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Oezil

10/07/2010

às 17:23 \ Jogos, Seleções

Alemanha repete 2006 e fica com terceiro lugar. Uruguai fechou campanha honrosa

Khedira comemora o gol da vitória, enquanto Lugano, com as mãos na cabeça, lamenta (Foto: Getty)

Pela segunda vez consecutiva, a Alemanha termina uma Copa do Mundo sentindo um sabor agridoce: conseguiu uma campanha excelente, se decepcionou com uma eliminação inesperada na semifinal e ganhou como prêmio de consolação o terceiro lugar. Assim como no Mundial disputado em sua casa, em 2006, a seleção tricampeã do mundo conseguiu superar o trauma da derrota na semi (neste ano foi para a Espanha) e derrotou o Uruguai, neste sábado, no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, para conquistar uma terceira colocação pela quarta vez nas Copas – além de 2006, tinha levado o bronze também em 1970, quando disputou o jogo de consolação contra o próprio Uruguai. O 3 a 2 deste sábado contra os uruguaios, com gols marcados por Muller, Jansen e Khedira (Cavani e Forlán marcaram pelos sul-americanos), selou mais uma boa participação alemã – o país agora tem mais jogos disputados em Copa que o Brasil. Para o Uruguai, restou a imagem positiva de uma campanha heróica e surpreendente.

Muller abre o placar para a Alemanha: Lugano pede impedimento, mas já era tarde (Foto: Getty)

Apesar de ter entrado para o jogo com um time cheio de reservas, a Alemanha começou pressionando e tomando conta da partida. Os melhores jogadores alemães nesta Copa – Schweinsteiger, Muller e Oezil – costuravam os principais lances ofensivos. E foi numa jogada com participação de dois deles que a Alemanha abriu o placar, aos 19 minutos. Schweinsteiger mandou uma bomba e o goleiro Muslera não conseguiu segurar, espalmando para o centro da área. O jovem Muller, bem colocado, só empurrou para o gol – e marcou pela quinta vez neste Mundial, se igualando a Sneijder e David Villa. Em desvantagem, o Uruguai começou a atacar mais e conseguiu o empate aos 28 minutos. Perez roubou de Schweinsteiger no meio e iniciou um contragolpe rápido com Suárez. Ele passou com perfeição para Cavani, que superou o goleiro Butt com tranquilidade. A partida ganhou em equilíbrio, e Suárez teve uma chance de ouro para colocar o Uruguai em vantagem aos 42. Ele invadiu a área e chutou pela esquerda do gol, raspando a trave.

Forlán vira o placar: chute com categoria e quinto gol marcado nesta Copa (Foto: Getty)

Mesmo com a chance perdida, o Uruguai não demoraria a virar a partida no segundo tempo. E conseguiu o 2 a 1 em grande estilo – Arevalo Rios cruzou e o artilheiro Forlán, com um belíssimo voleio, matou o goleiro alemão e chegou a cinco gols no torneio. A vantagem uruguaia, porém, durou só cinco minutos. Aos 11, Boateng cruzou da direita e o lateral Jansen, na esquerda, entrou na área para completar de cabeça. O duelo esquentou, e a partida passou a ser extremamente disputada, com divididas fortes e muita dedicação das duas equipe. Com poucos lances criados com a bola rolando, o desempate só saiu numa bola parada, aos 37 minutos da etapa final. Em escanteio cobrado por Oezil pela direita, Lugano não conseguiu afastar e a bola sobrou para o volante Khedira marcar de cabeça. O gol premiou a ótima Copa disputada pelo volante de origem tunisiana – e castigou um Uruguai que poderia ter tido melhor sorte na partida. No último lance do jogo, Forlán, sem dúvida um dos nomes da Copa, ainda carimbou o travessão, encerrando de forma honrosa um Mundial primoroso da celeste.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

07/07/2010

às 11:53 \ Jogos, Seleções

Em papéis trocados, Alemanha e Espanha se reencontram e disputam lugar na final

Antes do começo deste Mundial, a Espanha era a seleção do jogo bonito e a Alemanha, da eficiência. Seis partidas depois, elas trocaram de lugar: na disputa da semifinal entre as equipes, nesta quarta-feira, no estádio Moses Mabhida, em Durban, alemães são os representantes do futebol que enche os olhos, e espanhóis, os pragmáticos que fizeram apenas o suficiente para avançar até a reta final. Um cenário bem diferente do último encontro entre as equipes, na final da Eurocopa de 2008, quando a Fúria ganhou por 1 a 0, levantou a taça e passou a ser considerada uma concorrente séria ao título na África do Sul. No reencontro, a Espanha tem praticamente a mesma equipe, mas jogando de forma muito menos envolvente. A Alemanha foi totalmente reformulada – se não nos nomes, certamente na maneira de jogar. Adversário de uma das duas na decisão do próximo domingo, o técnico da Holanda, Bert van Marwijk, resumiu o encontro da seguinte forma: a Espanha é a melhor seleção do mundo, mas a Alemanha exibe o melhor futebol do mundo no atual momento.

Desde a final da Eurocopa, os espanhóis lidaram com uma situação incomum: a condição de favoritos. Com esse papel, chegaram a decepcionar algumas vezes, como na Copa das Confederações do ano passado, quando foram eliminados pelos Estados Unidos. Nesta Copa, estrearam com derrota para a Suíça e conseguiram se recuperar, mas nem de longe foram o time envolvente e arrasador que alguns adversários temiam. Com vitórias magras contra Honduras, Chile, Portugal e Paraguai, a Fúria pode se tornar a campeã menos goleadora da história – até agora, furaram as defesas adversárias em apenas seis ocasiões, cinco delas com um só atleta (o artilheiro David Villa). Nunca nenhuma seleção foi campeã do mundo marcando menos de dez gols. A Itália de 1938, o Brasil de 1994 e a Inglaterra de 1966 levantaram o troféu com 11 gols cada. Na comparação com os alemães, fica claro que a Espanha vai precisar melhorar muito se quiser chegar à sua primeira final. Os alemães já somam 13 gols, com três vitórias com quatro gols anotados (contra Argentina, Austrália e Inglaterra; a outra, contra Gana, foi por 1 a 0). O recorde de gols de um time campeão do mundo é da própria Alemanha, em 1954, com 25 gols.

Como mostram os números dos espanhóis, todas as atenções da defesa alemã estarão voltadas para o matador David Villa, que fez gols nas últimas quatro partidas. Já contratado pelo Barcelona para a próxima temporada, é o favorito para ser o artilheiro do Mundial. Do outro lado do campo, porém, estará Miroslav Klose, que está a apenas um gol de igualar o recorde de Ronaldo como maior goleador da história das Copas. Nesta edição ele já tem quatro. Para criar as oportunidades para Klose marcar, um quarteto ofensivo que fez muito sucesso até agora, mas está desfalcado nesta quarta. Com a ausência de Ballack, o técnico Joachim Low colocou lado a lado os jovens Oezil, Muller, Scheinsteiger e Podolski para municiar Klose. Muller, revelação do torneio, com quatro gols e mais três passes para que seus compaheiros marcassem, está suspenso e não pega a Espanha. No lugar dele deve entrar Trochowski, Kroos ou até mesmo o brasileiro naturalizado alemão Cacau. Os alemães, que deixaram escapar a chance de jogar a final na Copa passada, em casa, prometem manter seu altíssimo nível na partida desta quarta, evitando um apagão como o que provocou a única derrota do time no torneio, contra a Sèrvia. Seria uma final digna de uma grande Copa: a melhor seleção da competição contra a equipe mais vencedora, a Holanda, seis vitórias em seis jogos.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

07/07/2010

às 7:15 \ Seleções

Ausência de Ballack, Alemanha renovada

Destaque das boas campanhas da seleção alemã nas Copas de 2002 (quando a equipe foi vice-campeã) e 2006 (terceira colocada), o meia Michael Ballack tem um papel positivo também no sucesso do time no Mundial de 2010 – mas, desta vez, é através de sua ausência. Representante do velho estilo alemão de jogar futebol, com muita força e disciplina tática, Ballack seria capitão e titular da seleção do técnico Joachim Low. Cortado por contusão a poucas semanas do embarque para a África do Sul, abriu uma vaga no meio-campo. E possibilitou que a Alemanha enfim encontrasse uma de suas melhores formações nas últimas décadas, com os jovens Oezil e Schweinsteiger cumprindo as funções de armação (com outro novato, Khedira, como volante). Schweinsteiger, que possivelmente jogaria pela ponta caso Ballack estivesse no time, encontrou no meio o espaço perfeito para desenvolver seu jogo – é candidato a melhor jogador da Copa. De quebra, abriu espaço para que Thomas Muller – 20 anos e 4 gols em 5 jogos – pudesse ganhar uma vaga entre os titulares. Enquanto isso, Ballack, que nas últimas temporadas tem mostrado um futebol que se resume à potência física, está acompanhando a campanha alemã das tribunas dos estádios sul-africanos. Melhor para a Alemanha.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

05/07/2010

às 11:36 \ Jogadores, Seleções

Renovação alemã, exemplo para o Brasil

O que fazer quando sua seleção parece estagnada, sem criatividade e sem estilo próprio de jogar? Traga novos valore para seu time, afirma o técnico da Alemanha, Joachim Low. “Depois que perdemos a final da Eurocopa, em 2008, queríamos mudar. Era hora de dar uma chance aos jogadores mais jovens. Estávamos dispostos até a perder alguns jogos para que eles pudessem ganhar uma oportunidade. Eles aproveitaram, e agora não têm medo de nada.” Além da decisão do técnico, a contusão do capitão Ballack acabou ajudando – era um veterano a menos no time, abrindo espaço para Oezil, de 21 anos, e Muller (na foto acima), de 20, no meio-campo. Não por acaso, são eles os diferenciais numa seleção apontada como revolucionária, por transformar a tradicional forma de jogar da Alemanha e fazer de sua seleção a mais apreciada da Copa. Até os colegas mais experientes se impressionaram com o sucesso da renovação da equipe. “Sim, estou surpreso com eles”, admitiu, sorrindo o zagueiro Mertesaker. “Oezil e Muller cresceram de forma notável em apenas um mês.” Pode ser um bom modelo para a CBF, prestes a definir o novo técnico da seleção brasileira. A quatro anos da Copa mais aguardada das últimas décadas para sua torcida, que verá o time tentar o título em casa, a equipe bem que poderia aproveitar alguns dos vários novos talentos que surgem a cada ano no país.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

03/07/2010

às 14:42 \ Replay

Quando a Argentina levou de quatro

HOJE… Alemanha 4 x 0 Argentina, e muito mais não se deve dizer de uma vitória maiúscula, como diriam os locutores de antigamente. Klose fez dois gols. Tem agora 14 em Copas do Mundo, uma a mais que o francês Just Fontaine e apenas um a menos que Ronaldo. Oezil, o canhotinha da camisa número 8, uma vez mais desfilou sua elegância discreta. Mas falávamos da derrota argentina, a maior desde 1974, diante da Holanda de Cruyff, Neeskens e Rep.

ONTEM… Em 1974, na Copa da Alemanha, a Holanda também fez 4 a 0 na Argentina. Numa homenagem à equipe atual, de Robben e Sneijder, 6m10 daquela partida de 26 de junho de 36 anos atrás. Percebam que, nos melhores momentos, não há um único ataque argentino. Notem que o banco da Argentina parece estupefato. A narração, em holandês, realça o tom nostálgico daquela equipe espetacular.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

30/06/2010

às 11:24 \ Jogadores

Quem é o craque até agora? E a decepção?

Com oito seleções ainda no páreo e 24 em casa ou a caminho do aeroporto, surgem duas listas de jogadores: uma, das decepções, os craques que chegaram à Copa prometendo fazer sucesso e decidir as partidas para suas seleções; a outra, a dos destaques positivos, que estão mudando a história do torneio e transformando seus times em favoritos. Vote nas enquetes a seguir e dê sua opinião a respeito do desempenho deles:

O melhor jogador da Copa até agora é...

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A grande decepção da Copa até agora é...

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27/06/2010

às 19:50 \ Jogos, Seleções

Argentina x Alemanha, o jogo desta Copa

30 de junho de 2006, em Berlim: também nas quartas, como agora, a Alemanha levou a melhor

Quem ganhar ainda vai ter pela frente uma semifinal e a grande decisão. No páreo ainda estão equipes como Portugal, Espanha, Holanda e o pentacampeão Brasil. Mas é inescapável eleger como principal partida do Mundial da África do Sul até aqui o duelo marcado para o próximo sábado, dia 3 de julho, às 11 horas (no horário de Brasília), entre Argentina e Alemanha, no estádio Green Point, na Cidade do Cabo. Além da rivalidade entre os países e da presença de vários dos melhores jogadores da Copa, as seleções envolvidas nessa partida de quartas-de-final podem ser apontadas sem grande exagero como as duas maiores forças do torneio até o momento. É, portanto, uma espécie de final antecipada? Bem longe disso. A história das Copas ensina que ainda é muito cedo. As grandes seleções, as que chegam à última semana lutando pelo título, não precisam brilhar antes do tempo.

O Brasil, com duas vitórias e um empate, e a Holanda, com três triunfos, ainda podem reivindicar um lugar entre as grandes da competição até as oitavas – ambas jogam na terça, contra Chile e Eslováquia, respectivamente. Mas Alemanha e Argentina têm os melhores resultados por enquanto. Os alemães perderam uma partida contra a Sérvia. Mas suas três vitórias, contra Austrália, Gana e principalmente Inglaterra, foram mais categóricas que as quatro dos argentinos. O time do técnico Diego Maradona levou uma fama maior do que seus resultados, diga-se. Foi uma vitória simples contra a Nigéria, uma goleada sem grande brilho sobre a Coreia do Sul e outro triunfo morno sobre a Grécia. Neste domingo, contra o México, a Argentina se beneficiou bastante de um gol ilegal validado pela arbitragem. É uma campanha de respeito. Mas não permite tratar os argentinos como favoritíssimos.

O encontro do próximo sábado é uma reedição das quartas-de-final da Copa passada, quando Alemanha e Argentina se enfrentaram em Berlim, numa etapa da competição em que as duas eram, como agora, apontadas como as melhores daquele Mundial. Nenhuma das duas chegou à decisão. A Alemanha levou a melhor nos pênaltis. A Argentina voltou para casa, e os anfitriões da Copa perderam para a Itália, que se sagraria campeã. Ainda assim, o jogo envolve muita história. As seleções decidiram duas Copas seguidas, em 1986 (vitória argentina por 3 a 2) e 1990 (vitória alemã por 1 a 0). Nos confrontos diretos, a vantagem é da Argentina, 8 vitórias. Os alemães venceram cinco. Em outras cinco ocasiões, houve empate. Nas Copas, porém, a Alemanha ganhou dus contra só uma da Argentina – justamente a final de 1986, quando Diego Maradona era o craque e capitão dos sul-americanos.

Vinte e quatro anos depois, o ex-craque transformado em técnico tenta obter o primeiro título expressivo do futebol argentino desde que assombrou o mundo com seu desempenho no México – desde então, a seleção só amarga decepções nas Copas. A Alemanha, por outro lado, seguiu sua rotina de impressionante sucesso nos Mundiais. Em 1990, foi campeã. Em 2002, finalista mais uma vez, perdendo para o Brasil. E em 2006, terceira colocada. Se passar pela Argentina, a Alemanha estará a apenas um jogo de uma marca notável: oito finais disputadas. Só o Brasil pode atingir o mesmo número neste torneio. São muitos números, marcas e retrospectos na história do clássico. Mas o que importa mesmo é o que os alemães e argentinos farão no gramado do Green Point dentro de seis dias. Com Oezil, Muller, Schweinsteiger, Klose e Podolski de um lado, e Messi, Tevez, Higuaín, Di Maria e Mascherano de outro, é um jogo digno do tamanho dessas duas camisas vencedoras.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

27/06/2010

às 7:42 \ História das Copas, Jogos, Seleções

Rivalidade histórica ganha novo capítulo

Semifinais de 1990: Waddle, da Inglaterra, e Matthaus, da Alemanha, em mais uma decisão (Foto: Getty)

Com a exceção de Brasil x Itália, que já decidiram dois Mundiais e são os maiores vencedores da história do torneio, talvez não exista nenhum clássico de Copas do Mundo que supere Alemanha x Inglaterra. Pelos personagens envolvidos – de Beckenbauer a Bobby Moore – e pela rica história do duríssimo confronto (e, inevitável dizer, da própria relação entre os países), a rivalidade entre os alemães e ingleses é das maiores já vistas no futebol. E ela terá mais um episódio escrito às 11 horas deste domingo (no horário de Brasília), no modesto estádio Free State, em Bloemfontein, no choque entre as seleções por uma vaga nas quartas-de-final. A Alemanha fez melhor campanha até aqui e está apresentando um futebol muito mais eficaz. Como todo clássico é imprevisível, porém, não se deve descartar as chances da Inglaterra, que conta com alguns dos melhores jogadores deste Mundial.

Os alemães venceram o grupo D com duas vitórias (4 a 0 na Austrália e 1 a 0 sobre Gana) e uma inesperada derrota (1 a 0 para a Sérvia). Mostraram ao mundo um novo candidato a craque, o jovem meia Oezil, e trouxeram de volta ao palco maior do futebol alguns dos bons jogadores da Copa passada, como Schweinsteiger, Podolski e Lahm. A Inglaterra desembarcou na África do Sul com o status de favorita, com uma delegação formada por craques no auge de suas carreiras, como Wayne Rooney, Frank Lampard, Steven Gerrard, John Terry e Rio Ferdinand – esse último, cortado pouco antes da estreia, por contusão. Os outros ficaram, mas ainda não convenceram. Rooney, que pintava como postulante à coroa de melhor do Mundial, não marcou nenhuma vez. Trata-se de uma das decepções da campanha inglesa, de dois empates (EUA e Argélia) e uma magra vitória (Eslovênia).

No duelo deste domingo, além dos jogadores envolvidos e do passado de rivalidade, há mais um fator favorável a um jogo cheio de emoções: as seleções se pegam na fase eliminatória do torneio, em que um empate pode significar prorrogação e disputa de pênaltis. Foi na prorrogação que a Inglaterra ganhou sua única Copa, jogando em casa, em 1966, por 4 a 2, com direito a um dos gols mais polêmicos de todos os Mundiais. Quatro anos depois, no México, de novo na prorrogação, os alemães se vingaram nas quartas-de-final com uma virada extraordinária: 3 a 2, depois que os ingleses abriram 2 a 0. Outro encontro aconteceu em 1990, nas semifinais, com a Alemanha batendo a Inglaterra nos pênaltis (do mesmo jeito, tiraram os ingleses da decisão da Eurocopa de 1996, jogada na própria Inglaterra). No retrospecto de partidas oficiais entre as seleções, são 27 jogos, com dez vitórias alemãs e doze inglesas. Os alemães, porém, venceram nos pênaltis os dois jogos que terminaram empatados. Portanto, o equilíbrio é total para esse encontro de gigantes na pequena Bloemfontein.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

26/06/2010

às 7:58 \ Jogadores

Os craques (e caneludos) da primeira fase

Oezil, o principal nome da Alemanha na Copa: jovem destaque da etapa inicial (Foto: Getty)

De alguns já se esperava muito; de outros, quase nada. Mas a fase de grupos do Mundial terminou na sexta-feira com alguns bons destaques individuais – ainda que, por enquanto, não tenha surgido um candidato indiscutível a grande astro da Copa. É impossível fugir do nome de Messi quando se pensa no favorito a esse título. Mas o baixinho argentino ainda não marcou um gol sequer e não repetiu o futebol esplendoroso que costuma exibir no Barcelona. Ele é um dos onze titulares de uma possível seleção de melhores da fase inicial:

Goleiro: Tim Howard (Estados Unidos)

Zagueiros: Lúcio (Brasil) e Lugano (Uruguai)

Laterais: Maicon (Brasil) e Ashley Cole (Inglaterra)

Meias: Xavi (Espanha), Oezil (Alemanha), Sneidjer (Holanda) e Donovan (Estados Unidos)

Atacantes: Messi (Argentina) e David Villa (Espanha)

Entre os muitos jogadores que já arrumaram as malas e foram embora – metade do total inscrito para o torneio -, há numerosas decepções e fiascos. Seja por má forma física, seja por má fase técnica, eles formam um time de atletas renomados que não emplacaram no Mundial – e agora amargam férias antecipadas. A seleção dos que saíram pela porta dos fundos do Mundial é, claro, dominada por franceses e italianos, finalistas em 2006 e eliminados em 2010:

Goleiro: Marchetti (Itália)

Zagueiros: Agger (Dinamarca) e Cannavaro (Itália)

Laterais: Zambrotta (Itália) e Evra (França)

Meias: Yaya Toure (Costa do Marfim), De Rossi (Itália), Ribéry (França) e Pienaar (África do Sul)

Atacantes: Anelka (França) e Eto’o (Camarões)

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

23/06/2010

às 17:21 \ Jogos, Seleções

Alemanha bate Gana. E as duas avançam

A Alemanha confirmou seu favoritismo, bateu Gana por 1 a 0 e avançou para um duelo de titãs logo na segunda fase, contra sua velha rival Inglaterra. Mas a derrota sofrida nesta quarta-feira, no estádio Soccer City, em Johannesburgo – com uma torcida claramente a favor da seleção africana – não teve um gosto tão amargo assim para Gana, que garantiu o segundo lugar no grupo e se transformou na única equipe do continente negro a avançar para as oitavas-de-final. No fim, o estádio inteiro estava em festa. Gana já tinha se classificado para a fase eliminatória em 2006, quando perdeu para o Brasil por 3 a 0. Desta vez a seleção africana vai pegar um adversário que coloca menos medo: os Estados Unidos, líderes do grupo C, em Rustemburgo.

Os africanos têm só mais uma chance de colocar uma segunda seleção nas oitavas, mas a Costa do Marfim precisa de um milagre para passar adiante na chave G, a do Brasil, cuja definição sai na sexta-feira. No outro jogo do grupo da Alemanha e Gana, a Austrália ganhou da Sérvia por 2 a 1. No jogo do Soccer City, os alemães não mostraram o mesmo futebol dinâmico e envolvente que rendeu uma goleada por 4 a 0 contra a Austrália. Voltaram ao seu estilo mais tradicional, de controle do jogo, marcação forte e jogadas práticas e objetivas. A Alemanha começou pressionando, apostando principalmente nas jogadas de linha de fundo. O primeiro a testar o goleiro Kingson foi o brasileiro naturalizado Cacau, que chutou rasteiro, mas sem grande perigo.

Cacau, aliás, melhorou muito a movimentação ofensiva alemã, já que o titular Klose é praticamente um poste instalado na grande área. Aos 16 minutos, numa jogada puxada por ele, Podolski armou um belo voleio, mas não pegou em cheio na bola. Mas Gana começava a incomodar nos contragolpes, contando com o apoio da torcida sul-africana. Aos 24, numa roubada de bola na intermediária, Kevin Boateng invadiu a área e quase abriu o placar. Um minuto depois, Oezil também teve uma chance preciosa, cara a cara com o goleiro, mas desperdiçou. Aos 32, nova defesa de Kingson em chute de Cacau; aos 33, cruzamento perigosíssimo na pequena área alemã. Os lances mais agudos rarearam, mas o equilíbrio persistiu até o fim do primeiro tempo.

O jogo de lá-e-cá entre europeus e africanos continuou no segundo tempo, com o goleiro Neuer salvando a pátria alemã logo aos 6 minutos, frente a frente com Asamoah. Mas a Alemanha aos poucos assumiu o controle do jogo, mantendo mais a bola em seus pés e empurrando Gana para a defesa. E essa pressão deu resultado aos 15 minutos. O jovem meia Oezil, grande talento do time, dominou na entrada da área e chutou colocado, no canto esquerdo, sem chance para Kingson. Um golaço que colocava a Alemanha em primeiro lugar no grupo – e a caminho de Bloemfontein, para pegar a Inglaterra, num encontro de gigantes já nas oitavas.

A vantagem alemã foi ameaçada aos 22 minutos, quando o capitão Lahm desviou uma bola que tinha endereço certo no fundo das redes, após chute de Ayew. A Alemanha passou a jogar no contra-ataque, com Cacau e Oezil tentando aumentar o marcador. Mas a notícia de que a Sérvia estava perdendo certamente deve ter chegado aos jogadores da equipe africana, que diminuíram seu ímpeto e passaram a demonstrar certo conforto com a derrota pelo placar mínimo (o que, aliás, a tiraria do caminho da Inglaterra). Gana avançou só no desempate pelo saldo de gols, mas fez sua parte para salvar a honra dos africanos nesta primeira fase – assim como a Alemanha ajudou a amenizar a má impressão deixada por algumas das seleções mais tradicionais e fortes nesta Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

13/06/2010

às 17:50 \ Jogos, Seleções

O 1º gol brasileiro. E a 1ª grande exibição

Cacau fecha a goleada: primeiro brasileiro a marcar na Copa veste camisa... alemã (Foto: Getty)

Nunca a Alemanha chegou a uma Copa em versão tão globalizada, com jogadores de origem turca, polonesa e brasileira entre seus destaques. E nunca a Alemanha foi tão fiel à sua reputação de seleção eficiente e forte quanto na estreia na Copa da África do Sul, neste domingo – no que foi também o primeiro jogo realizado no espetacular estádio de Durban, talvez o mais bonito do Mundial. Com uma indiscutível e tranquila vitória por 4 a 0 sobre a mediana Austrália, os alemães se credenciaram, como de costume, à disputa do título. A Alemanha tenta chegar à sua oitava final de Copa. Assim como o Brasil, já fez sete – mas num número menor de participações.

Os alemães abriram o placar logo aos 8 minutos, com um golaço de Podolski (nascido na Polônia), após jogada envolvendo Oezil (de família turca) e Muller (esse sim, alemão da gema). Klose, de origem polaca, ampliou, chegando ao seu 11º gol em Copas e se aproximando do recorde de Ronaldo, que tem 15. Como quase sempre, Klose marcou de cabeça, depois de cruzamento cirúrgico do lateral e capitão Lahm. Os alemães dominavam a partida com autoridade de sobra, com Oezil e Muller como destaques. Muller marcou o seu, com enorme categoria, aos 23 minutos do segundo tempo. E o brasileiro naturalizado alemão Cacau, do Stuttgart, que substituiu Klose logo depois do terceiro gol, fechou o placar, dois minutos depois de entrar em campo. Foi o primeiro gol de um brasileiro neste Mundial – e dois dias antes da estreia da nossa seleção.

Apesar de ter desembarcado na África do Sul sem a mesma badalação que cerca times como Espanha, Argentina e Inglaterra, a seleção alemã tem elementos suficientes para formar uma equipe vencedora. Mescla jogadores experientes, como os defensores Mertesacker e Friedrich, a jovens valores, como Oezil (21 anos) e Mueller (20). Melhor ainda talvez seja o grupo que chegou a este Mundial com a experiência de ter disputado a Copa passada em casa aliada ao vigor de quem está no auge da forma física e capacidade técnica. Esse é o caso do trio Lahm, Podolski e Schweinsteiger. Nos oito jogos disputados até agora na Copa, nenhuma equipe foi mais convincente do que a Alemanha. E isso só é novidade ou surpresa para quem desconhece a história fabulosa dessa seleção tricampeã mundial.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

 

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