Blogs e Colunistas

12/07/2010

às 9:50 \ África do Sul, Brasil-2014

Brasil-2014: o que copiar (e o que mudar)

Na noite de domingo, a Copa do Mundo era da África do Sul. Na manhã desta segunda-feira, ela está nas mãos do Brasil, que tem quatro anos para preparar a festa. O primeiro Mundial realizado em continente africano pode ser considerado um bom ensaio aos brasileiros – afinal, assim como no Brasil, o desafio dos sul-africanos era realizar uma festa bem-sucedida e empolgante, mas dentro de suas possibilidades. A anfitriã do Mundial-2010 gastou mais do que devia, mas deu conta do recado. No geral, foi um sucesso. Mas não faltaram alguns tropeços, inevitáveis quando se trata de um evento de proporções tão monumentais. A seguir, alguns exemplos sul-africanos que o Brasil deve seguir no caminho até 2014 – e outros que devem ser driblados para sediar uma Copa ainda melhor dentro de quatro anos:

O QUE O BRASIL DEVERIA COPIAR

Foi num aeroporto sul-africano que aconteceu a maior falha da Copa da África do Sul. Nas horas que antecederam o jogo de semi entre Alemanha e Espanha, em Durban, o aeroporto King Shaka ficou congestionado e não deu conta de todos os pousos previstos. Muitos torcedores perderam a partida. O episódio está sob investigação, mas parece ter sido um caso de falha isolada, com uma soma de problemas inesperados. No geral, a estrutura aeroportuária sul-africana funcionou bem e aguentou o tranco. Aeroportos menores, como o de Port Elizabeth e Bloemfontein, foram reformados e readequados à demanda, mas sem exageros desnecessários para o futuro. Os maiores, como o de Johannesburgo, sofreram intervenções mais radicais. Não houve caos nem mesmo nos dias de maior concentração de torcedores. Como os aeroportos são o ponto crítico do projeto brasileiro, vale a pena usar os exemplos.

A preocupação com a criminalidade foi uma característica comum nas candidaturas da África do Sul e do Brasil. Com treinamento incansável, qualificação das forças de segurança e reforço material e de pessoal na polícia, os sul-africanos realizaram uma Copa sem casos graves de violência urbana. Os assaltos, inevitáveis em qualquer grande cidade, aconteceram, é claro. Mas nem de longe chegaram ao número que se temia antes da Copa. Entre as dezenas de milhares de turistas que desembarcaram no país, a opinião mais frequente é de que a sensação de segurança durante o Mundial foi muito maior do que se esperava. Ponto para 2010 – e modelo a ser estudado para 2014.

O QUE O BRASIL PODE MELHORAR

Os estádios construídos para o Mundial de 2010 foram palcos mais do que adequados para receber o torneio. Três deles – Soccer City, em Johannesburgo, Moses Mabhida, de Durban, e Green Point, na Cidade do Cabo – estão entre os melhores do mundo (e, de quebra, também figuram entre os mais bonitos do planeta). Nos estádios menores, não havia o mesmo conforto nem o mesmo luxo, mas todos funcionavam bem para receber partidas de menor destaque. Mas dois aspectos importantes preocupam: os custos ficaram muito acima do previsto inicialmente e pelo menos quatro estádios (Nelspruit, Rustemburgo, Port Elizabeth e Polokwane) devem ficar às moscas a partir de agora. Para 2014, a lição é não descuidar dos cofres e evitar o nascimento de elefantes brancos.

O transporte público, setor problemático em muitas das sedes sul-africanas da Copa, recebeu investimentos multimilionários na contagem regressiva para o Mundial. Dessas obras resultaram corredores de ônibus, novas linhas de trem e frotas renovadas nos sistemas de transporte urbano. Ainda assim, faltaram opções de transporte coletivo em quase todas as sedes. Em outros casos, as obras previstas não ficaram prontas a tempo – em Johannesburgo, por exemplo, a renovação do sistema de ônibus não chegou a ser totalmente concluída. Assim como a África do Sul, o Brasil precisa investir em transporte em muitas de suas sedes. Mas o desafio é fazer isso dentro dos prazos – e com projetos bem feitos, capazes de realmente transformar a locomoção nas cidades.

O QUE O BRASIL PRECISA MUDAR

Os gastos com o Mundial passaram dos limites, apesar das promessas de que a Copa seria feita dentro das possibilidades que o país oferecia. Os prazos para as obras ficaram no limite, os trabalhos tiveram de ser acelerados e os custos dispararam. Para complicar a situação, os sul-africanos ficaram reféns de sindicatos ligados à construção dos estádios e à prestação de vários serviços ligados ao Mundial. Perto do fim das obras, inúmeras greves atrapalharam o andamento dos preparativos – e gastou-se ainda mais dinheiro para resolver esses impasses. Esse é o desafio número um do Brasil: não gastar mais do que pode ou deve.

A preparação dos sul-africanos que receberam os turistas deixou a desejar em muitas das sedes de 2010. Funcionários treinados e capazes de ajudar apareciam com frequência nos estádios, locais históricos, atrações turísticas, lojas e restaurantes. Mas, com frequência parecida, os visitantes se deparavam com pessoas que não tinham sido preparadas para acolher os torcedores de outros países. No caso do Brasil, a atenção que deve ser dispensada a esse treinamento é ainda maior – afinal, se houve falha de comunicação num país em que o inglês é um dos idiomas oficiais, mais difícil ainda será num lugar onde se fala português.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

Powered by WP Hashcash

17 Comentários

  1. eunice aragão costa

    -

    03/08/2011 às 10:39

    Caso do Brasil exemplo da Bahia temos 2 hoteis fechados exemplo 1 em Ondina e outro no Cammpo Grande que o Estado SENAC e/ou SENAi tranformassem em Hotel Escola e que poderia hospedar pessoas da Universidade com preço mais barato. Como vamos ter copeira, fachineira, cozinheiro, garson, recpcionistas, etc qualificados se não temos nem hoteis escolas, e nem uma Educação Publica de qualidade formando tecnicos que sabiam ler, escrever, intyerpretar textos, se não sabem ler como vão interp´retar algum manula e ainda por cima nossa policia está despreparada lidar com multidão principalmente que falam outra linguua, desafio fazer uma pesquisa quantos delegados falam algum idioma, não se forma mão-de-obra qualificado de um dia para outro.

  2. Rosely

    -

    18/06/2011 às 8:05

    Inventarem de construir o “curingão” nada mais foi do que ter mais uma oportunidade de superfaturamento. Muito estranha a insistente recusa de Ricardo Teixeira & Cia quanto ao Morumbi. (sem dúvida Lula estava por trás).
    Outro dia ouvi uma reportagem na CBN Campinas sobre o estádio da Ponte Preta. Houve partidas com espectadores acima do que a FIFA pede. Não seria uma ótima solução? Perto de um aeroporto seguro (que está com terminal em expansão), rede hoteleira que poderia abranger Campinas, cidades vizinhas e a própria São Paulo, acesso por rodovias de excelente qualidade e, se não fosse a megalomania de trem bala, se quiséssemos trens de alta velocidade em trilhos normais, seria possível acesso até por trem!Rosely

  3. Araripe da Silva

    -

    16/06/2011 às 20:19

    Nosso governo não pode ingetar recursos num evento liderado por Ricardo Teixeira, João havelange, Franz Bekenbauer e Josef Blater, pois
    ambos estão envolvido num mar de lama segundo a imprensa.

  4. Zati,Claudinei

    -

    27/05/2011 às 12:37

    Como todos estão torcendo para dar errado! Prefiro acreditar que será um sucesso nossa copa, mesmo com tudo contra conseguimos trazer um mundial para o Brasil, pena que ao invez de termos pessoas ajudando so temos pessoas atrapalhando e torcendo para dar errado, vamos nessa Brasil! Vamos mostrar que somos capazes: alias tem um recadinho pra voces ” AO INVES DE CRITICAR PORQUE NÃO COMECEM A AJUDAR, MUITO AJUDA QUEM NAO ATRAPALHA” ABRS

  5. emersom

    -

    10/04/2011 às 10:43

    tem que ter dinheiro publico sim no estadio do corinthians esqueserao que o sao paulo ganhou o estadio do morunbi do jose serra
    ali nao tem dinheiro publico ai vcs nao falam nada ne estao se doemdo porque vai ser pro corinthians
    vcs sabem que vao desfrutar tanbem se eles nao gatarem niso seus mesquinhos vao gatar pra eles se emgergam

  6. silvio roberto gonzaga

    -

    13/07/2010 às 10:23

    Muitos comentários foram ditos durante o Pan- e foi um sucesso dentro do esperado. Vamos acreditar que somos capazas, somos brasileiros e nunca desistimos. Temos muito _ condições do que a própria Africa do Sul.

  7. Luiz César Monteiro Bueno e Silva

    -

    13/07/2010 às 4:46

    O transporte públco e a infra-estrutura aeroportuária exigirão bilhões para melhorar um pouquinho, na busca para atender as exigências da Fifa no curtíssimo prazo que dispomos.
    Como sabemos o quanto não se produz nos dias de jogo da Copa, alguem sugeriu: em vez de gastar estes bilhões, decretar feriado nos dias de jogos, nas cidades onde eles ocorrerão.
    Talvez seja a soulução e com certeza os abutres não irão superfaturar nestas obras, por conta da falta de prazo. Assim poderemos investir com um melhor planejamento.

  8. Pedro Couto

    -

    12/07/2010 às 16:45

    Gostaria de saber o que a Africa do Sul vai fazer com aqueles estadios que foram construidos para o evento da Copa do mundo? A Fifa está querendo impôr em que o Governo do Estado de São Paulo, construa um novo estadio, sendo que já possuimos o Morumbi propriedade do SPFC. Uma pergunta, A FIFA, sendo a promotora do evento? Então ela que construa estádio com seus recursos. Aqui no Brasil, grande parte da população está morrendo em filas de atendimento médico por falta de condições. Agora construir Estadios seria a maior injustiça com o nosso povo que trabalha para gerar recursos ao nosso País. Me desculpem mas essa e a minha opinião.

  9. Ricardo

    -

    12/07/2010 às 15:32

    Se tudo correr de acordo com o previsto,teremos a copa do “caos”.
    Sem aeroportos adequados,sem transporte público adequado,sem estradas,estádios ainda por fazer,etc…A copa 2014 tem tudo pra ser uma catástrofe sem igual.

  10. Mari

    -

    12/07/2010 às 14:48

    Fora muitas melhorias que necessitam ser feitas… Aqui em BH, outro dia teve um desfile com personagens da Disney na Pampulha. Haviam umas 100 mil pessoas. Foi um verdadeiro caos. Será que suportaríamos as mais de 400 mil pessoas que aqui desembarcariam? E quanto à saúde? Mesmo com plano de saúde, as pessoas ficam horas aguardando para serem atendidas… Quero só ver!

  11. jose afonso

    -

    12/07/2010 às 14:34

    EU estou na regiao de Stratford olimpiadas 2012 em Londres ….e os transportes publicos sao bons…agora esta’ ficando excelente e os benefiacidos e’ a populacao local…dia a dia quando chegar o inicio das olimpiadas vai ser natural uma demanda maior isso porque ja’ estaremos habituados e agregar mais pessoas vai ser facil…
    Afonso

  12. Larissa

    -

    12/07/2010 às 13:56

    “frotas renovadas nos sistemas de transporte urbano. Ainda assim, faltaram opções de transporte coletivo em quase todas as sedes. ” Só uma observação, em Johannesburgo e Pretoria não é faltem opçòes, é que NÃO SE TEM a opção! O transporte público é inexistente.

    Sobre a preparação, eu participei das primeiras fases de treinamento da FIFA como voluntária. Parecia que 1/3 dos voluntários só estava interessado no lanche recebido e mesmo que o inglês seja oficialmente falado, é bom lembrar que é apenas uma das línguas. O organizador do departamento em que eu estava locada falava um inglês mais pobre do que o meu.

    Acredito que no final a copa do mundo foi muito bem sucedida, confesso que por conhecer por alto o sistema sul africano eu achei que seria um fracasso e fiquei muito feliz em ver que a coisa deu certo.

    Agora é esperar 2014 ;D

  13. Rafael Frizon

    -

    12/07/2010 às 13:47

    Esse estereótipo possitivo da África,deve ser anexado nos nossos planos sim,porém com muita transparência,e claro,plugando também novas medidas para uma copa ainda mais eficaz e desenvolvendo novos meios pitorescos para surprender a todos,mostra que nós temos capacidades,e mudar essa estafe de problemas de como somos conhecidos.Vamos nós Brasileiros dar um show de engenhocas e provar porque somos um dos povos mais felizes.

  14. Vilmar Milagre

    -

    12/07/2010 às 12:21

    Está na hora dos professores de ingês mostrar aos jovens a importância deste idioma para a copa 2014 e as olimpíadas 2016,afinal este é um idioma de comunicação mundial.

  15. Raul Furlan Júnior

    -

    12/07/2010 às 11:36

    O BRASIL PRECISA ESQUECER UM POUCO ,APENAS, DOS BENEFÍCIOS DESTINADOS A SI,E DAR MAIS VALOR AO COLETIVO!

  16. j.roberto

    -

    12/07/2010 às 10:50

    O maior problema da copa de 2.0l4 é a mistura do público e privado.As construções e ou reforma de estádios não devfem ter dinheiro público.( os abutres estão loucos para superfaturamento.) Qto. a infra estrutura deve ficar por conta do governo, porém sob fogo cruzado da fiscalização e transparência.
    ( os abutres continuarão corro0mpendo para se beneficiar.) todo cuidado é pouco.

  17. conrado.ferreira

    -

    12/07/2010 às 8:12

    Considerando as trapalhadas da própria FIFA, “desastrosa”? em sua administração? imagina.Agora pergunto: Será que alguém não ganha nada com isso???….Apenas maldade minha. Um país mal escolhido, uma bola que foi um desastre, uma comissão de arbitragem digna de um presídio, orquestrada por “Maquiavel”. Considero este evento a ser esquecido por todos, de tão vergonhosa, que foi…RIDÍCULA.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados