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Posts com a tag ‘filhos’

Desconsolo

quarta-feira, 9 de setembro de 2009 | 14:58

Como aceitar que uma pessoa, depois de 17 anos de casamento, avance sobre a poupança de anos de trabalho e simplesmente vire as costas para o marido e o filho? O dinheiro era para o estudo do filho e ela sabia disso. Hoje, não existe contato e o filho acabou sendo a maior vítima da conduta da mãe. Acho difícil entender e aceitar esta situação.
 
A conduta da sua esposa é inaceitável. Mas se você não tiver como convencê-la ou obrigá-la legalmente a devolver o dinheiro, só resta aceitar e tirar do fato uma lição. Bem diz o provérbio popular: “O que não tem remédio, remediado está”. Deve existir um provérbio equivalente em todas as línguas, porque há na vida mil e uma coisas inaceitáveis. Profundamente injustas e incompreensíveis, sobre as quais não vale a pena tergiversar.

O Buda recusava todas as discussões abstratas porque elas lhe pareciam inúteis. Formulou a célébre parábola do homem ferido por uma flecha que não deseja tirar a flecha antes de saber a casta, o nome do responsável e dos seus pais, bem como o país de onde são originários. Proceder assim, diz o Buda, é correr um risco de morte, eu ensino a tirar a flecha.

Fazer isso, no seu caso, é aceitar a realidade. E é sobre a sua dificuldade em aceitá-la que você deve se debruçar. Para se sentir melhor e não prejudicar o seu filho com a sua dificuldade e o seu desconsolo. A vida espiritual do pai interfere tanto quanto o estudo na educação do filho. Tudo que você fizer por você, estará fazendo por ele.

Na impossibilidade de consultar um analista para saber como você lida com a sua fantasia e com a realidade, você pode se aprofundar no ensinamento do budismo, que não é uma religião, e sim uma filosofia. O budismo dispensa toda relação pessoal com um Deus, porque é uma doutrina essencialmente ateia, em que não há nem crente e nem divindade. Diferentemente do judaísmo, do  cristianismo e do islamismo, não sabe o que é pecado, arrependimento e perdão, três conceitos patéticos. Entre os livros de referência, está O que é o budismo?, escrito por Jorge Luis Borges e sua companheira, Alicia Jurado.

Por Betty Milan

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Desespero

quarta-feira, 19 de agosto de 2009 | 14:14

desespero

Não acredito mais na alegria. Me sinto reclusa. Parece que sou refém de uma promessa de casamento que não se cumpriu. Sinto uma aflição louca, que nada consegue afastar. Sei que o vazio é uma coisa séria e estou à beira de um precipício. Não quero me entregar, preciso  lutar, não posso permitir que esta etapa da minha vida se prolongue por mais tempo. Sou casada há 19 anos. Tenho dois filhos adolescentes (17 e 14 anos) e me sinto uma mulher frustrada emocionalmente, sexualmente, conjugalmente,  etc.

Quero ficar sozinha com os meus filhos, mas me falta coragem para dizer isso a ele. Meu marido é violento. Às vezes, me sinto exatamente como ele me chamava, “burra, idiota, imbecil”. Também sinto culpa por ter permitido tais agressões, mas não sei como sair dessa situação. O que você pode me dizer? Tenho vontade de coisas,  conhecer outro homem. Será que todos são assim? Ou será que estou perdendo a razão?

Você está à beira de um precipício, correndo risco. Precisa de ajuda. Não espere mais para procurar um psiquiatra. Tratando a sua  “aflição louca”, as suas ideias vão ficar mais claras e você poderá encontrar o caminho. O primeiro passo é você reconhecer que não pode tudo sozinha.

Claro que nem todos os homens são como o seu marido, mas neste momento a questão não é encontrar um outro homem e sim se separar do seu. Se ele é violento, você tem de pensar numa tática para dizer o necessário, evitando a violência. Quando você tiver saído completamente da posição masoquista, ele não poderá ser sádico. Para isso, você precisa se analisar e analisar as situações que vive. Usar a cabeça.

Lutar, neste momento, significa se escutar, o que já é um ato de amor por você mesma. Você precisa dar esse passo para deixar de ser refém de uma promessa que não se cumpriu, sair da clausura. Aprendendo a se escutar, você chega onde quer. Nós infelizmente não somos educados para a escuta. Porque a educação só valoriza o sucesso – na escola, no trabalho, no casamento – e não o amor próprio. A exemplo disso, a história de Michael Jackson. Tão glorioso quanto infeliz.

Por Betty Milan

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Pai separado

terça-feira, 14 de julho de 2009 | 15:10

pais-separados1

Será que o meu tema é tão irrelevante ou fim de fila assim? Vou mudar a formulação para ver se você me responde. Em junho de 2008 foi sancionado o projeto de lei que institui a guarda compartilhada dos filhos de pais separados, sempre que não há acordo entre eles.

Você acha possível respeitar alguém que seja contra a guarda compartilhada em caso de pais adultos, sadios e capazes? Possível respeitar quem opta por seu próprio umbigo em detrimento da realização dos filhos? Quem manipula vidas humanas por vingança? Sempre digo que o dia das mães é o dia da ilusão da onipotência.

Gostaria que você me ajudasse a entender os papéis paterno e materno na vida de uma criança.

Nenhum tema é irrelevante ou fim de fila. Mas o espaço do consultório sentimental é destinado a pessoas que se apresentam com uma história e uma questão pessoal. Você me escreveu mais de uma vez para saber o que eu penso da guarda compartilhada, porém nunca contou a sua história. Lógico que eu sou favorável à prática de compartilhar, sempre que possível. Deixei isso claro em alguns textos anteriores.

Estou respondendo agora ao seu e-mail porque, embora você não conte a sua história, deixa transparecer uma grande urgência de ter o seu ponto de vista aprovado aqui. De ouvir que os homens estão tão capacitados quanto as mulheres a se ocupar dos filhos. Que nenhum pai ou mãe responsável tem o direito de privar o filho do convívio com o cônjuge. Que a vingança não pode ser autorizada por se tratar de um sentimento destrutivo.

O seu ponto de vista é correto, porém isso não o autoriza a desrespeitar quem discorda dele. O desrespeito prejudica os filhos, que não podem se opor à separação dos pais, mas têm o direito de gostar dos dois. Quem se separa precisa agir com delicadeza, dedos de luva.

Convencionalmente, o papel do pai é facilitar a aceitação da lei, sem a qual a socialização é impossível. No entanto, nada impede a mãe de fazer isso desde que ela não viva na ilusão da onipotência. Porque, neste caso, ela não tem noção do limite e não pode facilitar nada. É a chamada mãe fálica, caracteristicamente autoritária. Está sempre certa e tem orelha de eucatex, ou seja, não ouve.

Por Betty Milan

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