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terça-feira, 22 de junho de 2010

Partido critica capitão. Ele dá de ombros

Mokoena lamenta a derrota para o Uruguai: na mira dos políticos (Foto: Getty)

Por mais de oito décadas, o Congresso Nacional Africano (CNA) tentou a todo preço conseguir igualar os negros aos brancos que governavam a África do Sul. Graças ao magnetismo de Nelson Mandela e ao custo de centenas de mortes, o partido derrubou o apartheid, chegou ao poder e passou a ser a força política dominante no país. Agora, como se não tivesse coisa melhor para fazer – como resolver as questões HIV, pobreza e crime -, a liga jovem do partido lançou uma campanha: quer tirar o capitão Aaron Mokoena da formação titular dos Bafana Bafana. E a briga não tem nada de política: os militantes do CNA são mesmo palpiteiros que desaprovam o futebol do zagueiro, que atua no Portsmouth, da Inglaterra. “Ele comete erros que não podem acontecer num jogo como o desta terça”, disse o porta-voz Floyd Shivambu. “Respeitamos o capitão por sua capacidade de liderança, mas devemos ser honestos na defesa de nossa nação.”

Mokoena já avisou que não liga para as críticas. O zagueiro, que se formou na fraca liga local e chegou a jogar em clubes como o Ajax, da Holanda, já teve que passar por coisas muito piores do que uma trapalhada no gramado – como um dos lances de gol do Uruguai, nos 3 x 0 de Pretória – e uma reclamação de políticos que querem aparecer. Quando tinha 11 anos e morava numa favela próxima a Johannesburgo, conseguiu escapar por pouco de um massacre promovido por uma facção radical negra rival do CNA. Quarenta e seis pessoas morreram – em sua maioria, garotos como ele. O capitão dos Bafanas se safou de maneira inusitada: sua mãe o vestiu com roupas de menina e ele conseguiu chegar até um posto policial. “Depois do que aconteceu naquele dia, não tenho mais medo de nada”, conta Mokoena. Ouvir algumas cornetadas e jogar contra Thierry Henry nesta terça? Ele tira de letra.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)

Parreira muda tudo para tentar milagre

Os Bafana Bafana têm uma missão de amargar nesta quarta-feira, em Bloemfontein. Precisam derrotar a França, uma seleção que jamais conseguiram superar, por uma diferença de pelo menos três gols. Ainda que essa façanha seja alcançada, faltará torcer para que México e Uruguai, que jogam ao mesmo tempo, em Rustemburgo, não empatem. Um resultado igual confirma a classificação das duas equipes à segunda fase. Se houver vencedor na partida, tanto os sul-africanos como os franceses poderão sonhar com a vaga nas oitavas – desde que consigam uma goleada. Nos dois primeiros jogos, as duas seleções somaram só um ponto cada uma.

Para tentar viabilizar o milagre em Bloemfontein, o técnico brasileiro dos Bafanas, Carlos Alberto Parreira, estudava fazer até cinco mudanças na equipe que foi atropelada pelo Uruguai em Pretória. O treinador disse que as trocas – duas delas por causa de suspensões – já foram até treinadas. Os nomes dos novos titulares, porém, não foram revelados. Uma das trocas mais prováveis inclui a mudança da formação da equipe, que jogou até agora com só um atacante, para a entrada de um segundo homem de frente, Bernard Parker, ao lado do centroavante Mphela.

Parreira disse não temer o impacto de uma eliminação logo na primeira fase, algo que nunca aconteceu com um país anfitrião de Copa ao longo de 80 anos de história do torneio. Segundo ele, cair com a África do Sul seria uma “decepção”, mas jamais um “fracasso”. “Sempre existe uma primeira vez para tudo, e as pessoas se esquecem que caímos num grupo forte demais. Em outras Copas, os times da casa pegaram várias molezas. Se a espetacular combinação de resultados necessária para dar a vaga aos Bafanas não acontecer, o jogo desta terça pode marcar a despedida de Parreira como técnico depois de 42 anos na profissão.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)

Dia de vestir amarelo em Bloemfontein

Na África do Sul pós-apartheid, a expressão preferida para definir o país é rainbow nation, a “nação arco-íris”, referência à convivência pacífica, ainda que nem sempre cômoda, entre as diferentes etnias que formam sua população. Nesta terça-feira, no entanto, o país amanheceu pintado de amarelo, a cor dos Bafana Bafana, que têm tudo para se despedir precocemente da primeira Copa do Mundo realizada no país e no continente negro. A essa altura, a eliminação da equipe logo na primeira fase, ainda que decepcionante, já não parece mais preocupar tanto seus torcedores. Todos parecem preparados para uma saída honrosa, com uma sonhada vitória sobre a França, a partir das 11 horas (no horário de Brasília), no estádio Free State, em Bloemfontein.

Se um triunfo contra os franceses não for o bastante para garantir a vaga, terá sido, pelo menos, uma despedida mais adequada para uma seleção que cativou a torcida e conquistou o apoio irrestrito da população, mas transformou-se em enorme decepção com a goleada sofrida para o Uruguai, em Pretória. Passados cinco dias da surra levada no estádio Loftus Versfeld, os sul-africanos entraram no espírito do “sair de cabeça erguida”. As autoridades do país e a federação de futebol local pediram aos torcedores que saíssem às ruas vestindo amarelo e carregando a bandeira multicolorida adotada no governo de Nelson Mandela (1994-1999).

Os jornais abraçaram a campanha, incentivando o público a apoiar os Bafanas mais uma vez. Deu resultado: a camisa da seleção era vista sob os casacos de boa parte das pessoas que circulavam por Johannesburgo no início da manhã. As rádios recebiam telefonemas animados de torcedores que pegavam a estrada a caminho da pequena Bloemfontein. E no aeroporto, grupos de torcedores munidos de vuvuzelas e enrolados em bandeiras enchiam os voos rumo à cidade que receberá a partida. Num desses voos, torcedores dos Bafanas – brancos, que nunca foram fãs de futebol antes da Copa – confessavam ter tirado folga do trabalho para levar seus filhos a Bloemfontein e ver de perto o que deve ser a última partida da África do Sul neste Mundial.

Eles dividiam os assentos com franceses envergonhados pelo vexame proporcionado por sua seleção – ninguém ousava exibir a camisa dos Bleus em público – e com um estudante universitário loiro que viajava sozinho, debruçado sobre o livro Should I Stay or Should I Go, volume de ensaios que discutem se vale a pena seguir morando na África do Sul de Jacob Zuma, da criminalidade endêmica, dos índices brutais de contágio por HIV, do monumental abismo que separa o estilo de vida dos pobres e ricos. Antes da Copa, talvez fosse mesmo melhor ir embora. Depois deste Mundial, com ou sem uma vitória redentora dos Bafanas, pode ser a hora de repensar esses planos e apostar num país que começa a engatinhar na direção certa – ainda que muito distante do arco-íris.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Uma semana depois, faltou só futebol

A Copa do Mundo da África do Sul fecha sua primeira semana nesta sexta-feira. Os piores temores dos críticos da escolha do país para sediar o torneio não se confirmaram. Da mesma forma, as promessas dos organizadores, que garantiam a realização de um evento sem falhas, também eram exageradas. A seguir, alguns dos destaques positivos e negativos da semana inicial – e o que esperar para as próximas:

GOLS DE PLACA

A torcida – apesar das vuvuzelas: Sem qualquer sinal de briga e com muita animação, o público que acompanha o começo da Copa da África do Sul está fazendo sua parte. E as vuvuzelas? Bem, elas não vão sumir. A Fifa ameaça, mas não conseguirá proibir.

Os estádios (dos portões para dentro): Bem construídos e bem dimensionados, não são perfeitos, mas cumprem o prometido pelos organizadores – fazer uma Copa dentro das possibilidades africanas. Os mais bonitos: Soccer City, Durban e Cidade do Cabo.

CHUTES PARA FORA

A maldição da Jabulani: As reclamações foram intermináveis, mas o fato é que 20 jogos já foram disputados, e a promessa de lances grotescos e goleiros expostos ao ridículo não se concretizou. Quem engoliu frango (como o inglês Green) errou sozinho.

Trânsito ao redor dos estádios: Já se sabia que os trajetos até os estádios – principalmente os de Johannesburgo – seriam complicados. Mas ainda assim o sistema montado para transportar os torcedores está capenga. Falta melhor transporte público.

CANELADAS

Poucos gols na primeira rodada: Talvez tenha sido o nervosismo da estreia; talvez, a cautela de um começo de torneio. Mas a média de gols no começo foi a menor da história. As goleadas de Argentina e Uruguai no início da 2ª rodada já são um alento.

Buracos nas arquibancadas: Como em todas as Copas mais recentes, várias porções de arquibancada ficam vazias, até mesmo nos jogos mais importantes. Não há solução, pelo menos por enquanto: os ingressos foram comprados, mas seus donos não apareceram.

FRANGOS

Funcionários em greve: Nos primeiros jogos, funcionários com coletes laranjas ajudavam a organizar o acesso das torcidas. Nas últimas partidas, entraram em greve e foram substituídos por policiais. Acredita-se que haverá acordo para que eles voltem.

O vestido “holandesinho” na mira: Detidas só porque usaram minivestidos promocionais de uma marca de cerveja concorrente da patrocinadora oficial, 36 garotas levaram um susto na estreia de sua seleção. A Fifa deverá processar a cervejaria holandesa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Em rara aparição, Madiba vai a enterro

Madiba chegou amparado e usando bengala (Foto: AFP)

Nelson Mandela apareceu em público nesta quinta-feira – algo raríssimo de acontecer atualmente. O motivo: o enterro da bisneta de 13 anos, Zenani Mandela, a única vítima fatal em um acidente de carro no dia do show de abertura da Copa do Mundo da África do Sul – o que impediu Madiba de comparecer ao jogo de estreia.

Vestindo um sobretudo preto, o líder sul-africano, de 91 anos, chegou amparado ao funeral, caminhando lentamente e com o auxílio de uma bengala. Sentou-se na primeira fila, ao lado da mulher, Graca Machel. Zenani foi enterrada em uma cerimônia restrita a parentes e amigos no cemitério de Fourways, no norte de Johannesburgo. A menina tocava piano e saxofone, gostava de escrever, ler e cozinhar, e sonhava ser cirurgiã plástica.

Africanos táticos

O lugar-comum: Africanos são habilidosos, mas não ganham porque não têm organização tática e não entendem as ordens dos técnicos.

O que mostra a Copa de 2010: Como em qualquer lugar do planeta, a África tem times de todos os tipos – bons, ruins, técnicos ou cheios de pernas-de-pau. E a seleção que mais contradiz o mito dos africanos bons de bola mas desorganizados no campo é justamente a equipe da casa. A África do Sul tem como uma de suas poucas virtudes a disciplina tática, com jogadores bem adaptados ao esquema desenhado pelo técnico Carlos Alberto Parreira. Cada um ocupa sua faixa de campo e tenta cumprir à risca seu papel. O problema é que faltam bons jogadores para colocar as ideias do treinador em prática. Limitados tecnicamente, os Bafanas não sabem criar alternativas de jogadas ou inventar atalhos para o gol. Do outro lado da moeda, as seleções de Gana e da Costa do Marfim, que têm jogadores de bom nível, tiveram bons resultados (a primeira bateu a Sérvia; a segunda empatou com Portugal) porque, além dos atletas habilidosos, têm estrutura tática correta.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Bafanas, perto de despertar do sonho

Nesta quarta-feira, foi feriado na África do Sul – Dia da Juventude, tributo ao levante dos estudantes de Soweto, em 16 de junho de 1976. Com muita gente de folga do trabalho, as ruas de Pretória – ou Tshwane, na denominação pós-apartheid – estavam cheias de pessoas enroladas em bandeiras e vestidas nas cores nacionais. Os jogadores da seleção da casa chegaram para o jogo contra o Uruguai, no estádio Loftus Versfeld, sorrindo, dançando e cantando juntos. E foram acompanhados por uma arquibancada lotada de brancos e negros enfeitados com adereços que antes eram usados só pelos últimos, há décadas fanáticos por futebol. Os primeiros, apaixonados pelo rúgbi, sempre frequentaram o estádio, o mais antigo da Copa, templo sagrado da modalidade em que a África do Sul é mesmo craque. Mas pareciam se sentir em casa – loiros alvíssimos com nomes e sobrenomes em africâner exibiam makarapas, vuvuzelas e camisas dos Bafana Bafana.

Tudo estava pronto para uma memorável festa, mas a seleção mais estraga-prazeres das Copas também tinha sido convidada. E com a vitória impiedosa por 3 a 0, gols de Diego Forlán e Álvaro Pereira, o Uruguai deixou por um fio o sonho de classificação dos anfitriões deste Mundial. Agora, o time comandado por Carlos Alberto Parreira depende de uma façanha – bater a baleada mas tradicional França em Bloemfontein – para tentar manter viva a esperança de continuar na Copa. Já o Uruguai assumiu a liderança isolada do grupo e antecipou a comemoração pelo aniversário de sua maior conquista no esporte – dentro de exatamente um mês, em 16 de julho, completa 60 anos da vitória sobre o Brasil na final da Copa de 1950. Depois de calar 200.000 pessoas no Maracanã, a seleção bicampeã mundial conseguiu o que muita gente achava ser impossível: quando Forlán cobrou o pênalti que deu o segundo gol à sua equipe, o Uruguai enfim silenciou as vuvuzelas sul-africanas.

(Por Giancarlo Lepiani, de Pretória)

Cenas do sexto dia

Nesta quarta-feira, estrearam na competição Chile, Honduras, Espanha e Suíça. O Chile garantiu uma vitória por 1 a 0 e a Suíça surpreendeu os espanhois, também marcando 1 a 0. Na última partida do dia, a África do Sul enfrentou o Uruguai. Confira cenas dos jogos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

‘Cala boca, Galvão!’ marca presença

Depois de virar mania no Twitter, a “campanha” Cala boca, Galvão! ganhou sua versão fora do mundo virtual. Nesta terça-feira, em plena estreia do Brasil na Copa do Mundo da África do Sul, contra a Coreia do Norte, uma faixa com a frase endereçada ao locutor número 1 da TV Globo foi afixada nas arquibancadas do estádio Ellis Park, em Johannesburgo. A brincadeira durou pouco: menos de cinco minutos depois de ser exibida pela torcida brasileira,  a faixa foi recolhida por organizadores do evento.
O viral surgiu na última quarta-feira e tomou conta do Twitter. Desde então, aparece na lista de Trending Topics (assuntos mais populares) da rede de mensagens.

Um palco digno da melhor das seleções

Não foi o estádio da abertura desta Copa e também não receberá a grande final. Mas não importa. Difícil imaginar um lugar mais adequado para receber o primeiro jogo da seleção brasileira no Mundial da África do Sul que o Ellis Park. Assim como o Brasil é a maior bandeira da história das Copas, o estádio localizado perto do centro de Johannesburgo é o grande templo do esporte sul-africano.

Seu nome atual é Coca-Cola Park, mas a Fifa não permite o uso de marcas para se referir aos estádios da Copa – ainda que a marca em questão seja a maior patrocinadora do torneio. Pouca gente, porém, se refere ao campo assim: ele é conhecido mesmo como Ellis, tradicional, imponente e cheio de história. Inaugurado em 1928, o estádio passou por uma grande reforma no ano passado, mas manteve intactas todas as suas características mais marcantes. Tem capacidade para receber 62.567 pessoas.

Chegou a receber partidas de críquete, mas tem tradição mesmo é no rúgbi e, em menor medida, no futebol. Foi o palco de grandes glórias – a maior delas, a vitória sul-africana e a presença de Nelson Mandela na Copa do Mundo de rúgbi de 1995 (na foto abaixo). Outra grande conquista foi brasileira, a Copa das Confederações que serviu de ensaio para o Mundial deste ano.

Também presenciou tragédias, como a morte de 42 torcedores pisoteados num clássico local entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates, em 2001. Em 2005, cavou vaga em mais um capítulo da história sul-africana: tornou-se o primeiro estádio de propriedade de empresários negros. Na noite desta terça (horário local, tarde em Brasília), terá mais uma honra: a de receber a maior seleção do planeta na principal competição esportiva do mundo.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

domingo, 13 de junho de 2010

Para africanos, a Copa ainda é distante

Fora da festa: nigerianos que moram em Johannesburgo assistem a jogo na Fan Fest (Foto: Getty)

Depois de um empate da África do Sul e uma derrota da Nigéria, o continente africano tem duas chances de conseguir sua primeira vitória no Mundial neste domingo, nas partidas entre Argélia e Eslovênia, em Polokwane, e Gana e Sérvia, em Pretória. O maior triunfo dos africanos nesta Copa, porém, parece impossível de ser alcançado. Quando a Fifa anunciou a escolha da África do Sul como sede, uma das principais bandeiras da campanha era trazer um impacto positivo ao país e aos seus vizinhos a partir da realização do evento. Mas os sul-africanos vão arcar com uma conta salgada depois do torneio – e as outras nações do continente parecem ter sido barradas no baile, tanto no quesito impulso econômico quanto na participação na festa.

Nas arquibancadas, a presença de torcedores vindos de outros países africanos é tímida. Os problemas nas vendas de ingressos para os vizinhos dos sul-africanos fizeram com que encontrar pessoas desses países nas arquibancadas se transformasse em uma missão mais difícil do que seria de se esperar. Algo a se lamentar, pois ver os maiores jogadores do mundo de perto é chance única para a esmagadora maioria dos habitantes do continente. Na partida de sábado entre Argentina e Nigéria, por exemplo, dois garotos sul-africanos estavam “infiltrados” na torcida dos sul-americanos. Conseguiam ser ainda mais empolgados que os incansáveis argentinos. O mais curioso é que apoiavam os dois times ao mesmo tempo: quando algum jogador famoso tocava na bola, iam ao delírio, fosse ele argentino, fosse nigeriano.

O jogo de sábado no estádio Ellis Park, aliás, foi exceção quanto à participação africana na plateia. O campo é próximo de uma região com forte presença de imigrantes nigerianos, e a torcida do país tinha tamanho respeitável. Mas essa cena não deve ser das mais comuns no decorrer do torneio. De acordo com a Fifa, a venda de ingressos no continente que recebe a Copa pela primeira vez está 76% menor do que o previsto. Até a semana passada, só 41.000 bilhetes tinham sido vendidos aos vizinhos do país anfitrião.

Só no telão: nigerianos acompanham a derrota para a Argentina (Foto: Getty)

A Argélia, que estreia neste domingo, é a campeã em vendas, mas tinha comprado só 9.300 ingressos até dez dias atrás. Mesmo que todos tivessem sido vendidos para o primeiro jogo, o estádio em Polokwane teria cerca de um quinto de sua capacidade ocupada por argelinos. A Costa do Marfim, adversária do Brasil na primeira fase, comprou só 8.000 ingressos até a última semana. O Zimbábue, país que faz fronteira com a África do Sul, adquiriu só 1.300. Enquanto isso, os americanos já tinham comprado 134.953 bilhetes até alguns dias atrás.

Mais importante ainda que os lugares na arquibancada, um possível efeito mais duradouro na economia dos países africanos também já é cercado de dúvidas. Apesar de uma campanha da Fifa para tentar garantir um legado positivo, por enquanto existe o temor de que só houve gastos, sem grandes retornos. Países como Botsuana e Moçambique investiram para se preparar para receber turistas de todas as partes do mundo antes e depois da Copa, mas o movimento até agora é decepcionante – afinal, o fluxo de visitantes no próprio país-sede ficou bem abaixo do que se esperava. Até agora, a primeira Copa em solo africano parece, para a grande maioria dos moradores do continente, um Mundial como todos os outros: uma festa só para os outros, que se acompanha à distância, com a cara grudada na TV.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Abertura da Copa da África

Sem Madiba, empate. Festa pela metade

Bafanas: aplausos após estreia modesta (Foto: Getty)

O silêncio que acompanhou o apito final do árbitro Ravshan Irmatov deu uma boa medida da reação da torcida sul-africana à abertura deste Mundial, nesta sexta-feira. O 1 a 1 com o México, rival direto na tentativa de passar para a segunda fase, teve sabor de decepção para os Bafana Bafana, que saíram na frente no placar com um gol de Tshabalala, o primeiro da Copa. Passados alguns segundos do fim da partida, porém, o público sul-africano começou a aplaudir sua seleção – que, minutos antes, tinha ficado muito perto da vitória ao acertar uma bola na trave, no finzinho do jogo, com o centroavante Mphela.

O resultado não foi bom para a África do Sul (aliás, para o México também não). Mas ainda há chance de classificação para a próxima fase, principalmente se França e Uruguai também empatarem, ainda nesta sexta, na Cidade do Cabo. Sem a aguardada presença de Nelson Mandela, que cancelou sua participação na festa por causa da morte de sua bisneta, horas antes da abertura, a estreia do Mundial sul-africano já começou com sensação de que estava faltando algo. A torcida cantou e participou bastante, mas com níveis de empolgação menores do que se previa.


Conseguir um ingresso para a abertura, vale lembrar, não era para qualquer um. Entre os 84.490 presentes ao estádio, a maioria esmagadora estava vestida nas cores da seleção local. Circulando entre os torcedores, no entanto, era possível notar que havia “sul-africanos” vindos de todas as partes, desde australianos e americanos até brasileiros e chineses. Em homenagem a Mandela, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e o presidente sul-africano, Jacob Zuma, discursaram antes da execução dos hinos. Os Bafana Bafana jogaram com uma tarja preta no uniforme em sinal de luto.

Durante a partida, África do Sul e México confirmaram o que se esperava deles: nenhum deve ter grandes ambições no torneio. O México começou melhor, mas logo os anfitriões equilibraram o jogo. Foi assim até o fim, com as duas seleções se alternando no controle do jogo e alguns lances de muito perigo. Depois do belo gol de Tshabalala, aos 10 minutos do segundo tempo, o México teve de abrir mais espaços para subir ao ataque. Por um momento, parecia que os donos da casa aumentariam a vantagem com seus contra-ataques perigosos. Mas o zagueiro Rafa Marquez, jogando como se fosse centroavante, deixou tudo igual aos 34 da etapa final.

Nos minutos que restavam, México e África do Sul tiveram chances claras, mas desperdiçaram as oportunidades que poderiam render uma vitória fundamental para a sequência na competição. Saíram da primeira rodada com um ponto cada – o que pode significar a desclassificação nas próximas duas rodadas deste equilibrado grupo A. O estádio Soccer City foi aprovado, a organização deu conta do recado, a festa foi simples porém bonita. Mas é inegável que os sonhos dos milhões de sul-africanos que colocaram bandeiras do país em seus carros e casas antes desta estreia nao incluiam um resultado murcho como o 1 a 1 deste jogo de abertura.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Emoção no primeiro jogo da Copa

África do Sul e México empataram em 1 a 1 no primeiro jogo da Copa. Os mexicanos tiveram um gol anulado no primeiro tempo, que terminou 0 a 0. Os times voltaram mais eficientes para a segunda etapa. Tshabalala abriu o placar para os africanos aos 8 minutos. Após o gol, a África do Sul preferiu se garantir e tentar contra-ataques. Mas aos 33 minutos, Rafa Marquez empatou. Os africanos ainda colocaram uma bola na trave nos minutos finais.

África do Sul: Khune, Gaxa, Mokoena, Khumalo, Thwala (Masilela), Letholonyane, Modise, Pienaar, Tshbalala e Mphela.

México: Oscar Perez, Aguilar (Guardado), Osório, Rodriguez, Salcido, Juarez, Rafa Márquez, Torrado, Giovani dos Santos, Franco (Hernández) e Vela (Blanco).

Gols: Tshbalala, aos 8 minutos do segundo tempo. Rafa Marquéz, aos 33 minutos do segundo tempo.

Cartões Amarelos: Torrado (México), Juarez (México), Dikgacoi (África do Sul) e Masilela (África do Sul).

África do Sul ficou mais perto da vitória

Aos 44, num contra-ataque, Mphela ganhou na corrida do zagueiro e tocou de perna esquerda… a bola bateu na trave e quase saiu pela lateral. Nos quatro minutos seguinte, foram três de acréscimos, a equipe de Carlos alberto Parreira ainda pressionou mas não conseguiu marcar o segundo. Ao fim do jogo, os mexicanos mostravam estar mais frustrados que os sul-africanos, que tivem mais chances de gol.


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