PUBLICIDADE

As ‘paradinhas’ e o drama dos goleiros nos pênaltis

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010 | 14:57

neymar-6201

Além do gol espetacular de Robinho em sua reestreia no futebol brasileiro, o clássico de domingo entre Santos e São Paulo, em Barueri, foi marcado por outra molecagem de um dos meninos da Vila: a paradinha desconcertante de Neymar, 18 anos, que derrubou o campeoníssimo Rogério Ceni, de 37, no pênalti que abriu o placar (o Santos venceu por 2 a 1). O lance dificilmente seria validado no exterior, mas os árbitros brasileiros quase sempre deixam a jogada seguir. Para os goleiros, a paradinha dá requintes de crueldade ao duríssimo desafio de agarrar um pênalti. Em entrevista ao Blog da Copa, o goleiro Júlio César, melhor do mundo em sua posição atualmente, deu sua opinião:

Acho que o goleiro poderia ter a chance de se movimentar na hora do pênalti. O torcedor quer ver gol, então tudo é feito para complicar a vida do goleiro. Na hora do pênalti, o batedor tem 99% de chance de marcar, mas se o goleiro der um passo, sair um pouquinho, não deveria haver problema. E quando agarramos um pênalti, o juiz manda voltar por que deu um passo, uma coisa mínima. Os juízes estão muito rigorosos com isso. Por exemplo: o batedor pode dar uma paradinha, tudo bem. Então a gente poderia adiantar um passo…

E você, o que acha? Assista ao lance de Neymar no vídeo abaixo e dê sua opinião na enquete:

Você acha que a paradinha deve ser permitida na hora do pênalti?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

No Rio e em SP, maior tesouro do esporte mundial

sábado, 6 de fevereiro de 2010 | 14:50

pele-taca-620

Ela está entre nós. A Taça Fifa, maior objeto de desejo da modalidade esportiva mais praticada no planeta, chegou ao Brasil e foi apresentada neste sábado, no Rio de Janeiro. Para exibir o troféu da Copa, nenhum par de mãos poderia ser melhor: o rei Pelé ergueu o troféu. Três vezes campeão do mundo, o maior de todos, curiosamente, jamais levantou a taça que está no país - nas suas três conquistas, o ganhador da Copa erguia a Jules Rimet, conquistada em definitivo pelo Brasil em 1970 e roubada anos depois.

A cerimônia deste sábado foi fechada a convidados, mas os torcedores comuns poderão se aproximar da taça no domingo. O troféu ficará exposto no Forte de Copacabana, entre as 9 horas e o meio-dia. O local onde o troféu ficará tem capacidade para receber cerca de 10.000 pessoas, e conta ainda com exposições sobre a história das Copas e um cinema 3D. Na segunda, a Taça Fifa chega a Sâo Paulo; na terça, ela será exposta à torcida paulistana no Memorial da América Latina, no mesmo esquema que o do Rio. Se puder ir, não perca.

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

O escândalo derruba Terry e abala a seleção inglesa

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 16:05

Capello e Terry

Pelo segundo Mundial consecutivo, a seleção inglesa conseguirá a lamentável façanha de embarcar para a competição com um time fortíssimo, mas enfraquecida por problemas que nada têm a ver com bola. Em 2006, a Inglaterra disputou a Copa sob o comando de um técnico cuja saída já estava anunciada (Sven-Goran Eriksson) e com o desgaste provocado pela frustrada tentativa de contratar Felipão. Foi eliminada por Portugal, seleção comandada pelo próprio Scolari, logo nas quartas-de-final. Agora, o time apontado como um dos grandes favoritos à conquista da Copa-2010 é sacudido por um episódio bizarro - e, desde esta sexta, tem um novo capitão.

O caso do romance entre o zagueiro John Terry e a ex-mulher do lateral-esquerdo Wayne Bridge, tema de dezenas de reportagens nos tabloides britânicos na última semana, provocou a mudança. Terry se reuniu durante cerca de 15 minutos com o técnico Fabio Capello, no estádio de Wembley, e foi informado de que não será mais o capitão da equipe. O zagueiro Rio Ferdinand - que passa mais tempo no departamento médico do que no gramado, e que pode desfalcar o time na Copa se mantiver sua interminável série de contusões - é o substituto. “Minha decisão é a melhor para a seleção inglesa”, justificou Capello.

A troca de capitão, porém, está longe de ser uma solução para o abalo sofrido pelo selecionado inglês. A principal dúvida levantada pelo episódio ainda persiste: Terry e Bridge continuarão jogando juntos na equipe? O lateral, reserva de Ashley Cole, aceitará dividir ônibus, avião, refeitório e vestiário com seu antigo melhor amigo? Terry, casado, pai de dois filhos, terá moral para cobrar Bridge dentro de campo depois de engatar um romance com a ex de Bridge - e de oferecer dinheiro para a moça fazer um aborto? E os outros jogadores, ao lado de quem ficarão? Do ídolo Terry, antes adorado pelos torcedores e colegas, ou do esforçado Bridge, metido num escândalo sem ter qualquer culpa?

Em família, os antigos melhores amigos: Bridge (de verde), Terry, a ex de Bridge (de preto) e a mulher de Terry

Em família, os antigos melhores amigos: Bridge (de verde), Terry (com uma desuas filhas), a ex de Bridge (de casaco preto) e a mulher de Terry

O affair de Terry não poderia ter ocorrido em pior momento. Tudo parecia empurrar a Inglaterra para uma ótima campanha na África do Sul. O time tem jogadores extraordinários, como Lampard, Gerrard, Rooney e o próprio Terry. Depois de uma longa sequência de fracassos com técnicos pouco capazes, a seleção finalmente tinha engrenado sob o comando do pragmático Capello, italiano de notável conhecimento tático, famoso por ser craque em montar times eficazes e vencedores. Junto de Brasil e Espanha, era uma das favoritas disparadas à conquista da taça. O “English Team” agora tem quatro meses para juntar os cacos antes da viagem para a África.

Por Giancarlo Lepiani

Se você fosse o técnico Fabio Capello, o que faria depois do escândalo?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Trapalhões do apito estão confirmados no Mundial

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 16:00

juiz-cartoes

A Fifa anunciou nesta sexta-feira a lista definitiva de árbitros e auxiliares escalados para as partidas da Copa da África do Sul. São 30 juízes representando 28 países. Se a escolha dos nomes for um sinal definitivo da qualidade da arbitragem no Mundial, torcedores de todos os continentes já podem se preparar para arrancar os cabelos com erros grotescos dos homens do apito. A escalação da Fifa tem árbitros respeitados, como o suíço Massimo Busacca, o belga Frank De Bleeckere e o italiano Roberto Rosetti. Mas também tem alguns célebres trapalhões - a começar pelo brasileiro Carlos Eugênio Simon, que vai para sua terceira Copa mas nunca se livra das polêmicas e dos xingamentos proferidos pelos fãs das mais variadas agremiações do país. Outras figurinhas carimbadas são o paraguaio Carlos Amarilla, outro campeão de erros e rolos, e o sueco Martin Hansson - o homem que validou o gol ilegal que classificou a França para a Copa e deixou a Irlanda chupando o dedo. Não mudar o resultado da partida nem remarcar o jogo é compreensível - afinal, erros acontecem no futebol. Mas premiar o responsável por uma trapalhada histórica com uma passagem para a África do Sul já é demais…

Erros de Carlos Eugênio Simon

O gol ilegal validado por Martin Hansson

Por Giancarlo Lepiani

Leia também:

O erro escandaloso que deu a vaga à França

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Pato, o menino prodígio, merece ir à Copa de 2010?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010 | 7:31

alexandre-pato-selecao

Uma das maiores revelações do futebol brasileiro nos últimos anos, um jogador completo, sem bagagem nacional, e distante de uma vaga na disputa da Copa do Mundo de 2010, na África do Sul. Não é das tarefas mais difíceis descrever a breve carreira de Alexandre Pato, ídolo do Milan, da Itália.

O jogador, de apenas 20 anos, tem futebol para ir ao próximo Mundial. Mas uma série de lesões e certas ‘trapalhadas’ do técnico Leonardo o deixam longe da competição.

Na última semana, Pato por pouco não ficou de fora da segunda fase da Liga dos Campeões da Europa, principal competição do Velho Continente. Com uma lesão muscular há quase três meses, o jogador ainda não vestiu a camisa do clube rossoneri neste ano, o que provocou a sua exclusão da lista de jogadores feita por Leonardo. A conduta, no entanto, ampliou boatos de que o atleta estaria voltando ao Brasil para jogar no Internacional.

Um dia após a ‘trapalhada’ do técnico brasileiro, a comissão técnica do Milan decidiu colocá-lo novamente. Desta vez, no Milan B, de jovens atletas que têm mais de 36 meses de clube. Fato que o colocou em xeque.

Versátil, Pato mostra em números que tem boas chances de ir à África do Sul. Em 70 jogos com a camisa do Milan, foram 31 gols marcados. No Inter, sua média é ainda maior: seis em apenas dez partidas disputadas. A discussão, no caso, não é sobre seu futebol. É saber o espaço que ainda pode ser conquistado em uma equipe praticamente formada.

Dunga não esconde a preferência por Luís Fabiano, Adriano e Robinho no ataque da seleção. Com estes três nomes, sobraria uma única lacuna ofensiva, disputada por Pato, Ronaldo, Vágner Love e Nilmar. O ex-colorado, hoje no Villareal, da Espanha, é o mais próximo da lista de 23 jogadores.

Para Pato, resta reconstruir o bom trabalho que fez na temporada passada, o que lhe garantiu o prêmio de revelação do Campeonato Italiano. Futuro com a camisa da seleção brasileira já é algo certo. Mas, para a disputa deste Mundial, a situação não é das mais fáceis.

Por Rafael Sbarai

Foto: Nike Futebol.

Alexandre Pato merece ir à Copa de 2010?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Um balanço da Copa Africana de Nações

domingo, 31 de janeiro de 2010 | 19:33

egito-copa-africana

Fora da principal disputa esportiva do mundo no ano, a seleção egípcia confirmou neste domingo ser a maior força do futebol africano. Com autoridade e um time envolvente, os ‘Faraós’ venceram Gana por 1 a 0 e conquistaram o tricampeonato inédito da Copa Africana de Nações.

A competição, sob a sombra de uma guerra, não conseguiu apagar o trauma do atentado à equipe de Togo. Em campo, faltou criatividade de um continente que busca renascer no futebol. Sobrou experiência apenas aos egípcios, que faturam o sétimo título de sua história. Abaixo, um balanço da competição:

Surpresa
A Argélia protagonizou a maior surpresa. Após terminar em terceiro lugar em seu grupo, a equipe só garantiu vaga nas quartas-de-final da competição graças a uma combinação de resultados. De lá pra cá, ousou: surpreendeu ao derrotar Costa do Marfim, mas parou na eficiência ofensiva egípcia nas semifinais. De possível ‘saco de pancadas’, tornou-se em um mês uma referência africana no Mundial.

Decepções
A lista de decepções reúne duas equipes. Costa do Marfim e Camarões foram eliminadas precocemente nas quartas-de-final por equipes envolventes, de entrosamentos refinados, mas de certa forma limitadas. No último grande teste para a principal competição esportiva do mundo, fica o alerta aos dois atuais maiores nomes do continente: favoritismo não vence jogo.

Sensação
A maior ausência na disputa do primeiro Mundial em solo africano será o Egito. Um dos últimos times a dar trabalho ao Brasil, a seleção terminou a competição de forma invicta e com um futebol convincente que o creditaria facilmente entre as 32 seleções presentes na Copa do Mundo deste ano.

Foto: AFP

Por Rafael Sbarai

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Velhos conhecidos do Brasil decidem Copa Africana

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010 | 19:39

gana-copa-africana

A Copa Africana de Nações de 2010 – manchada pelo triste episódio com a seleção togolesa dias antes do início da competição - conheceu nesta quinta-feira seus dois finalistas. Gana e Egito derrotaram Nigéria e Argélia, respectivamente, e decidem no domingo, às 14h (horário de Brasília) o principal torneio do continente. Para o público brasileiro, fica o convite de assistir dois dos últimos personagens africanos derrotados pela seleção pentacampeã do mundo.

Gana chega à decisão após perder um único jogo no torneio – para Costa do Marfim, por 1 a 0. Apesar do revés, o time conta com uma confiança extra depois de suportar a pressão dos nigerianos nas semifinais e vencer o duelo por 1 a 0. Já o Egito, maior vencedor da Copa Africana de Nações, com seis conquistas, vem com um retrospecto de respeito. Fora da disputa do próximo mundial, a equipe venceu todos os jogos que disputou, até então, e não tomou conhecimento da Argélia, goleando o rival africano por 4 a 0 nesta quinta-feira.

Adversários no próximo domingo, Gana e Egito fazem parte da recente história da seleção brasileira de futebol na década. Enquanto a seleção ganesa ficou marcada na Copa do Mundo de 2006 ao perder com facilidade para o Brasil– por 3 a 0 – o que gerou discussões sobre manipulações de resultados, o Egito é lembrado como um dos adversários que mais complicaram o trabalho de Dunga no time. Na estréia das duas equipes na Copa das Confederações, em 2009, o Brasil derrotou o time africano por 4 a 3, depois de ser salvo com um pênalti polêmico nos minutos finais.

Foto: Reuters

Por Rafael Sbarai

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Os craques repatriados: ‘a volta dos que não foram’

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010 | 0:09

Robinho dando pedalada

O sucesso do retorno ao país de astros como Ronaldo, Fred e Adriano, no ano passado, provocou um efeito colateral perigoso neste início de temporada. Seduzidos pela chance de pegar um atalho na briga por uma vaga na Copa do Mundo da África do Sul, jogadores que temem ficar fora da lista de Dunga apostam suas últimas fichas na volta ao futebol brasileiro. E não escondem de ninguém: querem mesmo voltar à vitrine, ainda que às custas de um corte (temporário, é claro) no salário - e de uma saída pela porta dos fundos do primeiro escalão da bola.

O caso mais emblemático é o de Robinho. Reduzido à insignificância no futebol europeu - depois de fracassar no Real Madrid e virar mera opção de banco num time médio da Inglaterra, o Manchester City -, a antiga promessa santista dá pistas de que teme ser atropelado por Nilmar e Ronaldinho Gaúcho na briga pelas duas vagas de segundo atacante na convocação para o Mundial. A solução? Implorar para ser emprestado, amargar um prejuízo e enfim voltar ao único clube onde realmente jogou bola, o Santos. O negócio pode ser fechado ainda nesta semana.

Se Robinho ainda tenta sua liberação, o zagueiro Alex Silva já está de volta ao São Paulo. Presença frequente nas primeiras listas de Dunga, perdeu espaço depois de ser negociado com o Hamburgo, onde jamais se firmou. Agora está atrás de Miranda, também do São Paulo, e Thiago Silva, do Milan, na briga pela vaga de quarto zagueiro da seleção (Lúcio, Juan e Luisão estão quase garantidos). Ainda na fila para tentar voltar ao São Paulo está o lateral Cicinho, que mostrou um futebol apenas razoável no Real Madrid e agora está encostado na Roma.

Os casos dos repatriados levanta a dúvida: um retorno bem sucedido ao futebol brasileiro serve mesmo de parâmetro para mudar uma convocação para a Copa? A conclusão é inescapável: em quase todos os casos, não. Fracassar no futebol europeu, onde está a massacrante maioria dos jogadores que estarão no Mundial, significa não ter mostrado futebol compatível com o alto padrão de competição que marcará a disputa na África. Resta a esse tipo de jogador apelar e tomar proveito do nível técnico inferior dos campeonatos do Brasil. Que Dunga fique atento com esses retornos. Tentar arrumar uma vaga às pressas, dando uma ou outra pedalada num jogo de Paulistão, deve ser só mais um sinal de alerta para o técnico barrar quem não merece um lugar no avião para Johannesburgo.

Você convocaria um jogador que fracassou no futebol europeu e só fez sucesso em clubes brasileiros?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

O que vale é o momento ou o histórico na seleção?

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010 | 17:57

Luiz Felipe Scolari, técnico do Brasil, antes da Copa-2002

Na terça-feira, o Blog da Copa apresentou aos leitores a seguinte dúvida: é melhor levar Robinho ou Ronaldinho Gaúcho para o Mundial da África do Sul? O primeiro sempre foi titularíssimo no time de Dunga, mas vive uma fase de amargar. O segundo foi um dos símbolos do fracasso da equipe de medalhões que naufragou na Alemanha-2006, mas está jogando cada vez melhor. A escolha entre os dois resume um dilema comum dos treinadores. É comum para eles ficar entre a lealdade aos jogadores que seguraram a onda nas horas difíceis e o momento inspirado de outros que pouco apareceram até então.

Com pouco mais de quatro meses para a Copa da África, Dunga começa a se deparar com algumas dessas opções delicadas. O volante Felipe Mello é um bom exemplo. Em fase muito ruim na Juventus, chegou a ser eleito o pior jogador da Itália numa enquete da RAI. Mas sua trajetória na seleção é inquestionável. Desde que assumiu uma vaga no meio-campo, o time tornou-se mais seguro e consistente. Ele tem crédito para seguir no time ou é melhor buscar uma outra opção, como o jovem Denílson, titular do forte Arsenal londrino, ou Lucas, que finalmente parece ter engrenado no Liverpool?

Outro caso que chama atenção é o de Julio Baptista. Nas últimas temporadas, o meia-atacante não conseguiu se firmar de vez em nenhuma das grandes equipes europeias que defendeu. Muitos torcedores pedem a volta de Alex, do Fenerbahce, para a vaga de substituto de Kaká. Mas Julio é presença quase garantida em todas as listas de Dunga. Nesta quarta-feira, ele é destaque no site da Fifa. Em entrevista à página da entidade máxima do futebol mundial, o jogador da Roma disse: “Muitos jogadores tiveram oportunidades na seleção, e creio que aproveitei a minha”.

Na última conquista de Copa do Mundo pelo Brasil, em 2002, o técnico Luiz Felipe Scolari acertou em cheio ao apostar em jogadores sem muita fama mas em nítida ascensão na carreira. Foi assim que Kléberson e Gilberto Silva conquistaram suas vagas na equipe. Ao mesmo tempo, Felipão abriu mão de levar o meia Alex, seu homem de confiança no Palmeiras, que estava entre os cotados para a convocação. O chefe da “família Scolari”, portanto, preferiu o bom momento dos seus atletas do que a ligação histórica com antigos comandados. E você, o que faria no lugar de Dunga? Valorizaria o passado ou o presente na hora de montar a lista para a África do Sul?

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Robinho ou Ronaldinho? Lealdade ou momento?

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 | 14:28

ronaldinho_robinho1
Robinho não esconde de ninguém que sonha com o Barcelona e que, mesmo sendo a estrela do Manchester City, não está nem um pouco a fim de jogar bola. Como o City não aceita fazer negócio, o atacante parece estar fazendo a mesma coisa que já fez com o Santos e com o Real Madrid - o que entre os torcedores se costuma chamar de “corpo mole”. O técnico Roberto Mancini já desistiu dele. No sábado, Robinho mais uma vez ficou no banco – algo a que o brasileiro já está acostumado na Inglaterra. Mas a decepção foi maior. Robinho entrou em campo aos 9 minutos de jogo e ainda foi substituído no segundo tempo.

Agora pulamos para o domingo, ainda na Europa, para tratar de um craque que já conquistou tudo na vida - Copa do Mundo, Liga dos Campeões, títulos espanhóis – e se afundou nas baladas e na falta de motivação para praticar futebol. Foram quatro anos de decepções até Ronaldinho Gaúcho voltar a sorrir. A cada rodada do Campeonato Italiano fica mais claro que, em Milão, o craque brasileiro reencontrou o seu amor pelo futebol. Ronaldinho pede uma chance na seleção de Dunga - e já começa a merecer essa oportunidade.

Na ponta do lápis, enquanto o titular da seleção de Dunga mostra não estar jogando nada a cinco meses da Copa do Mundo - além de demonstrar nível zero de profissionalismo -, o “renegado” Ronaldinho faz três gols em um só jogo e colhe elogios e aplausos da imprensa esportiva europeia. Fica então uma questão. Dunga sempre deixou claro que ninguém jogaria na seleção brasileira apenas com o nome; que, para ser convocado, deveria mostrar vontade e futebol. Por outro lado, Dunga é leal a Robinho, que enfrentou dirigentes de clubes para atender às convocações do técnico brasileiro. Os dois estão jogando na mesma posição e cumprindo a mesma função em campo. Quem irá à África do Sul em junho?

Se você fosse Dunga, quem levaria para a Copa do Mundo?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Por André Pontes

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Maradona e a Copa do Mundo: como em um tango

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010 | 15:09

Maradona na África do Sul

Cercado pelo pandemônio de jornalistas, torcedores e curiosos que costuma o acompanhar por quase todas as partes do mundo, Diego Armando Maradona desembarcou nesta segunda-feira na África do Sul. O técnico da Argentina visitaria os locais escolhidos para acolher sua seleção durante o Mundial deste ano. Os argentinos deverão treinar nas instalações da Universidade de Pretória. Maradona ficará quatro dias no país - período durante o qual não quer nem ver jornalistas pela frente, conforme avisou logo de cara. Entrevistas, nem pensar.

O ex-craque também deverá visitar escolas e academias esportivas sul-africanas, além do estádio Soccer City, em Soweto, palco da final da Copa. É lá que Maradona pretende estar no dia 11 de julho, data da finalíssima do torneio. Contestado por uma torcida que o costuma chamar de “dios”, Diego, o técnico, está longe de ser unanimidade. Pelo contrário: muita gente em Buenos Aires aposta que ele cai antes mesmo do Mundial. A hipótese, entretanto, é improvável. Com apenas um ou dois amistosos até a estreia, haverá pouco tempo para Maradona deixar escapar a chance de voltar à África em junho.

Assim como Dunga, Diego tem uma chance extraordinária no próximo Mundial: pode se tornar o segundo homem da história a erguer a taça como capitão de seu país e como técnico do selecionado nacional (Beckenbauer é o único até agora). Comandante errático de um time sem padrão de jogo nem escalação conhecida, Maradona tenta juntar os cacos da terrível campanha das Eliminatórias para chegar à África em condições de surpreender - afinal, por incrível que pareça, hoje uma vitória da Argentina pode sim ser chamada de surpresa.

Se conseguir se reencontrar com a taça que embalou com carinho no México-1986, Maradona terá escrito mais um verso do sensacional tango que conta sua relação explosiva com a Copa do Mundo. Começou sendo desprezado por Menotti, em 1978 - tinha só 17 anos e foi barrado pelo técnico, que temia a pressão insuportável de ter que conquistar um título inédito jogando em casa. Veio 1982, e outra decepção: a Argentina eliminada, com Maradona - que a essa altura já era o Maradona craque, consagrado, astro mundial - expulso ao dar um pontapé em Batista na partida contra o Brasil.

No México-1986, Diego Armando Maradona transformou as decepções acumuladas na busca pela Taça Fifa num inflamado caso de amor. Ele não só levou uma medíocre Argentina à conquista do bicampeonato como também se eternizou na história dos Mundiais como o autor do gol mais bonito de todas as edições do torneio (no vídeo acima). Em 1990 e 1994, porém, novos dramas. Na Itália, um Maradona prejudicado por uma lesão levou a Argentina à decisão na marra. Foi só vice. E em 1994 surgiu a mancha indelével do escândalo de doping, que encerrou sua carreira como jogador de Mundiais. O próximo capítulo dessa saga, a ser escrito nos gramados africanos, é desde já uma das grandes histórias da próxima Copa do Mundo.

Na sua opinião, como será a Copa de 2010 para Diego Maradona?

Ver Resultado

Loading ... Loading ...

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Luís Fabiano: “Mudei meu estilo de jogar na marra”

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010 | 5:37

Luis Fabiano comemora gol contra a Itália na Copa das Confederações 2010
Depois de três anos e quatro meses, em novembro de 2007 Luís Fabiano voltou à seleção brasileira na partida contra o Peru, em Lima, válida pelas eliminatórias. Ele substituiu Vagner Love na metade do segundo tempo e o jogo terminou em 1 a 1. No jogo seguinte, no Morumbi, contra o Uruguai, Fabiano entrou como titular e marcou os dois gols que garantiram a vitória do Brasil por 2 a 1 de virada. Foi o bastante para ser ovacionado pela torcida e praticamente garantir seu lugar no grupo.

Artilheiro da seleção sob a gestão Dunga – 19 gols, segundo levantamento da CBF –, Luís Fabiano, 29 anos, diz nesta entrevista que está em seu melhor momento, e que mudou seu estilo de jogo, pois agora busca mais as jogadas e até faz assistência aos companheiros de Sevilha – tudo por força do estilo de jogo europeu, mais rápido e mais fechado. Fala ainda que quer jogar numa grande equipe europeia e sonha em voltar a defender o São Paulo.

Você não quis ir para o Milan no ano passado?
Vários clubes fizeram ofertas. Cerca de cinco meses atrás, o Milan fez uma proposta para o Sevilha, mas o clube não aceitou porque achou baixa.

Mas você pensa em mudar?
Olha, jogar num grande clube sempre foi meu maior objetivo e nestes últimos anos estive muito perto disso. Não aconteceu ainda por circunstâncias de contrato, mas acredito que quando meu contrato estiver vencendo – vai até junho de 2011 – e se eu for convocado para a Copa e jogar bem, acredito que vão aparecer novas oportunidades.

Depois de passar por Portugal e Espanha seu estilo de jogo mudou muito?
Mudou. O Luis Fabiano que jogava no São Paulo mudou totalmente. Aprendi a marcar, a voltar mais para buscar jogo. Estou passando por uma nova experiência na minha carreira que é dar assistência para os companheiros - no fim do ano tinha seis assistência em 15 jogos. Isso acontece porque volto muito, saio da área para jogar. Não estava acostumado a fazer isso no Brasil, aprendi aqui na Europa. Aqui tem de ser um jogador mais dinâmico porque não tem muito espaço, o jogo é muito rápido. Tudo isso tive de aprender na marra.

O que aconteceu na sua passagem pelo Porto?
Nada deu certo lá, mas agora sei que tive grande culpa porque não tentei lutar contra as dificuldades que tive. Eu só pensava em sair, não quis permanecer e dar a volta por cima, como aconteceu aqui no Sevilha. Não dá para procurar desculpa, o erro foi meu, e ainda tive problemas como o seqüestro da minha mãe, lesões. De toda a forma eu não estava com a mesma cabeça boa de quando cheguei aqui no Sevilha.

E agora você anda mais calmo dentro de campo…
Muito mais (risos). Claro que não se perde totalmente a maneira de ser, a personalidade, mas a gente aprende a lidar com certas situações. Eu aprendi bem e sei lidar com isso. Se rola confusão eu naturalmente saio, tenho outra maneira de agir. Antes estourava e fazia tudo que vinha na cabeça, era um grande erro.
Em época de convocação ainda rola aflição, dúvida?
Com certeza, todo mundo só acredita vendo. Sempre quando tem convocação fico atento. Lógico que o momento é favorável, mas todo mundo fica tenso, todos ficam na expectativa.

Treino da seleçãoQual jogo foi mais emocionante: a estreia na seleção ou a partida contra o Uruguai no Morumbi nas eliminatórias, quando você fez os dois gols?
Olha, o sentimento foi o mesmo, com pequenas diferenças. A estreia com a camisa da seleção não dá para esquecer, e considero o jogo contra o Uruguai minha reestreia. Foi um jogo muito especial: jogar no Morumbi com a camisa da seleção depois de muito tempo, reencontrar o torcedor de São Paulo, e ainda fazer os dois gols… foi um sonho. Eu nem sabia que seria titular naquela noite, foi surpresa, e acabei dando a vitória depois de um jogo muito difícil, muito sofrido.

Você ouvia a torcida gritar seu nome no Morumbi?
Sim. Já quando entrei em campo a torcida começou a gritar. Fiquei emocionado porque havia muitas estrelas, como o Ronaldinho, o Kaká, o Robinho. A torcida gritando… foi uma emoção muito grande, e graças a Deus consegui retribuir fazendo os gols.

Qual foi o seu momento mais emocionante na seleção?
Foi na Copa das Confederações na África do Sul, no jogo final contra os Estados Unidos, pelo jeito que vencemos. Foi um jogo sofrido, e conseguir a virada no resultado da maneira que conseguimos – começamos perdendo de 2 a 0 e vencemos por 3 a 2. E ser segundo melhor jogador da competição e artilheiro então, foi muita coisa.

Qual o ponto forte da seleção brasileira?
Acho que hoje é um grupo que tem um só pensamento, todos têm o mesmo objetivo. Um grupo vencedor começa por aí, pela união. O que é muito importante porque qualidade os brasileiros sempre tiveram, há jogadores que podem definir uma partida. Juntas, as duas coisas deixam a equipe brasileira mais forte ainda.

O que você acha do grupo do Brasil?
Difícil, já joguei contra Portugal, é um time muito forte. E conheço alguns jogadores da Costa do Marfim. Não vai ser fácil.

Quem está praticando um bom futebol na Europa no momento?
A Espanha é a seleção que está jogando melhor e tem jogadores que estão num ótimo momento.

Quem você acha que pode se destacar na Copa?
Iniesta ou Xavi (ambos do Barcelona) podem ser destaques, porque estão em momentos excepcionais tecnicamente.

Você ainda é pontepretano?
São-paulino e pontepretano, isso é para sempre

E pensa em voltar a jogar no Brasil?
É uma coisa que sempre tive na cabeça, e quero voltar em bom nível. E tenho como minha primeira opção voltar ao São Paulo.

Por Silvio Nascimento

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Copa Africana: além de tragédia também tem bola…

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010 | 8:18

Angola x Mali (Foto: AFP)

A edição 2010 da Copa Africana de Nações já está inevitavelmente eternizada como o torneio que começou com uma saraivada de tiros de metralhadora, um ônibus cheio de jogadores apavorados, três cadáveres estendidos ao chão e uma interminável confusão em torno da participação ou não da seleção de Togo, alvo do ataque ocorrido na última sexta-feira - no domingo, a delegação voltou para casa; ainda se cogita o retorno do time no decorrer da competição.

No fim de semana, porém, não houve apenas discussões e articulações políticas para tentar manter Togo na disputa. Teve também futebol - não de altíssimo nível, vale dizer, mas com fortes emoções e uma grande surpresa. A seleção da casa, Angola, abriu a copa enfrentando Mali, no estádio 11 de Novembro, em Luanda. Diante de seis chefes de estado, incluindo o sul-africano Jacob Zuma e o congolês Joseph Kabila, os donos da casa foram do céu ao inferno em só 11 minutos.

Depois de muita festa e fogos na cerimônia de abertura, o time da casa incendiou os 50.000 torcedores amontoados nas arquibancadas abrindo uma vantagem extraordinária de 4 a 0. No fim do segundo tempo, muitos angolanos já deixavam o estádio, embriagados de alegria com o massacre de sua seleção contra Mali. Foi quando o time visitante protagonizou um verdadeiro milagre, marcando quatro gols - média de um a cada dois minutos - e empatando o jogo (veja no vídeo).

Nesta segunda, a tabela da competição previa duas partidas. Uma delas, envolvendo um time classificado para a Copa do Mundo da África do Sul, não vai acontecer: Gana jogaria contra Togo, em Cabinda, mas a partida está cancelada por causa da retirada da delegação atacada na sexta. O outro jogo do dia, também em Cabinda, é de grande interesse para os brasileiros. Costa do Marfim, nossa segunda adversária no Mundial, pega Burkina Faso (às 14 horas em Brasília).

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Tragédia mancha de sangue a (outra) copa africana

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 | 18:11

A seleção de Togo (Foto: Reuters)

O ano mais importante da história do futebol africano começou com um episódio que ilustra um fantasma que não para de assombrar o continente: a violência. Um ataque terrorista praticado por guerrilheiros rebeldes na fronteira entre Congo e Angola atingiu o ônibus que levava a delegação do Togo, a caminho da disputa da Copa Africana de Nações, o equivalente local da Copa América e da Eurocopa. Pelo menos uma pessoa - o motorista angolano do ônibus - morreu no atentado. E três jogadores, incluindo um que joga no Monaco, ficaram gravemente feridos. Adebayor, do Manchester City, principal jogador da equipe, escapou ileso.

O pano de fundo da tragédia é um problema tristemente corriqueiro na África - uma disputa política. Os rebeldes são da província de Cabinda. Rica em petróleo, a região tem rebeldes armados que tentam conquistar a independência. Cabinda receberá o jogo de abertura do grupo B, na segunda-feira. O atacante Thomas Dossevi, do Nantes, deu seu relato do ataque: “Fomos metralhados como cachorros. Metralhados! Não sei o motivo. Tivemos que ficar escondidos sob as poltronas por 20 minutos para fugir das balas.” Na versão dos organizadores do torneio, não houve ataque terrorista, mas sim um “assalto”. Falta explicar o motivo do bando ter metralhado o ônibus sem tentar levar nada de dentro dele.

A expectativa pelo inicio da Copa Africana de Nações, no domingo, era grande até a tragédia desta sexta-feira. Seria sua versão mais importante - a poucos meses da primeira Copa do Mundo disputada em solo africano, o torneio reunirá as grandes forças do continente, como a Costa do Marfim, que está no grupo do Brasil. Agora, há dúvidas sobre a participação de Togo na competição. “Ninguém quer mais jogar”, disse o meia Alaixys Romao, do Grenoble. “Estamos pensando mesmo é na saúde dos nossos feridos, pois havia muito sangue no chão.” Sangue que mancha, a dois dias da abertura, a grande festa do futebol na África.

Por Giancarlo Lepiani

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post

Gilberto Silva, o ‘operário’: ‘Um passo por vez’

terça-feira, 29 de dezembro de 2009 | 6:18

Gilberto Silva na partida contra a França na Copa de 2006 (Alexandre Battibugli)
Gilberto Silva virou jogador profissional depois de difíceis decisões: parou de jogar entre os 16 e 19 anos para ajudar a família na cidade natal de Lagoa da Prata (MG) trabalhando em várias funções dentro da fábrica de doces e leite em pó – com salário pouco maior que o mínimo. Assim que a situação na família melhorou, decidiu se dar mais uma chance de ser jogador, mesmo com 19 anos. Treinou sozinho, técnica e fisicamente, e conseguiu uma vaga no América (MG), onde jogou entre 1997 e 1999. Passou pelo Atlético Mineiro (de 2000 a 2002) e Arsenal (Inglaterra), de 2002 a 2008, e defende o Panathinaikos (Grécia), com contrato até metade de 2011.

Considerado como certo para integrar o time de Dunga para ir à Copa de 2010, é um dos ‘operários’ da bola que ganhou a confiança do técnico - e garante que aprendeu a viver com as críticas. Aos 33 anos, foi campeão mundial em 2002, titular em 2006 na Copa da Alemanha, e venceu a Copa das Confederações em 2005 e 2009. Tem 107 convocações e é um dos dois que mais disputaram partidas pela seleção do grupo chamado por Dunga com mais frequência – ele e Lúcio já atuaram em 90 partidas. Jeito simples e fala mansa, deu esta entrevista direto da Grécia:

Quem eram seus ídolos no futebol?
Não vi muito, mas gostava do Zico, Reinaldo, Cerezo. E o Baresi do Milan.

Como foi sua chegada à seleção?
Fui convocado para os dois últimos jogos da eliminatória em 2001, contra Bolívia e Venezuela. Meu primeiro jogo foi contra a Bolívia, em La Paz, entrei no segundo tempo, o jogo foi difícil, perdemos por 3 a 1. e vencemos a Venezuela. Foi um período importante porque o Luis Felipe Scolari queria testar vários jogadores que atuavam no Brasil logo depois em amistosos. Então fizemos uma série de partidas em que estavam eu, Emerson, Kaká, Anderson Polga. Ele queria conhecer bem os jogadores mais jovens.

E daí se tornou titular em 2002 com a lesão do Emerson.
Eu não esperava ser o escolhido pelo Felipão. Foi uma baixa grande, do capitão, jogador de muita confiança, ele se machucou durante os treinos. Na véspera do primeiro jogo, eu estava no meu quarto quando Felipão e o Murtosa me disseram que eu ia começar o jogo como titular, fiquei sem falar, mas eles me deixaram tranquilo, disseram que se eu fizesse o que estava acostumado no Atlético já estariam satisfeitos.

Gilberto em treino na Granja ComaryDepois de oito anos na seleção você ainda recebe críticas.
Temos de nos preparar para toda situação, principalmente na seleção. A cobrança é grande. Sempre tem quem ache que alguém que ficou de fora é melhor do que quem está lá. Isso é normal. Mas o momento mais difícil foi o período que joguei menos no Arsenal, na minha última temporada. Tanto que mudei de clube porque tinha objetivos com a seleção brasileira.

Você era titular na Seleção e reserva no Arsenal.
Era muito estranho até para o pessoal de dentro do Arsenal. Não entendi a postura do treinador,  Arsene Wenger. Tinha acabado de ser campeão da Copa América, era capitão da seleção, e quando cheguei perdi a posição de titular, sendo que era cotado para ser capitão do Arsenal. Foi isso que me fez sair. Sabia que se não jogasse seria difícil continuar voltando ao grupo da seleção. E mesmo um pouco sem ritmo, tive a confiança do Dunga e da comissão.

Mas sempre tem críticas
Então, há pessoas que esquecem o que fizemos, o sacrifício para defender o pais. Algumas pessoas não entendem isso, talvez por bairrismo, não sei. Às vezes uma critica toma outro rumo, mas nunca deixei que isso me afetasse, minha resposta vem de dentro do campo.

Quando decidiu sair do Arsenal teve muitas propostas?
Sim, do Atlético para voltar, mas queria ficar na Europa. Também recebi contato de clubes da Alemanha, Inglaterra, Holanda. Mas quem me ofereceu as melhores condições foi o Panathinaikos. O clube é bom, o país também, joguei a Champions League… Foi um risco mas está dando certo. E o contrato até 2011 foi fundamental, porque as outras equipes queriam no máximo dois anos.

Que país está jogando bem neste momento na Europa?
A Espanha está bem e a Inglaterra é uma equipe forte. Mas em Copa tudo é diferente: pode chegar bem e cair, ou chegar caindo e ir bem à frente.  

E o Brasil?
Montamos um grupo muito bom e hoje estamos sabendo jogar com objetivo. Tanto que os resultados vieram. Claro que temos chance, mas estamos conscientes que é preciso viver um dia de cada vez, teremos dificuldades, todos querem nos vencer, cada jogo é uma final. Por isso pensamos em um passo de cada vez.

Como é o trabalho com o Dunga?
A experiência dele como jogador de seleção deu a tranquilidade para montar o grupo aos poucos. E não foi fácil porque a partir de 2006 vieram muitas críticas. Ele é simples, direto na forma de lidar com cada um no grupo, novos e mais velhos, e cobra quando tem de cobrar. Sabe dosar e é bem objetivo. A parceria com Jorginho é muito bacana, porque eles têm estilos diferentes e esta união tem dado certo.

Por Silvio Nascimento

COMPARTILHE
Digg StumbleUpon del.icio.us Twitter
ENVIE
Email This Post