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Sexo

09/09/2011

às 15:01 \ Relacionamentos

Amanhã será tarde

Tenho 30 anos e sou solteira. Estudei por esforço próprio e trabalho há 14 anos com RH. Não escolhi essa profissão por querer, e sim por ter sido criada com o estritamente necessário para viver. Isso me magoa, pois meu pai sempre teve condições financeiras de dar mais do que o básico para mim e para minha mãe. Portanto não devo nada a ninguém. Descobri, há dois anos, que gosto de trabalhar com fotografia e estou estudando para mudar de profissão. Afetivamente, sou sozinha. Todo mundo que conheço tem algum tipo de laço afetivo. O máximo que tenho é um relacionamento não afetivo com uma pessoa que só quer sexo e já deixou claro que é só isso.

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Por Betty Milan

04/03/2011

às 14:48 \ Casamento

Esparrela

Tenho 30 anos e há três terminei um namoro longo de forma traumática. Amava muito meu namorado, mas tive de me separar. Depois, perdi minha mãe e um irmão em um acidente de carro. Há dois anos e meio, estou com um homem de 45. Até seis meses atrás, ele era casado e nosso relacionamento era secreto. Ele se separou para ficar comigo. Fez isso sem contar para a família.

Quando nos conhecemos, tinha cuidados especiais comigo. O sexo era inacreditável. Não podíamos nos olhar de tanto tesão. Cheguei a pensar que o amava. Hoje, não sei mais. Ele é experiente, charmoso e do tipo galanteador. Sexo para ele é tudo. Sempre teve muitas amantes. Conhecia mulheres pela internet e saía com as que “considerava seguras”. Parou quando me conheceu, dizendo que não sentia mais necessidade de procurar fora. Embora ele fosse casado e eu solteira, juramos fidelidade. Só que eu descobri duas possíveis traições, que ele negou. Passei então a ficar com outros.

Há um ano, a relação mudou, não sinto mais o antigo tesão. Acho normal. Já ele não acha. Se ficamos um dia sem transar, fecha a cara e diz que nossa relação não está bem. Para ele, sexo é o medidor. Diz que não tem outros relacionamentos e é preciso que eu o satisfaça. Quanto mais ele me cobra, mais eu me afasto. A relação está um inferno. Sinto falta de amar alguém, como amei meu ex-namorado: desejar, rir, viajar… ser feliz. Ao mesmo tempo, não quero ficar sozinha, pois é muito difícil encontrar um homem que queira algo sério. Hoje, os homens só querem sexo. Pelo menos comigo.

Você caiu na esparrela de um libertino, um homem para quem sexo é tudo, pensando que iria viver o amor. Também ele se enganou. Por isso, jurou fidelidade, que é um requisito do amor e não do sexo. Ele se enganou ou mentiu para seduzi-la — como Don Juan, que simulava amar para vencer a resistência das mulheres e conseguir o que realmente interessava, o gozo.
Enquanto seu amante era casado e podia perdê-la, tinha cuidados especiais. Agora que se separou e está supostamente só com você, exige satisfação sexual contínua. Não dá a você a liberdade de desejar. Tornou-se um tirano.

O sexo obrigatório é péssimo. Por que você está na sua posição? Por confundir sexo com amor? Por imaginar que não está só quando, na verdade, não tem um companheiro e sim um parceiro sexual constante, além dos outros com quem fica?

As generalizações do tipo “os homens só querem sexo” são encobridoras da verdade, além de perniciosas. Bom seria você se perguntar o que quer dos homens e por que eles só querem sexo com você. O consultório do analista é o lugar adequado para isso. Você hoje pode tirar um melhor partido do divã do que da cama.

Por Betty Milan

18/05/2010

às 19:02 \ Casamento, Sexo

Desencontros

Tenho 43 anos, sou casada há 20 e tenho dois  filhos pré-adolescentes. Meu marido sofre de ejaculação precoce e está ficando muito difícil manter o casamento, pois sinto necessidade de um prazer que está além dos amassos e da masturbação. A minha atração por ele se esvaiu. Já tentamos vários tratamentos (psicológicos e medicamentosos) e atualmente fazemos terapia de casal há um ano, mas não houve progresso. Meu marido insiste em “namorar”, procurando me recompensar com carícias sexuais às quais o meu corpo não reage. Quando a ejaculação não ocorre no período das carícias, acontece nos primeiros movimentos e isso me frustra demais. Ao conversarmos sobre o assunto, ele me diz que estou “focando” somente no sexo e é preciso “aproveitar” o que acontece. Ainda não consegui fazê-lo escutar que eu quero uma vida sexual saudável e não um prazer alucinado. Em alguns momentos fico muito irritada, pensando que só sirvo para validar o sucesso dele. Noutras, me digo que sou egoísta por querer me realizar sexualmente. Já disse que ele não faz de mim a sua mulher e eu sou somente a mãe dos filhos dele. Não sei se devo me conformar ou se há alguma saída.

Eu me pergunto por que você está na sua situação. Por ter o gozo da insatisfação ou por acreditar piamente na necessidade do casal, ou seja, por não conceber a separação?

Por outro lado, a ejaculação precoce é uma limitação, mas não é forçosamente um empecilho. A felicidade depende menos do desempenho sexual do que do encontro sexual dos amantes. E este pode inclusive excluir a penetração, como no ritual do asag, um ritual da Idade Media durante o qual o amante estava autorizado a fazer todas as carícias na sua amada, porém devia renunciar à penetração para provar que amava verdadeiramente.

Sei que o seu marido não é um trovador e você não é uma dama antiga, porém também sei, pelo seu e-mail, que ele a deixa alucinada e não a satisfaz. Que ele não a escuta. Ora, quem ama sabe contentar o amado, descobre uma maneira porque sabe escutar.

Já fizeram vários tratamentos e não há progresso. Você continua batendo na mesma tecla da vida sexual saudável e ele continua surdo. A experiência do casamento você já teve. Que tal ousar a separação para talvez encontrar um amor? Ou, mais simplesmente, ousar a transformação que é a base da vida?

Por Betty Milan

12/05/2010

às 16:51 \ Sexo

Só sexo

Tenho 25 anos. Minha vida sempre foi normal, cursei a universidade, consegui um bom trabalho e cresci intelectualmente. Tive bons namorados, mas de uns tempos pra cá as coisas estão mudando. Só me interesso por rapazes que nada têm a ver comigo. No começo, fantasio coisas boas. Depois, percebo que só querem sexo e os satisfaço. Sou uma fonte para eles. O problema é que eu busco o carinho nessas relações e não encontro. Saio, sou paquerada, mas não tenho vontade de ficar com ninguém. Volto para os antigos, com quem faço sexo sem compromisso e sem a necessidade de conquista. Isso já dura dois anos e eu não consigo mudar essa situação. Acho que só tenho sexo a oferecer e receber!!! Não consigo me abrir de nenhuma outra maneira para as pessoas. Me ajude.

A sua história me fez pensar na de Catherine Millet, cujo livro foi um grande sucesso. Nele, a autora conta que fez do sexo um refúgio para evitar olhares que a envergonhavam e diálogos para os quais não estava preparada. Diz que respondia a qualquer proposta e estava sempre disponível, “por todas as aberturas do corpo e em toda a extensão da consciência”. Cita no livro comentários de parceiros que eu reproduzo para clarificar a experiência dela:

- “Você nunca dizia não, não recusava nada.”

- “Você não era inerte, mas tampouco demonstrativa.”

- “Você fazia as coisas com naturalidade, nem reticente e nem obcecada.”

- “Na orgia, você era sempre a primeira a começar, estava sempre na proa…”

Como você, Catherine Millet  poderia dizer que só tem sexo a oferecer e receber, mas ela não usaria três exclamações no final da frase. Viveu a experiência dela com naturalidade por ter se reconhecido na cultura libertina francesa e ser uma heroína da libertinagem antes de ter se tornado uma heroína da literatura.

Acho que você usa as exclamações por dois motivos. Primeiro, porque nós não temos a cultura da libertinagem e a sua experiência te escandaliza. Segundo, porque a relação só de sexo não é o que você quer. Mas, se é como objeto sexual que você se apresenta e estabelece a relação, esta obviamente só pode se limitar a sexo.

Para sair da situação em que você se encontra, precisa descobrir por que só pode se apresentar como objeto do gozo alheio e não como quem deseja ser amada. Nessa posição, você precisaria oferecer a sua falta e teria que abrir mão do narcisismo.

Por Betty Milan

04/05/2010

às 19:31 \ Casamento, Relacionamentos, Sexo

Como foi e como é

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Tenho 28 anos, sou casada, sem filhos. O que me traz aqui é uma dúvida cruel. Conheço meu marido há quase cinco anos e estou casada há dois. No início do namoro, éramos insaciáveis na cama. Não podíamos ficar a sós que já estávamos transando. Casamos e, depois disso, tudo mudou. É uma vez por semana, ou pior, a cada 15 dias. Já passamos até um mês sem nada. Eu o amo e sei que ele me ama, mas não sei o que está acontecendo. Às vezes tenho vontade de procurá-lo, porém fico meio sem graça. O problema é que a abstinência me faz lembrar de parceiros antigos e eu inclusive me pergunto onde posso achá-los para remoçar. Sei que meu marido não merece ser traído, ele é muito bom. Sei que ele não tem outra porque já investiguei. O que eu faço?

O que me chamou a atenção no seu e-mail foi o “procurá-lo”. Usualmente se emprega o verbo procurar para o ato de tomar a iniciativa sexual e ninguém estranha. O verbo, porém, ao dizer bem que um procura e o outro é procurado, indica duas posições subjetivas diferentes. Quem procura está numa posição menos cômoda e narcisisticamente menos satisfatória do que o indivíduo procurado. Tradicionalmente, esta segunda posição é a da mulher, que deve pairar indiferente no pedestal do qual ela só desce por amor. Será que você é presa a uma tradição que obriga a mulher a esperar? Que tira a sua iniciativa desvalorizando o desejo dela? Uma tradição que, num certo sentido, condena à traição porque só deixa a opção da fantasia.

O melhor seria você procurar o marido para falar de vocês dois, de como era, de como é e de como você gostaria que fosse. Se você o ama, sabe como se dirigir a ele porque o amor torna particularmente inteligente. Considere, no entanto, a possibilidade da sua insatisfação não ser só sexual. Tem a ver também com o amor, que não pode ser confundido com o sexo, mas se manifesta suntuosamente através dele, celebrando o corpo do amado e propiciando a este maneiras novas de se expressar e de existir.

São tantas as maneiras que elas foram repertoriadas pelos indianos no Kamasutra, um livro clássico porque o kama é, no hinduísmo, um dos três grandes móveis da ação humana. O seu equivalente entre nós ocidentais é Eros – o Deus do amor na Grécia e a pulsão sexual na Psicanálise.

Por Betty Milan

18/03/2010

às 13:24 \ Sexo

Aberração

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Fui criada ouvindo pai, mãe e tia dizerem que sexo era a parte mais suja do ser humano. Além de ser constantemente vigiada, só tive contato com o sexo masculino aos 15 anos, no colégio misto. Não namorei por medo de engravidar. Meu pai era machista e violento. Ameaçava me matar se eu engravidasse. Tomei horror a crianças. Ele me dizia que eu era responsável pela união da família dele e da minha mãe. Mas aos 16 anos, fui estuprada por um pai de santo, que teoricamente conseguiria resolver os problemas da família, e tomei horror aos homens.

Aos 36 tive pela primeira vez uma relação sexual com meu primeiro namorado, que era tão incapaz de me dar carinho quanto meu pai e minha mãe. Sexo sem carinho eu não quero. Dá pra entender? Hoje, canto os homens e tento esquecer o carinho mas, na hora H, minha vagina se fecha. Será que me tornei frígida ou tenho que fazer uma cirurgia para resolver esse problema? Será que devo contratar um garoto de programa? E o medo? Tornei-me médica para ver o corpo, o sexo e as pessoas de forma racional. Cuido da genitália masculina. Tenho poder sobre o pênis, mas prazer com ele eu não tenho, pois não consigo confiar no seu dono.

Você escreve que “sexo sem carinho eu não quero”. E você me pergunta: “Dá pra entender?”. Eu entendi. Mas parece que não é o seu caso. Você não só teve um primeiro namorado incapaz de te dar carinho como também transa hoje com homens de quem você só se aproxima pelo sexo. Ou seja, faz o contrário do que quer, está em permanente contradição com você mesma e a vagina contraída é a expressão disso. Você diz “vem” para o outro se aproximar e não ter como chegar verdadeiramente.

Sua conduta é sádica porque foi isso que você aprendeu com a sua família, que não teve por você o menor respeito. Emporcalhou o sexo com o discurso: “É a parte mais suja do ser humano” e a maternidade com a ameaça de morte. Óbvio que a solução não está na cirurgia e tampouco no garoto de programa. Ela está no discurso que você poderá reinventar se fizer análise. Por outro lado, você precisa se perguntar o que significa para você cuidar da genitália masculina. O médico em princípio não tem poder sobre qualquer parte do corpo do doente. O único poder que ele tem é o de curar, se isso lhe for dado.

Por Betty Milan

19/01/2010

às 5:23 \ Casamento, Relacionamentos, Sexo

Incompletude

Obra de Roy Lichtenstein

Acompanho sua coluna semanal em VEJA.com e me sinto à vontade para me abrir com você. Tenho 23 anos e o meu marido 30. Somos casados há pouco mais de sete meses. Ele procura me agradar em tudo que pode. Mas a nossa vida sexual tem sido péssima.

Com tão pouco tempo de casamento deveríamos estar em lua-de-mel e tal. Mas não é o que acontece. Ele tem bom caráter, é doce, compreensivo e prestativo. Mas com todas essas qualidades, eu me sinto frustrada, pois ele não me completa. Não sei se o problema está comigo ou com ele e não sei onde procurar ajuda.

Há meses não temos intimidade alguma. Por falta de libido. Ou talvez desinteresse meu por saber que não sentirei nada. Não sou cobrada pelo meu marido que, até nisso, é compreensivo. O que você me recomenda?

O que significa “ele não me completa?”. Suponho que você se refira ao sentimento de completude decorrente da relação sexual. Você não me dá muitos elementos para responder, e, só pelo uso do termo “cobrada”, eu me aventuro a fazê-lo. Se você utiliza esta palavra é porque, para você, transar com o seu marido é um dever. Isso obviamente complica tudo.

Se a transa é um dever e não um prazer, acaba se tornando impossível. Sexo só é bom se não houver obrigatoriedade. Você precisa descobrir por que está na sua situação. Em vez de deixar rolar para ver como fica, tem que abrir o jogo, falar para transformar o presente. Isso de contar com a eterna compreensão do marido só te prejudica.

Agora, com quem falar? Se não for possível falar já com ele, procure um psicanalista para descobrir como fazê-lo. Nada é pior do que o conformismo, que pode levar o casamento de vocês à  falência. Desgasta-se, e, de repente, acabou. O silêncio pode ser de ouro e pode ser nocivo.

Para sair da situação atual você precisa deixar de fazer de conta que vai tudo bem, aceitar a realidade e estabelecer um outro tipo de relação com a palavra. Porque é dela que a felicidade mais depende. Da capacidade que nós temos de usá-la em nosso benefício. Daí, aliás, a importância da educação sentimental, que pode ser feita na família, na escola e através da literatura. Não é por acaso que um dos romances de Flaubert se chama Educação Sentimental.

Por Betty Milan

09/12/2009

às 18:39 \ Infância

O uso do kilt

Getty
Gosto de usar saia e usaria fora de casa, se não fosse o preconceito. Isso começou quando meu pai me obrigou a pôr a saia da minha irmã, por eu ter ido brincar na rua, contra sua vontade. Meu pai era um sujeito violento. Agredia minha mãe verbal e fisicamente. Na ocasião, passei a maior vergonha, pois ele chamou meus amigos e disse que, a partir daquele momento, deveriam me dar um nome de menina. Comecei a usar saia escondido e acabei gostando. Parei ao associar a saia  com “coisa de  mulher”. Acho que desencanei por um tempo, mas o gosto ficou apesar do medo de parecer gay.

Morei nos Estado Unidos quase cinco anos e lá comecei a ver alguns caras usando kilt. Descobri que há um movimento de homens que querem usar saia em vários lugares do mundo: EUA, Canadá, Europa, Argentina e recentemente Brasil. Antes da II Guerra Mundial,  as mulheres não podiam usar calças e agora podem usar tudo. Por que os homens não têm a mesma liberdade de escolha, por que se privam, por que essa repressão? O fato é que eu agora quero poder usar saia em qualquer lugar.

Tenho feito terapia e trabalhado muitas questões, principalmente a da ausência do meu pai como figura paterna e a da  sua violência. Apesar de estar com a cabeça mais esclarecida,  não consigo entender por que o meu pai fez aquilo. Será que a sexualidade dele não estava resolvida?

Você deve poder usar saia e até mesmo saia curta onde quer que você esteja sem ser recriminado. O direito à vestimenta que nos agrada é tão importante quanto o direito ao parceiro do mesmo sexo ou do outro. E você deve inclusive considerar a possibilidade de aderir ao movimento, que você menciona, e sustentar publicamente o seu desejo. Desde que não seja uma maneira de se vingar do seu pai. Porque a vingança maltrata quem se vinga.

Não saberia responder à questão relativa à sexualidade dele. Primeiro, porque não sei o que é uma sexualidade resolvida. Segundo, porque não sei nada sobre ele. Agora, seja qual for a problemática de um pai, ele não tem o direito de humilhar o filho. E o seu foi particularmente perverso. O que ele fez com você é ainda pior do que uma agressão verbal ou física.

O melhor partido que você pode tirar da sua análise, é se valer dela para se separar do seu ancestral, procurando entender qual o efeito da conduta perversa dele sobre a sua vida, ou seja, se existe ou não relação entre a humilhação a que você foi submetido e o gosto da saia. Se você está ou não às voltas com um gozo masoquista.

Por Betty Milan
 

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