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19/08/2009

às 14:14 \ Casamento

Desespero

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Não acredito mais na alegria. Me sinto reclusa. Parece que sou refém de uma promessa de casamento que não se cumpriu. Sinto uma aflição louca, que nada consegue afastar. Sei que o vazio é uma coisa séria e estou à beira de um precipício. Não quero me entregar, preciso  lutar, não posso permitir que esta etapa da minha vida se prolongue por mais tempo. Sou casada há 19 anos. Tenho dois filhos adolescentes (17 e 14 anos) e me sinto uma mulher frustrada emocionalmente, sexualmente, conjugalmente,  etc.

Quero ficar sozinha com os meus filhos, mas me falta coragem para dizer isso a ele. Meu marido é violento. Às vezes, me sinto exatamente como ele me chamava, “burra, idiota, imbecil”. Também sinto culpa por ter permitido tais agressões, mas não sei como sair dessa situação. O que você pode me dizer? Tenho vontade de coisas,  conhecer outro homem. Será que todos são assim? Ou será que estou perdendo a razão?

Você está à beira de um precipício, correndo risco. Precisa de ajuda. Não espere mais para procurar um psiquiatra. Tratando a sua  “aflição louca”, as suas ideias vão ficar mais claras e você poderá encontrar o caminho. O primeiro passo é você reconhecer que não pode tudo sozinha.

Claro que nem todos os homens são como o seu marido, mas neste momento a questão não é encontrar um outro homem e sim se separar do seu. Se ele é violento, você tem de pensar numa tática para dizer o necessário, evitando a violência. Quando você tiver saído completamente da posição masoquista, ele não poderá ser sádico. Para isso, você precisa se analisar e analisar as situações que vive. Usar a cabeça.

Lutar, neste momento, significa se escutar, o que já é um ato de amor por você mesma. Você precisa dar esse passo para deixar de ser refém de uma promessa que não se cumpriu, sair da clausura. Aprendendo a se escutar, você chega onde quer. Nós infelizmente não somos educados para a escuta. Porque a educação só valoriza o sucesso – na escola, no trabalho, no casamento – e não o amor próprio. A exemplo disso, a história de Michael Jackson. Tão glorioso quanto infeliz.

Por Betty Milan

14/07/2009

às 15:10 \ Casamento

Pai separado

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Será que o meu tema é tão irrelevante ou fim de fila assim? Vou mudar a formulação para ver se você me responde. Em junho de 2008 foi sancionado o projeto de lei que institui a guarda compartilhada dos filhos de pais separados, sempre que não há acordo entre eles.

Você acha possível respeitar alguém que seja contra a guarda compartilhada em caso de pais adultos, sadios e capazes? Possível respeitar quem opta por seu próprio umbigo em detrimento da realização dos filhos? Quem manipula vidas humanas por vingança? Sempre digo que o dia das mães é o dia da ilusão da onipotência.

Gostaria que você me ajudasse a entender os papéis paterno e materno na vida de uma criança.

Nenhum tema é irrelevante ou fim de fila. Mas o espaço do consultório sentimental é destinado a pessoas que se apresentam com uma história e uma questão pessoal. Você me escreveu mais de uma vez para saber o que eu penso da guarda compartilhada, porém nunca contou a sua história. Lógico que eu sou favorável à prática de compartilhar, sempre que possível. Deixei isso claro em alguns textos anteriores.

Estou respondendo agora ao seu e-mail porque, embora você não conte a sua história, deixa transparecer uma grande urgência de ter o seu ponto de vista aprovado aqui. De ouvir que os homens estão tão capacitados quanto as mulheres a se ocupar dos filhos. Que nenhum pai ou mãe responsável tem o direito de privar o filho do convívio com o cônjuge. Que a vingança não pode ser autorizada por se tratar de um sentimento destrutivo.

O seu ponto de vista é correto, porém isso não o autoriza a desrespeitar quem discorda dele. O desrespeito prejudica os filhos, que não podem se opor à separação dos pais, mas têm o direito de gostar dos dois. Quem se separa precisa agir com delicadeza, dedos de luva.

Convencionalmente, o papel do pai é facilitar a aceitação da lei, sem a qual a socialização é impossível. No entanto, nada impede a mãe de fazer isso desde que ela não viva na ilusão da onipotência. Porque, neste caso, ela não tem noção do limite e não pode facilitar nada. É a chamada mãe fálica, caracteristicamente autoritária. Está sempre certa e tem orelha de eucatex, ou seja, não ouve.

Por Betty Milan

 

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