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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Tanzânia: teste com dicas para Dunga

O treinador da Tanzânia, o brasileiro Marcio Máximo

A seleção brasileira enfrenta a Tanzânia na segunda-feira e, longe de ser mais um teste para provar a defesa ou eficiência do ataque brasileiro, servirá para dar mais algum ritmo aos jogadores. E ainda pode render boas informações a Dunga e seu auxiliar Jorginho, porque o treinador da Tanzânia, Marcio Máximo, há quase quatro anos no cargo, diz que vai dar dicas de como joga a Costa do Marfim, seleção para quem perdeu há pouco por 1 a 0, gol de Didier Drogba.

Depois de trabalhar como auxiliar técnico na seleção brasileira sub-17 e sub-20 nos anos 1990, Máximo passou por seleções do Caribe, e times da Escócia, Arábia Saudita e Catar, decidiu aceitar o trabalho na Tanzânia e considera até agora que o resultado é bom: saltaram do 167º lugar no ranking da Fifa para 108º, com um forte trabalho de base.

O craque do time, N’Gassa, 21 anos, atacante rápido, habilidoso, acaba de ser transferido de clube, na maior transação feita no país. “Ele é muito bom jogador, foi vendido por 58.000 dólares (pouco mais de 100.000 reais). Já é a primeira mostra de que o mercado na Tanzânia cresce e em breve pode começar a exportar jogador. Creio que até o fim da temporada teremos uns dez jogando no exterior”, diz Máximo, 48 anos.

O treinador diz ainda que a média de idade da seleção é de 22,5 anos e o salário mensal fica em torno de 1.000 e 2.000 dólares (entre 1.800 e 3.600 reais). “Todos são profissionais e vivem do futebol.” De acordo com a revista americana Forbes, Kaká é o terceiro jogador mais bem pago do planeta, atrás de Beckham e Cristiano Ronaldo, com faturamento anual de 25 milhões de dólares – pouco mais de 2 milhões de dólares por mês (cerca de 3,6 milhões de reais). Ou seja, se os jogadores titulares da Tanzânia ganhassem o teto (2.000 dólares), seria possível pagar o salário mensal de todos com o que Kaká recebe por 8 horas de trabalho em um dia.

Exposição - Máximo espera que com este amistoso contra o Brasil os clubes locais invistam mais, pois no geral não têm nem centro de treinamento. “São 40 milhões de habitantes no país, todos fanáticos e loucos pelos brasileiros, como Kaká e Robinho, e decepcionados por Ronaldinho Gaúcho ficar fora do time de Dunga. Falei muitas vezes para que entendessem: é uma opção do treinador, que no momento achou que o jogador não estava no seu melhor momento”.

O treinador brasileiro ainda desfila os últimos resultados conseguidos pela sua seleção em casa, no estádio para 60.000 pessoas, na cidade de Dar es Salaam: venceram a Nova Zelândia por 2 a 1; perderam para  a Costa do Marfim por 1 a 0; empataram com Gana em 1 a 1. “Estão todos muito ansiosos pelo jogo contra o Brasil. É uma oportunidade única”, diz Máximo.

(Por Silvio Nascimento)

sábado, 22 de maio de 2010

Michel Bastos: “Quero ser titular”

Michel Bastos (esquerda) e Daniel Alves. Foto: Silvio Nascimento


O lateral-esquerdo Michel Bastos, do Lyon, clube semifinalista da Copa dos Campeões da Europa, afirmou neste sábado em entrevista em Curitiba, onde a Seleção Brasileira faz pré-temporada, que apesar de ter tido apenas três oportunidades na seleção vai fazer o máximo para ser titular na Copa. “Nos três jogos que fiz deu para mostrar que tinha condições de estar no grupo. Sei que o Gilberto vai trabalhar para ocupar o espaço dele, mas vou fazer de tudo e dar o máximo para jogar.”

Mostrando firmeza e bem claro nas suas posições, Michel Bastos sabe que a vaga entre os 11 titulares não depende apenas dele, mas de Dunga. ”Claro que não sei se vou ser titular, vai depender muito dos trabalhos aqui nos treinos. Como Dunga me deu a confiança dele, sei que vai depender muito de mim agora. Recebi a oportunidade e não quero perdê-la de jeito nenhum”.

Apesar de exercer funções diferentes no seu clube, como no meio de campo e também na lateral-direita, Michel acredita que deve mesmo se fixar na esquerda. “Olha, cheguei à seleção como lateral-esquerdo, e sei que a polivalência me ajudou. Estou disposto a jogar em qualquer posição.”

Ao seu lado na mesa de entrevista, o lateral-direito Daniel Alves dizia que estava feliz acima de tudo por estar no grupo e que esperava uma Copa do Mundo com muitos gols. “Pelo que tenho visto das seleções, creio que devem sair muitos gols, pois a maioria apresenta características ofensivas.”

Daniel disse ainda que não se sente incomodado em ser o “décimo-segundo” jogador na seleção e que a disputa pelas posições vai ser forte porque o grupo é muito competitivo. “Arrumar uma vaguinha na seleção não é fácil, não é para qualquer um. Mas estamos todos focados e o objetivo é um só. A mescla dos mais experientes com os mais novos também ajuda muito. De qualquer maneira não importa se vou jogar meio tempo, dez minutos, ou ficar no banco. Claro que quero jogar, mas só de estar aqui já é o reconhecimento de um bom trabalho.”

Por Silvio Nascimento

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Neymar: esperança de ir à Copa é última que morre

Neymar com Robinho (Placar)

Corpo franzino, gestos irrequietos, relógio no pulso direito – com fundo preto, ponteiros prateados, caixa de pelo menos 4 centímetros de diâmetro, fazendo parecer ainda maior no braço magro. Só não chamava mais a atenção que o par de brincos em pedras que pareciam diamantes reluzentes nas orelhas. Fala fácil, mas de frases curtas, o atacante Neymar é mais baixo do que parece na televisão – pouco mais de 1,70 metro – e o cabelo em corte moicano também parece bem menos “radical”. Em São Paulo, na noite desta quinta-feira, conta que veio de Santos com a família “dirigindo o carro da mãe”.

Nome que mais sai da boca da torcida e de quem fala em seleção brasileira, deve disputar no fim de semana a final do Campeonato Paulista contra o Santo André usando óculos de proteção - passa por um último exame no sábado e ainda corre risco de ser vetado – depois de uma pequena lesão no olho direito. Em tom mais sério quando o assunto é Copa do Mundo, diz que sonha, sim, com a seleção. Mas lembra: “Não se sabe o que passa na cabeça do Dunga, então só resta esperar”. A seguir, a entrevista que o jovem craque concedeu a VEJA.com:

Quem são os melhores jogadores do mundo?

Sem dúvida, o Messi e também o Robinho. Mas não é porque joga comigo não, ele é bom mesmo.

Você acha que pode ser o melhor do mundo a curto prazo?

Espero que sim, mas esta não é uma prioridade. Não dá para se comparar ao Messi neste momento. Tenho de trabalhar pelo Santos, ganhar os títulos e quem sabe um dia ser o melhor do mundo.

Você conhece o Dunga?

Não conheço, nunca falei com ele.

O que o Robinho já te falou dele?

Bom, ele diz que o Dunga é um cara bem tranquilo, bem amigão mesmo, um cara superinteligente. É isso que ele costuma falar.

O que você acha de um ataque Nilmar-Neymar?

(Risos) Nossa, quem sabe, não? Nilmar e Neymar, Luis Fabiano, Robinho, Kaká… Pô, todo mundo…

Como você acha que seria jogar com Kaká?

Não seria nada difícil, não? Mas precisa ser bem inteligente para acompanhar o cara.

Você pensa muito na seleção?

Cara, fico feliz de pensar nessa possibilidade, tenho esperança sim – ela é a última que morre – mas não adianta, temos de esperar a decisão do Dunga. Não dá para saber o que passa na cabeça dele.

Você não acha que toda essa pressão pela sua convocação atrapalha?

Espero que não, mas o mais legal é ser lembrado. Isso me deixa muito feliz, é sinal de que estou indo bem.

Por Silvio Nascimento

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lúcio, o capitão: difícil não sonhar com taça na mão

luico-ibrahimovic-semi-afp

O capitão Lúcio é um dos nomes garantidos na lista de Dunga para a Copa do Mundo. Com uma fala calma e bem pausada, um tom beirando o acanhado, ele se mostra o oposto do que é dentro de campo – um guerreiro que faz caretas e sempre se esforça “no mínimo 100%”, como ele mesmo diz. Pai de três crianças, conta que insiste para que os dois filhos mais velhos (Victoria, de 11 anos, e João Vitor, de 7) aprendam italiano, o quarto idioma deles – a mais nova, Valentina, tem apenas 3 anos. “Eles são fluentes em inglês e alemão, além de falar português aqui em casa. Creio que isso vai ajudar no futuro deles”.

Ao lado de Júlio César, Maicon e Thiago Motta, Lúcio, de 31 anos, foi um dos responsáveis da Inter de Milão em barrar o ataque do Barcelona, comandado pelo atual melhor do mundo Lionel Messi, na primeira partida da semifinal da Copa dos Campeões, em que a Inter venceu por 3 a 1. Depois de deixar o Brasil em 2000, do Internacional para o Bayer Leverkusen, passou pelo Bayern de Munique e defende a Inter desde a metade de 2009. É o jogador que frequenta as convocações da seleção há mais tempo: foram 116 chamadas. Ele disputou 91 partidas, e tem mais de 7.900 minutos em campo. De Milão, ele falou com exclusividade a VEJA.com:

Qual é o segredo da defesa da Inter?

O nosso entrosamento, que vem com os treinos, e mais a amizade que temos fora do campo. Nós nos conhecemos bem, e isso ajuda bastante.

E esse entrosamento é levado para a seleção?

Ah sim, claro. Lá principalmente esse é um ponto decisivo para nós. Nos conhecemos melhor. Dessa forma, conseguimos um bom padrão de jogo e as vitórias acontecem. Nos últimos anos, a defesa brasileira tem melhorado bastante nas competições.

Houve alguma estratégia para marcar o Messi?

Até que não fizemos nenhuma grande armação, porque o grupo do Barcelona é muito forte. Se nos preocuparmos somente com o Messi, ainda sobram o Ibrahimovic, o Pedro, o Xavi, o Daniel Alves. Não temos o privilégio de marcar só o Messi. Na partida de terça-feira, foi fundamental a dedicação geral do grupo, porque todos marcavam. Quando um de nós não tinha a quem marcar diretamente, partia para a cobertura de um companheiro. A fórmula foi dedicação e superação de todos dentro de campo.

Qual atacante mais trabalho deu a você?

Vários já me deram muitos problemas. Mas ultimamente os piores foram Drogba (do Chelsea) e Ibrahimovic e Messi (ambos do Barcelona). Todos desequilibram, são os mais fortes que já enfrentei.

Às vezes parece que você fica muito irritado dentro de campo…

É que em muitas situações o lance exige esforço máximo, então não tem como deixar de fazer careta. Mas não fico bravo não. Dentro do campo conversamos muito, não ocorre qualquer problema entre a gente nem com o adversário. Eu jogo limpo, na bola, e me esforço muito.

Num lance do jogo de terça, você caiu e reclamou de dor no ombro. Algum problema?

Não. Tive uma pequena lesão no tendão, nada sério. Já está melhor com o tratamento. Foi só uma pancada, nada que preocupe.

Quais são as diferenças entre as seleções de 2002 e 2006?

Em 2002, a seleção tinha de especial o entrosamento. Todos tinham o mesmo pensamento de vencer, o mesmo empenho e dedicação. Essa força foi fundamental para ganhar, e com o toque especial da mão do treinador, que tinha o grupo bem formado e fechado. Em 2006, infelizmente, não conseguimos tudo isso. Houve muita badalação, a expectativa era muito grande e havia o favoritismo total. Acredito que ali, naquele momento, não soubemos controlar e canalizar tudo isso para o lado positivo. Infelizmente, fomos desclassificados. Como não ganhamos, só se procuram os pontos negativos, mesmo com os jogadores de qualidade que tínhamos.

E agora, em 2010?

Esse grupo também tem os pés no chão e o desejo muito grande de ganhar. Também tem humildade. Todos se sacrificam e se doam pelo objetivo. Essa seleção mostrou isso na Copa América, na Copa das Confederações, nas Eliminatórias, a cada jogo. Acredito que esse é o caminho a ser seguido, e assim temos mais chance de chegar ao título.

Você já se imaginou levantando a taça?

É uma situação complicada ficar toda hora pensando assim, mas sonho muito com isso. É meu objetivo e do grupo também. Não penso apenas em mim. Sei que seria o destaque naquele momento, como capitão, levantando a Copa, mas seria a vitória do grupo e não apenas a individual. Seria o reconhecimento do sacrifício de todos, o sonho dos jogadores, das famílias e da torcida brasileira. Mas a caminhada é longa.

Você também já pensou que pode não dar certo?

Claro. Temos de ver sob esta perspectiva também, porque na Copa tudo pode acontecer. Há outras seleções com o mesmo espírito. Sabemos das possibilidades e o principal é entrar em campo e deixar 110% de você lá dentro, a cada jogo. A cada partida é preciso fazer o melhor; fazer o que for possível, isso é fundamental. Em caso de derrota, tendo este comportamento dentro do campo, a aceitação dos jogadores e também da torcida é maior, porque todos sabem que entramos em campo para vencer e fizemos de tudo. Não pode faltar empenho.

Você já disse que jogou machucado em 2002. Jogador tem dor sempre?

Se um atleta for esperar para jogar ou treinar quando estiver somente 100% e sem dor, vai jogar poucas partidas por ano. Sempre tem um problema aqui e outro ali, não tem jeito. Tem de fazer tratamento durante os jogos, depois dos jogos… É assim mesmo: tem de se sacrificar e se doar muito. E não é só no futebol, é em todo esporte de alta performance.

E não dá medo de, faltando tão pouco para a Copa, acontecer uma lesão?

Temos de entrar em campo da mesma forma como fazemos em todos os jogos. Se mudar um pouco a atitude, se quiser se proteger um pouco mais, pode se prejudicar. Se disputar uma bola mais devagar, entrar numa jogada com excesso de cuidado, pode ter uma lesão, sim. Peço proteção a Deus e trabalho diariamente no fortalecimento da musculatura, para o corpo aguentar bem a dureza dos jogos. Mas sempre jogo firme e da mesma maneira.

Por Silvio Nascimento

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Deco: ‘Portugal tem chance de bater qualquer time’

DecoTitular da seleção portuguesa, o meia Deco, brasileiro naturalizado, nascido em São Bernardo do Campo e com passagem pelo Corinthians, acredita que o Brasil é, sem dúvidas, um dos maiores favoritos na Copa da África. Aos 32 anos, Deco hoje defende o Chelsea, da Inglaterra. Antes, teve passagens de sucesso pelo Porto e Barcelona – ganhou a Liga dos Campeões pelas duas equipes. O meia aposta que, se Portugal passar da primeira fase, tem boas condições de avançar bastante na competição, ao menos repetindo o quarto lugar da Copa da Alemanha em 2006. A seleção, que na ocasião era treinada por Luiz Felipe Scolari, perdeu para a França na semifinal por 1 a 0, e disputou o terceiro contra os donos da casa, perdendo por 3 a 1. Confiante na possibilidade de repetir o bom desempenho, Deco concedeu a seguinte entrevista:

Como está a equipe de Portugal? Dá para repetir a boa colocação de 2006?
A Copa é um torneio que depende muito de como os jogadores chegam nesta fase. Portugal tem um time bom, mas não é favorito ao título, até pela falta de tradição. De qualquer forma, se passar pela primeira fase, tudo pode acontecer. Portugal tem condições de vencer qualquer seleção, mas não é fácil seguir na Copa. Mas também não temos objetivos limitados. Vamos jogar e tentar chegar à final – e ganhar. O limite vai ser ditado pela sorte e pelo que jogarmos.

Qual será o jogo mais difícil para Portugal na primeira fase?
Acho que é justamente a estreia, contra a Costa do Marfim. Isso porque uma derrota significa sérios problemas para se classificar. Quem perder este jogo vai enfrentar o Brasil com a obrigação de vencer, e aí tudo fica mais difícil. Creio que para nós este realmente é o jogo mais importante.

No Chelsea, você joga com Drogba e Kalou, ambos da Costa do Marfim. Vocês falam sobre o jogo da Copa?
Conversamos sobre isso muito eventualmente. Já falamos sobre o encontro depois do sorteio, mas nada mais que isso. Sem muitos comentários.

Pelo que você diz, então, o Brasil deve se classificar na primeira fase.
O Brasil é o primeiro favorito. Aliás, é um dos favoritos a vencer a Copa. A Costa do Marfim é no mínimo uma das duas seleções mais fortes da África. E a Coreia pode surpreender. Garantir uma vaga vai ser bem complicado.

Algum sentimento diferente em enfrentar o Brasil?
Não, nada em especial. É uma situação normal de futebol. Não sinto nenhuma pressão, nada.

Por Silvio Nascimento

terça-feira, 30 de março de 2010

Entrevistas | 15:45

Campeões dizem se levariam Ronaldinho Gaúcho

Os campeões mundiais Mario Jorge Lobo Zagallo, Carlos Alberto Torres e Cafu dizem se levariam Ronaldinho Gaúcho para disputar a Copa da África do Sul.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nilmar, candidato a titular: ‘Eu jogo até de zagueiro’

Nilmar com a camisa da seleção brasileira

O paranaense Nilmar, atacante do Villarreal da Espanha, vive um momento especial na vida: praticamente garantiu sua presença na África do Sul com bons desempenhos na seleção, aguarda a chegada do primeiro filho para o meio do ano, e se afastou do fantasma das contusões – já operou os dois joelhos e até hoje faz exercícios para garantir o fortalecimento da musculatura.

Simples, sorridente, até um pouco brincalhão, Nilmar passou pelo Inter, Corinthians e Lyon da França, e não esconde a euforia de ter impressionado Dunga. Ele substituiu algumas vezes Robinho, jogando com Kaká e fazendo dupla com Luis Fabiano, engatando uma boa sequência de jogos e de gols. Agora só pensa em estar bem até a convocação final e fazer parte do grupo, no qual diz que joga “até de zagueiro” se for preciso.

Como foi sua adaptação na Espanha?

Bem, é preciso se acostumar ao estilo de jogo e ao rodízio de jogadores, comum nos clubes. Mas não foi muito difícil não. Agora já estou bem mais enturmado. Desta vez está sendo bem mais tranquilo que da outra vez na França. Estou mais maduro, mais calmo, passei por períodos ruins com as contusões, enfim, estou com 25 anos e encaro tudo de forma diferente.

Mas leva tempo?

Cheguei no início de temporada e tive muitas convocações seguidas. Então eu jogava uma partida e ia para a seleção. Quando voltava, chegava no dia do jogo, em cima da hora, e não entrava ou entrava pouco. Mas este ano foi melhor, venho jogando com mais freqüência. Apesar de o estilo de jogo ser um pouco diferente, jogamos num campo menor, tem muito jogo aéreo, a marcação é mais forte. Mas isso não é problema que dure muito.

Qual foi seu pior momento na carreira?

Foram dois, na primeira lesão no joelho direito, quando estava bem no Corinthians, era artilheiro no Paulistão, na Libertadores e até estava cotado para ir à Copa de 2006. Foi muito difícil porque sabia que teria de ficar seis meses sem jogar e isso ia quebrar todo o ritmo que tinha conseguido.

E isso mexe com a cabeça?

Sim, ficar fora e fazer fisioterapia todos os dias não é fácil. Mas pior que a primeira lesão foi a segunda – aliás, as duas foram com o Palmeiras, no Morumbi. Logo depois que consegui voltar, estava me sentindo bem, recuperei a confiança – porque é difícil superar a insegurança – e no quarto jogo após a volta acontece de novo, com o joelho esquerdo. E o pior é como não pensar “será que vou fazer o que fazia antes”; “será que volto à mesma forma?” Foram momentos muito ruins mesmo.

E hoje nenhuma das lesões o afeta?

Não sinto nada. No início da recuperação já não sentia dor, mas tinha limitação de movimento e um receio automático de fazer algum lance mais duro. Mas logo volta tudo ao normal. Hoje quase nem lembro que tive as lesões, até a hora em que faço o reforço, todos os dias. A gente fica refém da musculação, tem de fazer fortalecimento, pois quando não faço, durante as férias, por exemplo, sinto um pouco de falta. Por isso tenho uma rotina, faço fortalecimento todo dia antes do treinamento, é tranqüilo. Mas é por minha conta, não é como no Brasil, aqui tem de ser profissional mesmo, não tem ninguém para te obrigar ou cuidar. Você tem de ir atrás.

E isso ajuda a se preparar para a seleção?

Sim, porque aqui treinamos menos que no Brasil.

Qual a diferença da sua função no Villarreal e na seleção?

Nos últimos jogos substituí o Robinho, em uma posição em que se movimenta mais, participa mais do jogo, toca mais na bola. O Dunga então pedia para acompanhar o lateral até o meio e quando tivesse liberdade podia atacar. Aqui na Espanha sou obrigado a ficar um pouco mais e participo menos das jogadas de ataque, o meu time não joga com meia de ligação e é difícil eu participar diretamente das jogadas. Diferente da seleção, onde o Kaká toca rápido no meio e logo abre espaço.

Você não gosta da posição de centroavante?

Como era antigamente é muito mais difícil de jogar hoje. Apesar disso, no meu clube o treinador pede para ficar mais dentro da área, porque jogo com um companheiro que volta mais. Faço o que ele pede, mas nunca fui um típico 9 mesmo, jogar de costas para o gol é muito difícil, eu gosto mais de espaço, jogo na velocidade.

Mas na seleção dá para fazer esta função?

Na seleção se for preciso jogo até de zagueiro… (risos). Na real sou um segundo atacante e graças a Deus os treinadores sempre me deram liberdade para me movimentar. Na seleção, joguei com Kaká, Robinho, Luís Fabiano. Um jogador que tiver alguma qualidade consegue jogar fácil neste time.

Você se adapta ao esquema da seleção atualmente?

Bom, é um esquema que até agora deu certo. O Dunga joga pelos resultados, tem gente que não gosta, mas futebol hoje é resultado. Antigamente era legal jogar bonito, dar espetáculo, mas hoje a responsabilidade de jogar na seleção é muito grande.

Por Silvio Nascimento

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Entrevistas | 22:58

Juan: ‘Preparo psicológico é superior ao de 2006′

Juan na marcação de Malouda, nas quartas da Copa do Mundo de 2006, mna partida contra a França (Alexandre Battibugli)

O zagueiro Juan, 31 anos, foi revelado no Flamengo e em 2002 foi defender o Bayer Leverkusen da Alemanha, onde passou cinco temporadas, até ser contratado pela Roma. Foi chamado para a seleção brasileira pela primeira vem em 2001, mas só jogou a Copa de 2006, sendo elogiado na dupla formada com Lucio.

Teve momentos ruins, às voltas com contusões, mas agora diz que “isso é coisa do passado”. Apesar do pedido para uma conversa, só concordou em responder perguntas por e-mail.

Como foi sua adaptação na Alemanha na primeira temporada?

Foi fácil porque o Leverkusen era um time preparado e acostumado a trabalhar com brasileiros. França, Paulo Rink, Jorginho e Emerson já haviam jogado lá, além do Zé Roberto, Lúcio, Athirson e Roque Júnior. Adquiri muita experiência na Alemanha, o que serviu de base para que eu pudesse me acostumar rapidamente com o futebol italiano.

Por que escolheu a Alemanha?

Na verdade, o Leverkusen foi o único clube que apareceu com uma proposta concreta. Havia muita sondagem de equipes de outros países, mas nenhum concretizou o interesse. Eles me apresentaram uma ótima proposta de trabalho e mostraram a estrutura que iria ter. Resolvi aceitar.

Quais as principais diferenças entre o futebol alemão, italiano e brasileiro?

O futebol alemão é mais pegado e exige muito da parte física do jogador. Já o italiano é focado na parte tática, mais estudado. O brasileiro é o mais técnico de todos. Um jogador de habilidade consegue se destacar no Brasil sem problemas. Mas se você não souber aliar e adquirir novos conhecimentos quando sai do país, certamente encontrará problemas.

O que teve de mudar no seu estilo para se adaptar ao futebol alemão e depois italiano?

Não mudei nada. Procurei agregar as coisas que estava vivenciando e aprendendo. O mesmo aconteceu quando me transferi para a Roma. Fui procurando pegar o que eles tinham de forte, que faltava um pouco nas minhas características. Até hoje funciona dessa forma. Tem sempre algo para aprender.

Qual adversário da primeira fase da Copa você acha que é mais difícil para o Brasil? Por quê?

Sem fazer média, acho que todos os jogos serão difíceis. A partida contra a Coréia do Norte será uma estreia, que é sempre um jogo nervoso. Depois, enfrentaremos uma equipe africana, Costa do Marfim. Os africanos estarão em seu continente, estão acostumados com as condições climáticas. Já o terceiro jogo será uma partida entre duas grandes equipes do futebol mundial: Brasil e Portugal.

Quem pode ser surpresa na Copa 2010?
É normal termos algumas surpresas na Copa do Mundo. Dessa vez aposto que uma equipe africana irá se sobressair.

Qual o ponto forte da equipe brasileira?
A união dos jogadores e a crença no trabalho que está sendo realizado pelo Dunga. Todos estão focados em busca dos objetivos. Vejo um grupo pronto para o que irá encontrar. Acredito que esta seleção está mais preparada psicologicamente para enfrentar uma competição complicada como é a Copa do Mundo do que a de 2006, que pecou um pouco nesse aspecto.

Pretende voltar a jogar no Brasil?

Renovei contrato com a Roma até 2013 e estou feliz aqui. Se um dia voltar, darei preferência ao Flamengo.

Por que ficou fora da seleção de 2002?
Foi simplesmente uma escolha do treinador.  Nada além disso.

Na seleção de 2006, talvez a única coisa elogiada foi a dupla com o Lucio. Tem algum segredo a combinação com ele?
Realmente me entendo muito bem com o Lúcio, tanto dentro quanto fora de campo. Ele é inteligente, guerreiro e muito experiente. Jogamos juntos no Leverkusen e fomos construindo um bom entrosamento desde então. Talvez essa seja uma das coisas que nos faz ter um bom rendimento quando estamos juntos.

Você e Lúcio são sujeitos calmos, tranquilos, avessos a badalação. Isso interfere dentro da seleção?
De forma nenhuma. Num grupo de jogadores você conta com vários perfis diferentes. Isso é normal. A seleção tem um grupo muito bom, onde todos são unidos e se respeitam acima de tudo. Com as coisas dessa forma, não tem como dar problema.

Como é o trabalho com Dunga?
Ele não diferencia ninguém no grupo, dando a mesma importância ao atacante, que faz o gol, e aos zagueiros, que tentam evitá-los. O Dunga é uma pessoa bem tranquila, sempre disposta a ouvir e conversar com todos.

Como você tem enfrentado o problema de contusões?
Felizmente esse assunto já faz parte do passado para mim. Desde que voltei a jogar depois da minha última lesão no ano passado, não sofri mais nada. Tenho ido bem na Roma e vou me cuidar para que as coisas permaneçam dessa forma. Estávamos na 14ª posição na décima rodada. Retornei ao time na 11ª rodada e desde então não sofremos mais derrota, e encostamos na líder Inter de Milão.

Luisão: ‘Hoje a torcida gosta de ver jogo da seleção’

Luisão marca o português Cristiano Ronaldo

O zagueiro do Benfica Anderson Luís da Silva, o Luisão, 29 anos, paulista de Amparo, é o irmão mais velho de outros dois zagueiros: Alex Silva, 24 anos, que retornou ao São Paulo em janeiro, e Andrei Silva, 18 anos, junior do Benfica, com contrato recém-assinado por cinco anos. Luisão já frequenta a seleção desde 2000, quando foi chamado, aos 19 anos, para substituir Mauro Silva, machucado, para a Copa América.

Praticamente garantido no grupo que vai à África do Sul, Luisão está em Portugal desde 2003, tem contrato até 2011, mas não faz qualquer plano para deixar Lisboa. Já sonhou em ser capitão da seleção brasileira, mas sabe que é difícil. E como sonhar não tem custo, também já imaginou como seria jogar ao lado dos irmãos mais novos – esteve uma vez na mesma convocação com Alex.

Luisão sofreu muito quando chegou a Portugal, pensou em voltar, mas se sentiria derrotado e encarou a “missão”. Seu melhor momento na carreira foi a sequência de oito jogos na seleção – entrou como titular durante a Copa das Confederações em 2009 – e nas quatro últimas partidas das Eliminatórias. Agora é ter fé e esperar a convocação definitiva de Dunga.

Por que o início em Portugal foi difícil?

Nos primeiros meses, as críticas foram muito fortes. Eu me machucava muito e o treinador José Antonio Camacho pedia para eu jogar. Eu voltava sem estar em condições. O time perdia e a culpa era minha.

Você pensou em voltar ao Brasil?

Pensei. Não cheguei a falar com ninguém no clube, mas conversei com minha família. Eles me deram uma grande força e me desafiaram a superar as dificuldades. Eu não podia voltar com o sentimeneto de derrotado. Agora sim, depois de quase sete anos, estou feliz de ter ficado.

Portugal pode ser uma boa porta para o futebol europeu?

O campeonato é muito duro, difícil, é um tipo de futebol de muito contato. Isso já prepara você para enfrentar qualquer outro campeonato na Europa, seja na Espanha, França, ou Itália, por exemplo.

Em Portugal há visibilidade necessária para ser convocado?

Claro, sou convocado desde 2003 jogando no Benfica. O futebol aparece sim, como em qualquer outro país da Europa. Isso também nunca me preocupou, porque a seleção tem um trabalho sério para acompanhar os jogadores. O Dunga está atento, já foram convocados jogadores que estavam na Rússia, por exemplo. Eles acompanham de perto.

Há mudança de posição na seleção em relação à que você joga no Benfica?

Na seleção, ao lado do Lucio, jogo pelo lado esquerdo e no Benfica jogo no lado direito, mas isso não é problema, não faz muita diferença.

E jogar ao lado dele?

É fácil, nem precisa falar muito. Tanto ele como o Juan de parceiro é muito fácil. Basta ver o que eles jogaram em 2006.

Qual o ponto forte da seleção brasileira na sua visão?

Bem, a qualidade de futebol acho que é indiscutível. Agora, uma coisa que sempre foi cobrada é que os jogadores deveriam ter dedicação à seleção, se entregarem. Creio que esse grupo jamais deixou dúvida sobre isso. Todos estão determinados, e uma prova é que o torcedor hoje gosta de ver jogo da seleção, sabem que todos estão se empenhando ao máximo.

Qual foi seu melhor momento na carreira?

Foi a sequência de oito jogos com a seleção. Entrei na equipe infelizmente pela lesão do Juan, mas fiquei feliz em conseguir jogar na Copa das Confederações e nas Eliminatórias para me firmar.

Você já foi capitão da seleção…

Sim, durante um jogo inteiro, contra o Paraguai, na Copa América, acho que em 2004.

Ainda sonha em ser de novo?

Realmente seria sonho, porque na realidade está bem distante. Já pensei nisso, imaginei, mas tenho de conquistar outras coisas antes. Quero estar no grupo que vai à Copa, gostaria de jogar na África e finalmente ser campeão.

Você lembra de sua primeira convocação?

Foi na Copa América, na Colômbia, em que Mauro Silva não foi e o Felipão me convocou com 19 anos. Eu soube durante um treino no Cruzeiro e quando me avisaram minhas pernas tremeram. É uma emoção tremenda, só de fazer parte da seleção já vale o sacrifício de ser jogador. Afinal são apenas 22 no mundo que integram uma seleção. E mesmo agora que já fui convocado várias sempre rola uma expectativa na hora de saber quem o Dunga vai chamar, não dá para evitar.

Você já pensou em jogar mais à frente, mais para o meio campo?

Ah, não, não tenho a menor vontade.Quando eu era mais novo até arriscava a jogar algumas vezes como volante, mas tenho convicção de que sou um zagueiro e pronto, eu gosto de ficar ali, não vejo outra posição. Deu certo até agora, não há por que mudar.

O Brasil joga contra Portugal na primeira fase. Como está a seleção portuguesa?

Individualmente os jogadores são de muita qualidade, mas acho que falta um pouco de entrosamento, conjunto. Além do Cristiano Ronaldo há jogadores muito perigosos, como o Nani e o Liedson, os quais nunca se pode dar chance de armar jogadas.


Por Silvio Nascimento

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Maicon: Caímos no grupo da morte, mas isso é bom

Maicon comemora um de seus gols pela seleção
Aos 28 anos, o lateral-direito Maicon faz parte da defesa da seleção brasileira que atua na Internazionale de Milão, ao lado do zagueiro-capitão Lucio e do goleiro Julio Cesar. Maicon começou a jogar nas categorias de base do Criciúma, originalmente na posição de meia-direita. O pai se tornou seu treinador no clube e decidiu testar Maicon na posição que ele, pai, havia ocupado na equipe do Novo Hamburgo, quando era jovem. Deu certo.

Em 2001, transferiu-se para o Cruzeiro e em 2004 assinou contrato com o Monaco, da França. Dois anos depois, foi para a Inter. Com 70 convocações, sonha em ser campeão mundial e em jogar futebol por muitos anos ainda. “Quero prolongar ao máximo a minha vida dentro do esporte, quero jogar até onde conseguir”, conta o gaúcho de Novo Hamburgo.

Seu pai foi sua maior influência no futebol…

Sim, foi. Ele jogou no Novo Hamburgo e em vários times do interior gaúcho e a família sempre acompanhava os jogos. E foi ele quem decidiu que eu jogaria como lateral-direito. Ele estava certo, pois foi nessa posição que cheguei ao Cruzeiro, à Europa e à seleção.

Você teve muitos problemas de adaptação na França?

Os primeiros seis meses foram difíceis, não sabia nada de francês. Minha salvação foi o treinador, Didier Deschamps, que levantou a taça na Copa da França em 1998: ele fala espanhol e aí eu consegui me virar, apesar de não falar espanhol também (risos)… mas ele teve paciência e me ajudou muito. Depois de uns seis meses já conseguia me comunicar bem.

E dentro de campo, foi difícil o início na Europa?

Não foi fácil. No Brasil, lateral-direito ataca mais, quase nunca tem função apenas de marcar. Na Europa é o contrário. Um treinador que tive, Francesco Guidolin, hoje no Palermo da Itália, me disse que na minha posição o jogador tem de defender 90% do tempo e atacar somente em 10%. Eu não tinha muita noção defensiva e tive de me adaptar.

O futebol francês é muito diferente do italiano?

Na França a bola não para, é uma correria danada, exige muito mais preparação física. O futebol italiano é mais tático e de mais força, é mais tranquilo de jogar.

A torcida na Itália assedia muito?

Mais que no Brasil, onde eu não era tão conhecido. Aqui na Itália é impressionante, não da para ir ao restaurante, não dá para andar no centro. Mas é legal, é o reconhecimento do trabalho, é o lado bom. Na França, havia 4.000, 5.000 pessoas nos estádios. Aqui sempre tem mais de 30.000. Os italianos são muito mais fanáticos.

E a imprensa italiana?

Eu me dou bem com toda a imprensa porque falo direto com os jornalistas, não tenho intermediários. Assim evito mal-entendidos.

Como é jogar com o Lucio e Julio César?

Cada dia treinamos mais e mais. Assim facilita muito quando estamos junto com a seleção. Já sabemos o que um ou outro faz, fica bem mais fácil.

O Lucio parece ser muito competitivo, às vezes até bravo…

Que nada, ele é tranquilo. Na hora do jogo ficamos nervosos e mudamos a fisionomia, fazemos caretas… Mas é só isso, apenas reações normais dentro da partida.

Qual seleção européia pode surpreender?

Eu acho que uma grande favorita é a Inglaterra. Pela idade e experiência de jogadores, é a seleção a ser batida.

E o grupo do Brasil na Copa?

Estamos no grupo da morte, não tenho dúvida. Se passarmos por este grupo, temos grande chance de chegar longe. Não temos adversário fácil. Dizem que a Coreia do Norte não é boa, mas acho um bom time. Portugal e Costa do Marfim também são fortes. Mas acho melhor cair logo de vez num grupo assim na primeira fase, porque já temos de começar forte, a 100%, já na primeira partida.

Você pensa em voltar a jogar no Brasil?

Hoje não há a mínima chance, tenho contrato até 2014, mas não sei do futuro… Vou pensar nisso mais para a frente.

Já passou pela cabeça ser treinador?

Não, sem chance. Depois que parar de jogar não quero mexer com futebol. Quero seguir o máximo de tempo que puder jogando, é o que gosto de fazer. Cada treinamento é uma diversão, a convivência é ótima, ganhamos cultura, afinal há jogadores de vários lugares do planeta. Espero que isso demore para acabar.

Por Silvio Nascimento

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Entrevistas | 16:32

Lucio, o capitão: ‘Sem sacrifício não há benefício’

O capitão da seleção brasileira, Lucio (Foto AFP)
“Se você não tem dor, é porque alguma coisa está errada”, diz o zagueiro Lucio, titular da seleção de Dunga e da Inter de Milão. Em entrevista a VEJA.com, na véspera da primeira partida das oitavas-de-final contra o Chelsea, no estádio de San Siro, o brasiliense de Planaltina revelou, pela primeira vez, ter disputado a Copa do Mundo de 2002, a do penta, machucado, à base de antiinflamatórios.

Lucio tinha torcido o tornozelo do pé esquerdo na primeira partida do Brasil na Copa das Confederações de 2001, em junho, contra Camarões. Aguentou seis meses o incômodo, uma pequena fratura, até que, em janeiro de 2002, foi aos Estados Unidos e ouviu o veredicto: operação e no mínimo quatro meses de gesso, o que o tiraria do Mundial da Coreia-Japão.

“Tem outro jeito”?, perguntou Lucio ao ortopedista americano.

“Sim, antiinflamatório e aguentar as dores”.

E assim foi, no sacrifício. Somente depois da Copa ele parou para o tratamento correto. Lucio ri, timidamente, ao seu feitio. Baixa os olhos e solta uma frase que ajuda a defini-lo: “Sem sacrifício não há benefício.”

Fábio Altman, de Milão

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Entrevistas | 05:37

Luís Fabiano: “Mudei meu estilo de jogar na marra”

Luis Fabiano comemora gol contra a Itália na Copa das Confederações 2010
Depois de três anos e quatro meses, em novembro de 2007 Luís Fabiano voltou à seleção brasileira na partida contra o Peru, em Lima, válida pelas eliminatórias. Ele substituiu Vagner Love na metade do segundo tempo e o jogo terminou em 1 a 1. No jogo seguinte, no Morumbi, contra o Uruguai, Fabiano entrou como titular e marcou os dois gols que garantiram a vitória do Brasil por 2 a 1 de virada. Foi o bastante para ser ovacionado pela torcida e praticamente garantir seu lugar no grupo.

Artilheiro da seleção sob a gestão Dunga – 19 gols, segundo levantamento da CBF –, Luís Fabiano, 29 anos, diz nesta entrevista que está em seu melhor momento, e que mudou seu estilo de jogo, pois agora busca mais as jogadas e até faz assistência aos companheiros de Sevilha – tudo por força do estilo de jogo europeu, mais rápido e mais fechado. Fala ainda que quer jogar numa grande equipe europeia e sonha em voltar a defender o São Paulo.

Você não quis ir para o Milan no ano passado?
Vários clubes fizeram ofertas. Cerca de cinco meses atrás, o Milan fez uma proposta para o Sevilha, mas o clube não aceitou porque achou baixa.

Mas você pensa em mudar?
Olha, jogar num grande clube sempre foi meu maior objetivo e nestes últimos anos estive muito perto disso. Não aconteceu ainda por circunstâncias de contrato, mas acredito que quando meu contrato estiver vencendo – vai até junho de 2011 – e se eu for convocado para a Copa e jogar bem, acredito que vão aparecer novas oportunidades.

Depois de passar por Portugal e Espanha seu estilo de jogo mudou muito?
Mudou. O Luis Fabiano que jogava no São Paulo mudou totalmente. Aprendi a marcar, a voltar mais para buscar jogo. Estou passando por uma nova experiência na minha carreira que é dar assistência para os companheiros – no fim do ano tinha seis assistência em 15 jogos. Isso acontece porque volto muito, saio da área para jogar. Não estava acostumado a fazer isso no Brasil, aprendi aqui na Europa. Aqui tem de ser um jogador mais dinâmico porque não tem muito espaço, o jogo é muito rápido. Tudo isso tive de aprender na marra.

O que aconteceu na sua passagem pelo Porto?
Nada deu certo lá, mas agora sei que tive grande culpa porque não tentei lutar contra as dificuldades que tive. Eu só pensava em sair, não quis permanecer e dar a volta por cima, como aconteceu aqui no Sevilha. Não dá para procurar desculpa, o erro foi meu, e ainda tive problemas como o seqüestro da minha mãe, lesões. De toda a forma eu não estava com a mesma cabeça boa de quando cheguei aqui no Sevilha.

E agora você anda mais calmo dentro de campo…
Muito mais (risos). Claro que não se perde totalmente a maneira de ser, a personalidade, mas a gente aprende a lidar com certas situações. Eu aprendi bem e sei lidar com isso. Se rola confusão eu naturalmente saio, tenho outra maneira de agir. Antes estourava e fazia tudo que vinha na cabeça, era um grande erro.
Em época de convocação ainda rola aflição, dúvida?
Com certeza, todo mundo só acredita vendo. Sempre quando tem convocação fico atento. Lógico que o momento é favorável, mas todo mundo fica tenso, todos ficam na expectativa.

Treino da seleçãoQual jogo foi mais emocionante: a estreia na seleção ou a partida contra o Uruguai no Morumbi nas eliminatórias, quando você fez os dois gols?
Olha, o sentimento foi o mesmo, com pequenas diferenças. A estreia com a camisa da seleção não dá para esquecer, e considero o jogo contra o Uruguai minha reestreia. Foi um jogo muito especial: jogar no Morumbi com a camisa da seleção depois de muito tempo, reencontrar o torcedor de São Paulo, e ainda fazer os dois gols… foi um sonho. Eu nem sabia que seria titular naquela noite, foi surpresa, e acabei dando a vitória depois de um jogo muito difícil, muito sofrido.

Você ouvia a torcida gritar seu nome no Morumbi?
Sim. Já quando entrei em campo a torcida começou a gritar. Fiquei emocionado porque havia muitas estrelas, como o Ronaldinho, o Kaká, o Robinho. A torcida gritando… foi uma emoção muito grande, e graças a Deus consegui retribuir fazendo os gols.

Qual foi o seu momento mais emocionante na seleção?
Foi na Copa das Confederações na África do Sul, no jogo final contra os Estados Unidos, pelo jeito que vencemos. Foi um jogo sofrido, e conseguir a virada no resultado da maneira que conseguimos – começamos perdendo de 2 a 0 e vencemos por 3 a 2. E ser segundo melhor jogador da competição e artilheiro então, foi muita coisa.

Qual o ponto forte da seleção brasileira?
Acho que hoje é um grupo que tem um só pensamento, todos têm o mesmo objetivo. Um grupo vencedor começa por aí, pela união. O que é muito importante porque qualidade os brasileiros sempre tiveram, há jogadores que podem definir uma partida. Juntas, as duas coisas deixam a equipe brasileira mais forte ainda.

O que você acha do grupo do Brasil?
Difícil, já joguei contra Portugal, é um time muito forte. E conheço alguns jogadores da Costa do Marfim. Não vai ser fácil.

Quem está praticando um bom futebol na Europa no momento?
A Espanha é a seleção que está jogando melhor e tem jogadores que estão num ótimo momento.

Quem você acha que pode se destacar na Copa?
Iniesta ou Xavi (ambos do Barcelona) podem ser destaques, porque estão em momentos excepcionais tecnicamente.

Você ainda é pontepretano?
São-paulino e pontepretano, isso é para sempre

E pensa em voltar a jogar no Brasil?
É uma coisa que sempre tive na cabeça, e quero voltar em bom nível. E tenho como minha primeira opção voltar ao São Paulo.

Por Silvio Nascimento

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Gilberto Silva, o ‘operário’: ‘Um passo por vez’

Gilberto Silva na partida contra a França na Copa de 2006 (Alexandre Battibugli)
Gilberto Silva virou jogador profissional depois de difíceis decisões: parou de jogar entre os 16 e 19 anos para ajudar a família na cidade natal de Lagoa da Prata (MG) trabalhando em várias funções dentro da fábrica de doces e leite em pó – com salário pouco maior que o mínimo. Assim que a situação na família melhorou, decidiu se dar mais uma chance de ser jogador, mesmo com 19 anos. Treinou sozinho, técnica e fisicamente, e conseguiu uma vaga no América (MG), onde jogou entre 1997 e 1999. Passou pelo Atlético Mineiro (de 2000 a 2002) e Arsenal (Inglaterra), de 2002 a 2008, e defende o Panathinaikos (Grécia), com contrato até metade de 2011.

Considerado como certo para integrar o time de Dunga para ir à Copa de 2010, é um dos ‘operários’ da bola que ganhou a confiança do técnico – e garante que aprendeu a viver com as críticas. Aos 33 anos, foi campeão mundial em 2002, titular em 2006 na Copa da Alemanha, e venceu a Copa das Confederações em 2005 e 2009. Tem 107 convocações e é um dos dois que mais disputaram partidas pela seleção do grupo chamado por Dunga com mais frequência – ele e Lúcio já atuaram em 90 partidas. Jeito simples e fala mansa, deu esta entrevista direto da Grécia:

Quem eram seus ídolos no futebol?
Não vi muito, mas gostava do Zico, Reinaldo, Cerezo. E o Baresi do Milan.

Como foi sua chegada à seleção?
Fui convocado para os dois últimos jogos da eliminatória em 2001, contra Bolívia e Venezuela. Meu primeiro jogo foi contra a Bolívia, em La Paz, entrei no segundo tempo, o jogo foi difícil, perdemos por 3 a 1. e vencemos a Venezuela. Foi um período importante porque o Luis Felipe Scolari queria testar vários jogadores que atuavam no Brasil logo depois em amistosos. Então fizemos uma série de partidas em que estavam eu, Emerson, Kaká, Anderson Polga. Ele queria conhecer bem os jogadores mais jovens.

E daí se tornou titular em 2002 com a lesão do Emerson.
Eu não esperava ser o escolhido pelo Felipão. Foi uma baixa grande, do capitão, jogador de muita confiança, ele se machucou durante os treinos. Na véspera do primeiro jogo, eu estava no meu quarto quando Felipão e o Murtosa me disseram que eu ia começar o jogo como titular, fiquei sem falar, mas eles me deixaram tranquilo, disseram que se eu fizesse o que estava acostumado no Atlético já estariam satisfeitos.

Gilberto em treino na Granja ComaryDepois de oito anos na seleção você ainda recebe críticas.
Temos de nos preparar para toda situação, principalmente na seleção. A cobrança é grande. Sempre tem quem ache que alguém que ficou de fora é melhor do que quem está lá. Isso é normal. Mas o momento mais difícil foi o período que joguei menos no Arsenal, na minha última temporada. Tanto que mudei de clube porque tinha objetivos com a seleção brasileira.

Você era titular na Seleção e reserva no Arsenal.
Era muito estranho até para o pessoal de dentro do Arsenal. Não entendi a postura do treinador,  Arsene Wenger. Tinha acabado de ser campeão da Copa América, era capitão da seleção, e quando cheguei perdi a posição de titular, sendo que era cotado para ser capitão do Arsenal. Foi isso que me fez sair. Sabia que se não jogasse seria difícil continuar voltando ao grupo da seleção. E mesmo um pouco sem ritmo, tive a confiança do Dunga e da comissão.

Mas sempre tem críticas
Então, há pessoas que esquecem o que fizemos, o sacrifício para defender o pais. Algumas pessoas não entendem isso, talvez por bairrismo, não sei. Às vezes uma critica toma outro rumo, mas nunca deixei que isso me afetasse, minha resposta vem de dentro do campo.

Quando decidiu sair do Arsenal teve muitas propostas?
Sim, do Atlético para voltar, mas queria ficar na Europa. Também recebi contato de clubes da Alemanha, Inglaterra, Holanda. Mas quem me ofereceu as melhores condições foi o Panathinaikos. O clube é bom, o país também, joguei a Champions League… Foi um risco mas está dando certo. E o contrato até 2011 foi fundamental, porque as outras equipes queriam no máximo dois anos.

Que país está jogando bem neste momento na Europa?
A Espanha está bem e a Inglaterra é uma equipe forte. Mas em Copa tudo é diferente: pode chegar bem e cair, ou chegar caindo e ir bem à frente.  

E o Brasil?
Montamos um grupo muito bom e hoje estamos sabendo jogar com objetivo. Tanto que os resultados vieram. Claro que temos chance, mas estamos conscientes que é preciso viver um dia de cada vez, teremos dificuldades, todos querem nos vencer, cada jogo é uma final. Por isso pensamos em um passo de cada vez.

Como é o trabalho com o Dunga?
A experiência dele como jogador de seleção deu a tranquilidade para montar o grupo aos poucos. E não foi fácil porque a partir de 2006 vieram muitas críticas. Ele é simples, direto na forma de lidar com cada um no grupo, novos e mais velhos, e cobra quando tem de cobrar. Sabe dosar e é bem objetivo. A parceria com Jorginho é muito bacana, porque eles têm estilos diferentes e esta união tem dado certo.

Por Silvio Nascimento

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Júlio César, melhor do mundo: ‘Brasil é pé no chão’

Julio Cesar

Titular incontestável da camisa número 1 do Brasil, Júlio César vive o melhor momento de sua carreira. É considerado o melhor da posição no planeta. Aos 30 anos, completados em setembro, será o titular na Copa da África do Sul. Julio já foi convocado 78 vezes, atuou em 44 partidas e ficou em campo 3.885 minutos. Defendendo a Inter de Milão, disputa a preferência dos tifosi da Itália com outro espetacular jogador, Gianluigi Buffon, 31 anos, titular da Juventus e da seleção campeã do mundo em 2006, e eleito duas vezes o melhor goleiro do mundo.

As comparações não dizem muita coisa ao brasileiro. Numa conversa rápida no intervalo de um treino na semana passada, Julio Cesar (ídolo também da maior torcida brasileira, a do Flamengo, onde começou como profissional em 1997 e só saiu para jogar na Itália, em 2005) conta a VEJA.com que o grupo que costuma ser convocado por Dunga tem um objetivo bem definido – e que o técnico administra o time com seriedade e justiça. O goleiro diz ainda que as regras do futebol deveriam ser mudadas para “ajudar” um pouco quem tem a obrigação de evitar a maior alegria da partida, o gol.

julio-cesar-interQuais são os melhores jogadores do mundo na sua posição?

Gosto do checo Petr Cech (Chelsea), do italiano Buffon, do espanhol Reina (Liverpool) e do holandês Van der Sar (Manchester United), com 39 anos, pela experiência e pelo que apresenta até hoje. No Brasil, tem uma safra de bons goleiros nos últimos anos. Tem o Bruno (Flamengo), por exemplo. O Rogério Ceni (São Paulo), que mantém a regularidade há bastante tempo, é um goleiro que merece respeito. O Victor (Grêmio) apareceu muito bem. E tem também o Marcão, por tudo que fez e faz no gol do Palmeiras.

Hoje o goleiro brasileiro já é respeitado na Europa…

Sim, é muito respeitado pelo que vem mostrando nos clubes, como o próprio Doni e o Julio Sergio, na Roma; o Helton, no Porto; o Gomes, no Tottenham. É uma posição em que o brasileiro conquistou espaço. Antes ele não era tão valorizado como hoje.

E o que mudou?

Foram as atuações. A partir do momento que se um goleiro se destaca, começa a ser respeitado. Mas essa história aqui na Europa tem muito a ver com a Copa de 1982, por causa do Valdir Perez. Sempre ouvi aqui que a seleção brasileira era uma grande equipe, mas faltava um grande goleiro. E eu sempre rebati isso. Não acompanhei a carreira dele, mas se o cara chegou à seleção, usa o número 1 do Brasil e disputa uma Copa do Mundo numa seleção em que só tinha feras, o cara não pode ser tão ruim. Com certeza ele teve méritos, qualidades, e por isso jogou naquela Copa.

Quais seleções estão bem neste momento na Europa?

A Espanha faz um bom trabalho, a Inglaterra está bem, e as tradicionais no futebol, como Alemanha, Itália. São forças que, quando chegam numa competição como a Copa, têm de ser respeitadas.

O Brasil também está bem…

Pelo que demonstramos até agora, o torcedor fica bastante esperançoso. Mas não gosto de apontar favoritismo, temos de ter pé no chão. Sabemos a força que temos, mas de nada adianta chegar na Copa e não mostrar bom futebol. Estamos no caminho certo e temos condições de brigar com qualquer equipe.

Brasil na Copa das ConfederaçõesQual é a maior qualidade da seleção brasileira hoje?

O Dunga conseguiu estabelecer na seleção um pensamento forte, que é estar bem focado no objetivo. O que ele sempre passou é que cada jogador que tiver uma oportunidade tem de saber aproveitar bem, porque a concorrência é grande. Isso fez com que o grupo se fechasse mais e que os jogadores aproveitassem suas oportunidades. Foi o que aconteceu comigo. Eu não fui convocado no começo pelo Dunga. Mas quando tive a oportunidade, aproveitei. O mesmo aconteceu com outros jogadores. E tem outra coisa importante do Dunga: ele trata todos da mesma forma, e isso é muito positivo para o grupo.

Ele é exigente?

O Dunga é um profissional muito sério. Consegue manter a seriedade do grupo a todo o momento, seja num jogo menos complicado, seja num mais complicado. Se vamos jogar contra uma seleção sem tradição nenhuma, encaramos o jogo com muita seriedade. E ele impõe isso dentro do grupo, não deixa em nenhum momento a equipe relaxar. Com isso ele reforça a parte psicológica dos jogadores. É um treinador que sabe tudo de seleção, apesar de não ter tido experiência anterior.

Você acha que alguma regra do futebol deveria mudar?

Acho que o goleiro poderia ter a chance de se movimentar na hora do pênalti. O torcedor quer ver gol, então tudo é feito para complicar a vida do goleiro. Na hora do pênalti, o batedor tem 99% de chance de marcar, mas se o goleiro der um passo, sair um pouquinho, não deveria haver problema. E quando agarramos um pênalti, o juiz manda voltar por que deu um passo, uma coisa mínima. Os juízes estão muito rigorosos com isso. Por exemplo: o batedor pode dar uma paradinha, tudo bem. Então a gente poderia adiantar um passo… Acho que seria mais justo.

Só essa mudança?

Outra coisa que poderia ajudar seria não permitir que jogadores do time adversário, mesmo respeitando a distância da bola na hora da falta, ficassem ao lado da barreira, atrapalhando a visão. A gente arruma a barreira aí os adversários ficam colados na barreira, à vezes dois ou três jogadores, e atrapalha muito. Acho que isso poderia dar uma aliviada para nós nesse momento.

Você já pensa em algo para sua carreira no futuro?

Tenho contrato com a Inter até 2014, quando estarei com 34 para 35 anos. Sinceramente não posso falar nada de futuro. Nada passa pela minha cabeça. Vou tentar cumprir o contrato da melhor forma possível e aproveitar essa fase maravilhosa que vivo agora.

Por Silvio Nascimento

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cafu, o senhor Copa: ‘Parreira pensou em deixar a seleção antes do Tetra’

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Por uma década e meia, a lateral direita da seleção brasileira foi dominada por um único personagem: Cafu (clique aqui para ver fotos da trajetória do jogador na equipe). Aos 39 anos e com uma condição física superior a muitos jogadores em atividade nas grandes equipes no Brasil, o único atleta a disputar três finais de Copa do Mundo é o primeiro entrevistado pelo blog de VEJA.com dedicado à Copa do Mundo.

Na entrevista, realizada na casa de Cafu, em São Paulo, o dono de dois títulos mundiais revela que Carlos Alberto Parreira, treinador da seleção na conquista do tetra, em 1994, pensou em deixar o comando da seleção após uma derrota contra a Bolívia – o primeiro revés do time canarinho na história das Eliminatórias para a Copa. Sobre a próxima edição do torneio, Cafu acredita na conquista do hexa, mas avisa: “Acredito muito no futebol da Inglaterra e da Holanda”.

Qual é a maior lembrança das quatro Copas que você disputou?

Não tenho dúvidas. Erguer a taça, em 2002, foi um marco e a conquista de um sonho pessoal. Subir naquela estrutura para levantar a taça é uma cena que está na memória da população brasileira. Fico honrado de fazer parte dessa história.

O nome Cafu será lembrado também por ser até hoje o único a disputar três finais de Copa. Das três, qual foi a mais complicada?

São ocasiões distintas e em cada final houve um episódio diferente. Só que em 1994, as circunstâncias do duelo contra a Itália deixam a decisão como uma das mais complicadas da minha carreira. Nosso rival na época tinha um grande time. Do nosso lado, era uma pressão enorme de conquistar um Mundial depois de 24 anos de jejum. O Brasil soube usar a experiência dos seus jogadores e demonstrou uma grande força tática. Jogamos sem dar show.

2962Em 1994, você era uma das grandes novidades da seleção e ainda estava começando no time. Doze anos depois, era o capitão da principal equipe do mundo e com a grande responsabilidade de trazer o hexa. Quais foram suas primeiras reações no Mundial dos EUA e o que ficou diferente ao longo dos anos, até chegar à disputa na Alemanha?

As lembranças são nítidas. Em 1994, era um reserva e esperava oportunidade na equipe. Durante a competição, joguei algumas partidas por conta da lesão do Jorginho. Mas sempre entrei durante dez, vinte minutos. Era um Cafu que começava uma história na seleção e substituir o Jorginho era uma das tarefas mais árduas que tive como jogador. Mas estava preparado. Em 2002 foi completamente diferente. O Jorginho já havia se aposentado e eu tinha uma seqüência como lateral titular. Tive a honra de ser capitão de uma equipe vitoriosa e isso é fruto do trabalho que fiz com essa camisa.

Como você acabou se tornando capitão em 2002?

Antes do anúncio de Felipão no cargo de treinador, eu tinha sido capitão do Brasil em algumas oportunidades. Antes do início do Mundial, a comissão técnica optou pelo Emerson. Só que no último treino antes da estreia, ele sofreu uma lesão no ombro e foi cortado. Logo depois, o próprio Felipão veio conversar no meu quarto e perguntou se eu estava preparado para liderar a equipe. Não tive dúvidas. Disse que já estava pronto. Os jogadores foram avisados e não houve problema algum.

O que faltou ao Brasil para vencer a França na final da Copa de 1998 e nas quartas-de-final do Mundial de 2006?

A equipe não jogou bem. Tirando os problemas pessoais do Ronaldo na final da Copa da França, o mérito foi todo do adversário. Muita gente crucifica apenas um jogador no episódio de 2006 (o lateral Roberto Carlos foi muito criticado por ter sido flagrado arrumando as meias no lance do gol). Mas o erro foi coletivo. Trata-se de dois dias em que deu tudo errado para a seleção. E eu assumo culpa pelas derrotas.

412621Por causa de todos os recordes conquistados por você, há alguma mágoa com parte da torcida, imprensa ou com a própria CBF?

Sinceramente, não. O futebol é assim. O povo brasileiro sabe da importância que tenho na história do esporte no país. E eu acabei me adaptando às críticas desenfreadas da imprensa. Toda pessoa pública deve saber lidar com este tipo de situação. Mas minha história se resume na minha sala de troféus e conquistas. Se você olhar ao redor, terá uma ideia do que pude construir com o futebol. E sou muito grato por isso.

O que realmente aconteceu em um episódio específico nas Eliminatórias para 2002, quando você pediu o desligamento da seleção dias antes do clássico contra a Argentina? Na época, parte da imprensa relatava uma possível fuga ou abandono seu.

Esse episódio é muito interessante e ninguém comenta isso. Mas foi bem engraçado. Na derrota do Brasil para o Paraguai, acabei sendo expulso. Como a fase da equipe não era boa, as críticas eram intensas. Durante a viagem de retorno ao Brasil, pedi ao técnico do time na época (Vanderlei Luxemburgo) a dispensa do próximo jogo, contra a Argentina, já que estava suspenso. E ele aceitou normalmente. Questão de bom senso mesmo. Só que no dia seguinte, a imprensa só falava em abandono do Cafu da seleção. Falaram até que tinha até fugido. É uma situação comum e que acontece sempre.

A seleção atual já tem um dono da camisa 2?

O Maicon tornou-se titular absoluto com o Dunga na seleção e o seu próprio rival, Daniel Alves, já encontrou uma vaga na equipe: no meio. Mas ambos são potências da posição. De qualquer jeito, o Brasil está bem servido.

Quais são suas expectativas para a Copa de 2010? Quem são os favoritos?

O Brasil está bem preparado e com grandes possibilidades de conquistar o hexa. A seqüência, os bons resultados e o formato tático produzido pelo Dunga contribuem para a boa fase da equipe. Além da nossa seleção, acredito muito em Holanda e Inglaterra, que possuem times ofensivos e de grande qualidade. Mas não podemos esquecer França, Itália e Argentina.

381353Já passaram 19 anos desde sua primeira convocação. Tem algum episódio que não esquece?

É complicado falar de um só. Minha primeira convocação aconteceu em 1990, durante um jogo contra a Espanha. Mas um episódio inesquecível e que pouca gente conhece foi um fato de bastidores que aconteceu durante as eliminatórias da Copa de 1994. Em 1993, quando perdemos para a Bolívia, a primeira derrota brasileira na história da disputa, houve uma pressão enorme de todos os lados. Foi quando o Carlos Alberto Parreira, extremamente chateado com a situação do time, pensou em deixar o selecionado nacional. Foi neste momento que o elenco se reuniu e pediu a permanência do técnico, deixando claro que ele não tinha qualquer tipo de culpa pelo fraco desempenho contra os bolivianos. Ele aceitou e agradeceu o conselho do elenco, escondendo o fato para a imprensa. O resto da história todo mundo conhece: meses depois, fomos campeões com Parreira.

E despedida da seleção? Já pensou nisso?

Nunca conversei com a CBF a respeito disso, mas se acontecesse seria fantástico. Sinceramente não penso, mas se vier ficarei honrado.

Por Rafael Sbarai


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