terça-feira, 22 de junho de 2010
Partido critica capitão. Ele dá de ombros
Por mais de oito décadas, o Congresso Nacional Africano (CNA) tentou a todo preço conseguir igualar os negros aos brancos que governavam a África do Sul. Graças ao magnetismo de Nelson Mandela e ao custo de centenas de mortes, o partido derrubou o apartheid, chegou ao poder e passou a ser a força política dominante no país. Agora, como se não tivesse coisa melhor para fazer – como resolver as questões HIV, pobreza e crime -, a liga jovem do partido lançou uma campanha: quer tirar o capitão Aaron Mokoena da formação titular dos Bafana Bafana. E a briga não tem nada de política: os militantes do CNA são mesmo palpiteiros que desaprovam o futebol do zagueiro, que atua no Portsmouth, da Inglaterra. “Ele comete erros que não podem acontecer num jogo como o desta terça”, disse o porta-voz Floyd Shivambu. “Respeitamos o capitão por sua capacidade de liderança, mas devemos ser honestos na defesa de nossa nação.”
Mokoena já avisou que não liga para as críticas. O zagueiro, que se formou na fraca liga local e chegou a jogar em clubes como o Ajax, da Holanda, já teve que passar por coisas muito piores do que uma trapalhada no gramado – como um dos lances de gol do Uruguai, nos 3 x 0 de Pretória – e uma reclamação de políticos que querem aparecer. Quando tinha 11 anos e morava numa favela próxima a Johannesburgo, conseguiu escapar por pouco de um massacre promovido por uma facção radical negra rival do CNA. Quarenta e seis pessoas morreram – em sua maioria, garotos como ele. O capitão dos Bafanas se safou de maneira inusitada: sua mãe o vestiu com roupas de menina e ele conseguiu chegar até um posto policial. “Depois do que aconteceu naquele dia, não tenho mais medo de nada”, conta Mokoena. Ouvir algumas cornetadas e jogar contra Thierry Henry nesta terça? Ele tira de letra.
(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)










































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