
Messi, sempre bem marcado: só um lance perigoso em cada etapa (Foto: Getty)
Eles têm o melhor jogador do presente e são treinados pelo segundo melhor do passado. Mas os argentinos jogaram de forma tão prática e direta quanto quase todas as seleções desta Copa do Mundo em sua vitória por 4 a 1 sobre a Coreia do Sul, nesta quinta-feira, em Johannesburgo – a diferença é que arranjaram mais gols. Quem foi ao estádio Soccer City para ver a criatividade de Messi teve de se contentar só com alguns lampejos do camisa 10. Melhor mesmo foi Tevez, com seu futebol sem firulas, Higuaín, oportunista e decisivo, e Dí María, rápido e jogando sempre em direção ao gol. O jovem Dí María, aliás, surge como uma nova estrela da Argentina. Horas antes do jogo, a imprensa espanhola noticiava a sua provável transferência do Benfica para o Real Madrid, por 25 milhoes de euros.
Órfãos de Verón, machucado, os argentinos começaram a partida sem ninguém para controlar o jogo no meio-campo. Diante de uma Coreia bem postada na defesa, a seleção de Diego Maradona não conseguia produzir jogadas criativas. À moda de todas as outras seleções do Mundial deste ano, restou à Argentina apelar ao pragmatismo e explorar o ponto mais frágil dos adversários. Essa aposta foi na bola parada e nos cruzamentos altos sobre a área. Para conseguir abrir o placar, os argentinos contaram com uma gol contra – e de canela – do camisa 10 sul-coreano, Park Chi-young, aos 17 minutos. E foi em outra jogada aérea, depois de cruzamento de Maxi Rodríguez e escorada de Burdisso, que Higuaín ampliou, de cabeça, aos 33.
Os outros lances de perigo da Argentina no primeiro tempo seguiram a mesma receita: uma bomba de Tevez numa falta frontal ao gol passou por cima e outro canhão de Dí María numa sobra de bola após um cruzamento, defendido pelo goleiro Jung Sung-ryong. Aos 43, a única faísca de genialidade de Messi na primeira etapa: enfileirou três zagueiros e quase marcou num toque sutil. No resto do tempo, o craque da equipe ficou encaixotado na marcação. Apesar de buscar fazer um jogo seguro, a Argentina foi ao vestiário antes do segundo tempo com um placar mais apertado: numa distração inexplicável de Martín Demichelis, Lee Chung-yong roubou a bola na entrada da grande área e marcou com facilidade na saída do goleiro Romero, até então um mero espectador da partida.
Alarmada com o gol dos sul-coreanos, a Argentina começou o segundo tempo acelerando o ritmo. Numa das poucas jogadas bem tramadas de seu ataque, quase ampliou, com Higuaín, concluindo uma boa tabela, aos 7 minutos. Aos 9, foi a vez de Tevez fazer o goleiro trabalhar, com um tiro perigoso da entrada da área. Mas a Coreia não se acovardou: nos cinco minutos seguintes, foi para o ataque e criou boas chances. Na melhor delas, Khun ficou a centímetros de empatar. Por volta dos 20 minutos do segundo tempo, o jogo ficou bem mais franco, com a Coreia perseguindo o empate e a Argentina aproveitando o fato de enfim ter espaço para se movimentar. A surpresa era que os coreanos conseguiam assustar mais que os favoritos.
Temeroso com o crescimento da Coreia, Maradona colocou em campo Agüero no lugar de Tevez, e a substituição funcionou logo em seguida: aos 31, o atacante que acabara de entrar, genro de Maradona, mostrou que era o parceiro de quem Messi precisava. Fez uma tabela envolvente com o camisa 10, e Messi invadiu a área para chutar. O goleiro rebateu, Messi tentou de novo, a bola triscou na trave e Higuaín completou, quase embaixo das traves. Aos 35, com a Coreia claramente desesperada, virou goleada: Higuaín completou um cruzamento pelo alto e só completou de cabeça, marcando seu terceiro gol na Copa e assumindo a artilharia do torneio. Nos minutos finais, a Argentina só segurou a bola, já pensando no que vem pela frente – mais que o jogo final do grupo, quando cumpre tabela contra a Grécia, a segunda fase, que é o que realmente importa.
(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Higuaín, três gols no jogo: disparando na artilharia (Foto: Getty)