Sem meta

Leio semanalmente sua coluna, procurando uma história que me faça entender meus problemas. Tenho medo das pessoas, não tenho amigos e não sinto saudade da minha mãe, que mora em outro estado e eu evito. Há pouco tempo faço terapia. Me faz bem, embora o processo seja lento e exija tempo. Às vezes, eu me sinto como era aos 5 anos: frágil, insegura, incapaz de arrumar um emprego melhor. Estou ansiosa, confusa, frustrada…
Curso o terceiro ano de psicologia. Sou a pessoa mais inadequada no curso e em tudo o que faço. Não realizo coisa alguma. Aliás, eu não sonho com nada. Simplesmente vivo por viver, sem meta. Eu me sinto presa a uma vida que não escolhi. Quando penso na infância com meus pais, a palavra que me ocorre é inferno. Eles brigavam o tempo todo e até se agrediam. Há pouco, descobri, através da minha irmã, que, no oitavo mês de gravidez, minha mãe levou um tombo provocado por meu pai. Isso me angustiou muito. Gostaria de começar uma vida do meu jeito, fazendo as minhas escolhas, porém não sei como. Aos 25 anos, eu me sinto impotente.
Você se apresenta dizendo que não tem e não realiza nada. Não tem amigos, não tem saudade, não tem coisa alguma… O que você espera do consultor que recebe essa apresentação? Que ele proceda como seu pai, durante a gravidez de sua mãe, fazendo pouco de você?
Você provoca a rejeição. Como se o fato de ter sido rejeitada no ventre da sua mãe devesse se repetir em sua vida. Para viver do seu jeito e fazer escolhas nas quais você se reconheça, terá de nascer de novo. Não mais de um pai e de uma mãe, e sim de suas palavras, do que você disser em sua análise, da porta que vai abrir rememorando o passado para que não mais se repita.
Hoje, você dá murro em ponta de faca. Mas pode mudar, enveredando seriamente, através da análise, por um caminho desconhecido e que você só vai descobrir caminhando. Claro que teria sido melhor nascer de um pai e de uma mãe que vivessem em paz e desejassem a criança que foi concebida, porém a origem a gente não escolhe. Não há como. O que podemos é inventar nossa trajetória. Sua meta pode ser essa. Aos 25 anos, você tem a vida pela frente, muito tempo para se definir e ser feliz.













