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pai

28/07/2009

às 11:46 \ Casamento, Relacionamentos

Jogo

baralho

Sou casada há 9 anos com um homem que é um jogador compulsivo. O vício dele é dinheiro. Gasta o dele, o meu e de quem mais puder. Há pouco mais de um ano, ele começou a frequentar o Jogadores Anônimos.

É um marido presente e ótimo pai. Só que, por ser autônomo, passa meses sem ganhar nada. Me irrito e digo que não aguento continuar na posição de mãe, sustentar a casa e ainda comprar as coisas que ele precisa. Não consigo comprar um apartamento. Todos, na minha família, são contra minha conduta. Só que o meu marido está se tratando e eu acredito que ele possa se recuperar. Também temos uma criança pequena que idolatra o pai.

Às vezes, acho que não o amo mais, porém não consigo me ver sem ele. É insano achar que este homem me dá segurança quando ele de fato não dá? Casei por amor, e, desde que o conheci o sustento por ele ser doente. Imaginava, no começo, que as circunstâncias o obrigavam a fazer dívidas e empréstimos. Como posso me ajudar?
 
Sua situação é dramática e comovente. Casou-se por amor e desde então sustenta o marido por causa do vício. Acha que não o ama mais, porém não concebe sua vida sem ele. Mais que isso, acredita que ele consiga se recuperar. O que é possível, claro.

No entanto, eu me pergunto se frequentar os Jogadores Anônimos basta. Quem não resiste a uma compulsão precisa entender o motivo. Será que nos Jogadores Anônimos ele pode chegar ao porquê dessa situação? Uma análise deve permitir isso e pode ser associada ao tratamento atual.

Você diz que todos na sua família estão contra. Ouço-os dizendo: “Como é possível que você sustente esse homem há tantos anos? Por causa dele, você não tem casa própria, ele não oferece segurança nenhuma. Por que você não se separa dele?”

Trata-se de um discurso que não a ajuda em nada, pois você não se concebe sem o seu marido. O que você precisa saber para se ajudar é por que suportou e suporta essa situação. E, em segundo lugar, precisa descobrir  que tipo de segurança imaginária ele oferece e da qual você não pode prescindir. Nem só de pão vive o homem.

 Sugiro que você abra mão do apartamento e invista tudo que tem em análise – para ele e para você. Ambos precisam de ajuda, porque ele é viciado em jogo e você é viciada nele.

Por Betty Milan

02/06/2009

às 14:46 \ Casamento

Geladeira

Pensei muito antes de escrever este e-mail. Por vergonha, talvez. Tenho 31 anos, sou casada há dez com um homem maravilhoso. Tenho um filho lindo e a  vida que pedi a Deus, mas o sexo é péssimo. Não tenho vontade alguma. O problema existe há anos e meu marido sofre com isso. Já troquei a pílula, larguei a pílula, experimentei testosterona e nada… a vontade não vem.

Meu pai, nos momentos de briga com minha mãe, dizia que ela era uma geladeira, e eu me sinto assim. Será que os comentários dele entraram na minha cabeça para não sair mais? As expressões que ele usava para falar de sexo eram de dar nojo.

Meu marido é um homem paciente, porém a frustração dele é visível, especialmente quando tenta uma aproximação e eu me viro para o outro lado. Passamos meses sem nada. Queria sentir uma vontade louca de sexo. Existe algo que eu possa fazer?

“Geladeira”, o seu pai dizia para a sua mãe quando eles brigavam. E você agora se sente como ela. Entrou no lugar que ela ocupava, o da mulher que não gosta de sexo. Isso é claro.

Como o seu pai usava expressões ‘que davam nojo’ para falar do assunto, a resposta à sua questão pode estar na obra de Nelson Rodrigues. Em Álbum de Família, Dona Senhorinha chama Tia Rute de sem-vergonha e esta responde que homem nenhum jamais a tocou. No universo da peça, que pode ter sido o mesmo de seus pais, sexo é sinônimo de sem-vergonhice e a mulher deve resistir a toda investida – ser uma geladeira. O sexo degrada e a mulher que goza é uma perdida. Se não se encolhe, ela é uma safada.

Até hoje, você se encolheu, agora não quer mais. A questão não é tomar ou não a pílula, ingerir ou não testosterona. Você precisa descobrir por que o discurso arcaico de seu pai e a reação de sua mãe calaram assim no seu espírito. Por que você ficou identificada com eles a ponto de não ter prazer sexual. Poderia ter desqualificado o machismo, que é um discurso fundado na inimizade entre os sexos, só gera infelicidade.

Em outras palavras, você precisa ousar o ‘não aos ancestrais’ para dizer ‘sim a você mesma’ e renascer descobrindo o seu corpo. É isso o que o seu marido maravilhoso quer. Uma mulher que transa porque ama o próprio corpo e deseja acolher o outro. Uma mulher quente por ter um sexo erotizado pelo amor, que adora transar.

Por Betty Milan

 

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