Rivalidade histórica ganha novo capítulo

Semifinais de 1990: Waddle, da Inglaterra, e Matthaus, da Alemanha, em mais uma decisão (Foto: Getty)
Com a exceção de Brasil x Itália, que já decidiram dois Mundiais e são os maiores vencedores da história do torneio, talvez não exista nenhum clássico de Copas do Mundo que supere Alemanha x Inglaterra. Pelos personagens envolvidos – de Beckenbauer a Bobby Moore – e pela rica história do duríssimo confronto (e, inevitável dizer, da própria relação entre os países), a rivalidade entre os alemães e ingleses é das maiores já vistas no futebol. E ela terá mais um episódio escrito às 11 horas deste domingo (no horário de Brasília), no modesto estádio Free State, em Bloemfontein, no choque entre as seleções por uma vaga nas quartas-de-final. A Alemanha fez melhor campanha até aqui e está apresentando um futebol muito mais eficaz. Como todo clássico é imprevisível, porém, não se deve descartar as chances da Inglaterra, que conta com alguns dos melhores jogadores deste Mundial.
Os alemães venceram o grupo D com duas vitórias (4 a 0 na Austrália e 1 a 0 sobre Gana) e uma inesperada derrota (1 a 0 para a Sérvia). Mostraram ao mundo um novo candidato a craque, o jovem meia Oezil, e trouxeram de volta ao palco maior do futebol alguns dos bons jogadores da Copa passada, como Schweinsteiger, Podolski e Lahm. A Inglaterra desembarcou na África do Sul com o status de favorita, com uma delegação formada por craques no auge de suas carreiras, como Wayne Rooney, Frank Lampard, Steven Gerrard, John Terry e Rio Ferdinand – esse último, cortado pouco antes da estreia, por contusão. Os outros ficaram, mas ainda não convenceram. Rooney, que pintava como postulante à coroa de melhor do Mundial, não marcou nenhuma vez. Trata-se de uma das decepções da campanha inglesa, de dois empates (EUA e Argélia) e uma magra vitória (Eslovênia).
No duelo deste domingo, além dos jogadores envolvidos e do passado de rivalidade, há mais um fator favorável a um jogo cheio de emoções: as seleções se pegam na fase eliminatória do torneio, em que um empate pode significar prorrogação e disputa de pênaltis. Foi na prorrogação que a Inglaterra ganhou sua única Copa, jogando em casa, em 1966, por 4 a 2, com direito a um dos gols mais polêmicos de todos os Mundiais. Quatro anos depois, no México, de novo na prorrogação, os alemães se vingaram nas quartas-de-final com uma virada extraordinária: 3 a 2, depois que os ingleses abriram 2 a 0. Outro encontro aconteceu em 1990, nas semifinais, com a Alemanha batendo a Inglaterra nos pênaltis (do mesmo jeito, tiraram os ingleses da decisão da Eurocopa de 1996, jogada na própria Inglaterra). No retrospecto de partidas oficiais entre as seleções, são 27 jogos, com dez vitórias alemãs e doze inglesas. Os alemães, porém, venceram nos pênaltis os dois jogos que terminaram empatados. Portanto, o equilíbrio é total para esse encontro de gigantes na pequena Bloemfontein.
(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)
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