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Posts com a tag ‘lésbica’

Três x dois

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | 19:10

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Somos casados há 27 anos. Sempre tive vontade de fazer sexo com duas mulheres. Minha mulher nunca aceitou, pois sempre foi muito romântica. Dizia que não teria prazer se me visse com outra. Nosso relacionamento entrou numa fase de acomodação. Quando eu ficava deprimido, não tinha ereção. Falava que seria mais feliz se ela tivesse amante. Pois ela arrumou uma amante. Uma menina linda, bem mais jovem. Deseja viver esta relação intensamente, sem a minha presença, porque a menina é lésbica e não aceita homem. Me dei conta do quanto amo minha mulher. Não quero perdê-la, estou sofrendo. Ela diz que não vai me abandonar, mas vai viver o novo amor até o fim. Estou perdido. Sinto ciúmes, estou inseguro. O que faço?

Para você, o três é o número que dá prazer. Você quer transar com duas mulheres. Já a sua mulher é romântica, gosta do número dois. Quer exclusividade na relação sexual. Mas o fato é que, por vias tortas, ela satisfez o seu desejo, tornando-se indissociável da menina linda com quem vive um novo amor. Você conhece o provérbio segundo o qual “quem diz o que quer ouve o que não quer?” Pois é, você não esperava ser surpreendido.

Agora, você tem de esperar para ver como fica e se perguntar por que você se expôs ao que está acontecendo. Quem tem uma conduta libertina no casamento corre o risco de perder o parceiro e quem não tem condições de se arriscar precisa se refrear. A equação é simples. O mais difícil é decifrar a sua história para não se tornar vítima dela.

Quanto ao ciúme, como diz a renomada libertina Catherine Millet no livro Dia de Sofrimento, ele nasce das dúvidas que temos em relação ao outro e se nutre das fabulações através das quais preenchemos as lacunas da vida. Ou seja, quem tem ciúme sofre por causa da imaginação e continua ligado ao outro pelo sofrimento. Você está às voltas com o seu masoquismo e também a razão disso você terá de entender para sair da posição difícil em que está. Tanto uma análise quanto a leitura dos romances libertinos clássicos poderão iluminá-lo.

Por Betty Milan

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Transexual

terça-feira, 19 de maio de 2009 | 9:07

Sou transexual e, graças a Deus, vivo numa família que me apoia e tem boa condição financeira. Faço faculdade, trabalho, saio com amigas, enfim sou uma jovem de 22 anos “normal”. Ainda assim, quando ficam sabendo da minha condição sempre surge surpresa, curiosidade ou preconceito.

Eu sei que a sociedade ainda não conhece a mulher transexual e acaba generalizando, englobando todas no grupo GLBT. A grande maioria de nós, porém, não se sente incluída neste grupo. Não é um problema só meu e para solucioná-lo é preciso tempo. Não se trata de algo simples.

Gostaria que você me ajudasse, pois eu desejo ser uma mulher como qualquer outra, estou cansada das reações que eu causo quando sou “descoberta”.  A sociedade precisa entender que somos humanas como todos e temos o direito de viver normalmente.

Existe o heterossexual do sexo masculino e feminino, o gay, a lésbica, o bissexual masculino e feminino, o travesti masculino e feminino, o transexual masculino e feminino. Só aí são dez possibilidades de realização sexual. Há outras, claro. Como a do homem com a cabra, objeto erótico valorizado na antiguidade greco-romana e representado em Pompeia.

O “normal” - aquele que se realiza como heterossexual - é apenas um dos casos, ainda que sua via seja a da maioria. O preconceito existe porque a “anormalidade” ameaça o “normal”. Particularmente quando se trata da mulher transexual. Ela desperta o horror inconsciente da castração. No imaginário das pessoas, este ser foi vítima de uma mutilação, embora tenha sido objeto de uma intervenção cirúrgica desejada e consentida.

Agora, uma transexual não é uma mulher como qualquer outra, é diferente - pelo seu passado biológico. Enquanto você não aceitar a diferença, vai ser “descoberta”. Negar a verdade só reforça o preconceito, que não desaparece sem uma atitude consequente do transexual. A mesma que o homossexual teve e tem. A luta pelos seus  direitos começou há um século e não parou. Se você não viu Milk, o filme de Gus Van Sant, vá assistir.

A sociedade só vai entender que você é humana se o que você pensar e disser sobre si mesma servir para humanizá-la. Ou seja, servir para demovê-la da posição preconceituosa resultado da tendência à repetição - a pulsão de morte. O recurso de que você dispõe é a palavra certa, aquela que ilumina e comove. Não é fácil, mas o caminho é esse.

Por Betty Milan

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