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Pai separado

terça-feira, 14 de julho de 2009 | 15:10

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Será que o meu tema é tão irrelevante ou fim de fila assim? Vou mudar a formulação para ver se você me responde. Em junho de 2008 foi sancionado o projeto de lei que institui a guarda compartilhada dos filhos de pais separados, sempre que não há acordo entre eles.

Você acha possível respeitar alguém que seja contra a guarda compartilhada em caso de pais adultos, sadios e capazes? Possível respeitar quem opta por seu próprio umbigo em detrimento da realização dos filhos? Quem manipula vidas humanas por vingança? Sempre digo que o dia das mães é o dia da ilusão da onipotência.

Gostaria que você me ajudasse a entender os papéis paterno e materno na vida de uma criança.

Nenhum tema é irrelevante ou fim de fila. Mas o espaço do consultório sentimental é destinado a pessoas que se apresentam com uma história e uma questão pessoal. Você me escreveu mais de uma vez para saber o que eu penso da guarda compartilhada, porém nunca contou a sua história. Lógico que eu sou favorável à prática de compartilhar, sempre que possível. Deixei isso claro em alguns textos anteriores.

Estou respondendo agora ao seu e-mail porque, embora você não conte a sua história, deixa transparecer uma grande urgência de ter o seu ponto de vista aprovado aqui. De ouvir que os homens estão tão capacitados quanto as mulheres a se ocupar dos filhos. Que nenhum pai ou mãe responsável tem o direito de privar o filho do convívio com o cônjuge. Que a vingança não pode ser autorizada por se tratar de um sentimento destrutivo.

O seu ponto de vista é correto, porém isso não o autoriza a desrespeitar quem discorda dele. O desrespeito prejudica os filhos, que não podem se opor à separação dos pais, mas têm o direito de gostar dos dois. Quem se separa precisa agir com delicadeza, dedos de luva.

Convencionalmente, o papel do pai é facilitar a aceitação da lei, sem a qual a socialização é impossível. No entanto, nada impede a mãe de fazer isso desde que ela não viva na ilusão da onipotência. Porque, neste caso, ela não tem noção do limite e não pode facilitar nada. É a chamada mãe fálica, caracteristicamente autoritária. Está sempre certa e tem orelha de eucatex, ou seja, não ouve.

Por Betty Milan

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