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Posts Tagged ‘Argentina’

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Replay | 05:02

Disputa por título inédito

HOJE… As equipes da Espanha e da Holanda acordaram nesta quinta-feira com um prazo de só quatro dias de preparação para o maior jogo da história de suas seleções. Com a vitória dos espanhóis contra os alemães, 1 a 0, na quarta, foi garantida a realização de uma final entre dois países que jamais conquistaram um Mundial. Haverá, portanto, um novo campeão do mundo no domingo, no estádio Soccer City. A Holanda já disputou duas finais, e perdeu as duas – mas em ambos os casos jogou contra uma seleção que estava em casa. A Espanha jamais chegou tão longe num Mundial.

ONTEM… A última vez que a final da Copa teve a garantia de que surgiria um novo campeão foi há 32 anos – curiosamente, na última Copa realizada no hemisfério sul antes do atual Mundial. Na Argentina-1978, os donos da casa tentavam seu primeiro título, em plena ditadura militar, quase com a obrigação de vencer. Tinham pela frente os holandeses, vice-campeões na Copa anterior, na Alemanha-1974. Assim como agora, duas seleções que já tinham sentido o sabor de conquistar a Copa ficaram para trás na fase semifinal e tiveram de se contentar com a disputa de terceiro lugar – o Brasil venceu a Itália por 2 a 1, em 24 de junho de 1978. No sábado, será a vez do duelo entre Alemanha e Uruguai. Um dia depois, jogam Holanda e Espanha. E há 32 anos, os holandeses deixaram escapar a chance do título inédito para os argentinos, que desde então ganharam mais uma Copa, em 1986. No vídeo a seguir, o jogo decisivo de 1978 e a glória de uma nova campeã do mundo:

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sábado, 3 de julho de 2010

Replay | 14:42

Quando a Argentina levou de quatro

HOJE… Alemanha 4 x 0 Argentina, e muito mais não se deve dizer de uma vitória maiúscula, como diriam os locutores de antigamente. Klose fez dois gols. Tem agora 14 em Copas do Mundo, uma a mais que o francês Just Fontaine e apenas um a menos que Ronaldo. Oezil, o canhotinha da camisa número 8, uma vez mais desfilou sua elegância discreta. Mas falávamos da derrota argentina, a maior desde 1974, diante da Holanda de Cruyff, Neeskens e Rep.

ONTEM… Em 1974, na Copa da Alemanha, a Holanda também fez 4 a 0 na Argentina. Numa homenagem à equipe atual, de Robben e Sneijder, 6m10 daquela partida de 26 de junho de 36 anos atrás. Percebam que, nos melhores momentos, não há um único ataque argentino. Notem que o banco da Argentina parece estupefato. A narração, em holandês, realça o tom nostálgico daquela equipe espetacular.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

Seleções | 13:50

Maradona falou demais. E caiu de quatro

Maradona vê o massacre alemão: o show do treinador-boleiro acabou na Cidade do Cabo (Foto: Getty)

Quando chegou à África do Sul para comandar a seleção Argentina na Copa do Mundo, Diego Maradona começou a desafiar as leis da física: transformou-se num caso inédito de baixinho que olha para os outros por cima, com um ar de superioridade de alguém que esperneia em público quando se fala que ele não foi melhor que Pelé. A equipe comandada pelo ex-craque começou bem no torneio, mas em nenhum momento foi tão arrasadora e espetacular quanto Maradona fazia parecer. O treinador-boleiro, que tinha uma relação inusitada com os jogadores – parecia a todo momento querer se juntar a eles no campo, ao invés de comandá-los -, não foi campeão, mas aproveitou para aumentar sua interminável lista de frases de efeito.

Disse, por exemplo, que era vontade de Deus que a Argentina chegasse à final. Além da linha direta com o céu, Maradona também parecia ter sempre a razão – tanto que exigiu desculpas dos jornalistas que criticavam o time depois de classificar o time às oitavas-de-final (o que, convenhamos, não era nada mais que a obrigação). “Para ganhar deste time terão que tirar a pele”, disse, na ocasião. Não foi o que pareceu neste sábado, com o passeio da Alemanha, por 4 a 0, na Cidade do Cabo. Ainda bem que os prognósticos do ex-craque não se confirmaram. Afinal, ele ficou livre de pagar um mico sem precedentes. “Se ganhamos este Mundial, eu fico pelado e dou a volta no Obelisco”, prometeu, pouco antes do embarque.

Além de fracassar na busca pelo título – estendendo um incômodo jejum para a Argentina, que já contabiliza 24 anos sem levar a Copa para Buenos Aires -, Maradona também falhou feio numa missão importante: a de fazer o melhor jogador do mundo, Lionel Messi, brilhar no palco máximo do futebol internacional. Especialista na posição e sabedor da encrenca que é chegar a uma Copa com o peso de ser apontado com o grande nome do torneio – foi assim em 1990, depois da exibição genial e campeã em 1986 -, o técnico prometia fazer Messi se transformar no craque da Copa. Se não chegou a ser um fiasco, o astro do Barcelona também não chegou a convencer. Está embarcando para casa sem ter marcado um golzinho sequer.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Seleções | 13:45

Imprensa argentina comenta massacre

"Suor e lágrimas" estampa a versão on-line do diário argentino Olé

Não poderia ser diferente. A imprensa argentina reagiu com grande surpresa e lamentou a goleada da Alemanha, por 4 a 0, sobre os comandados de Diego Maradona, nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

O diário Olé, que ironizou a derrota brasileira para a Holanda no Mundial, buscou um tom emotivo. “Suor e lágrimas”, estampa a capa da versão on-line do jornal.

No texto, não poupou críticas pela goleada sofrida: “A Argentina se despediu da Copa do Mundo nas quartas-de-final, como há quatro anos, na Copa da Alemanha. Desta vez foi pior a surra”, lamentou.

O La Nación recordou que “faz 20 anos que a seleção nacional não fica entre as quatro melhores de uma Copa” e destaca:  “Alemanha desnudou falências da Argentina e deixou o time de Maradona fora da Copa”.

Já o Clarín preferiu ressaltar o bom momento da seleção alemã na competição para ressaltar a eliminação argentina. “A seleção se foi com um golpe duríssimo”, destaca.

Não poderia ser diferente. A imprensa argentina reagiu com grande surpresa e lamentou a goleada da Alemanha, por 4 a 0, sobre os comandados de Diego Maradona, nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

O diário Olé, que ironizou a derrota brasileira para a Holanda no Mundial, buscou um tom emotivo. “Suor e lágrimas”, estampa a capa da versão on-line do jornal.

No texto, não poupou críticas pela goleada sofrida: “A Argentina se despediu da Copa do Mundo nas quartas-de-final, como a quatro anos, na Copa da Alemanha. Desta vez foi pior a surra.”, lamentou.

O La Nación, outro importante veículo de comunicação argentino, estampava: “Alemanha desnudou falências da Argentina e deixou o time de Maradona fora da Copa”.

Jogos, Seleções | 12:51

Alemanha não dá chance para Argentina: 4 a 0 com sobras. Alguém impede o tetra?

Não teve nem graça: no show alemão, até o zagueiro Friedrich fez gol de centroavante (Foto: Getty)

A Alemanha ainda não ganhou o troféu de campeã do mundo, mas assegurou um outro título neste sábado, na Cidade do Cabo – tem o melhor futebol desta Copa até agora. No aguardado duelo contra a Argentina, no estádio Green Point, a seleção tricampeã foi implacável: nem tomou conhecimento da badalada seleção treinada por Diego Maradona e aplicou um 4 a 0 categórico numa rival que já tinha eliminado também da Copa passada. Além de impor uma goleada humilhante e incontestável sobre os argentinos, os comandados do técnico Joachim Low também mandaram de volta para casa o melhor jogador do mundo, Messi, que passou em branco na Copa – não marcou um gol sequer. Na Copa da África do Sul, melhores mesmo são Oezil, Muller, Schweinsteiger, Podolski e Lahm, que já formam uma seleção memorável antes mesmo do fim do torneio.

Fica a dúvida: ainda tem alguém neste Mundial capaz de parar os alemães e impedir que eles conquistem o tetra? A pergunta começa a ser respondida no segundo jogo do dia, entre Espanha e Paraguai, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, a partir das 15h30 (no horário de Brasília). É desse jogo que sai o adversário da já favorita Alemanha nas semifinais. Se for a Fúria, será uma chance de ouro para a Alemanha vingar sua última grande decepção: na final da Eurocopa, há dois anos, a Espanha foi campeã batendo justamente os alemães na final. Além de decidir a vaga na final, a Alemanha tem na semi a chance de fazer história através de Klose, seu artilheiro, que agora tem 14 gols em Mundiais, só um a menos que o recordista Ronaldo. Deixou para trás nesta Copa Pelé, Gerd Muller e Just Fontaine.

No jogo deste sábado, eles foram melhores simplesmente por todo o tempo. Começaram abrindo o placar com Muller, jovem destaque de um time cuja média de idade é uma das menores do Mundial. Poderiam ter terminado o segundo tempo com uma vantagem maior, mas os argentinos deram sorte. No começo do segundo tempo, Maradona mandou a equipe para o ataque. Os alemães mal se incomodaram: com uma defesa firme, quase não levaram sustos. E na segunda metade da etapa final, veio a hora de gastar a bola e dar show. Klose, depois de jogada de Podolski, fez 2 a 0 aos 23. Friedrich completou uma jogada linda de Schweinsteiger aos 29. E no penúltimo minuto, Klose fechou a conta, depois de cruzamento de Oezil. A Argentina volta para Buenos Aires. E o mundo é poupado de ver Maradona cumprir a promessa de tirar a roupa em público se seus pupilos conquistassem o tricampeonato para o país.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Jogos, Seleções | 08:16

Encontro dos gigantes na Cidade do Cabo

Chegou a hora da partida mais aguardada do Mundial até agora. Neste sábado, a partir das 11 horas (no horário de Brasília), o estádio Green Point, na Cidade do Cabo, reunirá vários dos melhores jogadores deste Mundial – e as duas seleções mais cotadas para ganhar o título depois da queda do Brasil. De um lado, a Alemanha, com seus jovens valores, futebol muito rápido e belos contragolpes. Do outro, a Argentina, das bonitas tramas ofensivas puxadas por Messi e completadas pelos matadores Higuaín e Tevez. O ganhador da partida deste sábado pega na semifinal o vencedor de Paraguai x Espanha, que jogam algumas horas depois. Mas poucos acham que quem sair do duelo de titãs na Cidade do Cabo ficará de fora da final, marcada para o próximo domingo.

Além de reunir os dois times que mais empolgaram na Copa até aqui, a partida de quartas-de-final entre alemães e argentinos é a reedição do encontro eliminatório ocorrido no Mundial passado, na mesma fase da competição. Jogando em casa, a Alemanha se classificou para a semifinal batendo a Argentina nos pênaltis, depois de uma partida extremamente equilibrada. Espera-se o mesmo neste sábado, já que as duas seleções têm em comum um ataque poderoso, que exige muito das defesas adversárias. Entre os jogadores envolvidos no clássico, destaque, evidentemente, para Messi, que ainda está à procura de seu primeiro gol nesta Copa. Mas atenção também para a surpreendente dupla alemã Oezil e Muller, para o excelente meia argentino Di María, para o veteraníssimo matador germânico Klose (12 gols em Copas e ainda no páreo para quebra o recorde de Ronaldo, com 15). Prato cheio para qualquer amante do futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

A derrota na imprensa internacional

A imprensa internacional deu destaque à eliminação brasileira da Copa por conta do favoritismo da equipe de Dunga. O francês L’Équipe deu o título “Holanda samba’ em sua reportagem principal, destacando que a equipe europeia “arrancou” uma vitória do Brasil.

O italiano Gazzetta dello Sport fala em “grande surpresa” e dá o título “Sneijder tira o Brasil…” No texto, fala que o Brasil dominou totalmente o primeiro tempo, mas se perdeu após um gol fortuito.

O argentino Olé, que costuma não economizar na acidez contra o Brasil, estampou “Brasil 2014” sobre uma tarja cor de laranja. O Clarín , também  rgentino, tinha o destaque “Brasil, sem reação, deixou o Mundial pela porta de trás”, e também diz que depois de comandar a partida o Brasil não soube suportar o gol na”falha do goleiro Júlio César”.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Seleções ‘estrangeiras’ dão certo

Maradona e Alemão em 1990: os dois eram do Napoli

O lugar-comum: O êxodo de jogadores de países com força econômica limitada, como Brasil, Argentina e Uruguai, causa problemas na formação de uma seleção vencedora. Era melhor quando todos jogavam em seus próprios países, não na Europa.

Roque Santa Cruz: paraguaio que joga na Inglaterra

O que mostra a Copa de 2010: Os jogadores que atuam no exterior formam seleções de primeiro nível – e não sofrem problemas de adaptação ou entrosamento, já que quase todos estão no futebol europeu. A América do Sul, principal prejudicada pelas perdas precoces de suas grandes revelações, tem nada menos que quatro das oito seleções das quartas-de-final. Um sinal de que as queixas contra a formação de seleções formadas majoritariamente por jogadores contratados por clubes mais ricos são coisa do passado. A saída em massa de jogadores para o futebol europeu é fenômeno antigo, que já se estende por um período de mais de duas décadas. No primeiro Mundial que o Brasil disputou levando uma seleção formada principalmente por jogadores que atuavam fora do país – na época apelidado de “estrangeiros” -, na Itália-1990, a campanha foi ruim (Brasil eliminado nas oitavas). Os críticos da seleção diziam que os jogadores tinham virado europeus, e que seria melhor convocar quem ainda estava no país. No futebol atual, porém, pouca gente ainda insiste na necessidade de levar quem joga no Brasil. Ficou claro que as seleções que reúnem craques das principais ligas do mundo, como os quadrifinalistas sul-americanos Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, reúnem os melhores jogadores – e, portanto, chegam fortes à Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Replay | 06:44

A saga de Alemanha e Argentina

HOJE… A goleada da Alemanha contra a Inglaterra (4 a 1), que entrará para as enciclopédias pelo gol que houve mas juiz e bandeirinha não viram, e a vitória da Argentina contra o México (3 a 1) desenham uma partida de quartas de final espetacular. “Gostaria de poder entrar em campo”, diz Maradona, saudoso de memoráveis partidas do passado. A equipe de Oezil e Muller enfrentará a de Messi e Tevez no sábado, 11 horas, na Cidade do Cabo. Imperdível numa Copa que, agora sim, pegou de vez, e de modo espetacular.

ONTEM… Clássico dos clássicos, Alemanha e Argentina fizeram história em três Copas. A saber:

1986, final

Maradona no apogeu, numa das maiores atuações de um único jogador em Copas, talvez a maior. Os argentinos derrotaram os alemães de Karl Heinz Rummenigge por 3 a 2. Ganhavam por 2 a 0, sofreram o empate mas asseguraram o título com um gol de Burruchaga. O vídeo ( 2m21) mostra como Maradona era o maestro a reger a equipe bicampeã do mundo.

1990, final

A Alemanha foi campeã ao vencer a Argentina por 1 a 0, gol de Andreas Brehme, de pênalti. Na semifinal, os argentinos tinhas despachado a Itália, que organizava a Copa. Venceu também nos pênaltis, em Nápoles, onde o camisa da 10 era considerado rei. O craque argentino pediu aos torcedores napolitanos que apoiassem seu time, e não a Squadra Azzura. Muitos acataram a sugestão. Na final em Roma, no entanto, Diego virou alvo da fúrias dos italianos, que o vaiavam como nunca. Perfilado para o hino, ele disparou impropérios. Nem é preciso leitura labial sofisticada para entender o que sai de sua boca, uma, duas, três vezes. Assista no vídeo abaixo ( 1m41):

2006, quartas de final

Tal como agora, em 2010, Alemanha e Argentina se enfrentaram na mesma fase da Copa, há quatro anos. Empate em 1 a 1 no tempo regulamentar, prorrogação e pênaltis. Vitória dos alemães por 5 a 3. Aqui, em 2m49:

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

domingo, 27 de junho de 2010

Jogos, Seleções | 19:50

Argentina x Alemanha, o jogo desta Copa

30 de junho de 2006, em Berlim: também nas quartas, como agora, a Alemanha levou a melhor

Quem ganhar ainda vai ter pela frente uma semifinal e a grande decisão. No páreo ainda estão equipes como Portugal, Espanha, Holanda e o pentacampeão Brasil. Mas é inescapável eleger como principal partida do Mundial da África do Sul até aqui o duelo marcado para o próximo sábado, dia 3 de julho, às 11 horas (no horário de Brasília), entre Argentina e Alemanha, no estádio Green Point, na Cidade do Cabo. Além da rivalidade entre os países e da presença de vários dos melhores jogadores da Copa, as seleções envolvidas nessa partida de quartas-de-final podem ser apontadas sem grande exagero como as duas maiores forças do torneio até o momento. É, portanto, uma espécie de final antecipada? Bem longe disso. A história das Copas ensina que ainda é muito cedo. As grandes seleções, as que chegam à última semana lutando pelo título, não precisam brilhar antes do tempo.

O Brasil, com duas vitórias e um empate, e a Holanda, com três triunfos, ainda podem reivindicar um lugar entre as grandes da competição até as oitavas – ambas jogam na terça, contra Chile e Eslováquia, respectivamente. Mas Alemanha e Argentina têm os melhores resultados por enquanto. Os alemães perderam uma partida contra a Sérvia. Mas suas três vitórias, contra Austrália, Gana e principalmente Inglaterra, foram mais categóricas que as quatro dos argentinos. O time do técnico Diego Maradona levou uma fama maior do que seus resultados, diga-se. Foi uma vitória simples contra a Nigéria, uma goleada sem grande brilho sobre a Coreia do Sul e outro triunfo morno sobre a Grécia. Neste domingo, contra o México, a Argentina se beneficiou bastante de um gol ilegal validado pela arbitragem. É uma campanha de respeito. Mas não permite tratar os argentinos como favoritíssimos.

O encontro do próximo sábado é uma reedição das quartas-de-final da Copa passada, quando Alemanha e Argentina se enfrentaram em Berlim, numa etapa da competição em que as duas eram, como agora, apontadas como as melhores daquele Mundial. Nenhuma das duas chegou à decisão. A Alemanha levou a melhor nos pênaltis. A Argentina voltou para casa, e os anfitriões da Copa perderam para a Itália, que se sagraria campeã. Ainda assim, o jogo envolve muita história. As seleções decidiram duas Copas seguidas, em 1986 (vitória argentina por 3 a 2) e 1990 (vitória alemã por 1 a 0). Nos confrontos diretos, a vantagem é da Argentina, 8 vitórias. Os alemães venceram cinco. Em outras cinco ocasiões, houve empate. Nas Copas, porém, a Alemanha ganhou dus contra só uma da Argentina – justamente a final de 1986, quando Diego Maradona era o craque e capitão dos sul-americanos.

Vinte e quatro anos depois, o ex-craque transformado em técnico tenta obter o primeiro título expressivo do futebol argentino desde que assombrou o mundo com seu desempenho no México – desde então, a seleção só amarga decepções nas Copas. A Alemanha, por outro lado, seguiu sua rotina de impressionante sucesso nos Mundiais. Em 1990, foi campeã. Em 2002, finalista mais uma vez, perdendo para o Brasil. E em 2006, terceira colocada. Se passar pela Argentina, a Alemanha estará a apenas um jogo de uma marca notável: oito finais disputadas. Só o Brasil pode atingir o mesmo número neste torneio. São muitos números, marcas e retrospectos na história do clássico. Mas o que importa mesmo é o que os alemães e argentinos farão no gramado do Green Point dentro de seis dias. Com Oezil, Muller, Schweinsteiger, Klose e Podolski de um lado, e Messi, Tevez, Higuaín, Di Maria e Mascherano de outro, é um jogo digno do tamanho dessas duas camisas vencedoras.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Cenas do jogo Argentina x México

Argentina e  México se enfrentaram pelas Oitavas de Final. A seleção argentina venceu a partida por 3 a 1. Confira as fotos do jogo.

Jogos, Seleções | 17:21

A Argentina derruba o México – e avança

A confusão armada pelo auxiliar: gol que mudou a história do jogo (Foto: Getty)

Eles não brilharam e ganharam os dois primeiros gols de presente – um da arbitragem, outro de um zagueiro abalado pela falha absurda do trio italiano que apitava o jogo. Mas o que importa mesmo para a Argentina é que sua seleção bateu o México por 3 a 1, neste domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, continua com uma campanha perfeita (quatro vitórias em quatro jogos) e agora tem presença assegurada no que promete ser o grande duelo da Copa até o momento. Sábado, na Cidade do Cabo, Argentina e Alemanha, que podem ser consideradas as duas melhores seleções do Mundial até aqui, lutam por uma vaga na semifinal, quatro anos depois de um encontro de quartas, como agora. Em 2006, deu Alemanha, nos pênaltis.

Para quem esperava uma Argentina em total controle do jogo, os primeiros dez minutos foram surpreendentes. Os mexicanos foram à frente e, num intervalo de dois minutos, tiveram duas chances claríssimas de gol, ambas com Salcido – aos 8, uma bomba que explodiu no travessão, e aos 10, um chute cruzado que raspou a trave do goleiro Romero. A resposta veio com Messi, que levava a torcida se levantar cada vez que pegava na bola. Aos 12, ele chutou por cobertura, exigindo uma defesa difícil do goleiro Pérez. O México foi claramente superior na primeia metade da etapa inicial: marcava forte, não deixava a Argentina jogar e se lançava ao ataque com rapidez.

Mas foi justamente neste momento que o time de Maradona abriu o placar, na segunda trapalhada da arbitragem da Copa neste domingo. Numa bola que veio pelo alto, Messi dominou e lançou Tevez na área. O goleiro Pérez rebateu, e Messi voltou a acionar Tevez, desta vez pelo alto. Em escandalosa posição de impedimento, o argentino empurrou de cabeça para o gol vazio. O lance provocou grande confusão: o auxiliar foi pressionado pelos mexicanos, que pediam a anulação do gol. Mas o juiz italiano Roberto Rossetti validou o lance. Os mexicanos se enervaram e, logo no lance seguinte, o capitão Rafa Márquez levou amarelo por uma chegada forte em Messi, de quem é companheiro de time, no Barcelona.

Tevez comemora o primeiro gol: o melhor da partida deste domingo (Foto: Getty)

Ainda sob impacto do gol injustamente validado, os mexicanos tomaram o segundo, num erro bisonho de Osório, que deixou a bola de presente Higuaín na entrada da área. O novo artilheiro isolado da Copa (4 gols) ficou livre para marcar com muita calma. E virou massacre: os argentinos encurralavam os mexicanos, desperdiçando boas chances de ampliar. O México estava atordoado. E Maradona, à beira do gramado, pedia calma aos seus pupilos – queria que eles trabalhassem a bola no ataque, cadenciando mais o jogo. Os mexicanos enfim colocaram os nervos no lugar no fim da primeira etapa, e voltaram a atacar com perigo, expondo as fraquezas da defesa argentina.

Na volta para o segundo tempo, o México voltou a tentar esboçar um aperto nos argentinos. Mas Carlos Tevez, o melhor do jogo, tratou de apagar o ímpeto dos adversários: pegou a bola na meia-lua da grande área e soltou um tiro certeiro de pé direito, no ângulo de Pérez. A torcida mexicana se calou e a Argentina passou a administrar o resultado, enquanto os rivais buscavam apenas um gol de honra – com Hernández, de cabeça, aos 18, chegaram perto disso. O mesmo Hernández, revelação mexicana que já tinha brilhado contra a França, diminuiu a vantagem argentina aos 26 minutos da etapa final, com um chutaço de pé esquerdo, deixando o goleiro sem reação.

O México martelou de maneira incansável durante os quinze minutos finais, mas já tinha sofrido um prejuízo irreparável logo na primeira etapa. Saiu de cabeça erguida – e inchada pelos erros que provocaram o 2 a 0 logo no começo. Aos argentinos fica a chance de comemorar mais uma vitória neste Mundial. Mas também sobram alguns alertas. Se não corrigir sua marcação e deixar sua defesa mais firme, vai ter problemas contra a impiedosa e veloz Alemanha de Oezil, Muller, Schweinsteiger e Podolski. Vai ser um encontro de gigantes, imperdível para qualquer um que goste de bom futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

México diminui com Hernandez

Em bela jogada, aos 26 minutos, Torrado passa para Hernandez, na meia lua adversária, drible veloz em Demichelis e o chute de esquerda, no ângulo de Romero. México diminui, 3 a 1 para a Argentina.

Golaço de Tevez: Argentina 3 a 0.

A Argentina toca a bola até que Tevez, de fora da área, tenta lançar Messi, a defesa rebate, e novamente ele pega a bola e bate direto, de direita, no ângulo esquerdo de Perez, aos 7 minutos. Um golaço, 3 a 0.

Higuaín faz o segundo da Argentina

Aos 33 minutos, Higuaín rouba a bola do zagueiro Osorio dentro da grande área, o goleiro sai, o argentino dá um drible curto e rápido e toca para dentro do gol. Argentina 2 a 0. É o quarto gol dele, artilheiro da competição até agora.


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