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terça-feira, 6 de julho de 2010

Cidade do Cabo, a melhor para a torcida

Frequentemente comparada ao Rio de Janeiro pelos brasileiros que a visitam, a Cidade do Cabo bem que pode servir de exemplo para os organizadores da sede fluminense do Mundial de 2014. Na segunda maior cidade sul-africana, os responsáveis por armar uma boa recepção aos torcedores acertaram em cheio. Com a Fan Fest armada no centro, diante da prefeitura, na sacada onde Nelson Mandela fez seu primeiro discurso depois de 27 anos encarcerado, e com um caminho para ser percorrido a pé até o estádio Green Point, perto do mar, a cidade atraiu dezenas de milhares de turistas – e, como consequência, engordou os cofres para ajudar a pagar o custo altíssimo das obras para receber o Mundial. No jogo de sábado entre Alemanha e Argentina, cerca de 300.00 pessoas participaram das atividades ligadas à partida na cidade. Foram 64.000 no estádio, 42.000 na Fan Fest e cerca de 153.000 caminhando pela rota entre o estádio e o centro, sem contar os outros turistas que encheram os restaurantes e bares, principalmente na rua Long, a mais agitada da cidade. A expectativa é de que isso se repita nesta terça-feira, com o duelo semifinal entre Holanda e Uruguai, quando a cidade se despede de um Mundial que rendeu ótimos frutos a ela.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

O estádio Green Point: bonito e caríssimo

Nas escadarias e corredores, ele ainda cheira a cal e cimento, como se fosse um edifício que acabou de ficar pronto. De fato, o estádio Green Point, localizado na costa atlântica da Cidade do Cabo, só teve suas obras concluídas neste ano. Temerário para um campo que receberia nove partidas da Copa, mais que qualquer outro estádio da África do Sul. E, como é de se esperar em situações como essa, em que a necessidade de concluir rapidamente uma obra fala mais alto do que o controle dos gastos, o custo do projeto inchou perigosamente. Nos últimos cálculos, falava-se em 4,5 bilhões de rands, o equivalente a mais de 1 bilhão de reais. O estádio é simplesmente espetacular, diga-se. Com um formato que faz lembrar uma onda, tem vista para a Montanha da Mesa, principal cartão-postal da Cidade do Cabo. Sua cobertura, de fibra de vidro, permite a entrada de luz natural, reduzindo os gastos com energia elétrica. E, ao contrário de outros estádios construídos para o Mundial, não sofre com a perspectiva de se tornar um elefante branco, já que a cidade é populosa e costuma receber muitos eventos esportivos e musicais. Ainda assim, fica a lição para o Brasil em 2014. Até nos projetos mais perfeitos na arquitetura e mais viáveis nas finanças, não cuidar dos prazos pode significar jogar dinheiro no lixo.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Holanda joga em casa na cidade que criou

Maioria massacrante entre os torcedores que se movimentam pela Cidade do Cabo na véspera da semifinal da Copa, os holandeses estão se sentindo absolutamente confortáveis na segunda maior cidade da África do Sul. Afinal, ela nasceu como um porto de abastecimento de suprimentos para os navios holandeses a caminho da costa leste da África, da Índia e do resto do Oriente, na metade do século XVII. Primeira cidade europeia no país, logo se transformou numa das principais localidades do continente todo – e mantém sinais claros da presença holandesa de séculos atrás. Mas as referências ao país não se resumem às marcas deixadas pelo passado colonial. O consulado-geral da Holanda na cidade, vizinho ao Museu do Ouro da África, bem no centro da cidade, foi todo pintado com imagens ligadas à Copa. E as camisas laranjas dos fanáticos e alegres torcedores da seleção que eliminou o Brasil estão tingem quase todos os bares e restaurantes da cidade, principalmente na praia de Camps Bay e no cais Victoria & Alfred, próximo ao estádio Green Point. A previsão é de que encherão boa parte das arquibancadas na terça-feira. E prometem empurrar sua seleção para que a Holanda conquiste mais uma vitória nesse lugar tão marcante para o país.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

Uruguai enfim surge na Cidade do Cabo

Foi só na véspera da partida entre Uruguai e Holanda, uma das semifinais desta Copa, na terça-feira, que os sul-americanos começaram a marcar presença no palco da decisão. Talvez por serem pouco numerosos, talvez porque nem sequer eles acreditavam numa chegada à semi, os torcedores uruguaios quase não eram notados na Cidade do Cabo até o domingo. Nesta segunda-feira, no entanto, se espalharam pelos arredores do estádio Green Point, quase todos usando a bandeira como se fosse uma capa, amarrada ao pescoço. A participação uruguaia na semifinal também só foi reconhecida pelo comércio local nesta segunda. No domingo, as lojas – inclusive a da Fifa, no principal shopping da cidade, o Victoria & Alfred Waterfront, muito próximo ao estádio – não tinham absolutamente nada com o escudo uruguaio para vender. A única referência à seleção sul-americana era uma camiseta da linha retrô da Fifa, com o emblema da primeira Copa, no longínquo ano de 1930. Nesta segunda, já era possível comprar as camisas oficiais da seleção e outros badulaques uruguaios. O estoque, no entanto, era limitado – afinal, a diminuta torcida uruguaia já chegou totalmente carregada de roupas no famoso azul celeste da seleção bicampeã do mundo.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

O estádio mais bonito da África do Sul ficou pronto

O estádio Green Point com a Table Mountain ao fundo (Foto: AFP)

A Cidade do Cabo inaugurou na segunda-feira seu novo estádio, o mais belo palco entre todos os que foram preparados para a Copa do Mundo do ano que vem. A arquitetura do Soccer City, em Soweto, pode chamar mais atenção, mas o estádio Green Point foi erguido num cenário absolutamente deslumbrante, com vista privilegiada para a Table Mountain, que domina a paisagem da cidade mais bonita de toda a África. O estádio é cercado por uma grande área verde e fica próximo do mar. Perto dali também está o Waterfront, complexo de lojas e restaurantes que atrai todos os turistas que visitam a Cidade do Cabo. Com 68.000 lugares, o estádio receberá oito partidas da Copa. Se der tudo certo para o Brasil, Dunga e seus comandados estarão em Green Point no dia 6 de junho de 2010 para disputar a semifinal do torneio. Que ele traga boa sorte à seleção.

Por Giancarlo Lepiani

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Tem jeito de festa, mas já é o pontapé inicial…

Não é um jogo de futebol, mas centenas de milhões de torcedores em todo o planeta estarão grudados à tela da TV nesta sexta-feira. No lugar de uma só bola, todos os olhos estarão voltados para 32 pequenas esferas distribuídas em quatro potes de vidro no palco do Centro de Convenções da Cidade do Cabo, no extremo sul da África do Sul. É a hora da verdade para as seleções que disputarão o primeiro Mundial em solo africano, no ano que vem. O sorteio dos grupos é, na verdade, o pontapé inicial da Copa – afinal, ele definirá toda a tabela e determinará os cruzamentos entre as chaves até a finalíssima, marcada para 11 de julho, no estádio Soccer City, em Soweto.

A festa está marcada para as 15 horas (horário de Brasília) e promete dar um gostinho do que vem por aí no Mundial. Os organizadores prepararam shows de música e dança com artistas sul-africanos para começar a cerimônia. Porém, para os torcedores mais fanáticos – e também para os técnicos, dirigentes e jogadores das 32 equipes -, o que importa mesmo virá só depois. Será difícil segurar a ansiedade durante o longo processo de composição das chaves, sempre cercado de muita expectativa e suspense. Quando as bolinhas forem finalmente sorteadas, a tabela inteira da primeira fase estará montada, inclusive com as datas e horários de cada partida das 32 seleções.

A previsão é de que a festa dure cerca de 90 minutos. A anfitriã será a atriz sul-africana Charlize Theron, ganhadora do Oscar por Monster. O presidente sul-africano Jacob Zuma e o presidente da Fifa Joseph Blatter também estarão no palco. O ex-líder Nelson Mandela deverá aparecer numa mensagem gravada em vídeo. Jogadores e ex-jogadores como Platini, Beckenbauer, Eusébio, Roger Milla e David Beckham deverão ajudar a separar as bolinhas na hora decisiva da cerimônia. Enquanto ela estiver acontecendo, VEJA.com acompanhará o sorteio em seu Twitter. Depois da festa, o Blog da Copa de VEJA.com apresentará uma análise de todas as chaves e fará uma projeção dos possíveis classificados.

Por Giancarlo Lepiani

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sorteio dos grupos: está chegando a hora de torcer

O palco do sorteio

Ainda faltam quase 200 dias para a abertura do Mundial, mas a seleção brasileira vai precisar de muita torcida já na sexta-feira que vem. Dentro de uma semana, a Fifa realiza o sorteio das chaves da Copa, numa cerimônia marcada para a Cidade do Cabo, a mais bela cidade sul-africana (na foto acima, o palco da festa, mostrado à imprensa nesta quinta-feira). O Brasil é um dos favoritos à conquista da taça, mas ainda assim tem motivos para se preocupar – o sorteio pode ser perigoso.

A primeira etapa do processo acontece na quarta-feira, quando serão conhecidos os cabeças-de-chave da competição. O Brasil e mais cinco seis campeões mundiais deverão estar na lista, junto com a anfitriã África do Sul. Completaria a lista a Espanha, atual campeã europeia e líder do ranking da Fifa. Isso garante que o Brasil e as outras superpotências – Itália, Argentina, Alemanha, França e Inglaterra – não se enfrentem logo na fase inicial.

No dia do sorteio, as cabeças-de-chave ocuparão o primeiro conjunto de seleções. O conjunto seguinte será formado pelas demais seleções europeias. O terceiro é composto por africanos e sul-americanos e o quarto, por asiáticos e norte-americanos. Cada grupo é formado por uma seleção de cada conjunto. Alguns critérios adicionais impedem, por exemplo, que uma seleção sul-americana enfrente outra da mesma região na primeira fase. Uruguai, Paraguai e Chile, portanto, estão fora do caminho do Brasil.

Simular as possíveis combinações de grupos pode assustar até o mais otimista dos torcedores. A seguir, dois exemplos de grupos perigosos, que poderiam até significar uma eliminação precoce na Copa:

Brasil, Holanda, Camarões, México: Os holandeses se classificaram com facilidade ao Mundial e têm uma geração talentosa; Camarões é o grande time africano; o México vem incomodando a seleção brasileira nos últimos anos.

Brasil, Portugal, Costa do Marfim, Estados Unidos: A seleção lusa tem simplesmente Cristiano Ronaldo; a marfinense, Drogba, Toure e Eboue; os americanos são os atuais vice-campeões da Copa das Confederações.

Essas possibilidades preocupam, mas tratam-se dos piores cenários possíveis. O Brasil poderia cair num grupo com Grécia, Argélia e Nova Zelândia, por exemplo. E aí reside uma outra preocupação, totalmente diferente: enfrentar uma chave fácil demais pode significar um início de Copa com ritmo de treino, sem grandes desafios que preparem o time para as etapas eliminatórias. O que você acha? É melhor pegar um grupo forte logo de cara ou começar o Mundial pegando apenas times fracos?

Por Giancarlo Lepiani

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Quer ir à África do Sul? Cuidado com os babuínos…

Babuíno dentro de carro de turista

Uma das maiores preocupações dos organizadores da Copa do Mundo é com a segurança do evento. Não há como negar: o país é violento. Para que nada de ruim ocorra com os turistas, a polícia sul-africana deverá contar com mais de 250.000 agentes. “Cumpriremos nossos compromissos em matéria de segurança”, bradou Danny Jordaan, presidente do Comitê Organizador do Mundial. Mas Jordaan ainda não sabe como lidar com outro problema: os babuínos sul-africanos.

Só na última terça, 29 desses animais de focinho longo invadiram quatro carros na Cidade do Cabo, uma das principais sedes da Copa, em busca de comida. De acordo com o jornal britânico The Guardian, eles aprenderam a abrir portas de carro e pular para dentro em busca de sanduíches ou restos de comida. “Nós passamos praticamente o dia todo resgatando turistas”, disse Marke Duffels, um voluntário que monitora os animais no Parque Nacional do Cabo da Boa Esperança.

Durante esses “assaltos”, os macacos reviraram mochilas com passaportes e outros pertences dos turistas – que, é claro, ficam apavorados. O babuínos que habitam o parque, uma das principais atrações da belíssima região da Cidade do Cabo, vivem em bandos. A estimativa é de que só na periferia da cidade existam 420 deles, andando em cerca de 17 grupos. Eles são protegidos pela legislação sul-africana – portanto, não devem ser incomodados em sua “caça” de turistas.

Por André Pontes


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