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sexta-feira, 18 de junho de 2010

O atacante faceiro e o ministro pimpão

Por Carlos Maranhão, de Johannesburgo

Com a seleção trancada, o técnico Dunga recluso e ranheta, os jogadores proibidos de falar fora daqueles minutinhos determinados e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, meio quieto no seu canto, um dos personagens brasileiros mais em evidência na Copa do Mundo nesta semana foi um torcedor do Esporte Clube Vitória, de Salvador: o baiano Orlando Silva, homônimo do “Cantor das Multidões”. Na condição de um dos homens-chave do governo federal nos preparativos do Mundial de 2014 e da Olimpíada de 2016, o ministro do Esporte, com sua conversa envolvente e dois assessores a tiracolo, andou de cá para lá, todo pimpão, observando o que a África do Sul faz de certo e errado na montagem do campeonato.

Entre os pontos positivos, não há como negar que os estádios são ótimos, com conforto para os espectadores e gramados impecáveis, apesar de suas precárias áreas de estacionamento e péssimos acessos. Os principais aeroportos, funcionais e bem construídos, não têm causado transtornos. E a segurança, até aqui, não apresentou falhas. Em compensação, o transporte público, praticamente inexistente, e o trânsito simplesmente caótico, sobretudo em Johannesburgo, constituem um pesadelo.

Como o Brasil vai se sair nessas áreas críticas dentro de quatro anos? Orlando Silva dá a primeira garfada no espaguete alho e óleo com anchovas, gira a taça de vinho para sentir o bouquet da uva pinotage e faz uma anologia interessante. “Nosso avião da Copa do Mundo já decolou e iniciou sua subida”, compara. ”Existem muitas nuvens pela frente e temos que manter os cintos afivelados. É preciso contornar as turbulências e não ligar o piloto automático. Mas penso que este ano, passadas as eleições, atingiremos a velocidade de cruzeiro. O avião olímpico, porém, permanece na pista.”

Para ficar na esfera aeronáutica, o que nos espera com aeroportos congestionados como o de Cumbica, em São Paulo, e despreparados para os dois eventos da magnitude que o país irá sediar, caso do Tom Jobim, no Rio de Janeiro, sem falar da insuficiente rede hoteleira, fora da capital paulista, e do trânsito? “Há tempo para construir um terceiro terminal em Cumbica e aparelhar o Tom Jobim”, acredita. “Para a questão dos hotéis, vejo duas soluções: o BNDES deve abrir um crédito de 1 bilhão de reais para futuros empreendimentos e estudos mostram que em cidades litorâneas e em Manaus poderemos usar transatlânticos para alojar os turistas. No trânsito, além das obras em andamento, teremos que abrir faixas exclusivas nos principais corredores, como aconteceu nos Jogos Pan-Americanos de 2007.”

Ele se mostra confiante mesmo em relação às reformas e à construção de estádios que permanecem no papel. “Vão sair, é claro”, afirma o comunista de carteirinha (conta que é filiado ao PC do B desde a adolescência). “São Paulo, logicamente, não pode ficar de fora, apesar do veto ao Morumbi. O Ricardo diz que será feito um novo”, continua, referindo-se ao presidente da CBF. “Disso eu não sei.”

De repente, quase do nada, aparece no restaurante, acompanhado de empresários, o tímido mas simpático atacante Alexandre Pato, do Milan, preterido por Dunga na seleção depois de seu desempenho, vá lá, discreto na Olimpíada de Pequim. “E aí, Pato, beleza?”, saúda o ministro. O recém-separado Pato, livre, leve e solto, conta que foi à África do Sul para o lançamento de um projeto da Nike destinado a jovens carentes e que gostou da estreia brasileira. Se lamenta sua ausência? “Estou com 20 anos”, ensaia uma resposta. Quando ouve que, com essa idade, ao menos do ponto de vista cronológico, poderá participar de umas duas ou três Copas, reage com um sorriso faceiro.

Os dois se abraçam, ainda mais risonhos. Nada como ser otimista e esperançoso.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

A ‘amarelinha’ que vestirá a seleção na África do Sul

Camisa nova da seleção (AFP)Os torcedores brasileiros conheceram nesta quinta-feira a camisa que a seleção vestirá na África do Sul. Depois de algum suspense e do vazamento das fotos – sites asiáticos já exibiam o modelo há mais de uma semana -, a Nike, fornecedora de material esportivo da CBF desde meados dos anos 90, mostrou o desenho da camisa em Londres: simples, clássico, com uma faixa verde sobre os ombros e pequenos pontos verdes nos lados, sob as mangas. Em tempos de preocupação ambiental, até a camisa da seleção brasileira de futebol, símbolo máximo da modalidade esportiva mais popular do planeta, ganhou um tom mais “verde” – não na cor, mas sim no material. A peça é fabricada com material reciclado – garrafas de plástico deram origem à trama – e pesa 15% menos que o modelo que não deu sorte na Copa da Alemanha, em 2006. Curiosamente, o jogador escolhido para mostrar a camisa não deverá estar na África – o atacante Alexandre Pato foi o escolhido, depois que outros craques patrocinados pela empresa americana, como Luís Fabiano, Daniel Alves, Robinho e Adriano não puderam comparecer. A camisa começa a ser vendida nos próximos dias e será usada pela seleção pela primeira vez no amistoso da próxima terça, contra a Irlanda, também em Londres. O modelo reserva, azul, foi lançado no Carnaval e já é encontrado nas lojas do país. Que ambos fiquem guardados na memória como os trajes que vestiram os hexacampeões mundiais na África do Sul.

Por Giancarlo Lepiani

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Pato, o menino prodígio, merece ir à Copa de 2010?

alexandre-pato-selecao

Uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, um jogador completo, sem bagagem nacional, e distante de uma vaga na disputa da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Não é das tarefas mais difíceis descrever a breve carreira de Alexandre Pato, ídolo do Milan, da Itália.

O jogador, de apenas 20 anos, tem futebol para ir ao próximo Mundial. Mas uma série de lesões e certas ‘trapalhadas’ do técnico Leonardo o deixam longe da competição.

Na última semana, Pato por pouco não ficou de fora da segunda fase da Liga dos Campeões da Europa, principal competição do Velho Continente. Com uma lesão muscular há quase três meses, o jogador ainda não vestiu a camisa do clube rossoneri neste ano, o que provocou a sua exclusão da lista de jogadores feita por Leonardo. A conduta, no entanto, ampliou boatos de que o atleta estaria voltando ao Brasil para jogar no Internacional.

Um dia após a ‘trapalhada’ do técnico brasileiro, a comissão técnica do Milan decidiu colocá-lo novamente. Desta vez, no Milan B, de jovens atletas que têm mais de 36 meses de clube. Fato que o colocou em xeque.

Versátil, Pato mostra em números que tem boas chances de ir à África do Sul. Em 70 jogos com a camisa do Milan, foram 31 gols marcados. No Inter, sua média é ainda maior: seis em apenas dez partidas disputadas. A discussão, no caso, não é sobre seu futebol. É saber o espaço que ainda pode ser conquistado em uma equipe praticamente formada.

Dunga não esconde a preferência por Luís Fabiano, Adriano e Robinho no ataque da seleção. Com estes três nomes, sobraria uma única lacuna ofensiva, disputada por Pato, Ronaldo, Vágner Love e Nilmar. O ex-colorado, hoje no Villareal, da Espanha, é o mais próximo da lista de 23 jogadores.

Para Pato, resta reconstruir o bom trabalho que fez na temporada passada, o que lhe garantiu o prêmio de revelação do Campeonato Italiano. Futuro com a camisa da seleção brasileira já é algo certo. Mas, para a disputa deste Mundial, a situação não é das mais fáceis.

Por Rafael Sbarai

Foto: Nike Futebol.

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