
O zagueiro do Benfica Anderson Luís da Silva, o Luisão, 29 anos, paulista de Amparo, é o irmão mais velho de outros dois zagueiros: Alex Silva, 24 anos, que retornou ao São Paulo em janeiro, e Andrei Silva, 18 anos, junior do Benfica, com contrato recém-assinado por cinco anos. Luisão já frequenta a seleção desde 2000, quando foi chamado, aos 19 anos, para substituir Mauro Silva, machucado, para a Copa América.
Praticamente garantido no grupo que vai à África do Sul, Luisão está em Portugal desde 2003, tem contrato até 2011, mas não faz qualquer plano para deixar Lisboa. Já sonhou em ser capitão da seleção brasileira, mas sabe que é difícil. E como sonhar não tem custo, também já imaginou como seria jogar ao lado dos irmãos mais novos – esteve uma vez na mesma convocação com Alex.
Luisão sofreu muito quando chegou a Portugal, pensou em voltar, mas se sentiria derrotado e encarou a “missão”. Seu melhor momento na carreira foi a sequência de oito jogos na seleção - entrou como titular durante a Copa das Confederações em 2009 - e nas quatro últimas partidas das Eliminatórias. Agora é ter fé e esperar a convocação definitiva de Dunga.
Por que o início em Portugal foi difícil?
Nos primeiros meses, as críticas foram muito fortes. Eu me machucava muito e o treinador José Antonio Camacho pedia para eu jogar. Eu voltava sem estar em condições. O time perdia e a culpa era minha.
Você pensou em voltar ao Brasil?
Pensei. Não cheguei a falar com ninguém no clube, mas conversei com minha família. Eles me deram uma grande força e me desafiaram a superar as dificuldades. Eu não podia voltar com o sentimeneto de derrotado. Agora sim, depois de quase sete anos, estou feliz de ter ficado.
Portugal pode ser uma boa porta para o futebol europeu?
O campeonato é muito duro, difícil, é um tipo de futebol de muito contato. Isso já prepara você para enfrentar qualquer outro campeonato na Europa, seja na Espanha, França, ou Itália, por exemplo.
Em Portugal há visibilidade necessária para ser convocado?
Claro, sou convocado desde 2003 jogando no Benfica. O futebol aparece sim, como em qualquer outro país da Europa. Isso também nunca me preocupou, porque a seleção tem um trabalho sério para acompanhar os jogadores. O Dunga está atento, já foram convocados jogadores que estavam na Rússia, por exemplo. Eles acompanham de perto.
Há mudança de posição na seleção em relação à que você joga no Benfica?
Na seleção, ao lado do Lucio, jogo pelo lado esquerdo e no Benfica jogo no lado direito, mas isso não é problema, não faz muita diferença.
E jogar ao lado dele?
É fácil, nem precisa falar muito. Tanto ele como o Juan de parceiro é muito fácil. Basta ver o que eles jogaram em 2006.
Qual o ponto forte da seleção brasileira na sua visão?
Bem, a qualidade de futebol acho que é indiscutível. Agora, uma coisa que sempre foi cobrada é que os jogadores deveriam ter dedicação à seleção, se entregarem. Creio que esse grupo jamais deixou dúvida sobre isso. Todos estão determinados, e uma prova é que o torcedor hoje gosta de ver jogo da seleção, sabem que todos estão se empenhando ao máximo.
Qual foi seu melhor momento na carreira?
Foi a sequência de oito jogos com a seleção. Entrei na equipe infelizmente pela lesão do Juan, mas fiquei feliz em conseguir jogar na Copa das Confederações e nas Eliminatórias para me firmar.
Você já foi capitão da seleção…
Sim, durante um jogo inteiro, contra o Paraguai, na Copa América, acho que em 2004.
Ainda sonha em ser de novo?
Realmente seria sonho, porque na realidade está bem distante. Já pensei nisso, imaginei, mas tenho de conquistar outras coisas antes. Quero estar no grupo que vai à Copa, gostaria de jogar na África e finalmente ser campeão.
Você lembra de sua primeira convocação?
Foi na Copa América, na Colômbia, em que Mauro Silva não foi e o Felipão me convocou com 19 anos. Eu soube durante um treino no Cruzeiro e quando me avisaram minhas pernas tremeram. É uma emoção tremenda, só de fazer parte da seleção já vale o sacrifício de ser jogador. Afinal são apenas 22 no mundo que integram uma seleção. E mesmo agora que já fui convocado várias sempre rola uma expectativa na hora de saber quem o Dunga vai chamar, não dá para evitar.
Você já pensou em jogar mais à frente, mais para o meio campo?
Ah, não, não tenho a menor vontade.Quando eu era mais novo até arriscava a jogar algumas vezes como volante, mas tenho convicção de que sou um zagueiro e pronto, eu gosto de ficar ali, não vejo outra posição. Deu certo até agora, não há por que mudar.
O Brasil joga contra Portugal na primeira fase. Como está a seleção portuguesa?
Individualmente os jogadores são de muita qualidade, mas acho que falta um pouco de entrosamento, conjunto. Além do Cristiano Ronaldo há jogadores muito perigosos, como o Nani e o Liedson, os quais nunca se pode dar chance de armar jogadas.
Por Silvio Nascimento