Miroslav Klose: 14 gols em três Copas do Mundo. Foto: AFP
Um centroavante comum, pouco badalado, mas próximo de se tornar o maior artilheiro da história da Copa do Mundo. Aos 32 anos, Miroslav Klose tem uma chance de ouro – precisa apenas marcar em mais duas oportunidades na África do Sul para superar o brasileiro Ronaldo e se tornar o maior goleador do principal evento esportivo do mundo.
Neste sábado, o polonês naturalizado alemão ajudou sua seleção a massacrar a Argentina na África do Sul e alcançou a marca de 14 gols (marcou cinco vezes em 2002 e cinco em 2006). De quebra, se iguala ao compatriota Gerd Muller. Ronaldo, com 15 gols contabilizados, é seu último adversário. De reserva de luxo em seu time, o Bayern de Munique, tornou-se, mais uma vez, peça imprescindível na seleção comandada por Joachim Löw.
Neste Mundial, terá pelo menos 180 minutos para se consagrar – independente do resultado nas semifinais, disputa a grande final ou o duelo de 3º e 4º lugar. A tarefa – antes árdua – começa a ficar mais simples.
Os maiores goleadores da história das Copas
1º – Ronaldo (BRA) – 15 gols
2º – Klose (ALE) – 14 gols
2º – Gerd Muller (ALE) – 14 gols
4º – Fontaine (FRA) – 13 gols
5º – Pelé (BRA) – 12 gols
Há pouco menos de quatro anos, Carlos Alberto Parreira deixava a Alemanha carregando o peso de ter fracassado numa Copa que o Brasil disputou com uma constelação de craques. Apontada como favorita disparada para a conquista do título, a seleção de 2006 naufragou ao fugir ao controle do técnico. Na véspera da estreia da África do Sul nesta Copa, porém, Parreira não tem só o time em suas mãos – tem o país todo. Depois de turbulências e desvios de rota inesperados, o treinador conquistou feito raro em sua profissão: é fartamente elogiado pela torcida, pelos jornalistas e pelos próprios jogadores, que atribuem a ele a evolução do time bem a tempo de disputar a Copa. Toda essa popularidade pode escorrer pelo ralo em caso de fiasco no Mundial. De qualquer forma, Parreira já virou seu jogo antes mesmo da estreia.
Além de arrastar para a África do Sul o currículo arranhado pela derrota em 2006, o técnico teve de lidar o estado caótico da seleção local – e com a missão de transformá-la numa equipe minimamente competente para não fazer feio no Mundial jogado em casa. Na primeira etapa do trabalho, em 2007, custou a ajeitar o time. Teve de largar o cargo em 2008, por causa de um problema de doença na família. Indicou Joel Santana, defenestrado depois de uma boa Copa das Confederações e de uma péssima sequência de amistosos. Voltou com responsabilidade ainda maior. E conseguiu chegar às portas da abertura da Copa chefiando um time que finalmente entendeu sua filosofia de jogo. Como que por milagre, os Bafanas, famosos pela irregularidade e desorganização, tornaram-se uma equipe consciente e eficaz. E agora, com as grandes marcas do técnico: organização tática e valorização da posse de bola.
De acordo com Parreira, a grande transformação do time aconteceu na temporada de treinamentos na Granja Comary, no Rio. “Afastados de seu ambiente normal e sem distrações, ali os jogadores só se preocupavam com futebol”, explica o técnico. Ele ainda teve a chance de trabalhar com o time por longos períodos em Durban, na Alemanha e agora, em Johannesburgo. Atletas que pareciam não ter condições de disputar uma Copa agora exibem um futebol competente. “Isso não foi sorte. Eles conquistaram isso porque trabalharam duro.” Parreira também não chegou aqui por acaso. Na partida de sexta contra o México, Parreira alcança uma marca espantosa: terá treinado cinco países diferentes em seis edições da Copa do Mundo (sem contar as participações como preparador físico, incluindo 1970). Campeão duas vezes, “coach Carlos”, como é chamado por muitos no país, avisa, como se fosse um sul-africano: “Essa é a nossa Copa. Vamos deixar o país orgulhoso”.
Há quinze anos, a África do Sul vivia uma experiência que se assemelha com a de hoje. Em meio à desconfiança geral, o país se preparava para sediar um grande evento esportivo – na ocasião, a Copa do Mundo de rúgbi – e, além de se preocupar com a segurança e a logística, ainda enfrentava a obrigação de mostrar um bom desempenho no campo. A espetacular conquista do título pelos Springboks, como o time de rúgbi sul-africano é conhecido, foi narrada num livro do jornalista John Carlin e adaptada para o cinema por Clint Eastwood em Invictus. E o principal protagonista da história – Nelson Mandela, o pai da nova pátria, não conta – foi o capitão dos Boks, François Pienaar, que liderou o time vencedor e pavimentou o caminho para a conquista.
No caso da Copa-2010, a tarefa hercúlea de carregar o time sul-africano nas costas e levá-lo à glória – no caso da seleção de futebol, não ao título, mas pelo menos à segunda fase – está depositada nos ombros de outro atleta que, por coincidência, tem o mesmo nome do capitão do rúgbi. Steven Pienaar, 28 anos, meia-atacante do Everton, da Inglaterra, é o camisa 10 dos Bafanas. Encarregado de armar as jogadas ofensivas do time, é dele a posição mais importante do time treinado por Carlos Alberto Parreira. Na noite de segunda, Pienaar foi eleito o melhor em campo na boa vitória da seleção no amistoso contra a Guatemala, por 5 a 0. Rápido, ágil, dono de bom drible, Pienaar é um dos poucos jogadores sul-africanos que mostram algum talento aliado à força de vontade e capacidade física.
Apesar de compartilhar o nome com o xará do rúgbi, o Pienaar da seleção de futebol não podia ter trajetória mais diferente que a do ídolo interpretado por Matt Damon no cinema. Negro, nascido no subúrbio negro de Westbury, Johanesburgo, Pienaar apanhou de garotos brancos num bairro vizinho e teve um colega de infância morto a tiros. No fim de semana, revelou numa entrevista que só consegue falar com boa parte de seus amigos de juventude pelo telefone: “Infelizmente, eles estão presos”. Pienaar começou a carreira no Ajax da Cidade do Cabo e foi transferido para a matriz do clube holandês em Amsterdã, onde se destacou ao lado de Van der Vaart e Sneidjer. Antes de chegar ao Everton, defendeu o Borussia Dortmund. Dentro de nove dias, na estreia contra o México, começará a enfrentar o desafio mais difícil de sua vida.
Na rodada de terça-feira da Liga dos Campeões, duas partidas reuniram uma constelação de craques da Europa. Em Milão, Milan x Manchester United apresentou Beckham, Ronaldinho, Pato, Pirlo e Ferdinand; em Lyon, o duelo entre o time da casa e o Real Madrid exibiu Kaká, Cristiano Ronaldo e Casillas. Nenhum deles, porém, conseguiu roubar a cena do grande craque da rodada – e, já é possível dizer, do maior jogador da temporada até agora. O atacante inglês Wayne Rooney, de 24 anos, fez dois gols na virada do Manchester sobre o Milan e confirmou o status de principal destaque do futebol europeu a apenas quatro meses da Copa do Mundo da África do Sul. Olho nele: Rooney promete brigar pelo título de craque do Mundial. Em sua primeira Copa, em 2006, Rooney estava machucado e pouco jogou – e acabou sendo expulso na partida em que a Inglaterra foi eliminada. Desta vez, a expectativa é outra.
Combativo, oportuinista e forte como um touro (no começo da carreira, dividia seu tempo entre o gramado e o ringue de boxe), Rooney não é tão badalado quanto Kaká, Messi e Cristiano Ronaldo, favoritos disparados na corrida para ser o astro da Copa de 2010. É inegável, porém, que o goleador inglês está jogando muito mais que seus rivais na presente temporada. Com a saída do português Ronaldo do Manchester, no ano passado, Rooney assumiu o posto de protagonista central de sua equipe no campeonato inglês. Resultado: é o artilheiro isolado do torneio e já soma 25 gols na temporada (contando com os dois anotados na terça, na liga). O atacante amadureceu, melhorou ainda mais sua técnica e não deixou de lado sua impressionante disposição. Além de marcar gols, dá carrinhos no meio, faz a cobertura nas laterais e ajuda a desarmar na intermediária.
No caso do Mundial da África, a situação do atacante inglês é ainda mais promissora. É comum ver um jogador que se destaca em seu clube mostrar um futebol mais apagado na seleção. Para Rooney, porém, essa sina não se aplica. É sem dúvida o grande nome de uma seleção inglesa que tem tudo para disputar a taça na Copa. Além de marcar gols sem parar quando veste a camisa do English Team, Rooney é beneficiado por um esquema ainda mais favorável ao seu futebol. Como a seleção treinada pelo italiano Fabio Capello não tem um grande centroavante – os medianos Heskey e Crouch disputam a posição -, a função do comandante de ataque passa a ser secundária: sua missão acaba sendo ajudar Rooney e deixá-lo brilhar. E se depender do que estão mostrando os grandes candidatos a craque da Copa neste começo de ano, ninguém vai brilhar mais do que Rooney nos gramados sul-africanos.
Procura-se um lateral-esquerdo para a seleção brasileira de futebol.
A vaga, preenchida por Roberto Carlos por mais de uma década, está sem dono. Até o momento, não há nenhum candidato para preencher a lacuna deixada pelo atleta do Corinthians. Oito nomes já disputaram a vaga – nenhum convenceu. A menos de quatro meses da disputa da Copa do Mundo, uma luz francesa aparece no fim do túnel. ‘Desconhecido’ por parte do público brasileiro, Michel Bastos entrou em cena e, em apenas duas partidas, ganhou o aval do comandante Dunga.
Aos 26 anos, o jogador gaúcho tem a maior chance da sua carreira: disputar a principal competição esportiva do mundo. Para chegar à equipe, ganhou contribuição do seu atual time – o Lyon. Na França, é um dos maiores destaques do campeonato. Chegou ao clube para substituir Juninho Pernambucano a peso de ouro: 18 milhões de euros (45 milhões de reais). Antes, vestia a camisa do Lille, época que garantiu o prêmio de melhor jogador do Campeonato Francês.
No Brasil, foi protagonista apenas no Figueirense, mas com passagens relâmpago no Grêmio e Atlético-PR, além do Pelotas, cidade de nascimento e clube que o revelou. Agora, ganha uma chance que dificilmente deixará de aproveitar. Na última convocação de Dunga antes da Copa, fora um nome confirmado na lateral-esquerda – junto com o experiente Gilberto, do Cruzeiro.
A presença dos dois jogadores – atuais armadores em suas equipes – confirma a escassez de bons atletas na posição.
Não à toa, a camisa seis, por enquanto, está com um meia.
Uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, um jogador completo, sem bagagem nacional, e distante de uma vaga na disputa da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Não é das tarefas mais difíceis descrever a breve carreira de Alexandre Pato, ídolo do Milan, da Itália.
O jogador, de apenas 20 anos, tem futebol para ir ao próximo Mundial. Mas uma série de lesões e certas ‘trapalhadas’ do técnico Leonardo o deixam longe da competição.
Na última semana, Pato por pouco não ficou de fora da segunda fase da Liga dos Campeões da Europa, principal competição do Velho Continente. Com uma lesão muscular há quase três meses, o jogador ainda não vestiu a camisa do clube rossoneri neste ano, o que provocou a sua exclusão da lista de jogadores feita por Leonardo. A conduta, no entanto, ampliou boatos de que o atleta estaria voltando ao Brasil para jogar no Internacional.
Um dia após a ‘trapalhada’ do técnico brasileiro, a comissão técnica do Milan decidiu colocá-lo novamente. Desta vez, no Milan B, de jovens atletas que têm mais de 36 meses de clube. Fato que o colocou em xeque.
Versátil, Pato mostra em números que tem boas chances de ir à África do Sul. Em 70 jogos com a camisa do Milan, foram 31 gols marcados. No Inter, sua média é ainda maior: seis em apenas dez partidas disputadas. A discussão, no caso, não é sobre seu futebol. É saber o espaço que ainda pode ser conquistado em uma equipe praticamente formada.
Dunga não esconde a preferência por Luís Fabiano, Adriano e Robinho no ataque da seleção. Com estes três nomes, sobraria uma única lacuna ofensiva, disputada por Pato, Ronaldo, Vágner Love e Nilmar. O ex-colorado, hoje no Villareal, da Espanha, é o mais próximo da lista de 23 jogadores.
Para Pato, resta reconstruir o bom trabalho que fez na temporada passada, o que lhe garantiu o prêmio de revelação do Campeonato Italiano. Futuro com a camisa da seleção brasileira já é algo certo. Mas, para a disputa deste Mundial, a situação não é das mais fáceis.
A força do grupo do Brasil na disputa da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, é mensurável a partir dos destaques individuais de cada seleção presente na chave. Além do novo esperado duelo entre Kaká e Cristiano Ronaldo, companheiros de Real Madrid, a equipe pentacampeã do mundo deve ficar atenta ao maior representante do ascendente e imprevisível futebol da Costa do Marfim: Didier Drogba.
Aos 31 anos e no auge de sua forma, o astro do Chelsea é o grande nome da principal seleção africana do momento. Autor de onze gols em 14 jogos disputados na temporada 2009-2010, Drogba é uma das raras jóias africanas conhecidas tardiamente.
Por quase uma década, o atacante ficou “escondido” nos gramados europeus. De 1996 a 2004, perambulou em quatro equipes francesas: Levallois, Le Mans, Guingamp e Olympique de Marselha. A dois anos do início da disputa da última Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, o mundo conheceu por meio de José Mourinho a síntese do que é hoje um atacante moderno: alto, forte, rápido e goleador.
Suas decisivas atuações, os gols marcados na França, o prêmio de melhor jogador do Campeonato local e, principalmente, a admiração de Mourinho pelo seu futebol fizeram com que o Chelsea desembolsasse mais de 90 milhões de reais por sua contratação – valor considerado alto pela falta de informações sobre o atleta.
Aos poucos, de coadjuvante e desconhecido, tornou-se a referência ofensiva do clube inglês. Em 2008, já como estrela do Chelsea, foi considerado o “culpado” pela saída do técnico Luiz Felipe Scolari do comando do clube inglês. Em 2010, na África do Sul, tem chances de repetir essa história e ficar conhecido como o “carrasco” dos brasileiros.
O jogador mais consagrado do continente africano não poderia ficar de fora da Copa do Mundo de 2010. O atacante Samuel Eto’o, que tem seu rosto ilustrando o pôster oficial da competição (na foto ao lado), carimbou seu passaporte para a África do Sul no sábado passado, junto com a seleção de Camarões, ao vencer o Marrocos por 2 a 0.
Mesmo sem nunca ter passado pelo Brasil, o camaronês teve seu nome cantado muitas vezes nos estádios do país, principalmente no Maracanã. Em forma de brincadeira, a torcida do Flamengo exaltava o folclórico atacante Obina dizendo que ele era melhor que Eto’o. Em 2010, porém, os brasileiros precisam tomar cuidado: Eto’o comanda a seleção africana com maiores chances de ir longe no Mundial.
Camarões está no top 10 do ranking da Fifa. A seleção é experiente e habilidosa. Pode até não figurar entre as grandes candidatas ao título, mas deve chegar à África do Sul com moral. Muitos acreditam que 2010 marcará a primeira Copa da história com um africano nas semifinais ou até na final. Camarões – que tem a melhor campanha da história das seleções do continente até hoje, chegando às quartas em 1990 – é a grande candidata a alcançar essa marca histórica.
Para isso, porém, dependerá muito de seu grande artilheiro. Aos 28 anos, ele começou a carreira europeia no Real Madrid B, em 1997. Depois de muitos empréstimos e sem ter jogado uma partida sequer pelo time principal do Real, Eto’o foi contratado, em 2004, pelo rival Barcelona. A transação custou 24 milhões de euros aos cofres do Barça. E valeu a pena. Durante os cinco anos que jogou no clube catalão, Eto’o participou de 145 jogos e marcou nada menos do que 108 gols.
Eleito em 2005 o terceiro melhor jogador do mundo, Eto’o não conseguiu salvar a seleção de Camarões do fracasso nas Eliminatórias para a Alemanha-2006. No currículo do jogador, entretanto, há conquistas como um ouro olímpico, duas Liga dos Campeões, três Campeonatos Espanhóis, uma Supercopa da Espanha, duas Copas do Rei e duas Copas das Nações Africanas. Hoje defendendo a Inter de Milão, Eto’o já participou de duas Copas (1998 e 2002). O Mundial de 2010, porém, pode ser seu momento de glória.
Machucado desde setembro, o jogador que mais defendeu a camisa da seleção brasileira na era Dunga começa a perder espaço no time justamente na reta final dos preparativos para a Copa. Robinho acompanhou a delegação ao Catar, mas não jogou e pouco treinou. Enquanto isso, Nilmar voava baixo contra a Inglaterra.
O atacante do Villareal foi tudo o que Robinho não costuma ser: raçudo, contundente, incansável e combativo. Acreditou em todas as jogadas, roubou bolas no meio, fez o gol da vitória e sofreu um pênalti. Em nove jogos com a seleção – a maioria como reserva -, tem sete gols. E começa a justificar um lugar na equipe titular.
Robinho tem a preferência de Dunga, não há dúvidas. Foi uma das peças-chave do time desde que o gaúcho assumiu o cargo. Mas precisa tomar cuidado – e parar de desperdiçar seu espetacular talento. Na atual temporada do futebol europeu, Robinho pouco jogou. Antes de se machucar, tinha perdido a vaga de titular num time médio da Inglaterra, o Manchester City. Já negocia para trocar de equipe. De novo.
Depois de brilhar no Santos, Robinho exigiu ser negociado e, como recompensa pela insistência, ganhou a camisa 10 do Real Madrid, sonho de qualquer jogador do planeta que não tenha crescido como torcedor do rival Barcelona. Decepcionou e saiu pela porta dos fundos. Deve repetir a dose em Manchester, forçando a barra para ser transferido ao Barça nos próximos meses.
Robinho continua achando que é questão de tempo até ser eleito o melhor do mundo. Que se não dá certo em um time, o problema é do time. Se não emplacar de vez no Barcelona, corre o risco de fechar as portas na Europa. E essa pressão para ser negociado foi o assunto que mais teve de comentar na viagem com a seleção.
A entrevista coletiva concedida por ele na sexta-feira, aliás, foi emblemática da displicência com que Robinho trata as chances de ouro que recebeu na vida. Morando na Inglaterra há mais de um ano, precisou da ajuda do colega Kaká para entender todas as perguntas dos jornalistas britânicos.
Kaká, o intérprete improvisado de Robinho, nunca jogou na Inglaterra e, ao discursar na festa da Fifa em 2007, falava inglês com dificuldade. Hoje, usa o idioma com desenvoltura. Desde então, além de ter colocado o troféu de melhor do mundo na estante, tornou-se o grande protagonista da seleção e foi contratado pelo Real Madrid. Já está conquistando a torcida espanhola. Ninguém nem pensa na chance de Kaká tentar ir embora.
Quando o assunto é Copa do Mundo, é difícil encontrar alguém com mais história que Ronaldo, o fenômeno que jogou duas finalíssimas, levantou a taça duas vezes e tornou-se o maior artilheiro de todos os Mundiais. Se for convocado por Dunga e jogar todas as sete partidas possíveis da seleção na África do Sul, será o recordista também em número de jogos em Copas, superando o alemão Mattheus. Ele e o mexicano Carbajal foram a cinco Copas. Ronaldo, presente em 1994, 1998, 2002 e 2006, igualaria essa marca se embarcasse rumo ao próximo Mundial.
Apesar desse currículo inigualável, a chance de Ronaldo entrar na lista de Dunga parece ser pequena. Fora da seleção desde o fracasso na Alemanha-2006 e ainda lutando contra o peso, o eterno artilheiro vem brilhando de forma esporádica com a camisa do Corinthians. O próprio craque não se engana: diz que gostaria de ir à Copa, mas avisa que hoje não seria convocado se estivesse no lugar de Dunga. Argumentos contrários e favoráveis à presença do fenômeno no Mundial não faltam. Nas listas a seguir, dois repórteres de VEJA.com defendem suas posições. E você, o que acha? Leia os prós e contras e vote na enquete no lado direito do blog.
Cinco motivos para Ronaldo ir à Copa, por Rafael Sbarai
Ele é o cara: Sempre correspondeu às expectativas ao vestir a camisa da seleção e costuma crescer em Mundiais.
Longo currículo: A experiência que adquiriu e a possibilidade de disputar seu 5º Mundial demonstram sua importância.
Técnica não se desaprende: Bem ou mal, gordo ou magro, é um dos jogadores mais eficazes do país na hora de marcar gols.
O fator superação: Nos momentos que foi criticado por parte da imprensa e da torcida, conseguiu provar seu valor. A Copa de 2002, na Coreia e no Japão, é a principal prova do poder de reação do craque.
Cinco motivos para Ronaldo não ir à Copa, por André Pontes
Ainda a balança: O tempo passa, os treinos continuam e Ronaldo segue acima de seu peso ideal.
A idade pesa: Já não é mais o fenômeno eleito três vezes o melhor jogador do mundo. Uma coisa é fazer gols na Copa do Brasil, outra é superar os melhores zagueiros do mundo…
Não falta mais nada: Ele já conquistou os títulos mais importantes do mundo. Por isso, não terá o mesmo empenho e dedicação dos outros jogadores.
Estranho no ninho: O grupo está fechado com Dunga. Ronaldo, com sua fama de baladeiro e sua tendência de roubar a cena, pode atrapalhar a concentração da equipe e causar intrigas na seleção.
Só se for titular: Dificilmente ele aceitaria ficar no banco – e, hoje, o dono da camisa 9 da seleção é Luís Fabiano.
A Argentina conheceu seu maior craque da atualidade por uma revista. Lionel Messi, hoje a principal arma do Barcelona e da seleção dirigida por Diego Maradona, era um desconhecido. Com problemas de crescimento ósseo, o menino da cidade de Rosário foi convocado por acaso por Jose Pekerman para disputar a Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Não fosse uma reportagem, um dos países mais fanáticos por futebol no planeta teria descoberto seu maior craque pela televisão, assistindo aos jogos do Barça.
A revista El Grafico, de quase 100 anos de história, descobriu o franzino garoto das pernas tortas e de habilidade imprevisível. Messi era um ânonimo dos gramados. Torcedores, jornalistas e até o presidente da Federação Argentina de Futebol, Julio Grondona, não tinham informações sobre o jogador. Fora apresentado aos argentinos por vídeos, enviados pelo pai, Jorge, e reproduzidos na publicação local. Só que de tão longe, em outro continente – o europeu – um clube já sabia de seu talento promissor: o Barcelona.
Sua chegada a um dos maiores clubes do mundo só aconteceu por conta do descaso dos clubes de seu país. O jogador, favorito para ser eleito o melhor do Mundo da Fifa neste ano, sofria de problemas hormonais, que impediam o seu desenvolvimento ósseo. Aos 13 anos e nas categorias de base do Newell’s Old Boys, Messi media apenas 1,40 metro, altura considerada anormal para sua idade.
Sem condições financeiras para pagar o tratamento de 900 dólares mensais que exigiam injeções diárias, Messi teve a oportunidade de apresentar o problema ao clube. O Newell’s se recusou a pagar e dispensou o atleta. A próxima parada foi o River Plate, que também o ignorou.
Com a Argentina em uma crise financeira, os pais do jogador apelaram aos parentes que moram na cidade espanhola de Lérida, onde pouco tempo depois conseguiu firmar um contrato com o Barcelona, quando Messi tinha 15 anos de idade. De quebra, o clube espanhol propôs a pagar o tratamento hormonal de Messi.
Em 30 meses na Catalunha, cresceu 30 centímetros. Chegou a 1,70 metro de altura, mais forte e com a mesma magia na perna esquerda. Em 2004, com 17 anos, tornou-se o estreante mais jovem da história do Campeonato Espanhol a marcar um gol. Aos 18, disputou sua primeira Copa do Mundo. Agora, aos 22, tem boas chances de conquistar o planeta.
No sábado, a seleção de Portugal enfrenta a Bósnia na primeira partida da repescagem européia para a Copa – e seu capitão e grande craque estará no banco, impedido de jogar pela perseguição implacável dos zagueiros. Machucado, Cristiano Ronaldo, o melhor do planeta – pelo menos até o anúncio do próximo vencedor do prêmio da Fifa, em dezembro -, pode ficar fora do Mundial.
Cristiano tem só 24 anos, mas já está entre os maiores jogadores da história da seleção portuguesa. Ainda assim, sua galeria de conquistas ainda está restrita aos troféus conquistados pelo Manchester United, clube que defendeu entre 2003 e 2009. Na selecionado nacional, sofre com a fragilidade do resto da equipe, que tem jogadores talentosos, mas em número escasso.
Cada vez que entra em campo com a camisa grená da seleção lusa, Ronaldo carrega sozinho as esperanças de um país inteiro. Contra qualquer adversário, é sempre marcado de forma exaustiva, muitas vezes de forma violenta. Vítima de um carrinho brutal em partida do Real Madrid na Copa dos Campeões, tentou voltar num jogo de Portugal, mas sentiu fortes dores e ainda agravou a lesão.
Se Portugal eliminar a Bósnia e garantir passagem para a África do Sul, Cristiano chegará pela segunda vez ao palco máximo do futebol mundial – em 2006, foi o destaque do time que chegou às semifinais e só caiu diante da França, graças a um pênalti duvidoso. Será uma chance de ouro, mas também uma missão inglória – conquistar o primeiro título por Portugal justamente na Copa é tarefa no mínimo improvável.
Enquanto tenta lidar com as pressões e responsabilidades de ser o melhor e mais caro jogador de futebol do planeta, o “gajo” de 255 milhões de reais busca se divertir, tanto dentro como fora do campo. Campeão indiscutível do quesito firula, às vezes desvia do caminho do gol para tentar aplicar mais um de seus dribles – às vezes inúteis, mas quase sempre espetaculares.
Quando tira as chuteiras, também é caçado, mas pelos papparazzi. O português é baladeiro, faz a linha metrosssexual e coleciona um longo elenco de belas namoradas. No começo do ano, espatifou uma Ferrari de 300.000 em Manchester. Meses depois, nas férias, apareceu vestindo shortinho agarrado, boné cor-de-rosa e florzinha atrás da orelha.
No meio do ano, para comemorar a transferência recorde para o Real Madrid, passou uma noite com a socialite Paris Hilton em uma boate de Los Angeles e, com ela, torrou o equivalente a 40.000 reais em bebidas. Um site de fofocas americano disse que conquistar Paris foi “o gol mais fácil da vida de Ronaldo”. De fato, muito mais fácil que ganhar a primeira Copa por Portugal.