Jogo

Sou casada há 9 anos com um homem que é um jogador compulsivo. O vício dele é dinheiro. Gasta o dele, o meu e de quem mais puder. Há pouco mais de um ano, ele começou a frequentar o Jogadores Anônimos.
É um marido presente e ótimo pai. Só que, por ser autônomo, passa meses sem ganhar nada. Me irrito e digo que não aguento continuar na posição de mãe, sustentar a casa e ainda comprar as coisas que ele precisa. Não consigo comprar um apartamento. Todos, na minha família, são contra minha conduta. Só que o meu marido está se tratando e eu acredito que ele possa se recuperar. Também temos uma criança pequena que idolatra o pai.
Às vezes, acho que não o amo mais, porém não consigo me ver sem ele. É insano achar que este homem me dá segurança quando ele de fato não dá? Casei por amor, e, desde que o conheci o sustento por ele ser doente. Imaginava, no começo, que as circunstâncias o obrigavam a fazer dívidas e empréstimos. Como posso me ajudar?
Sua situação é dramática e comovente. Casou-se por amor e desde então sustenta o marido por causa do vício. Acha que não o ama mais, porém não concebe sua vida sem ele. Mais que isso, acredita que ele consiga se recuperar. O que é possível, claro.
No entanto, eu me pergunto se frequentar os Jogadores Anônimos basta. Quem não resiste a uma compulsão precisa entender o motivo. Será que nos Jogadores Anônimos ele pode chegar ao porquê dessa situação? Uma análise deve permitir isso e pode ser associada ao tratamento atual.
Você diz que todos na sua família estão contra. Ouço-os dizendo: “Como é possível que você sustente esse homem há tantos anos? Por causa dele, você não tem casa própria, ele não oferece segurança nenhuma. Por que você não se separa dele?”
Trata-se de um discurso que não a ajuda em nada, pois você não se concebe sem o seu marido. O que você precisa saber para se ajudar é por que suportou e suporta essa situação. E, em segundo lugar, precisa descobrir que tipo de segurança imaginária ele oferece e da qual você não pode prescindir. Nem só de pão vive o homem.
Sugiro que você abra mão do apartamento e invista tudo que tem em análise – para ele e para você. Ambos precisam de ajuda, porque ele é viciado em jogo e você é viciada nele.











