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Arquivo da categoria África do Sul

12/07/2010

às 9:50 \ África do Sul, Brasil-2014

Brasil-2014: o que copiar (e o que mudar)

Na noite de domingo, a Copa do Mundo era da África do Sul. Na manhã desta segunda-feira, ela está nas mãos do Brasil, que tem quatro anos para preparar a festa. O primeiro Mundial realizado em continente africano pode ser considerado um bom ensaio aos brasileiros – afinal, assim como no Brasil, o desafio dos sul-africanos era realizar uma festa bem-sucedida e empolgante, mas dentro de suas possibilidades. A anfitriã do Mundial-2010 gastou mais do que devia, mas deu conta do recado. No geral, foi um sucesso. Mas não faltaram alguns tropeços, inevitáveis quando se trata de um evento de proporções tão monumentais. A seguir, alguns exemplos sul-africanos que o Brasil deve seguir no caminho até 2014 – e outros que devem ser driblados para sediar uma Copa ainda melhor dentro de quatro anos:

O QUE O BRASIL DEVERIA COPIAR

Foi num aeroporto sul-africano que aconteceu a maior falha da Copa da África do Sul. Nas horas que antecederam o jogo de semi entre Alemanha e Espanha, em Durban, o aeroporto King Shaka ficou congestionado e não deu conta de todos os pousos previstos. Muitos torcedores perderam a partida. O episódio está sob investigação, mas parece ter sido um caso de falha isolada, com uma soma de problemas inesperados. No geral, a estrutura aeroportuária sul-africana funcionou bem e aguentou o tranco. Aeroportos menores, como o de Port Elizabeth e Bloemfontein, foram reformados e readequados à demanda, mas sem exageros desnecessários para o futuro. Os maiores, como o de Johannesburgo, sofreram intervenções mais radicais. Não houve caos nem mesmo nos dias de maior concentração de torcedores. Como os aeroportos são o ponto crítico do projeto brasileiro, vale a pena usar os exemplos.

A preocupação com a criminalidade foi uma característica comum nas candidaturas da África do Sul e do Brasil. Com treinamento incansável, qualificação das forças de segurança e reforço material e de pessoal na polícia, os sul-africanos realizaram uma Copa sem casos graves de violência urbana. Os assaltos, inevitáveis em qualquer grande cidade, aconteceram, é claro. Mas nem de longe chegaram ao número que se temia antes da Copa. Entre as dezenas de milhares de turistas que desembarcaram no país, a opinião mais frequente é de que a sensação de segurança durante o Mundial foi muito maior do que se esperava. Ponto para 2010 – e modelo a ser estudado para 2014.

O QUE O BRASIL PODE MELHORAR

Os estádios construídos para o Mundial de 2010 foram palcos mais do que adequados para receber o torneio. Três deles – Soccer City, em Johannesburgo, Moses Mabhida, de Durban, e Green Point, na Cidade do Cabo – estão entre os melhores do mundo (e, de quebra, também figuram entre os mais bonitos do planeta). Nos estádios menores, não havia o mesmo conforto nem o mesmo luxo, mas todos funcionavam bem para receber partidas de menor destaque. Mas dois aspectos importantes preocupam: os custos ficaram muito acima do previsto inicialmente e pelo menos quatro estádios (Nelspruit, Rustemburgo, Port Elizabeth e Polokwane) devem ficar às moscas a partir de agora. Para 2014, a lição é não descuidar dos cofres e evitar o nascimento de elefantes brancos.

O transporte público, setor problemático em muitas das sedes sul-africanas da Copa, recebeu investimentos multimilionários na contagem regressiva para o Mundial. Dessas obras resultaram corredores de ônibus, novas linhas de trem e frotas renovadas nos sistemas de transporte urbano. Ainda assim, faltaram opções de transporte coletivo em quase todas as sedes. Em outros casos, as obras previstas não ficaram prontas a tempo – em Johannesburgo, por exemplo, a renovação do sistema de ônibus não chegou a ser totalmente concluída. Assim como a África do Sul, o Brasil precisa investir em transporte em muitas de suas sedes. Mas o desafio é fazer isso dentro dos prazos – e com projetos bem feitos, capazes de realmente transformar a locomoção nas cidades.

O QUE O BRASIL PRECISA MUDAR

Os gastos com o Mundial passaram dos limites, apesar das promessas de que a Copa seria feita dentro das possibilidades que o país oferecia. Os prazos para as obras ficaram no limite, os trabalhos tiveram de ser acelerados e os custos dispararam. Para complicar a situação, os sul-africanos ficaram reféns de sindicatos ligados à construção dos estádios e à prestação de vários serviços ligados ao Mundial. Perto do fim das obras, inúmeras greves atrapalharam o andamento dos preparativos – e gastou-se ainda mais dinheiro para resolver esses impasses. Esse é o desafio número um do Brasil: não gastar mais do que pode ou deve.

A preparação dos sul-africanos que receberam os turistas deixou a desejar em muitas das sedes de 2010. Funcionários treinados e capazes de ajudar apareciam com frequência nos estádios, locais históricos, atrações turísticas, lojas e restaurantes. Mas, com frequência parecida, os visitantes se deparavam com pessoas que não tinham sido preparadas para acolher os torcedores de outros países. No caso do Brasil, a atenção que deve ser dispensada a esse treinamento é ainda maior – afinal, se houve falha de comunicação num país em que o inglês é um dos idiomas oficiais, mais difícil ainda será num lugar onde se fala português.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

12/07/2010

às 9:41 \ África do Sul

África do Sul: agora, uma Olimpíada e F-1

A festa de encerramento do Mundial: show à moda sul-africana (Foto: AP)

Foi um grande sucesso, com alguns tropeços que não atrapalharam a avaliação final. E com o fim da primeira Copa do Mundo num país africano, a anfitriã África do Sul começa a ensaiar seus próximos passos. O trabalho de recolocar o país no mapa depois das décadas de trevas do apartheid registrou um avanço monumental com o Mundial. Agora é a hora de aproveitar o embalo para conseguir subir mais alguns degraus. Nos negócios e nas relações com o resto do mundo, o impacto só vai começar a ser sentido a partir de agora – e ainda há as contas a pagar em função da realização da Copa no país. Mas no âmbito esportivo, já surgem os primeiros frutos da organização exemplar do Mundial deste ano. A começar pela provável inclusão do país entre as sedes das provas do circo da Fórmula 1.

No domingo, o principal dirigente da categoria, Bernie Ecclestone, confirmou que há planos de colocar a África do Sul de volta no roteiro das corridas, possivelmente na Cidade do Cabo, num novo circuito, que ficaria pronto dentro de três anos. A África do Sul não recebe um Grande Prêmio desde 1993 – as corridas eram realizadas em Kyalami, circuito próximo de Pretória. O outro sonho sul-africano – esse, muito mais ambicioso – é repetir a façanha inédita da Copa trazendo ao continente, pela primeira vez na história, uma edição dos Jogos Olímpicos. De novo, a Cidade do Cabo seria uma candidata natural – já chegou até a concorrer oficialmente. Mas é fortíssima a tendência de que a também litorânea Durban seja a concorrente na próxima eleição do COI, que escolherá a sede da Olimpíada de 2020.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 15:31 \ África do Sul

Um invasor em campo e vaias para Zuma

A impecável festa preparada pelos sul-africanos antes da final da Copa do Mundo ficou a centímetros de ser estragada por um invasor de campo, nocauteado por um segurança quando já esticava a mão para agarrar a taça Fifa. O invasor entrou pelo lado oposto ao túnel que trazia as seleções, momentos antes da entrada dos times. Foi contido pelos policiais e arrastado pelo campo até o próprio túnel. Os jogadores, pegos de surpresa, demoraram a notar o que tinha ocorrido. Logo em seguida, o sistema de som do estádio anunciou a entrada dos presidentes da Fifa, Joseph Blatter, e da África do Sul, Jacob Zuma. Vaias receberam a dupla.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 14:48 \ África do Sul

No adeus, festa com luzes, música e dança

A África do Sul começou a se despedir da Copa do Mundo com um belo espetáculo neste domingo, no estádio Soccer City. O show de encerramento do Mundial foi empolgante, colorido e criativo. Não houve cenários suntuosos nem números ensaiados demais – o espetáculo teve a cara da África do Sul, com música, dança e muita espontaneidade. O país mostrou o que dele se espera, com referências à natureza e às tradições africanas, mas sempre com um sabor contemporâneo, tentando fugir do óbvio. O primeiro número músical foi o de Shakira, com a música-tema da Copa, Waka Waka (na foto abaixo). O ponto alto do show foi sem dúvida a iluminação que transformou o estádio Soccer City num grande telão – o gramado projetou imagens diversas, desde lances do torneio até todas as bandeiras dos países participantes. O melhor momento foi a apresentação do grupo vocal sul-africano Ladysmith Black Mambazo, com a música Rain, acompanhada da entrada de alegorias representando elefantes, que caminhavam ao redor de uma lagoa projetada no centro do gramado. Foi um show na medida certa: zero de ostentação, muita inventividade e belas cenas para entreter uma plateia que, pouco mais de uma hora depois, passaria momentos de nervosismo extremo torcendo por suas seleções.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 14:23 \ África do Sul

Ele enfim surgiu, sorrindo como sempre

Madiba, Graça e o grande momento da Copa: momento de emoção no estádio Soccer City (Foto: AP)

Às 19h13 deste domingo, pouco mais de uma hora antes da final da Copa do Mundo, a África do Sul enfim trouxe a campo seu grande campeão. Minutos depois do encerramento da festa que precedia a partida, ainda com as luzes apagadas, o locutor do estádio anunciou a entrada de Nelson Mandela no gramado. Sentado num carrinho elétrico, muito agasalhado, com um chapéu de pele à moda russa na cabeça, o ícone sul-africano estava acompanhado da mulher, Graça Machel. Para os que duvidavam de sua presença nesta final, bastou que o lendário ex-presidente abrisse seu inimitável sorriso para convencer a todos de que Madiba estava mesmo no estádio Soccer City. Com a ajuda de Graça, acenou para o público, olhou ao redor e continuou com sorriso aberto até a hora de deixar o gramado, cerca de três minutos depois.

Na entrada do túnel, foi recebido pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, e pelo secretário-geral da entidade, Jerome Valcke. Ambos queriam que o ex-presidente entregasse a taça ao capitão da seleção campeã. Seria muito a pedir, até mesmo quando se trata de alguém com poderes claramente sobrehumanos. Perto de completar 92 anos – seu aniversário é na semana que vem -, Mandela teria de suportar o frio e pelo menos três horas na tribuna caso pudesse mesmo fazer a entrega da taça. A família queria que ele assistisse à final em casa. Madiba trocou algumas palavras com Blatter e Valcke, sorriu ainda mais e se despediu, deixando para trás a sensação inevitável de que esta é, de fato, uma Copa para entrar para a história.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 13:07 \ África do Sul, Fifa

A bola e a taça, com a marca do campeão

A Jabulani mudou de cor e de nome para a finalíssima deste domingo, entre Espanha e Holanda. Repetindo o que já aconteceu na Alemanha-2006, a bola oficial terá detalhes em dourado, em referência ao ouro da taça Fifa. Como nos outros jogos, terá ainda os nomes dos países envolvidos e a data da partida – mas, ao invés de Jabulani, terá a inscrição Jo’bulani, em referência ao apelido de Johannesburgo, “Joburg”, local da decisão. Assim como a bola, a taça também passará a carregar o nome do campeão. A base do troféu já tem os nomes de todas as seleções ganhadoras da Copa desde 1974 – até 1970, o campeão levava a taça Jules Rimet, conquistada em definitivo pelo Brasil. Há espaço para os ganhadores de todas as Copas até a de 2038. Depois de erguer a taça original, o campeão ganha uma réplica para levar para casa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 12:45 \ África do Sul, Fifa

A pontual cerimônia da Fifa, lance a lance

A menos de duas horas do apito inicial da decisão da Copa do Mundo, as arquibancadas ainda estão quase vazias, e o gramado do estádio Soccer City está coberto pelas lonas que servirão de palco para a cerimônia de abertura. A Fifa promete uma festa pontualíssima, com seu show de música e dança começando exatamente às 13h45 (no horário de Brasília). Vinte e sete minutos depois, os funcionários e voluntários começam a limpar o campo para a partida. Têm exatos vinte minutos para concluir o trabalho. Transcorridos trinta segundos das 15h14, o italiano Cannavaro, capitão da seleção italiana campeã em 2006, entra no túnel que leva ao gramado com a taça Fifa em mãos.

Às 15h17, os jogadores titulares têm de deixar os vestiários. Dois minutos depois, fazem fila para subir ao campo. Os hinos nacionais estão marcados para 15h24, tempo suficiente para que o primeiro toque na bola seja dado quando o relógio marcar 15h30. Essa detalhada programação se estende até o fim da decisão, quando a Fifa reserva entre cinco e oito minutos para a comemoração dos campeões antes que a cerimônia de premiação tenha início. O troféu deve ser entregue ao capitão do time vencedor entre 15 e 18 minutos depois do apito final. Entre 24 e 27 minutos depois, termina oficialmente a Copa do Mundo de 2010 – e os telões do estádio Soccer City começam a exibir a mensagem: “Nos vemos no Brasil em 2014″.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

11/07/2010

às 10:58 \ África do Sul, Fifa

Lista VIP é longa. Mas Fifa quer Mandela

Quinze chefes de estado africanos, os maiores dirigentes do futebol mundial, representantes da realeza espanhola e holandesa e convidados especiais como o tenista Rafael Nadal, o ator Morgan Freeman, a top Naomi Campbell e o tenor Placido Domingo são algumas das presenças confirmadas para a final da Copa do Mundo, neste domingo, em Johannesburgo. Mas o convidado de honra da noite não tinha avisado se apareceria até o início da tarde (no horário local). O ícone sul-africano Nelson Mandela já tinha garantido que estaria presente à abertura, há exatamente um mês, mas a morte de sua bisneta, na madrugada do jogo, impediu a sua participação na festa. Sabendo que seria melhor adotar cautela para evitar uma nova decepção, a família de Mandela disse que a decisão só seria tomada no próprio domingo.

Na manhã deste domingo, um dos netos de Mandela reclamou da postura da Fifa – que, segundo ele, vem pressionando a família nos últimos dias para tentar convencê-la a trazer o ex-presidente ao estádio Soccer City. “Estamos sofrendo intensa pressão da Fifa pedindo que meu avô vá ao jogo”, disse Mandla “Chief” Mandela, o herdeiro do clã. “Mas a decisão é só dele. Depende de como ele acordar e de como se sentir pela manhã. Meu avô fará 92 anos na semana que vem, e o jogo acontecerá à noite. Eles querem que ele entregue o troféu ao campeão depois da partida, o que pode acontecer depois das 23 horas. Seria exigir muito dele.” A previsão do tempo indica temperatura mínima de 3 graus na noite deste domingo. Mandela, cuja saúde é muito frágil, não aparece em público desde o funeral de sua bisneta (na foto acima).

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

10/07/2010

às 12:59 \ África do Sul

Cannavaro, Tutu e a mala Louis Vuitton

Cannavaro (à esq.) e Tutu no museu: em Johannesburgo, astro é o arcebispo (Foto: Giancarlo Lepiani)

Capitão da seleção italiana tetracampeã em 2006 e garoto-propaganda-galã nas horas vagas, o italiano Fabio Cannavaro causou frisson neste sábado no Museu do Apartheid, em Johannesburgo. Apinhado de turistas e visitantes ilustres – como o escritor brasileiro Luís Fernando Veríssimo, que fazia compras na lojinha de presentes -, o museu parou para ver Cannavaro desfilar com ar cool e olhar entediado na entrada da exposição especial sobre Nelson Mandela. Lá dentro, porém, o astro virou fã, ao dar de cara com alguém que não ganhou uma Copa do Mundo, mas tem um Nobel da Paz em casa – o arcebispo Desmond Tutu.

O zagueiro abriu seu sorriso de playboy napolitano e cumprimentou Tutu – e saiu pelo canto, agora sem torcedores pedindo fotos, já que todas as atenções se viraram para o campeão do combate ao apartheid. O capitão e o arcebispo acabaram tirando fotos juntos cerca de meia hora depois, numa pequena sala reservada, longe do público, onde estava guardada a mala feita sob medida pela Louis Vuitton para trazer a taça Fifa à África do Sul. Com o celular, Cannavaro tirou fotos de Tutu e da mala. No domingo, o italiano levará o troféu ao gramado do estádio Soccer City, se despedindo do tesouro que ficou nas mãos dos italianos pelos últimos quatro anos. Tutu deverá acompanhar a partida na tribuna de honra, com seu sorriso permanente e inabalável bom humor.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

10/07/2010

às 8:18 \ África do Sul

Johannesburgo promete final sem falhas

O caos aéreo que ofuscou o brilho da semifinal entre Espanha e Alemanha em Durban, na quarta-feira, serviu de alerta para as autoridades de Johannesburgo, que prometem uma recepção absolutamente sem falhas aos envolvidos na finalíssima da Copa, neste fim de semana. Os hotéis de quatro e cinco estrelas nas regiões nobres da cidade – principalmente no subúrbio de Sandton, onde ficam os dirigentes da Fifa e centenas de autoridades – estão totalmente lotados. Restam vagas apenas nos bairros mais afastados – ou em hotéis de menor categoria. Até em Pretória, que fica a cerca de uma hora de carro, não há mais bons quartos vagos.

Se em Durban os jatinhos dos convidados da Fifa provocaram congestionamento no aeroporto, em Johannesburgo o problema não deverá se repetir. Muitas das celebridades convidadas já desembarcaram em seus aviões particulares, incluindo Charlize Theron, Paris Hilton e Morgan Freeman. O tenor Andrea Bocelli, que fará um show pós-Copa na cidade, também já chegou. Todos terão acesso facilitado ao estádio no domingo – a polícia local divulgou um mapa com o fechamento de dezenas de ruas e avenidas perto do Soccer City e no caminho entre Sandton e o estádio. A principal via de acesso entre o complexo de hotéis onde estão os dirigentes e celebridades terá uma faixa reservada aos carros dos VIPs. Tudo para que um fiasco justamente na finalíssima estrague a boa imagem deixada pelo Mundial sul-africano até agora.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

10/07/2010

às 7:43 \ África do Sul, Fifa

‘Waka Waka’ e Mambazo vão abrir a festa

Zakumi, Shakira e a bola da final: preparativos para festa no Soccer City (Foto: Giancarlo Lepiani)

A grande decisão de domingo entre Espanha e Holanda, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, deverá ser precedida por uma cerimônia de encerramento com música pop e canções tradicionais africanas. O show, com duração prevista de 27 minutos, começa às 13h30 (horário de Brasília), e será estrelado pela colombiana Shakira, que canta a música-tema Waka Waka – em versão nova, prometeu ela neste sábado. A outra atração musical do espetáculo será o grupo vocal sul-africano Ladysmith Black Mambazo, que ficou conhecido internacionalmente ao gravar uma parceria com Paul Simon nos anos 1980. “A cerimônia de encerramento será uma celebração da própria Copa, dos torcedores e do país”, prometeu o diretor artístico Derek Carstens na entrevista coletiva da Fifa neste sábado. “Vamos festejar as tradições do país, mas de uma forma contemporânea. Shakira será acompanhada de crianças sul-africanas e falou que sua apresentação será “uma homenagem à mulher da África”.

A popstar, que disse ter ficado “obcecada por futebol” em função da presença na Copa, vai torcer para a Espanha – elegeu David Villa e Piqué seus jogadores favoritos no torneio. Ela já tinha cantado no show da véspera da abertura, e ficou o mês inteiro no país. “Foi uma viagem inspiradora e estimulante”, contou. Shakira já tinha sido a intérprete do hit da Copa passada, na Alemanha. Em sua entrevista deste sábado, disse que espera ser convidada mais uma vez pela Fifa para cantar em 2014, no Brasil. “E se não for para cantar, com certeza vou para lá, nem que seja só para assistir aos jogos. Estou com muita saudade do Brasil.” Depois de Shakira e Ladysmith Black Mambazo, começa o protocolo da finalíssima. O capitão da seleção italiana, Fabio Cannavaro, vai entrar em campo para levar a taça Fifa ao local por onde entram as finalistas. Devolvida pela última campeã à Fifa, a taça estará exposta à beira do gramado durante toda a decisão, esperando por um novo dono.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Shakira neste sábado: 'obcecada' por futebol e à vontade na África do Sul (Foto: Giancarlo Lepiani)

08/07/2010

às 12:12 \ África do Sul, Fifa

Para Blatter, África superou até a Europa

Chegou a hora do presidente da Fifa colher os frutos de sua aposta. Quase sete anos depois de bancar a realização da primeira Copa no continente africano, Joseph Blatter é incapaz de esconder sua satisfação com o sucesso do torneio até agora. “A África já pode se orgulhar. E a África do Sul mais ainda”, disse ele nesta quinta-feira, em Johannesburgo. O chefão da Fifa negou estar surpreso com a organização do evento, e fez questão de reivindicar para si pelo menos uma parte dos créditos pelo resultado positivo do torneio. “É tudo uma questão de confiança. Defendi a decisão de trazer a Copa para cá desde o começo. E tudo ficou pronto e funcionou”, avaliou. De acordo com Blatter, o ponto alto foram os palcos da competição. “Esses estádios são verdadeiras jóias. Não há um só país europeu com tantos bons estádios quanto a África do Sul hoje.”

O presidente da Fifa, porém, desconversou ao ser questionado sobre o custo de uma empreitada tão grande – e sobre o impacto financeiro sobre o país que promoveu a festa. “Vamos deixar primeiro a Copa terminar.” Tranquila com os preparativos para as duas últimas partidas, no sábado e no domingo, a Fifa parece ansiosa agora para saber se conseguirá colocar a cereja no bolo, com a presença de Nelson Mandela na decisão, no estádio Soccer City. “Esperamos que ele possa aparecer, mas ninguém pode dizer se ele conseguirá ficar até o fim do jogo”, afirmou, ao comentar a possibilidade do ícone sul-africano entregar a taça Fifa ao capitão da seleção campeã. “Ele já teve o troféu em suas mãos em Zurique, quando a África do Sul foi confirmada como sede. Ver Nelson Mandela de novo com a taça seria maravilhoso para a África e para a Copa.”

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

06/07/2010

às 10:30 \ África do Sul

Cidade do Cabo, a melhor para a torcida

Frequentemente comparada ao Rio de Janeiro pelos brasileiros que a visitam, a Cidade do Cabo bem que pode servir de exemplo para os organizadores da sede fluminense do Mundial de 2014. Na segunda maior cidade sul-africana, os responsáveis por armar uma boa recepção aos torcedores acertaram em cheio. Com a Fan Fest armada no centro, diante da prefeitura, na sacada onde Nelson Mandela fez seu primeiro discurso depois de 27 anos encarcerado, e com um caminho para ser percorrido a pé até o estádio Green Point, perto do mar, a cidade atraiu dezenas de milhares de turistas – e, como consequência, engordou os cofres para ajudar a pagar o custo altíssimo das obras para receber o Mundial. No jogo de sábado entre Alemanha e Argentina, cerca de 300.00 pessoas participaram das atividades ligadas à partida na cidade. Foram 64.000 no estádio, 42.000 na Fan Fest e cerca de 153.000 caminhando pela rota entre o estádio e o centro, sem contar os outros turistas que encheram os restaurantes e bares, principalmente na rua Long, a mais agitada da cidade. A expectativa é de que isso se repita nesta terça-feira, com o duelo semifinal entre Holanda e Uruguai, quando a cidade se despede de um Mundial que rendeu ótimos frutos a ela.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

06/07/2010

às 10:29 \ África do Sul, Estádios

O estádio Green Point: bonito e caríssimo

Nas escadarias e corredores, ele ainda cheira a cal e cimento, como se fosse um edifício que acabou de ficar pronto. De fato, o estádio Green Point, localizado na costa atlântica da Cidade do Cabo, só teve suas obras concluídas neste ano. Temerário para um campo que receberia nove partidas da Copa, mais que qualquer outro estádio da África do Sul. E, como é de se esperar em situações como essa, em que a necessidade de concluir rapidamente uma obra fala mais alto do que o controle dos gastos, o custo do projeto inchou perigosamente. Nos últimos cálculos, falava-se em 4,5 bilhões de rands, o equivalente a mais de 1 bilhão de reais. O estádio é simplesmente espetacular, diga-se. Com um formato que faz lembrar uma onda, tem vista para a Montanha da Mesa, principal cartão-postal da Cidade do Cabo. Sua cobertura, de fibra de vidro, permite a entrada de luz natural, reduzindo os gastos com energia elétrica. E, ao contrário de outros estádios construídos para o Mundial, não sofre com a perspectiva de se tornar um elefante branco, já que a cidade é populosa e costuma receber muitos eventos esportivos e musicais. Ainda assim, fica a lição para o Brasil em 2014. Até nos projetos mais perfeitos na arquitetura e mais viáveis nas finanças, não cuidar dos prazos pode significar jogar dinheiro no lixo.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

02/07/2010

às 9:17 \ África do Sul

Outro elefante (branco) no Cabo Leste

Um dos principais pontos turísticos da África do Sul fica a pouco mais de 60 quilômetros de Port Elizabeth, na província do Cabo Leste: o parque nacional Addo, famoso em todo o continente pelo significativo número de elefantes protegidos na área da reserva. Há pelo menos 450 deles ali, e dezenas de milhares de visitantes vêm do exterior para observá-los de perto. Na rota para o parque, eles passam por Port Elizabeth – e, a partir de sábado, poderão ver um elefante branco gigante bem perto do Oceano Índico, na região central da cidade.

Construído num local onde existia um campo de rúgbi, às margens de uma lagoa, o estádio Nelson Mandela Bay, com capacidade para receber 48.000 torcedores, é bonito e confortável, um lugar agradável para se assistir a uma partida. Depois do jogo desta sexta entre Brasil e Holanda, vai receber também a partida que decide o terceiro lugar, no dia 10. Depois, transforma-se num mico para a cidade. Port Elizabeth tem um time de futebol, mas ele disputa apenas a segunda divisão local. Como até o campeonato de primeira divisão não costuma encher estádios, é improvável que o clube mande seus jogos aqui.

Para encher o Nelson Mandela Bay, é necessário que um entre cada cinco moradores da cidade inteira esteja no estádio – o que, convenhamos, é altamente improvável. A tendência, portanto, é que o elefante branco em que o Brasil joga dentro de instantes – erguido a um custo de 160 milhões de dólares, se junte à manada de estádios construídos para a Copa e abandonados à própria sorte, sem previsão de eventos que os sustentem financeiramente, depois do torneio.

(Por Giancarlo Lepiani, de Port Elizabeth)

 

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