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pai

16/12/2011

às 13:49 \ Relacionamentos

Na curva dos 50

Tenho 49 anos. Sou casada há trinta, com dois filhos adolescentes. Perdi minha mãe aos 7 anos, e meu pai me presenteou com várias madrastas. Sempre fui assediada sexualmente. Inclusive por ele. Aos 18 anos, conheci meu marido e, aos 19, já estava casada. Nunca o amei com paixão, mas com ternura. Grata talvez pelo amor dele e pelo porto seguro. Nunca tive desejo sexual por ele, que me trata como uma filha e faz todas as minhas vontades. Já o traí uma vez e pedi a separação. Ele não aceita se separar e eu sigo arrastando. Na verdade, por amá-lo também.

Só que, agora, o pior aconteceu. Estou apaixonada por um rapaz de 20 anos. Transamos uma só vez, porém nos falamos todos os dias. Está sendo maravilhoso gostar do beijo novamente. O que eu faço? Paro com isso? Sei que não temos futuro.

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Por Betty Milan

09/09/2011

às 15:01 \ Relacionamentos

Amanhã será tarde

Tenho 30 anos e sou solteira. Estudei por esforço próprio e trabalho há 14 anos com RH. Não escolhi essa profissão por querer, e sim por ter sido criada com o estritamente necessário para viver. Isso me magoa, pois meu pai sempre teve condições financeiras de dar mais do que o básico para mim e para minha mãe. Portanto não devo nada a ninguém. Descobri, há dois anos, que gosto de trabalhar com fotografia e estou estudando para mudar de profissão. Afetivamente, sou sozinha. Todo mundo que conheço tem algum tipo de laço afetivo. O máximo que tenho é um relacionamento não afetivo com uma pessoa que só quer sexo e já deixou claro que é só isso.

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Por Betty Milan

11/07/2011

às 15:06 \ Infância

Abuso

Sou filha única e tenho um pai muito ciumento. Desde pequena ele me fez acreditar que homem não presta. Todo dia, depois da escola, ele me perguntava se algum menino tinha vindo falar comigo e achava graça quando eu respondia que bateria no menino. Comecei a namorar e beijei com 21 anos. Quando meu namorado foi pedir permissão para o namoro, meu pai foi educado com ele, porém ficou uma semana sem falar comigo. Eu me senti como se o estivesse traindo. Estou com 25 anos agora. Noivei, e as coisas pioraram. Não posso sair sozinha com o noivo. Com meus irmãos, meu pai não é assim, e a diferença de tratamento me revolta: “Solto meus bodes, mas prendo minha cabrita”.

Nunca vou a festas porque sou evangélica e quero casar virgem. Ou seja, não dou motivo algum para desconfiança. Às vezes, tenho vontade de morar sozinha e eu só não faço isso para não desapontar meu pai. Por outro lado, não quero casar só para sair de casa. Não pode ser assim. Estou sofrendo por causa do apego a meu pai. Gostaria que ele me levasse ao altar, mas não consigo visualizar a cena. Minha mãe, que deveria me ajudar, só atrapalha, dizendo que, se acontecer alguma coisa comigo, ele vai tirar satisfação com ela. Por causa disso tudo, eu me pergunto se vale a pena casar e só fico adiando a data.

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Por Betty Milan

10/03/2011

às 21:13 \ Infância

A ira


Tive um bom pai quando criança. Ele está em todas as lembranças de minha infância. No entanto, quando eu tinha 12 anos, ele se envolveu com uma mulher perversa e se esqueceu de mim. Fiquei sozinha, com minha mãe doente e um irmão pequeno. Não tínhamos dinheiro, passamos muita dificuldade. Gritei desaforos, deixei que minha ira se espalhasse por todos os lados. Fiz besteiras. Mas eu era uma criança ferida…

Apesar de tudo, aos 23 anos, sou bem-sucedida. Tenho estudo, um bom emprego, bons amigos e um bom marido. Tudo seria perfeito, não fosse a dependência econômica de minha mãe e meu irmão em relação a meu pai. Sempre que ele se esquece da pensão, eu me sinto um lixo e tenho vontade de matá-lo.

Ele rejeitou a família, perdeu a casa em dívidas, mas ainda tem a arrogância de agir como se fosse vítima. O pior é que ele chega a me convencer. Eu não o suporto, mas, ao mesmo tempo, me sinto culpada pela distância entre nós. Sinto inveja das pessoas que têm um pai. Eu o queria por perto.

Como sair desse ciclo? Não quero mais sentir tanto ódio, nem a falta de alguém que me fez tanto mal. Por favor, me ajude a me libertar desses sentimentos nocivos. Sou casada com um homem de verdade, quero ter filhos, construir uma história diferente. Preciso me livrar da mágoa que ainda me une a meu pai.

A poesia trágica do seu e-mail me remeteu à mais conhecida das tragédias shakespearianas, em que Hamlet vive para vingar o pai assassinado e acaba se tornando vítima da própria ira e morrendo com os outros personagens importantes da peça. A ira mata, sobretudo quando se espalha por todos os lados, como a sua.

A peça de Shakespeare nunca deixou de ser representada porque nós nos identificamos com o personagem. Quem não é Hamlet? De uma ou de outra forma, nós todos somos. A ideia de vingar algum ancestral ou de se vingar de algum deles está sempre no ar. O ódio nos ronda.

Todos estamos sujeitos a ter esse sentimento malévolo. Freud inclusive escreveu que basta pensar na importância atribuída ao mandamento “Não matarás” para deduzir que somos produto de uma série infinita de gerações de assassinos, temos a paixão do crime no sangue.
Dessa paixão nós precisamos nos defender. Para tanto, você terá de descobrir por que se entrega a ela. Que relação existe entre a sua entrega e a de seu pai à “mulher perversa”?

Você acaso está inconscientemente identificada com ele? Além disso, será que você não está querendo vingar sua mãe? Se não encontrar as respostas sozinha, procure um analista para não continuar a se repetir e poder se assenhorear de sua história.

Por Betty Milan

03/02/2011

às 15:26 \ Relacionamentos

Entre a cruz e caldeirinha

Namoro há cinco anos um homem divorciado que tem uma filha de 6 anos. O relacionamento dele com a ex não é bom. Ela só o deixa ver a filha quando quer, e ele aceita isso com uma incrível passividade. Já tínhamos quase dois anos de namoro quando a ex deixou que eu conhecesse a criança, porém com a condição de que eu não me aproximasse dela (a ex). Ou seja, eu não poderia frequentar os lugares em que a ex estivesse.

Os namorados da mãe não impõem nada, e eu não posso reclamar porque aceitei a situação. O problema é que estou grávida e não sei como lidar com isso quando a criança nascer. Sempre que a filha do meu namorado está com a mãe, ela ignora toda e qualquer pessoa da família do pai. Nos encontros furtivos (shopping, rua etc.), finge que não me conhece. Tenho medo de que proceda assim com o irmão que vai nascer. A menina já fez várias viagens conosco e teve um comportamento normal, de respeito e carinho. Nós adultos entendemos, mas como preparar a criança que vai nascer para isso?

Quem dá as regras do jogo é a ex. Quem manda é ela, e é com ela que você terá de falar. Você ou seu marido. A menina só faz obedecer ao desejo da mãe, e esta precisa entender que a atual conduta é prejudicial à filha, que vai ficar entre a cruz e a caldeirinha quando o irmão nascer. Vai ter uma relação complicada com o irmão porque o amor foi desautorizado.

Você aceitou a condição de não aproximação que a ex impôs, mas a vida mudou, e isso não é mais aceitável porque pode prejudicar duas crianças. Você e seu marido têm de fazer o possível para mudar as regras do jogo.

Por que você não tenta a via da correspondência? A carta talvez seja um bom recurso, desde que você tenha as palavras certas. Se for preciso, procure ajuda para encontrá-las. Agora, antes mesmo de falar com a ex, você deve conversar com a menina sobre o irmão que vai nascer, dizendo que podem ser amigos, fazendo-a esperar o nascimento dele. A criança que você tem no ventre pode inspirá-la.

Seu futuro depende muito da recusa a uma condição que hoje se tornou aberrante. Você deve ao menos deixar claro que é contrária a ela. Nem tudo a gente pode realizar na prática, porém a expressão do desejo já é meio caminho andado. Sobretudo se as palavras forem escritas.

Por Betty Milan

08/10/2010

às 15:52 \ Relacionamentos

Posição de vítima


Aos 13 anos tive depressão e síndrome do pânico. Fiz psicoterapia durante três anos e recebi alta. Considero que o tratamento foi um sucesso. Sempre fui uma criança introspectiva e insegura. Quando minha irmã nasceu, eu tinha 7 anos e padeci de ciúme. Mamãe era impaciente e rigorosa. Mas o grande problema sempre foi meu pai, que é depressivo. Na minha infância, ele bebia e eu morria de medo. Quando eu o questionava sobre algo, ele me punia com o olhar, com palavras ou com surras. Quando estava ‘atacado’, ele me chamava para conversas horríveis, queixando-se da vida e gritando. O Dia dos Pais era um inferno: ele se escondia em casa e nós éramos obrigadas a ouvir as lamúrias.

Hoje, tenho 32 anos e sou casada há seis. Conheci meu marido na época da escola, e, depois da faculdade, nós nos reencontramos. Ele sempre foi dono de si, decidido. Isso era o que eu mais admirava nele. O problema é que ele não sabe conversar. Toma o diálogo por uma bronca e emburra. Daí, eu entro em pânico. O resultado disso é eu tolerar o que não gosto. Às vezes, ensaio o que vou dizer, mas, quando chega a hora, choro sem parar. Associo esse comportamento ao que vivi na infância com meu pai. Sei também que é uma maneira de me vitimizar. Como mudar e viver em paz?

Você começa seu e-mail dizendo que a psicoterapia foi um sucesso. Se tivesse sido, você não entraria em pânico quando seu marido emburra. Conseguiria falar o que tem a dizer. O fato é que você continua apegada a uma reação da sua infância e se entrega ao medo, repetindo-se numa conduta arcaica. O que a impede de crescer e sair da posição de vítima? Quando você sair dela, seu marido não terá como ficar na posição em que está. Você mudando, a relação muda, e, para tanto, você precisa responder à questão que se impõe.

Nossa história subjetiva tem uma lógica, e, às vezes, para ser feliz, é preciso conhecê-la. Na verdade, só temos a ganhar com isso, porque nos tornamos sujeitos de nossos atos, ou seja, livres. Aos 32 anos você tem uma vida pela frente. Faça dela a sua, empenhando-se em descobrir a sua verdade. O medo resulta da paixão da ignorância. Espero que você possa abrir mão dessa paixão para ser ouvida e deixar de tolerar o que não gosta, para encontrar assim a paz que procura. A conversa tanto depende de seu marido quanto de você. Quando um não quer, dois não brigam.

Por Betty Milan

23/03/2010

às 16:23 \ Relacionamentos

Duplo dilema

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Há nove anos conheci meu atual marido, namoramos, fiquei grávida, casei e meu filho nasceu. Tudo isso no período de um ano. Eu era muito jovem e não estava preparada para uma mudança tão brusca. Gosto do meu marido, mas me sinto enganada. Quando éramos namorados, ele me disse que não podia ter filhos. E eu engravidei. Ele é um bom pai, eu amo o meu filho, mas não consigo me libertar da ideia de que poderia ter me casado com alguém bem melhor e com sucesso profissional.

A maior parte das despesas da casa ficam por minha conta e isso me irrita. Já pensei em me separar só que não tenho coragem de distanciar pai e filho. Será que vale a pena abrir mão de ser feliz com outra pessoa, para evitar o sofrimento do menino?

Trabalho na empresa do meu pai e eu não tenho como crescer mais nela. Meu pai privilegia meu irmão. Repugno esta atitude e até sinto ódio. Desejo trabalhar em outro local, mas como posso fazer isso se meu marido não consegue sustentar a casa? Atualmente sou infeliz no casamento e no trabalho. Tenho medo de me separar e ficar sozinha. Você acha que devo manter o casamento? Ou devo conversar com meu pai ainda que isso possa levar a uma briga na família? Vivo com esses dois dilemas. O que fazer? Já tenho 31 anos, faço terapia e não consigo resolver essas questões.

Será mesmo que o seu marido a enganou ou ele não sabia que era fértil? Seja como for, você não era obrigada a se casar. Você quis isso. Em relação ao seu pai, você chega a ter ódio dele, por considerar que ele  privilegia seu irmão. Tanto na relação marital como na  filial você se diz injustiçada. A sua posição subjetiva é a da mulher insatisfeita e este é o ‘X’ da questão. Ou você sai desta posição ou nada muda. Quero dizer que a mudança não passa necessariamente por um outro casamento ou por um outro emprego. Imaginar que basta mudar de cônjuge ou de patrão para mudar de vida é um engano. 

Você não consegue se libertar da  ideia de que poderia ter se casado com alguém “bem melhor”. Ou seja, é presa de uma fantasia inconsciente cuja razão precisa ser decifrada. O primeiro passo é este. Mesmo porque a pessoa “bem melhor”com quem você seria feliz não apareceu e você não quer separar o pai do filho, e nisso tem toda razão.

Claro que você deve conversar com seu pai. Se for um diálogo sem ódio, não há motivo para briga. Tudo dependerá do modo como você se colocar, do tom e das palavras.

Por Betty Milan

04/11/2009

às 21:22 \ Relacionamentos

Questionamento

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Meu pai: fumante, inteligente, nervoso, incapaz de elogiar, reconhecer, abraçar e beijar o filho – salvo no aniversário ou em alguma situação especial. Estourado no trânsito e na empresa. Se colocado numa situação difícil, fala qualquer coisa para magoar quem está por perto. Vejo-o como uma pessoa frustrada e sempre insatisfeita.  Minha mãe: calma, submissa, de fácil convívio e frágil.

Me casei este ano. Volta e meia penso o quão mal tratei meu pai. Não tenho paciência para ouvi-lo. Me comporto com indiferença e muitas vezes com ressentimento. Quanto à minha mãe, sempre a tratei com muita cobrança e aspereza.

Queria ter tido um convívio mais amoroso, sem mágoa com eles. Agora que me casei, sinto culpa. Meus pais talvez não tenham tido pais amigos, companheiros. O que eu faço? O problema está em mim ou neles? Uma terapia de vidas passadas ajudaria? Aguardo resposta.

Culpa pelo convívio amoroso que você poderia ter tido e não teve? Ora… Se não teve é porque não poderia ter tido. A fantasia é uma coisa, a realidade é outra. No passado, você foi como era dado a você ser. Nem tudo se pode. Agora, a vida muda, e com a mudança a gente tem condições de reconsiderar certas atitudes. Você está no caminho porque está se questionando. Isso já é muito. A condição para reinventar a existência é esta. 

 Possível que os seus avós não tenham tido com os seus pais uma relação que viabilizasse a amizade com você. Digo isso porque a gente ama como foi amado. Refletir sobre a vida passada dos seus ancestrais certamente ajudará a descobrir o porquê das condutas que provocaram o seu ressentimento e a sua aspereza.

Não se trata de fazer uma “terapia de vidas passadas”, mas de se debruçar sobre as vidas dos que o precederam para reinterpretar a sua história com eles e agir de maneira mais adequada. Tanto no que diz respeito a eles  quanto a sua descendência, com a qual você poderá trilhar o caminho da amizade. Um caminho que depende sobretudo do ato generoso da escuta.
Ser amigo do filho é considerar que ganhamos perdendo tempo com ele. É ensinar a importância do ato gratuito. Também é renunciar à luta de prestígio, desacreditar a guerra e valorizar a paz.

Por Betty Milan

 

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