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Posts Tagged ‘África do Sul’

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Felipe Melo: ‘De forma alguma sou vilão’

O lance da expulsão do jogador, na partida em que a Holanda eliminou o Brasil (Foto: AFP)

Felipe Melo recusou o título de “vilão” da eliminação do Brasil nas quartas-de-final da Copa do Mundo 2010. Em entrevista à TV Globo, o volante disse que sua expulsão na partida contra a Holanda não pode apagar o que fez de bom pela Seleção Brasileira.

“De forma alguma sou o vilão. Parece que tudo o que o Felipe Melo faz é errado. As coisas boas as pessoas esquecem. Tudo o que eu fiz não pode ser apagado por um cartão vermelho”, declarou, salientando que quer disputar o Mundial de 2014, no Brasil. “Meu sonho ainda não acabou.”

Ele admitiu ter perdido a cabeça no lance da expulsão, mas afirmou que isso aconteceu porque tinha muita vontade de ajudar o time a vencer.  ”Naquele momento, perdendo o jogo por 2 a 1 e com as jogadas não dando certo, acabei fazendo uma falta mais forte. Mas de forma alguma eu entrei para ‘quebrar’. Se eu quisesse entrar para ‘quebrar’ o Robben, ele não voltaria mais para o campo.”

Ao falar de seu comportamento em campo, o jogador fez questão de destacar que não é “mau caráter”. ”Eu sou um jogador de caráter muito forte, dentro de campo tenho uma garra muito grande. Mas as pessoas veem isso de outra forma.”

domingo, 11 de julho de 2010

Fatos que marcaram a Copa

Durante 31 dias e 64 jogos, muitas notícias e imagens marcaram a competição. Porém, alguns ficarão lembrados na memória. Confira alguns desses fatos.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Brasil-2014 | 13:54

Copa 2014: Lula quer palpitar à vontade

Os presidentes brasileiro e sul-africano (Foto: AFP)

Dentro de quatro anos, o Brasil vai realizar a melhor Copa do Mundo da história. “Depois da África do Sul, é claro”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, ao encerrar um fórum de negócios que reuniu empresários brasileiros e sul-africanos, em Johannesburgo. Lula, que arrancou gargalhadas do anfitrião, o presidente sul-africano Jacob Zuma, com sua retórica, mostrou-se irritado com os questionamentos em relação à capacidade de o Brasil sediar uma Copa bem-sucedida. “Se um país como o nosso não tiver condições de fazer uma Copa do Mundo, tenho que voltar a nado da África do Sul”, disse.

O presidente parabenizou Zuma pela realização de uma Copa que “dignificou a África” e mostrou “tudo de melhor que o país e o continente têm a oferecer”. “Precisou acontecer a Copa aqui para que se percebesse que os africanos são tão ou mais civilizados do que os criticavam antes do Mundial.” Lula reclamou do fato de que “as mesmas dúvidas que existiam sobre a África sejam ditas agora sobre o Brasil”, mas disse que tentará contribuir para o sucesso do evento. ”Como não serei presidente, vou poder ajudar dando palpites à vontade”, disse ele na saída, depois de concluir o discurso.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Seleções | 10:56

Polvo Paul aponta Espanha como campeã

Na final contra a Holanda, Paul aposta na vitória da Fúria (Foto: AFP)

Com 100% de aproveitamento em todos os jogos da Alemanha que previu até agora – inclusive a derrota para a Espanha na semifinal – o polvo Paul solta mais uma de suas previsões para os desafios finais da Copa do Mundo.

Para o animal, que fica no aquário alemão de Sea Life, em Oberhausen, a Espanha sairá com o título inédito deste Mundial, vencendo a Holanda no confronto final deste domingo. Na disputa do 3º lugar, que ocorre no sábado entre Alemanha e Uruguai, ele apostou na vitória de sua seleção.

A previsão de Paul funciona assim: são colocadas duas caixinhas com comida dentro do aquário dele, cada uma com a bandeira da seleção que entrará em campo, e a que ele escolhe e abre para comer deverá vencer o jogo. Até agora, não errou nenhuma previsão, mas é a primeira vez que ele é questionado sobre um jogo que não envolve o time alemão.

Na disputa pelo 3º lugar, polvo prevê que Alemanha vence Uruguai (Foto: AFP)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Para Blatter, África superou até a Europa

Chegou a hora do presidente da Fifa colher os frutos de sua aposta. Quase sete anos depois de bancar a realização da primeira Copa no continente africano, Joseph Blatter é incapaz de esconder sua satisfação com o sucesso do torneio até agora. “A África já pode se orgulhar. E a África do Sul mais ainda”, disse ele nesta quinta-feira, em Johannesburgo. O chefão da Fifa negou estar surpreso com a organização do evento, e fez questão de reivindicar para si pelo menos uma parte dos créditos pelo resultado positivo do torneio. “É tudo uma questão de confiança. Defendi a decisão de trazer a Copa para cá desde o começo. E tudo ficou pronto e funcionou”, avaliou. De acordo com Blatter, o ponto alto foram os palcos da competição. “Esses estádios são verdadeiras jóias. Não há um só país europeu com tantos bons estádios quanto a África do Sul hoje.”

O presidente da Fifa, porém, desconversou ao ser questionado sobre o custo de uma empreitada tão grande – e sobre o impacto financeiro sobre o país que promoveu a festa. “Vamos deixar primeiro a Copa terminar.” Tranquila com os preparativos para as duas últimas partidas, no sábado e no domingo, a Fifa parece ansiosa agora para saber se conseguirá colocar a cereja no bolo, com a presença de Nelson Mandela na decisão, no estádio Soccer City. “Esperamos que ele possa aparecer, mas ninguém pode dizer se ele conseguirá ficar até o fim do jogo”, afirmou, ao comentar a possibilidade do ícone sul-africano entregar a taça Fifa ao capitão da seleção campeã. “Ele já teve o troféu em suas mãos em Zurique, quando a África do Sul foi confirmada como sede. Ver Nelson Mandela de novo com a taça seria maravilhoso para a África e para a Copa.”

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Cenas do jogo Holanda x Eslováquia

A Holanda venceu a Eslováquia em jogo válido pelas Oitavas de Final. Veja as melhores fotos da partida.

domingo, 27 de junho de 2010

Cenas do jogo Argentina x México

Argentina e  México se enfrentaram pelas Oitavas de Final. A seleção argentina venceu a partida por 3 a 1. Confira as fotos do jogo.

Cenas do jogo Alemanha x Inglaterra

A Alemanha goleou a Inglaterra por 4 a 1 na primeira partida das Oitavas de Final. Confira as imagens do jogo.

sábado, 26 de junho de 2010

Quem assume os Bafanas após Parreira?

Candidato forte: Pitso Mosimane (à esq.) pode substituir o treinador brasileiro (Foto: Getty)

Com a seleção sul-africana eliminada da Copa, o técnico Carlos Alberto Parreira passeava tranquilamente pelo shopping center Sandton City, em Johannesburgo na tarde deste sábado. A partida entre Uruguai e Coreia do Sul estava para começar, mas o treinador parecia não estar muito preocupado com o jogo. Quando parava para conversar com algum conhecido, era cercado pelos fãs dos Bafana Bafana, à caça de autógrafos ou de fotos tiradas no celular. Parreira, que não continua no cargo, deverá ficar no país até o fim de julho. Até lá, seu substituto já deve ter sido anunciado pela Associação Sul-Africana de Futebol, que prometeu, na sexta, divulgar o nome do escolhido nas próximas duas semanas. A imprensa local informa que um dos auxiliares de Parreira, Pitso Mosimane, pode assumir o comando do time. “Precisamos definir algumas coisas antes que qualquer anúncio seja feito. Tudo o que podemos dizer é que o técnico certamente será um sul-africano.” Parreira fez sucesso e foi aplaudido, ainda que não tenha classificado a seleção para a fase eliminatória. Mas muitos personagens importantes do futebol sul-africano aproveitaram a saída de Parreira para reivindicar a entrega do cargo a um profissional do próprio país.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Oitavas de Final – 1º dia

Dois jogos definiram os primeiros classificados para as Quartas de Final. O Uruguai já garantiu a sua vaga vencendo a Coreia do Sul e Gana ganhou dos Estados Unidos. Confira as imagens dos jogos.

Cartolas: a Copa é ‘perfeita’. Mas a bola…

Jordaan com a Jabulani: Comitê comemora organização; Fifa se preocupa com bola (Foto: Divulgação)

Na tarde de sexta-feira, cerca de duas horas antes do jogo entre Brasil e Portugal em Durban, a Golden Mile, o calçadão que fica diante da praia de Suncoast, estava absolutamente apinhado de torcedores vindos de dezenas de países. O local estava quase intransitável, mas não havia nenhum sinal de preocupação com segurança ou falta de estrutura. No meio dessa alegre confusão de turistas e sul-africanos, um grupo de guarda-costas escoltava o presidente do Comitê Organizador da Copa, Danny Jordaan, por uma entrada lateral do hotel Suncoast, de frente para o Oceano Índico. A reportagem de VEJA deu de cara com o cartola, mas Jordaan não quis falar – ele queria passar rapidamente em seu quarto antes de seguir para o jogo. Mas a festa de Durban certamente deixou Jordaan nas nuvens. Tanto que, neste sábado, durante uma entrevista coletiva concedida em Johannesburgo, o cartola, falando em tom de extremo otimismo, se gabava do trabalho dos sul-africanos na primeira metade do evento.

“O torneio já está 50% transcorrido, mas atingimos 100% dos objetivos, confirmando que o país era mesmo capaz de realizar este evento”, disse Jordaan. O dirigente comemorou o impacto da Copa para os sul-africanos e para os turistas. “Vem sendo uma jornada de descoberta e autodescoberta não só para os visitantes como também para as pessoas daqui. Muitos sul-africanos conheceram um novo país.” Não era só Jordaan que estava satisfeito. O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, disse que a África do Sul, que até o ano passado tinha questionada sua capacidade de aprontar tudo a tempo, está fazendo um trabalho exemplar. “Se no dia 11 de julho, na final, o nível for o mesmo de hoje, direi que terá sido uma Copa perfeita”, afirmou o francês. “O país está acima de todas as expectativas. Crescemos em número de turistas e ingressos vendidos na comparação com a Alemanha-2006. Não há uma só parte desta Copa em que não superamos os Mundiais passados”, exagerou.

No fim, Valcke fez referência aos boatos de que a Fifa já preparava um plano B – Austrália ou Inglaterra – caso os sul-africanos não tivessem ajeitado tudo dentro dos prazos. “Agora, é a África do Sul que será o plano B para os próximos Mundiais”. O sucesso de público é fato: 2.284.796 pessoas assistiram aos 48 jogos da primeira fase nos estádios, uma média de cerca de 47.600 torcedores por partida. Não há relatos de problemas sérios de organização – as principais dificuldades, como o trânsito em Johannesburgo e as reclamações por causa do barulho incessante das vuvuzelas, já estavam dentro do script. É, realmente, um Mundial feito corretamente, ainda que a custos maiores do que se previa. A Fifa só admitiu um problema neste sábado, e ele não é de sua responsabilidade direta. Pela primeira vez, a entidade máxima do futebol mundial reconheceu que a bola Jabulani, criada pela alemã Adidas, é problemática. Valcke afirmou que a Fifa “não é surda” e não ignorou as queixas dos jogadores (principalmente goleiros). Mas, é claro, não existe chance alguma de trocar de bola no torneio: Valcke promete tratar do assunto, ouvindo técnicos, jogadores e a Adidas, só depois da Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Jogar em casa não garante nada

O lugar-comum: As seleções do continente em que a Copa é realizada – e principalmente a dona da casa – sempre conseguem fazer boas campanhas.

O que mostra a Copa de 2010: Disputar um Mundial em seu próprio continente não assegurou bons resultados para os africanos. Se em 2006, na Alemanha, os quatro semifinalistas eram europeus, é improvável que a África coloque uma seleção sequer entre as melhores da Copa deste ano. Só Gana e Costa do Marfim ainda tinham chances de classificação até a manhã desta quarta. Com Camarões, Nigéria e África do Sul eliminadas, o desempenho dos africanos é uma decepção. Comparar com a Europa pode não ser a melhor forma de medir esse desempenho – afinal, o velho continente é o grande centro do futebol mundial. Melhor é traçar uma relação com os asiáticos, que receberam seu primeiro Mundial em 2002. A China foi eliminada logo na primeira fase, mas Japão e Coreia do Sul avançaram como primeiros colocados em seus grupos. Com um time modesto, a África do Sul já era apontada como forte candidata a cair logo de cara. Mas Camarões e Nigéria, as forças mais tradicionais do futebol africano, foram um fiasco – somadas, conseguiram só um ponto em cinco jogos.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Replay | 15:44

Tarde triste em Soweto (mas nem tanto)

Soweto, 22 de junho de 2010 (Foto: Fábio Altman)

HOJE… Não houve o pranto dos brasileiros em 1950, até porque não era final de Copa do Mundo e nem mesmo o mais otimista dos sul-africanos imaginava que os Bafana Bafana de Carlos Alberto Parreira pudessem ir muito longe. Em Soweto, bairro lendário que deu ao mundo a luta de Nelson Mandela, o clima antes da partida contra a França era de modesta alegria. Vuvuzelas, claro, vuvuzelavam. Quando a África do Sul fez o primeiro gol, a praça diante do telão instalado pela FIFA começou a encher. Outro gol, e mais zoeira, mais gente. No intervalo, o anúncio de que o Uruguai vencia o México por 1 a 0, fez aumentar o volume de decibéis – e agora o lugar já estava lotado. No segundo tempo, o gol francês, para fechar o 2 a 1, encerrou a participação dos donos da casa na Copa. Choro? Não houve. As cornetas continuavam a berrar, mas talvez de modo mais melodioso – uma lá no fundo, mais estridente, dava o comando; outras, mais à frente, ensaiando um uníssono nunca alcançado, respondiam como se os que sopravam fossem aprendizes de Louis Armnstrong. Adeus, África do Sul. Os moradores de Soweto retornavam sua rotina, retornavam para casa a pé. Pela quantidade de camisas da seleção brasileira entre os que torciam pelos Bafana na tarde desta terça-feira, dá para imaginar para quem torcerão daqui para a frente. O Mundial de 2010 fica um pouco mais triste – nem tanto, porque os donos da casa, que pela primeira vez não passam da primeira fase – sabiam não poder esperar mais que uma vitória, um empate e uma derrota. As vuvuzelas agora tocarão diferente.

Dortmund, 4 de julho de 2006 (Foto: Getty)

ONTEM… Era 4 de julho de 2006, em Dortmund, na Alemanha. Verão. Os alemães tinham certeza que, jogando em casa e jogando bem, derrotariam a Itália e chegariam à final. Nunca antes – ou ao menos, nunca antes desde a tragédia do nazismo de Adolf Hitler – vivia-se tamanha euforia. Nem mesmo a queda do Muro de Berlim produzira tanta unidade no país que aprendera a ter vergonho de seu passado. E no entanto deu Itália, a caminho do tetra. Num restaurante de Munique, mero exemplo do que ocorria em outros cantos, houve choro, e não havia vuvuzelas. Ali sim, na Alemanha de quatro anos atrás, a eliminação do país-sede foi traumática.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)

O sem-vergonha e os envergonhados

Na saída das delegações de África do Sul e França, no estádio Free State, em Bloemfontein, nesta terça-feira, as atenções que estavam voltadas à entrevista do técnico francês Raymond Domenech – desmoralizado pela eliminação, pela derrota por 2 a 1 e pelo papel vexatório na Copa – se desviaram para a saída dos vestiários. O presidente sul-africano Jacob Zuma saía do espaço reservado aos Bafana Bafana acompanhado de uma de suas três mulheres, de turbante e enrolada num pano que imitava a pele de uma onça. Sorridente, apesar da queda da seleção sul-africana logo na primeira fase, Zuma tinha visitado os jogadores para dar os parabéns pela dedicação e esforço. Não se sabia se ficaria com a mesma esposa ao deixar Bloemfontein ou se chamaria alguma outra para entretê-lo no retorno a Pretória, onde normalmente despacha.

Logo em seguida, começaram a sair os jogadores franceses. Distantes uns dos outros, com cara de poucos amigos, não conseguiam esconder o constrangimento pela participação esdrúxula no Mundial – duas derrotas, um empate, só um gol marcado, lanterna de seu grupo. A maioria não quis falar – Henry, por exemplo, mal dirigia o olhar aos jornalistas; outro astro do time, Ribery, também se calou. O capitão Evra, que foi sacado do time no jogo desta terça, estava visivelmente abalado. Lamentou o vexame, assim como Malouda, autor do único gol francês na Copa, e o meia Gourcouff, expulso logo no primeiro tempo, depois de acertar uma cotovelada num zagueiro sul-africano. Falando em voz baixa, em tom de desculpas, parecia atordoado com os acontecimentos das últimas semanas. O voo da conturbada delegação de volta a Paris certamente não será dos mais agradáveis.

Os Bafana Bafana começaram a sair em seguida. Aparentando abatimento e exaustão, não pareciam satisfeitos com a vitória sobre a França – pelo que se viu na saída da equipe, realmente acreditavam que seria possível conseguir uma vaga nas oitavas. Entre os que falaram aos jornalistas – a maioria -, a palavra mais citada foi “orgulho”, a começar pelo primeiro a aparecer, o astro do time, Pienaar. O zagueiro Khumalo, que fez o primeiro gol do jogo desta terça, recebe os parabéns de um repórter e responde, simpático: “Não mereço, mas agradeço mesmo assim”. Conta que gostou de ter feito um gol, mas que isso não ameniza a dor pela desclassificação. O rápido meia Tshabalala, que marcou o primeiro gol da Copa e ganhou projeção internacional com suas boas atuações no Mundial, sai mancando e desanimado. Diz que a vitória contra os franceses teve “sabor agridoce”.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)

Bafanas se despedem. E ganham aplausos

Os garotos fizeram bonito. A jornada que os Bafana Bafana precisavam cumprir para chegar à segunda fase da Copa do Mundo da África do Sul era tão épica quanto as histórias contadas por J.R.R. Tolkien, autor da trilogia O Senhor dos Anéis, nascido em Bloemfontein, no coração do país, em 1892. E foi nesta mesma cidade, pacata e com ar interiorano, que os sul-africanos chegaram a saborear o gosto dessa façanha que parecia impossível. Uma bonita vitória contra a França, 2 a 1, nesta terça-feira, no estádio Free State, quase deu à seleção anfitriã do Mundial uma inédita vaga nas oitavas-de-final. Faltaram mais gols: a seleção da casa foi eliminada só no critério de desempate, pois se igualou em pontos com o México, que avançou para a segunda fase junto com o Uruguai. Ainda assim, deixou para trás a França e o jejum de vitórias em Copas, e ainda apagou a má impressão deixada na derrota para o Uruguai em Pretória. Ao fim da partida, os quase 40.000 torcedores presentes ao estádio aplaudiram e acenaram para seus esforçados e modestos ídolos.

O palco do duelo desta terça parecia uma escolha insólita da tabela preparada pela Fifa. Ao invés de decidir seu futuro no torneio na metrópole Johannesburgo, na belíssima Cidade do Cabo ou na quente Durban, os sul-africanos jogaram todas as suas cartas na competição num acanhado estádio erguido numa cidade habitada por cerca de 370.000 pessoas. Quando a partida começou, no entanto, o local da festa começou a fazer algum sentido: com arquibancadas bem próximas do campo e uma acústica capaz de amplificar ainda mais o estrondo das vuvuzelas, o estádio lotado por uma pequena multidão vestida de amarelo empurrou os Bafanas para cima dos franceses. Depois de um início hesitante, a equipe local percebeu que o monstro francês não era tão feio quanto se temia e começou a atacar. E o gol veio na hora certa para um time que precisava de um placar gordo para seguir sonhando com a vaga.

Numa cobrança de escanteio acompanhada por um dos maiores vuvuzelaços já ouvidos nos barulhentos estádios sul-africanos, Khumalo subiu mais que Diaby e marcou de cabeça, aos 20 minutos. A África do Sul se animou e partiu com tudo para cima. Aos 23, Mphela arrancou sozinho e chutou rente à trave. Aos 25, a situação dos Bafanas ficou ainda mais promissora: Gourcouff, o único jogador capaz de armar as jogadas ofensivas da França, foi expulso depois de acertar uma cotovelada em Sibaya, numa disputa pelo alto dentro da área sul-africana. O time da casa ganhou moral e aumentou a pressão. Tshabalala, um dos destaques do jogo, cobrou falta perigosa aos 35. Um minuto depois, teve a chance de cabecear sozinho, mas mandou a bola pelo alto. De tanto tentar, a África do Sul enfim ampliou, numa jogada iniciada pelo próprio Tshabalala, pela esquerda. A bola espirrou na zaga, Masilela cruzou e Mphela empurrou para o gol.

O estádio quase veio abaixo quando Parker estufou as redes apenas um minuto depois, mas a jogada já estava parada – o atacante estava impedido. Para dar ainda mais moral aos anfitriões, o goleiro Josephs, que é reserva e só estava em campo porque o titular Khune estava suspenso, operou um milagre aos 40 minutos, espalmando para fora uma bola que parecia ter destino certo no fundo das redes. Os Bafana Bafana encerravam um primeiro tempo quase impecável, diante de uma França que desonrava a carteirinha de sócia do restrito clube das seleções campeãs do mundo. Jogadores como Ribery, astro de primeira grandeza no futebol europeu, e Gallas, zagueiro que veste a camisa 10 no Arsenal, tinham participações sofríveis na partida.

Na volta para o segundo tempo, o desmoralizado técnico Raymond Domenech botou em campo mais um dos astros franceses, o ponta Malouda, do Chelsea. Logo no começo da segunda etapa, entrou Henry, carrasco do Brasil em 2006, hoje no Barcelona. Mas quem brilhava era a limitada seleção da casa, formada em sua maioria por jogadores que atuam no próprio país e em times minúsculos da Europa. Aos 6 minutos, Mphela chutou por cobertura e acertou o travessão. O centroavante tentou de novo aos 13, exigindo grande defesa do goleiro Lloris. A França começou a esboçar algumas tramas perigosas, mas parecia desmotivada e apagada. Aos 17, Mphela ficou perto de marcar mais uma vez, mas bateu para fora. Os Bafanas tentaram de novo com Pienaar, aos 21.

Mas foi aí que os Bafanas deram sinais de que haviam chegado ao seu limite. Depois de alguns minutos de jogo truncado, a França deu as caras no ataque e diminuiu, com Malouda, aos 25. E a África do Sul sentiu o golpe. Os Bafanas se abateram e passaram a atacar com menos ímpeto e confiança, ainda que com a mesma persistência. A França passou a ficar mais tempo com a bola nos pés, mas sem qualquer objetivo que não estragar a festa sul-africana. No fim, pouco importou. Ainda engatinhando quando se trata de futebol internacional, os Bafana Bafana – cujo apelido significa “os garotos, os garotos” -, deram à torcida a tão esperada vitória no Mundial. Não se podia esperar muito mais deles. A principal missão, colorir e animar o primeiro Mundial do continente africano, foi cumprida com louvor.

(Por Giancarlo Lepiani, de Bloemfontein)


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