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filhos

12/08/2011

às 18:08 \ Relacionamentos

Indecisão

Estou sem saber o que fazer, eu que sempre consegui tomar decisões. Tenho 47 anos, sou separada há dez e moro com meus filhos, uma moça de 29 e um rapaz de 26, além da minha mãe. Há quatro anos “namoro” um homem de 43, também separado. De uns tempos para cá, tenho pensado em casar (morar junto), mas meus filhos não concordam com a ideia de o namorado vir morar conosco, pois a casa em que vivemos também é do pai deles. O namorado diz que posso morar com ele quando quiser, mas eu não gostaria de deixar meus filhos e minha mãe. Acho que as mães não devem deixar seus filhos. São eles que se casam e vão embora. Quanto à minha mãe, ela é dependente de nossa convivência e eu teria de levá-la comigo.

Não quero sair da minha casa, mas estou cansada de ficar me dividindo. Nunca me sinto relaxada, estou sempre com uma mochila nas costas, indo ou voltando para uma das duas casas. Sem falar na sensação de estar sempre ausente para uma das partes. Quando estou com ele, fico pensando que minha mãe e meu filho estão sozinhos. Quando estou com os filhos, é ele que reclama minha presença. Não consigo tomar uma atitude.

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Por Betty Milan

27/05/2011

às 8:07 \ Casamento

Amargura


Eu e minha mulher somos casados há onze anos e temos dois filhos maravilhosos, de 8 e 6 anos. Mas nossa relação se deteriorou, e minha mulher pensa muito em se separar. Passamos momentos difíceis depois do nascimento do nosso segundo filho, e eu lhe disse coisas horríveis que ela não esqueceu. Afirma que perdeu o amor por mim e é difícil viver junto.  Entendi que as palavras têm consequências, porém sofro porque a amo. Gostaria de ficar com ela e continuar a viver em família. Como recuperar o amor? Como fazer com que ela se reapaixone por mim? Será possível? Desculpas eu já pedi, mas isso não basta. O que fazer?

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Por Betty Milan

18/03/2011

às 11:48 \ Relacionamentos

Atoleiro


Leio sua coluna para enfrentar meus problemas. Resolvi escrever porque estou muito agoniada, sem um namorado, sem amigos. Tenho 33 anos. Dizem que pareço ter menos e sou bonita. Meu emprego é bom, mas sinto um imenso vazio. Sempre sonhei em me casar e ser mãe, porém sinto que a possibilidade de realizar o sonho está cada vez mais distante: a idade avançando e nenhum pretendente interessante.

Daqui a pouco, não poderei mais ter filhos por razões biológicas. Já tive alguns relacionamentos sérios e cheguei a pensar em casamento, porém sempre houve algo estragando tudo: uma traição, um abandono, um desencanto mútuo. Sinto que não sei escolher o homem certo ou que não sei manter o relacionamento. Sinto que todos seguiram sua vida, menos eu. Minhas amigas se casaram, tiveram filhos ou se mudaram.

Além de não conseguir namorar, não consigo mais fazer amigos. Sei que isso é, em parte, voluntário. Já me vangloriei de estar sozinha, de não ter ninguém para atrapalhar meu sossego. Só que agora me cansei disso.  Às vezes me olho no espelho e sinto que estou perdendo tempo. Daqui a pouco a juventude se foi. O que eu faço? Tenho relações com qualquer homem para engravidar? Vou a um banco de sêmen? Ou continuo nesse espera agoniada e pouco promissora?

Nem todo mundo nasce para se casar, embora haja quem imagine o contrário. O fato de sempre ter existido na sua vida amorosa “algo estragando tudo” tem de ser levado em conta. Você talvez não tenha vocação para o casamento, que é uma aposta particularmente difícil.

O que me chamou atenção no seu e-mail foi o número de vezes que você utilizou a palavra sinto. Será que você tem medo de ser afirmativa? Talvez seja isso. O fato é que você sente mais do que você pensa sobre os próprios sentimentos. Fica exposta ao que der e vier. Fala como se traição, abandono e desencanto caíssem do céu.

Por outro lado, não vê saída para você fora do que antigamente se convencionou ser o destino da mulher: o casamento e a maternidade. Assim, pensa numa relação com um homem qualquer para engravidar ou pensa no banco de sêmen. Não sou de dar conselho, mas me permito dizer que, na situação atual, é melhor não engravidar. A criança vai ser a depositária de todas as suas expectativas e você vai se frustrar.

Você está atolada e não quer mais ficar. Então procure descobrir por que você só vê saída na via convencional. O que tem isso a ver com as suas origens, com o que os seus antepassados faziam e diziam?

Por Betty Milan

17/12/2010

às 11:28 \ Relacionamentos

A perfeita


Vou fazer 30 anos. Meu maior problema é um homem que sempre bate à minha porta. Fui casada com ele oito anos. Nós terminamos de forma muito intempestiva. Na ocasião, eu estava grávida do meu segundo filho, ambos dele. Meu ex tinha boas condições financeiras e não me ajudava, desfilava com garotas na minha frente e quase não via meus filhos. Moro numa cidade pequena! Depois de alguns anos, ele perdeu tudo: carro, moto e a loja. Passou a me procurar. Volto e depois termino. Às vezes, por um motivo grave (mentiras, traições etc.). Outras, por motivos bobos. No fundo, não o quero quando o tenho, mas, quando ele está longe, sinto sua falta, e a cobrança dos meus filhos me impulsiona a ceder.

Desde que me separei, vivo para as crianças e não saio de casa. Não consigo conciliar minha religião com a vida social e não encontro um príncipe encantado dentro da igreja, disposto a assumir duas crianças. Eu, aliás, nem procuro. Sou muito exigente com relação a minha aparência. Minha mãe me cobrava e cobra isso de mim. Não que eu seja feia, porém não sou perfeita, principalmente depois de ter tido filhos. Morro de vergonha só de pensar em tirar a roupa diante de alguém que não seja meu ex-marido. Não suportaria uma crítica, ouvir que estou gorda. É impossível perdoar meu ex. Não confio em nada que venha dele, nem na palavra, nem nas promessas, nem nos planos, mas eu volto sempre com ele. O que fazer?

Sua mãe quer uma filha perfeita. E, como se a perfeição fosse deste mundo, você faz do desejo dela o seu. Tem vergonha do corpo, e, para não expô-lo, não se expõe ao amor. Fecha-se em casa e só sai para a igreja.

Seu ex-marido não é digno de confiança. Apesar disso, você abre a porta para ele. Faz do desejo dele o seu. Diz que sente falta dele e a cobrança dos seus filhos a impulsiona a ceder. Ainda aqui você faz do desejo alheio o seu. Você nunca é sujeito do seu desejo, não tem liberdade alguma.

Mora numa cidadezinha, onde talvez não haja um analista. Se o caso for esse, procure em outra cidade e faça por você o que ninguém fará. Nem sua mãe, nem seu ex, nem seus filhos, que logo estarão crescidos e vão viver para si mesmos. Você tem 30 anos, a vida pela frente. Já perdeu muito tempo. Não perca mais. Saia de casa agora para ir ao consultório do analista, custe o que custar.

Por Betty Milan

21/07/2010

às 18:57 \ Casamento

A paixão da paixão

Não sei o que fazer. Sou casado, tenho dois filhos pequenos, um de 1 ano e outro de 5. Me apaixonei completamente por outra mulher, que mora em uma cidade distante. Às vezes, penso em me separar para viver a paixão, mas tenho muito medo das consequências para os meus filhos.

Li alguns textos a respeito, e todos falam em traumas, sentimento de culpa que as crianças têm com a separação dos pais. Você poderia falar sobre isso? Como é possível se separar sem prejudicar demais as crianças? Obrigado.

Você me envia um e-mail de sete linhas para resolver uma questão da mais alta importância: os efeitos de uma eventual separação na vida dos seus filhos. Não diz nada sobre o seu casamento, sobre a mãe das crianças e sobre elas. Como se qualquer separação tivesse o mesmo significado, quando cada uma é uma e depende fundamentalmente das pessoas envolvidas.

Seu e-mail é o de quem não refletiu sobre o assunto que quer esclarecer, e eu me pergunto se você se casou e teve filhos da mesma maneira que me escreveu, ou seja, sem refletir. Pode ser que tenha sido assim, e, se foi, a melhor coisa que você pode fazer é se debruçar sobre sua história e descobrir a razão de sua conduta.

Ter filhos implica a maior responsabilidade, e ninguém pode pôr uma criança no mundo furtando-se ao papel de pai ou de mãe. Você, por um lado, sabe disso e, por outro, ignora. Do contrário, não teria me perguntado como se separar sem prejudicar demais as crianças. A palavra “demais” revela a irresponsabilidade, pois é como se não fosse grave prejudicar um pouco.

Antes de tomar qualquer atitude, você precisa saber por que se casou, por que teve filhos e por que quer largar tudo para viver uma paixão em outra cidade. A que imperativos inconscientes você esteve e está sujeito? É possível que o objeto de sua paixão seja a própria paixão. Isso significa que você está exposto ao sofrimento.

Não sei que caminho você deve tomar, mas sei que você precisa esclarecer as questões acima a fim de não ser contrário a si mesmo e aos seus filhos. A fim de não sofrer mais. Quando a gente não sabe para que lado ir, o melhor é ficar parado até saber.

Por Betty Milan

18/05/2010

às 19:02 \ Casamento, Sexo

Desencontros

Tenho 43 anos, sou casada há 20 e tenho dois  filhos pré-adolescentes. Meu marido sofre de ejaculação precoce e está ficando muito difícil manter o casamento, pois sinto necessidade de um prazer que está além dos amassos e da masturbação. A minha atração por ele se esvaiu. Já tentamos vários tratamentos (psicológicos e medicamentosos) e atualmente fazemos terapia de casal há um ano, mas não houve progresso. Meu marido insiste em “namorar”, procurando me recompensar com carícias sexuais às quais o meu corpo não reage. Quando a ejaculação não ocorre no período das carícias, acontece nos primeiros movimentos e isso me frustra demais. Ao conversarmos sobre o assunto, ele me diz que estou “focando” somente no sexo e é preciso “aproveitar” o que acontece. Ainda não consegui fazê-lo escutar que eu quero uma vida sexual saudável e não um prazer alucinado. Em alguns momentos fico muito irritada, pensando que só sirvo para validar o sucesso dele. Noutras, me digo que sou egoísta por querer me realizar sexualmente. Já disse que ele não faz de mim a sua mulher e eu sou somente a mãe dos filhos dele. Não sei se devo me conformar ou se há alguma saída.

Eu me pergunto por que você está na sua situação. Por ter o gozo da insatisfação ou por acreditar piamente na necessidade do casal, ou seja, por não conceber a separação?

Por outro lado, a ejaculação precoce é uma limitação, mas não é forçosamente um empecilho. A felicidade depende menos do desempenho sexual do que do encontro sexual dos amantes. E este pode inclusive excluir a penetração, como no ritual do asag, um ritual da Idade Media durante o qual o amante estava autorizado a fazer todas as carícias na sua amada, porém devia renunciar à penetração para provar que amava verdadeiramente.

Sei que o seu marido não é um trovador e você não é uma dama antiga, porém também sei, pelo seu e-mail, que ele a deixa alucinada e não a satisfaz. Que ele não a escuta. Ora, quem ama sabe contentar o amado, descobre uma maneira porque sabe escutar.

Já fizeram vários tratamentos e não há progresso. Você continua batendo na mesma tecla da vida sexual saudável e ele continua surdo. A experiência do casamento você já teve. Que tal ousar a separação para talvez encontrar um amor? Ou, mais simplesmente, ousar a transformação que é a base da vida?

Por Betty Milan

07/04/2010

às 18:14 \ Relacionamentos

Maconha

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Há seis anos namoro um rapaz dois anos mais novo que eu. Tenho 31 e ele 29. Nos conhecemos na faculdade, estamos noivos e com planos de nos casar em 2011. O meu dilema, desde o início do relacionamento, é que ele fuma maconha. No início, ao descobrir, me revoltei. Me perguntava como uma pessoa tão legal pode se deixar levar por esse tipo de coisa. Tentei convencê-lo a parar, mas foi inútil. Certo dia, experimentei um cigarro para conhecer a sensação. Hoje fumo com ele de vez em quando e até gosto, mas isso é algo que não me domina e de que não sinto falta. Já ele, precisa da maconha para ficar relaxado, alegre…

Às vezes, penso que gosto mais dele quando está sob o efeito da maconha, pois fica menos sisudo. Ele tem muitos problemas familiares que o atrapalham e que ele não procura resolver. O que mais me  preocupa é que fui criada para rejeitar este tipo de coisa. Sempre fui a filha certinha, a aluna “caxias”, a profissional responsável. Me pergunto como será quando nos casarmos e tivermos filhos. Qual a importância que a maconha terá em nossas vidas e como conseguiremos evitar que nossos filhos “experimentem”. Gostaria de saber sua opinião sobre isso.

O problema não é a maconha, mas a dependência. Você fumou, gostou e não depende dela. O mesmo pode acontecer com os seus filhos se eles não estiverem predispostos ao vício. De acordo com o e-mail, seu namorado é dependente porque não procura resolver os problemas que tem, não encara os fatos. A origem da dependência, em geral, é o desejo de escapar à realidade da qual, aliás, o sujeito acaba se tornando vítima. Por isso, o recurso à droga é problemático. Entre os povos primitivos não era, graças à ritualização do consumo. As sociedades pré-colombianas utilizavam muitas plantas para os ritos religiosos. O tabaco, a coca e a maconha eram plantas sagradas, usadas pelos xamãs para atingir a dimensão espiritual da realidade e se comunicar com todos os seres.

O consumo se dava em jejum e era acompanhado de luz e som, movimentos corporais repetidos a fim de chegar ao transe, que tornava visível o invisível e permitia entrar em contacto com os espíritos da natureza para agir sobre ela. Ao contrário do que acontece conosco, a droga estava a serviço da coletividade e encontrava nesta a sua razão de ser. Os povos primitivos também eram mais civilizados por não serem vítimas do individualismo e não fazerem um uso nocivo da droga.

Por Betty Milan

09/09/2009

às 14:58 \ Casamento, Relacionamentos

Desconsolo

Como aceitar que uma pessoa, depois de 17 anos de casamento, avance sobre a poupança de anos de trabalho e simplesmente vire as costas para o marido e o filho? O dinheiro era para o estudo do filho e ela sabia disso. Hoje, não existe contato e o filho acabou sendo a maior vítima da conduta da mãe. Acho difícil entender e aceitar esta situação.
 
A conduta da sua esposa é inaceitável. Mas se você não tiver como convencê-la ou obrigá-la legalmente a devolver o dinheiro, só resta aceitar e tirar do fato uma lição. Bem diz o provérbio popular: “O que não tem remédio, remediado está”. Deve existir um provérbio equivalente em todas as línguas, porque há na vida mil e uma coisas inaceitáveis. Profundamente injustas e incompreensíveis, sobre as quais não vale a pena tergiversar.

O Buda recusava todas as discussões abstratas porque elas lhe pareciam inúteis. Formulou a célébre parábola do homem ferido por uma flecha que não deseja tirar a flecha antes de saber a casta, o nome do responsável e dos seus pais, bem como o país de onde são originários. Proceder assim, diz o Buda, é correr um risco de morte, eu ensino a tirar a flecha.

Fazer isso, no seu caso, é aceitar a realidade. E é sobre a sua dificuldade em aceitá-la que você deve se debruçar. Para se sentir melhor e não prejudicar o seu filho com a sua dificuldade e o seu desconsolo. A vida espiritual do pai interfere tanto quanto o estudo na educação do filho. Tudo que você fizer por você, estará fazendo por ele.

Na impossibilidade de consultar um analista para saber como você lida com a sua fantasia e com a realidade, você pode se aprofundar no ensinamento do budismo, que não é uma religião, e sim uma filosofia. O budismo dispensa toda relação pessoal com um Deus, porque é uma doutrina essencialmente ateia, em que não há nem crente e nem divindade. Diferentemente do judaísmo, do  cristianismo e do islamismo, não sabe o que é pecado, arrependimento e perdão, três conceitos patéticos. Entre os livros de referência, está O que é o budismo?, escrito por Jorge Luis Borges e sua companheira, Alicia Jurado.

Por Betty Milan

 

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