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Archive for the ‘Cidades-sede’ Category

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Sem licitação, orçamento para Brasil-2014 estoura

Está aberta a torneira para se extrapolar orçamentos e prazos nas obras de infraestrutura da Copa de 2014 e na Olimpíada de 2016. O alerta é do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco), que vê problemas no horizonte a partir do modelo de aquisição de bens e contratação de obras estabelecido pela Medida Provisória 489, que criou, no último dia 12, a Autoridade Pública Olímpica (APO). Para o presidente do sindicado, José Roberto Bernasconi, ao dispensar licitações e permitir pregões eletrônicos para ações de infraestrutura, o governo empurra para uma espécie de loteria projetos como a reforma dos aeroportos nas 12 cidades-sede da Copa. “Esta medida é preocupante. Estamos abrindo espaço para soluções que poderão não ser adequadas, que podem não caber no orçamento previsto e, ainda assim, não ficarem prontas a tempo”, avalia Bernasconi.

A Autoridade Pública Olímpica é o consórcio público, constituído por União e governos municipal e estadual do Rio, encarregado de executar e fiscalizar os projetos da Rio 2016. A MP 489 prevê que, tanto nos projetos da Rio 2016 como da Copa de 2014, “poderão ser adotados inversão de fases e de etapas dos procedimentos licitatórios, bem como sistema de registro de preços”. O texto estabelece também que, “as licitações deverão ser realizadas, preferencialmente, de forma eletrônica, admitindo-se a presencial”. Na prática, entra em cena o pregão eletrônico em vez do modelo de licitação previsto na Lei 8.666.

“É uma loteria para quem executa e para quem contrata. Engenharia é instrumento poderosíssimo para o desenvolvimento, mas tem que ser respeitado. Definitivamente, não é assim que os países desenvolvidos agem”, critica Bernasconi, referindo-se especificamente à inversão de fases.

A dispensa do modelo clássico de licitação visa a dar celeridade às obras em atraso. Em algumas delas, o nível de defasagem em relação ao cronograma é particularmente preocupante, como no caso dos aeroportos nas 12 cidades-sede do Mundial de 2014. Como o Tribunal de Contas da União havia determinado que a Infraero só licitasse obras cujos projetos executivos estivessem totalmente prontos, formou-se um gargalo, com atrasos nos investimentos de modernização e ampliação em todos os 13 aeroportos que precisam de reformas – os das 12 cidades-sede mais o de Campinas, em São Paulo. Os investimentos previstos são de 4 bilhões e meio de reais.

Para a Copa, são esperados cerca de 600.000 turistas estrangeiros e um movimento de 3 milhões de brasileiros. Apesar de a preocupação do governo ser a de aprontar todas as melhorias previstas a tempo para 2014, Copa e Olimpíadas não deveriam ser o foco da discussão, adverte Bernasconi. “Em abril de 2010, a demanda no tráfego aéreo cresceu 23,6%, em relação a abril de 2009. É um crescimento imenso. Se considerarmos esta média de crescimento anual, Guarulhos, que já opera acima de seu limite, vai receber um aumento de 433 mil pessoas por mês. Ou seja, o desconforto e a desorganização vão certamente aumentar”, prevê o engenheiro. Para Bernasconi, subestimar a importância do planejamento, no caso dos aeroportos, vai custar caro ao país. “A emergência é cara. Se você deixa de ir ao médico por muito tempo, quando sente a dor aguda pode ser tarde demais”, compara.

(Por João Marcello Erthal)

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Copa 2014: sete estádios têm projetos aprovados

Apesar das ameaças de pelo menos dois ministros, o presidente de CBF, Ricardo Teixeira, negou nesta sexta-feira, em São Paulo, a possibilidade de reduzir o número de cidades-sede para a Copa de 2014 no Brasil. Ele confirmou que até agora sete cidades tiveram seus projetos aprovados (Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Porto Alegre, Cuiabá, Manaus e São Paulo) e as outras cinco não devem ter dificuldades para aprovar os projetos. “A partir de agora, os responsáveis pelos estádios têm a obrigação de provar nos próximos 30 dias a ‘viabilidade econômica’ das obras e o organograma”, disse Teixeira, membro do Comitê Organizador da Copa – braço da Fifa.

Se não for cumprida esta exigência, aí sim pode ocorrer o descredenciamento do estádio, não da cidade – “até agora está tudo apenas no papel”. Ele ainda confirmou que o estádio do Morumbi está apto a receber ”semifinais”, mas as cidades em que ocorrerão a abertura e encerramento da Copa ainda serão definidas pela Fifa.

O Comitê Local ainda vistoria os estádios nas cidades Fortaleza (17 de maio), Natal e Recife  (18 de maio), e Salvador (19 de maio),

terça-feira, 4 de maio de 2010

Todo mundo de olho na Copa do Mundo no Brasil

estadios
O Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 começa nesta quarta-feira a vistoria técnica dos estádios brasileiros e também faz uma avaliação do cronograma de obras em cada uma das 12 cidades-sede. A primeira visita ocorre pela manhã em São Paulo e a última será no dia 20, em Salvador. É um momento delicado para a realização do Mundial no país. VEJA desta semana traz reportagem mostrando que o Brasil desrespeitou todos os prazos fixados para iniciar as obras. Em retaliação, a Fifa avisou que já estuda uma alternativa para 2014.

Pelo menos por enquanto, será possível acompanhar a quantas andam os investimentos não só nos estádios que receberão os jogos da Copa 2014 como também para a Olimpíada 2016, no Rio. Nesta terça-feira, o Portal da Transparência, ligado à Controladoria Geral da União (CGU), lançou dois hot sites – Copa 2014 e Jogos Rio 2016 – em que é possível, segundo o governo federal, ter informações detalhadas e atualizadas sobre os investimentos para a realização dos eventos. Estão listados programa e ação governamental, fonte de recursos (privada ou pública), órgãos executores, cronogramas, editais, convênios, operações de crédito realizadas por instituições financeiras oficiais de fomento e imagens.

Segundo o ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, “todos os ministérios envolvidos, além de BNDES, Caixa Econômica Federal e Infraero, terão de enviar relatórios ao órgão de controle”. Ainda de acordo com o ministro, “a população já se acostumou a usar o portal para acompanhar os gastos públicos” – a previsão para este ano é de 2,4 milhões de acessos.

Os sites têm ainda uma área em que o cidadão pode denunciar indícios de irregularidades em obras.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Quer ir à Copa? Ainda dá tempo. Mas custa caro…

torcida-africa-do-sul

Sonho de nove entre cada dez torcedores de futebol do planeta, assistir aos jogos de uma Copa do Mundo no estádio é uma empreitada difícil – a não ser que o torcedor em questão tenha dinheiro de sobra. Para os brasileiros, ainda é possível conseguir um lugar na arquibancada. Há duas opções: comprar um pacote em uma agência de viagem ou conseguir ingressos através dos sorteios realizados pela Fifa (já não há mais bilhetes para as semifinais e final). Em nenhum dos dois casos a aventura será barata. A viagem de um mês à África não sai por menos que 10.000 reais, contando passagem aérea, hotel e alimentação.

O modo mais barato é ir à África do Sul sem depender de agência de turismo. Para isso, contudo, o torcedor precisa ter sorte de campeão. Se conseguir algum ingresso nos sorteios da Fifa (é preciso entrar no site e cadastrar seu cartão de crédito), basta comprar as passagens e reservar o hotel. Essas duas missões também serão dificílimas. Vôos lotados e milhares de quartos já reservados (a Fifa até teme que não haja lugar suficiente para todos) são os próximos obstáculos.

Os ingressos para os três jogos da primeira fase custam 160 dólares cada um. Uma partida das oitavas-de-final sai por 200 dólares, e nas quartas, o preço sobe para 300 dólares. Os felizardos que foram sorteados para assistir a semifinal e a final desembolsaram 600 e 900 dólares, respectivamente, pelos ingressos. A passagem aérea de ida e volta sai por cerca de 4.000 reais.

Quem não quer depender da própria sorte para garantir um lugar na arquibancada vai gastar muito mais. Apenas cinco operadoras tem autorização da entidade máxima do futebol para vender pacotes com ingressos no Brasil. São elas: Agaxtur, Stella Barros, Ambiental, Marsans e Pallas. O preço que as agências cobram, porém, é bem salgado.

O pacote com 32 dias de estadia na África do Sul, translados terrestres e aéreo e os ingressos para os sete jogos possíveis de uma seleção na Copa não sai por menos de 35.000 dólares, cerca de 61.000 reais. As refeições nos (ótimos) restaurantes sul-africanos não estão incluídas. Para entrar no país não é preciso tirar visto. Mas é obrigatório tomar vacina contra a febre amarela até dez dias antes da partida.

Por André Pontes


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