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Maradona

03/07/2010

às 14:42 \ Replay

Quando a Argentina levou de quatro

HOJE… Alemanha 4 x 0 Argentina, e muito mais não se deve dizer de uma vitória maiúscula, como diriam os locutores de antigamente. Klose fez dois gols. Tem agora 14 em Copas do Mundo, uma a mais que o francês Just Fontaine e apenas um a menos que Ronaldo. Oezil, o canhotinha da camisa número 8, uma vez mais desfilou sua elegância discreta. Mas falávamos da derrota argentina, a maior desde 1974, diante da Holanda de Cruyff, Neeskens e Rep.

ONTEM… Em 1974, na Copa da Alemanha, a Holanda também fez 4 a 0 na Argentina. Numa homenagem à equipe atual, de Robben e Sneijder, 6m10 daquela partida de 26 de junho de 36 anos atrás. Percebam que, nos melhores momentos, não há um único ataque argentino. Notem que o banco da Argentina parece estupefato. A narração, em holandês, realça o tom nostálgico daquela equipe espetacular.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

03/07/2010

às 13:50 \ Seleções

Maradona falou demais. E caiu de quatro

Maradona vê o massacre alemão: o show do treinador-boleiro acabou na Cidade do Cabo (Foto: Getty)

Quando chegou à África do Sul para comandar a seleção Argentina na Copa do Mundo, Diego Maradona começou a desafiar as leis da física: transformou-se num caso inédito de baixinho que olha para os outros por cima, com um ar de superioridade de alguém que esperneia em público quando se fala que ele não foi melhor que Pelé. A equipe comandada pelo ex-craque começou bem no torneio, mas em nenhum momento foi tão arrasadora e espetacular quanto Maradona fazia parecer. O treinador-boleiro, que tinha uma relação inusitada com os jogadores – parecia a todo momento querer se juntar a eles no campo, ao invés de comandá-los -, não foi campeão, mas aproveitou para aumentar sua interminável lista de frases de efeito.

Disse, por exemplo, que era vontade de Deus que a Argentina chegasse à final. Além da linha direta com o céu, Maradona também parecia ter sempre a razão – tanto que exigiu desculpas dos jornalistas que criticavam o time depois de classificar o time às oitavas-de-final (o que, convenhamos, não era nada mais que a obrigação). “Para ganhar deste time terão que tirar a pele”, disse, na ocasião. Não foi o que pareceu neste sábado, com o passeio da Alemanha, por 4 a 0, na Cidade do Cabo. Ainda bem que os prognósticos do ex-craque não se confirmaram. Afinal, ele ficou livre de pagar um mico sem precedentes. “Se ganhamos este Mundial, eu fico pelado e dou a volta no Obelisco”, prometeu, pouco antes do embarque.

Além de fracassar na busca pelo título – estendendo um incômodo jejum para a Argentina, que já contabiliza 24 anos sem levar a Copa para Buenos Aires -, Maradona também falhou feio numa missão importante: a de fazer o melhor jogador do mundo, Lionel Messi, brilhar no palco máximo do futebol internacional. Especialista na posição e sabedor da encrenca que é chegar a uma Copa com o peso de ser apontado com o grande nome do torneio – foi assim em 1990, depois da exibição genial e campeã em 1986 -, o técnico prometia fazer Messi se transformar no craque da Copa. Se não chegou a ser um fiasco, o astro do Barcelona também não chegou a convencer. Está embarcando para casa sem ter marcado um golzinho sequer.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

03/07/2010

às 12:51 \ Jogos, Seleções

Alemanha não dá chance para Argentina: 4 a 0 com sobras. Alguém impede o tetra?

Não teve nem graça: no show alemão, até o zagueiro Friedrich fez gol de centroavante (Foto: Getty)

A Alemanha ainda não ganhou o troféu de campeã do mundo, mas assegurou um outro título neste sábado, na Cidade do Cabo – tem o melhor futebol desta Copa até agora. No aguardado duelo contra a Argentina, no estádio Green Point, a seleção tricampeã foi implacável: nem tomou conhecimento da badalada seleção treinada por Diego Maradona e aplicou um 4 a 0 categórico numa rival que já tinha eliminado também da Copa passada. Além de impor uma goleada humilhante e incontestável sobre os argentinos, os comandados do técnico Joachim Low também mandaram de volta para casa o melhor jogador do mundo, Messi, que passou em branco na Copa – não marcou um gol sequer. Na Copa da África do Sul, melhores mesmo são Oezil, Muller, Schweinsteiger, Podolski e Lahm, que já formam uma seleção memorável antes mesmo do fim do torneio.

Fica a dúvida: ainda tem alguém neste Mundial capaz de parar os alemães e impedir que eles conquistem o tetra? A pergunta começa a ser respondida no segundo jogo do dia, entre Espanha e Paraguai, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, a partir das 15h30 (no horário de Brasília). É desse jogo que sai o adversário da já favorita Alemanha nas semifinais. Se for a Fúria, será uma chance de ouro para a Alemanha vingar sua última grande decepção: na final da Eurocopa, há dois anos, a Espanha foi campeã batendo justamente os alemães na final. Além de decidir a vaga na final, a Alemanha tem na semi a chance de fazer história através de Klose, seu artilheiro, que agora tem 14 gols em Mundiais, só um a menos que o recordista Ronaldo. Deixou para trás nesta Copa Pelé, Gerd Muller e Just Fontaine.

No jogo deste sábado, eles foram melhores simplesmente por todo o tempo. Começaram abrindo o placar com Muller, jovem destaque de um time cuja média de idade é uma das menores do Mundial. Poderiam ter terminado o segundo tempo com uma vantagem maior, mas os argentinos deram sorte. No começo do segundo tempo, Maradona mandou a equipe para o ataque. Os alemães mal se incomodaram: com uma defesa firme, quase não levaram sustos. E na segunda metade da etapa final, veio a hora de gastar a bola e dar show. Klose, depois de jogada de Podolski, fez 2 a 0 aos 23. Friedrich completou uma jogada linda de Schweinsteiger aos 29. E no penúltimo minuto, Klose fechou a conta, depois de cruzamento de Oezil. A Argentina volta para Buenos Aires. E o mundo é poupado de ver Maradona cumprir a promessa de tirar a roupa em público se seus pupilos conquistassem o tricampeonato para o país.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

27/06/2010

às 17:21 \ Jogos, Seleções

A Argentina derruba o México – e avança

A confusão armada pelo auxiliar: gol que mudou a história do jogo (Foto: Getty)

Eles não brilharam e ganharam os dois primeiros gols de presente – um da arbitragem, outro de um zagueiro abalado pela falha absurda do trio italiano que apitava o jogo. Mas o que importa mesmo para a Argentina é que sua seleção bateu o México por 3 a 1, neste domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, continua com uma campanha perfeita (quatro vitórias em quatro jogos) e agora tem presença assegurada no que promete ser o grande duelo da Copa até o momento. Sábado, na Cidade do Cabo, Argentina e Alemanha, que podem ser consideradas as duas melhores seleções do Mundial até aqui, lutam por uma vaga na semifinal, quatro anos depois de um encontro de quartas, como agora. Em 2006, deu Alemanha, nos pênaltis.

Para quem esperava uma Argentina em total controle do jogo, os primeiros dez minutos foram surpreendentes. Os mexicanos foram à frente e, num intervalo de dois minutos, tiveram duas chances claríssimas de gol, ambas com Salcido – aos 8, uma bomba que explodiu no travessão, e aos 10, um chute cruzado que raspou a trave do goleiro Romero. A resposta veio com Messi, que levava a torcida se levantar cada vez que pegava na bola. Aos 12, ele chutou por cobertura, exigindo uma defesa difícil do goleiro Pérez. O México foi claramente superior na primeia metade da etapa inicial: marcava forte, não deixava a Argentina jogar e se lançava ao ataque com rapidez.

Mas foi justamente neste momento que o time de Maradona abriu o placar, na segunda trapalhada da arbitragem da Copa neste domingo. Numa bola que veio pelo alto, Messi dominou e lançou Tevez na área. O goleiro Pérez rebateu, e Messi voltou a acionar Tevez, desta vez pelo alto. Em escandalosa posição de impedimento, o argentino empurrou de cabeça para o gol vazio. O lance provocou grande confusão: o auxiliar foi pressionado pelos mexicanos, que pediam a anulação do gol. Mas o juiz italiano Roberto Rossetti validou o lance. Os mexicanos se enervaram e, logo no lance seguinte, o capitão Rafa Márquez levou amarelo por uma chegada forte em Messi, de quem é companheiro de time, no Barcelona.

Tevez comemora o primeiro gol: o melhor da partida deste domingo (Foto: Getty)

Ainda sob impacto do gol injustamente validado, os mexicanos tomaram o segundo, num erro bisonho de Osório, que deixou a bola de presente Higuaín na entrada da área. O novo artilheiro isolado da Copa (4 gols) ficou livre para marcar com muita calma. E virou massacre: os argentinos encurralavam os mexicanos, desperdiçando boas chances de ampliar. O México estava atordoado. E Maradona, à beira do gramado, pedia calma aos seus pupilos – queria que eles trabalhassem a bola no ataque, cadenciando mais o jogo. Os mexicanos enfim colocaram os nervos no lugar no fim da primeira etapa, e voltaram a atacar com perigo, expondo as fraquezas da defesa argentina.

Na volta para o segundo tempo, o México voltou a tentar esboçar um aperto nos argentinos. Mas Carlos Tevez, o melhor do jogo, tratou de apagar o ímpeto dos adversários: pegou a bola na meia-lua da grande área e soltou um tiro certeiro de pé direito, no ângulo de Pérez. A torcida mexicana se calou e a Argentina passou a administrar o resultado, enquanto os rivais buscavam apenas um gol de honra – com Hernández, de cabeça, aos 18, chegaram perto disso. O mesmo Hernández, revelação mexicana que já tinha brilhado contra a França, diminuiu a vantagem argentina aos 26 minutos da etapa final, com um chutaço de pé esquerdo, deixando o goleiro sem reação.

O México martelou de maneira incansável durante os quinze minutos finais, mas já tinha sofrido um prejuízo irreparável logo na primeira etapa. Saiu de cabeça erguida – e inchada pelos erros que provocaram o 2 a 0 logo no começo. Aos argentinos fica a chance de comemorar mais uma vitória neste Mundial. Mas também sobram alguns alertas. Se não corrigir sua marcação e deixar sua defesa mais firme, vai ter problemas contra a impiedosa e veloz Alemanha de Oezil, Muller, Schweinsteiger e Podolski. Vai ser um encontro de gigantes, imperdível para qualquer um que goste de bom futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

22/06/2010

às 17:22 \ Jogos, Seleções

Argentina se poupa, mas ganha a terceira

Demichelis comemora o primeiro gol da Argentina: três jogos, três vitórias (Foto: Getty)

Numa Copa do Mundo, jogadores, treinadores, torcedores e comentaristas não gostam de perder um só jogo das seleções favoritas ao título. Num torneio tão curto, em que uma equipe disputa no máximo sete jogos, é importante observar todos os momentos das participantes mais bem cotadas. Nesta terça-feira, porém, acompanhar a partida da Argentina contra a Grécia, em Polokwane, não rendeu grandes conclusões. Os argentinos venceram, 2 a 0, gols do zagueiro Demichelis e do atacante Palermo, no fim do segundo tempo, mas não se apresentaram com força máxima: sete jogadores foram trocados na comparação com o time que goleou a Coreia do Sul na rodada passada. Não se pode, porém, chamá-la de seleção reserva, pois o time tinha Messi, Verón, Demichelis e o goleiro Romero – e entre os suplentes que ganharam uma chance estavam jogadores como Maxi Rodríguez, Milito e Agüero.

O time de Maradona, além de desfigurado, pareceu ter jogado com o freio de mão puxado. De qualquer forma, somou sua terceira vitória em três jogos, com sete gols marcados e só um sofrido. Podiam ter batido os gregos com maior facilidade, não fossem as defesas miraculosas do goleiro Tzorvas e o azar de Messi, que segue sem marcar nenhum gol na Copa – faltando apenas cinco minutos, o camisa 10 fez tudo certo, invadiu a área, disparou uma bomba e viu seu chute explodir na trave. Aos 45, soltou uma nova bomba, mas esbarrou no goleiro outra vez. No rebote, Palermo marcou. A próxima chance de Messi desencantar já tem dia e hora para acontecer. Nas oitavas-de-final, os bicampeões mundiais enfrentarão o México, uma reedição do primeiro jogo da segunda fase na Copa passada, na Alemanha. Na ocasião, os argentinos despacharam os mexicanos só na prorrogação. O próximo duelo está marcado para domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)

20/06/2010

às 20:55 \ Replay

As duas mãos de Deus

O lance no site do jornal argentino 'Olé'

HOJE… Luis Fabiano fez dois gols fabulosos contra a Costa do Marfim. O primeiro, um belo chute quase sem ângulo, foi homenagem à uma das filhas, que completava 6 anos de idade. O segundo será repetido à exaustão, com a ajuda da super câmera lenta, pelo que teve de duvidoso. Foi espetacular, sem dúvida, empolgante, mas teve dupla ajuda dos braços.  Ainda no vestiário, Luis Fabiano reviu o polêmico lance, antes de seguir para as entrevistas compulsórias. Com sorriso discreto, instado a dizer se ajeitou ou não a bola, ele ri: “Fui com o braço para cima só para ficar mais bonito, gol de Copa do Mundo”, disse. “Foi uma mão santa, uma mão de Deus”.

ONTEM… No Twitter, os gaiatos de plantão resumiram o lance de Luis Fabiano: “Pelé fez gol dando chapéu. Maradona fez gol de mão. Luis Fabiano fez os dois em um lance só”. O de Pelé, plasticamente perfeito, foi marcado na final da Copa de 1958. O de Maradona, “La Mano de Dios”, dispensa apresentações. Os dois lances, a seguir:

A pintura de Pelé:

A esperteza de Maradona:

(por Fábio Altman, de Johannesburgo)

17/06/2010

às 12:58 \ Jogos, Seleções

Grécia embola classificação no grupo B

Jogadores gregos comemoram gol (Foto: AFP)

A partida de encerramento da segunda rodada no grupo B, da Argentina, serviu apenas para dar alguma emoção para saber quem será o segundo, pois com a vitória dos sul-americanos sobre a Coreia do Sul por 4 a 1, o time de Maradona se garantiu em primeiro. E 45 minutos depois da goleada, Grécia e Nigéria entraram em campo e embolaram a briga pela vice-liderança. A tradicional ex-retrancada Grécia venceu por 2 a 1, atacou muito, praticamente tirou a Nigéria da Copa – que perdeu por 1 a 0 da Argentina – e vai disputar a vaga para as oitavas contra a Argentina, enquanto a Coreia pega os africanos, todos os jogos na terça-feira.

A Nigéria começou a partida parecendo que iria impor seu jogo com um pouco mais de poder de ataque. Aos 16 minutos, Uche marcou de falta: a bola cruzou toda a área e entrou direto, colocando os africanos em vantagem. Os gregos tentaram buscar o empate, que conseguiram já no finalzinho do primeiro tempo, em jogada dentro da área, em que Salpingidis chutou de frente para o gol e a bola desviou – tudo isso ajudados sobretudo pela expulsão tola de Kaita que, numa disputa de bola, já fora de campo, tentou acertar a perna de Torosidis aos 33 minutos. Foi o bastante para encher a Grécia de força e tirar confiança dos africanos.

No segundo tempo, em meio a ataques desorganizados de ambas equipes, surgiram algumas chances, até que a Grécia surpreende: Torosidis pega uma rebatida do bom goleiro Enyeama e marca. Apear da vantagem , a Grécia continuou atacando e fez Enyeama trabalhar muito, em jogada saídas dos pés principalmente de Torosidis, Salpingidis e Samaras.

17/06/2010

às 11:47 \ Seleções

Maradona, o afetuoso: ‘Algo bom no ar’

Maradona abraça Higuaín: só para agradecer, porque ele gosta é de mulher (Foto: Getty)

Diego Maradona pode ter melhorado como técnico, depois de um começo em que parecia um peixe fora d’água na função. Ainda assim, o estilo de comandar do ex-craque continua o mesmo – é um boleiro com uma prancheta de treinador. Depois da goleada contra a Coreia do Sul, por 4 a 1, nesta quinta-feira, o argentino contou alguns detalhes do clima na concentração – e acabou mostrando como está fazendo a sua seleção engrenar. Maradona faz questão de vestir a camisa do time e se colocar como um dos integrantes do grupo. Elogia e manifesta sua confiança nos atletas a cada momento. E, com isso, consegue bons resultados.

Ao avaliar o jogo desta quinta, por exemplo, Maradona deu uma boa exagerada na hora de falar sobre sua equipe. “Merecíamos um triunfo assim. Já tínhamos insinuado um jogo desse jeito contra a Nigéria, mas não conseguimos tantos gols. Jogamos uma boa partida e fomos implacáveis”, garantiu, pouco antes de discordar de um jornalista que destacou os lances de perigo do rival. “A Coreia em nenhum momento ameaçou. Tirando o momento do gol deles, uma falha, os coreanos não tiveram a bola. Nós conseguimos manejá-la como quisemos. E se achei alguma coisa negativa no jogo, não será aqui que vou falar sobre elas.”

Questionado sobre o que mudou em seu trabalho desde o instável início no comando do time, Maradona disse que aprendeu e se dedicou muito. “E, com tudo o que passei no futebol, tinha algumas experiências a passar para os meus jogadores. Sou capaz de transmitir a eles o que é jogar um Mundial.” Essas conversas, assegurou Diego, formaram um grupo harmonioso. “Estamos alegres e motivados. Tem algo bom no ar, tanto antes como depois da partida.”

Perto do fim da entrevista, um jornalista quis saber se o segredo de seu sucesso com os atletas era seu afeto – afinal, ele gosta de abraçar, afagar e beijar os jogadores sempre que possível. Maradona arregalou os olhos, sorriu e disparou: “Eu gosto é de mulher. Agora, por exemplo, estou com a Verônica, uma loira bastante bonita. O afeto com meus jogadores é só para agradecer pelo trabalho deles, nada mais que isso.” Mais boleiro, impossível.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

17/06/2010

às 5:09 \ História das Copas

Média de gols não preocupa. Por ora

Batiston, da França, marca Zico, no México-1986: aquela também começou mal (Foto: Getty)

Foram apenas 25 gols em 16 jogos, 1,5 gol por partida, a menor média de toda a história das Copas do Mundo. Mas os números da primeira rodada não devem ser considerados um indício de que este será o pior Mundial de todos os tempos. Na Alemanha-2006, a rodada inicial da fase de grupos registrou 39 gols, mas o torneio não foi de arrancar suspiros. Na Coreia do Sul e Japão, em 2002, foram 46 gols só nos 16 primeiros jogos, mas a competição terminou com sul-coreanos eliminando italianos e espanhóis, com turcos nas semifinais e com a finalista Alemanha avançando à decisão com três mirradas vitórias por 1 a 0, contra Paraguai, EUA e Coreia do Sul. Na última vez que a primeira rodada foi tão magra em gols, no entanto, o torneio acabou sendo um sucesso. No México-1986, com 1,7 gol por jogo no começo da fase de grupos, o mundo viu a magia de Maradona, a surpreendente “Dinamáquina”, o jogaço entre Brasil e França (na foto acima)… Nem tudo está perdido, portanto, em 2010. Falta bom futebol, mas ainda há tempo de sobra para ele aparecer.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

17/06/2010

às 4:50 \ Seleções

Argentina: expectativa de bom futebol

A seleção comandada por Diego Maradona joga nesta quinta-feira por mais que uma simples vitória e pela liderança isolada no grupo B. Esperança de bom futebol num Mundial que até agora foi escasso em belas jogadas, a Argentina pega a Coreia do Sul – rápida, disciplinada e eficaz – no estádio Soccer City, em Johannesburgo, com a chance de se credenciar ao status de grande seleção da Copa. Tirando a Alemanha, ninguém jogou muito melhor que os argentinos na primeira rodada. O jogo desta quinta, contra uma equipe média, é a chance de Messi e seus companheiros aparecerem como sérios candidatos ao título.

Maradona, que mostrou bom humor nos últimos dias, enfrentou um problema para escalar os titulares: o veterano meia Verón, com uma contusão muscular, teve de ser poupado da partida. Verón é o representante do técnico em campo, comandando e organizando a equipe – tanto que, quando o jogo parava na partida de estreia, contra a Nigéria, o meia corria para a lateral para falar com Maradona. Em seu lugar entra Maxi Rodríguez, do Liverpool, jogador voluntarioso, mas sem nem metade da categoria de Verón. O quarteto ofensivo formado por Messi, Higuaín, Tevez e Dí Maria deverá sentir falta dos lançamentos em profundidade e passes certeiros do “vovô” da equipe.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

13/06/2010

às 16:22 \ Galeria de fotos, Vídeos e Fotos

Imagens: Maradona e o terno

Neste sábado, na partida entre Argentina e Nigéria, o técnico e ex-jogador Diego Maradona foi um show à parte: brincou com a bola e fez embaixadas. Veja os melhores momentos e expressões do craque.

12/06/2010

às 13:06 \ Jogadores, Jogos, Seleções

Time de Maradona não veio para brincar

Maradona, o ex-boleiro de terno: estreia competente (Foto: Getty)

Metido num terno cinza (e incapaz de esconder seu desconforto por usá-lo), Diego Armando Maradona parecia vestido para uma ocasião de gala neste sábado. Não foi o caso. A Argentina venceu a Nigéria com relativa tranquilidade, 1 a 0, gol de cabeça do lateral Heinze, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, mas não chegou a dar show. A razoável seleção africana, apoiada por uma massa de fãs que praticamente dividiu a ocupação do estádio com os farristas torcedores argentinos, chegou a dar alguns bons sustos nos favoritos.

De qualquer forma, o traje do ex-craque acabou parecendo adequado ao seu papel neste Mundial. O time que Maradona levou a campo na estreia parecia, enfim, treinado por um profissional do ramo. Diego, que quando assumiu a seleção parecia só um boleiro encarregado de escalar um time de colegas numa pelada de fim de semana, aparenta ter virado treinador para valer. E mostrou isso apresentando ao mundo uma seleção forte e bem montada. E o melhor: capaz de aproveitar seus talentos. Só falta saber se é o próprio Diego quem comanda o time – muitos atribuem o trabalho ao coordenador Carlos Bilardo, técnico campeão em 1986 e 1990. Maradona diz que não.

O ex-craque tem um doce problema com seu selecionado: uma safra extraordinária de jogadores de ataque e vagas limitadas para aproveitá-los. Decidiu montar uma linha de quatro defensores que jogam duro(Gutiérrez, Demichelis, Samuel e Heinze) e protegê-la com o xerife Mascherano. Mais solto, Verón comanda a faixa central do campo. Nas quatro posições restantes, jogadores rápidos, habilidosos e que não precisam guardar posição: Di María, Tevez, Higuaín e Messi. Os três primeiros são companhia feita sob medida para o melhor jogador do mundo na atualidade.

Maradona tem no banco um goleador no auge da forma, Milito. Ao invés de colocá-lo entre os titulares, porém, dá preferência à mobilidade de Tevez e Higuaín, melhores companheiros para Messi. Se não trombar com algum infortúnio ou cometer alguma sandice – circunstâncias que são frequentes na sua vida e na sua carreira -, Diego Maradona tem tudo para fazer sua equipe chegar longe no torneio. Pode não ser favorita disparada ao título, mas poucos se arriscam a descartá-la como séria candidata à glória na África.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

12/06/2010

às 7:45 \ Jogos, Seleções

Melhor do mundo estreia. Cansado

Depois de um primeiro dia escasso em gols e em belas jogadas, ele é o melhor antídoto possível. Lionel Messi, o melhor jogador do planeta na atualidade, estreia na Copa do Mundo neste sábado, às 11 horas (em Brasília, 16 horas em Johannesburgo), no estádio Ellis Park, na partida contra a Nigéria. Messi contará com a companhia de Tevez no ataque e com o apoio do veterano Verón na armação das jogadas. Atrás, a Argentina tem uma autêntica linha de quatro zagueiros – os laterais Otamendi e Heinze são essencialmente zagueiros e sobem pouco ao ataque.

O palco é o mesmo da conquista do título mundial de rúgbi pela África do Sul, em 1995, no jogo famoso mostrado no filme Invictus. Do lado de fora do gramado, porém, o craque da hora não dividirá os holofotes com Nelson Mandela, como no caso dos Springboks. Um olho estará em Messi, e o outro, em Diego Armando Maradona, o técnico encarregado de fazer seu camisa 10 brilhar tanto quanto ele brilhou no Mundial de 1986, no bi da Argentina.

Quando vestiu a camisa alviceleste, Messi nunca mostrou o mesmo futebol que desfila no Barcelona. Maradona, mestre da posição, tem a missão de fazer o craque jogar o que sabe nesta Copa. O obstáculo é o cansaço do jovem craque. Os preparadores argentinos admitem que ele está esgotado depois de mais uma temporada vencedora com o Barça. Se a condição física e o esquema de Maradona permitirem, pode começar neste sábado a campanha do melhor jogador do Mundial da África do Sul.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

19/05/2010

às 20:56 \ Seleções

Maradona leva seis atacantes ao Mundial


O técnico da Argentina, Diego Maradona, divulgou na tarde desta quarta-feira a lista com os 23 jogadores que irão disputar a Copa da África do Sul. O treinador surpreendeu ao chamar o lateral-direito Ariel Garcé, do Colón, e ao não relacionar o zagueiro Coloccini, do Newscastle.

O atacante Palermo disputava vaga com Diego Milito, e Maradona não vacilou: chamou os dois – e mais quatro para a mesma posição. A maior esperança de gol dos ‘hermanos’ continua sendo Lionel Messi, melhor jogador da temporada europeia. A lista foi anunciada, mas Maradona só dará entrevista no domingo. Os convocados:

Goleiros: Sergio Romero (AZ /HOL), Mariano Andújar (Catania/ITA), Diego Pozo (Colon)

Zagueiros e laterais: Nicolás Otamendi (Vélez Sarsfield), Martín Demichelis (Bayern de Munique/ALE), Walter Samuel (Internazionale/ITA), Gabriel Heinze (Olympique de Marselha/FRA), Nicolás Burdisso (Roma/ITA), Clemente Rodríguez (Estudiantes), Ariel Garcé (Colón)

Meias: Jonás Gutiérrez (Newcastle/ING), Javier Mascherano (Liverpool/ING), Juan Sebastián Verón (Estudiantes), Angel Di María (Benfica/POR), Maxi Rodríguez (Liverpool/ING), Javier Pastore (Palermo/ITA), Mario Bolatti (Fiorentina/ITA)

Atacantes: Lionel Messi (Barcelona/ESP), Gonzalo Higuaín (Real Madrid/ESP), Martín Palermo (Boca Juniors), Sergio Agüero (Atlético de Madrid/ESP), Diego Milito (Internazionale/ITA) ,  Carlos Tevez (Manchester City/ING).

(Por Davi Correa)

24/03/2010

às 5:19 \ Jogadores

Na Catalunha, ‘Messimania’ elege o sucessor de Pelé

Jornais de Barcelona

“Messi não se igualou a Pelé”, diz o garçom ao descobrir que seu cliente vem do Brasil. “Messi já é melhor que Pelé.” O garçom trabalha num bar de tapas de El Raval, bairro de imigrantes na região central de Barcelona e destino preferido das farras de Pablo Picasso na juventude. Ele não está sozinho: para quase todos os torcedores do Barça, o craque argentino, 22 anos, já pode reivindicar o título de melhor jogador de todos os tempos. Desde o fim de semana, quando Messi marcou seu segundo triplete (três gols num só jogo) consecutivo, jornais e programas de TV da Catalunha não param de mostrar suas jogadas extraordinárias – e de comparar o argentino não apenas a Pelé, mas também a Maradona, Di Stéfano, Cryuff, Puskas…

A menos de três meses da Copa do Mundo, é raro ver uma camisa da Espanha, uma das favoritas à conquista do Mundial, nas ruas de Barcelona. Para qualquer lugar que se olhe, porém, existe uma camisa azul e grená com o nome de Messi. Na TV, um dos principais telejornais noturnos promove a seguinte enquete: “Messi já é um dos cinco melhores da história?” Os diários esportivos vão além. O Mundo Deportivo chama Messi de “deus do futebol” e “ser superior”. O Sport não tem dúvidas: “Já é o melhor da história”. Em entrevista exclusiva com o primeiro-ministro José Luís Rodríguez Zapatero, a âncora do canal 3, o maior de Barcelona, interrompe a espinhosa discussão sobre o estatuto da Catalunha e muda de assunto: quer saber o que ele acha de Messi. O premiê se derrama em elogios: “É um fora-de-série – e ainda por cima é humilde”.

É possível, afinal, comparar o astro argentino – sem dúvida o melhor do mundo no momento – com Pelé ou Maradona? Para os torcedores ainda imunes à febre Messi que contagia Barcelona, ainda é muito cedo para isso. E vale lembrar que esses elogios exagerados não são inéditos entre os fanáticos catalães – os mesmos que, por exemplo, inventaram o apelido “Fenômeno” para Ronaldo. Há quatro anos, os mesmos adjetivos que hoje são usados para classificar Messi eram aplicados a outro camisa 10 do Barça, Ronaldinho Gaúcho. Assim como Messi, ele era o melhor do mundo e a grande esperança de sua seleção na Copa – apesar de, também como o argentino, não repetir as atuações espetaculares pelo Barcelona quando vestia a camisa de seu país. Ronaldinho foi um fiasco na Copa da Alemanha. Acabou sendo vendido para o Milan. No museu do clube (na foto abaixo), apinhado de garotos com as inevitáveis camisas com o nome de Messi, o rosto do argentino está por todos os lados. Ronaldinho quase não é lembrado.

Museu do Barcelona

Você acha que Messi poderá algum dia superar Pelé?

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Por Giancarlo Lepiani, de Barcelona

 

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