Blogs e Colunistas

Roque Santa Cruz

03/07/2010

às 14:24 \ Jogos, Seleções

Pela última vaga, um duelo entre estilos

Com Holanda, Uruguai e Alemanha já garantidos nas semifinais, a definição da última vaga nessa etapa decisiva da Copa sai a partir das 15h30 deste sábado, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, num desafio entre maneiras completamente diferentes de enxergar o futebol. Para o representante europeu no confronto, a Espanha, o jogo é de posse de bola, troca de passes e um insaciável apetite para atacar. Para a equipe sul-americana envolvida na partida, o Paraguai, o futebol se baseia na garantia de segurança na defesa e numa marcação implacável para não deixar o adversário levar perigo ao gol. Quem sair vencedor deste encontro terá como recompensa um lugar entre as quatro melhores seleções do mundo – e também ganhará um abacaxi para descascar, já que pega a temível Alemanha para decidir uma vaga na final.

Para os espanhóis, que ocupam o segundo lugar no ranking da Fifa e detêm o título de campeões da Europa, a partida tem grande importância histórica. Apesar de fazer parte do primeiro mundo da bola, suas seleções sempre fracassaram em Copas – tanto que uma possível classificação para a semifinal seria uma façanha inédita para a Fúria. Dispostos a apagar a reputação de seleção que “amarela” na decisão, os espanhóis, liderados pelos habilidosos Xavi, Iniesta e David Villa, têm sua quinta chance de cavar uma participação nas semis. Pela frente está outra seleção que busca fazer história, já que o Paraguai também estrearia na semifinal se passasse pela Fúria. O time treinado pelo argentino Gerardo Martino sonha em parar o poderoso ataque espanhol e encaixar um contragolpe com os atacantes Roque Santa Cruz e Lucas Barrios. Até agora, a equipe só levou um gol na Copa, na estreia, contra a Itália. O jogo promete ser de ataque contra defesa – mas nem por isso será menos interessante.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

29/06/2010

às 13:45 \ Jogos, Seleções

No jogo do sono, Paraguai elimina Japão

A pelada de Pretória: clássico das trombadas, encontrões e bicos para o alto (Foto: Getty)

Não se esperava muito de Japão e Paraguai, tanto na Copa como em seu duelo de oitavas-de-final, nesta terça-feira, no estádio Loftus Versfeld, em Pretória. E eles corresponderam plenamente às expectativas. Num jogo feio, cheio de trombadas, jogadores pouco inspirados e raros lances claros de gol, o Paraguai derrotou o Japão, por 5 a 3, nos pênaltis, depois de empate sem gols no tempo normal e na prorrogação, e garantiu um lugar – talvez não totalmente merecido -, entre as oito melhores equipes do planeta. Numa etapa do Mundial em que os jogos foram empolgantes e agradáveis de se ver, a partida desta terça claramente fugiu do tom. Melhor seria dispensar ambos os times mais cedo do torneio, mas como o regulamento determinava que algum dos dois tinha que continuar na competição, melhor ter avançado o Paraguai, engrossando as fileiras sul-americanas nas quartas – nada menos que quatro dos oito times classificados são do continente.

Foi só a segunda prorrogação da Copa (a primeira teve Gana x Estados Unidos) e a primeira decisão por tiros livres da marca do pênalti. A seleção classificada vai enfrentar o ganhador do duelo europeu dessa porção da chave: Espanha e Portugal decidem a última vaga nas quartas-de-final ainda nesta terça-feira, na Cidade do Cabo. O encontro valendo o acesso à semifinal está marcado para sábado, em Johannesburgo. Na primeira etapa, o Paraguai teve maior controle do jogo, mantendo a posse da bola por 63% do tempo. Mas era o Japão que se apresentava melhor no ataque – foram cinco chutes a gol contra três dos sul-americanos. Os lances mais perigosos também foram dos japoneses. Aos 22 minutos, por exemplo, Matsui soltou uma bomba e carimbou o travessão. Aos 40, Honda, o craque da equipe asiática, acertou belo chute, mas para fora.

Sabendo que precisavam se arriscar mais para avançar na Copa, paraguaios e japoneses começaram o segundo tempo alternando lances de perigo. Faltava qualidade ao futebol praticado em Pretória, mas as duas seleções tinham disposição de sobra. Aos 15 minutos, em cruzamento pela esquerda, Riveros acertou bom lance de cabeça, mas o goleiro japonês estava bem colocado e agarrou firme. E o Paraguai fez pouco mais que isso. Apesar de tentar mais vezes articular as jogadas ofensivas, sempre caía na armadilha montada pelo Japão – que marcava forte, roubava a bola e saía rapidamente no contragolpe. O mesmo Japão, porém, custava a apresentar alguma jogada efetiva. Com ataques inoperantes e o placar ainda em branco, o jogo tomou seu inevitável caminho, a prorrogação.

No tempo extra, as duas equipes ainda tentaram arrancar um gol na marra – mas se limitavam a cruzar a bola sobre a área na esperança de que o chuveirinho desse certo. O lance de maior perigo foi do Japão, no finzinho da metade final da prorrogação, um cruzamento que atravessou a área sem achar ninguém para empurrar para o gol. Mas como ninguém apresentou futebol suficiente para marcar um gol com bola corrida, a decisão tinha mesmo que ir para os pênaltis – talvez como recompensa a quem aguentou acordado os 120 minutos de partida e merecia pelo menos um pouco de emoção. O japonês Komano errou, chutando na trave, quando a série estava 3 a 2 para o Paraguai. Honda ainda manteve as esperanças nipônicas, mas Cardozo confirmou a vitória paraguaia por 5 a 3. Os atletas japoneses, quase todos chorando, foram em fila até a beira do gramado para agradecer o apoio de sua festeira e divertida torcida – junto à boa canhota de Honda, a única coisa de que a Copa sentirá falta após a eliminação da equipe.

(Por Giancarlo Lepiani, de Pretória)

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados