25/06/2010
às 6:14 \ SeleçõesPortugal joga ‘em casa’. E com infiltrados
Além da chance de carimbar a entrada nas oitavas-de-final, o jogo desta sexta-feira, contra o Brasil, em Durban, é cheio de significados para a seleção de Portugal. Desde o local escolhido para a partida até os jogadores à disposição do técnico, uma série de coincidências e curiosidades torna o encontro muito especial para os lusos. A promessa é de que eles dividirão toda a lotação do estádio Moses Mabhida com os brasileiros, apesar da presença sempre maçica de torcedores da seleção pentacampeã em Copas – no jogo passado, contra a Costa do Marfim, o Brasil passou da marca de 5 milhões de torcedores presentes aos seus jogos na história dos Mundiais. A forte presença portuguesa no estádio é motivada pelo fato de Durban ser uma cidade com uma importante colônia lusitana. Não é numerosa como a dos indianos, por exemplo. Mas está ligada à história da cidade litorânea.
Capital da província de KwaZulu Natal, Durban foi alcançada pelo navegador português Vasco da Gama em 25 de dezembro de 1497 – daí o nome “Natal” incluído na denominação da província. Também foi este o local onde um dos maiores nomes da literatura de Portugal, o poeta Fernando Pessoa, teve a maior parte de sua formação escolar. Em quase dez anos de permanência em Durban, o escritor, que veio para cá por causa do padrasto, cônsul português na cidade, estudou na Durban High School. Ainda que não tenha falado da cidade em sua obra, o poeta certamente foi influenciado pelo período em que foi habitante de Durban. Ao menos dois bustos homenageiam Fernando Pessoa na cidade, mas outras referências mais visíveis à presença portuguesa são bandeiras lusas fartamente espalhadas pelas casas e carros e os restaurantes que oferecem comidas típicas da nação de Camões.
Além da presença na história de Durban, Portugal também tem forte influência no futebol sul-africano. Técnicos e jogadores do país europeu fizeram carreira no país, incluindo dois atletas brancos que defenderam as mais tradicionais equipes criadas por negros no país, Orlando Pirates e Kaizer Chiefs. Até hoje existem parcerias entre clubes dos dois países – o Bloemfontein Celtics, por exemplo, é ligado ao Sporting de Lisboa, time que revelou Cristiano Ronaldo e que hoje tem o atacante Liédson. O centroavante, aliás, é um dos representantes de um trio que adiciona outro ingrediente especial à partida desta sexta. Ele, Deco e Pepe são os três brasileiros naturalizados portugueses convocados para esta Copa. Nenhum deles, porém, tem presença garantida no jogo. Mas o zagueiro titular Bruno Alves, um dos líderes da equipe e já escalado para a partida, é filho de um ex-jogador brasileiro.
(Por Giancarlo Lepiani, de Durban)




