PATROCÍNIO

Archive for the ‘Fifa’ Category

domingo, 11 de julho de 2010

A bola e a taça, com a marca do campeão

A Jabulani mudou de cor e de nome para a finalíssima deste domingo, entre Espanha e Holanda. Repetindo o que já aconteceu na Alemanha-2006, a bola oficial terá detalhes em dourado, em referência ao ouro da taça Fifa. Como nos outros jogos, terá ainda os nomes dos países envolvidos e a data da partida – mas, ao invés de Jabulani, terá a inscrição Jo’bulani, em referência ao apelido de Johannesburgo, “Joburg”, local da decisão. Assim como a bola, a taça também passará a carregar o nome do campeão. A base do troféu já tem os nomes de todas as seleções ganhadoras da Copa desde 1974 – até 1970, o campeão levava a taça Jules Rimet, conquistada em definitivo pelo Brasil. Há espaço para os ganhadores de todas as Copas até a de 2038. Depois de erguer a taça original, o campeão ganha uma réplica para levar para casa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

A pontual cerimônia da Fifa, lance a lance

A menos de duas horas do apito inicial da decisão da Copa do Mundo, as arquibancadas ainda estão quase vazias, e o gramado do estádio Soccer City está coberto pelas lonas que servirão de palco para a cerimônia de abertura. A Fifa promete uma festa pontualíssima, com seu show de música e dança começando exatamente às 13h45 (no horário de Brasília). Vinte e sete minutos depois, os funcionários e voluntários começam a limpar o campo para a partida. Têm exatos vinte minutos para concluir o trabalho. Transcorridos trinta segundos das 15h14, o italiano Cannavaro, capitão da seleção italiana campeã em 2006, entra no túnel que leva ao gramado com a taça Fifa em mãos.

Às 15h17, os jogadores titulares têm de deixar os vestiários. Dois minutos depois, fazem fila para subir ao campo. Os hinos nacionais estão marcados para 15h24, tempo suficiente para que o primeiro toque na bola seja dado quando o relógio marcar 15h30. Essa detalhada programação se estende até o fim da decisão, quando a Fifa reserva entre cinco e oito minutos para a comemoração dos campeões antes que a cerimônia de premiação tenha início. O troféu deve ser entregue ao capitão do time vencedor entre 15 e 18 minutos depois do apito final. Entre 24 e 27 minutos depois, termina oficialmente a Copa do Mundo de 2010 – e os telões do estádio Soccer City começam a exibir a mensagem: “Nos vemos no Brasil em 2014″.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Lista VIP é longa. Mas Fifa quer Mandela

Quinze chefes de estado africanos, os maiores dirigentes do futebol mundial, representantes da realeza espanhola e holandesa e convidados especiais como o tenista Rafael Nadal, o ator Morgan Freeman, a top Naomi Campbell e o tenor Placido Domingo são algumas das presenças confirmadas para a final da Copa do Mundo, neste domingo, em Johannesburgo. Mas o convidado de honra da noite não tinha avisado se apareceria até o início da tarde (no horário local). O ícone sul-africano Nelson Mandela já tinha garantido que estaria presente à abertura, há exatamente um mês, mas a morte de sua bisneta, na madrugada do jogo, impediu a sua participação na festa. Sabendo que seria melhor adotar cautela para evitar uma nova decepção, a família de Mandela disse que a decisão só seria tomada no próprio domingo.

Na manhã deste domingo, um dos netos de Mandela reclamou da postura da Fifa – que, segundo ele, vem pressionando a família nos últimos dias para tentar convencê-la a trazer o ex-presidente ao estádio Soccer City. “Estamos sofrendo intensa pressão da Fifa pedindo que meu avô vá ao jogo”, disse Mandla “Chief” Mandela, o herdeiro do clã. “Mas a decisão é só dele. Depende de como ele acordar e de como se sentir pela manhã. Meu avô fará 92 anos na semana que vem, e o jogo acontecerá à noite. Eles querem que ele entregue o troféu ao campeão depois da partida, o que pode acontecer depois das 23 horas. Seria exigir muito dele.” A previsão do tempo indica temperatura mínima de 3 graus na noite deste domingo. Mandela, cuja saúde é muito frágil, não aparece em público desde o funeral de sua bisneta (na foto acima).

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sábado, 10 de julho de 2010

‘Waka Waka’ e Mambazo vão abrir a festa

Zakumi, Shakira e a bola da final: preparativos para festa no Soccer City (Foto: Giancarlo Lepiani)

A grande decisão de domingo entre Espanha e Holanda, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, deverá ser precedida por uma cerimônia de encerramento com música pop e canções tradicionais africanas. O show, com duração prevista de 27 minutos, começa às 13h30 (horário de Brasília), e será estrelado pela colombiana Shakira, que canta a música-tema Waka Waka – em versão nova, prometeu ela neste sábado. A outra atração musical do espetáculo será o grupo vocal sul-africano Ladysmith Black Mambazo, que ficou conhecido internacionalmente ao gravar uma parceria com Paul Simon nos anos 1980. “A cerimônia de encerramento será uma celebração da própria Copa, dos torcedores e do país”, prometeu o diretor artístico Derek Carstens na entrevista coletiva da Fifa neste sábado. “Vamos festejar as tradições do país, mas de uma forma contemporânea. Shakira será acompanhada de crianças sul-africanas e falou que sua apresentação será “uma homenagem à mulher da África”.

A popstar, que disse ter ficado “obcecada por futebol” em função da presença na Copa, vai torcer para a Espanha – elegeu David Villa e Piqué seus jogadores favoritos no torneio. Ela já tinha cantado no show da véspera da abertura, e ficou o mês inteiro no país. “Foi uma viagem inspiradora e estimulante”, contou. Shakira já tinha sido a intérprete do hit da Copa passada, na Alemanha. Em sua entrevista deste sábado, disse que espera ser convidada mais uma vez pela Fifa para cantar em 2014, no Brasil. “E se não for para cantar, com certeza vou para lá, nem que seja só para assistir aos jogos. Estou com muita saudade do Brasil.” Depois de Shakira e Ladysmith Black Mambazo, começa o protocolo da finalíssima. O capitão da seleção italiana, Fabio Cannavaro, vai entrar em campo para levar a taça Fifa ao local por onde entram as finalistas. Devolvida pela última campeã à Fifa, a taça estará exposta à beira do gramado durante toda a decisão, esperando por um novo dono.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Shakira neste sábado: 'obcecada' por futebol e à vontade na África do Sul (Foto: Giancarlo Lepiani)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Fifa, Jogadores | 07:26

Fifa anuncia concorrentes à Bola de Ouro

Sneijder, Villa e Schweinsteiger: três favoritos ao prêmio de melhor jogador da Copa (Fotos: Getty)

A Espanha tem o maior número de candidatos à Bola de Ouro, o prêmio de melhor jogador da Copa do Mundo de 2010. A lista de dez concorrentes divulgada nesta sexta-feira, em Johannesburgo, pelo secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, tem Xavi, David Villa e Iniesta. Pelo lado dos holandeses, dois concorrentes: Robben e Sneijder. O Brasil não tem nenhum jogador na lista de dez postulantes ao troféu. Os únicos jogadores que não chegaram às semifinais e estão na briga são Messi, da Argentina, e Gyan, de Gana. Além de Messi, o único sul-americano é o uruguaio Forlán. A África tem só o ganês Gyan.

A escolha será feita pela imprensa internacional e o anúncio do craque da Copa sai logo depois da final, no domingo, no estádio Soccer City. A lista prévia foi escolhida pela própria Fifa, através de seu comitê técnico. A votação vai até o fim da decisão – ao contrário dos anos anteriores, em que os votos eram recebidos antes da final, o que provocou situações esquisitas – como a vitória de Ronaldo em 1998 e de Oliver Kahn em 2002. Ambos foram mal e acabaram sendo derrotados na finalíssima, mas ainda assim levaram o troféu para casa. A seguir, a lista dos candidatos:

Diego Forlán, do Uruguai; Asamoah Gyan, de Gana; Andrés Iniesta, da Espanha; Lionel Messi, da Argentina; Mesut Oezil, da Alemanha; Arjen Robben, da Holanda; Bastian Schweinsteiger, da Alemanha; Wesley Sneijder, da Holanda; David Villa, da Espanha; Xavi, da Espanha.

Em quem você votaria na eleição do melhor jogador da Copa?

Ver resultado

Loading ... Loading ...

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Fifa | 13:43

Inglês é escolhido para apitar a decisão

O árbitro que apitará a finalíssima da Copa do Mundo, no domingo, no estádio Soccer City, em Johannesburgo, já está escolhido – é o inglês Howard Webb, de 38 anos, o mesmo que comandou a partida entre Brasil e Chile pelas oitavas-de-final. O anúncio foi feito pela Fifa nesta quinta-feira. Sua estreia no Mundial deu azar para a Espanha, uma das finalistas – a Fúria perdeu para a Suíça por 1 a 0. Em seguida, Webb foi o árbitro do jogo em que a Itália deu adeus à Copa, contra a Eslováquia, no dia 24. Em maio, ele comandou a final da Liga dos Campeões, entre Inter de Milão e Bayern de Munique. Naquele jogo, o holandês Sneijder vestia a camisa da Inter, e os colegas de seleção Robben e Van Bommel, a do Bayern. Sneijder, que concorre aos títulos de artilheiro e melhor jogador da Copa, levou a melhor – a Inter venceu por 2 a 0. O árbitro da decisão de terceiro lugar será o mexicano Benito Archundia.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Para Blatter, África superou até a Europa

Chegou a hora do presidente da Fifa colher os frutos de sua aposta. Quase sete anos depois de bancar a realização da primeira Copa no continente africano, Joseph Blatter é incapaz de esconder sua satisfação com o sucesso do torneio até agora. “A África já pode se orgulhar. E a África do Sul mais ainda”, disse ele nesta quinta-feira, em Johannesburgo. O chefão da Fifa negou estar surpreso com a organização do evento, e fez questão de reivindicar para si pelo menos uma parte dos créditos pelo resultado positivo do torneio. “É tudo uma questão de confiança. Defendi a decisão de trazer a Copa para cá desde o começo. E tudo ficou pronto e funcionou”, avaliou. De acordo com Blatter, o ponto alto foram os palcos da competição. “Esses estádios são verdadeiras jóias. Não há um só país europeu com tantos bons estádios quanto a África do Sul hoje.”

O presidente da Fifa, porém, desconversou ao ser questionado sobre o custo de uma empreitada tão grande – e sobre o impacto financeiro sobre o país que promoveu a festa. “Vamos deixar primeiro a Copa terminar.” Tranquila com os preparativos para as duas últimas partidas, no sábado e no domingo, a Fifa parece ansiosa agora para saber se conseguirá colocar a cereja no bolo, com a presença de Nelson Mandela na decisão, no estádio Soccer City. “Esperamos que ele possa aparecer, mas ninguém pode dizer se ele conseguirá ficar até o fim do jogo”, afirmou, ao comentar a possibilidade do ícone sul-africano entregar a taça Fifa ao capitão da seleção campeã. “Ele já teve o troféu em suas mãos em Zurique, quando a África do Sul foi confirmada como sede. Ver Nelson Mandela de novo com a taça seria maravilhoso para a África e para a Copa.”

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Fifa | 17:42

Atenção, políticos: não mexam no futebol

Nigéria eliminada: suspensão por dois anos - não pela Fifa, mas pelo presidente (Foto: Getty)

A paixão incandescente do brasileiro por sua seleção e a realização da Copa do Mundo no país, em 2014, arriscam acender nos políticos aquele irrefreável desejo de meter a colher e tentar se intrometer onde não são chamados. Aos atuais candidatos e futuros ocupantes de cargos públicos, porém, cabe ter cuidado nas investidas de colher votos, prestígio e popularidade com a bola. A Fifa é implacável com as autoridades que usam seu poder para interferir de qualquer forma no âmbito esportivo do futebol. É um negócio, claro, e também uma questão de grande importância para qualquer país apaixonado pela modalidade. Mas a entidade que rege o futebol não perde chances de deixar claro: política, só para resolver assuntos externos ao campo de jogo.

Nesta quarta-feira, por exemplo, o presidente da Fifa, Sepp Blatter, advertiu o governo da França sobre suas tentativas de encontrar culpados pelo desempenho catastrófico da seleção nesta Copa. O presidente Nicolas Sarkozy prometeu “investigar” o caso, como se o vexame dos comandados do técnico Raymond Domenech fosse assunto de estado. Um tiro no pé: Sarkozy corre risco de provocar uma suspensão à seleção, já que a Fifa costuma excluir das competições todos os países em que suas confederações não têm total liberdade e autonomia. “O futebol tem que ficar nas mãos de quem manda nele”, avisou Blatter. Enquanto isso, o governo francês insistia: “Não há interferência. A seleção representa o país, não só a federação”. A desculpa não deve colar.

Outra seleção que corre risco de punição por causa de política é a Nigéria. País mais populoso da África – e talvez o dono da torcida mais fanática -, mergulhou na mais profunda decepção com a campanha paupérrima de sua equipe na Copa. Nesta quarta, o presidente Goodluck Jonathan, num surto de populismo explícito, apareceu para anunciar que decidiu “suspender” a seleção das competições internacionais por dois anos. Até 2012, a Nigéria ficará ausente, para “permitir que a seleção se reorganize”, de acordo com o assessor da presidência Ima Niboro. Impossível tomar pior decisão. Se mantida, a suspensão unilateral decidida pelo presidente do país significa punição certa pela Fifa – e por muito mais tempo do que apenas dois anos, como queria ele.

Também nesta quarta, outro comunicado da Fifa alertou para os riscos de se deixar a conduta dos políticos – sempre aberta a atalhos duvidosos para conseguir seus objetivos – ocupar lugar no esporte. A entidade máxima do futebol mundial disse estar investigando a Austrália, candidata a sede da Copa de 2022. Motivo: autoridades australianas saíram por aí distribuíndo joias e outros incentivos a pessoas ligadas à Fifa, como as mulheres dos integrantes do comitê que escolherá a sede do Mundial. Com o episódio, a Austrália, que era considerada concorrente forte a receber a Copa, pode ficar sem esse privilégio. Mais um caso de interferência desastrosa dos hábitos do mundo político num meio que deveria prezar a disputa justa e o espírito esportivo.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

terça-feira, 29 de junho de 2010

Fifa | 10:32

As mães deles que nos perdoem

O alto falante é parecido com o do presídio ali ao lado do campo de treinamento dos juízes

A Baavianspoort Youth Prison ficou para trás. Não, não é ali que estão os árbitros da FIFA, escalados para uma sessão de treinamento diante dos jornalistas. O motorista que leva a equipe de VEJA anda mais um pouco e, agora sim, chegamos ao endereço correto, a Odendaal High School, a pouco menos de um quilômetro da carceragem destinada a jovens de 14 a 21 anos. Desde que o uruguaio Jorge Larrionda não viu a bola dentro do gol alemão, no mais polêmico lance desta Copa, e o italiano Roberto Rossetti não viu o argentino Carlitos Tevez impedido, no jogo contra o México, a turma do apito virou atração – e não por acaso havia pelo menos duas centenas de repórteres a cercá-los no campo universitário.

Vuuuuuuu, vuuuuuuuuu, vuuuuuuuuuu. Eles correm, fazem flexões e simulam situações de impedimento em meio ao já clássico e insuportável som das vuvuzelas. Mas onde elas estão? Cadê o público? Os alto falantes reproduzem o som típico das partidas de modo a habituar juízes e bandeirinhas com o ruído. Vuuuuuuuu, vuuuuuuuuuuu, vuuuuuuuuuuuu. Um gaiato diz que o local, com o som sendo emitido a todo vapor, parece com o pátio de um presídio, um pouco como aquele da vizinhança. Os fotógrafos habituados a trabalhar dentro de campo dizem que, nos estádios, tudo é muito mais barulhento. Eric Dansault, o bandeirinha de Brasil e Costa do Marfim, um francês sorridente, pequeno e dado a gesticular muito, diz já se ter acostumado com o estrondo, mas lembra que é fundamental treinar com elas, as vuvuzelas, ao fundo. “Por que é assim que vamos apitar, sem ouvir direito o apito, sem poder conversar com os jogadores”, diz a VEJA. Nada, ele diz, que o faça tirar o sono.

“Mas fiquei sem dormir depois da partida do Brasil, quando vi em detalhes o gol do Luis Fabiano, com dois toques da bola no braço”, admite. “Mas não há nada a ser feito, o futebol é humano, e por ser humano há erros”. Cuidadoso – porque a FIFA lhes proibiu de falar de questões técnicas a cerca a atividade – Dansault aceita conversar sobre a possibilidade, que já não parece tão distante, de existir no futebol um sensor eletrônico, nas traves ou na bola, que permite identificar um lance duvidoso de gol, como o do chute de Lampard que estourou no travessão e bateu dentro da meta do alemão Manuel Neuer. “Sou contra a tecnologia”,afirma. “Dúvidas fazem parte de um jogo, não há motivos para interrompê-lo a todo momento para resolver uma dúvida”. Uma provocação não tira o prumo de Dansault. “Mas vocês, juízes, devem ter orgulho próprio, não é justo que sejam criticados pelo mundo inteiro por um erro que poderia ser evitado com o uso de tecnologia”. A resposta, orgulhosa. “Sei disso, mas faz parte da nossa profissão, e enquanto a FIFA não decidir pelo contrário, assim é”.

Atrás de Dansault, um árbitro comenta com outro, avistando no gramados grupos de jornalistas a cercá-los como quem caça Messi para uma entrevista: “Essa turma adorou, dois erros num mesmo dia e viramos notícia, como sempre… quando tudo dá certo, e não há lance polêmico, não dizem nada”. Assim é a vida de quem apita, especialmente de quem apita Copa do Mundo. As mães deles que nos perdoem.

(Por Fábio Altman, de Pretória)

Blatter se desculpa por erros dos árbitros

Um dia depois de a Fifa afirmar que não cogita usar câmeras de vídeo para resolver lances duvidosos em campo, o presidente da Federação, Joseph Blatter, se pronunciou sobre as duas falhas grotescas da arbitragem nos jogos de Argentina x MéxicoInglaterra x Alemanha e, após pedir desculpas aos times prejudicados, admitiu reabrir o debate sobre o uso de novas tecnologias.

“Falei com as delegações do México e Inglaterra e disse: ‘sinto muito’. Eles agradeceram e aceitaram que os erros de arbitragem fazem parte do jogo, embora tenham contribuído para suas eliminações”, declarou Blatter, em um pronunciamento oficial à imprensa nesta terça-feira. No jogo contra o México, o juiz validou um gol do argentino Carlitos Tévez, que estava impedido, e na partida entre Inglaterra e Alemanha, o árbitro não deu o gol de Frank Lampard, que bateu no travessão e entrou.

Segundo o presidente da Fifa, não faria sentido, diante desses dois casos, não reabrir o debate sobre o uso das novas tecnologias na arbitragem. “Pessoalmente lamento, quando se vê que os erros dos árbitros foram tão evidentes. Mas não é o fim da competição ou do futebol, isso pode acontecer.” E acrescentou: ”Há um dossiê sobre este assunto, pois é evidente que algo deve ser mudado. Cruzo os dedos para que até a final não aconteçam mais erros”.

Em busca de alternativas, Blatter anunciou que é estudada a possibilidade de se acrescentar dois novos assistentes de arbitragem no campo. As regras do futebol, de acordo com ele, determinam que deve haver um só árbitro, mas não limita o número de assistentes. ”O futebol é tão importante, não só no aspecto esportivo, mas também no social e no econômico, que é preciso avançar no controle de jogo, pois é certo que nos estádios há 32 câmeras de televisão, mas o ser humano que controla o jogo tem apenas seus dois olhos”, explicou. Ao mesmo tempo, ele ressalvou que para analisar o gol impedido de Tévez contra o México “não era preciso tecnologia”.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Fifa | 09:44

Fifa insiste: nada de câmera para árbitro

Nem mesmo dois erros grotescos que mudaram a história da fase eliminatória deste Mundial foram o bastante para a Fifa sequer cogitar o uso da tecnologia para ajudar a arbitragem. Numa entrevista coletiva nesta segunda-feira, um dia depois das falhas que marcaram os jogos Argentina x México e Inglaterra x Alemanha, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, afirmou que usar câmeras de vídeo para resolver lances duvidosos “não é uma opção” e que é impossível criar um sistema “à prova de falhas” na arbitragem. Valcke só falou na possibilidade de colocar mais auxiliares na Copa do Brasil, em 2014. “Mas isso não quer dizer que vamos usar câmeras. O que estamos discutindo é só a ideia dos auxiliares adicionais, para ajudar os árbitros em todas as suas decisões.” Em uma reunião de sua cúpula em março, a Fifa descartou o uso de tecnologia na arbitragem, por 6 votos a 2. O secretário Valcke e o presidente da entidade, Sepp Blatter, apoiaram a manutenção da situação atual, sem qualquer aparelho ou equipamento para tirar dúvidas em lances polêmicos. Blatter estava no jogo de Bloemfontein, em que um gol claro da Inglaterra não foi validado pela arbitragem (na foto acima). A transmissão da TV mostrou o presidente da Fifa na tribuna, claramente incomodado com as vaias dos ingleses depois do lance polêmico.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

domingo, 27 de junho de 2010

Fifa | 13:36

O gol não marcado: Fifa já teve a solução

A bola inteligente: tecnologia desperdiçada pela Fifa (Foto: Divulgação)

Ela entrou muito, mas muito além da linha do gol. Mas o auxiliar de arbitragem Mauricio Espinoza, do Uruguai, talvez tenha sido o único no estádio inteiro a não enxergar a bola chutada por Lampard quicar inteira dentro da meta do goleiro Neuer na partida entre Inglaterra e Alemanha, neste domingo, em Bloemfontein. A bomba do meia inglês carimbou o travessão, desviou sua trajetória para o chão e caiu a pelo menos dois palmos de distância da linha. E o gol não marcado promete ser assunto durante anos e anos – ainda que os alemães tenham atropelado os ingleses no fim do jogo, ampliando sua vantagem para 4 a 1.

O lance deste domingo inevitavelmente trará de volta o interminável debate sobre o uso da tecnologia para ajudar a arbitragem nos jogos de futebol. A Fifa, que sempre descartou o uso de equipamentos eletrônicos para evitar erros grosseiros como o do jogo de Bloemfontein, chegou a ensaiar uma mudança de posição cinco anos atrás, começando a testar a instalação de um chip na bola, com ajuda da Adidas, para resolver jogadas como a de Lampard. Quando a bola passasse da linha do gol, o chip enviaria um sinal para o relógio do juiz, que poderia marcar o tento sem medo de errar.

Depois de muitos ensaios, porém, a Fifa anunciou em 2008 que não iria adotar o recurso. Desde então, os dirigentes repetiram mais de uma vez: tecnologia no futebol, só se for para transmitir a partida ou melhorar os equipamentos dos atletas. Para ajudar o juiz, de jeito nenhum – pelo menos num futuro próximo. A Adidas, então, tratou de trabalhar na fabricação da criticada Jabulani. Seria melhor se tivesse recebido o sinal verde para produzir a bola inteligente – essa sim, uma novidade que seria bem recebida no mundo do futebol.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Você é a favor do uso da tecnologia para ajudar a arbitragem?

Ver resultado

Loading ... Loading ...

sábado, 26 de junho de 2010

Cartolas: a Copa é ‘perfeita’. Mas a bola…

Jordaan com a Jabulani: Comitê comemora organização; Fifa se preocupa com bola (Foto: Divulgação)

Na tarde de sexta-feira, cerca de duas horas antes do jogo entre Brasil e Portugal em Durban, a Golden Mile, o calçadão que fica diante da praia de Suncoast, estava absolutamente apinhado de torcedores vindos de dezenas de países. O local estava quase intransitável, mas não havia nenhum sinal de preocupação com segurança ou falta de estrutura. No meio dessa alegre confusão de turistas e sul-africanos, um grupo de guarda-costas escoltava o presidente do Comitê Organizador da Copa, Danny Jordaan, por uma entrada lateral do hotel Suncoast, de frente para o Oceano Índico. A reportagem de VEJA deu de cara com o cartola, mas Jordaan não quis falar – ele queria passar rapidamente em seu quarto antes de seguir para o jogo. Mas a festa de Durban certamente deixou Jordaan nas nuvens. Tanto que, neste sábado, durante uma entrevista coletiva concedida em Johannesburgo, o cartola, falando em tom de extremo otimismo, se gabava do trabalho dos sul-africanos na primeira metade do evento.

“O torneio já está 50% transcorrido, mas atingimos 100% dos objetivos, confirmando que o país era mesmo capaz de realizar este evento”, disse Jordaan. O dirigente comemorou o impacto da Copa para os sul-africanos e para os turistas. “Vem sendo uma jornada de descoberta e autodescoberta não só para os visitantes como também para as pessoas daqui. Muitos sul-africanos conheceram um novo país.” Não era só Jordaan que estava satisfeito. O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, disse que a África do Sul, que até o ano passado tinha questionada sua capacidade de aprontar tudo a tempo, está fazendo um trabalho exemplar. “Se no dia 11 de julho, na final, o nível for o mesmo de hoje, direi que terá sido uma Copa perfeita”, afirmou o francês. “O país está acima de todas as expectativas. Crescemos em número de turistas e ingressos vendidos na comparação com a Alemanha-2006. Não há uma só parte desta Copa em que não superamos os Mundiais passados”, exagerou.

No fim, Valcke fez referência aos boatos de que a Fifa já preparava um plano B – Austrália ou Inglaterra – caso os sul-africanos não tivessem ajeitado tudo dentro dos prazos. “Agora, é a África do Sul que será o plano B para os próximos Mundiais”. O sucesso de público é fato: 2.284.796 pessoas assistiram aos 48 jogos da primeira fase nos estádios, uma média de cerca de 47.600 torcedores por partida. Não há relatos de problemas sérios de organização – as principais dificuldades, como o trânsito em Johannesburgo e as reclamações por causa do barulho incessante das vuvuzelas, já estavam dentro do script. É, realmente, um Mundial feito corretamente, ainda que a custos maiores do que se previa. A Fifa só admitiu um problema neste sábado, e ele não é de sua responsabilidade direta. Pela primeira vez, a entidade máxima do futebol mundial reconheceu que a bola Jabulani, criada pela alemã Adidas, é problemática. Valcke afirmou que a Fifa “não é surda” e não ignorou as queixas dos jogadores (principalmente goleiros). Mas, é claro, não existe chance alguma de trocar de bola no torneio: Valcke promete tratar do assunto, ouvindo técnicos, jogadores e a Adidas, só depois da Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

sábado, 19 de junho de 2010

Fifa engorda cofres. E a sede paga a conta

Dinheiro em caixa: alemães compram produtos licenciados em barraca da Fifa (Foto: Getty)

Um representante da Fifa revelou neste sábado que a entidade máxima do futebol mundial deverá abocanhar cerca de 3,2 bilhões de dólares com a realização da Copa do Mundo de 2010. O valor, disse o porta-voz Nicolas Maingot, é mais que suficiente para sustentar todas as despesas da Fifa pelos próximos quatro anos – tanto que a entidade promete investir 75% do dinheiro nos seus projetos de desenvolvimento da modalidade nos países pobres. A Copa é, com folgas, a maior fonte de receitas da Fifa, que cobra valores estratosféricos das empresas que desejam ligar suas marcas à realização do torneio.

Enquanto a dona da bola conta seus lucros com a festa na África do Sul, o país-sede faz as contas para saber qual será o real tamanho do buraco que o evento deixará em seus cofres. Os anfitriões torraram cerca de 8,3 bilhões de dólares para promover o torneio, e terão dificuldades para cobrir essas despesas – afinal, a África do Sul aceitou conceder inúmeros incentivos fiscais justamente para beneficiar a Fifa. A entidade teria recebido garantias de que não precisaria pagar impostos sobre a comercialização de produtos, direitos de transmissão e quase todas as formas de receita ligadas à Copa.

(Por Giancarlo Lepiani, de Johannesburgo)

Fifa | 06:24

A Copa no celular

Na Copa do Mundo de 2010, pela primeira vez está sendo produzido conteúdo específico para telefones celulares. Nos estádio, há uma câmera específica para filmar os lances destinados ao formato reduzido dos portáteis. No centro internacional de televisão, há uma sala que abriga as equipes de gravação e edição dos micro-vídeos. O ambiente, como se nota no vídeo abaixo, é babélico.

(Por Fábio Altman, de Johannesburgo)


Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados