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Arquivo da categoria Seleção Brasileira

16/11/2012

às 11:42 \ Seleção Brasileira

Seleção: em 1 mês, Espanha, Itália, Inglaterra e França

David Luiz no amistoso contra a França, em 2011: Brasil perdeu por 1 a 0 em Paris (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

David Luiz no amistoso contra a França, em 2011: Brasil perdeu por 1 a 0 em Saint-Denis. Com Mano no comando, seleção ainda não venceu uma grande seleção europeia (Foto: Alex Livesey/Getty Images)

Se a Copa das Confederações é considerada o grande teste do Brasil antes do Mundial de 2014, o mês em que ela acontece, junho de 2013, será também uma prova de fogo para a seleção do técnico Mano Menezes. Depois de sofrer para encontrar adversários fortes e testar suas reais forças neste ano, é provável que o Brasil encare uma série de clássicos em 2013 – e um período de quatro semanas em junho promete ser de tirar o fôlego para a equipe. Na passagem pelos Estados Unidos, onde a seleção empatou com a Colômbia na noite de quarta-feira, Mano deu pistas de que estão adiantadas as negociações para o Brasil enfrentar a França num amistoso antes da estreia na Copa das Confederações. Outra partida que já está quase certa é contra a Inglaterra, também antes do torneio. O duelo com os franceses pode acontecer em Belo Horizonte, no Mineirão. Contra os ingleses, o palco deverá ser o Maracanã. Os dois estádios estão confirmados na Copa das Confederações. Há a possibilidade de o Brasil realizar mais um jogo de alto nível em junho, já que o calendário da Fifa prevê três datas para jogos internacionais no mês.

Iniciada a Copa das Confederações, o Brasil tem chances de encarar a tetracampeã mundial Itália e, claro, a Espanha, atual campeã da Europa e do mundo. Encontrar os espanhóis antes da Copa é um objetivo de Mano, que espera ter a oportunidade de experimentar sua equipe diante da seleção que todos consideram a melhor do planeta na atualidade. As federações dos dois países conversaram sobre um possível duelo amistoso no primeiro semestre, mas faltam datas disponíveis – afinal, a Espanha disputa as Eliminatórias para a Copa. A competição, aliás, atrapalha os planos da CBF na hora de encontrar oponentes fortes para as partidas amistosas. O Brasil começa 2013 visitando a Inglaterra, no Estádio de Wembley, em Londres, num jogo festivo pelos 150 anos da associação de futebol local. Antes do mês dos superclássicos, em junho, a seleção tem mais duas datas em seu calendário: 22 e 26 de março, quando as principais adversárias deverão estar envolvidas nas Eliminatórias e, portanto, indisponíveis para amistosos. Acredita-se que essas duas datas servirão para jogos de menor grau de dificuldade.

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04/10/2012

às 10:53 \ Seleção Brasileira

Decepção na Argentina sela ano perdido para a seleção

O fiasco do Superclássico das Américas, cancelado por falta de iluminação no Estádio Centenário, em Resistência, na Argentina, na noite de quarta-feira, simboliza bem a campanha da seleção brasileira em 2012: depois de muita expectativa e enorme desgaste, restou apenas a decepção. Foi assim nesta semana, quando o grupo convocado por Mano Menezes se reuniu, treinou e fez uma cansativa viagem, mas voltou para casa sem jogar. E foi assim no resto do ano, em que a seleção disputou um número excessivo de partidas – mas, em função das circunstâncias, pouco evoluiu. Depois de abrir a temporada num fraco amistoso contra a Bósnia, na Suíça, o Brasil engatou uma série de quatro amistosos de bom nível, contra Dinamarca, Estados Unidos, México e a Argentina com Messi em campo. Como se preparava para a disputa da Olimpíada, a equipe levou a campo uma base jovem (contra os argentinos, por exemplo, estavam em campo atletas como Rafael Cabral, Bruno Uvini e Juan). Não teve, portanto, a chance de testar sua equipe principal contra adversários fortes.

A seleção também não trouxe grandes lições dos Jogos de Londres. A campanha foi contra equipes fragilíssimas: Egito, Bielorrússia, Nova Zelândia, Honduras e Coreia do Sul. Na disputa do ouro, contra o primeiro adversário razoável que encarou em todo o torneio, derrota por 2 a 0 para o México, e mais uma decepção olímpica. Reforçada por atletas mais experientes, como Daniel Alves, David Luiz e Ramires, a equipe de Mano Menezes disputou mais três amistosos pouco empolgantes, contra Suécia, África do Sul e China, antes do primeiro jogo do Superclássico das Américas. Prometia-se pelo menos um amistoso de grande impacto, contra uma seleção campeã mundial. Depois da partida cancelada de quarta, porém, os próximos compromissos serão contra Iraque e Japão. Resta mais uma data no calendário, em novembro. Em Resistência, o diretor de seleções da CBF, Andrés Sanchez, confessou que não se deve esperar muito dessa partida. O amistoso provavelmente acontecerá em Doha, no Catar, e será contra mais uma equipe fraca. “Algumas seleções não querem enfrentar o Brasil agora”, disse o cartola, sentenciando a seleção a fechar o ano que antecede o ensaio geral para a Copa de 2014 – dentro de pouco mais de oito meses, a seleção estreia na Copa das Confederações – muito distante do patamar que se esperava para a próxima anfitriã do Mundial.

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27/09/2012

às 10:44 \ Seleção Brasileira

Mano convoca seleção. Dia de torcer contra seu ídolo

O esdrúxulo calendário do futebol brasileiro conseguiu transformar radicalmente um velho costume do torcedor. No passado, ter um jogador de sua equipe convocado para a seleção brasileira era motivo de orgulho. Se um clube emplacava vários jogadores numa mesma lista da CBF, a torcida contava vantagem e comemorava a superioridade de sua equipe sobre os adversários. Quando o técnico Mano Menezes divulgar sua próxima convocação, no entanto, os torcedores dos grandes clubes do país deverão torcer contra seus próprios ídolos. O treinador da seleção anuncia no início da tarde desta quinta-feira, no Rio de Janeiro, a lista de convocados para os amistosos contra Iraque e Japão, em outubro. Como os jogos não valem nada e o Campeonato Brasileiro não será interrompido por causa da seleção, é provável que muitos torcedores prefiram ver os atletas de seu time excluídos da relação de Mano.

Sentindo a reação negativa dos clubes e dos torcedores contra o número exagerado de partidas do Brasil nos últimos meses, Mano prometeu deixar alguns atletas de fora. O critério será o momento que cada clube vive. Jogadores de equipes que brigam pelo título do Brasileirão, por exemplo, devem ficar ausentes da relação. Mas cada equipe tem seu argumento para não ceder seus atletas. O Corinthians de Paulinho, por exemplo, se prepara para o Mundial de Clubes em dezembro. O São Paulo de Lucas tenta crescer para voltar à Libertadores. E o Santos de Neymar, o principal jogador da seleção, tenta recuperar a melhor condição física de seu astro – que encarou uma temporada extenuante justamente por causa da seleção.

Os jogadores ainda gostam de aparecer nas listas de convocados – mesmo com toda a pressão, mesmo com a enorme exigência do público, eles ainda enxergam na oportunidade de vestir a camisa amarela uma valorização importante de seu trabalho. Seus fãs, no entanto, não pensam mais assim. Afinal, a seleção não apenas desfalca as equipes bem no meio do campeonato como também submete os atletas a situações pouco animadoras. Fossem duelos contra Espanha e Alemanha, por exemplo, os amistosos de outubro teriam grande importância, por colocar os craques do Brasil frente a frente com alguns dos melhores jogadores do mundo. Mas a ideia de encarar o Iraque na Suécia e o Japão na Polônia não chega a empolgar ninguém.

Na quarta-feira, em visita à sede da Fifa, em Zurique, o presidente da CBF, José Maria Marin, voltou a reconhecer que a seleção anda enfrentando adversários pouco qualificados. O cartola reconheceu, porém, que não tem o que fazer para contornar a situação – os adversários da equipe são escolhidos pela empresa que comprou os direitos sobre todos os amistosos da seleção até 2022. Em entrevista publicada na edição de VEJA da semana passada, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, fez seu diagnóstico da situação (leia abaixo). Na avaliação dele, é preciso mudar a agenda da seleção. Sem isso, a equipe nacional corre o risco de perder de vez o apoio do público – o que, em meio à contagem regressiva para a Copa do Mundo de 2014, seria algo lastimável.

“A convocação da seleção era um evento que parava o país. Hoje, alcançou um grau de vulgaridade que não impressiona mais a ninguém. Os dirigentes precisam levar isso em conta em benefício do próprio futebol. A seleção brasileira está vulgarizada e banalizada. Isso é um problema a dois anos do Mundial no Brasil. Hoje, o torcedor dá muito mais valor a seu clube do que à seleção. O público está praticamente desprezando a seleção. A culpa não é do torcedor, mas do espetáculo que ele recebe.”

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20/09/2012

às 11:01 \ Seleção Brasileira

Mano ganha o jogo, perde a modéstia e apaga fiascos

No início da semana, Mano Menezes deu os primeiros sinais claros de insatisfação com as críticas ao seu trabalho como técnico da seleção brasileira. Depois de quase dois anos mantendo o mesmo discurso – de que entende as cobranças e aceita o direito do público de reclamar da equipe -, o treinador revelou seu incômodo com a pressão da torcida. “Faz parte do papel do técnico suportar e estar preparado para não perder a linha de conduta, mas penso que já está demais”, disse, na chegada a Goiânia. Depois da vitória apertada sobre a Argentina, na noite de quarta-feira, pelo Superclássico das Américas, Mano deu novas demonstrações de que se considera injustiçado. E o pior: os argumentos usados para sustentar essa posição são preocupantes. A menos de dois anos da Copa do Mundo e a apenas oito meses da Copa das Confederações, Mano parece ter colocado de vez na cabeça que não é ele quem está errado, mas sim os torcedores e os críticos. Na entrevista coletiva concedida logo após a partida em Goiânia, o treinador deixou de lado a postura defensiva e se gabou de uma longa invencibilidade no comando da seleção – ignorando, é claro, os fiascos sofridos quando não conseguiu escalar sua equipe principal.

“Completamos um ano e um mês desde a última derrota sofrida com a seleção brasileira totalmente à disposição, no jogo contra a Alemanha, no dia 10 de agosto de 2011″, provocou, mostrando que discorda da reprovação popular ao seu trabalho. De fato, o amistoso em Stuttgart – um passeio dos alemães, aliás – foi a última vez que o Brasil perdeu um jogo com sua equipe completa. Nesse caminho, porém, a seleção principal não pegou nenhuma seleção tradicional: ganhou de Gana, Costa Rica, México, Gabão, Egito, Bósnia, África do Sul e China. Mesmo com tantos adversários fracos, em poucas ocasiões mostrou um futebol minimamente convincente. Pior ainda é o fato de Mano simplesmente apagar da memória as três derrotas sofridas nesse período, contra Argentina e México, em amistosos disputados com a base da seleção olímpica, e de novo contra os mexicanos, na disputa do ouro na Olimpíada de Londres, o segundo principal objetivo da seleção, abaixo apenas da Copa de 2014. Para um técnico que já tinha amargado derrotas para França e Argentina e uma campanha pífia na Copa América, a postura de Mano surpreende. “Acreditamos que a equipe está no caminho certo, com evoluções pontuais”, insistiu ele na quarta.

Outro indicativo de que o técnico está cada vez mais convicto de que as críticas são injustas veio na hora de Mano Menezes avaliar a atuação da equipe no jogo contra os argentinos. A participação de Lucas, que apareceu bastante na partida e levou perigo à defesa argentina, foi aprovada pela maioria dos torcedores, mas reprovada – publicamente, e com veemência – pelo treinador. “Eu queria mais dele. Quando uma equipe defende com tantos jogadores como foi o caso da Argentina, não basta você se posicionar no lado do campo e apenas esperar a bola para fazer a jogada para um atacante. Precisa levar o lateral para dentro, posicionar em cima do zagueiro”, explicou. Em seguida, Mano elogiou muito o substituto do atleta e garantiu que não se importa com os gritos de “burro” – ouvidos justamente depois essa alteração. “O Wellington Nem fez as jogadas que queríamos, o corredor ficou mais liberado. Quanto a gritar por esse ou aquele, não tenho nada para falar. Aconteceu quando tirei o Lucas, mas não vou deixar de tirar quem não está rendendo bem. Penso que a equipe melhorou e por isso que conseguimos a vitória no fim”. A virada sobre os argentinos, já nos acréscimos, aconteceu num pênalti cometido por Desábato, em lance com Leandro Damião, convertido por Neymar. Wellington Nem não participou da jogada.

19/09/2012

às 17:58 \ Brasil-2014, Seleção Brasileira

Com aplausos e dinheiro, Goiânia garante seleção em 2013

Marin, Perillo e Del Nero em Goiânia (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

Marin, Perillo e Del Nero em Goiânia (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

O governador de Goiás, Marconi Perillo, não participa das eleições deste ano. Nos últimos meses, porém, ele também patrocinou uma grande – e cara – campanha em seu estado. Tudo para ter a chance de receber a seleção brasileira durante a Copa das Confederações, no ano que vem. Perillo não se conformou com a exclusão de Goiânia entre as doze cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. Disposto a investir pesado para incluir a capital goiana no roteiro da festa – ainda que fora do calendário oficial de partidas -, decidiu trabalhar nos bastidores, usar sua força política e gastar muito dinheiro para que a cidade não ficasse esquecida. Na tarde desta quinta-feira, venceu a briga: recebeu do presidente da CBF, José Maria Marin, a garantia de que Goiânia será a base da equipe nacional no decorrer do torneio, que serve como ensaio geral para o Mundial. Assim como em 2014, Goiânia não vai receber nenhum jogo da Copa das Confederações. Ainda assim, a seleção ficará concentrada na cidade, localizada a cerca de 200 quilômetros de Brasília, palco da estreia no torneio da Fifa. No anúncio da escolha, Marin reforçou a impressão de que se trata de uma escolha política, e não técnica – ele não soube explicar, por exemplo, como funcionará a rotina da seleção na cidade. Revelou ainda que o técnico Mano Menezes não foi consultado. Ele garantiu, porém, que o diretor de seleções, Andrés Sanchez, concordou em ficar em Goiânia.

Perillo começou a pleitear a permanência da delegação na capital de seu estado no ano passado, quando Goiânia recebeu o amistoso entre Brasil e Holanda, o primeiro gesto da CBF para recompensar a ausência da cidade na lista de sedes da Copa. Nesta quarta, Goiânia também será palco de outro compromisso da seleção, no primeiro jogo do Superclássico das Américas, contra a Argentina. O cenário montado para acolher a equipe para o jogo deixa claro o tamanho da mobilização encomendada por Perillo. Para garantir que o estádio não ficasse vazio, bancou, com recursos do governo estadual, a compra de 22.000 ingressos, no valor total de 2 milhões de reais. Os bilhetes para a partida foram trocados por notas fiscais e alimentos entregues a instituições de caridade. Com essa despesa, tentou garantir que não se repetissem as cenas vistas em São Paulo e Recife, cidades que receberam os últimos amistosos da seleção – em ambos os casos, com estádios que não estavam lotados. Mas os anfitriões da seleção nesta quarta foram além. Preocupados com a possibilidade de assistir a manifestações hostis à delegação na cidade, as autoridades goianas costuraram um plano de relações públicas para melhorar a recepção aos jogadores e ao técnico Mano Menezes. No sonolento amistoso contra os holandeses no ano passado, a seleção foi vaiada, mesmo com a presença de Neymar. Temia-se que novas vaias afastariam o time da cidade.

“Queremos mostrar que aqui a seleção tem apoio”, disse o presidente da federação local, André Pitta. “Goiânia quer ser a casa da seleção”, reforçou José Roberto de Ataide Filho, presidente da Agência Goiana de Esporte e Lazer. A estratégia teve vários elementos. Outdoors instalados na cidade chamaram atenção para o jogo, tentando atrair a torcida. Antes e durante o duelo com os argentinos, o placar eletrônico do Serra Dourada vai exibir pedidos de apoio ao time. Cogita-se até a distribuição de panfletos na entrada do estádio, também pedindo à torcida que aplauda e ajude a seleção. Por enquanto, funcionou: desde a chegada, na segunda-feira, só Mano Menezes foi alvo de esporádicos gritos de “burro”. Os jogadores foram recebidos com festa. Que a seleção não ache, contudo, que o carinho e a atenção virão de graça. Perillo quer ainda mais – e não faz questão nenhuma de esconder isso. O governador se disse “satisfeito e contente” com a notícia de que receberá a equipe em 2013. Mas logo emendou um pedido – outra partida da seleção contra um adversário de primeiro escalão antes da Copa – e ensaiou sua próxima reivindicação à CBF: “Sei que posso estar pedindo muito, mas vamos trabalhar para ganhar a confiança da seleção e ter essa equipe aqui também durante o Mundial”. Para quem duvida que isso possa acontecer, ele deixou um recado: está disposto a gastar o quanto for necessário para atender à seleção.

Marin já ouviu mais dois pedidos de Perillo (Foto: Edu Saraiva/Frame/Folhapress)

Marin já ouviu mais dois pedidos de Perillo (Foto: Edu Saraiva/Frame/Folhapress)

Leia também: Cinco problemas que Mano Menezes precisa resolver

18/09/2012

às 19:49 \ Seleção Brasileira

Mano sente a pressão e aposta na experiência

Mano e Luís Fabiano no treino desta terça (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

Mano e Luís Fabiano no treino desta terça (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

As críticas sofridas pela seleção brasileira depois dos amistosos contra África do Sul e China deixaram sua marca no técnico Mano Menezes. Contra os sul-africanos, o time sofreu para conseguir uma vitória magra; contra os chineses, massacrou um adversário perdido em campo. Mano já tinha sofrido intensa pressão depois de desempenhos muito piores, como a eliminação precoce na Copa América, a derrota na final da Olimpíada e a série de derrotas nos clássicos contra França, Argentina e Alemanha. Ainda assim, o treinador jamais havia revelado tamanho desconforto com as críticas ao seu trabalho. “Faz parte do papel do técnico suportar e estar preparado para não perder a linha de conduta, mas penso que já está demais, precisamos trabalhar para que não seja tanto assim. Devemos entender que não é só o técnico que faz ou deixa de fazer uma equipe jogar”, desabafou ele nesta terça-feira, em Goiânia, palco do jogo entre Brasil e Argentina, na noite de quarta. Mano foi além e transferiu a responsabilidade aos jogadores, defendendo que o técnico não pode ser culpado por todos os problemas de uma equipe: “Eu vejo que os atletas são a parte mais importante. É possível um técnico contar com uma ótima equipe e encontrar dificuldades”, sustentou.

Em mais um sinal de que Mano acusou o golpe, o treinador decidiu reforçar sua equipe com jogadores mais rodados para o duelo contra os argentinos. Apesar de contar com Leandro Damião, seu titular na Olimpíada, escalou o veterano Luís Fabiano no time titular. Além do atacante do São Paulo, pedido pela torcida em meio às vaias ouvidas no amistoso contra a África do Sul, outros três jogadores mais experientes ganharam uma chance no treino desta terça, no Estádio Serra Dourada. Na lateral esquerda, Fábio Santos, do Corinthians, foi o escolhido. Paulinho, também do Corinthians, sai da reserva para a equipe titular em Goiânia. E Jadson, do São Paulo, assumiu a armação da equipe no lugar de Oscar, que não está no grupo, formado apenas por jogadores que atuam no país. Cerca de 10.000 pessoas foram ao treino no Serra Dourada – desta vez, sem vaias para Mano ou para a equipe. Neymar, que chegou atrasado para a apresentação do grupo, na segunda, está confirmado na partida. Mano rejeitou a possibilidade de poupá-lo – e reiterou as críticas à agenda extracampo do ídolo, figurinha carimbada em festas e eventos de seus patrocinadores. “Na seleção é onde ele mais descansa. Aqui ele não sai para nada. Treina, se alimenta, descansa e joga.”

18/09/2012

às 14:45 \ Seleção Brasileira

CBF sonha com Itália e Espanha. E acorda com Iraque

A seleção concentrada em Goiânia nesta terça-feira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

A seleção concentrada em Goiânia nesta terça-feira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

Nas últimas semanas, a direção da CBF tentou negociar a realização de amistosos contra seleções tradicionais do futebol mundial. Depois do massacre contra a frágil China, seria uma forma de testar a equipe de Mano Menezes contra adversários mais difíceis, capazes de mostrar se a seleção está mesmo no caminho certo em sua preparação para a Copa do Mundo de 2014. Cogitou-se a atual campeã mundial e europeia, a Espanha. Falou-se também na segunda maior vencedora de Copas da história, a tetracampeã Itália. Numa entrevista concedida antes dos amistosos contra sul-africanos e chineses, o diretor de seleções, Andrés Sanchez, avisou que o objetivo da CBF para este fim de ano era só um: marcar um duelo contra uma seleção de primeiro escalão. “Estamos procurando uma seleção mais forte. Forte tipo campeã mundial”, garantiu. Nada feito. Na noite de segunda-feira, a CBF anunciou o próximo adversário da seleção: o Iraque, cujo único craque já não usa mais chuteiras (o técnico Zico). O amistoso, marcado para 11 de outubro, em Malmoe, na Suécia – país onde a seleção já jogou no mês passado – será seguido por outro jogo pouco empolgante, contra o Japão, no dia 16, em Wroclaw, na Polônia. O compromisso com os asiáticos, aliás, marca a milésima partida da história da seleção brasileira. Seria uma boa oportunidade de fazer um grande jogo, contra um rival tradicional, num palco histórico do futebol mundial. A chance, porém, foi desperdiçada.

Ainda há uma última alternativa para a CBF arrumar uma partida relevante para a equipe de Mano em 2012 – o calendário da Fifa prevê mais uma data para jogos internacionais, em 14 de novembro. Andrés promete seguir tentando agendar um duelo mais difícil, mas essa decisão, por incrível que pareça, não está nas mãos dele. Nem mesmo o presidente da CBF, José Maria Marin, tem o controle sobre a agenda de jogos da seleção. No apagar das luzes de sua gestão, Ricardo Teixeira assinou um contrato que cede à empresa saudita ISE todos os amistosos do Brasil pelos próximos dez anos. Em parceria com a britânica Pitch, que responde pela organização das partidas, a ISE pode definir adversários e locais das partidas. Pelo contrato, a CBF ganha pouco mais de 1 milhão de dólares a cada amistoso. No fim de semana, Marin reconheceu ser incapaz de resolver o problema. “Eu sou o maior interessado em ver a seleção enfrentando seleções fortes. Quero jogar contra equipes grandes. Mas não depende só de mim”, lamentou. “Se algum país se oferece para jogar com a seleção, eu posso até falar que quero, mas tem que passar pela ISE.” Antes da Copa das Confederações, só dois amistosos realmente interessantes já estão confirmados, ambos contra a Inglaterra, em Londres e no Rio. Mas foi uma iniciativa dos cartolas ingleses, que procuraram a CBF porque queriam a seleção nas comemorações do centenário de sua federação de futebol.

17/09/2012

às 14:57 \ Seleção Brasileira

Neymar vai a festa da Globo, perde voo e frustra torcida

O técnico da seleção brasileira, Mano Menezes, costuma defender abertamente a mudança de Neymar para a Europa – para ele, o craque do Santos se desgasta demais com compromissos fora de campo. Nesta segunda-feira, Mano ganhou mais um motivo para reclamar da rotina de seu principal jogador: Neymar perdeu o voo de São Paulo para Goiânia, onde a seleção se concentra para enfrentar a Argentina, na quarta. No fim da manhã, a seleção já estava reunida no hotel em que ficará hospedada na capital goiana. Enquanto isso, Neymar e um de seus colegas de Santos, o volante Arouca, avisavam que só conseguiriam desembarcar à tarde, horas antes do primeiro treino da equipe, às 17 horas, no CT do Goiás. A torcida ficou decepcionada com a ausência do astro no desembarque da equipe – como é de costume nas cidades visitadas por Neymar, crianças com o mesmo corte de cabelo do ídolo estavam no aeroporto para tentar um autógrafo ou uma foto. Neymar, que vem sendo submetido a uma rotina extenuante tanto pelo Santos como pela seleção, teria tempo de sobra para pegar o avião na manhã desta segunda – o voo de sua equipe, que jogou em Curitiba pelo Brasileirão, chegou a São Paulo na noite de domingo. Mas o fim de semana de Neymar ainda não havia terminado: o craque foi para a festa de encerramento do quadro “Dança dos Famosos”, do Domingão do Faustão, da TV Globo (na foto ao lado), no Cafe de la Musique. Mano não deve ter gostado do atraso, mas Neymar está garantido como titular na partida de quarta, às 22 horas, no Estádio Serra Dourada.

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11/09/2012

às 13:29 \ Brasil-2014, Seleção Brasileira, Seleções

Vem aí um teste de verdade: Brasil x Espanha

Espanha x Brasil em 1999

O último duelo, em 1999: 0 a 0 em Vigo

Quem não se convenceu com a goleada do Brasil contra a frágil China, na noite de segunda-feira, no Recife, terá uma chance de avaliar melhor o poder de fogo da equipe de Mano Menezes nos próximos meses, quando a equipe deverá enfrentar a melhor seleção do planeta. De acordo com reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal espanhol As, os dois líderes da Espanha, o meia Xavi e o goleiro e capitão Casillas, querem que sua equipe, atual campeã mundial e bicampeã europeia, ganhe uma oportunidade de medir forças com o Brasil. A dupla, que comandou a seleção espanhola nas históricas conquistas dos últimos anos, levou o pedido ao presidente da federação local, Ángel Villar, que concordou com Xavi e Casillas e prometeu viabilizar o amistoso. Villar chegará a São Paulo no fim de novembro, para participar do sorteio dos grupos da Copa das Confederações, e aproveitará a viagem para negociar detalhes da partida. A CBF também tem interesse no duelo, que é cogitado desde a Copa de 2010 e só não ocorreu até agora por falta de acerto financeiro.

O diário espanhol informa que a companhia energética Iberdrola, patrocinadora da seleção, quer bancar a partida. Outras empresas também se candidatam a realizar o jogo, entre elas uma promotora de eventos britânica, que levaria o amistoso a Londres, e outra do Catar, que aceitaria pagar até 4 milhões de euros para cada seleção, além da venda de placas de publicidade e direitos de transmissão de TV. Não são apenas Xavi e Casillas que defendem a realização do amistoso: os brasileiros Marcelo, do Real Madrid, e Daniel Alves, do Barcelona, também já disseram que chegou a hora de testar a seleção contra os espanhóis. Uma das dificuldades para marcar o superjogo é a falta de datas disponíveis. Enquanto o Brasil está sempre à procura de adversários para amistosos – afinal, não disputa as Eliminatórias, por ser país-sede da Copa do Mundo -, a Espanha inicia justamente nesta sexta sua campanha rumo a 2014. No calendário da Fifa, há três possibilidades até a Copa das Confederações de 2013: 14 de novembro, 6 de fevereiro e 4 de junho.

Para 14 de novembro, falta pouco tempo; em 4 de junho, as equipes já estarão concentradas para a Copa das Confederações, que começa no dia 15. Resta, portanto, 6 de fevereiro de 2013, dia em que tanto o Brasil como a Espanha estão livres para disputar amistosos, sem compromissos com Eliminatórias. O confronto entre Brasil e Espanha é aguardado desde 2009, na última Copa das Confederações. Naquela ocasião, os espanhóis já eram campeões europeus e apareciam como fortes candidatos à conquista do Mundial da África do Sul, mas o Brasil era líder do ranking da Fifa e também surgia como favorito na Copa. A seleção brasileira foi a campeã do torneio, mas não teve chance de encarar os espanhóis, derrotados pelos EUA na semifinal. Brasil e Espanha não se enfrentam desde novembro de 1999, quando empataram sem gols num amistoso disputado em Vigo (confira abaixo a ficha do jogo).

Espanha 0 x 0 Brasil, Vigo, 13 de novembro de 1999
Espanha: Molina; Salgado, Paco, Abelardo e Sergi; Guardiola, Etxeberria, Valerón e Luís Enrique; Raúl e Morientes. Técnico: José Antonio Camacho
Brasil: Marcos; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Marcos Assunção, Émerson, Zé Roberto e Rivaldo; Sonny Anderson e Élber. Técnico: Candinho

O Brasil não levou todos os seus titulares para o jogo – e nem o técnico Vanderlei Luxemburgo apareceu (o auxiliar Candinho assumiu a função). Na partida, que comemorou o centenário da federação espanhola, a equipe da casa foi dirigida por José Antonio Camacho – que, na noite de segunda, estava no banco da China no massacre sofrido contra o Brasil. Outra curiosidade: apesar de já contar treze anos sem enfrentar a Espanha, o Brasil fez diversas partidas no país nesse período, muitas delas em ocasiões festivas. Foram dois jogos contra a seleção da Catalunha (em 2004 e 2002), um contra o Sevilha (em 2005), um contra o Athletic Bilbao (em 1998) e outro contra o Barcelona, no centenário do clube catalão (em 1999). Em Copas do Mundo, o Brasil já pegou a Espanha em cinco ocasiões: venceu por 1 a 0 no México-1986 (no vídeo abaixo), empatou em 0 a 0 na Argentina-1978, ganhou por 2 a 1 no Chile-1962, goleou por 6 a 1 no Brasil-1950 e perdeu por 3 a 1 na Itália-1934.

11/09/2012

às 9:05 \ Seleção Brasileira

A cidade que adora empurrar a seleção

A torcida da seleção no Recife (Foto: Mauro Akin Nassor/Fotoarena)

A cidade do Recife, em Pernambuco, se divide entre três torcidas apaixonadas: Sport e Náutico, na primeira divisão, e Santa Cruz, na terceira. A paixão pelo futebol só consegue unir os fanáticos torcedores quando o assunto é seleção brasileira. O Brasil já empatou sem gols com a seleção pernambucana, em 1978, e viu Zico fazer um dos seus melhores jogos com a camisa amarela, na vitória por 4 a 2 sobre a Iugoslávia, em abril de 1986, com três gols do meia do Flamengo. Mas um jogo é marcante na história da seleção na capital pernambucana: a vitória sobre a Bolívia por 6 a 0, em 1993, nas Eliminatórias para a Copa de 1994, nos Estados Unidos (confira as imagens da partida no vídeo abaixo). A equipe de Carlos Alberto Parreira, em má fase, vinha desacreditada até a partida no Estádio do Arruda. Antes de entrar em campo, o zagueiro Ricardo Rocha pediu que os jogadores entrassem de mãos dadas, uma forma de sinalizar que a equipe estava unida. A convincente vitória por 6 a 0 foi o ponto de virada para o Brasil garantir a vaga no Mundial. No ano seguinte, a equipe conquistou o tetracampeonato nos EUA.

Passadas quase duas décadas, a seleção brasileira voltou ao Recife, de novo sob desconfiança, pressionada mais uma vez. Aos visitantes, os torcedores locais explicam que virou quase um ritual apoiar a equipe quando ela está em baixa, assim como aconteceu em 1993. O apoio ao time não é coincidência: na semana que antecede um jogo do Brasil, o assunto na cidade é justamente a chance de aplaudir e tranquilizar a seleção. Coincidência ou não, os quase 30.000 torcedores que compraram ingressos para o amistoso de segunda-feira, contra a China, viram outra demonstração de união do grupo, assim como em 1993: na hora de cantar o hino nacional , saiu a tradicional mão no peito e entrou um abraço coletivo. Era outro gesto combinado pelos jogadores, assim como a entrada de mãos dadas, para mostrar que a equipe está disposta a se dedicar muito em busca de um bom futebol para vencer a Copa de 2014. Os jogadores corresponderam em campo ao carinho do torcedor e massacraram a fraquíssima seleção chinesa por 8 a 0, com direito a fartos aplausos e muita comemoração nos gols. Assim, a equipe de Mano Menezes sai de Recife, mais uma vez, com uma sensação de alívio e com a confiança recuperada para os dois amistosos contra a Argentina, em 19 de setembro (em Goiânia) e 3 de outubro (em Resistencia).

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Galeria de fotos: Cenas do amistoso de segunda no Recife 

(Davi Correia, do Recife)

06/09/2012

às 10:10 \ Seleção Brasileira

CBF abre o treino para atrair o torcedor

A seleção no CT do São Paulo (Foto: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

Preocupada com o distanciamento entre a seleção brasileira e os torcedores, a CBF decidiu abrir ao público o treino desta quinta-feira, no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Será a última sessão de preparação para o amistoso de sexta, no próprio Morumbi, contra a África do Sul. O treinamento está marcado para as 16 horas. De acordo com a CBF, o torcedor que quiser entrar no estádio terá de levar um quilo de alimento não perecível. Até a noite de quarta, os torcedores paulistanos tinham comprado só a metade dos ingressos para o amistoso – dos 64.197 bilhetes disponíveis, 32.000 foram vendidos, com preços entre 80 reais e 300 reais. Só dois setores, os de arquibancada azul e vermelha, estavam esgotados. Os integrantes da equipe sabem que é necessário reconquistar a confiança do torcedor depois da derrota na final do torneio olímpico de futebol, contra o México.

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Nas entrevistas de quarta-feira, os jogadores pediram o apoio do público. “Espero que os torcedores estejam no estádio para incentivar a gente. Futebol sem torcida fica meio chato. O público é a cereja do bolo. Espero que eles lotem o Morumbi”, disse Neymar. Outro titular da equipe, o meia Oscar, disse que não teme a pressão da torcida paulista, que já vaiou a seleção em várias ocasiões. “Se o time jogar bem, o torcedor virá junto com a gente. O brasileiro gosta de sua seleção e vai nos apoiar”, garante o atleta do Chelsea. Para Neymar, uma das razões para tamanha exigência da torcida local é a história da seleção. “Uns viram o Pelé jogar, outros viram o Romário, outros viram o Ronaldo… Estão todos mal acostumados, porque esse caras fizeram de tudo pela Seleção. Nossa função é trabalhar para levar a alegria de volta ao torcedor e reconquistá-lo.”

05/09/2012

às 10:15 \ Seleção Brasileira

Amistosos em casa: rivais fracos, torcida desanimada

A seleção brasileira não joga em São Paulo há mais de um ano. No amistoso de sexta-feira, no Morumbi, contra a África do Sul, ídolos de três grandes clubes paulistas estarão em campo no time titular – Neymar (Santos), Lucas (São Paulo) e Paulinho (Corinthians). O jogo inaugura uma fase decisiva da equipe, em que o técnico Mano Menezes começa a definir a base da equipe para a Copa do Mundo de 2014. E, para completar, a partida acontece na tarde de um feriado. Ainda assim, o amistoso pode acontecer com o estádio quase vazio. Das 64.197 entradas colocadas à venda, só 26.736 ingressos foram comprados até a tarde de terça-feira (o site da CBF informa como comprar os bilhetes, que seguem à venda até o dia do jogo). Talvez seja culpa dos preços – um ingresso de arquibancada custa 80 reais, e uma cadeira especial sai por 300. Talvez o problema seja o péssimo momento da seleção, que viu o sonho do ouro olímpico escapar na final contra o México, em Londres, e não apresenta um bom futebol há muito tempo. Uma coisa é certa: o adversário não ajuda.

O Brasil continua mal no ranking de seleções da Fifa – na lista divulgada nesta quarta-feira, subiu apenas uma posição, chegando ao 12º lugar, atrás de Grécia, Dinamarca e Croácia. A adversária de sexta, porém, não aparece nem entre as 50 melhores da atualidade. Na nova edição do ranking, a África do Sul é a 74ª colocada. A seleção anfitriã da última Copa do Mundo perdeu sete posições desde a última lista. É preciso dar razão ao torcedor: sair de casa para ver uma equipe tão frágil não é um dos programas mais atrativos para um feriado. É bastante provável que o jogo parasse a cidade mais populosa do país caso o adversário na sexta fosse de primeira linha, como a Espanha campeã europeia e mundial, a fortíssima Alemanha, a tradicionalíssima Itália. Mas é difícil lembrar da última vez que a seleção recebeu uma adversária desse porte no país.

Com exceção dos duelos contra Argentina e Uruguai, muitos deles pelas Eliminatórias, os últimos adversários fortes que vieram ao Brasil foram a Holanda (num amistoso cheio de desfalques, em Goiânia, no ano passado) e Portugal (em 2008, no Distrito Federal, com Cristiano Ronaldo em campo e goleada de 6 a 2 do Brasil). Na terça-feira, enquanto os organizadores da partida de sexta divulgavam o decepcionante número de ingressos vendidos até agora, o amistoso de quatro anos atrás, no Gama, voltava ao noticiário – e pelas piores razões possíveis. A Secretaria de Transparência e Controle do DF anunciou a conclusão da auditoria no contrato do amistoso entre Brasil e Portugal e recomendou que o valor gasto com o evento festivo – 9 milhões de reais – seja devolvido aos cofres públicos. Na ocasião, a administração do então governador José Roberto Arruda contratou a empresa Ailanto Marketing bancou a partida sem cumprir os requisitos mais básicos previstos pela legislação brasileira. A Ailanto (que tem entre seus sócios o presidente do Barcelona, Sandro Rosell) recebeu até parte do pagamento de forma antecipada.

Depois da passagem pelo Brasil (além do jogo em São Paulo, a seleção pega a China, 78ª colocada no ranking da Fifa, no Recife), a seleção fará seu próximo amistoso bem longe de sua torcida – em Wroclaw, na Polônia, em 16 de outubro, contra o Japão. Será o primeiro jogo do Brasil sob a gestão da empresa britânica Pitch, que agora detém o direito de promover os jogos não-oficiais da equipe. A companhia comprou o contrato da ISE, da Arábia Saudita, que fechou negócio com o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, apenas quatro meses antes de sua renúncia. O acordo se estende por dez anos, até 2022. Como a Pitch é britânica e pagou muito dinheiro pelo contrato, acredita-se que o Brasil continuará fazendo suas partidas mais atraentes na própria Europa (em Londres, jogou nada menos que nove vezes desde 2006, incluindo amistosos contra Itália e Inglaterra). Ao torcedor local, resta se contentar em ver de perto o futebol de sul-africanos e chineses.

04/09/2012

às 10:50 \ Brasil-2014, Seleção Brasileira

A estrada até 2014: mudar para vencer

A seleção brasileira está concentrada desde a tarde de segunda-feira, em São Paulo, para disputar os jogos contra a África do Sul (na sexta, no Morumbi) e a China (próxima segunda, no Recife). Os adversários são frágeis e as partidas são apenas amistosas, mas os 21 atletas convocados pelo técnico Mano Menezes se apresentaram com um objetivo em comum: todos querem agarrar a oportunidade e começar a garantir um lugar no grupo que disputará a Copa do Mundo de 2014. Para alguns, como Neymar e Lucas (na foto acima), a tarefa é mais simples – eles já são vistos como peças importantes para o futuro da seleção. Para muitos outros, como Diego Alves, Cássio, Adriano, Dedé, Rever, Alex Sandro, Paulinho, Arouca, Ramires e Jonas, a missão é muito mais árdua, pois ainda precisam convencer tanto o treinador como o torcedor de que merecem vestir a camisa amarela no Mundial que será disputado em casa.

Quem está de fora, porém, não deve se desesperar. O retrospecto da seleção antes das últimas quatro Copas mostra que a equipe costuma sofrer numerosas mudanças nos dois últimos anos de preparação para o torneio (confira nas escalações a seguir). Na média, metade da equipe acaba mudando nessa metade final do caminho entre um Mundial e outro. Curiosamente, as equipes que mais mudaram foram as mais bem-sucedidas na Copa – em 1994, 1998 e 2002, entre seis e oito titulares foram substituídos nos dois anos que antecederam o evento. Nessas três Copas, o Brasil chegou à final (ganhou duas e perdeu uma). Quando mudou menos, em 2006 e 2010, parou nas quartas. Pode ser um bom exemplo para Mano Menezes, que tem encontrado dificuldades para armar uma equipe convincente. Talvez seja a hora de dar início ao processo de transformação que levará à montagem do time do hexa. Como mostraram os técnicos Parreira, Zagallo e Felipão, ainda dá tempo.

1994 (Brasil campeão)

Time titular a dois anos da Copa: Taffarel; Jorginho, Mozer, Aldair e Branco; Mauro Silva, Dunga, Luís Henrique e Valdo; Bebeto e Valdeir (Milan 0 x 1 Brasil, Milão, 19/5/1992)
Time titular na estreia no Mundial: Taffarel; Jorginho, Ricardo Rocha, Márcio Santos e Leonardo; Mauro Silva, Dunga, Raí e Zinho; Bebeto e Romário (Brasil 2 x 0 Rússia, São Francisco, 20/6/1994)
O que mudou: Seis jogadores na escalação; Carlos Alberto Parreira reprovou jogadores como Luís Henrique, Valdo e Valdeir e aceitou a volta de Romário, que estava afastado

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1998 (Brasil vice-campeão)

Time titular a dois anos da Copa: Carlos Germano; Cafu, Gonçalves, André Cruz e André; Zé Elias, Amaral, Leonardo e Giovanni; Donizetti e Ronaldo (Rússia 2 x 2 Brasil, Moscou, 28/8/1996)
Time titular na estreia no Mundial: Taffarel; Cafu, Júnior Baiano, Aldair e Roberto Carlos; Dunga, César Sampaio, Rivaldo e Giovanni; Ronaldo e Bebeto (Brasil 2 x 1 Escócia, Paris, 10/6/1998)
O que mudou: Oito jogadores na escalação; Zagallo reprovou jogadores como André, Zé Elias, Amaral e Donizetti e entregou a camisa 10 a Rivaldo

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2002 (Brasil campeão)

Time titular a dois anos da Copa: Dida; Cafu, Antônio Carlos, Aldair e Roberto Carlos; Émerson, César Sampaio, Alex e Rivaldo; Edmundo e França (Peru 0 x 1 Brasil, Lima, 4/6/2000)
Time titular na estreia no Mundial: Marcos; Lúcio, Edmílson e Roque Júnior; Cafu, Gilberto Silva, Juninho Paulista, Rivaldo e Roberto Carlos; Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho (Brasil 2 x 1 Turquia, Ulsan, 3/6/2002)
O que mudou: Oito jogadores na escalação e a formação do time, do 4-4-2 para o 3-5-2; Vanderlei Luxemburgo perdeu o emprego e Luiz Felipe Scolari assumiu o cargo

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2006 (Brasil eliminado nas quartas)

Time titular a dois anos da Copa: Dida; Cafu, Juan, Roque Júnior e Roberto Carlos; Edmílson, Juninho Pernambucano, Edu e Kaká; Ronaldo e Luís Fabiano (Chile 1 x 1 Brasil, Santiago, 6/6/2004)
Time titular na estreia no Mundial: Dida; Cafu, Lúcio, Juan e Roberto Carlos; Émerson, Zé Roberto, Kaká e Ronaldinho Gaúcho; Adriano e Ronaldo (Brasil 1 x 0 Croácia, Berlim, 13/6/2006)
O que mudou: Cinco jogadores na escalação; Carlos Alberto Parreira reprovou jogadores como Edu e Luís Fabiano e, no caminho até a Copa, montou o “quadrado mágico”

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2010 (Brasil eliminado nas quartas)

Time titular a dois anos da Copa: Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro, Josué e Diego; Robinho e Luís Fabiano (Paraguai 2 x 0 Brasil, Assunção, 15/6/2008)
Time titular na estreia no Mundial: Júlio César; Maicon, Lúcio, Juan e Michel Bastos; Gilberto Silva, Felipe Melo, Elano e Kaká; Robinho e Luís Fabiano (Brasil 2 x 1 Coreia do Norte, Johannesburgo, 15/6/2010)
O que mudou: Quatro jogadores na escalação; Dunga manteve o cargo e preservou a mesma base até a Copa

Fotos: CBF/Divulgação

12/07/2010

às 8:43 \ Seleção Brasileira

Felipe Melo: ‘De forma alguma sou vilão’

O lance da expulsão do jogador, na partida em que a Holanda eliminou o Brasil (Foto: AFP)

Felipe Melo recusou o título de “vilão” da eliminação do Brasil nas quartas-de-final da Copa do Mundo 2010. Em entrevista à TV Globo, o volante disse que sua expulsão na partida contra a Holanda não pode apagar o que fez de bom pela Seleção Brasileira.

“De forma alguma sou o vilão. Parece que tudo o que o Felipe Melo faz é errado. As coisas boas as pessoas esquecem. Tudo o que eu fiz não pode ser apagado por um cartão vermelho”, declarou, salientando que quer disputar o Mundial de 2014, no Brasil. “Meu sonho ainda não acabou.”

Ele admitiu ter perdido a cabeça no lance da expulsão, mas afirmou que isso aconteceu porque tinha muita vontade de ajudar o time a vencer.  “Naquele momento, perdendo o jogo por 2 a 1 e com as jogadas não dando certo, acabei fazendo uma falta mais forte. Mas de forma alguma eu entrei para ‘quebrar’. Se eu quisesse entrar para ‘quebrar’ o Robben, ele não voltaria mais para o campo.”

Ao falar de seu comportamento em campo, o jogador fez questão de destacar que não é “mau caráter”. “Eu sou um jogador de caráter muito forte, dentro de campo tenho uma garra muito grande. Mas as pessoas veem isso de outra forma.”

08/07/2010

às 7:44 \ Brasil-2014, Seleção Brasileira

2014: preparativos ‘relativamente em dia’

Em Johannesburgo: Teixeira, Romário e Parreira em entrevista coletiva nesta quinta (Foto: AFP)

Os prazos estão apertados, mas o Brasil não está tão atrasado quanto se pensa para realizar as obras necessárias para a Copa do Mundo de 2014. De acordo com o presidente da CBF e do comitê organizador do Mundial no Brasil, Ricardo Teixeira, o país está fazendo o necessário e cumprirá todas as exigências da Fifa. “As coisas estão relativamente em dia”, afirmou ele nesta quinta-feira, em Johannesburgo. “Alguns estádios já começaram os trabalhos. Na quarta, em Brasília, já foi definida a concorrência e o valor a ser gasto nas obras. Minas Gerais já está bem. Temos o problema de São Paulo, que todos já conhecem. Temos uma certa dúvida em relação a Curitiba, pelo problema de garantia financeira. E todos os ensinamentos que pudermos tirar do que aconteceu aqui na África do Sul são importantes”, afirmou.

Teixeira disse que o primeiro evento oficial ligado à Copa no Brasil acontecerá no dia 31 de julho, com o sorteio das chaves das Eliminatórias. Apesar do pouco tempo para o sorteio, o local ainda não está definido. “Vamos começar agora a olhar qual é a melhor cidade para receber o evento.” Na quarta, o dirigente jantou com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, mas disse que não definiu nada em relação à pendência do estádio na maior cidade do país. “Vamos tratar desse assunto específico de São Paulo só na volta. O prazo, é lógico, está se afunilando.” O local de concentração da seleção brasileira, porém, desde já está definido: será o Rio de Janeiro, onde a CBF prepara a construção de sua nova base de operações. “Será a sede da CBF, a concentração da seleção e também o museu do futebol brasileiro. O projeto já está em andamento.”

Maior país a realizar uma Copa do Mundo desde os Estados Unidos, em 1994, o Brasil deverá mesmo dividir seu território em quatro regiões para distribuir os grupos entre elas, evitando que seleções e torcedores tenham que cruzar o país a cada partida. Nas últimas Copas, as seleções podiam jogar em diversas sedes diferentes desde a fase de grupos. Em 2014, porém, cada equipe poderá ficar restrita a uma só região, para que não perca tanto tempo fazendo longas viagens. “Isso seria feito para evitar que ocorram grandes deslocamentos, principalmente de torcedores, por causa das grandes distâncias. Mas ainda não temos uma definição”, disse Teixeira. A Fifa, porém, já fala há vários meses na ideia da divisão regional – até para evitar que os ingressos encalhem, já que o custo das viagens para os torcedores seria grande demais se cada seleção ficasse mudando de região a cada partida.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

 

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