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Dunga

06/07/2010

às 9:30 \ Seleção Brasileira

CBF costuma inovar depois dos fracassos

Se depender só do histórico da seleção brasileira sob o comando de Ricardo Teixeira, o presidente da CBF tende a fazer uma escolha pouco convencional na substituição de Dunga, dispensado depois da eliminação na Copa da África do Sul. No poder desde 1989, Teixeira tem alternado escolhas conservadoras e surpreendentes, dependendo do resultado do trabalho anterior. Nada mais natural, é claro – afinal, quando algo dá muito errado, é preciso mudar radicalmente, e quando tudo corre bem, melhor seguir no mesmo rumo. Na noite de segunda-feira, Ricardo Teixeira deixou claro que exige uma renovação profunda na seleção. Ou seja: o próximo treinador terá de ser capaz de convocar novos jogadores e construir uma equipe praticamente do zero. A seguir, uma cronologia das sucessões no cargo durante a gestão de Ricardo Teixeira na CBF:

1989: Sebastião Lazaroni, pouco conhecido, é o primeiro técnico contratado por ele
1991: Depois do fracasso na Copa de 1990, contrata o novato Falcão, que jamais tinha sido técnico
1991: Falcão tenta renovar o time, mas demora a obter resultados. É substituído por Carlos Alberto Parreira
1994: Parreira leva o time ao tetra e seu coordenador-técnico, Zagallo, dá continuidade ao trabalho
1998: Zagallo perde a final da Copa da França e é substituído por Vanderlei Luxemburgo, nome mais pedido por todos
2000: Luxemburgo decepciona e é trocado por Leão, uma surpresa
2001: Leão não resiste aos maus resultados e cai; em seu lugar entra Luiz Felipe Scolari, favorito da torcida
2002: Felipão conquista o penta; depois do sucesso, outra escolha segura, a volta de Parreira
2006: Parreira fracassa no Mundial da Alemanha; diante dos pedidos de renovação, Teixeira surpreende e contrata Dunga

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

06/07/2010

às 9:29 \ Seleção Brasileira

Brasil: é hora de um técnico estrangeiro?

Com Dunga oficialmente demitido, a CBF tem apenas algumas semanas para anunciar o nome do sucessor, informação prometida para o fim deste mês. Como o Brasil tem jogo marcado com os Estados Unidos, em agosto, precisa ter um técnico pelo menos 15 dias antes, para fazer a convocação, como manda a Fifa. Os nomes mais comentados são os de Leonardo, Luiz Felipe Scolari e Mano Menezes. O primeiro, porém, tem um dos mesmos problemas de Dunga: a inexperiência. O segundo já tem emprego para os próximos meses, como treinador do Palmeiras. O terceiro tem histórico relativamente curto e pouca experiência em futebol internacional – foi vice da Libertadores com o Grêmio e um fiasco com o Corinthians no mesmo torneio. Diante das opções escassas, é a hora de a CBF aprontar uma novidade e levar ao país um técnico estrangeiro?

Fato cada vez mais comum até em seleções tradicionais, a contratação de profissionais de outro país não causa tanta gritaria quanto no passado. No Brasil, porém, certamente traria muita controvérsia – principalmente pelo fato de a seleção estar às portas de se preparar para uma Copa do Mundo disputada em casa, em 2014. Até pela fortíssima pressão desse trabalhgo, porém, pode ser o caso de pensar numa aposta dessas. E o idioma não é necessariamente uma barreira. José Mourinho, por exemplo, é considerado o melhor técnico do planeta – e é português. O sueco Sven-Goran Eriksson, que treinou a Costa do Marfim e a Inglaterra em Copas, fala português. Falta, porém, uma coisa que anda fazendo falta mesmo aos técnicos brasileiros da seleção: conhecimento e acompanhamento do futebol praticado no próprio país. Para jogar a Copa de 2014 com apoio firme da torcida, será fundamental aproveitar na equipe os bons valores que estão no futebol nacional, representando os grandes clubes do Brasil.

Você apoiaria a escolha de um técnico estrangeiro para comandar a seleção?

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(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

05/07/2010

às 12:16 \ Seleção Brasileira

Quem seria melhor para treinar o Brasil?

Ricardo Teixeira já deve ter bem claro na cabeça o perfil do técnico que tentará contratar para substituir Dunga. Não se sabe se o presidente da CBF conseguirá fechar um acordo com o preferido ou se terá de se contentar com uma segunda opção. Pelo menos seis nomes estão sendo comentados para o cargo. A seguir, vantagens e desvantagens de cada um deles caso fossem escolhidos para a função:

Luiz Felipe Scolari, 61 anos, Palmeiras
A favor: É o nome de consenso, que assumiria o cargo com apoio popular e cacife suficiente para promover a reformulação que a seleção tanto precisa antes de disputar o Mundial de 2014. Como se isso não fosse o bastante, conhece o caminho das pedras: é o técnico do penta, em 2002, última Copa conquistada pelo Brasil.
Contra: Já está comprometido com o Palmeiras, e não gosta de quebrar seus compromissos. Assim como Dunga, também teve atritos com a imprensa, ainda que tivesse muito mais jogo de cintura para lidar com os jornalistas.

Leonardo, 40 anos, desempregado
A favor: Assim como Dunga, tem um currículo respeitável como jogador e imagem positiva na seleção. Ao contrário de Dunga, não acha que o mundo está contra ele – na hora de lidar com as pressões internas, na CBF, e externas, diante da imprensa e da torcida, tiraria de letra todas as situações espinhosas.
Contra: Ao contrário de Dunga, não estrearia como técnico pegando a seleção logo de cara. Assim como Dunga, não pode ser considerado um técnico experiente, pois tem só uma temporada na função, como treinador do Milan.

Mano Menezes, 48 anos, Corinthians
A favor:
Técnico da nova geração, fez boas campanhas no comando do Grêmio e do Corinthians. É treinador de um clube que conta com ampla influência na CBF – o presidente corintiano Andrés Sanchez foi o chefe da delegação do Brasil na Copa.
Contra: Tirando Grêmio e Corinthians, tem pouco a apresentar no currículo. Sua experiência internacional é limitada. Além disso, será que é mesmo a hora de outro gaúcho mau humorado que gosta de dar patadas nos jornalistas?

Vanderlei Luxemburgo, 58 anos, Atlético-MG
A favor: Já foi um dos melhores técnicos do Brasil.
Contra: Já foi um dos melhores técnicos do Brasil – faz tempo que não consegue emplacar uma campanha vitoriosa, mesmo tendo a chance de treinar boas equipes. Tem experiência na seleção, mas sua saída foi conturbada, e seu trabalho, decepcionante.

Muricy Ramalho, 54 anos, Fluminense
A favor: Tricampeão brasileiro comandando o São Paulo, é profundo conhecedor do futebol nacional – o que pesa a favor no caso de uma seleção que poderia muito bem ter mais jogadores em atividade no país.
Contra: Além de ranzinza e de difícil trato, tem uma característica de trabalho que pode não encaixar com a vaga na seleção. Muricy costuma precisar de tempo e muito treino para formar suas equipes. Além disso, a Copa não é disputada em pontos corridos, sua especialidade, mas sim no mata-mata, seu grande fantasma (no São Paulo, caiu por causa dos fracassos nas etapas eliminatórias).

Ricardo Gomes, 45 anos, São Paulo
A favor: Treinador jovem mas já experiente, sabe trabalhar com atletas de pouca idade, conhece tanto o futebol europeu como o brasileiro, tem bom trânsito na CBF e história na seleção. Além disso, é calmo e sabe lidar bem com as pressões da imprensa e da torcida.
Contra: Já teve uma chance de ouro ao ser encarregado de treinar a seleção olímpica. Não conseguiu sequer classificar a equipe para os Jogos de Atenas-2004.

Quem você escolheria para substituir Dunga?

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(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

04/07/2010

às 19:52 \ Seleção Brasileira

Faustão: Dunga ‘não tinha competência’

A vingança é um prato que se come frio, mas não muito. Horas depois da destituição de toda a comissão técnica da Copa da África pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol), veio pela voz do apresentador Fausto Silva o que estava engasgado na garganta de toda a TV Globo desde os xingamentos de Dunga ao repórter Alex Escobar. Ao comentar a demissão de Dunga, Faustão foi rápido e incisivo: “Vamos deixar o Dunga em paz. Ele não tinha competência nem equilíbrio”.

As espetadas no treinador continuaram. Durante a Dança dos Famosos, quadro em que celebridades competem com coreografias ensaiadas, Faustão voltou à carga. “Tem muita gente que acha que entende. Tem gente que acha que entende e até vai dirigir a Seleção”, disse.

Faustão, ele próprio, não anda lá tão bem com a opinião pública. Na noite de domingo, enquanto seu Domingão era exibido, a poderosa artilharia dos brasileiros no Twitter tentavam fazer, com o apresentador, uma nova versão do “Cala Boca” que vitimou, durante a Copa, o locutor Galvão Bueno e o apresentador Tadeu Schmidt _ que leu, durante o Fantástico, um editorial da emissora com críticas à postura de Dunga.

Faustão chegou à quinta posição nos tópicos mais comentados do microblog no Brasil, catapultado pelos mesmos mecanismos de seus colegas de emissora _ entre eles, claro, comentários em inglês tentando atrair estrangeiros para uma campanha supostamente destinada a salvar uma espécie de baleia.

04/07/2010

às 16:42 \ Seleção Brasileira

CBF dispensa Dunga e encerra o seu ciclo de números bons e objetivos incompletos

A CBF levou dois dias para tomar uma decisão inevitável. Esperou o bastante. Na tarde deste domingo, com todos os integrantes da comissão técnica de volta ao país, a entidade que controla o futebol brasileiro comunicou, através de seu site oficial, a dispensa de todos eles. Parece ter aprendido a lição da repercussão negativa da desrespeitosa demissão de Leão, o técnico que perdeu o emprego num saguão de aeroporto, antes mesmo de desembarcar no Brasil depois de amargar uma má campanha na Copa das Confederações. Desta vez, só colocou o treinador dispensado em situação embaraçosa de forma involuntária, por culpa dele – na chegada ao Rio Grande do Sul, amolecido pelos aplausos que recebeu ao voltar para casa, Dunga deixava aberta uma brecha para sua permanência. Como todos já sabiam, não vai acontecer.

De acordo com a CBF, o ciclo iniciado depois da derrota para a França na Copa de 2006 foi cumprido por Dunga e sua equipe de profissionais. Agora, porém, o trabalho da comissão foi considerado concluído. A nova comissão técnica deverá ser anunciada ainda neste mês, com a perspectiva extraordinária – e assustadora, por causa da fortíssima pressão – de comandar a seleção na Copa do Mundo do Brasil, em 2014. Como aconteceu em quase todas as outras transições entre comissões técnicas da seleção sob o comando de Ricardo Teixeira, pelo menos parte da equipe deverá ser mantida. Em casos como o do médico José Luiz Runco e do fisioterapeuta Luís Rosan, a permanência é possível. Para Dunga e seu auxiliar Jorginho, é claro, isso não era viável.

Mesmo que quisesse – e sempre disse que não queria -, o técnico não teria condições de permanecer no cargo. A cobrança seria acima do suportável. E o Brasil claramente precisa se renovar para disputar o Mundial em casa. Dunga concluiu sua gestão à frente da seleção mais forte e tradicional do planeta deixando números positivos e uma impressão negativa. Sim, ganhou a maioria das partidas disputadas. Bateu seleções tradicionais: Argentina (três vezes), Itália (duas vezes), Portugal (de goleada, 6 a 2). Terminou as Eliminatórias para a Copa em primeiro lugar. E foi campeão de dois torneios disputados antes do Mundial da África do Sul.

Na Copa América, começou mal e terminou atropelando os argentinos. Na Copa das Confederações, o futebol não convenceu – foram vitórias sofridas contra África do Sul e EUA na semifinal e final -, mas veio mais um título. Não importa. Por mais que Dunga tenha sido contratado para comandar a seleção brasileira por quatro anos, sua missão podia mesmo ser resumida em quatro semanas, na disputa da Copa do Mundo. Já tinha escapado por pouco da degola depois do único grande fracasso anterior à derrota de sexta-feira contra a Holanda – o fiasco na Olimpíada de Pequim-2008. Uma queda em quartas-de-final numa Copa em que não enfrentou nenhum bicho-papão selou o destino de Dunga, ainda que ele tivesse pensado em tentar de novo quando desembarcou no Brasil sem ser coberto de impropérios.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

03/07/2010

às 7:08 \ Seleção Brasileira

Procura-se técnico. A missão é espinhosa

Felipão na decisão da Copa de 2002: nome de consenso, mas já comprometido (Foto: Getty)

Dunga já tinha avisado antes mesmo de perder a Copa do Mundo que não ficaria no cargo de treinador da seleção, qualquer que fosse o resultado da campanha brasileira. E a partir deste sábado, é essa a grande expectativa do torcedor: saber quem será o sucessor. A CBF certamente não tomará qualquer decisão antes que a Copa termine – e dificilmente terá fechado contrato com um novo técnico a curto prazo. Isso porque a escolha do nome deverá ser delicadíssima. Além da responsabilidade de recuperar a imagem da seleção depois de duas decepções em Copas (tanto em 2006 como em 2010, o time chegou como favorito e perdeu), o homem que assumir o complicado cargo terá de lidar com a pressão sufocante de ter que ganhar o Mundial de 2014, disputado em casa. De fato, não é trabalho para qualquer um.

O único nome que surge como opção segura, sem incógnitas nem desconfianças, é o do pentacampeão Luiz Felipe Scolari, admirado na CBF e aprovado pela torcida. Mas sua possível contratação esbarra no fato de que Felipão acaba de assumir o comando do Palmeiras. Não é inédito a seleção ter um comandante dividido entre o trabalho na CBF e num clube. Mas acredita-se que o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, não seja muito fã da ideia – quer um técnico com dedicação exclusiva à seleção, com a atenção que a posição merece. Fala-se também em Leonardo, que deixou o comando do Milan há algumas semanas e conta com prestígio na CBF. Mas ele, como Dunga, carece da experiência necessária para assumir uma tarefa tão árdua. Teixeira, que deve participar do lançamento da logomarca da Copa-2014 dias antes da final, em Johannesburgo, tem muito trabalho pela frente.

Quem você escolheria para o lugar de Dunga?

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(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

02/07/2010

às 14:17 \ Jogadores, Seleção Brasileira

Júlio César: ‘Temos de dar um tempo’

Júlio César deixou o vestiário bastante abatido, cabisbaixo falou sobre o sentimento da seleção: “É visivelmente triste. Nosso vestiário desabou.” O número um do Brasil ainda disse que “a Holanda não fez um grande jogo, mas soube aproveitar as chances que teve”.

Sobre sua contusão, respondeu que tinha consciência da sua forma física. “Sabia das minhas condições para jogar, não sou maluco.” E terminou a entrevista deixando seu futuro na seleção em aberto: “O futuro a Deus pertence. Claro que quero continuar na seleção. Agora precisamos de um tempo, essa derrota vai machucar bastante cada jogador.”

02/07/2010

às 13:44 \ Seleção Brasileira

Dunga: ‘Trabalho era para quatro anos’

Logo depois da eliminação, na entrevista obrigatória da Fifa, Dunga confirmou que deve deixar a seleção. “Quanto ao meu futuro, quando cheguei à CBF o plano era ficar por quatro anos.” Como foi convidado para ser treinador em julho de 2006, o ciclo deve encerrar-se agora.

Dunga também falou que todos estavam tristes, pois “não esperávamos, trabalhamos para um resultado diferente. No primeiro tempo conseguimos o resultado, mas no segundo não mantivemos a mesma forma de jogar”. Sobre seus erros, falou que “não tivemos a mesma concentração, a mesma forma de jogar do primeiro tempo”.

Questionado se havia preparado a equipe para um resultado negativo, disse que “ninguém prepara um time para perder, prepara sempre para ganhar”. Completou falando que sentia orgulho de trabalhar com o grupo de jogadores e que “o comprometimento que eles tinham” era inédito, pois ficar “52 dias sem folga e ninguém reclamar” mostrava o que o grupo queria.

02/07/2010

às 12:50 \ Jogos, Seleções

Brasil erra pelo alto, leva a virada e cai: 2 a 1 Holanda. O hexa, só em 2014, em casa

O lance fatal: infiltrado numa defesa de gigantes, o meia Sneijder enterra o sonho brasileiro (Foto: Getty)

A promessa das duas equipes era de jogo bonito e eficiente. E o Brasil, mais uma vez eliminado nas quartas-de-final da Copa – como há quatro anos, contra a França -, não fez sua parte. Uma sofrida e surpreendente derrota por 2 a 1 contra a Holanda, de virada, nesta sexta-feira, no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, colocou um fim prematuro às esperanças de conquista do hexa. O Brasil fez um primeiro tempo absolutamente seguro e bem jogado, abrindo vantagem no placar e mostrando que era muito superior à Holanda nos quesitos técnica e habilidade. Não adiantou. Dois lances de bolas alçadas sobre a área brasileira – de novo, como na Copa passada, quando Henry se aproveitou de um cruzamento para eliminar a seleção -, acabaram com a reputação de uma defesa fortíssima e tiraram o Brasil da Copa. A Holanda segue adiante, para disputar a semifinal contra o vencedor de Uruguai e Gana, na terça, na Cidade do Cabo. O Brasil embarca de volta para casa.

Depois de um começo de jogo tenso, com catimba, provocações e muito estudo entre as equipes, o Brasil colocou fogo na partida aos 7 minutos, com uma jogada puxada por Juan e Daniel Alves, que terminou com conclusão de Robinho para o gol. A arbitragem japonesa, porém, marcou impedimento – e a demora do bandeira para anotar a irregularidade só aumentou a dúvida em torno do lance no estádio. Apenas três minutos depois, porém, Robinho foi de novo para as redes, desta vez em jogada totalmente legal. O volante Felipe Melo, de volta ao time titular depois de perder a partida contra o Chile, dominou antes do círculo central e deu um lançamento extraordinário, rasteiro, pelo meio, para Robinho completar com imensa categoria e abrir o placar. Era tudo o que o Brasil queria: uma Holanda mais nervosa, menos confiante e, agora, com obrigação de atacar.

A primeira oportunidade para a Holanda testar Júlio César, porém, só surgiu aos 17 minutos, em falta sofrida por Robben e mal cobrada por Van Persie. A defesa brasileira bloqueava as tramas ofensivas do rival – Juan, por exemplo, dava uma aula de bola em Van Persie; Lúcio e Gilberto Silva não deixavam Sneijder aparecer no jogo. Mas o Brasil chegava pouco ao ataque, mostrando um conforto prematuro demais com a vantagem mínima no placar. Aos 25 minutos, porém, a seleção voltou a assustar, depois de bela jogada de Daniel Alves. O volante transformado em meia cortou duas vezes o zagueiro e cruzou rasteiro, para Juan chutar por cima. Aos 28, em falta lateral, outra chance: Luís Fabiano mandou de cabeça pelo alto. Aos 30 minutos, o Brasil – ufa! – começou a dar espetáculo na Copa. Endiabrado, Robinho fez fila pela esquerda, humilhou os marcadores passou para Kaká, que chutou no ângulo, para defesa fantástica de Stekelenburg.

Robinho comemora o primeiro gol: o primeiro tempo foi todo da seleção brasileira (Foto: Getty)

Nos minutos finais do primeiro tempo, o Brasil tinha a partida sob seu domínio. Os holandeses não conseguiam ficar com a bola e a seleção chegava com extremo perigo ao ataque, com tabelas rápidas, movimentação incessante e total consciência do que era capaz de fazer em campo. Já nos acréscimos, em jogada pela ponta puxada por Michel Bastos, o Brasil rodou a bola pela frente da área e entregou para Maicon soltar uma bomba que passou rente à trave direita. A seleção terminava a primeira etapa com um desempenho inquestionável. Começou da mesma forma a segunda etapa, costurando boas jogadas e deixando a zaga holandesa tonta. Mas um gol acidental da Holanda, em rara falha da defesa brasileira, colocou o jogo de volta à estaca zero, aos 53 minutos, quando um cruzamento venenoso de Sneijder sobrevoou a área brasileira e foi escorado sem querer por Felipe Melo, que tirou Júlio César da jogada, aos 8 minutos.

A superioridade brasileira não tinha servido para nada: estava tudo igual mais uma vez. O Brasil claramente sentiu o gol: por cerca de cinco minutos, mostrou insegurança no campo. Aos poucos, porém, foi recolocando os nervos no lugar e recuperando sua forma de jogar. A partida, então, ficou extremamente equilibrada., Aos 15 minutos, Daniel Alves deu o primeiro tiro do Brasil contra o gol holandês no segundo tempo, mas a bola saiu pelo lado esquerdo. Com Michel Bastos pendurado por causa das faltas que teve que cometer para segurar Robben, Dunga fez a troca do lateral pelo reserva Gilberto. Aos 20, Kaká dominou na meia-lua da área e teve todo o tempo necessário para armar o disparo, mas chutou por cobertura, para fora. Dois minutos depois, nova ducha de água fria no Brasil. Num escanteio cobrado pela direita, Kuyt escorou e o baixinho Sneijder, no miolo da zaga, completou de cabeça para o fundo das redes.

Pela primeira vez em desvantagem no placar neste Mundial, o Brasil perdeu a cabeça e a igualdade numérica em campo. Já havia sinais de sobra de que o intempestivo Felipe Melo havia perdido o controle. Aos 27 minutos, depois de fazer falta em Robben, o volante partiu para cima do jogado holandês, caído, para intimidá-lo. Foi expulso e deixou a seleção brasileira em situação desesperadora. Dunga tirou Luís Fabiano para colocar Nilmar. Mas a tática brasileira era a do desespero e do improviso, e não havia qualquer sinal de que a seleção conseguiria superar os holandeses. Numa arrancada de Kaká, aos 38 minutos, a seleção voltou a insinuar um possível milagre. Era tarde demais. Com um homem a menos e, pela primeira vez na Copa, sem organização tática e convicção do que fazer em campo, a seleção de Dunga se despedia. Foram cinco jogos, com três vitórias e um empate. E mais um favoritismo jogado no lixo por uma derrota inesperada no meio do percurso para o hexa. Para o Brasil, a Copa da África do Sul terminou nesta sexta. Começa o Mundial de 2014.

(Por Giancarlo Lepiani, de Port Elizabeth)

02/07/2010

às 4:19 \ Jogos, Seleção Brasileira, Seleções

Vencedores ‘sem brilho’, Brasil e Holanda travam acirrado duelo rumo à finalíssima

O Brasil comemora o terceiro gol contra o Chile: lampejos de jogo bonito (Foto: Getty)

De um lado estão as memórias das gerações lideradas por Cruyff, nos anos 70, e Bergkamp, nos 90; do outro, uma longa linhagem de supercraques, desde Leônidas da Silva, nos anos 30, até o trio Rivaldo-Ronaldinho-Ronaldo, na última Copa conquistada pela maior seleção do mundo, no começo desta década. Mas o jogo desta sexta-feira entre Holanda e Brasil carrega uma marca curiosa – as equipes atuais são duas seleções com rotina de vitórias, mas ainda assim criticadas em seus países, pois jogam de forma pragmática e eficiente, sem o brilho do passado. Assim, o confronto de quartas-de-final marcado para as 11 horas (no horário de Brasília), no estádio Port Elizabeth, próximo da costa do Oceano Índico, em Port Elizabeth, vale mais do que uma vaga nas semifinais do Mundial. Para os dois times, é a hora de vencer e convencer, eliminando um rival tradicional e chegando à beira da finalíssima com confiança redobrada – e, se possível, com um reconhecimento ainda não conquistado, especialmente no caso do Brasil comandado por Dunga. Por tudo isso, espera-se mais que só uma partida decisiva. Deverá ser um jogaço.

A discussão sobre a tradição de jogo bonito de brasileiros e holandeses e a pressão para que ambos se apresentem com estilo e categoria dominou as entrevistas dos técnicos na véspera da partida. Dunga, com a credencial de ter apresentado lampejos de futebol bem jogado nas partidas contra Costa do Marfim e Chile, se mostrou animado com a chance de pegar os holandeses. Acha que os duelos entre essas seleções sempre são bonitos de se ver, pois as duas equipes jogam mais abertas, sempre procurando o gol. Mas quem achava que é o só o técnico brasileiro que vence e ainda tem que prestar esclarecimentos teve uma surpresa na entrevista do holandês Bert van Marwijk. Dono de uma campanha imaculada, com 100% de vitórias nas Eliminatórias e na Copa até aqui, foi alvo de numerosas perguntas sobre o jogo pouco atraente exibido por sua equipe. “É sempre o mesmo dilema”, afirmou, em referência à escolha entre jogar bonito e vencer. De acordo com o treinador, brasileiros e holandeses têm o mesmo problema porque sempre são cobrados pelo que se viu no passado. “Mas o esporte muda. E quando se joga bonito, é mais difícil ganhar.”

A Holanda comemora a vitória magra contra a Eslováquia: cobranças da imprensa local (Foto: Getty)

De encher os olhos ou não, o futebol praticado pelas equipes que se enfrentam nesta sexta é fundamentado num estilo veloz e objetivo, com controle do jogo no meio e contragolpes fulminantes para decidir a parada no ataque. Se as duas seleções jogam no contra-ataque, quem vai agredir primeiro e quem vai esperar o rival em seu campo? Só a partida será capaz de mostrar. Para os dois técnicos, não é hora de mudar a estratégia e adaptar suas táticas só porque enfrentam um rival mais forte e não podem nem sequer pensar em perder. “Cada time tem seu rosto e vai tentar se sobressair assim”, disse o holandês. “A gente não pode inventar uma tática para cada partida”, confirmou Dunga. Nas entrelinhas, porém, pode-se apostar que o Brasil tentará tomar as rédeas da partida. Animado com a chance de jogar contra uma seleção que pode abrir brechas para que os valores individuais do Brasil apareçam, Dunga falou em jogar para vencer. Já Bert van Marwijk falou muito na preocupação com o ataque brasileiro, dizendo que esse setor do time joga no erro do adversário. Ele disse mais de uma vez que a Holanda não pode ser surpreendida.

Além da postura das equipes, o resultado dependerá muito do desempenho dos atletas mais decisivos das equipes. Tanto o maior craque do Brasil como o principal astro holandês chegaram à Copa com problemas físicos e custaram a deslanchar. Nas oitavas, apareceram bem e deram um gostinho do que podem fazer nesta sexta. Poucos duvidam que o desfecho da partida passará por Kaká e Robben, enfim recuperados e com ritmo razoável de jogo, prontos para decidir na hora em que suas seleções mais precisam. Mesmo que sejam muito marcados e não apareçam, haverá talento de sobra em campo: Daniel Alves, Robinho e Luís Fabiano, entre os brasileiros; Sneijder, Van Persie e Kuyt no lado holandês. O vencedor segue para a semifinal com o animador retrospecto das outras decisões entre as seleções - sempre que Brasil e Holanda se enfrentaram em Copas, o ganhador foi à final - e também com um favoritismo garantido para o próximo desafio. Quem passar pega Uruguai ou Gana na semi, e é lógico que será o favorito. Jogar bem nesta sexta? Se for possível, ótimo. Mas simplesmente vencer e ficar tão perto da decisão não deve desagradar nenhuma das duas torcidas.

(Por Giancarlo Lepiani, de Port Elizabeth)

01/07/2010

às 15:01 \ Seleção Brasileira

Dunga prevê jogo bonito contra Holanda

Dunga no treino desta quinta, em Port Elizabeth: boa expectativa (Foto: Agência Estado)

Para o mítico craque holandês Johann Cruyff, a seleção brasileira do técnico Dunga não justifica o investimento num ingresso nesta Copa. “Jamais pagaria para ver esse time”, disse ele ao jornal britânico Daily Mirror, reclamando da falta de atletas criativos e habilidosos na escalação. O técnico Dunga, porém, acredita que a partida de sexta-feira entre Brasil e Holanda, no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, será de entusiasmar. “Os brasileiros sempre fazem partidas emocionantes e bonitas de se ver quando enfrentam os holandeses”, disse o treinador nesta quinta. E Cruyff? “Ele deve ter ingresso de graça, ganha da Fifa. É por isso que diz que não paga”, alfinetou.

Para justificar sua expectativa por um jogo de encher os olhos, Dunga disse que os estilos das duas equipes impedem que seja um duelo amarrado e defensivo. “As duas seleções sempre tentam jogar. Tem jogadores com grande qualidade técnica. Driblam, arriscam a jogada, tentam sempre o gol, buscam vencer. Quando há duas equipes assim, o jogo sempre é bom.” Conforme Dunga, a partida vai ser “aberta”, perspectiva que parece animar bastante o treinador brasileiro. “Ninguém pode ficar se cuidando. Tem que jogar para vencer. A tendência é que seja um belo jogo”, previu. “Quando as duas equipes tentam jogar, fica melhor para os dois e também para o espetáculo.”

Se depender do Brasil, Dunga aposta mesmo em um bom espetáculo – afinal, disse ele, o time está crescendo na competição. “Com o passar dos jogos, Vai aumentando a confiança, melhorando o ritmo, ganhando entrosamento.” A escalação, como de costume, não foi revelada pelo técnico – tirando a ausência de Elano, que já era certa, não se sabe qual será a formação do meio-campo do Brasil na sexta, pois Felipe Melo não foi confirmado. Dunga disse que o volante está bem e treinou normalmente, mas não quis adiantar se ele joga. Seja qual for a escalação, uma coisa é certa: Dunga não vai mudar a formação tática da equipe por jogar contra a Holanda. “A gente não pode inventar uma tática para cada partida.” O Brasil, portanto, será o mesmo de sempre. Cabe à rival de sexta tentar arranjar uma forma de vencer uma seleção tão difícil de ser batida.

(Por Giancarlo Lepiani, de Port Elizabeth)

28/06/2010

às 19:08 \ Seleção Brasileira

Dunga: ‘Aqui, jogador técnico é punido’

O próximo adversário do Brasil, Holanda, na sexta-feira, é um adversário duro e uma equipe sólida, da mesma forma que a equipe brasileira. Esta foi a avaliação de Dunga, depois da vitória sobre o Chile. “É uma equipe boa, tem diversos jogadores de qualidade, é uma equipe sólida, característica do futebol holandês.”

Na avaliação do treinador, o Brasil jogou bem mas “sempre tem o que melhorar em todos os sentidos”. “Foi um jogo bonito porque o Chile é difícil de marcar. E o Brasil soube ter equilíbrio.”

Dunga ainda falou que as mudanças na equipe foram tranquilas e os jogadores responderam bem. “Esse grupo foi formado em três anos e meio. Basta um olhar, basta falar para o jogador compreender e se encontrar no posicionamento.”

Sobre Kaká, Dunga disse que vai conversar novamente sobre o controle de cartões. “É um problema jogador como Kaká ficar pendurado. Nessa Copa, o jogador técnico é punido e o jogador que bate é agraciado. Temos de entrar para vencer sempre, sem preocupação com esse aspecto. Mas vamos conversar de novo.”

28/06/2010

às 18:52 \ Jogadores

Kaká, o nosso bom ‘bad boy’

Kaká e o juiz inglês Howard Webb, na partida contra o Chile, em que recebeu cartão amarelo

Quem é o jogador mais calmo da seleção? Kaká. E o mais educado? Kaká. O mais disciplinado? Kaká. Pelo menos era…

Kaká voltou ao time titular do Brasil. Começou a partida contra o Chile correndo, se deslocando, pedindo a bola, brigando por ela. Aos 30 minutos, jogo truncado, fez uma falta, recebeu cartão amarelo e reclamou bastante. Depois, em pelo menos três jogadas, pediu a bola, não recebeu e ficou muito irritado, abanou os braços, gritou, falou palavrões.

Ele é a mola-mestra da seleção de Dunga, está na sua terceira Copa, e foi expulso contra a Costa do Marfim aceitando as provocações dos africanos. Foi a terceira expulsão na vida – as outras duas quando jogava pelo São Paulo. Cenas comuns a um jogador de futebol com quase duas décadas de experiência mas não comuns a Kaká, jogador disciplinado e avesso a confusões em campo.

Talvez a série de contusões que o fez parar por várias semanas e até colocar em dúvida sua participação em 100% de suas condições na Copa tenha influência direta nesse comportamento mais veemente de Kaká. Ele quer jogar, quer marcar, quer arrancar, porque este é o futebol dele, para a frente, sempre em busca do gol, o mais rápido possível. Mas não pode perder a paciência. Logo depois do jogo contra o Chile sabia que não poderia exceder-se: “Não achei que a falta foi para cartão e não aceitaria ser expulso de novo. Vou ter de me policiar muito contra a Holanda.”

(Por Silvio Nascimento)

28/06/2010

às 17:18 \ Jogos, Seleção Brasileira, Seleções

Veloz e matador, o Brasil se livra do Chile com vitória por 3 a 0. Na sexta, a Holanda

Luís Fabiano e Juan comemoram o primeiro gol: ambos marcaram na vitória em Ellis Park (Foto: Getty)

Ao conhecer seu rival nas oitavas-de-final desta Copa, o Brasil sabia que tinha em seu caminho um adversário ideal para começar a trilhar uma rota vencedora na fase eliminatória do torneio. Pois o Chile, que já não assustava a seleção por causa de seu pifio retrospecto contra os pentacampeões, ainda entrou em campo nesta segunda-feira com uma estratégia bem ao gosto do time de Dunga, com três atacantes e um clarão aberto em sua intermediária defensiva. O resultado não podia ter sido outro no estádio Ellis Park, em Johannesburgo: o Brasil confirmou seu favoritismo, venceu por 3 a 0, eliminou os chilenos e carimbou presença nas quartas-de-final. O próximo desafio promete ser de arrepiar: a seleção decide uma vaga na semifinal contra a Holanda, time de enorme talento e muita rapidez, na sexta-feira, às 11 horas (no horário de Brasília), no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth. Em seu último duelo em Copas, brasileiros e holandeses se encontraram na semifinal, na França-1998. Deu Brasil, nos pênaltis, e a seleção – que tinha Dunga como capitão – chegou à finalíssima.

Temendo enfrentar um rival decidido a apenas defender, o Brasil se surpreendeu com os primeiros minutos da seleção chilena, que marcou a saída de bola e tentou agredir logo de cara. Os brasileiros custavam a dominar a bola. Luís Fabiano deu o primeiro chute a gol, aos 4 minutos. E o Brasil, mais bem postado em campo, começou a avançar, arriscando com chutes de Gilberto Silva (aos 9 minutos) e Kaká (aos 10). O meio-campo em nova formação, com Daniel Alves e Ramires, trocava a bola com rapidez, encostando bem em Kaká e Robinho. Também ajudava a criar algumas tentativas – aos 14, Ramires testou o goleiro Bravo, que encaixou firme. Com os times mais adaptados ao jogo do adversário, os dez minutos seguintes foram de maior equilíbrio e muita briga no meio-campo. O Chile marcava muito forte, induzindo o Brasil ao erro. A solução era tentar nas bolas paradas – numa série de escanteios, o Brasil rondou a meta chilena, mas sem grande perigo.

Artilheiro em ação no Ellis Park: Luís Fabiano marca o segundo, seu terceiro neste Mundial (Foto: Getty)

A jogada acabou finalmente dando certo aos 34 minutos: num escanteio cobrado por Maicon pela direita, Juan subiu sozinho no miolo da área – o parceiro Lúcio ajudou a tirar o zagueiro do lance – e testou firme para matar Bravo. Era tudo o que o Brasil queria. O Chile, afoito para dar o troco, cometeu o erro em que quase todas as vítimas desta seleção brasileira armada por Dunga acabam caindo. O time de Marcelo Bielsa avançou demais sua formação e abriu espaço para o trio Robinho, Kaká e Luís Fabiano, do jeito que eles mais gostam, no contragolpe. E foi assim que surgiu o segundo gol, aos 38 minutos. Robinho escapou pela direita e acionou Kaká, na cabeça da área. O meia deu um toque sutil para Luís Fabiano ficar na cara de Bravo. O camisa 9, especialista nesse tipo de jogada, executou com facilidade, fintando Bravo pela direita e só empurrando a bola para o gol vazio. Ainda houve tempo para mais um lance de perigo de Luís Fabiano, de cabeça, ao 44, num cruzamento forte de Maicon.

O Brasil terminava o primeiro tempo com uma vantagem confortável e um adversário para quem só restava atacar – o que deixaria a seleção à vontade para contra-atacar. O Chile, agora com Valdívia em campo, começou a segunda etapa tentando arrumar alguma forma de diminuir a desvantagem. Mas esbarrava numa defesa sólida – Juan fez partida impecável – e na eterna procupação com as arrancadas de Kaká e Robinho. Os contragolpes puxados pela dupla não funcionaram, mas aí entrou em ação Ramires, uma boa novidade no time escalado por Dunga nesta segunda. Aos 14 minutos, ele arrancou pelo meio, surpreendeu a defesa chilena e deu um passe irretocável para Robinho chutar com estilo, ampliando o marcador. O Chile se mandou de vez para o ataque, convencido de que conseguiria diminuir o marcador. Não conseguiu levar perigo – o maior prejuízo que causou ao Brasil foi fazer Ramires, em entrada dura, levar seu segundo amarelo no torneio. Ele está suspenso para o jogo contra a Holanda. Aos 30, novamente em um contragolpe, Robinho desceu pela direita e chutou cruzado, exigindo grande defesa de Bravo. Com o jogo decidido, porém, as emoções e lances de perigo foram escassos. As oitavas estavam resolvidas. Começava a hora de pensar em descascar a laranja holandesa nas quartas.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

28/06/2010

às 16:16 \ Grandes lances

Brasil supera a defesa chilena: 2 a 0

Nos primeiros minutos, o Chile começou com muita velocidade, mas a defesa brasileira não deu muitas chances. Por volta dos 10 minutos, o Brasil dominava as jogadas de ataque, e mostrava alternativas de chute com Gilberto Silva e Daniel Alves. Kaká se movimentava pelo meio, da mesma forma que Robinho. Na maior parte do tempo, nove chilenos estavam no próprio campo, a maioria na linha de zagueiros.

Com Maicon e Michel Bastos guardando mais suas posições na defesa, faltava apoio pelas extremas, por conta do esquema de contra-ataque preparado pelos chilenos. Além disso, o jogo ainda se concentrava demais pelo meio, com Ramires, Daniel alves, Kaká, Luís Fabiano e Robinho.

O capitão Lúcio sentia o momento de dificuldade, com a defesa chilena fechada e a falta de criatividade de Ramires e Daniel Alves. Tentou armar, foi à área tentar cabeçada e até uma jogada de atacante pela esquerda.

Aos 34 minutos, na cobrança de escanteio de Maicon, o zagueiro Juan marcou o primeiro gol brasileiro, de cabeça. O Chile então saiu para o ataque e começou a deixar espaços para o Brasil contra-atacar. Aos 38 minutos, numa jogada rápida, Robinho recebe aberto pela esquerda, tocou para o meio para Kaká, que colocou à frente para Luís Fabiano quase na cara do goleiro Bravo: 2 a 0. É o terceiro gol do atacante brasileiro na Copa.

 

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