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filho

29/12/2011

às 19:27 \ Casamento, Relacionamentos

Um filho inesperado

Sou bancário, tenho 27 anos. Vivo, em união estável, com uma pessoa há quase quatro anos. Agora, minha esposa está esperando nosso primeiro filho, mas não consigo aceitar esse fato com naturalidade. Ser pai não estava nos meus planos, e nós ainda tínhamos muitos sonhos para realizar juntos antes de ter filhos. Quando vejo outros homens felizes por estarem esperando um primeiro filho, eu me sinto um verdadeiro ET. Não digo aos amigos que vou ser pai. Vou arcar com as responsabilidades materiais, mas ainda não consegui amar essa criança. Será que sou normal? Preciso entender o que se passa comigo. Por favor, responda.

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Por Betty Milan

17/06/2011

às 17:57 \ Casamento

Help me

Tenho 38 anos. Aos 18 engravidei e dei à luz uma menina que hoje é uma moça linda de 19 anos. Eu me separei do primeiro marido e me casei de novo. Tentei ter mais um filho, mas só consegui espontaneamente no ano passado, depois de fazer de tudo, inclusive fertilização in vitro. Dei à luz uma segunda menina, que hoje tem 1 ano e 3 meses. No meu casamento, que está um fiasco, nós passamos por traição, separação, reconciliação, problemas de dinheiro e saúde da bebê, que teve problemas respiratórios. Estou amamentando e perdi o interesse pelo meu marido, que é lindo, porém não me deseja como eu gostaria de ser desejada.

Me sinto culpada por ter de trabalhar fora e deixar a bebê no berçário; por não administrar bem a casa; por não cuidar do meu casamento como deveria! Queria ser uma guerreira, com dia de 50 horas e disposição para tudo! Estou sem dormir uma noite inteira há algum tempo. Às vezes, tenho vontade de me separar. Daí penso no trabalho que dá ter uma relação nova e prefiro ficar onde estou! Ser mãe, depois de tantos anos, é um recomeço muito louco! Ao mesmo tempo em que amo este momento, eu me culpo por querer ser livre, dormir e acordar na hora que desejar, pegar o carro e sair sem destino ou mesmo sumir um dia inteiro sem ser importunada! Help me!

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Por Betty Milan

18/02/2011

às 12:20 \ Relacionamentos

Ideia louca

Getty Images

Tenho 32 anos, sou estudada, meu emprego me proporciona uma vida confortável, com carro e apartamento próprios. Sou atlética e atraente. Mas, apesar disso, estou me tratando de uma depressão.

Tudo começou com um relacionamento com um colega. Me apaixonei perdidamente por ele, mesmo sabendo que era casado. Não tínhamos muita afinidade, era uma coisa de química. Na época, tive uma terrível crise existencial. Ao completar 30 anos, minha vida perdeu todo o sentido e eu sentia tanta angústia que cheguei a pensar na morte.

Estou melhorando a cada dia que passa. Me separei do rapaz para manter o equilíbrio. No entanto, estou com a ideia fixa de ter um filho com ele. Sou completamente louca por ser mãe, e, como já passei dos 30, tenho medo de não realizar meu sonho. Sei que posso criar uma criança sozinha com a ajuda de minha família. Só tenho medo de ser injusta com meu filho não permitindo a ele que tenha um pai como eu tive. Meu filho entenderia?

Ter um filho com um homem por quem você se apaixonou e de quem se afastou — e, mais que isso, com quem não tinha afinidade — é loucura solta. Ainda que fosse a última oportunidade de sua vida de transar e engravidar, a conduta não se justificaria. O filho seria o filho de um homem que a mãe estranha e ele vai estranhar também.

Se for para criar uma criança sozinha, por que não usar o banco de esperma? Melhor um pai biológico desconhecido do que um pai biológico conhecido quando este é um homem que não se ocupa da criança. Você tem 30 anos e pode esperar uns dez para engravidar nas condições que deseja, ou seja, dando um pai ao seu filho para que este viva como você viveu. Só assim você realiza seu sonho.

No momento, você precisa se tratar e descobrir por que se apaixonou perdidamente e por que é “completamente louca” para ser mãe. Ou seja, para se livrar dessa sua paixão pela paixão. Com ela você não vive, se mata. Portanto, o primeiro passo é rememorar sua história e parar de se repetir.

Quero ainda dizer que a boa mãe não precisa loucamente do filho. Vive de forma independente, deixando-o viver assim. Sabe renunciar à presença do filho, em cuja liberdade ela aposta.

Por Betty Milan

02/12/2010

às 19:38 \ Casamento

Crueldade


Sou casada há três anos. Meu marido é uma pessoa maravilhosa: talentoso e trabalhador. Assumiu meu filho quando o menino tinha 3 meses. Diz que gosta de mim e que eu sou muito especial, mas não esconde o fato de não me amar. Desde que aceitei isso, meu amor por ele esfriou, e de uns dias para cá eu não consigo mais sentir prazer. Será o excesso de trabalho que nós dois temos? Eu disse a ele que não sinto prazer e chorei. Em vez de me abraçar, ele respondeu que eu não precisava chorar e que devemos agir como adultos. Confesso que sinto falta de alguém dizer que me ama, de ser amada.

Ele tem talento, trabalha e reconheceu a criança. O.k., tudo bem. Só que a relação dele com você é cruel. Dizendo explicitamente que não a ama, ele, por um lado, exige que você aceite a dissociação entre o amor e o sexo. Por outro, que aceite ser objeto sexual e ponto. Ora, para você o amor e o sexo não estão dissociados e o que você quer é o amor. O diapasão dele não é o seu.

Você quer as palavras que a farão sentir-se amada, pois nada traz mais felicidade. O sexo dissociado do amor pode ser uma experiência interessante, porém tende a se tornar repetitivo. Basta ler, por exemplo, A Filosofia do Boudoir, do Marquês de Sade, para se dar conta disso. E, além de repetitivo, o boudoir do Marquês tem como única referência a sexualidade masculina. De sorte que as mulheres, como os homens, devem ejacular.

Não é porque seu marido assumiu seu filho quando este tinha apenas 3 meses que você deve abrir mão do amor. E você, aliás, não vai fazer isso. Se ele não for mesmo capaz de escutar, você acabará encontrando o homem que vai dizer “eu te amo”. Porque você precisa escutar essa frase.

Nem tudo se pode. Sei disso. As pessoas, às vezes, têm orelha de eucatex. Porém você deve fazer o possível para sensibilizar seu marido com as palavras certas. Procure-as até encontrar. Depois tente. Se conseguir, ótimo. Se não, faça o necessário para ser feliz.

A felicidade já não depende mais do casamento. Pode ser encontrada de outra maneira. Quem melhor mostra isso é Woody Allen em um dos seus últimos filmes, As You Like it. Resumidamente, a mensagem dele é: não dê atenção à opinião dos outros. Faça da sua vida o que for preciso para ser feliz. Quem pode em sã consciência não concordar com o cineasta?

Por Betty Milan

04/11/2009

às 21:22 \ Relacionamentos

Questionamento

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Meu pai: fumante, inteligente, nervoso, incapaz de elogiar, reconhecer, abraçar e beijar o filho – salvo no aniversário ou em alguma situação especial. Estourado no trânsito e na empresa. Se colocado numa situação difícil, fala qualquer coisa para magoar quem está por perto. Vejo-o como uma pessoa frustrada e sempre insatisfeita.  Minha mãe: calma, submissa, de fácil convívio e frágil.

Me casei este ano. Volta e meia penso o quão mal tratei meu pai. Não tenho paciência para ouvi-lo. Me comporto com indiferença e muitas vezes com ressentimento. Quanto à minha mãe, sempre a tratei com muita cobrança e aspereza.

Queria ter tido um convívio mais amoroso, sem mágoa com eles. Agora que me casei, sinto culpa. Meus pais talvez não tenham tido pais amigos, companheiros. O que eu faço? O problema está em mim ou neles? Uma terapia de vidas passadas ajudaria? Aguardo resposta.

Culpa pelo convívio amoroso que você poderia ter tido e não teve? Ora… Se não teve é porque não poderia ter tido. A fantasia é uma coisa, a realidade é outra. No passado, você foi como era dado a você ser. Nem tudo se pode. Agora, a vida muda, e com a mudança a gente tem condições de reconsiderar certas atitudes. Você está no caminho porque está se questionando. Isso já é muito. A condição para reinventar a existência é esta. 

 Possível que os seus avós não tenham tido com os seus pais uma relação que viabilizasse a amizade com você. Digo isso porque a gente ama como foi amado. Refletir sobre a vida passada dos seus ancestrais certamente ajudará a descobrir o porquê das condutas que provocaram o seu ressentimento e a sua aspereza.

Não se trata de fazer uma “terapia de vidas passadas”, mas de se debruçar sobre as vidas dos que o precederam para reinterpretar a sua história com eles e agir de maneira mais adequada. Tanto no que diz respeito a eles  quanto a sua descendência, com a qual você poderá trilhar o caminho da amizade. Um caminho que depende sobretudo do ato generoso da escuta.
Ser amigo do filho é considerar que ganhamos perdendo tempo com ele. É ensinar a importância do ato gratuito. Também é renunciar à luta de prestígio, desacreditar a guerra e valorizar a paz.

Por Betty Milan

04/08/2009

às 14:17 \ Casamento

Triângulo infeliz

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Tenho 38 anos, sou casada há 13 e mãe de um filho de 12. Meu marido e eu estamos fazendo terapia de casal. A terapeuta percebeu todos os nossos problemas. Disse que precisa primeiro tratar da gente e depois do menino, que também está sofrendo.

Meu marido não entende nada do que eu falo. Então, fui falando cada vez menos. Temos problemas de comunicação e o sexo é péssimo. Eu fujo, fico o mais distante possível para não dar “ideias”. Não era assim antes do casamento. Mas, depois que o meu filho nasceu e meu marido se mostrou imaturo em várias circunstâncias,  eu fui me desinteressando do sexo com ele. Não entende que as preliminares começam com a gentileza cotidiana e o companheirismo. Tenho que explicar tudo que diz respeito ao sentimento.

Quando ele quer sexo, se aproxima como uma criança manhosa, procurando colo. Com olhos pidões e um biquinho. Me pergunto se ele quer mulher ou mãe e fico sem vontade nenhuma. Gosto de sexo quente e para não trair, fui me anulando como mulher. Tem horas que eu queria ter 65 anos, para  não pensar mais no assunto.

Aos 38 anos você queria ter 65 para não pensar em sexo. Como se as mulheres de 65 não pensassem em sexo. Ninon de Lenclos, dama francesa do século XVII, que reunia no seu salão a sociedade libertina da época, recusou o último amante aos 80. Mas o desejo que você expressa mostra o quanto o seu marido pidão e a ideia de traí-lo provocam repugnância em você. Como ele não entende nada do que você diz e você foi falando cada vez menos, a hipótese de uma separação pode ser aventada e a terapia de casal deve servir para considerar isso.

Se a meta desta terapia for salvar o casamento a qualquer preço é porque ela tem um pacto com a repressão. Nada é mais contrário à felicidade. Ninguém é obrigado a ficar onde está. Você e o seu marido podem mudar de posição. Ou redescobrindo a possibilidade de ficar junto, o que depende de uma escuta nova, ou se separando, caso essa escuta não ocorra.

Um casal  que não se comunica e não tem uma boa vida sexual, ou seja, que não se entende, acaba traumatizando os filhos. Melhor ter pais separados do que continuamente traumatizados. Ninguém precisa continuar casado porque se casou um dia. A cabeça das pessoas muda. E não há razão para não aceitar a mudança.

Por Betty Milan


 

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