
A dois dias de conquistar o prêmio de melhor jogador do mundo na festa da Fifa – ninguém acredita em qualquer outro resultado na votação -, o argentino Lionel Messi deu ao Barcelona seu primeiro título de campeão mundial de clubes, neste sábado, em Abu Dhabi. Os espanhóis, que já tinham sido derrotados por São Paulo e Internacional em outras finais, começou perdendo para o Estudiantes, da Argentina, mas empatou o placar com Pedro e virou só na prorrogação, justamente com Messi. O craque argentino marcou com o peito, no finzinho, depois de uma atuação pouco inspirada. De qualquer forma, decidiu o placar e ainda levou o prêmio de melhor jogador do torneio. Foi o primeiro título mundial do clube catalão.
O Barça comemorou demais – o técnico Guardiola, vice como jogador diante do São Paulo em 1992, não conseguia segurar o choro. As imagens confirmaram que os europeus valorizam, de fato, a conquista do Mundial. Mais uma vez, no entanto, o torneio que fecha o calendário do futebol internacional não empolgou. Com times fragilíssimos dividindo espaço com apenas dois grandes, a competição repetiu a mesma história dos anos anteriores: uma série de partidas de nível lastimável antes do único jogo que realmente importa, o confronto entre sul-americanos e europeus. Se a Fifa quer emplacar o torneio com o status sugerido pelo nome oficial da competição – a “Copa do Mundo de Clubes” -, precisa repensar sua fórmula. A seguir, cinco passos sugeridos pelo Blog da Copa para finalmente transformar o evento numa verdadeira Copa entre clubes:
1. Só um “pangaré” por vez
Se a Copa do Mundo de seleções tem Eliminatórias, por que não o Mundial de Clubes? Abrir um torneio tão importante com uma partida entre um time da Nova Zelândia e outro dos Emirados Árabes, como ocorreu neste ano, é no mínimo desanimador. Os continentes com menor tradição no futebol – África, América do Norte, Ásia e Oceania – precisam ter acesso ao Mundial, é claro. Mas uma vaga a ser disputada por todos eles já está de ótimo tamanho. Os campeões de cada região poderiam disputar uma seletiva que apontaria o participante mais forte de todos. E só ele entraria na Copa de Clubes.
2. Mais gigantes na disputa
Ao invés de um time da América do Sul e outro da Europa, melhor dobrar o número de vagas para cada região. Assim, campeão e vice da Libertadores e campeão e vice da Liga dos Campeões estariam no Mundial. Ainda que alguma zebra se colocasse entre os classificados – como a LDU em 2007, por exemplo – , a presença de pelo menos dois ou três gigantes do futebol mundial seria garantida. A Copa de Clubes não teria só um jogo importante e atraente, mas sim vários deles.
3. Levar a festa para grandes palcos
Por motivos comerciais, o Mundial tem sido realizado nos países de origem dos principais patrocinadores do evento – o Japão, da montadora Toyota, e os Emirados Árabes, da companhia aérea Emirates. Além disso, é sabido que a Fifa gosta de usar competições como essa para popularizar e promover o futebol em regiões onde a modalidade não é tão difundida. Mas se a Fifa quer valorizar de vez o torneio, precisa levá-lo para países tradicionais na geografia da bola.
4. Festival de grandes clássicos
Com dois times sul-americanos, dois europeus, um representante do país-sede e outro dos “emergentes”, seria possível realizar dois triangulares na primeira fase, colocando frente a frente, logo no começo, clubes do pelotão de elite do futebol mundial. Jogariam todos contra todos nessa etapa classificatória e o primeiro de cada chave avançaria à grande final. Ao invés de se resumir a uma só grande partida, como ocorre hoje, o Mundial teria pelo menos cinco ou seis confrontos de primeira categoria.
5. Emprestar prestígio ao evento
Para transformá-lo de fato numa Copa de Clubes, não custa nada valorizar o torneio também fora de campo. A Fifa poderia, por exemplo, relacionar o Mundial com a festa de gala da entidade, que costuma acontecer um ou dois dias depois da competição. Que tal fazer a final num sábado e realizar a apresentação do melhor jogador do mundo no domingo, no mesmo local onde ocorreu o Mundial? Com isso, todas as grandes estrelas do futebol estariam reunidas num mesmo local, numa semana de festa, para encerrar cada ano com chave de ouro.
Exemplos do que poderia acontecer a partir das mudanças acima? Que tal uma Copa de Clubes no Brasil com Barça, Manchester United, Cruzeiro, Estudiantes e Flamengo, e a festa de entrega do prêmio de melhor do mundo no Rio de Janeiro? Ou um Mundial na Inglaterra, com Real Madrid, Milan, Chelsea, Boca Juniors e algum brasileiro, como São Paulo, Grêmio, Palmeiras, Inter…
Por Giancarlo Lepiani