
Não acredito mais na alegria. Me sinto reclusa. Parece que sou refém de uma promessa de casamento que não se cumpriu. Sinto uma aflição louca, que nada consegue afastar. Sei que o vazio é uma coisa séria e estou à beira de um precipício. Não quero me entregar, preciso lutar, não posso permitir que esta etapa da minha vida se prolongue por mais tempo. Sou casada há 19 anos. Tenho dois filhos adolescentes (17 e 14 anos) e me sinto uma mulher frustrada emocionalmente, sexualmente, conjugalmente, etc.
Quero ficar sozinha com os meus filhos, mas me falta coragem para dizer isso a ele. Meu marido é violento. Às vezes, me sinto exatamente como ele me chamava, “burra, idiota, imbecil”. Também sinto culpa por ter permitido tais agressões, mas não sei como sair dessa situação. O que você pode me dizer? Tenho vontade de coisas, conhecer outro homem. Será que todos são assim? Ou será que estou perdendo a razão?
Você está à beira de um precipício, correndo risco. Precisa de ajuda. Não espere mais para procurar um psiquiatra. Tratando a sua “aflição louca”, as suas ideias vão ficar mais claras e você poderá encontrar o caminho. O primeiro passo é você reconhecer que não pode tudo sozinha.
Claro que nem todos os homens são como o seu marido, mas neste momento a questão não é encontrar um outro homem e sim se separar do seu. Se ele é violento, você tem de pensar numa tática para dizer o necessário, evitando a violência. Quando você tiver saído completamente da posição masoquista, ele não poderá ser sádico. Para isso, você precisa se analisar e analisar as situações que vive. Usar a cabeça.
Lutar, neste momento, significa se escutar, o que já é um ato de amor por você mesma. Você precisa dar esse passo para deixar de ser refém de uma promessa que não se cumpriu, sair da clausura. Aprendendo a se escutar, você chega onde quer. Nós infelizmente não somos educados para a escuta. Porque a educação só valoriza o sucesso – na escola, no trabalho, no casamento – e não o amor próprio. A exemplo disso, a história de Michael Jackson. Tão glorioso quanto infeliz.















