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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Bolão no Planalto: cachaça como prêmio

Com a aposta no 3 x 0 para a seleção brasileira, o chefe do gabinete pessoal da presidência da República, Gilberto Carvalho, levou a melhor num bolão organizado antes da reunião de coordenação política do governo nesta segunda-feira, do qual participaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice, José Alencar, oito ministros e um assessor. O prêmio para o vencedor foi uma garrafa de Maria da Cruz, cachaça fabricada na fazenda de Alencar. O vice-presidente foi o mais otimista: 5 a 0 para o Brasil, seguido de Lula, que apostou no resultado de 4 a 1. Lula assistiu ao jogo no Palácio da Alvorada, residência oficial, com familiares e funcionários.

Também participaram do bolão os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo (3×1), de Relações Institucionais, Alexandre Padilha (2×0), da Casa Civil, Erenice Guerra (2×1), do Gabinete de Segurança Institucional, Jorge Félix (3×1), da Defesa, Nelson Jobim (2×0), e da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins (2×0), além do vencedor, o chefe do gabinete, Gilberto Carvalho, o da Secretaria-Geral da Presidência, Luiz Dulci (2×1), e o assessor especial do gabinete pessoal do presidente, Alberto Mendes (4×2).

Veloz e matador, o Brasil se livra do Chile com vitória por 3 a 0. Na sexta, a Holanda

Luís Fabiano e Juan comemoram o primeiro gol: ambos marcaram na vitória em Ellis Park (Foto: Getty)

Ao conhecer seu rival nas oitavas-de-final desta Copa, o Brasil sabia que tinha em seu caminho um adversário ideal para começar a trilhar uma rota vencedora na fase eliminatória do torneio. Pois o Chile, que já não assustava a seleção por causa de seu pifio retrospecto contra os pentacampeões, ainda entrou em campo nesta segunda-feira com uma estratégia bem ao gosto do time de Dunga, com três atacantes e um clarão aberto em sua intermediária defensiva. O resultado não podia ter sido outro no estádio Ellis Park, em Johannesburgo: o Brasil confirmou seu favoritismo, venceu por 3 a 0, eliminou os chilenos e carimbou presença nas quartas-de-final. O próximo desafio promete ser de arrepiar: a seleção decide uma vaga na semifinal contra a Holanda, time de enorme talento e muita rapidez, na sexta-feira, às 11 horas (no horário de Brasília), no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth. Em seu último duelo em Copas, brasileiros e holandeses se encontraram na semifinal, na França-1998. Deu Brasil, nos pênaltis, e a seleção – que tinha Dunga como capitão – chegou à finalíssima.

Temendo enfrentar um rival decidido a apenas defender, o Brasil se surpreendeu com os primeiros minutos da seleção chilena, que marcou a saída de bola e tentou agredir logo de cara. Os brasileiros custavam a dominar a bola. Luís Fabiano deu o primeiro chute a gol, aos 4 minutos. E o Brasil, mais bem postado em campo, começou a avançar, arriscando com chutes de Gilberto Silva (aos 9 minutos) e Kaká (aos 10). O meio-campo em nova formação, com Daniel Alves e Ramires, trocava a bola com rapidez, encostando bem em Kaká e Robinho. Também ajudava a criar algumas tentativas – aos 14, Ramires testou o goleiro Bravo, que encaixou firme. Com os times mais adaptados ao jogo do adversário, os dez minutos seguintes foram de maior equilíbrio e muita briga no meio-campo. O Chile marcava muito forte, induzindo o Brasil ao erro. A solução era tentar nas bolas paradas – numa série de escanteios, o Brasil rondou a meta chilena, mas sem grande perigo.

Artilheiro em ação no Ellis Park: Luís Fabiano marca o segundo, seu terceiro neste Mundial (Foto: Getty)

A jogada acabou finalmente dando certo aos 34 minutos: num escanteio cobrado por Maicon pela direita, Juan subiu sozinho no miolo da área – o parceiro Lúcio ajudou a tirar o zagueiro do lance – e testou firme para matar Bravo. Era tudo o que o Brasil queria. O Chile, afoito para dar o troco, cometeu o erro em que quase todas as vítimas desta seleção brasileira armada por Dunga acabam caindo. O time de Marcelo Bielsa avançou demais sua formação e abriu espaço para o trio Robinho, Kaká e Luís Fabiano, do jeito que eles mais gostam, no contragolpe. E foi assim que surgiu o segundo gol, aos 38 minutos. Robinho escapou pela direita e acionou Kaká, na cabeça da área. O meia deu um toque sutil para Luís Fabiano ficar na cara de Bravo. O camisa 9, especialista nesse tipo de jogada, executou com facilidade, fintando Bravo pela direita e só empurrando a bola para o gol vazio. Ainda houve tempo para mais um lance de perigo de Luís Fabiano, de cabeça, ao 44, num cruzamento forte de Maicon.

O Brasil terminava o primeiro tempo com uma vantagem confortável e um adversário para quem só restava atacar – o que deixaria a seleção à vontade para contra-atacar. O Chile, agora com Valdívia em campo, começou a segunda etapa tentando arrumar alguma forma de diminuir a desvantagem. Mas esbarrava numa defesa sólida – Juan fez partida impecável – e na eterna procupação com as arrancadas de Kaká e Robinho. Os contragolpes puxados pela dupla não funcionaram, mas aí entrou em ação Ramires, uma boa novidade no time escalado por Dunga nesta segunda. Aos 14 minutos, ele arrancou pelo meio, surpreendeu a defesa chilena e deu um passe irretocável para Robinho chutar com estilo, ampliando o marcador. O Chile se mandou de vez para o ataque, convencido de que conseguiria diminuir o marcador. Não conseguiu levar perigo – o maior prejuízo que causou ao Brasil foi fazer Ramires, em entrada dura, levar seu segundo amarelo no torneio. Ele está suspenso para o jogo contra a Holanda. Aos 30, novamente em um contragolpe, Robinho desceu pela direita e chutou cruzado, exigindo grande defesa de Bravo. Com o jogo decidido, porém, as emoções e lances de perigo foram escassos. As oitavas estavam resolvidas. Começava a hora de pensar em descascar a laranja holandesa nas quartas.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Brasil supera a defesa chilena: 2 a 0

Nos primeiros minutos, o Chile começou com muita velocidade, mas a defesa brasileira não deu muitas chances. Por volta dos 10 minutos, o Brasil dominava as jogadas de ataque, e mostrava alternativas de chute com Gilberto Silva e Daniel Alves. Kaká se movimentava pelo meio, da mesma forma que Robinho. Na maior parte do tempo, nove chilenos estavam no próprio campo, a maioria na linha de zagueiros.

Com Maicon e Michel Bastos guardando mais suas posições na defesa, faltava apoio pelas extremas, por conta do esquema de contra-ataque preparado pelos chilenos. Além disso, o jogo ainda se concentrava demais pelo meio, com Ramires, Daniel alves, Kaká, Luís Fabiano e Robinho.

O capitão Lúcio sentia o momento de dificuldade, com a defesa chilena fechada e a falta de criatividade de Ramires e Daniel Alves. Tentou armar, foi à área tentar cabeçada e até uma jogada de atacante pela esquerda.

Aos 34 minutos, na cobrança de escanteio de Maicon, o zagueiro Juan marcou o primeiro gol brasileiro, de cabeça. O Chile então saiu para o ataque e começou a deixar espaços para o Brasil contra-atacar. Aos 38 minutos, numa jogada rápida, Robinho recebe aberto pela esquerda, tocou para o meio para Kaká, que colocou à frente para Luís Fabiano quase na cara do goleiro Bravo: 2 a 0. É o terceiro gol do atacante brasileiro na Copa.

Contra o Chile, a primeira de 4 decisões

Dunga e Kaká em treino para a partida: muita coisa em jogo nesta segunda (Foto: Getty)

De acordo com os números, Dunga é um dos técnicos mais vencedores da história da seleção. Ganhou partidas importantes, bateu adversários de peso, terminou as Eliminatórias em primeiro lugar e conquistou dois títulos: a Copa América e a Copa das Confederações. A partir da tarde desta segunda-feira, porém, pode passar a ser considerado um fracasso. Basta não derrotar o Chile no jogo de oitavas-de-final, às 15h30 (no horário de Brasília), no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, na estreia do Brasil na fase eliminatória do torneio. Pode ser uma avaliação cruel e injusta. Mas é fato: cair no Mundial depois de apenas quatro jogos, contra uma seleção que não ganha do Brasil desde 2000, jogará por terra tudo o que foi conquistado até aqui. A CBF pode ter contratado Dunga com a missão de reconstruir a seleção depois do fiasco de 2006. Para o torcedor, porém, o que vale é apenas uma coisa: o triunfo no palco maior do futebol internacional.

Dunga amargou sua primeira grande decepção no cargo em 2008, quando não conseguiu dar ao Brasil a tão sonhada medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim. Mas sabia que o que importava mesmo para os torcedores era a Copa. Começa nesta segunda a se deparar com a fase mais impiedosa do Mundial, em que qualquer erro pode significar ter de voltar para casa mais cedo. Dunga, no entanto, conhece como poucos as características dessa etapa da competição. Em sua primeira Copa como jogador, em 1990, foi eliminado logo nas oitavas, pela Argentina. Voltou triunfante em 1994, passando por todas as partidas eliminatórias até levar a seleção à final, contra a Itália. O mesmo aconteceu em 1998, quando voltou a decidir o título. Curiosamente, Dunga estava em campo na última vez que Brasil e Chile se enfrentaram nas Copas, em 1998 – na ocasião, vitória do Brasil, 4 a 1, também nas oitavas.

No jogo desta segunda, o time escalado pelo treinador brasileiro conta com o retorno de Kaká e Robinho – o segundo deles, um verdadeiro pesadelo para os chilenos. Em cinco duelos contra a “roja” andina, Robinho marcou nada menos que seis gols. O país que tenta tirar o Brasil da Copa, aliás, é freguês de carteirinha da seleção, com duas derrotas em Copas (além do jogo de 1998, também perdeu nas semis de 1962, no próprio Chile, quando o Brasil acabou se sagrando campeão). No total, o Brasil soma 45 vitórias e apenas sete derrotas em 65 jogos disputados desde 1916. Nas últimas Eliminatórias, o Brasil atropelou tanto em casa (4 a 2) como fora, em Santiago (3 a 0). Tudo em favor da seleção pentacampeã. Mas isso só aumenta o peso que Dunga e seus comandados carregarão quando entrarem em campo nesta segunda. Frustrados com a campanha de 2006, os torcedores querem mais neste ano. E ganhar dos chilenos para garantir vaga nas quartas, contra a Holanda, é o mínimo que esperam.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Com desfalques, Brasil carece de opções

Tarde demais para lamentar, é claro. Mas a definição do time titular brasileiro nos jogos contra Portugal e Chile deixaram claro que a convocação da seleção brasileira para este Mundial tem algumas lacunas significativas. Nesta segunda-feira, com a provável ausência de Felipe Melo, o técnico Dunga ensaiava escalar Josué como substituto. Achava-se que o volante era reserva de Gilberto Silva, com Ramires e Kléberson como opções para o caso de ausência de Felipe. Mas se Josué é o escolhido para entrar no lugar de qualquer um dos volantes ausentes, teria sido melhor trazer à África do Sul alguma opção para outro setor do time.

Da mesma forma, Kléberson e Ramires parecem ter funções redundantes. São opções para o lugar de Felipe Melo ou Elano – mas, se quando os dois estão ausentes, entram Josué e Daniel Alves, para que queimar duas vagas com esses atletas? Ao mesmo tempo, o Brasil começa a sentir a falta de pelo menos mais uma alternativa ofensiva, algum jogador com características que oferecessem uma mudança de estilo de jogo, caso necessário. Contra Portugal, o time estava sem inspiração e não tinha uma peça capaz de alterar o andamento da partida. No banco da Argentina, por exemplo, Maradona conta com Agüero, Milito, Palermo e Verón. No Brasil, se Júlio Baptista não estiver em forma – era dúvida para o jogo desta segunda – restam só Nilmar e Grafite para o setor ofensivo.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

De olho nas quartas, cuidado com cartões

O Brasil enfrenta nesta segunda-feira a seleção mais indisciplinada do Mundial. Em três jogos, os chilenos levaram um total de dez cartões amarelos e cometeram 61 faltas. O Brasil, porém, também precisa estar preocupado com a arbitragem, que está a cargo do inglês Howard Webb (na foto acima). Quatro de seus jogadores estão pendurados. Se tomarem um amarelo, perdem uma possível partida de quartas-de-final. Na defesa, o titularíssimo Juan corre esse risco. No meio, Felipe Melo (que não deve jogar contra o Chile) e Ramires (que deve ficar na reserva) também já têm um amarelo. O outro atleta pendurado é Luís Fabiano, advertido com cartão no jogo contra Portugal. Para sorte dos brasileiros, o árbitro desta segunda é representante de um futebol onde os cartões amarelos não são distribuídos em qualquer jogada faltosa. Na liga inglesa – como em boa parte da Europa -, levar amarelo, só em jogada desleal. O jogo duro mas na bola, que é o que se espera nesta segunda, costuma ser permitido pelos ingleses.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Os craques do Brasil voltam. E Felipe sai

Robinho e Kaká: confirmados para o jogo desta segunda-feira em Ellis Park (Foto: Getty)

O aguardado retorno dos dois jogadores mais decisivos da seleção brasileira no início da fase eliminatória da Copa do Mundo não significa que a equipe está completa para enfrentar o Chile. O jogo desta segunda-feira, às 15h30 (horário de Brasília), no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, deverá ser marcado por alguns desfalques de ambos os lados. Se volta a contar com a dupla Kaká e Robinho, principal fonte de criatividade do time, a seleção treinada por Dunga perde Felipe Melo e talvez Elano, ambos por causa de contusão. Mas o problema não é exclusivo dos brasileiros: o Chile chega para o jogo sem sua zaga titular.

Suspensos por causa dos cartões que levaram na derrota para a Espanha, por 2 a 1, no jogo que fechou o grupo H, Ponce e Medel – que tinham sido destaques da equipe do técnico Marcelo Bielsa no torneio – estão fora. O volante Estrada também não pode jogar, pois foi expulso na partida contra os espanhóis. A aposta do treinador argentino do Chile é nas jogadas de Valdívia, o meia que ficou famoso no Brasil pelas temporadas em que defendeu o Palmeiras, e nos atacantes Mark González e Beausejour, que têm a dura missão de superar a zaga titular brasileira. No encontro com Portugal, Lúcio e Juan anularam Cristiano Ronaldo.

A defesa está completa, mas o meio-campo ainda estava indefinido poucas horas antes da partida de oitavas-de-final. O volante Felipe Melo, que se machucou numa entrada do brasileiro naturalizado português Pepe no jogo de Durban, não deve ter condições de jogo – sua vaga seria preenchida por Josué, que já estreou na Copa no próprio jogo contra Portugal. Além disso, Elano, que perdeu a partida que fechou a primeira fase por causa de uma lesão sofrida no jogo contra Costa do Marfim, também é dúvida. O técnico Dunga tem como opções Daniel Alves, que fez essa função na partida passada, e Ramires, que tem entrado bem na equipe.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

domingo, 27 de junho de 2010

Robinho, carrasco do Chile: terá retranca

O jogo truncado e até feio entre Brasil e Portugal recuperou de vez uma discussão que existe desde que a seleção brasileira começou a costurar estrelas de campeã mundial em sua camisa, há mais de meio século: quando se deparam com a camisa amarela, os adversários se fecham na mais rigorosa retranca e tratam de não deixar nossa equipe jogar. Foi esse o principal mote da última entrevista coletiva dos jogadores brasileiros antes da partida contra o Chile, na segunda-feira, em Johannesburgo. Na entrevista deste domingo, na concentração da seleção, Robinho e Gilberto Silva bateram nessa tecla em várias ocasiões. E dão pistas de que o time está preocupado com um possível defensivismo chileno na partida de oitavas-de-final. A preocupação pode ser legítima, mas parece uma repetição de discurso pronto. O Brasil enfrenta times fechados porque é melhor. Já deu tempo de sobra de se acostumar com isso.

Gilberto Silva ainda disse acreditar que o rival de segunda não vai abdicar do ataque. “O time do Chile sabe jogar e não vai se limitar a marcar”, apostou. Mas Robinho, que é o grande encarregado de furar os bloqueios defensivos na seleção, acredita em retranca total. “Nos últimos jogos, o Chile jogou para frente, mas contra o Brasil, a postura muda. Acho que eles vão se fechar.” O camisa 11, porém, pelo menos não se limitou a reclamar: admitiu que o Brasil “precisa aprender a jogar contra quem se defende assim” e deu sua receita para romper esse tipo de barreira: “O segredo é jogar com velocidade e pelos lados do campo. Nosso time tem que ser rápido. E não estamos preocupados se eles são violentos ou não”, completou, em referência ao grande número de faltas e cartões do time treinado pelo argentino Marcelo Bielsa. O Chile já teve quatro jogadores suspensos por cartões neste Mundial.

Apesar do retrospecto amplamente positivo contra os chilenos, os jogadores da seleção adotaram outro discurso muito batido, o do respeito ao adversário, ainda que o Brasil seja favorito indiscutível contra ele. “A dificuldade é a mesma que enfrentamos contra qualquer rival”, disse Gilberto Silva. “As estatísticas, para nós, não servem para nada”, concordou Robinho ao ser lembrado do histórico de repetidos triunfos contra os chilenos. Se dependesse do retrospecto, aliás, Robinho teria motivos de sobra para entrar em campo com a confiança no máximo. Ele anotou seis gols em cinco jogos contra o Chile. “Sempre tive sorte contra eles. Mas claro que cada jogo é uma história”, afirmou. Ele não sabe explicar o motivo de seu sucesso contra a equipe andina. “Me preparo igual contra todas as seleções. É sorte. Espero que continue igual ou melhor.”

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Memórias do Chile

Por Carlos Maranhão, de Johannesburgo

Ninguém dentro da seleção brasileira diz isso abertamente. Mas se ela tivesse a possibilidade de escolher um adversário para as oitavas seria naturalmente o que enfrentará na segunda-feira, 28 de junho, véspera do 52º aniversário da conquista do nosso primeiro campeonato mundial. Entre a Espanha que chegou à África do Sul como uma das favoritas ao título, começou mal e agora poderá crescer, o ferrolho da Suíça que preocuparia pela dificuldade que o Brasil sempre parece encontrar diante de equipes que jogam muito fechadas e o Chile, derrotado em todas as cinco partidas que disputou contra o time de Dunga, a opção, caso dependesse da vontade, não poderia ser outra.

Como país, o Chile é um encanto. Protegido em sua comprida e estreita faixa territorial pelo Oceano Pacífico e a Cordilheira dos Andes, ele fascina pela diversidade geográfica que vai do deserto de Atacama, no norte, às geleiras da Patagônia, no extremo sul. Habitado por uma população educada e instruída, terra de mulheres bonitas e vinhos magníficos, tem uma economia moderna, uma capital pujante e, entre vários motivos para se orgulhar, dois prêmios Nobel de literatura.

Como futebol, todos sabemos, suas credenciais são mais modestas. Dentro da América do Sul, bem atrás de Brasil e Argentina, luta para se manter no grupo intermediário, ao lado de Paraguai, Uruguai e Colômbia. Seu maior feito histórico foi realizar a Copa do Mundo de 1962, dois anos depois de sofrer um terremoto devastador que atingiu perto de 25% da população, entre mortos e desabrigados. O Chile terminou o certame em terceiro lugar, feito que dificilmente voltará a alcançar algum dia.

Aquele Mundial, que parece de uma época tão remota – os brasileiros, depois de acompanhar as transmissões pelo rádio, nas vozes de Pedro Luís, Jorge Curi ou Oduvaldo Cozzi, esperavam dois dias para ver os videoteipes em preto e branco, aliás uma novidade e tanto, pois na Copa anterior nem isso havia –, foi disputado em apenas quatro estádios, três dos quais com capacidade para menos de 20.000 pessoas. Só o Nacional do Santiago, com seus 70.000 lugares, oferecia dimensões à altura do torneio. Foi lá que Chile e Brasil fizeram uma das semifinais. Até então, a seleção brasileira jogava na litorânea Viña del Mar, na única arena, como se diz hoje em dia, construída especialmente para o evento. As demias haviam sido reformadas. Podiam entrar 18.000 torcedores nesse estádio, o Sausalito.

O Brasil ganhou por 4 a 2, dois gols de Garrincha – o maior craque da Copa, após Pelé ter se contundido na segunda partida – e dois de Vavá. Ao final do jogo, Garrincha foi expulso. O juiz peruano Arturo Yamazaki não viu o lance, denunciado pelo bandeirinha uruguaio Esteban Marino, em que ele atingiu o meio-campista Rojas. Nosso fabuloso ponta-direita não deveria jogar a final, mas Marino, misteriosamente, deixou o país às pressas. Sem seu depoimento, Garrincha acabaria sendo absolvido pela Fifa e pôde atuar na decisão (3 a 1 contra a Tchecoslováquia). A Confederação Brasileira de Desportos (CBD), antecessora da CBF, teria providenciado a viagem do bandeirinha para o Brasil. Um mês depois, ele seria contratado como árbitro pela Federação Paulista de Futebol.

Longos 36 anos mais tarde, brasileiros e chilenos se cruzariam pela segunda vez numa Copa. Foi em 1998, no Parc des Princes, em Paris, onde o Brasil golearia por 4 a 1. Duas coincidências curiosas. Na França, como será agora na África do Sul, era uma partida pelas oitavas. E na primeira fase a seleção brasileira vencera apertado na estreia por 2 a 1 (Escócia), ganhara a segunda com um folgado marcador de 3 a 0 contra um africano (Marrocos) e decepcionara na terceira diante de um europeu (a diferença é que não empatou, mas perdeu por 2 a 1 da Noruega). Naquela noite parisiense, nosso camisa 8 – ele mesmo, Dunga – cobrou uma falta na lateral que originaria o primeiro gol, assinalado por César Sampaio, que ainda faria o segundo. O terceiro e o quarto foram de Ronaldo.

Parte de tais histórias se baseia no saboroso livro O Mundo das Copas, de Lycio Vellozo Ribas, uma ótima sugestão de leitura, consulta ou companhia entre um e outro jogo deste Mundial.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Replay | 18:29

Lembranças da fogueteira

HOJE… A combinação de resultados desta sexta-feira, 25, pôs Brasil e Chile nas oitavas de final da Copa de 2010. As suas seleções se enfrentaram duas vezes na Copa: em 1962, o Brasil ganhou de 4 a 2 na semifinal, a caminho do título. Em 1998, também nas oitavas, como agora, o Brasil venceu por 4 a 1.

ONTEM… A partida entre Brasil e Chile faz lembrar um momento menor, embora divertido, da história do futebol. Era 3 de setembro de 1989, derradeiro jogo do Brasil pelas eliminatórias da Copa de 1990, contra o Chile, no Maracanã. Se perdesse, a seleção de Lazaroni e Dunga ficaria fora de um Mundial pela primeira vez na história. A seleção vencia por 1 a 0 quando o goleiro chileno Rojas foi ao chão, sangrando, supostamente atingido por um foguete de São João. Depois de muita confusão, o jogo foi interrompido. Descobriu-se, horas depois, que o artefato tinha sido disparado por Rosenery Mello, que entraria para os anais – no papel de heroína, ressalve-se – como “a fogueteira”. Loira artificial, ela chegou a posar nua para a revista Playboy. Hoje, aos 45 anos, casada, ela comanda um bar de pagode na região dos Lagos, no Rio de Janeiro. Como se fosse uma Greta Garbo brasileira, pede que a esqueçam.

O tempo, e a ajuda de ampla investigação da polícia e da Fifa, comprovou que o foguete, tão celebrado, não atingiu o goleiro do Chile, Rojas. Antes da partida ele já tinha bolado um estratagema desonesto. Escondeu, na luva, lâminas de barbear – tinha decidido que, em determinado momento, cortaria o próprio rosto, e com a alegação de falta de segurança, faria a partida ser interrompida. O estouro do foguete foi o momento adequado para pôr o golpe em ação. Deu tudo errado – o Chile perdeu, Rojas foi banido do futebol e sua seleção afastada de duas Copas consecutivas. Depois, Rojas trabalharia no São Paulo Futebol Clube. Para a explosiva Rosenery couberam 15 minutos de fama, agora razoavelmente recuperados. Em tempo: ela não estará no Ellis Park, na próxima segunda-feira. Risco, se houver, é que uma vuvuzela voe ao gramado.

(Por Fábio Altman, de Durban)

O Chile é o próximo adversário do Brasil

Chilenos na marcação do espanhol Torres: adversários bravos, mas não temíveis

O Brasil começou esta sexta-feira com grandes chances de enfrentar a qualidade da Espanha ou a retranca da Suíça já em seu próximo jogo, nas oitavas-de-final. Mas acabou recebendo uma surpresa agradável no caminho: vai pegar o Chile, seleção que já conhece bem e não costuma complicar as coisas nos encontros com a seleção. Tudo graças à incompetência dos suíços, que tinham a frágil seleção de Honduras pela frente para carimbar sua vaga. Mas a campeã mundial dos empates sem gols colocou mais um placar zerado em seu currículo, amargando uma eliminação merecida – afinal, ficou claro agora que a vitória por 1 a 0 contra a Espanha, na estreia, foi um resultado atípico. Os espanhois, que começaram sua campanha com a decepcionante derrota para os suíços, venceram sua segunda partida consecutiva: 2 a 1 no Chile, depois dos 2 a 0 em Honduras. É a líder do grupo H e agora vai pegar Portugal nas quartas-de-final, num clássico da península Ibérica.

O Chile pode não ser o mais fraco adversário que a seleção brasileira poderia pegar, mas é certamente uma das melhores opções possíveis para fazer um jogo sem grandes surpresas. Com jogadores bem conhecidos dos brasileiros – como o meia Valdívia, que foi do Palmeiras – e confrontos frequentes com a seleção – em Copa América e Eliminatórias -, os chilenos serão adversários na medida para começar a fase eliminatória. Não é a primeira vez que a seleção pega o Chile nas oitavas: em 1998, na França, os chilenos foram os rivais do Brasil nessa mesma etapa, e perderam para o time comandado pelo técnico Zagallo por 4 a 1, em um jogo tranquilo. Na partida desta sexta, disputada em Pretória, os chilenos foram bravos e lutaram até o fim pelo empate – mas a vantagem aberta pelos espanhóis logo na primeira etapa, 2 a 0, gols de David Villa e Iniesta, mostrou-se grande demais. Os sul-americanos diminuíram com Millar, mas estavam com um homem a menos (Estrada foi expulso) e não conseguiram igualar o marcador. Para o Brasil ficou de bom tamanho; para a Copa, também – a Espanha vai para o outro lado da chave e a Suíça volta para casa, livrando o torneio de seu irritante defensivismo.

(Por Giancarlo Lepiani, de Durban)

Cenas do 15º dia

Completaram a rodada as partidas: Portugal x Brasil, Coreia do Norte x Costa do Marfim, Chile x Espanha e Suíça x Honduras. Confira as imagens dos jogos.

Espanha vence Chile por 2 a 1

A Espanha não precisou de muito empenho para vencer o Chile na decisão das últimas vagas para as oitavas – e para saber quem enfrenta o Brasil na segunda-feira. Villa e Iniesta marcaram para a Espanha. O chileno Estrada foi expulso e a equipe sul-americana, que fez ótima campanha nas eliminatórias, só se ganatniu porque Suíça e Honduras empataram em 0 a 0.

Depois de amplo domínio no primeiro tempo e já com a vantagem de 2 a 0, logo no início do segundo tempo, Millar recebeu a bola na entrada da grande área e chutou. Houve desvio em Piqué e o goleiro Bravo não conseguiu chegar à bola.

O Chile estava com cara de quem estava pronto para entrar na guerra mesmo, mas recuou novamente e a Espanha dominava completamente o campo e comandava todas as jogadas mais perigosas.

Com o resultado final de 2 a 1, o Brasil enfreta o Chile na segunda-feira, enquanto Portugal se encontra com Espanha.

Seleções | 06:15

Rota para o hexa já começa a ser traçada

No caminho do Brasil: Holanda comemora a vitória contra Camarões (Foto: Getty)

O Brasil sempre se classificou em primeiro de seu grupo desde que o atual formato de disputa da Copa foi adotado. Se repetir o costume nesta sexta-feira, contra Portugal, em Durban, a seleção terá definido seu caminho até a finalíssima, marcada para o dia 11 de julho, no estádio Soccer City, em Johannesburgo. E essa rota é no mínimo promissora para o Brasil, que cairia num lado da chave em que não existe nenhuma seleção recentemente campeã do mundo. Ainda que tenha que pegar a perigosa Espanha nas oitavas – o que, é claro, seria uma partida de alto risco para o time de Dunga -, a seleção poderia caminhar até a decisão sem enfrentar nenhuma de suas inimigas mais tradicionais. Nas quartas-de-final, pegaria o vencedor do jogo entre Holanda e Eslováquia. E na semifinal, o duelo seria contra a seleção que escapar do cruzamento entre Uruguai (bi, mas nos distantes 1930 e 1950) e Coreia do Sul e Estados Unidos e Gana.

Em caso de derrota para Portugal nesta sexta, o Brasil pode trilhar uma rota bem diferente. Ficando em segundo do grupo, vai para o outro lado da chave e joga em cidades diferentes do que se previa. O adversário das oitavas só será conhecido nesta sexta, mas já se sabe que, nas quartas, o duelo seria contra Paraguai ou Japão. Na semifinal é que vem o problema: pode pegar um campeão mundial, já que o outro semifinalista sairia dos cruzamentos entre Argentina e México e Alemanha e Inglaterra. O Brasil já eliminou a Argentina da Copa (em 1982). Já bateu a Alemanha na final de um Mundial (em 2002). E já ganhou tanto dos ingleses que eles viraram até um sinal de sorte no caminho até os títulos conquistados pela seleção (em quatro deles, 2002, 1970, 1962 e 1958, enfrentou o English Team na rota para a decisão). Ainda assim, melhor evitar um duelo com essas potências antes da grande final. Melhor despachar Portugal e pavimentar uma trilha mais confortável até o Soccer City daqui a três domingos.

(Por Giancarlo Lepiani, de Durban)

Depois do jogo, hora de conhecer o rival


Espanha contra Suíça no jogo de estreia: luta por uma vaga no grupo H (Foto: Getty)

A seleção brasileira tem um longo dia pela frente nesta sexta-feira, em Durban: depois da inglória missão de enfrentar a boa seleção portuguesa à tarde (no horário local, manhã no Brasil), Dunga e seus comandados precisam ficar atentos a mais dois jogos à noite (tarde no Brasil). Nos duelos que fecham a primeira rodada, Espanha x Chile e Suíça x Honduras definem as vagas no grupo H e a montagem das chaves da fase eliminatória do torneio. Desses dois jogos sairá o próximo adversário do Brasil na Copa, o primeiro da etapa em que perder significa voltar direto para casa. Confirmando o primeiro lugar no grupo G, o Brasil enfrenta o segundo colocado do H. Espanhóis e suíços, com três pontos cada, parecem candidatos a essa vaga. Mas o Chile, que tem seis, pega a Fúria espanhola e, se perder, pode ver sua liderança escapar na diferença do saldo de gols. Um empate cairia como uma luva – garantiria a classificação em primeiro lugar.

No outro duelo, em Bloemfontein, Honduras tem uma chance matemática de classificação – mas ninguém acredita que os azarões do grupo derrotarão a Suíça, que a Espanha perderá para o Chile e que os hondurenhos se desdobrarão para tirar a diferença de saldo de gols que pesa em favor dos espanhóis antes da rodada desta sexta. A tarefa dos suíços é mais simples. A vitória por dois gols de diferença garante um lugar nas oitavas, sem nem precisar olhar para o placar de Espanha x Chile. Se a Fúria perder, até um empate resolve. Caso os favoritos Espanha e Suíça vencerem seus jogos desta sexta, a definição do rival do Brasil nas oitavas acontecerá só nos critérios de desempate. Ficando em primeiro do grupo, o Brasil joga contra o segundo da chave H na segunda-feira, em Johannesburgo, às 15h30 (no horário de Brasília). Se cair para segundo, pega o campeão do grupo H na terça-feira, na Cidade do Cabo, no mesmo horário.

(Por Giancarlo Lepiani, de Durban)

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