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sábado, 3 de julho de 2010

Replay | 14:42

Quando a Argentina levou de quatro

HOJE… Alemanha 4 x 0 Argentina, e muito mais não se deve dizer de uma vitória maiúscula, como diriam os locutores de antigamente. Klose fez dois gols. Tem agora 14 em Copas do Mundo, uma a mais que o francês Just Fontaine e apenas um a menos que Ronaldo. Oezil, o canhotinha da camisa número 8, uma vez mais desfilou sua elegância discreta. Mas falávamos da derrota argentina, a maior desde 1974, diante da Holanda de Cruyff, Neeskens e Rep.

ONTEM… Em 1974, na Copa da Alemanha, a Holanda também fez 4 a 0 na Argentina. Numa homenagem à equipe atual, de Robben e Sneijder, 6m10 daquela partida de 26 de junho de 36 anos atrás. Percebam que, nos melhores momentos, não há um único ataque argentino. Notem que o banco da Argentina parece estupefato. A narração, em holandês, realça o tom nostálgico daquela equipe espetacular.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

Seleções | 13:45

Imprensa argentina comenta massacre

"Suor e lágrimas" estampa a versão on-line do diário argentino Olé

Não poderia ser diferente. A imprensa argentina reagiu com grande surpresa e lamentou a goleada da Alemanha, por 4 a 0, sobre os comandados de Diego Maradona, nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

O diário Olé, que ironizou a derrota brasileira para a Holanda no Mundial, buscou um tom emotivo. “Suor e lágrimas”, estampa a capa da versão on-line do jornal.

No texto, não poupou críticas pela goleada sofrida: “A Argentina se despediu da Copa do Mundo nas quartas-de-final, como há quatro anos, na Copa da Alemanha. Desta vez foi pior a surra”, lamentou.

O La Nación recordou que “faz 20 anos que a seleção nacional não fica entre as quatro melhores de uma Copa” e destaca:  “Alemanha desnudou falências da Argentina e deixou o time de Maradona fora da Copa”.

Já o Clarín preferiu ressaltar o bom momento da seleção alemã na competição para ressaltar a eliminação argentina. “A seleção se foi com um golpe duríssimo”, destaca.

Não poderia ser diferente. A imprensa argentina reagiu com grande surpresa e lamentou a goleada da Alemanha, por 4 a 0, sobre os comandados de Diego Maradona, nas quartas-de-final da Copa do Mundo.

O diário Olé, que ironizou a derrota brasileira para a Holanda no Mundial, buscou um tom emotivo. “Suor e lágrimas”, estampa a capa da versão on-line do jornal.

No texto, não poupou críticas pela goleada sofrida: “A Argentina se despediu da Copa do Mundo nas quartas-de-final, como a quatro anos, na Copa da Alemanha. Desta vez foi pior a surra.”, lamentou.

O La Nación, outro importante veículo de comunicação argentino, estampava: “Alemanha desnudou falências da Argentina e deixou o time de Maradona fora da Copa”.

Jogos, Seleções | 12:51

Alemanha não dá chance para Argentina: 4 a 0 com sobras. Alguém impede o tetra?

Não teve nem graça: no show alemão, até o zagueiro Friedrich fez gol de centroavante (Foto: Getty)

A Alemanha ainda não ganhou o troféu de campeã do mundo, mas assegurou um outro título neste sábado, na Cidade do Cabo – tem o melhor futebol desta Copa até agora. No aguardado duelo contra a Argentina, no estádio Green Point, a seleção tricampeã foi implacável: nem tomou conhecimento da badalada seleção treinada por Diego Maradona e aplicou um 4 a 0 categórico numa rival que já tinha eliminado também da Copa passada. Além de impor uma goleada humilhante e incontestável sobre os argentinos, os comandados do técnico Joachim Low também mandaram de volta para casa o melhor jogador do mundo, Messi, que passou em branco na Copa – não marcou um gol sequer. Na Copa da África do Sul, melhores mesmo são Oezil, Muller, Schweinsteiger, Podolski e Lahm, que já formam uma seleção memorável antes mesmo do fim do torneio.

Fica a dúvida: ainda tem alguém neste Mundial capaz de parar os alemães e impedir que eles conquistem o tetra? A pergunta começa a ser respondida no segundo jogo do dia, entre Espanha e Paraguai, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, a partir das 15h30 (no horário de Brasília). É desse jogo que sai o adversário da já favorita Alemanha nas semifinais. Se for a Fúria, será uma chance de ouro para a Alemanha vingar sua última grande decepção: na final da Eurocopa, há dois anos, a Espanha foi campeã batendo justamente os alemães na final. Além de decidir a vaga na final, a Alemanha tem na semi a chance de fazer história através de Klose, seu artilheiro, que agora tem 14 gols em Mundiais, só um a menos que o recordista Ronaldo. Deixou para trás nesta Copa Pelé, Gerd Muller e Just Fontaine.

No jogo deste sábado, eles foram melhores simplesmente por todo o tempo. Começaram abrindo o placar com Muller, jovem destaque de um time cuja média de idade é uma das menores do Mundial. Poderiam ter terminado o segundo tempo com uma vantagem maior, mas os argentinos deram sorte. No começo do segundo tempo, Maradona mandou a equipe para o ataque. Os alemães mal se incomodaram: com uma defesa firme, quase não levaram sustos. E na segunda metade da etapa final, veio a hora de gastar a bola e dar show. Klose, depois de jogada de Podolski, fez 2 a 0 aos 23. Friedrich completou uma jogada linda de Schweinsteiger aos 29. E no penúltimo minuto, Klose fechou a conta, depois de cruzamento de Oezil. A Argentina volta para Buenos Aires. E o mundo é poupado de ver Maradona cumprir a promessa de tirar a roupa em público se seus pupilos conquistassem o tricampeonato para o país.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Jogos, Seleções | 08:16

Encontro dos gigantes na Cidade do Cabo

Chegou a hora da partida mais aguardada do Mundial até agora. Neste sábado, a partir das 11 horas (no horário de Brasília), o estádio Green Point, na Cidade do Cabo, reunirá vários dos melhores jogadores deste Mundial – e as duas seleções mais cotadas para ganhar o título depois da queda do Brasil. De um lado, a Alemanha, com seus jovens valores, futebol muito rápido e belos contragolpes. Do outro, a Argentina, das bonitas tramas ofensivas puxadas por Messi e completadas pelos matadores Higuaín e Tevez. O ganhador da partida deste sábado pega na semifinal o vencedor de Paraguai x Espanha, que jogam algumas horas depois. Mas poucos acham que quem sair do duelo de titãs na Cidade do Cabo ficará de fora da final, marcada para o próximo domingo.

Além de reunir os dois times que mais empolgaram na Copa até aqui, a partida de quartas-de-final entre alemães e argentinos é a reedição do encontro eliminatório ocorrido no Mundial passado, na mesma fase da competição. Jogando em casa, a Alemanha se classificou para a semifinal batendo a Argentina nos pênaltis, depois de uma partida extremamente equilibrada. Espera-se o mesmo neste sábado, já que as duas seleções têm em comum um ataque poderoso, que exige muito das defesas adversárias. Entre os jogadores envolvidos no clássico, destaque, evidentemente, para Messi, que ainda está à procura de seu primeiro gol nesta Copa. Mas atenção também para a surpreendente dupla alemã Oezil e Muller, para o excelente meia argentino Di María, para o veteraníssimo matador germânico Klose (12 gols em Copas e ainda no páreo para quebra o recorde de Ronaldo, com 15). Prato cheio para qualquer amante do futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Na decisão, experiência não é tudo

Gerrard, da Inglaterra: 30 anos

O lugar-comum: Jogos decisivos são vencidos pelas equipes que contam com jogadores experientes. Times jovens demais não sabem lidar com a pressão de um jogo eliminatório.

Muller, da Alemanha: 20 anos

O que mostra a Copa de 2010: Na grande decisão da Copa até agora, a partida de oitavas-de-final entre Inglaterra e Alemanha, a experiência dos ingleses foi absolutamente inútil. A seleção da terra da rainha tem uma média de idade de 29 anos e dois meses. Os alemães eram, em média, 4 anos e 70 dias mais jovens (25 anos e 5 meses, a terceira menor média de idade). No jogo de Bloemfontein, a Alemanha controlou o jogo, dominou o campo e despachou os rivais ingleses com notável superioridade. E ninguém sentiu falta de jogadores mais rodados, apesar da pressão de ter que decidir uma vaga contra uma inimiga tradicional e forte. Gana, a única seleção africana a alcançar as quartas-de-final, é o time com menor média de idade da Copa, com 24 anos e 9 meses. A Inglaterra eliminada no domingo é a segunda seleção mais velha – só perde para o Brasil, com 29 anos e 3 meses. Que a seleção consiga provar o valor da experiência em sua reta final no Mundial.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Replay | 06:44

A saga de Alemanha e Argentina

HOJE… A goleada da Alemanha contra a Inglaterra (4 a 1), que entrará para as enciclopédias pelo gol que houve mas juiz e bandeirinha não viram, e a vitória da Argentina contra o México (3 a 1) desenham uma partida de quartas de final espetacular. “Gostaria de poder entrar em campo”, diz Maradona, saudoso de memoráveis partidas do passado. A equipe de Oezil e Muller enfrentará a de Messi e Tevez no sábado, 11 horas, na Cidade do Cabo. Imperdível numa Copa que, agora sim, pegou de vez, e de modo espetacular.

ONTEM… Clássico dos clássicos, Alemanha e Argentina fizeram história em três Copas. A saber:

1986, final

Maradona no apogeu, numa das maiores atuações de um único jogador em Copas, talvez a maior. Os argentinos derrotaram os alemães de Karl Heinz Rummenigge por 3 a 2. Ganhavam por 2 a 0, sofreram o empate mas asseguraram o título com um gol de Burruchaga. O vídeo ( 2m21) mostra como Maradona era o maestro a reger a equipe bicampeã do mundo.

1990, final

A Alemanha foi campeã ao vencer a Argentina por 1 a 0, gol de Andreas Brehme, de pênalti. Na semifinal, os argentinos tinhas despachado a Itália, que organizava a Copa. Venceu também nos pênaltis, em Nápoles, onde o camisa da 10 era considerado rei. O craque argentino pediu aos torcedores napolitanos que apoiassem seu time, e não a Squadra Azzura. Muitos acataram a sugestão. Na final em Roma, no entanto, Diego virou alvo da fúrias dos italianos, que o vaiavam como nunca. Perfilado para o hino, ele disparou impropérios. Nem é preciso leitura labial sofisticada para entender o que sai de sua boca, uma, duas, três vezes. Assista no vídeo abaixo ( 1m41):

2006, quartas de final

Tal como agora, em 2010, Alemanha e Argentina se enfrentaram na mesma fase da Copa, há quatro anos. Empate em 1 a 1 no tempo regulamentar, prorrogação e pênaltis. Vitória dos alemães por 5 a 3. Aqui, em 2m49:

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

domingo, 27 de junho de 2010

Jogos, Seleções | 19:50

Argentina x Alemanha, o jogo desta Copa

30 de junho de 2006, em Berlim: também nas quartas, como agora, a Alemanha levou a melhor

Quem ganhar ainda vai ter pela frente uma semifinal e a grande decisão. No páreo ainda estão equipes como Portugal, Espanha, Holanda e o pentacampeão Brasil. Mas é inescapável eleger como principal partida do Mundial da África do Sul até aqui o duelo marcado para o próximo sábado, dia 3 de julho, às 11 horas (no horário de Brasília), entre Argentina e Alemanha, no estádio Green Point, na Cidade do Cabo. Além da rivalidade entre os países e da presença de vários dos melhores jogadores da Copa, as seleções envolvidas nessa partida de quartas-de-final podem ser apontadas sem grande exagero como as duas maiores forças do torneio até o momento. É, portanto, uma espécie de final antecipada? Bem longe disso. A história das Copas ensina que ainda é muito cedo. As grandes seleções, as que chegam à última semana lutando pelo título, não precisam brilhar antes do tempo.

O Brasil, com duas vitórias e um empate, e a Holanda, com três triunfos, ainda podem reivindicar um lugar entre as grandes da competição até as oitavas – ambas jogam na terça, contra Chile e Eslováquia, respectivamente. Mas Alemanha e Argentina têm os melhores resultados por enquanto. Os alemães perderam uma partida contra a Sérvia. Mas suas três vitórias, contra Austrália, Gana e principalmente Inglaterra, foram mais categóricas que as quatro dos argentinos. O time do técnico Diego Maradona levou uma fama maior do que seus resultados, diga-se. Foi uma vitória simples contra a Nigéria, uma goleada sem grande brilho sobre a Coreia do Sul e outro triunfo morno sobre a Grécia. Neste domingo, contra o México, a Argentina se beneficiou bastante de um gol ilegal validado pela arbitragem. É uma campanha de respeito. Mas não permite tratar os argentinos como favoritíssimos.

O encontro do próximo sábado é uma reedição das quartas-de-final da Copa passada, quando Alemanha e Argentina se enfrentaram em Berlim, numa etapa da competição em que as duas eram, como agora, apontadas como as melhores daquele Mundial. Nenhuma das duas chegou à decisão. A Alemanha levou a melhor nos pênaltis. A Argentina voltou para casa, e os anfitriões da Copa perderam para a Itália, que se sagraria campeã. Ainda assim, o jogo envolve muita história. As seleções decidiram duas Copas seguidas, em 1986 (vitória argentina por 3 a 2) e 1990 (vitória alemã por 1 a 0). Nos confrontos diretos, a vantagem é da Argentina, 8 vitórias. Os alemães venceram cinco. Em outras cinco ocasiões, houve empate. Nas Copas, porém, a Alemanha ganhou dus contra só uma da Argentina – justamente a final de 1986, quando Diego Maradona era o craque e capitão dos sul-americanos.

Vinte e quatro anos depois, o ex-craque transformado em técnico tenta obter o primeiro título expressivo do futebol argentino desde que assombrou o mundo com seu desempenho no México – desde então, a seleção só amarga decepções nas Copas. A Alemanha, por outro lado, seguiu sua rotina de impressionante sucesso nos Mundiais. Em 1990, foi campeã. Em 2002, finalista mais uma vez, perdendo para o Brasil. E em 2006, terceira colocada. Se passar pela Argentina, a Alemanha estará a apenas um jogo de uma marca notável: oito finais disputadas. Só o Brasil pode atingir o mesmo número neste torneio. São muitos números, marcas e retrospectos na história do clássico. Mas o que importa mesmo é o que os alemães e argentinos farão no gramado do Green Point dentro de seis dias. Com Oezil, Muller, Schweinsteiger, Klose e Podolski de um lado, e Messi, Tevez, Higuaín, Di Maria e Mascherano de outro, é um jogo digno do tamanho dessas duas camisas vencedoras.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Jogos, Seleções | 17:21

A Argentina derruba o México – e avança

A confusão armada pelo auxiliar: gol que mudou a história do jogo (Foto: Getty)

Eles não brilharam e ganharam os dois primeiros gols de presente – um da arbitragem, outro de um zagueiro abalado pela falha absurda do trio italiano que apitava o jogo. Mas o que importa mesmo para a Argentina é que sua seleção bateu o México por 3 a 1, neste domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, continua com uma campanha perfeita (quatro vitórias em quatro jogos) e agora tem presença assegurada no que promete ser o grande duelo da Copa até o momento. Sábado, na Cidade do Cabo, Argentina e Alemanha, que podem ser consideradas as duas melhores seleções do Mundial até aqui, lutam por uma vaga na semifinal, quatro anos depois de um encontro de quartas, como agora. Em 2006, deu Alemanha, nos pênaltis.

Para quem esperava uma Argentina em total controle do jogo, os primeiros dez minutos foram surpreendentes. Os mexicanos foram à frente e, num intervalo de dois minutos, tiveram duas chances claríssimas de gol, ambas com Salcido – aos 8, uma bomba que explodiu no travessão, e aos 10, um chute cruzado que raspou a trave do goleiro Romero. A resposta veio com Messi, que levava a torcida se levantar cada vez que pegava na bola. Aos 12, ele chutou por cobertura, exigindo uma defesa difícil do goleiro Pérez. O México foi claramente superior na primeia metade da etapa inicial: marcava forte, não deixava a Argentina jogar e se lançava ao ataque com rapidez.

Mas foi justamente neste momento que o time de Maradona abriu o placar, na segunda trapalhada da arbitragem da Copa neste domingo. Numa bola que veio pelo alto, Messi dominou e lançou Tevez na área. O goleiro Pérez rebateu, e Messi voltou a acionar Tevez, desta vez pelo alto. Em escandalosa posição de impedimento, o argentino empurrou de cabeça para o gol vazio. O lance provocou grande confusão: o auxiliar foi pressionado pelos mexicanos, que pediam a anulação do gol. Mas o juiz italiano Roberto Rossetti validou o lance. Os mexicanos se enervaram e, logo no lance seguinte, o capitão Rafa Márquez levou amarelo por uma chegada forte em Messi, de quem é companheiro de time, no Barcelona.

Tevez comemora o primeiro gol: o melhor da partida deste domingo (Foto: Getty)

Ainda sob impacto do gol injustamente validado, os mexicanos tomaram o segundo, num erro bisonho de Osório, que deixou a bola de presente Higuaín na entrada da área. O novo artilheiro isolado da Copa (4 gols) ficou livre para marcar com muita calma. E virou massacre: os argentinos encurralavam os mexicanos, desperdiçando boas chances de ampliar. O México estava atordoado. E Maradona, à beira do gramado, pedia calma aos seus pupilos – queria que eles trabalhassem a bola no ataque, cadenciando mais o jogo. Os mexicanos enfim colocaram os nervos no lugar no fim da primeira etapa, e voltaram a atacar com perigo, expondo as fraquezas da defesa argentina.

Na volta para o segundo tempo, o México voltou a tentar esboçar um aperto nos argentinos. Mas Carlos Tevez, o melhor do jogo, tratou de apagar o ímpeto dos adversários: pegou a bola na meia-lua da grande área e soltou um tiro certeiro de pé direito, no ângulo de Pérez. A torcida mexicana se calou e a Argentina passou a administrar o resultado, enquanto os rivais buscavam apenas um gol de honra – com Hernández, de cabeça, aos 18, chegaram perto disso. O mesmo Hernández, revelação mexicana que já tinha brilhado contra a França, diminuiu a vantagem argentina aos 26 minutos da etapa final, com um chutaço de pé esquerdo, deixando o goleiro sem reação.

O México martelou de maneira incansável durante os quinze minutos finais, mas já tinha sofrido um prejuízo irreparável logo na primeira etapa. Saiu de cabeça erguida – e inchada pelos erros que provocaram o 2 a 0 logo no começo. Aos argentinos fica a chance de comemorar mais uma vitória neste Mundial. Mas também sobram alguns alertas. Se não corrigir sua marcação e deixar sua defesa mais firme, vai ter problemas contra a impiedosa e veloz Alemanha de Oezil, Muller, Schweinsteiger e Podolski. Vai ser um encontro de gigantes, imperdível para qualquer um que goste de bom futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Fifa | 13:36

O gol não marcado: Fifa já teve a solução

A bola inteligente: tecnologia desperdiçada pela Fifa (Foto: Divulgação)

Ela entrou muito, mas muito além da linha do gol. Mas o auxiliar de arbitragem Mauricio Espinoza, do Uruguai, talvez tenha sido o único no estádio inteiro a não enxergar a bola chutada por Lampard quicar inteira dentro da meta do goleiro Neuer na partida entre Inglaterra e Alemanha, neste domingo, em Bloemfontein. A bomba do meia inglês carimbou o travessão, desviou sua trajetória para o chão e caiu a pelo menos dois palmos de distância da linha. E o gol não marcado promete ser assunto durante anos e anos – ainda que os alemães tenham atropelado os ingleses no fim do jogo, ampliando sua vantagem para 4 a 1.

O lance deste domingo inevitavelmente trará de volta o interminável debate sobre o uso da tecnologia para ajudar a arbitragem nos jogos de futebol. A Fifa, que sempre descartou o uso de equipamentos eletrônicos para evitar erros grosseiros como o do jogo de Bloemfontein, chegou a ensaiar uma mudança de posição cinco anos atrás, começando a testar a instalação de um chip na bola, com ajuda da Adidas, para resolver jogadas como a de Lampard. Quando a bola passasse da linha do gol, o chip enviaria um sinal para o relógio do juiz, que poderia marcar o tento sem medo de errar.

Depois de muitos ensaios, porém, a Fifa anunciou em 2008 que não iria adotar o recurso. Desde então, os dirigentes repetiram mais de uma vez: tecnologia no futebol, só se for para transmitir a partida ou melhorar os equipamentos dos atletas. Para ajudar o juiz, de jeito nenhum – pelo menos num futuro próximo. A Adidas, então, tratou de trabalhar na fabricação da criticada Jabulani. Seria melhor se tivesse recebido o sinal verde para produzir a bola inteligente – essa sim, uma novidade que seria bem recebida no mundo do futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

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Cenas do jogo Alemanha x Inglaterra

A Alemanha goleou a Inglaterra por 4 a 1 na primeira partida das Oitavas de Final. Confira as imagens do jogo.

Jogos, Seleções | 12:48

Alemanha goleia a Inglaterra. Um jogaço

O gol que a arbitragem não deu: a bola de Lampard entrou com folga no gol de Neuer (Foto: Getty)

Num duelo à altura da história de duas seleções que somam quatro títulos mundiais, a Alemanha goleou a Inglaterra por 4 a 1, neste domingo, no estádio Free State, em Bloemfontein, e garantiu uma vaga nas quartas-de-final da Copa. Os alemães eliminaram seus grandes rivais numa partida que teve todos os ingredientes necessários para fazer um verdadeiro clássico: ótimos jogadores, torcidas fanáticas frente a frente, muita tradição, boa quantidade de gols e uma farta porção de controvérsia. Os ingleses, que saíram perdendo por 2 a 0 e diminuíram no fim do primeiro tempo, chegaram a marcar um segundo gol, não anotado pelo trio de arbitragem, num lance que imediatamente despertou as lembranças da final da Copa de 1966, entre as mesmas seleções. A jogada certamente será tema de intermináveis queixas por anos a fio, mas o fato é que a Alemanha parece cada vez mais forte neste Mundial. Não surpreenderá ninguém se chegar a mais uma final, sua oitava na história.

A Alemanha atacou mais desde o início do primeiro tempo. Logo aos 5 minutos, Oezil foi lançado e o goleiro James defendeu com os pés. Os alemães conseguiam controlar o jogo e chegavam com frequência à intermediária inglesa. Mas os alemães só abriram o placar com um lance fortuito, aos 20 minutos. O goleiro Neuer cobrou o tiro de meta com grande potência e a bola percorreu o campo todo, sobrando para Miroslav Klose, já na área inglesa, ganhar na corrida do zagueiro Upson, dar um toque sutil com o pé direito e desviar de James. Foi o 12º gol do centroavante nascido na Polônia em Copas – fez cinco em 2002, cinco em 2006 e um na estreia alemã na África do Sul. E o próprio Klose quase ampliou aos 30, depois de lançamento de Muller, mas o atacante chutou nas pernas de James. O placar, porém, não demoraria a fazer justiça à superioridade alemã. Aos 32, Muller encontrou Podolski no lado esquerdo da área e o atacante finalizou com precisão, num toque rasteiro. A Alemanha atropelava os ingleses sem dó.

A Inglaterra, no entanto, renasceu das cinzas em questão de poucos minutos. Primeiro, num lance de bola parada: Gerrard fez a cobrança de falta pelo alto e o zagueiro Upson, com impressionante impulsão, se antecipou a Neuer e acertou um belo golpe de cabeça. O 2 a 1, aos 37 minutos, acendeu os ingleses, e um minuto depois, Lampard chutou por cobertura. A bola acertou o travessão e caiu dentro do gol, mas Neuer foi esperto: se levantou, agarrou o rebote e saiu jogando. Para desespero dos ingleses, a arbitragem hesitou ou se omitiu – e não validou o gol claríssimo que provocaria o empate. Foi uma impressionante coincidência com o lance mais polêmico da história das Copas, envolvendo exatamente Inglaterra e Alemanha, em 1966. Naquela ocasião, a bola também bateu no travessão e caiu sobre a linha, mas até hoje há controvérsias sobre se ela entrou ou não na meta. A arbitragem de 1966 validou o gol, que deu uma vantagem de 3 a 2 aos ingleses na decisão da Copa (o jogo terminou em 4 a 2).

No começo da segunda etapa, o jogo começou mais morno, com as equipes mais cautelosas. Aos 5 minutos, Gerrard foi o primeiro a levar perigo, chutando rente à trave esquerda alemã. Lampard acertou outra vez o travessão, aos 7, encerrando a fase de estudos entre as equipes. A Inglaterra pressionava, mas aos 14, Muller fez boa jogada pelo meio e assustou a zaga adversária. Aos 19, Schweinsteiger chutou forte, de longa distância, dando outro susto no goleiro inglês. A Alemanha equilibrava as ações ofensivas e dava pistas de que tinha reassumido o controle do jogo. Aos 22 minutos, Lampard bateu uma falta na barreira e a bola sobrou para a defesa alemã. Muller foi acionado, lançou para Schweinsteinger e atravessou o campo todo para receber de volta, já na área inglesa, e fuzilar James: 3 a 1.

Em mais um contragolpe desconcertante, os alemães ampliaram, de novo com Muller, desta vez recebendo passe de Oezil na entrada da pequena área, aos 25. Os ingleses tentaram a todo custo reduzir a desvantagem, colocando em campo Heskey e Wright-Phillips. Em vão. A Alemanha, forte como sempre – e com dois dos melhores jovens jogadores surgidos em Mundiais nos útimos tempos, Oezil e Muller -, já estava de novo nas quartas. E pode surgir outro superclássico por aí: no sábado, os alemães jogam contra o vencedor de Argentina – com quem já disputaram duas finais de Copa – e México. Se os argentinos vencerem, será a reedição das quartas-de-final do Mundial passado, quando a Alemanha despachou os sul-americanos nos pênaltis e seguiu para as semifinais.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Alemanha 4 a 1, dois de Muller

A Inglaterra procurava o ataque, mas os contra-ataques da Alemanha foram fulminantes. Primeiro, na rebatida de uma falta batida por Lampard, a bola sobrou, e em três toques acabou nos pés de Muller para chutar forte e fazer 3 a 1. Logo em seguida, em nova tabela, Muller de novo marcou. Inglaterra praticamente fora.

2ª tempo, Inglaterra tenta reagir

Segundo tempo começa com as duas equipes mais dispostas e saindo para o jogo. Aos 6 minutos, Lampard cobra falta e a bola bate no travessão, de novo, mas agora sai pela lateral. A Inglaterra começa a sair mais para jogo e a buscar o empate.

1º tempo: Inglaterra acorda no final

Fim de primeiro tempo – com muitas vaias – em que a Alemanha começou com amplo domínio, com jogadas rápidas pelo  meio de campo e até usando os contra-ataques, numa defesa confusa da Inglaterra. Mas em cinco minutos perto do fim da primeira etapa, a Inglaterra acordou: marcou dois gols seguidos, mas o segundo bateu no travessão, a bola ultrapassou a linha mas não foi validado.

Alemanha 2 a 0, sem dificuldades

Aos 30 minutos Klose quase marca o segundo, numa jogada rápida, na entrada da área, mas James faz a defesa. Logo em seguida, tabela rápida ainda no meio de campo, Ozil recebe pela direita, passa a Klose, que vira para a esquerda, onde Podolski chuta e ainda toca no goleiro James. Alemanha chega fácil ao gol inglês.


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