Blogs e Colunistas

mãe

22/08/2011

às 12:24 \ Infância

Desamparo

Tenho 22 anos e sou frustrada. Gosto de mim mesma, porém não consigo encontrar um caminho, saber o que quero. Acho dificílimo tomar decisões. Minha vida teve uma virada no ano passado quando minha mãe, a quem eu era extremamente ligada, faleceu repentinamente de um câncer raro. Meu namorado então se mudou para a casa em que nós duas vivíamos. Não sei bem quais são meus sentimentos em relação a ele. Isso sem dizer que ele não trabalha e quem sustenta a casa sou eu. Mas, sempre que penso em romper, eu me lembro das coisas boas existentes entre nós.

Acho que mereço e posso fazer mais por mim, porém me sinto triste e desamparada. Desde que minha mãe morreu, eu acho que não vou conseguir ser feliz. Sempre sofri de insatisfação. Gostaria de ter mais frieza para redefinir minha vida.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

Por Betty Milan

12/08/2011

às 18:08 \ Relacionamentos

Indecisão

Estou sem saber o que fazer, eu que sempre consegui tomar decisões. Tenho 47 anos, sou separada há dez e moro com meus filhos, uma moça de 29 e um rapaz de 26, além da minha mãe. Há quatro anos “namoro” um homem de 43, também separado. De uns tempos para cá, tenho pensado em casar (morar junto), mas meus filhos não concordam com a ideia de o namorado vir morar conosco, pois a casa em que vivemos também é do pai deles. O namorado diz que posso morar com ele quando quiser, mas eu não gostaria de deixar meus filhos e minha mãe. Acho que as mães não devem deixar seus filhos. São eles que se casam e vão embora. Quanto à minha mãe, ela é dependente de nossa convivência e eu teria de levá-la comigo.

Não quero sair da minha casa, mas estou cansada de ficar me dividindo. Nunca me sinto relaxada, estou sempre com uma mochila nas costas, indo ou voltando para uma das duas casas. Sem falar na sensação de estar sempre ausente para uma das partes. Quando estou com ele, fico pensando que minha mãe e meu filho estão sozinhos. Quando estou com os filhos, é ele que reclama minha presença. Não consigo tomar uma atitude.

» Clique para continuar lendo e deixe seu comentário

Por Betty Milan

25/03/2011

às 13:29 \ Liberdade

Jovem cinquentenária

Sou leitora assídua de sua coluna, e ela me faz inclusive chorar. Às vezes acho que é por solidão e outras por estar deprimida. Vou fazer 50 anos, mas sei que aparento bem menos. Ninguém acredita quando digo a minha idade. Depois de largar o cigarro, engordei. Porém fui ao médico e estou fazendo dieta. Quando jovem, namorei bastante. Só que ninguém quis casar comigo de verdade. Não tenho mais vida social porque me acho velha para sair. Os homens hoje só querem meninas jovens e lindas. Temo envelhecer sozinha.

Minha mãe mora comigo (ou eu com ela, não sei). Tenho um irmão e uma irmã. Os dois são casados. Ele é muito egoísta e estúpido. Há três anos, minha irmã não fala com ele e eu, quando falo, só brigo. Também brigo com minha mãe porque ela prefere o filho às filhas. Gostaria de ser mais compreensiva e não discutir.

O significado da idade depende de cada um. Aos 50 anos, você é velha para sair. Poderia não ser. Mas é vítima de um imaginário arcaico, para o qual, não sendo mais fértil, a mulher já não interessa. Um imaginário que confunde a idade biológica com a idade real da pessoa. Esta implica o que a pessoa pensa da vida e de si.

Se você tivesse nascido nos Estados Unidos ou na Europa, teria uma outra concepção. Para as americanas e as europeias, não existe limite de idade. Com mais de 80, elas estão na rua. Bem vestidas, maquiadas, com um belo chapéu. Simplesmente por se autorizarem a aproveitar a rua e o mundo. Ao contrário das brasileiras que ainda não o fazem.

Se ninguém quis casar com você de verdade, é porque você também não quis. Talvez por não poder se separar de sua mãe, à qual você é particularmente apegada. Digo isso porque ainda vive com ela e briga, embora não queira. A briga é uma forma de apego.

Quanto à menina jovem e linda que os homens querem, ela existe em toda mulher que não perdeu de vista a menina em si. Ela, aliás, continua com você, desmentindo o seu envelhecimento, porque ninguém acredita nos seus 50 anos. A propósito, uma cinquentenária de hoje não tem nada a ver com a do século passado. Porque dispõe de mil e um recursos para ficar bem. Entre eles o esporte, que é um antidepressivo poderoso.

Por Betty Milan

18/03/2011

às 11:48 \ Relacionamentos

Atoleiro


Leio sua coluna para enfrentar meus problemas. Resolvi escrever porque estou muito agoniada, sem um namorado, sem amigos. Tenho 33 anos. Dizem que pareço ter menos e sou bonita. Meu emprego é bom, mas sinto um imenso vazio. Sempre sonhei em me casar e ser mãe, porém sinto que a possibilidade de realizar o sonho está cada vez mais distante: a idade avançando e nenhum pretendente interessante.

Daqui a pouco, não poderei mais ter filhos por razões biológicas. Já tive alguns relacionamentos sérios e cheguei a pensar em casamento, porém sempre houve algo estragando tudo: uma traição, um abandono, um desencanto mútuo. Sinto que não sei escolher o homem certo ou que não sei manter o relacionamento. Sinto que todos seguiram sua vida, menos eu. Minhas amigas se casaram, tiveram filhos ou se mudaram.

Além de não conseguir namorar, não consigo mais fazer amigos. Sei que isso é, em parte, voluntário. Já me vangloriei de estar sozinha, de não ter ninguém para atrapalhar meu sossego. Só que agora me cansei disso.  Às vezes me olho no espelho e sinto que estou perdendo tempo. Daqui a pouco a juventude se foi. O que eu faço? Tenho relações com qualquer homem para engravidar? Vou a um banco de sêmen? Ou continuo nesse espera agoniada e pouco promissora?

Nem todo mundo nasce para se casar, embora haja quem imagine o contrário. O fato de sempre ter existido na sua vida amorosa “algo estragando tudo” tem de ser levado em conta. Você talvez não tenha vocação para o casamento, que é uma aposta particularmente difícil.

O que me chamou atenção no seu e-mail foi o número de vezes que você utilizou a palavra sinto. Será que você tem medo de ser afirmativa? Talvez seja isso. O fato é que você sente mais do que você pensa sobre os próprios sentimentos. Fica exposta ao que der e vier. Fala como se traição, abandono e desencanto caíssem do céu.

Por outro lado, não vê saída para você fora do que antigamente se convencionou ser o destino da mulher: o casamento e a maternidade. Assim, pensa numa relação com um homem qualquer para engravidar ou pensa no banco de sêmen. Não sou de dar conselho, mas me permito dizer que, na situação atual, é melhor não engravidar. A criança vai ser a depositária de todas as suas expectativas e você vai se frustrar.

Você está atolada e não quer mais ficar. Então procure descobrir por que você só vê saída na via convencional. O que tem isso a ver com as suas origens, com o que os seus antepassados faziam e diziam?

Por Betty Milan

22/04/2010

às 17:10 \ Liberdade

Mágoa

Mãe e filha

Preciso de ajuda, urgentemente. Estou sendo esmagada por um sentimento terrível. Minha mãe tem 65 anos e não construiu nada na vida. Absolutamente nada. Sempre fui muito independente e tive êxito. Me formei, trabalho, tenho um amor e um futuro feliz, apesar de não ter tido ajuda dela e nem de meu pai – que se matou há muitos anos.

Minha mãe agora está idosa e dependente. Mas não é humilde ou boazinha. Me vejo na situação de ter de ajudá-la – e o pior é que meus familiares, que só proporcionaram coisas boas para os filhos, me cobram isso. Por que tenho de me responsabilizar pela inconsequência dos outros? Por que tenho de me privar das coisas que quero? Como me livrar desse egoísmo e dessa mágoa terrível? Minha atitude é monstruosa? Tenho ou não a liberdade de não gostar de meus pais e de não me responsabilizar por eles? Me ajude, por favor. Estou muito angustiada.

Seu pai se matou, sua mãe não construiu nada na vida e hoje depende de você, mas ela não é boa. Seus familiares querem que você a ajude e você se pergunta se pode não ajudar. Poderia, se você não me perguntasse se esta conduta é monstruosa. Você teme que seja. Você precisa fazer o que for mais fácil para você. Virar as costas para a sua mãe vai te custar caro. Significa continuar remoendo a raiva e engolindo o fel da mágoa.

Você só se livra ajudando, e ponto. Seria melhor, obviamente, se você pudesse falar com a sua mãe e mudar a relação que tem com ela. Porque a palavra tem o poder extraordinário de reverter a situação. Se não for possível, azar. Você terá tentado e ficará de consciência limpa. O que importa é isso. De tudo ou quase tudo a gente pode se privar, salvo da consciência limpa. Nada atormenta mais do que a culpa.

Você é formada, trabalha e tem um amor, só que hoje é vitima de um ódio que te maltrata, é sinônimo de desassossego. A vida nunca é fácil. Nós é que podemos torná-la melhor ou pior e isso depende muito da nossa interpretação dos fatos. Também por isso a psicanálise é eficaz. Com ela o sujeito muda de ponto de vista. Que tal se valer da situação atual para aprender a ser ainda mais responsável com você mesma e não deixar que a irresponsabilidade alheia te atormente?

Por Betty Milan

16/06/2009

às 8:22 \ Infância

Condenação

Tenho 44 anos e estou fazendo análise comportamental para me reestruturar, ser o que realmente quero ser. Tive muitos problemas emocionais na infância, por causa da separação dos meus pais. Minha mãe, que morreu há mais de 15 anos, ficou muito amargurada e costumava dizer coisas horrorosas quando estava com raiva. Gostaria de ter tido uma relação mais verdadeira com ela, ter vivido momentos alegres, ido ao cinema, ao shopping, à sorveteria. Só falava mal do meu pai, amaldiçoava o mundo. Nunca sorria.

Não sou feliz nos relacionamentos amorosos, porque minha mãe não foi. Eu nunca tive um incentivo neste sentido. Estudei, me formei e me dediquei ao trabalho. Até largar tudo por causa de uma depressão profunda. Estou fazendo terapia, mas há horas em que me sinto culpada pela infelicidade dos meus pais.

Será que esta culpa pode acabar um dia? Ou será que só me resta aprender a conviver com ela? Às vezes, penso que o desejo inconsciente de minha mãe era que eu morresse. Ou fosse tão infeliz quanto ela era. Nunca achei que me amasse ou desejasse a minha felicidade. Mesmo assim, não consigo me desligar completamente.

Não há nada pior do que a mãe falar mal do pai ou o contrário. Trata-se de uma injustiça em relação ao filho, que tem o direito de ter pai e mãe. Sua mãe foi tão irresponsável em relação a você quanto em relação a ela mesma. Possível que tenha desejado a sua morte, porque deu à luz e não foi capaz de se separar de você.

Mas a questão aqui é saber por que você não se separa dela? Por que satisfaz o desejo sádico de sua mãe e fica numa posição masoquista? Será que a análise comportamental permite responder a esta questão? Em princípio não é a meta dela. Esse tipo de terapia focaliza só o comportamento. Como se este não fosse decorrente de uma história subjetiva.

Acho que  seria bom repassar a sua história com alguém que saiba escutar, rememorar para não repetir; cortar o cordão umbilical e se tornar a boa mãe de si própria, aprendendo a contar no seu jardim  as flores e os frutos e não as folhas que tombaram. É disso que todos precisamos.

O mea culpa é uma condenação da qual você pode escapar. Quando as portas estão fechadas, a gente escapa pela janela, como dizia Carlito Maia. Falando, você encontra uma saída. O maior recurso que nós temos é a fala e a escuta.

Por Betty Milan

02/06/2009

às 14:46 \ Casamento

Geladeira

Pensei muito antes de escrever este e-mail. Por vergonha, talvez. Tenho 31 anos, sou casada há dez com um homem maravilhoso. Tenho um filho lindo e a  vida que pedi a Deus, mas o sexo é péssimo. Não tenho vontade alguma. O problema existe há anos e meu marido sofre com isso. Já troquei a pílula, larguei a pílula, experimentei testosterona e nada… a vontade não vem.

Meu pai, nos momentos de briga com minha mãe, dizia que ela era uma geladeira, e eu me sinto assim. Será que os comentários dele entraram na minha cabeça para não sair mais? As expressões que ele usava para falar de sexo eram de dar nojo.

Meu marido é um homem paciente, porém a frustração dele é visível, especialmente quando tenta uma aproximação e eu me viro para o outro lado. Passamos meses sem nada. Queria sentir uma vontade louca de sexo. Existe algo que eu possa fazer?

“Geladeira”, o seu pai dizia para a sua mãe quando eles brigavam. E você agora se sente como ela. Entrou no lugar que ela ocupava, o da mulher que não gosta de sexo. Isso é claro.

Como o seu pai usava expressões ‘que davam nojo’ para falar do assunto, a resposta à sua questão pode estar na obra de Nelson Rodrigues. Em Álbum de Família, Dona Senhorinha chama Tia Rute de sem-vergonha e esta responde que homem nenhum jamais a tocou. No universo da peça, que pode ter sido o mesmo de seus pais, sexo é sinônimo de sem-vergonhice e a mulher deve resistir a toda investida – ser uma geladeira. O sexo degrada e a mulher que goza é uma perdida. Se não se encolhe, ela é uma safada.

Até hoje, você se encolheu, agora não quer mais. A questão não é tomar ou não a pílula, ingerir ou não testosterona. Você precisa descobrir por que o discurso arcaico de seu pai e a reação de sua mãe calaram assim no seu espírito. Por que você ficou identificada com eles a ponto de não ter prazer sexual. Poderia ter desqualificado o machismo, que é um discurso fundado na inimizade entre os sexos, só gera infelicidade.

Em outras palavras, você precisa ousar o ‘não aos ancestrais’ para dizer ‘sim a você mesma’ e renascer descobrindo o seu corpo. É isso o que o seu marido maravilhoso quer. Uma mulher que transa porque ama o próprio corpo e deseja acolher o outro. Uma mulher quente por ter um sexo erotizado pelo amor, que adora transar.

Por Betty Milan


 

Serviços

 

Assinaturas

Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados