Blogs e Colunistas

24/01/2015

às 11:23 \ História

Em nome do pai

WSCemnodopaiO filho seria um fracasso. Era a aposta do pai. A profecia quase se concretizou. Por pouco ela teria sido compartilhada de forma mais ampla. Pelos ingleses e curiosos de pequenos detalhes e tramas no imenso tecido do Império Britânico. Por exemplo, a trajetória de um impulsivo político cujos erros de julgamento eram hereditária reincidência. Mas houve herr Hitler. O patrono da mais insidiosa tirania da humanidade fez uma contribuição por via indireta. Talvez a melhor do psicopata austríaco: criou a oportunidade para o filho Winston demonstrar o engano do pai, o lorde Randolph Churchill (1849-95).

O destino, o que se crê trivial fatalidade, não é na prática, completamente imune ou blindado. Por mais das vezes, está sujeito a dribles improváveis. Thomas Edward Lawrence avança no livro Sete Pilares da Sabedoria que nada é antecipadamente gravado na pedra. “Nada está escrito”, lança desafiador o jovem tenente do exercito inglês (Peter O’Toole) quando Ali (Omar Sharif), chefe tribal dos Harith, preveniu em cena de Lawrence da Arábia, filme épico de sir David Lean, que a travessia do inóspito Deserto de Nefud até a cidade costeira de Aqaba, sob domínio otomano, equivalia ao suicídio.

Se um homem decide, apesar de suas fraquezas e adversidades impostas pelas circunstâncias colocar a seu favor os recursos disponíveis e os acumulados durante a sua trajetória, pode sim, reverter o curso da história. Isso Winston Leonard Spencer Churchill fez com estilo sobranceiro e, registre-se, uma vez mais, de forma original que se emparelhada a outras, empalidece as demais. O ex-primeiro-ministro britânico mudou para melhor a história pessoal, a dos seus contemporâneos e deixou legado inspirador para os que vieram após sua morte, 50 anos atrás, dia por dia.

Winston conta ter crescido como uma moedinha de cobre, perdida no bolso do colete de Randolph. Candura de filho com pai, uma figura febril do Partido Conservador britânico cuja carreira foi mais de promessas do que, efetivamente, promissora. Menos atraente que a prosa de Churchill, Nobel de Literatura, justiça se faça, o menino era quase invisível no ponto de vista paterno. Detestado nos internatos dos descendentes da nobreza e herdeiros das fortunas inglesas, em Ascot, Brighton e Harrow, Winston suplicava ao pai para ir buscá-lo nas férias de Natal. Suas cartas ficavam sem resposta.

No entanto, até o fim e de modo recorrente, Winston Churchill — The Last Lion, na trilogia de William Manchester, o mais lúcido e escrupuloso da legião de biógrafos — foi visitado pela visão quimérica do pai. “Hoje é 24 de janeiro, dia da morte de meu pai, data que morrerei também.” Exatos 12 depois, a predição foi consumada — e sucedida por funeral cujas honrarias o Reino Unido só dedicou a Isaac Newton, William Gladstone e aos vencedores do “ogre” Napoleão, no mar (Trafalgar) e na terra (Waterloo), o Almirante Horatio Nelson e o Duque de Wellington.

Corroído pelo sífilis, depois de lenta agonia, permeada por crises de paranóia e alucinações, Randolf Churchill morreu com apenas 46 anos de idade no ostracismo. Winston tinha só 20. Talvez não tenha sido o maior drama. O pai não viu o filho contornar o Eduardo VI e a jovem Elizabeth II para achegar-se ao parapeito central do Palácio de Buckingham e acenar com os dedos em forma de “V” na direção da multidão que, numa troca simbiótica, o aplaudia de modo efusivo.

O pai tampouco acompanhou a reviravolta espetacular para culminar na apoteose. O coturno nazista ocupava praticamente toda a Europa. Onde não subjulgou com a esteira dos Panzer, contava com colaboradores entusiasmados e a resistência contida pelo terror da Gestapo. Hitler tinha como aliados Mussolini e Stalin. Roosevelt, de costas para a guerra na outra margem do Atlântico, parecia mais preocupado com a reeleição. Churchill era um solitário pilar de determinação. No inicio, seu melhor armamento era um arsenal de palavras que entrelaçadas formavam formidável eloquência para mobilizar os povos de língua inglesa contra a tirania. Só palavras? Bem, ele confidenciou a um amigo possuir último recurso na eventualidade do invasor desembarcar nas regiões costeiras das Ilhas Britânicas. “Lutaremos com garrafas quebradas”.

Stefan Zweig explorou com habilidade aspectos secretos dos seus biografados a ponto deles tornarem-se a força motivadora e explicativa de atos e fatos. Trata-se de um percurso perigoso para historiadores rigorosos. O risco de cair no psicologismo é permanente. Mas no caso de Churchill há um consenso até agora sem contraposição satisfatória. A relação com o pai Randolph foi determinante.

Fréderic Ferney acaba de lançar na França um ensaio histórico — e quase literário — inteiramente dedicado à questão, Tu serás un raté, mon fils! (Você será um malogro, meu filho!, em tradução livre). A leitura é desaconselhada para quem procura relato frio e seco de eventos na tábua cronológica. O livro tem mais sabor para quem já foi iniciado, ao menos, por uma biografia de Churchill — há dezenas. Ferney parte do princípio de que uma ferida profunda pode influenciar a formação da personalidade, mas é a sua superação, uma espécie de cura, que tem capacidade de forjar grandes homens. Churchill foi um deles, em nome do pai.

Assista em seguida um ótimo documentário sobre Winston Churchill:

Por Antonio Ribeiro

16/01/2015

às 9:00 \ Religião

Papos no ar

papasnoarJá se argumentou que o Sol girava em torno da Terra porque, no espaço de um dia, a estrela incandescente dava o ar da graça no leste, percorria toda a abóboda celeste e sumia no oeste, deixando atrás de si o breu da noite e intactos, os mistérios da fé.

A iluminação pública e o aclareamento do engano só chegaram bem mais tarde. No mesmo embalo, pode se dizer agora que altitudes elevadas não fazem bem ao papado. Isso por duas apostas na coincidência.

Durante viagem à Àfrica a bordo de um jato da Alitalia, o ex-Papa Bento XVI afirmou que o uso de preservativos aumentava o risco de contrair Aids — até um professor de Harvard chancelou a fala pontifícia embasado em pesquisas.

O racíocinio era o seguinte. O preservativo propicia confiança excessiva na ausência de risco de contaminação. Em efeito, aumenta o número de relações sexuais. E finalmente, pela falácia chega-se ao inegável: maior número de relações sexuais, mais ampla a disseminação do vírus.

Equivale dizer que o cinto de segurança e o air bag foram temeridades introduzidas nos carros modernos. O motorista sentindo-se mais seguro, pisa fundo no acelerador e, em consequência, aumenta o índice de acidentes.

Em viagem aérea rumo à Manila, o Papa Francisco disse aos jornalistas: “Se, meu bom amigo, o doutor Gasparri (responsável pela organização das viagens papais), xingar minha mãe, pode esperar que levará um soco. É normal.»

No caso de um papa, o “normal”, no mínimo, seria ignorar o insulto. Isso se viesse da boca de qualquer pecador. Se a injuria fosse proferida por um de seus assessores, o esperado no máximo, seria que o papa mandasse entregar um bilhete azul para o funcionário do Vaticano. E bola para frente, San Lorenzo.

Os mais carolas de braços dados com os tolerantes talvez digam que o perdão seria o gesto condizente com a batina branca. Pode-se avançar até a hipótese de que a declaração de Francisco ainda que pouco usual, faça parte de nova pastoral para aproximar o rebanho desgarrado da Igreja.

Naturalmente, o Blog de Paris não acha que as cabines pressurizadas fazem mal aos papas. A questão é o ar que se respira aqui em baixo no momento das declarações. Elas não melhoram as coisas antes de desembacar na África, continente com maior incidencia de Aids nem depois de atentado terrorista justificado pela a estupidez como uma reação provocada.

Ademais, o Papa Francisco tornou-se o principal candidato para figurar na capa do próximo número do Charlie Hebdo. Se for o caso, o Papa não irá distribuir sopapos. Uma razão suplementar para concluir que foi inadvertida entrega de subsídios para aduzir premissas ruins.

Por Antonio Ribeiro

15/01/2015

às 7:52 \ França

Simples assim: blasfemar pode, matar não

Plantu inspirado em Delacroix

Plantu inspirado em Delacroix

Depois de séculos aqui nesta velha democracia francesa em que houve muito sangue derramado e tinta escorrida no papel, os nativos chegaram a seguinte conclusão: blasfemar pode, matar não. Quando isso aconteceu, os representantes dos cidadãos, legitimamente eleitos, reuniram em assembléia e legislaram a expressão da vontade popular em forma de lei, instrumento institucional que pune a transgreção, ampara o direito e tem na República ampla anuência da maioria.

Desde então, nos mais de 640 mil quilômetros quadrados do território metropolitano da França, departamentos além mar e onde está fincada uma bandeira tricolor — tremula sob efeito do vento e ao ritmo de modos, costumes e tradições — como símbolo de soberania francesa, a Declaração dos Direitos do Cidadão e do Homem de 1789, as formas mais recentes da Constituicão e dos Códigos Civil e o Penal, embasados em principios simples e incontestáveis, resolvem as diferenças na ausência de bom senso entre os homens.

Se as fronteiras balizam o espaço físico do país, a legislação em vigor determina os limites de comportamento do indivíduo — e vai sem dizer, da imprensa, cultos e crenças. Por mais profundos, os preceitos religiosos como nas questões sobre o divórcio, aborto, transfusão de sangue e reprodução de imagens de figuras sagradas são respeitáveis e jamais determinantes na República laica. Ponto.

Por Antonio Ribeiro

12/01/2015

às 19:18 \ Imprensa

Rir é o melhor remédio

tudoehperdoadoCharlie Hebdo voltará a circular quarta-feira, 14 de janeiro de 2015. Mas desta vez, não com a tiragem habitual, os 45 mil exemplares semanais. Tampouco,  1 milhão ou 5 milhões, como foi anunciado. A tiragem do tabloide satírico parisiense será de 7 milhões de exemplares. Recorde mundial para uma única edição de jornal. O hebdo (semanário, em francês) terá dezesseis páginas, tradução em cinco idiomas (inglês, espanhol, árabe, turco e italiano) será distribuído em trinta países. Cada exemplar custará 3 euros.

Os jornalistas que trabalham na redação e com equipamentos emprestados pelo jornal Liberation prometem a mesma verve e carituras inéditas de Charb, Cabu, Tignous e Wolinski, cartunistas executados pelos terroristas Chérif e Said Kouachi. A capa do tabloide satírico (não é revista) mostra a caricatura do Profeta Maomé  segurando um cartaz no qual se lê, “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie). O título da primeira página será “Tudo é perdoado”. Detalhe:  uma lágrima salta do rosto da caricatura. “Nosso Maomé é muito mais simpático do que o que foi evocado, aos gritos, pelos terroristas”, disse o cartunista Luz, o autor do  desenho .

A reunião de pauta da mais aguardada edição começou — e bem ! — com a tradicional pergunta do redator-chefe Gérard Biard aos presentes: ” Senhores e senhoras, quais foram os principais fatos da semana?” Os jornalistas, sobreviventes do atentado terrorista que fez 17 mortos, se entreolharam e, em seguida, começaram a rir. Um deles sugeriu reportagem sobre ocorrência, antes da semana passada, das mais improváveis no planeta: Os sinos da catedral medieval Notre-Dame de Paris dobraram para a publicação mais anticlerical da França. O espírito Charlie continua vivo.

Atualização: Desde o dia em que foi ás bancas os exemplares de Charlie Hebdo esgotam em minutos. A gráfica consegue, no máximo, imprimir 600 mil exemplares por dia.

Por Antonio Ribeiro

11/01/2015

às 18:22 \ Paris

Paris, capital do mundo livre

republique

A simbologia foi forte. Começou em uma praça chamada República e terminou em outra, a da Nação. Entre os dois pontos, mais de 1,5 milhão de pessoas caminharam por uma linha reta, o bulevar de 2,85 quilômemetros de distancia cujo nome honra a memória de Voltaire — reformista francês celebre pela defesa das liberdades individuais, direitos civis, destemido e habil com a sátira para fustigar a hipocrisia do clero e da nobreza durante o Iluminismo.

Nem quando foi libertada da ocupação nazista, menos ainda depois da conquista francesa da Copa de 1998, tantos — e diferentes — foram às ruas motivados pelo mesmo sentimento. Os que conheciam Charlie Hebdo, jornalzinho tinhoso de 45 mil exemplares por semana, os que nunca leram uma linha ou riram de suas caricaturas, os que nunca ouviram falar seu nome, se identificaram com ele. Bradavam uma palavra singela de significado imenso: “Liberdade”. Já escorreu muito sangue da espada e tinta da pena para entrega-la assim, na bandeja.

Até alguns corretos da política da hora que, não faz muito tempo, empunharam cartazes em que se lia “Sorry”, desculpando-se pela publicação das caricaturas de Maomé, hoje informavam de vários modos: “Je suis Charlie”. Poderiam ter  dito desta vez, “Pensei melhor, logo sou Charlie.”

O inédito não parou por aí. O cortejo foi encabeçado, logo atrás dos parentes e amigos das 17 vítimas do atentado terrorista, por mais de 50 chefes de estado. Estavam lá de braços dados François Hollande, Angela Merkel, David Cameron, Mariano Rajoy, Matteo Renzi. E também, contribuindo com a preciosidade do momento, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu e o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, o representante russo e o enviado ucraniano.

Muitos acharam que era uma temeridade reunir tantos quando ainda se sente odor de pólvora expelido pelas Kalachinikov dos terroristas. Finalmente, não houve nem um mísero incidente ou uma banalidade do cotidiano que irrita o parisiense, cujo estresse é tido como traço de identidade. (Talvez, vá lá, o tombo da primeira ministra da Dinamarca na escadaria do Palácio do Eliseu) O dispositivo policial parecia bem modesto para a envergadura do evento. Ou melhor, foi diluído na gigantesca massa humana. Ordeira e pacífica. O medo foi vencido com serenidade.

Mais cedo, François Hollande declarou que neste domingo invernal e ensolarado, Paris era o centro do mundo. Pode-se argumentar que o “presidente modesto” tenha exagerado na dose do tinto que regou o almoço para seus ilustres convidados. Mas é inegável que, pelo menos no senso figurado, Paris foi nestas 24 horas, a capital do mundo livre. Isso porque, mais uma vez, na prática, respondeu de forma exemplar à ameça terrorista. Ela também inédita e teimosa.

Assista vídeo exclusivo do Blog de Paris “A Republica atacada por corvos”  feito durante a manifestação clicando aqui.

 

Por Antonio Ribeiro

09/01/2015

às 20:00 \ Paris

Charlie é nomeado cidadão honorário de Paris…

 

... e o hashtag "#JeSuisCharlie" tornou-se o mais reproduzido na história do Twitter.

… e “#JeSuisCharlie” tornou-se o hashtag mais reproduzido na história do Twitter.

Por Antonio Ribeiro

09/01/2015

às 15:01 \ Terrorismo

Polícia mata os principais autores do atentado terrorista

merceariakoscher

Em duas operações sincronizadas, na gráfica de Dammartin-en-Goële e na mercearia judaica no leste de Paris, policiais do RAID, GIGN apoiados pelo BRI, forças de elite da gendarmaria e polícia francesa, abateram os irmãos Kouachi e Amedy Coulibaly, principais autores do atentado terrorista mais mortífero na França desde 1961. Aos treze mortos da barbárie adicionou-se mais três reféns executados por Coulibaly em Vincennes, no vigésimo distrito da capital. Quatro policiais tiveram ferimentos leves.

O “réfem” dos irmãos Chérif e Said Koubachi na fábrica não era um. Lilian, 27 anos de idade, desenhista gráfico da empresa Création Tendance Découverte, ficou escondido em um armário (60 por 80 centímetros) da cantina, embaixo da pia, sem que os terroristas soubessem que ele estava no local. O desenhista manteve a policia informada sobre o que acontecia no interior da gráfica através de “torpedos” enviados pelo telefone celular.

Amedy Coulibaly usou o telefone fixo da mercearia, mas não o desligou corretamente. O contato no outro lado da linha avisou a polícia que ele podia ouvir as conversas no interior da mercearia. Um agente da policia apoderou-se do telefone e ficou na escuta. Quando Colibaly iniciou a oração que normalmente precede ações suicidárias dos dijahistas, policiais do GIGN invadiram a mercearia.

A ameaça terrorista sem precedente não terminou como admitiu o presidente François Hollande em pronunciamento divulgado em rede de TV. Não há risco zero em parte alguma do planeta. Mas em apenas 48 horas depois do massacre covarde na redação do semanário satírico Charlie Hebdo, os policiais franceses identificaram, localizaram, cercaram e finalmente colocaram os terroristas fora de combate.

De um país com elevado apreço pelos valores democráticos e pleno Estado de Direito foi dada resposta efetiva à situação inédita provocada pela intolerância e pelo fanatismo. A reação da França merece admiração do mundo livre e dos homens de bem.

Por Antonio Ribeiro

09/01/2015

às 10:50 \ Terrorismo

Dispostos a morrer atirando

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Agentes do Grupo de Intervenção da Gendarmaria Nacional (GIGN), força de elite da polícia francesa, iniciaram negociação para tentar a rendição dos irmãos Chérif e Said Kouachi. Os principais autores do atentado terrorista em Paris que fez 12 mortos, o mais mortífero desde 1961, estão  completamente cercada pelas forças policiais,

Os irmãos Kouachi se entrincheiraram em uma gráfica situada na área industrial de Dammartin-en-Goële, no departamento Seine-et-Marne, suburbio nordeste de Paris à 15 quilômetros do aeroporporto Charles De Gaulle. Há um réfem. De acordo com Yves Albarello, deputado de Seine-et-Marne e que acompanha de perto o cerco, os terroristas estão em modo “nada a perder”. Disseram à polícia estarem dispostos a morrer atirando. Ou no jargão jihadista como “mártires”.

Mais cedo, o proprietário do carro Renault Clio roubado pelos Kouachi revelou o seguinte: “Estavam vestidos de combinação paramilitar e com armas em punho. Mostraram-se muito calmos, serenos e nada nervosos. Nem transpiravam. Jamais correram ou elevaram a voz. Tive a impressão de serem profissionais em operação. Quando sairam disseram que caso a imprensa fizesse perguntas, eu poderia dizer que eles pertencia a Al Qaeda Iêmen.”

Novo tiroteio seguido de sequestro.

Desta vez, em Vincennes, leste de Paris. O atirador armado de fuzil Kalashnikov (AK-47), metralhadora Scorpio, duas pistolas Tokarev 9 milímetros e tubos de dinamite fez, pelo menos dez reféns, entre eles, mulheres e crianças, em uma mercearia de produtos judaicos, o Hyper Casher. A polícia cercou o local. O criminoso gritou para os agentes: “Vocês sabem quem eu sou.” E como sabem. Trata-se de Amedy Coulibaly que quinta-feira assassinou uma jovem policial municipal em Montrouge com um disparo pelas costas. Ele saiu da prisão há dois meses depois de cumprir uma pena de 5 anos. Coulibaly conhece o terrorista Said Kouachi da prisão e do tempo em que faziam parte da mesma célula jihadista parisiense desmantelada no bairro de Buttes-Chaumont.

Por Antonio Ribeiro

09/01/2015

às 7:20 \ Terrorismo

Polícia francesa cerca os terroristas

graficaPor volta das 8 horas e 30 minutos, horário da França, houve um intenso tiroteio próximo a área industrial de Dammartin-en-Goële, no departamento Seine-et-Marne, suburbio nordeste de Paris à 15 quilômetros do aeroporporto Charles De Gaulle (CDG).

Os irmãos Cherif e Said Kouachi, principais autores de atentado terrorista em Paris, detém um refem no interior de uma gráfica, a Création Tendance Découverte que tem apenas 5 empregados.

O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, confirmou que uma operação policial terrestre apoiada por cinco helicópteros está em andamento. Os pousos e decolagens do aeroporto CDG estão sujeitos ao desenrolar da operação.

Agentes do Grupo de Intervenção da Polícia Nacional, GIGN na sigla em francês, a força de elite da gendarmaria francesa, iniciaram negociação tentar a rendição dos sequestradores.

De acordo com Yves Albarello, deputado do departamento Seine-et-Marne, região na qual acontece o cerco policial, os irmãos Kouachi estão entricheirados e em modo “nada a perder”. Ou seja, dispostos a morrer atirando como “mártires” no jargão dos dijahista.

A polícia foi avisada da presença dos irmãos Kouachi na área pelo proprietario de um carro roubado pelos suspeitos do atentado terrorista que fez 12 mortos, entre eles, 8 jornalistas do semanário satírico Charlie Hebdo e dois policiais. Em seguida, o veículo foi identificado em uma blitz e perseguido até a fábrica.

O fugitivo que assassinou com tiro pelas costas uma jovem policial municipal, de 26 anos de idade, em Montrouge, interpelado depois de banal acidente atomobilistico, foi identificado. Trata-se de Amedy Coulibaly, de 32 anos de idade, que já foi condenado e  cumpriu 4 anos de prisão. O assassino conhece os irmãos Kouachi da prisão e do tempo em que faziam parte da mesma célula jihadista parisiense desmantelada no bairro de Buttes-Chaumont.

Por Antonio Ribeiro

08/01/2015

às 15:34 \ Imprensa

Charlie não morreu

charlienaomorreu

A França não será a mesma depois do atentado terrorista em Paris, o mais sangrento desde 1961 — 12 assassinatos. Para que o leitor brasileiro tenha uma escala do que aconteceu, basta imaginar um massacre que felizmente nunca houve: dois terroristas armados entram na redação do antigo Pasquim e executam a sangue  frio o Paulo Francis, Ivan Lessa, Millor Fernandes, Jaguar, Henfil, Ziraldo e Sergio Cabral. No entanto, Charlie Hebdo não morreu. O semanário satírico voltará às bancas na próxima quarta-feira. Desta vez, a tiragem será 1 milhão de exemplares, bem superior aos 45 mil semanais. A sede do jornal está interditada para investigação do atentado. A direção do jornal Libération decidiu, pela segunda vez, acolher em sua redação os jornalistas de Charlie para que eles possam preparar a próxima edição do tabloide. Uma vez mais, foi escrito um “marco regulatório da imprensa”. Dito de outro modo: a truculência e intolerância contra liberdade de expressão, em última instância, sempre perdem.

Por Antonio Ribeiro
 

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