
A confusão armada pelo auxiliar: gol que mudou a história do jogo (Foto: Getty)
Eles não brilharam e ganharam os dois primeiros gols de presente – um da arbitragem, outro de um zagueiro abalado pela falha absurda do trio italiano que apitava o jogo. Mas o que importa mesmo para a Argentina é que sua seleção bateu o México por 3 a 1, neste domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, continua com uma campanha perfeita (quatro vitórias em quatro jogos) e agora tem presença assegurada no que promete ser o grande duelo da Copa até o momento. Sábado, na Cidade do Cabo, Argentina e Alemanha, que podem ser consideradas as duas melhores seleções do Mundial até aqui, lutam por uma vaga na semifinal, quatro anos depois de um encontro de quartas, como agora. Em 2006, deu Alemanha, nos pênaltis.
Para quem esperava uma Argentina em total controle do jogo, os primeiros dez minutos foram surpreendentes. Os mexicanos foram à frente e, num intervalo de dois minutos, tiveram duas chances claríssimas de gol, ambas com Salcido – aos 8, uma bomba que explodiu no travessão, e aos 10, um chute cruzado que raspou a trave do goleiro Romero. A resposta veio com Messi, que levava a torcida se levantar cada vez que pegava na bola. Aos 12, ele chutou por cobertura, exigindo uma defesa difícil do goleiro Pérez. O México foi claramente superior na primeia metade da etapa inicial: marcava forte, não deixava a Argentina jogar e se lançava ao ataque com rapidez.
Mas foi justamente neste momento que o time de Maradona abriu o placar, na segunda trapalhada da arbitragem da Copa neste domingo. Numa bola que veio pelo alto, Messi dominou e lançou Tevez na área. O goleiro Pérez rebateu, e Messi voltou a acionar Tevez, desta vez pelo alto. Em escandalosa posição de impedimento, o argentino empurrou de cabeça para o gol vazio. O lance provocou grande confusão: o auxiliar foi pressionado pelos mexicanos, que pediam a anulação do gol. Mas o juiz italiano Roberto Rossetti validou o lance. Os mexicanos se enervaram e, logo no lance seguinte, o capitão Rafa Márquez levou amarelo por uma chegada forte em Messi, de quem é companheiro de time, no Barcelona.

Tevez comemora o primeiro gol: o melhor da partida deste domingo (Foto: Getty)
Ainda sob impacto do gol injustamente validado, os mexicanos tomaram o segundo, num erro bisonho de Osório, que deixou a bola de presente Higuaín na entrada da área. O novo artilheiro isolado da Copa (4 gols) ficou livre para marcar com muita calma. E virou massacre: os argentinos encurralavam os mexicanos, desperdiçando boas chances de ampliar. O México estava atordoado. E Maradona, à beira do gramado, pedia calma aos seus pupilos – queria que eles trabalhassem a bola no ataque, cadenciando mais o jogo. Os mexicanos enfim colocaram os nervos no lugar no fim da primeira etapa, e voltaram a atacar com perigo, expondo as fraquezas da defesa argentina.
Na volta para o segundo tempo, o México voltou a tentar esboçar um aperto nos argentinos. Mas Carlos Tevez, o melhor do jogo, tratou de apagar o ímpeto dos adversários: pegou a bola na meia-lua da grande área e soltou um tiro certeiro de pé direito, no ângulo de Pérez. A torcida mexicana se calou e a Argentina passou a administrar o resultado, enquanto os rivais buscavam apenas um gol de honra – com Hernández, de cabeça, aos 18, chegaram perto disso. O mesmo Hernández, revelação mexicana que já tinha brilhado contra a França, diminuiu a vantagem argentina aos 26 minutos da etapa final, com um chutaço de pé esquerdo, deixando o goleiro sem reação.
O México martelou de maneira incansável durante os quinze minutos finais, mas já tinha sofrido um prejuízo irreparável logo na primeira etapa. Saiu de cabeça erguida – e inchada pelos erros que provocaram o 2 a 0 logo no começo. Aos argentinos fica a chance de comemorar mais uma vitória neste Mundial. Mas também sobram alguns alertas. Se não corrigir sua marcação e deixar sua defesa mais firme, vai ter problemas contra a impiedosa e veloz Alemanha de Oezil, Muller, Schweinsteiger e Podolski. Vai ser um encontro de gigantes, imperdível para qualquer um que goste de bom futebol.
(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)