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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Nas cidades, elefantes brancos à solta

O Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth: depois da Copa, sem compromissos

“Se esta é sua primeira visita à África do Sul, seja bem-vindo. E volte no futuro: precisamos dos seus dólares para terminar de pagar todos esses estádios de futebol.” A frase do simpático comandante do voo entre Johannesburgo e Port Elizabeth, nesta quinta-feira, é falada num tom de brincadeira, mas acaba revelando uma das preocupações que começam a emergir no país a dez dias do fim da Copa do Mundo. Com o encerramento da fase de grupos e das oitavas-de-final, só quatro cidades continuam dentro do roteiro do Mundial: Johannesburgo, Port Elizabeth, Durban e Cidade do Cabo. As outras sedes já se despediram da Copa, mas agora precisam fazer as contas para descobrir qual foi o saldo final da participação no torneio.

Para o trio formado por Johannesburgo, Durban e Cidade do Cabo, as preocupações são diferentes – afinal, são todas cidades de grande porte, com demografia favorável ao aproveitamento dos estádios e instalações construídas para o Mundial. Mas no caso das pequenas Rustemburgo, Nelspruit, Polokwane e Bloemfontein, começou a temporada de preservação dos elefantes brancos. Seus estádios, novinhos em folha, deram conta do recado na hora de receber a Copa. Agora, porém, surge a missão de encontrar algum uso para eles. Era um alerta que já se fazia muito antes do início do Mundial. E uma advertência que serve também ao Brasil, em que algumas das sedes escolhidas para 2014 não têm clubes capazes de encher suas futuras arenas.

Em Polokwane, por exemplo, o estádio Peter Mokaba, capaz de receber 42.000 torcedores com todo o conforto, custou 1,4 bilhão de rands sul-africanos, o equivalente a 320 milhões de reais. No instante em que o árbitro apitou a última partida realizada ali, nascia um elefante branco no país. Não existe nenhuma previsão de uso do estádio. Os responsáveis pela arena devem abrir uma disputa pela cessão da arena. Não se sabe se já existe algum interessado. Em Bloemfontein, palco do jogaço de oitavas em que a Alemanha eliminou a Inglaterra, há alguns jogos de rúgbi na agenda, mas nenhuma previsão de uso frequente para eventos com grande público. E o mesmo deve acontecer com o Nelson Mandela Bay, o estádio onde o Brasil joga na sexta.

(Por Giancarlo Lepiani, de Port Elizabeth)

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    13 Comentários

    1. Alan Sam

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 11:55

      Vocês não acham que de certa forma isso seja também culpa da FIFA?
      A FIFA faturou 5B$ com a copa, e a Africa do Sul terá sorte igual?
      Acho que cada país que cedia a copa deve fazê-lo de acordo com as suas possibilidades, da mesma forma que aceitamos a hospitalidade dos amigos menos favorecidos quando os visitamos.

    2. Danielle

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 12:06

      Quanto dinheiro jogado fora em um continente onde pessoas morrem de fome todos os dias, praticar algum tipo de esporte é muito bom e saudável, mas o exagero nas finanças foi público e notório,o mesmo vai acontecer no Brasil pessoas morando na beira de rios poluídos e fedorentos, com a umidade invadindo suas casas, pessoas morrendo aos poucos nos corredores dos hospitais, escolas com uma educação precária e muitas vezes caindo aos pedaços;Não vejo graça em torcer por qualquer coisa que seja tendo que recuperar um país assim, sou contra que a Olimpíada seja aqui e a Copa também, me solidarizo com aqueles pobres que não têm o que comer, que pegam ônibus às 5:00 da manhã e chegam em casa às 20:00 da noite, para ganhar 500,00 por mês e que fosse 1.000,00 é pouco.Não fico feliz em ver um país tão lindo como o nosso se deteriorar desse jeito, políticos vão ganhar muito com esses mundias aqui, igual lá na África ou vocês acham que lá ninguém FURTOU um rands sequer?Antes de apoiar qualquer coisa grandiosa que o Brasil possa sediar, pense, será que o Brasil está preparado, será que já tenho tudo que preciso dentro e fora de casa, pagamos impostos, mas ainda assim pago uma escola caríssima para minha filha, plano de saúde porque tenho medo dela quebrar um braço e os hospitais não a atenderem.Brasil acorda!!!!!!!! A mesma energia que temos para torcer pelo Brasil na Copa e fazer paradas gays (nada contra aos gays pelo contrário) temos que ter para protestar, reclamam do Dunga com tanta propriedade, mas não fazem o mesmo com políticos.

    3. jose ribamar

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 13:46

      Daqui a 04 anos teremos no minimo cinco estadios nas mesmas condiçoes e com o dobro dos investimentos feitos na Africa do Sul.

    4. vagner

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 14:30

      realmente quem fatura mesmo com a Copa do Mundo é sempre a FIFA, os jogadores e empresários e as empreiteiras. Fora isso, sobra para o contribuinte pagar a conta. Mas pense bem, o Brasil é uma potencia mundial, sem problemas sociais, prá que essa preocupação? se a gente fosse iguais aos pobres europeus, a China e EUA poderiamos tentar protestar. Somos só alegria, com carnaval e futebol, pão e circo. Alguma nação desenvolvida precisa mais do que isso? Prá que investir em hospitais, educação, em transporte público, saneamento básico? Isso é coisa de terceiro mundo, coisa de país pobre. Eu heim…

    5. Gabriel Fonseca

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 14:34

      E aqui no Brasil o mesmo vai acontecer com os estádios em Cuiabá, Brasília e Manaus… Deviam ter escolhido sedes com alguma tradição no futebol, Goiânia e Belém teriam sido duas escolhas bem melhores.

    6. ELIO

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 14:43

      DANIELLE, FAÇO DE SUAS SABIAS PALAVRAS, AS MINHAS.
      QUERIA QUE 1/3 DA NOSSA POPULAÇÃO TIVESSE O EQUILIBIO E SENSSATES
      DE QUE VOCE POSSUI. TERIAMOS OUTRO PAIS.SOU TOTALMENTE A FAVOR DOS ESPORTES, INCLUSIVE SOU FÃ DE FUTEBOL. MAS REALEMNTE NÃO TEMOS CONDIÇÕES ECONOMICAS DE TRAZER UMA COPA DO MUNDO P/ CÁ.
      MAIS UMA VEZ PARABENS PELO SEU COMENTARIO CORAJOSO.

    7. Frederick

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 14:59

      Do jeito que as coisas no futebol estão indo, onde tudo fica cada vez mais caro para as pessoas comuns e o esporte se torna cada vez mais voltado para o marketing, no futuro será necessário construir uma ilha semelhante a Dubai no meio do oceano e somente lá, de quatro em quatro anos, seria realizado a Copa do Mundo.

    8. EVERSON

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 16:52

      ADORO FUTEBOL, SOU PALMEIRENSE FANATICO.
      POREM FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DA DANIELLE, PARABENS POR SEU FORTUITO COMENTARIO. INFELIZMENTE OS POBRES QUE NÃO TEM O QUE COMER E QUE MORAM A BEIRA DE CORREGOS POLUIDOS, SÃO OS QUE MAIS CONTRIBUEM PARA CONTINUAR ESSA POUCA VERGONHA CHAMADA POLITICA EM NOSSO PAIS, E COM CERTEZA OS MESMOS ESTARÃO NAS PRAÇAS, EM FRENTE AOS TELÕES EM 2014 PARA ASSISTIR E VIBRAR COM OS JOGOS.
      É UMA PENA, MAS É A REALIDADE!!!!!!!

    9. Thiago Motta

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 16:56

      o elefante branco não surgiu após o último apito de um jogo, mas quando a primeira picareta bateu no solo abrindo espaço para a construção do estádio, sabendo-se claramente que depois do evento ele não serviria para muita coisa.

      No Brasil ocorrerá o mesmo. E olha que aqui é a “terra do futebol”.

    10. Ronald Ferreira

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 16:59

      Vejo isso com muita tristeza. A África já enfrenta os problemas que enfrenta, devendo o que deve. Agora vai enfrentar os mesmo problemas devendo, sei lá, 10xs mais?
      Se um dos propósitos da FIFA é promover a parte social, acredito que deva ser feita uma breve correção nos planos. Tratar cada País, individualmente. Paises da Ásia, ok. Paises da Europa, ok. Alguns países da Améria, ok; África, nenhum.

    11. PAULO GILBERTO (PeGê) - PATOS

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 17:03

      Manda uns bichos desses p’ra cá, gente, pois até 2014 não conseguiremos produzir os nossos, não!

    12. jose ivano frezzarini

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 18:40

      Compartilho também da opinião da Danielle, o Brasil não comporta eventos de Copa do Mundo, Olimpíadas, em nada vai beneficiar nosso sofrido povo. Gostaria de ver as pessoas mobilizadas contra este estado de coisa a que estamos entregues, do mesmo modo que o fazem pela seleção. Vigiassem os políticos como fazem com o Dunga.

    13. Mauricio

      | quinta-feira, 1 de julho de 2010 | 18:56

      Concordo com o comentário sobre reclamarem do Dunga, mas deixarem nossos políticos ladrões a vontade. Essa copa de 2014 e a Olimpíada vão ser provas de fogo para o contr0ole da roubalheira.


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