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Posts Tagged ‘Alemanha’

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Seleções | 09:40

Depois da Copa, a nova ordem no futebol

A primeira Copa do Mundo que não teve pelo menos uma das quatro seleções mais famosas do planeta na final (Brasil, Itália, Alemanha e Argentina) terminou com o surgimento de uma nova grande força – e com sinais preocupantes de decadência para duas outras. Também adiou mais uma vez uma revolução há muito esperada: a ascensão dos africanos ao grupo das grandes seleções. A seguir, quem mais ganhou e quem mais perdeu no primeiro Mundial disputado no continente africano:

SOBEM:

A Espanha, campeã mundial, não conseguiu apenas sua primeira taça. Foi também uma vencedora de Copa com estilo próprio, que conseguiu conquistar o Mundial jogando de uma forma muito diferente das adversárias – o que promete influenciar outros times, sinal de que é, de fato, candidata a potência da bola. Atual campeã europeia e mundial, subiu ao primeiro escalão do futebol.

A Holanda, vice, apesar da nova derrota em finais – sua terceira na história -, provou mais uma vez sua força. Isso apesar de não ter trazido à África do Sul uma geração especialmente talentosa (já tinha vindo à Copa com equipes muito melhores, mas se deparou com gigantes como o Brasil e a Alemanha no caminho). Falta, ainda, o salto final, com a conquista do primeiro troféu.

O Uruguai dificilmente repetirá o desempenho deste Mundial nas próximas competições, pois foi bem mais longe do que seu time permitia sonhar. Mas a campanha sensacional e o quarto lugar conquistado na África recolocaram o nome do país bicampeão no mapa da bola. Ainda valorizaram jogadores que não tinham o reconhecimento que mereciam, a começar pelo Bola de Ouro Forlán.

NA MESMA:

O Brasil repetiu a campanha de 2006, com uma derrota nas quartas-de-final. Não foi uma total surpresa, pela forma que o time vinha jogando até aquele momento. A seleção mais vencedora da história segue com o mesmo desafio: conseguir se organizar para aproveitar totalmente todos os talentos que tem à disposição. E a missão terá de ser cumprida em casa, dentro de quatro anos.

A Alemanha trouxe uma novidade à África: um estilo de jogo mais leve, criativo e bonito de se ver. Influência de uma preciosa safra de jovens craques, essa mudança no jeito de jogar não deu o resultado esperado: como em 2006, a seleção caiu na semi. Não levanta um título há vinte anos. Precisa desencantar para alcançar o patamar da Itália – e sonhar em chegar no do Brasil.

As seleções africanas seguem com a mesma fama. São cheias de talentos individuais, mas não conseguem formar seleções campeãs, nem mesmo quando têm uma inédita chance de jogar em casa. Seus craques já disputam os campeonatos mais importantes do mundo, mas faltam organização e estrutura nas próprias federações locais. Continuam sonhando em alcançar uma inédita semi numa Copa.

DESCEM:

A França foi o grande fiasco do Mundial. Chocou os torcedores e especialistas ao apresentar um futebol paupérrimo, sem rosto nem organização, apenas quatro anos depois de chegar à final da Copa. Para completar, deu vexame com as brigas entre técnico, jogadores e dirigentes. Começa a dar pistas de que o título de 1998 e o vice de 2006 foram só milagres do supercraque Zidane.

A Itália, assim como a França, caiu logo na primeira fase, mas pelo menos teve comportamento digno – faltou mesmo futebol. Os italianos trouxeram à África do Sul uma equipe que mesclava jovens jogadores e remanescentes da conquista de 2006. Não deu o resultado previsto. Carece de boas revelações, mas pode estar atravessando apenas uma etapa de transição entre duas gerações.

A Inglaterra perdeu uma chance de ouro de se confirmar entre as grandes campeãs. Contava com um técnico experiente e famoso por ganhar a qualquer preço; tinha uma equipe cheia de astros no auge, como Rooney, Terry e Gerrard; caiu numa chave fácil. Não adiantou: foi atropelada pela Alemanha. Como a França, ela é uma ex-campeã que parece não pertencer ao primeiro escalão.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sábado, 10 de julho de 2010

Jogos, Seleções | 17:23

Alemanha repete 2006 e fica com terceiro lugar. Uruguai fechou campanha honrosa

Khedira comemora o gol da vitória, enquanto Lugano, com as mãos na cabeça, lamenta (Foto: Getty)

Pela segunda vez consecutiva, a Alemanha termina uma Copa do Mundo sentindo um sabor agridoce: conseguiu uma campanha excelente, se decepcionou com uma eliminação inesperada na semifinal e ganhou como prêmio de consolação o terceiro lugar. Assim como no Mundial disputado em sua casa, em 2006, a seleção tricampeã do mundo conseguiu superar o trauma da derrota na semi (neste ano foi para a Espanha) e derrotou o Uruguai, neste sábado, no estádio Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, para conquistar uma terceira colocação pela quarta vez nas Copas – além de 2006, tinha levado o bronze também em 1970, quando disputou o jogo de consolação contra o próprio Uruguai. O 3 a 2 deste sábado contra os uruguaios, com gols marcados por Muller, Jansen e Khedira (Cavani e Forlán marcaram pelos sul-americanos), selou mais uma boa participação alemã – o país agora tem mais jogos disputados em Copa que o Brasil. Para o Uruguai, restou a imagem positiva de uma campanha heróica e surpreendente.

Muller abre o placar para a Alemanha: Lugano pede impedimento, mas já era tarde (Foto: Getty)

Apesar de ter entrado para o jogo com um time cheio de reservas, a Alemanha começou pressionando e tomando conta da partida. Os melhores jogadores alemães nesta Copa – Schweinsteiger, Muller e Oezil – costuravam os principais lances ofensivos. E foi numa jogada com participação de dois deles que a Alemanha abriu o placar, aos 19 minutos. Schweinsteiger mandou uma bomba e o goleiro Muslera não conseguiu segurar, espalmando para o centro da área. O jovem Muller, bem colocado, só empurrou para o gol – e marcou pela quinta vez neste Mundial, se igualando a Sneijder e David Villa. Em desvantagem, o Uruguai começou a atacar mais e conseguiu o empate aos 28 minutos. Perez roubou de Schweinsteiger no meio e iniciou um contragolpe rápido com Suárez. Ele passou com perfeição para Cavani, que superou o goleiro Butt com tranquilidade. A partida ganhou em equilíbrio, e Suárez teve uma chance de ouro para colocar o Uruguai em vantagem aos 42. Ele invadiu a área e chutou pela esquerda do gol, raspando a trave.

Forlán vira o placar: chute com categoria e quinto gol marcado nesta Copa (Foto: Getty)

Mesmo com a chance perdida, o Uruguai não demoraria a virar a partida no segundo tempo. E conseguiu o 2 a 1 em grande estilo – Arevalo Rios cruzou e o artilheiro Forlán, com um belíssimo voleio, matou o goleiro alemão e chegou a cinco gols no torneio. A vantagem uruguaia, porém, durou só cinco minutos. Aos 11, Boateng cruzou da direita e o lateral Jansen, na esquerda, entrou na área para completar de cabeça. O duelo esquentou, e a partida passou a ser extremamente disputada, com divididas fortes e muita dedicação das duas equipe. Com poucos lances criados com a bola rolando, o desempate só saiu numa bola parada, aos 37 minutos da etapa final. Em escanteio cobrado por Oezil pela direita, Lugano não conseguiu afastar e a bola sobrou para o volante Khedira marcar de cabeça. O gol premiou a ótima Copa disputada pelo volante de origem tunisiana – e castigou um Uruguai que poderia ter tido melhor sorte na partida. No último lance do jogo, Forlán, sem dúvida um dos nomes da Copa, ainda carimbou o travessão, encerrando de forma honrosa um Mundial primoroso da celeste.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Jogos, Seleções | 13:49

‘Jogo do anticlímax’ vale só pelos craques

Uruguai e Alemanha entram em campo logo mais, às 15h30 deste sábado, em Port Elizabeth, para uma partida que costuma ficar no rodapé da história dos Mundiais: a disputa de terceiro lugar. Para muitos, é uma decisão inútil, que não deveria nem sequer existir; para outros, uma tradição chata, que vale só para a TV poder exibir mais uma partida da Copa. Para as duas seleções envolvidas, porém, tudo depende das circunstâncias. Há quatro anos atrás, os alemães deram tudo no seu jogo contra Portugal – eram os donos da casa e o terceiro lugar teria um significado honroso. Neste sábado, não devem repetir a mesma dedicação, já que brigar pela medalha de bronze é no mínimo anticlimático para uma equipe que vinha sendo considerada a melhor do Mundial. Do lado uruguaio, o jogo é como se fosse uma pequena final.

O time não chegava entre os quatro primeiros havia quarenta anos, e o terceiro lugar será muito valorizado no pequeno país sul-americano. Curiosamente, a última vez que as seleções se enfrentaram numa Copa foi justamente na decisão de terceiro lugar de 1970, com vitória alemã por 1 a 0. Neste sábado, a partida importa mesmo é para o torcedor que queria ver de novo alguns dos melhores jogadores da competição. O Uruguai contará com Diego Forlán, candidato a artilheiro e à Bola de Ouro da Copa, que deve ir para o jogo apesar de não estar em sua melhor forma. Entre os alemães, destaque para os craques que têm na partida uma chance a mais para conquistar glórias individuais. O atacante Klose precisava de um gol para igualar Ronaldo como o maior artilheiro das Copas, mas deve começar no banco. Já Oezil e Schweinsteiger tentam conquistar mais alguns votos na corrida pela Bola de Ouro. E Thomas Muller volta de suspensão para tentar garantir o troféu de melhor jogador jovem da Copa. Nada mau para um jogo que vale quase nada.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Seleções | 10:56

Polvo Paul aponta Espanha como campeã

Na final contra a Holanda, Paul aposta na vitória da Fúria (Foto: AFP)

Com 100% de aproveitamento em todos os jogos da Alemanha que previu até agora – inclusive a derrota para a Espanha na semifinal – o polvo Paul solta mais uma de suas previsões para os desafios finais da Copa do Mundo.

Para o animal, que fica no aquário alemão de Sea Life, em Oberhausen, a Espanha sairá com o título inédito deste Mundial, vencendo a Holanda no confronto final deste domingo. Na disputa do 3º lugar, que ocorre no sábado entre Alemanha e Uruguai, ele apostou na vitória de sua seleção.

A previsão de Paul funciona assim: são colocadas duas caixinhas com comida dentro do aquário dele, cada uma com a bandeira da seleção que entrará em campo, e a que ele escolhe e abre para comer deverá vencer o jogo. Até agora, não errou nenhuma previsão, mas é a primeira vez que ele é questionado sobre um jogo que não envolve o time alemão.

Na disputa pelo 3º lugar, polvo prevê que Alemanha vence Uruguai (Foto: AFP)

Fifa, Jogadores | 07:26

Fifa anuncia concorrentes à Bola de Ouro

Sneijder, Villa e Schweinsteiger: três favoritos ao prêmio de melhor jogador da Copa (Fotos: Getty)

A Espanha tem o maior número de candidatos à Bola de Ouro, o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo de 2010. A lista de dez concorrentes divulgada nesta sexta-feira, em Johannesburgo, pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, tem Xavi, David Villa e Iniesta. Pelo lado dos holandeses, dois concorrentes: Robben e Sneijder. O Brasil não tem nenhum jogador na lista de dez postulantes ao troféu. Os únicos jogadores que não chegaram às semifinais e estão na briga são Messi, da Argentina, e Gyan, de Gana. Além de Messi, o único sul-americano é o uruguaio Forlán. A África tem só o ganês Gyan.

A escolha será feita pela imprensa internacional e o anúncio do craque da Copa sai logo depois da final, no domingo, no estádio Soccer City. A lista prévia foi escolhida pela própria Fifa, através de seu comitê técnico. A votação vai até o fim da decisão – ao contrário dos anos anteriores, em que os votos eram recebidos antes da final, o que provocou situações esquisitas – como a vitória de Ronaldo em 1998 e de Oliver Kahn em 2002. Ambos foram mal e acabaram sendo derrotados na finalíssima, mas ainda assim levaram o troféu para casa. A seguir, a lista dos candidatos:

Diego Forlán, do Uruguai; Asamoah Gyan, de Gana; Andrés Iniesta, da Espanha; Lionel Messi, da Argentina; Mesut Oezil, da Alemanha; Arjen Robben, da Holanda; Bastian Schweinsteiger, da Alemanha; Wesley Sneijder, da Holanda; David Villa, da Espanha; Xavi, da Espanha.

Em quem você votaria na eleição do melhor jogador da Copa?

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(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Alemão é o favorito ao troféu de revelação

Na reta final da Copa, a Fifa e seus patrocinadores anunciam os concorrentes aos prêmios individuais do Mundial. E um deles parece já ter dono: o de melhor jovem jogador do torneio. A lista divulgada nesta sexta-feira tem o mexicano Giovani dos Santos, filho de um brasileiro radicado no país, e Andre Ayew, ganês, filho de Abedi Pelé, talvez o melhor jogador da história do futebol africano. Mas o troféu, a que só podem concorrer os jogadores com menos de 21 anos, deve ficar mesmo com o alemão Thomas Muller, grande destaque de uma das melhores seleções do torneio. Muller, aliás, ainda concorre a outro prêmio, a Chuteira de Ouro, já que tem quatro gols e três assistências – na disputa de terceiro lugar, pode alcançar e passar os líderes da disputa, Sneijder e David Villa. Jogador do Bayern de Munique, ele estreou na seleção apenas neste ano – e brilhou intensamente nas goleadas alemãs contra Inglaterra e Argentina. Coincidência ou não, o ponta de 20 anos foi o desfalque da seleção bem no jogo em que a equipe perdeu a chance de disputar a final (derrota por 1 a 0 contra a Espanha). O troféu de revelação deverá ser seu prêmio de consolação.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Melhores imagens da torcida

Em toda Copa do Mundo a torcida é um espetáculo para ser visto. Personagens, beleza, emoção e cor. Confira algumas imagens dos torcedores que estavam na África do Sul.

Replay | 05:02

Disputa por título inédito

HOJE… As equipes da Espanha e da Holanda acordaram nesta quinta-feira com um prazo de só quatro dias de preparação para o maior jogo da história de suas seleções. Com a vitória dos espanhóis contra os alemães, 1 a 0, na quarta, foi garantida a realização de uma final entre dois países que jamais conquistaram um Mundial. Haverá, portanto, um novo campeão do mundo no domingo, no estádio Soccer City. A Holanda já disputou duas finais, e perdeu as duas – mas em ambos os casos jogou contra uma seleção que estava em casa. A Espanha jamais chegou tão longe num Mundial.

ONTEM… A última vez que a final da Copa teve a garantia de que surgiria um novo campeão foi há 32 anos – curiosamente, na última Copa realizada no hemisfério sul antes do atual Mundial. Na Argentina-1978, os donos da casa tentavam seu primeiro título, em plena ditadura militar, quase com a obrigação de vencer. Tinham pela frente os holandeses, vice-campeões na Copa anterior, na Alemanha-1974. Assim como agora, duas seleções que já tinham sentido o sabor de conquistar a Copa ficaram para trás na fase semifinal e tiveram de se contentar com a disputa de terceiro lugar – o Brasil venceu a Itália por 2 a 1, em 24 de junho de 1978. No sábado, será a vez do duelo entre Alemanha e Uruguai. Um dia depois, jogam Holanda e Espanha. E há 32 anos, os holandeses deixaram escapar a chance do título inédito para os argentinos, que desde então ganharam mais uma Copa, em 1986. No vídeo a seguir, o jogo decisivo de 1978 e a glória de uma nova campeã do mundo:

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Jogos, Seleções | 17:30

A Espanha chega à sua primeira final. No domingo, Copa conhece campeão inédito

O gol salvador: Puyol comemora com os companheiros depois de colocar o time na final (Foto: Getty)

A primeira Copa realizada no continente africano terá um campeão jamais visto em todos os outros Mundiais. A Espanha, que vai participar de sua primeira final, enfrentará a Holanda, duas vezes vice-campeã, às 15h30 (horário de Brasília) de domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo. E o clube das sete campeãs mundiais – Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Uruguai, Inglaterra e França – ganhará mais um integrante, o primeiro desde que os franceses ganharam seu único título, jogando em casa, em 1998. Os holandeses já estavam garantidos na decisão desde a terça. Nesta quarta, em Durban, foi a vez da Fúria se classificar para a finalíssima, ganhando da Alemanha, que vinha sendo considerada a melhor seleção da Copa, por 1 a 0, gol do zagueiro Puyol, de cabeça, no segundo tempo.

Apesar do favoritismo alemão – a seleção tricampeã tentava chegar à sua oitava final de Copa na história -, os espanhóis foram melhores durante quase toda a partida. O jogo, aliás, decepcionou. O primeiro tempo, muito amarrado, quase não apresentou chances de gol. A Espanha controlou mais a partida e, na segunda etapa, pressionou até arrumar o gol de cabeça de Puyol. A Alemanha não conseguiu repetir o futebol envolvente, rápido e vistoso que tinha credenciado a equipe a chegar como favorita às semis. E, se durante todo o Mundial arrancou elogios gerais por causa da mudança de estilo de seu futebol, que ficou mais bonito de se ver, a Alemanha encerrou a semifinal mostrando o mesmo tipo de jogo do passado, se limitando a empurrar o adversário para a defesa pela força física e levantando bolas pelo alto, para tentar um gol milagroso de cabeça, com Klose.

Agora, a tricampeã mundial vai enfrentar o bicampeão Uruguai, no sábado, em Port Elizabeth, pelo terceiro lugar. É a segunda semifinal perdida pelos alemães em sequência – em 2006, jogando no próprio país, foram tirados da briga pelo título pela Itália, que acabou levando o título. Depois de um começo ruim no torneio, perdendo para a Suíça, a Espanha engatou uma série de cinco vitórias seguidas, sempre com placar magro e apertado. Se for campeã, deverá ser a equipe que marcou menos gols para chegar ao título. Bem diferente da promessa de futebol ofensivo e de muitos gols que trouxe para a África do Sul. Mas pouco importa: a Fúria nunca chegou tão longe numa Copa, e no domingo tentará erguer seu primeiro troféu – assim como a Holanda, que ganhou todos os seis jogos que disputou no Mundial. Seja qual for o vencedor, uma final para entrar para a história.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Jogos, Seleções | 11:53

Em papéis trocados, Alemanha e Espanha se reencontram e disputam lugar na final

Antes do começo deste Mundial, a Espanha era a seleção do jogo bonito e a Alemanha, da eficiência. Seis partidas depois, elas trocaram de lugar: na disputa da semifinal entre as equipes, nesta quarta-feira, no estádio Moses Mabhida, em Durban, alemães são os representantes do futebol que enche os olhos, e espanhóis, os pragmáticos que fizeram apenas o suficiente para avançar até a reta final. Um cenário bem diferente do último encontro entre as equipes, na final da Eurocopa de 2008, quando a Fúria ganhou por 1 a 0, levantou a taça e passou a ser considerada uma concorrente séria ao título na África do Sul. No reencontro, a Espanha tem praticamente a mesma equipe, mas jogando de forma muito menos envolvente. A Alemanha foi totalmente reformulada – se não nos nomes, certamente na maneira de jogar. Adversário de uma das duas na decisão do próximo domingo, o técnico da Holanda, Bert van Marwijk, resumiu o encontro da seguinte forma: a Espanha é a melhor seleção do mundo, mas a Alemanha exibe o melhor futebol do mundo no atual momento.

Desde a final da Eurocopa, os espanhóis lidaram com uma situação incomum: a condição de favoritos. Com esse papel, chegaram a decepcionar algumas vezes, como na Copa das Confederações do ano passado, quando foram eliminados pelos Estados Unidos. Nesta Copa, estrearam com derrota para a Suíça e conseguiram se recuperar, mas nem de longe foram o time envolvente e arrasador que alguns adversários temiam. Com vitórias magras contra Honduras, Chile, Portugal e Paraguai, a Fúria pode se tornar a campeã menos goleadora da história – até agora, furaram as defesas adversárias em apenas seis ocasiões, cinco delas com um só atleta (o artilheiro David Villa). Nunca nenhuma seleção foi campeã do mundo marcando menos de dez gols. A Itália de 1938, o Brasil de 1994 e a Inglaterra de 1966 levantaram o troféu com 11 gols cada. Na comparação com os alemães, fica claro que a Espanha vai precisar melhorar muito se quiser chegar à sua primeira final. Os alemães já somam 13 gols, com três vitórias com quatro gols anotados (contra Argentina, Austrália e Inglaterra; a outra, contra Gana, foi por 1 a 0). O recorde de gols de um time campeão do mundo é da própria Alemanha, em 1954, com 25 gols.

Como mostram os números dos espanhóis, todas as atenções da defesa alemã estarão voltadas para o matador David Villa, que fez gols nas últimas quatro partidas. Já contratado pelo Barcelona para a próxima temporada, é o favorito para ser o artilheiro do Mundial. Do outro lado do campo, porém, estará Miroslav Klose, que está a apenas um gol de igualar o recorde de Ronaldo como maior goleador da história das Copas. Nesta edição ele já tem quatro. Para criar as oportunidades para Klose marcar, um quarteto ofensivo que fez muito sucesso até agora, mas está desfalcado nesta quarta. Com a ausência de Ballack, o técnico Joachim Low colocou lado a lado os jovens Oezil, Muller, Scheinsteiger e Podolski para municiar Klose. Muller, revelação do torneio, com quatro gols e mais três passes para que seus compaheiros marcassem, está suspenso e não pega a Espanha. No lugar dele deve entrar Trochowski, Kroos ou até mesmo o brasileiro naturalizado alemão Cacau. Os alemães, que deixaram escapar a chance de jogar a final na Copa passada, em casa, prometem manter seu altíssimo nível na partida desta quarta, evitando um apagão como o que provocou a única derrota do time no torneio, contra a Sèrvia. Seria uma final digna de uma grande Copa: a melhor seleção da competição contra a equipe mais vencedora, a Holanda, seis vitórias em seis jogos.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Maior finalista de todos ou final inédita?

Seja qual for o resultado da semifinal entre Alemanha e Espanha, nesta quarta-feira, em Durban, a grande decisão da primeira Copa em solo africano certamente entrará para a história. Se os alemães (na foto acima, no treino de terça) garantirem um lugar no jogo de domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, serão a seleção com maior presença em finais nos Mundiais. Até agora, estão empatados com os brasileiros, ambos com sete decisões cada. Podem subir para oito dentro de algumas horas. O aproveitamento do Brasil é melhor em títulos, cinco contra três. Mas, se chegarem outra vez à decisão do troféu, os alemães terão se aproximado na fantástica marca de uma final a cada duas participações em Copas (foram 17 no total). Por outro lado, se ficarem de fora da decisão, os alemães vão quebrar uma sequência impressionante, que mostra como a tradição das seleções pesa nas Copas. Desde a primeira edição do torneio, nunca aconteceu uma decisão que não tivesse pelo menos uma das quatro seguintes seleções: Brasil, Itália, Alemanha e Argentina. Em caso de decisão Holanda x Espanha, a escrita estará quebrada – e haverá a certeza de que o campeão de 2010 será um país que jamais sentiu o gosto de levantar a Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Seleções | 09:00

Alemanha: risco à supremacia brasileira

Quando entrar em campo nesta quarta-feira, em Durban, para enfrentar a Espanha, na semifinal da Copa do Mundo, a Alemanha vai roubar uma marca que até agora pertencia ao Brasil. A partida que decide uma vaga na finalíssima é a 98ª dos alemães em Copas – o Brasil tem 97 jogos disputados. Os alemães já têm mais um jogo garantido, já que mesmo que perderem nesta quarta, terão a disputa do terceiro lugar pela frente. Além da marca dos 99 jogos em Copas, os alemães podem superar o Brasil também em número de finais disputadas. Na Copa de 2002, eles se enfrentaram na sétima final de cada um. Logo mais, a Alemanha pode ter lugar em sua oitava decisão. Tirando essas duas marcas, o Brasil segue soberano em vários quesitos, a começar pelo número de títulos (cinco contra três alemães). O Brasil tem 67 vitórias, 15 empates e 15 derrotas, enquanto os alemães contam 59 vitórias, 19 empates e 19 derrotas. A seleção brasileira também tem melhor saldo de gols: 211 marcados e 88 sofridos, contra 203 marcados e 114 sofridos pelos alemães. Mas fica claro que a seleção germânica é a grande ameaça à primazia brasileira nas Copas do Mundo. Se for tetra na África do Sul, pode até igualar o penta do Brasil em 2014 – e justamente numa Copa disputada no país do futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

Seleções | 07:15

Ausência de Ballack, Alemanha renovada

Destaque das boas campanhas da seleção alemã nas Copas de 2002 (quando a equipe foi vice-campeã) e 2006 (terceira colocada), o meia Michael Ballack tem um papel positivo também no sucesso do time no Mundial de 2010 – mas, desta vez, é através de sua ausência. Representante do velho estilo alemão de jogar futebol, com muita força e disciplina tática, Ballack seria capitão e titular da seleção do técnico Joachim Low. Cortado por contusão a poucas semanas do embarque para a África do Sul, abriu uma vaga no meio-campo. E possibilitou que a Alemanha enfim encontrasse uma de suas melhores formações nas últimas décadas, com os jovens Oezil e Schweinsteiger cumprindo as funções de armação (com outro novato, Khedira, como volante). Schweinsteiger, que possivelmente jogaria pela ponta caso Ballack estivesse no time, encontrou no meio o espaço perfeito para desenvolver seu jogo – é candidato a melhor jogador da Copa. De quebra, abriu espaço para que Thomas Muller – 20 anos e 4 gols em 5 jogos – pudesse ganhar uma vaga entre os titulares. Enquanto isso, Ballack, que nas últimas temporadas tem mostrado um futebol que se resume à potência física, está acompanhando a campanha alemã das tribunas dos estádios sul-africanos. Melhor para a Alemanha.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Renovação alemã, exemplo para o Brasil

O que fazer quando sua seleção parece estagnada, sem criatividade e sem estilo próprio de jogar? Traga novos valore para seu time, afirma o técnico da Alemanha, Joachim Low. “Depois que perdemos a final da Eurocopa, em 2008, queríamos mudar. Era hora de dar uma chance aos jogadores mais jovens. Estávamos dispostos até a perder alguns jogos para que eles pudessem ganhar uma oportunidade. Eles aproveitaram, e agora não têm medo de nada.” Além da decisão do técnico, a contusão do capitão Ballack acabou ajudando – era um veterano a menos no time, abrindo espaço para Oezil, de 21 anos, e Muller (na foto acima), de 20, no meio-campo. Não por acaso, são eles os diferenciais numa seleção apontada como revolucionária, por transformar a tradicional forma de jogar da Alemanha e fazer de sua seleção a mais apreciada da Copa. Até os colegas mais experientes se impressionaram com o sucesso da renovação da equipe. “Sim, estou surpreso com eles”, admitiu, sorrindo o zagueiro Mertesaker. “Oezil e Muller cresceram de forma notável em apenas um mês.” Pode ser um bom modelo para a CBF, prestes a definir o novo técnico da seleção brasileira. A quatro anos da Copa mais aguardada das últimas décadas para sua torcida, que verá o time tentar o título em casa, a equipe bem que poderia aproveitar alguns dos vários novos talentos que surgem a cada ano no país.

(Por Giancarlo Lepiani, da Cidade do Cabo)

sábado, 3 de julho de 2010

Jogadores, Perfis | 15:53

Klose: um gol para alcançar Ronaldo

Miroslav Klose: 14 gols em três Copas do Mundo. Foto: AFP

Um centroavante comum, pouco badalado, mas próximo de se tornar o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. Aos 32 anos, Miroslav Klose tem uma chance de ouro – precisa apenas marcar em mais duas oportunidades na África do Sul para superar o brasileiro Ronaldo e se tornar o maior goleador do principal evento esportivo do mundo.

Neste sábado, o polonês naturalizado alemão ajudou sua seleção a massacrar a Argentina na África do Sul e alcançou a marca de 14 gols (marcou cinco vezes em 2002 e cinco em 2006). De quebra, se iguala ao compatriota Gerd Muller. Ronaldo, com 15 gols contabilizados, é seu último adversário. De reserva de luxo em seu time, o Bayern de Munique, tornou-se, mais uma vez, peça imprescindível na seleção comandada por Joachim Löw.

Neste Mundial, terá pelo menos 180 minutos para se consagrar – independente do resultado nas semifinais, disputa a grande final ou o duelo de 3º e 4º lugar. A tarefa – antes árdua – começa a ficar mais simples.

Os maiores goleadores da história das Copas
1º – Ronaldo (BRA) – 15 gols
2º – Klose (ALE) – 14 gols
2º – Gerd Muller (ALE) – 14 gols
4º – Fontaine (FRA) – 13 gols
5º – Pelé (BRA) – 12 gols

Miroslav Klose vai superar a marca de Ronaldo em Copas do Mundo?

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