euro. Embora os candidatos não variem muito — são 1.260 padarias em Paris — a eleição obedece alternância frequente. O blog De Paris aposta todas as fichas na ciência do padeiro Jacques, proprietário da Boulangerie Bazin, situada no décimo distrito da capital, não muito longe da praça da Bastilha. O produto do Monsieur Jacques tem forma regular. Nota-se na superfície dourada, como a assinatura do artesão, 8 cortes de igual tamanho e profundidade. Na parte inferior há não traços negros de queimado. O tostado é uniforme. O aroma do trigo predomina sobre o da fermentação do qual não se exala  acidez exagerada. Há um leve odor de manteiga. O interior da baguete não é de massa compacta, tem áreas de ventilação, como o queijo Emmental, o popular “suíço”, segundo dizem em Pindorama.

A baguete francesa é regulamentada por um decreto de setembro de 1993. Ele determina o método de fabricação com farinha pura sem aditivos; petrificação mínima e fermentação longa. O resultado deve estar próximo à baguete dos anos 30, antes da Segunda Guerra Mundial. A iguaria deve ter entre 5 e 6 centímetros de diâmetro, 60 centímetros de comprimento e pesar em torno de 250 gramas. Os franceses comem, em média, 180 gramas de pão por dia, mais do que nos anos 1970 quando consumiam 150 gramas diárias. A baguete existe desde 1793, pouco depois da Revolução Francesa, quando a legislação obrigou os padeiros fabricarem um pão barato e igual para todos. Naquela época os padeiros trabalham à noite enquanto a população dormia. O ambiente era frio, úmido onde se respirava ar rico em farinha de trigo. O cronista Louis-Sébastien Mercier dá conta que os padeiros eram franzinos e pálido e seus colegas açougueiros, parrudos e corados. A palavra baguette em francês vem do italiano bachetta, pequeno bastão.

Para quem quiser se aprofundar mais no assunto, sugiro leitura da obra do historiador Steven Kaplan, Good Bread Is Back: A Contemporary History of French Bread, the Way It Is Made, and the People Who Make It

Boulangerie Bazin

85bis rue Charenton

75011 Paris

Telefone: +33 1 43 07 75 21

Fechado quarta e quinta-feira

Por Antonio Ribeiro

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Ações da Dassault dão salto olímpico

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010 | 10:45

acoesdassault2A francesa Dassault Aviation, fabricante do Rafale, como de costume, não quer comentar a informação que Lula oficializou a compra de 36 aviões de combate para substituir caças da Força Aérea Brasileira no projeto FX-2. O Palácio do Elyseé também preferiu ficar em silêncio. No mundo real, as ações da empresa deram um salto  como já não acontecia em anos, elas subiram 5,3% na Bolsa de Paris, depois da notícia. A compra dos caças é questão capital para Dassault, desde a série de anulações de pedidos, devido a crise econômica, do seu produto principal, o jato executivo Falcon.

Se no lado francês adotou-se o mutismo,  o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que o preço do Rafale, o mais caro entre os 3 caças concorrentes, é apenas um elemento “componente”. Quanto ao relatório da FAB, elaborado pelo Copac (Comissão Coordenadora do Programa Aeronaves de Combate), que apontou o sueco Gripen NG como a melhor opção, Jobim disse foram usados “parâmetros que não coadunam com a Estratégia Nacional de Defesa.”

Por Antonio Ribeiro

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Burca, use com moderação

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 | 20:56

burca

Há dias na França onde o caloroso debate sobre a identidade nacional, proposta pelo presidente Nicolas Sarkozy, mostra com mais evidência a sua inutilidade. Basta estar atentivo à estas 24 horas para notar como elas espelham a França. Um dos traços característicos da sociedade francesa é o debate profundo e à exaustão de uma variedade fenomenal de temas polêmicos — assistir  o espetáculo na primeira fila é uma atração que não consta nos guias turísticos. Na maioria das vezes, os opostos defendem suas posições com rara propriedade. Mas o país nem sempre tira melhor proveito do efeito das discussões, a síntese do debate, a chegada ao denominador comum. Fato que constitui outro traço francês marcante. Não é de hoje, mas hoje foi um desses dias.

Na rua, pode. Não há banimento total nem consequência penal

Na rua, pode. Não há banimento total nem punição.

Ao cabo de seis meses de estudo, onde foram ouvidos  de 200 especialistas, uma comissão suprapartidária composta por 32 parlamentares recomendou à Assembléia Nacional, através de um calhamaço de 644 páginas, regulamentar o uso do niqab ou da burca, como é chamada na França a vestimenta feminina islâmica de cobertura integral (veja a foto). O painel preconiza, em um primeiro instante, a adoção de resolução proibindo o uso nos transportes coletivos, escolas, hospitais e repartições da administração pública - interdição de “dissimular o rosto”, propriamente dito. O texto não prevê lei de banimento imediato total nem consequência penal para quem transgride. A medida tem apoio de  2 em cada 3 franceses, entre eles, de forma resoluta, Nicolas Sarkozy. “A burca não é bem-vinda no território da República Francesa”, disse ele durante sessão parlamentar em junho de 2009.

Ainda que a resolução seja uma das mais rigorosas da Europa no que diz respeito à vestimenta religiosa, muitos na França, onde vivem entre 5 e 6 milhões de muçulmanos, a maior comunidade do Velho Continente, acham que trata-se de uma meia medida. É assim por questões de ordem políticas, mas também jurídicas. Os socialistas, embora favoráveis à lei julgaram-na inoportuna. Ameaçaram boicotar o voto porque, segundo eles, o assunto estava “poluído pelo debate da identidade nacional”.  A interdição atinge apenas uma minúscula parcela da sociedade. O Ministério do Interior estima que só 1.900 muçulmanas vestem burca - a maioria são jovens com menos de 40 anos, dois terços são francesas e um quarto foram convertidas devido ao  casamento, 90% delas são filhas de mães que jamais usaram burca. Há receio que uma lei mais ampla aos direitos individuais — a interdição do uso da burca na rua, por exemplo — poderia ser barrada pelo Conselho Constitucional da França e pela Corte Européia de Direitos Humanos.

Imã: ameaça de morte

Imã Chalghomi: ameaça de morte

A maioria da comunidade muçulmana francesa não se opõe à lei, mas receia que uma legislação mais restritiva poderia estigmatizar o Islã francês e também afetaria turistas sauditas e do Golfo Pérsico, clientes de um setor importante da economia francesa, o comércio de produtos de luxo. Os fundamentalistas islâmicos- pregam o retorno ao Islã do século VII - são radicalmente contra a legislação. E fazem saber da forma mais brutal. Na noite do 25 de janeiro, 80 deles invadiram um culto na mesquita de Drancy para intimidar o imã Hasse Chalghomi por ter lembrado que não há uma linha no Alcorão  recomendando o uso do véu. “Infiel, nós vamos liquidar o seu caso” ameaçaram eles.

A interdição da burca está longe das principais preocupações dos franceses — desemprego, baixa do poder aquisitivo e morosidade econômica. Um exemplo edificante. Sarkozy participou durante 1h30 de um programa do horário nobre da TV francesa TF1 onde respondeu perguntas diretas dos seus compatriotas. Nenhuma questão abordou a lei contra a burca.

Atualização: O governo francês negou cidadania a um marroquino porque ele teria obrigado sua mulher usar a burca.

Em tempo: Os belgas resolveram a questão sem fazer alarde com uma  singela diretiva policial: salvo no carnaval, ninguém pode andar mascarado na rua.

Por Antonio Ribeiro

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Marchinha do Rafale

domingo, 24 de janeiro de 2010 | 15:40

Qualquer semelhança é mera coincidência.

Aviso ao contribuinte: o vídeo foi retirado do filme Entrei de Gaiato.

Por Antonio Ribeiro

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Rafale, caiu a ficha

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010 | 16:20

rafaleindia

A licitação sobre o reaparelhamento da FAB, a compra de 36 caças do projeto FX-2, seguia naturalíssima como águas que correm para o mar. Lembrava um passeio no pomar. O blog De Paris não tem a pretensão de considerar a relevância dada ao assunto aqui como o único responsável pela tomada de consciência de tema que por si só sempre mereceu mais atenção alhures. Trata-se da maior compra militar da história do Brasil cuja conta será paga pelo contribuinte durante os próximos 7 mandatos presidenciais.

Mas foi aqui sim que se afirmou pela primeira vez que Lula tinha feito sua escolha pelo Rafale - julho de 2009. Alguns ainda casam a evidência com verbo no condicional. Foi aqui sim, e pela primeira vez, que se ressaltou o desrespeito por regras básicas de uma licitação. Nunca neste país o resultado de uma concorrência foi tão descaradamente anunciada antes do encerramento. Foi aqui sim que se descobriu a estadia de parlamentares brasileiros em Paris pagas, na sua maior parte, pela Dassault, fabricante do Rafale. Foi aqui sim que se revelou que o “deslocamento a Saint Emilion”, como constava na agenda oficial de Nelson Jobim, era jantar do ministro da Defesa no castelo da família Dassault.

E aqui não se escreveu com menos profundidade sobre o assunto do que em qualquer outro espaço da imprensa brasileira. É fácil de constatar que, na maioria dos casos, o empenho foi bem maior.

Nota-se agora uma correria para tirar o atraso da falta de atenção inicial. Tudo bem, antes tarde do nunca. No entanto, é prudente ter cuidado para não tropeçar. A partir de um despacho da agência Indian Express - circula na internet desde abril de 2009 - deduziu-se ter chegado a uma espécie de descoberta da pólvora.

A noticia dá conta da eliminação do Rafale na concorrência para compra de 126 caças para a Força Aérea Indiana (IAF) no valor global de 10 bilhões de dólares. Pegou-se 10 bilhões e dividiu-se por 126 para chegar a 73,34 milhões de dólares o preço de cada caça. Concluiu-se que o preço do Rafale saía pela metade do que a Dassault está oferecendo ao Brasil.

Os 10 bilhões de dólares é uma estimativa de um valor que o próprio Ministério da Defesa da Índia afirma que não foi definido. A Dassault lembra, com razão, que o preço varia em função do volume do estoque de peças de reposição, do tempo do apoio logístico e das especificações do caça exigidas pelo comprador. As especificações da FAB não são as mesmas que as da IAF. A eliminação inicial do Rafale da concorrência não foi, ainda segundo a India, em razão do preço, mas por não cumprir especificações técnicas. A Dassault poderá voltar à licitação desde que atenda as especificações. O Rafale com preço equivalente ao proposto na licitação brasileira perdeu concorrência o para o F-16 (Lockheed Martin) no Marrocos e na Coréia do Sul para o F-15 (Boeing).

Mas o dobro não é muito? Dobro? A proposta de Nicolas Sarkozy a Lula é que o Brasil pague o mesmo que a Aeronáutica e Marinha francesa pagaram pelo Rafale - a única referência de preço pago Rafale até hoje. Ou seja, entre 64 e 70 milhões de euros. O preço está documentado no Livre Blanc, no Senado francês. No entanto, estima-se que o Rafale vai custar em torno 96 milhões de euros para o contribuinte brasileiro.

Portanto, a diferença de preço não está na concorrência indiana cujos dados são vagos, mas entre o que a França pagou e o que o Brasil irá pagar. Ou seja, entre a promessa de Sarkozy e a conta da Dassault. Adicione à equação o elemento que não mudou, o Rafale é mais caro que os seus dois outros concorrentes, o F-18 Super Hornet e o Gripen NG.

Por Antonio Ribeiro

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Nem terremoto abala o antiamericanismo

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 | 19:36

antiamericanismo

Nicolas Sarkozy, finalmente, deu um basta à cantilena mais recente do coro formado por integrantes do seu governo. Em uma bizarra parceria estratégica com os colegas brasileiros, autoridades francesas vinham intercalando declarações contra a ação dos Estados Unidos na missão humanitária em favor do Haiti, depois do terremoto, responsável pela morte de, no mínimo, 100.000 pessoas e devastação sem precedente na capital da miséria nas Américas.

Se Celso Amorim sugeriu que o controle do espaço aéreo pelos americanos estava dificultando os pousos de aviões militares brasileiros em Porto Príncipe, o francês Alain Joyandet, secretário de estado encarregado da Cooperação Internacional e Francofonia, achou mais adequado admoestar o governo Barack Obama. “A missão é para ajudar e não ocupar o Haiti”, contribuiu no vasto sermonário francês que obstina em balizar a diplomacia mundial.

Até esta manhã, Sarkozy fez como quem não viu uma da mais inoportunas e enciumadas manifestações de antiamericanismo oficial. Sua mudança de curso materializou-se durante viagem à ilha da Reunião, território ultramarino francês. O presidente da França enalteceu a “excepcional mobilização pelo Haiti” do governo Obama, o “papel essencial” das tropas americanas e declarou sem perder a medida que imagina  ter a sua estatura: “Estou inteiramente satisfeito com a cooperação de Washington.”

O antiamericanismo francês, muitas vezes, de traços caricatos, não explica tudo. Sob o ponto de vista diplomático, qualquer país que tentar sobrepor a França em matéria de ajuda humanitária - imensa reserva moral - será considerado concorrente direto ao brilho gálico. Já há muito que a França não tem condições de impor-se como potência militar e econômica no cenário mundial. Restou a “nobreza” de converter-se em uma de espécie de Cruz Vermelha avantajada pelo formidável apoio do estado, das finanças e do dispositivo militar.

Quando os Estado Unidos empenham-se em policiar o planeta, não estão fazendo nada além da sua obrigação, pensam os franceses. Segundo o juízo local, quando o governo Bush demora no socorro às vítimas do furacão Katrina, até se admite. Afinal, os americanos são insensíveis. Desbloquear 100 milhões de dólares para as vítimas e reconstrução do terremoto? Vá lá, eles são ricos. O problema é enviar 20.000 soldados com objetivo de não dar sequer um tiro. Inadmissível a chegada de um porta-aviões com 20 helicópteros para não lançar um mísero míssil. Que diabo de comportamento é este?

Mas as explicações começam a emergir à beira do Sena. A 1.200 quilômetros de distância da Flórida, o efeito do terremoto poderá causar uma onda de refugiados, dizem. Os EUA estariam no Haiti para conter o êxodo dos aflitos. Outra razão seria a incontida compulsão intervencionista americana nos momentos de instabilidade na Hispaniola.  Destino preferencial da diáspora insular, os EUA estariam agindo sob a pressão dos 300.000 eleitores americanos de origem haitiana e de eventual revolta dos mais de 150.000  ilegais. Por último - não poderia faltar - trata-se de excelente oportunidade de se colocar em prática a “doutrina Obama”. Pronto.

Definitivamente, Asterix tem razão: “Os romanos são uns neuróticos”

Por Antonio Ribeiro

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“Falar em desaparecidos é eufemismo”

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 | 16:45

haiti1A sensibilidade, delicadeza e elegância é do ministro da Defesa, Nelson Jobim, em Porto Príncipe, capital do Haiti - imensa favela transformada pelo terremoto de efeito 35 vezes superior à bomba atômica de Hiroxima em campo de refugiados com milhares de mortos, moribundos, feridos, onde falta tudo e impera o sofrimento e o desespero.

E o ministro fez questão de esclarecer que “desaparecido é o termo técnico para corpos não encontrados”. Verborréia também é termo técnico.

Imaginem o que Vossa Excelência não diria nas horas graves em uma cadeira cativa verde e amarela do Conselho de Segurança da ONU.

Atualização: Os soldados das equipes de resgate de trinta países podem protocolar pedido canonização no Vaticano.  Basta apresentar no guichê da Santa Sé a premissa de Jobim e o seguinte: uma semana depois do terremoto no Haiti, eles conseguiram realizar mais de 100 vezes o milagre de Jesus, segundo os evangelistas, com Lázaro.

Por Antonio Ribeiro

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