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família

09/09/2011

às 15:01 \ Relacionamentos

Amanhã será tarde

Tenho 30 anos e sou solteira. Estudei por esforço próprio e trabalho há 14 anos com RH. Não escolhi essa profissão por querer, e sim por ter sido criada com o estritamente necessário para viver. Isso me magoa, pois meu pai sempre teve condições financeiras de dar mais do que o básico para mim e para minha mãe. Portanto não devo nada a ninguém. Descobri, há dois anos, que gosto de trabalhar com fotografia e estou estudando para mudar de profissão. Afetivamente, sou sozinha. Todo mundo que conheço tem algum tipo de laço afetivo. O máximo que tenho é um relacionamento não afetivo com uma pessoa que só quer sexo e já deixou claro que é só isso.

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Por Betty Milan

05/08/2011

às 13:56 \ Relacionamentos

A procura da luz

Tristeza e falta de esperança fazem parte do meu dia a dia por causa do ambiente em que vivo. Moro com minha mãe, que é nervosa, emotiva e desestimulada. Sempre que tem um problema, o refúgio é a bebida. Tenho mais duas irmãs que, assim como eu, são jovens na idade e velhas de espírito. E eu tenho uma avó que criou minha mãe e é uma pessoa complicada, negativa, solitária e trabalhosa. Dependemos dela financeiramente e por isso a aguentamos.

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Por Betty Milan

08/04/2011

às 12:00 \ Liberdade

Tirania

Fiz 15 anos e estou com muita dúvida. Tenho tudo o que uma garota sempre quis: beleza, inteligência e dinheiro. Mas não tenho autonomia, o que me deixa infeliz. Meus pais querem que eu siga uma carreira acadêmica igual à deles.  Quando criança, eles eram muito presentes, porém agora estão ausentes nas horas em que mais preciso. Agem como cegos, escolhendo um futuro que não quero e me deixando sem voz. Segundo os padrões da religião que eles seguem, devo me submeter. Principalmente no que diz respeito ao amor, e eles só permitem que eu me envolva em relacionamentos que levem ao casamento.

Meu sonho é trabalhar em artes plásticas. Eles me ameaçam dizendo que, se eu seguir essa carreira, devo me afastar da família porque a religião deles não aceita. Estou sofrendo muito, pois já fui chamada por escolas renomadas de arte e tive de recusar os convites. Meus pais me obrigaram a isso. Quero me libertar, fazer o que gosto. Mas não consigo. Acabo cedendo.

Quem nasceu para uma carreira artística não pode seguir uma carreira acadêmica. Nesta, o indivíduo é professor ou aluno e o saber é o saber que se transmite de uma para outra geração. O que mais importa é a transmissão, e não a invenção. Já o artista não tem mestre e não tem por que ter alunos. Quando convidaram Manet a formar outros pintores, ele respondeu: “Não posso ter alunos. O que lhes transmitiria eu? Nada ou muito pouco, que eu resumo em duas frases: ‘O preto não existe’ e ‘Não faça nada do que você já viu nas obras dos outros’.” Com essa resposta, Manet afirmava que o artista deve conhecer a arte de seus predecessores para inventar algo novo. Ou seja, ele encontra o caminho sozinho.

A religião de seus pais é a da submissão e a sua é a da invenção. Você se submeteu, recusando convites importantes, e é óbvio que não pode estar feliz. A sorte a gente agarra. Como o poeta agarra a palavra que passa. Mais cedo ou mais tarde você terá de dizer não a seus pais. A questão será de vida ou morte, porque não há como contrariar eternamente a própria natureza.
Como você vai dizer não, eu ignoro. Porém você vai descobrir uma maneira, pois sua natureza vai se impor. Quando as portas estão fechadas, a gente sai pela janela. Sendo uma artista, você saberá não bater de frente. Vai se inspirar na via da arte para se separar sem romper. Isso é altamente recomendável, embora nem sempre seja fácil.

Por Betty Milan

12/11/2010

às 13:17 \ Relacionamentos

Compulsão alimentar

Tenho 19 anos, uma família bem estruturada, um namoro que me satisfaz. Faço o curso que escolhi, medicina. O problema é que eu me sinto muito mal, embora esteja me tratando há seis meses.  Vivi no passado com medo de tudo e de todos. Por isso me isolei. Passava as minhas horas de solidão comendo. Até um dia resolver fazer dieta, emagrecer e gostar de mim. Foi quando comecei a namorar.

Não consegui manter o peso. Tinha ataques de compulsão e, para compensar o exagero, fazia muito exercício físico. Às vezes voltava ao peso. Só que, depois, engordava de novo. Comia até passar mal, sentir remorso e inquietação. Hoje, sinto medo do futuro, me culpo por não ser capaz de sustentar minha felicidade. Quando me olho no espelho, vejo que não sou a mesma. Tenho vontade de emagrecer de novo, mas temo chegar aonde quero e estragar tudo por ansiedade. Penso em me penalizar, entregando-me à compulsão e acabando o namoro. Transformei minha vida em algo mesquinho. Sinto repugnância por mim mesma e pelo meu corpo. O que fazer?

Você cai matando, come até se encharcar. Depois se olha no espelho, enxerga a gordura e tem vontade de morrer. Duplamente violenta por ser vítima  dos imperativos inconscientes e dos ditames da moda. Você hoje vive sem liberdade, sem ousar dizer não a si e aos outros. Mas esse drama tem uma história, que pode ser desvendada. Pode e precisa, para que você não perca mais tempo e não desperdice a vida. Tratar-se significa deixar de viver na paixão da ignorância, descobrir a origem da compulsão. Significa falar até alcançar essa meta. Falar e ser escutada para saber a que desejo você obedece quando cai matando. A que desejo inteiramente alheio ao seu, ou seja, do qual você não é sujeito, é objeto.

Com um verdadeiro analista você deixa de ser escrava de si mesma e de fazer o que não pode. E você não tem outra saída. Tem de conquistar a liberdade a fim de viver. A questão, no seu caso, é de vida ou morte. Você me escreveu porque está pronta para superar a obediência que a mata. Certifique-se de que você se trata com a pessoa certa, isto é, uma pessoa cujo desejo seja de que você faça sua análise até não mais se repetir.

Por Betty Milan

25/06/2010

às 16:22 \ Relacionamentos

Laços de família

Tenho 35 anos e minha esposa, 32. Somos casados há onze anos. Temos uma filha de 4 e um filho de 2. Demoramos para ter filhos, e, até o nascimento de nossa primeira filha, o casamento era ótimo. Desde então, minha esposa tem ciúme do meu relacionamento com a menina. Por um nadinha ela a agride. Isso ficou mais claro com o nascimento do menino. A diferença no tratamento das crianças é nítida. Acabo sendo obrigado a tratar a menina melhor, para que ela não fique com a idéia de que todos são maus etc. Daí, a mãe acha que eu privilegio a menina e aumenta a pressão sobre ela. Criou-se um ciclo vicioso que eu não consigo romper.

Para piorar a situação, minha esposa foi nomeada por uma repartição pública, onde trabalham outras mulheres com sérios problemas de relacionamento. E ela agora acha que todos os homens não prestam, eu a traio e a nossa filha de 4 anos sabe disso e acoberta a verdade. Não sei se ela está sendo influenciada pelas colegas. Sugeri que procurasse um terapeuta, e uma delas disse que eu fiz isso a fim de que o profissional a prepare para aceitar a traição. A situação está se tornando insuportável.

O ciúme é uma danação porque não há como contestá-lo com argumentos: ele nasce e se alimenta de si mesmo e é a causa de grandes tragédias. Só é possível lidar com ele descobrindo os seus motivos, ou seja, através da análise. Mas, tendo em vista sua relação com sua esposa, ela não fará uma análise sugerida por você. Não tem condições de escutar o que você diz.

Agora, como você está sendo acusado de fazer o que não faz e a sua filha está sendo perseguida pela mãe, você tem de sair dessa situação. Como? Só vejo duas possibilidades. Encontrar um aliado que possa convencer sua esposa a procurar um analista ou separar-se dela sem desproteger sua filha, que é vítima de uma conduta perversa da mãe. A acusação de que a menina acoberta a traição mostra quão comprometido o juízo de realidade da mãe.

O fato é que você, como pai responsável, precisa dar um basta ao que está ocorrendo e procurar um consultor para agir de maneira certa. Seu futuro e o de seus filhos dependem do modo como a mudança para outra situação vai ser feita.

Por Betty Milan

18/05/2010

às 19:02 \ Casamento, Sexo

Desencontros

Tenho 43 anos, sou casada há 20 e tenho dois  filhos pré-adolescentes. Meu marido sofre de ejaculação precoce e está ficando muito difícil manter o casamento, pois sinto necessidade de um prazer que está além dos amassos e da masturbação. A minha atração por ele se esvaiu. Já tentamos vários tratamentos (psicológicos e medicamentosos) e atualmente fazemos terapia de casal há um ano, mas não houve progresso. Meu marido insiste em “namorar”, procurando me recompensar com carícias sexuais às quais o meu corpo não reage. Quando a ejaculação não ocorre no período das carícias, acontece nos primeiros movimentos e isso me frustra demais. Ao conversarmos sobre o assunto, ele me diz que estou “focando” somente no sexo e é preciso “aproveitar” o que acontece. Ainda não consegui fazê-lo escutar que eu quero uma vida sexual saudável e não um prazer alucinado. Em alguns momentos fico muito irritada, pensando que só sirvo para validar o sucesso dele. Noutras, me digo que sou egoísta por querer me realizar sexualmente. Já disse que ele não faz de mim a sua mulher e eu sou somente a mãe dos filhos dele. Não sei se devo me conformar ou se há alguma saída.

Eu me pergunto por que você está na sua situação. Por ter o gozo da insatisfação ou por acreditar piamente na necessidade do casal, ou seja, por não conceber a separação?

Por outro lado, a ejaculação precoce é uma limitação, mas não é forçosamente um empecilho. A felicidade depende menos do desempenho sexual do que do encontro sexual dos amantes. E este pode inclusive excluir a penetração, como no ritual do asag, um ritual da Idade Media durante o qual o amante estava autorizado a fazer todas as carícias na sua amada, porém devia renunciar à penetração para provar que amava verdadeiramente.

Sei que o seu marido não é um trovador e você não é uma dama antiga, porém também sei, pelo seu e-mail, que ele a deixa alucinada e não a satisfaz. Que ele não a escuta. Ora, quem ama sabe contentar o amado, descobre uma maneira porque sabe escutar.

Já fizeram vários tratamentos e não há progresso. Você continua batendo na mesma tecla da vida sexual saudável e ele continua surdo. A experiência do casamento você já teve. Que tal ousar a separação para talvez encontrar um amor? Ou, mais simplesmente, ousar a transformação que é a base da vida?

Por Betty Milan

14/04/2010

às 20:38 \ Relacionamentos

O imperativo do casamento

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Tenho 27 anos e meu namorado tem 34. Namoramos três anos e ficamos dois anos separados. Estamos juntos novamente há poucos meses. Ele tem pavor do casamento. Nunca foi casado , mas tem um filho de 14 anos. O pai dele morreu quando ele tinha 2 anos e a mãe teve um relacionamento conturbado com outro homem, o que o levou a morar sozinho aos 17.

Primeiro, o nosso namoro acabou por eu deixar claro que queria me casar e não estava disposta a namorar longos anos. Agora, falo com muito cuidado sobre o assunto, ele gosta, mas quando vamos planejar, recua. Ele diz que quer ter uma família, mas não desenvolve o assunto. Eu , por minha vez , tenho uma família tradicional que “exige” o casamento. Não quero passar mais três anos namorando para depois não conseguir  formar uma família. Se não casar com ele, vou começar do zero novamente aos quase 30 anos. Às vezes, acho que não vejo as coisas claramente. Que está claro para todo mundo, menos para mim, que ele não vai se casar nunca. Socorro !!! 

A mãe do seu namorado perdeu o marido quando o filho tinha dois anos. Se acaso foi feliz no casamento, a felicidade durou pouco. Depois, teve um relacionamento tão conturbado que o filho foi obrigado a sair de casa. Ou seja, foi novamente infeliz e o  menino, que já havia crescido sem pai, foi obrigado a se separar precocemente da mãe. Só por  aí já dá para entender que   o seu namorado tenha horror ao casamento. Não sabe o que é uma vida de família boa.

Por outro lado,  aos 20 anos, ele teve um filho, ou seja, se tornou pai solteiro. A paternidade e o casamento para ele estão dissociados. Para você, que vem de uma família tradicional, um não existe sem o outro. Vocês dois não têm o mesmo ponto de vista. Seria bom saber o que o namorado quer dizer quando fala em fazer uma família. Ter mais um filho com você sem se casar?

Você  precisa correr o risco  do esclarecimento e tomar uma decisão em função disso. Tanto pode ser se separar e ficar esperando casamento porque nada é mais importante para você do que isso ou ficar com o atual namorado para o que der e vier,  aceitando-o como ele é. Agora, se você se separar, não faça isso porque a família “exige” o casamento, mas porque você quer assim. Obedecer à exigência da família não faz sentido porque a vida é sua, ou seja, quem paga pelos erros é você.

Por Betty Milan

07/04/2010

às 18:14 \ Relacionamentos

Maconha

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Há seis anos namoro um rapaz dois anos mais novo que eu. Tenho 31 e ele 29. Nos conhecemos na faculdade, estamos noivos e com planos de nos casar em 2011. O meu dilema, desde o início do relacionamento, é que ele fuma maconha. No início, ao descobrir, me revoltei. Me perguntava como uma pessoa tão legal pode se deixar levar por esse tipo de coisa. Tentei convencê-lo a parar, mas foi inútil. Certo dia, experimentei um cigarro para conhecer a sensação. Hoje fumo com ele de vez em quando e até gosto, mas isso é algo que não me domina e de que não sinto falta. Já ele, precisa da maconha para ficar relaxado, alegre…

Às vezes, penso que gosto mais dele quando está sob o efeito da maconha, pois fica menos sisudo. Ele tem muitos problemas familiares que o atrapalham e que ele não procura resolver. O que mais me  preocupa é que fui criada para rejeitar este tipo de coisa. Sempre fui a filha certinha, a aluna “caxias”, a profissional responsável. Me pergunto como será quando nos casarmos e tivermos filhos. Qual a importância que a maconha terá em nossas vidas e como conseguiremos evitar que nossos filhos “experimentem”. Gostaria de saber sua opinião sobre isso.

O problema não é a maconha, mas a dependência. Você fumou, gostou e não depende dela. O mesmo pode acontecer com os seus filhos se eles não estiverem predispostos ao vício. De acordo com o e-mail, seu namorado é dependente porque não procura resolver os problemas que tem, não encara os fatos. A origem da dependência, em geral, é o desejo de escapar à realidade da qual, aliás, o sujeito acaba se tornando vítima. Por isso, o recurso à droga é problemático. Entre os povos primitivos não era, graças à ritualização do consumo. As sociedades pré-colombianas utilizavam muitas plantas para os ritos religiosos. O tabaco, a coca e a maconha eram plantas sagradas, usadas pelos xamãs para atingir a dimensão espiritual da realidade e se comunicar com todos os seres.

O consumo se dava em jejum e era acompanhado de luz e som, movimentos corporais repetidos a fim de chegar ao transe, que tornava visível o invisível e permitia entrar em contacto com os espíritos da natureza para agir sobre ela. Ao contrário do que acontece conosco, a droga estava a serviço da coletividade e encontrava nesta a sua razão de ser. Os povos primitivos também eram mais civilizados por não serem vítimas do individualismo e não fazerem um uso nocivo da droga.

Por Betty Milan

 

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